quinta-feira, 15 de abril de 2021

Ambientalistas comemoram pandemia e avançam estudos de controle econômico e social

 

Ambientalistas comemoram pandemia e avançam estudos de controle econômico e social

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Segundo pesquisadores envolvidos no experimento chamado “Ano dos Oceanos Silenciosos”, os lockdowns e restrições sociais reduziram o tráfego de navios de carga em escala que seria “impossível” de outra maneira, afirma Peter Tyack, professor da Universidade de St. Andrews, Escócia.

Oceanógrafos de todo planeta se juntaram para investigar os efeitos do “momento único de silêncio” causado sobre espécies marítimas, com o objetivo de estudar a acústica dos oceanos antes, durante e após a pandemia. Ao todo, 200 sensores acústicos subaquáticos distribuído pelo mundo foram acionados.


“A ideia é usá-los para medir as diferenças no ruído e como elas afetam a vida marinha — como o canto das baleias ou os sons emitidos por cardumes”, afirma Tyack. Com dados obtidos, os pesquisadores pretendem aproveitar a oportunidade para avaliar os impactos da poluição sonora nos oceanos.

“A poluição e a mudança climática tiveram um impacto enorme nos oceanos do planeta — mas a questão do barulho é que é relativamente fácil diminuir o volume”, ressalta o professor. Publicado recentemente na revista Science, os ambientalistas têm como alvo as atividades de navegação, construção, militar e pesquisas submarinas nas áreas de petróleo e gás estão “abafando” a acústica natural do oceano.

Por que gorilas machos batem no peito? Novo estudo oferece evidências curiosas

 

Por que gorilas machos batem no peito? Novo estudo oferece evidências curiosas

KING KONG TORNOU ESSE COMPORTAMENTO FAMOSO, MAS CIENTISTAS AINDA SABEM POUCO SOBRE POR QUE OS GRANDES SÍMIOS REALIZAM ESSA EXIBIÇÃO DE PERCUSSÃO.

Um gorila-das-montanhas macho batendo no peito no Parque Nacional dos Vulcões de Ruanda.
FOTO DE NATURE PICTURE LIBRARY / ALAMY STOCK PHOTO

Desde o lançamento de King Kong nas telas de cinema em 1933, o gigante símio fictício expôs ao público do mundo todo um comportamento muito real entre os gorilas — bater no peito.

Mas talvez você se surpreenda ao saber que, embora cientistas tenham especulado sobre o significado desse comportamento de percussão, as evidências reais do porquê os gorilas machos às vezes batem no peito são escassas.

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“É um comportamento impressionante”, comenta Edward Wright, primatologista do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva na Alemanha. “Pode ser um pouco assustador. Ninguém ia querer estar frente a frente com um gorila batendo no peito.”

Curiosamente, embora a forte batida no peito de um gorila-das-montanhas macho pareça um sinal de agressividade, uma nova pesquisa de Wright mostra que o comportamento pode, na verdade, evitar o uso da violência entre esses enormes animais, que podem chegar a mais de 200 quilos.

Os gorilas-das-montanhas vivem em grupos familiares unidos, liderados por machos de dorso prateado, cuja autoridade é constantemente desafiada por outros machos. Ao anunciar seu tamanho, condição de acasalamento e habilidade de luta por meio de sons capazes de viajar longas distâncias através das densas florestas tropicais, os gorilas chefes estão sinalizando a pretensos desafiantes que é melhor eles pensarem duas vezes antes de começar uma confusão.

Para estudar o comportamento em detalhes inéditos, Wright e seus colegas passaram mais de três mil horas observando gorilas-das-montanhas ameaçados de extinção no Parque Nacional dos Vulcões, em Ruanda.

Enfrentando picadas de insetos enquanto caminhavam pelo terreno montanhoso e acidentado do parque, os cientistas observaram mais de 500 batidas no peito de 25 machos diferentes entre 2014 e 2016. Eles mantiveram uma distância segura dos animais, que já estão habituados à presença de pesquisadores, mas continuam altamente vulneráveis a doenças humanas.

A equipe, cujo trabalho foi financiado em parte pela National Geographic Society, utilizou equipamentos de áudio para registrar as frequências das batidas no peito, bem como o número de batidas e a duração de cada comportamento. Por fim, procuraram relações entre essas variáveis e os tamanhos dos gorilas. Para isso, analisaram fotografias para medir a largura máxima dos ombros de cada animal.  

Os resultados mostraram que os gorilas-das-montanhas maiores produziram sons com frequências mais baixas do que os gorilas menores — possivelmente porque gorilas maiores possuem sacos de ar maiores próximo à laringe. Isso significa que bater no peito não é apenas uma exibição visual, mas o que o estudo chama de “sinal honesto de capacidade competitiva” — não muito diferente do ronco de um jacaré ou do mugido de um bisão.

Embora estudos anteriores mostrassem que o tamanho do corpo de um gorila está ligado à dominação e ao sucesso reprodutivo, a ideia de que bater no peito também comunica algumas dessas informações era especulativa, de acordo com o novo estudo publicado recentemente na revista científica Scientific Reports.

“Nós tínhamos ideias e suspeitas, mas não havia dados reais para apoiar essa afirmação”, afirma Roberta Salmi, primatologista e diretora do Laboratório de Ecologia Comportamental de Primatas da Universidade da Geórgia, que não participou da pesquisa. “Fiquei feliz em finalmente ver esses resultados.”

O cartão de visitas de Kong

Embora bater no peito seja comum em filmes e outras representações da cultura pop, ainda há muitas informações erradas sobre esse comportamento.

Para começar, os gorilas da vida real não batem no peito com os punhos fechados. Em vez disso, eles colocam as mãos em forma de concha, o que amplifica os sons. Também se põem em pé, o que talvez seja outra maneira de garantir que as batidas possam ser ouvidas a quase um quilômetro de distância.

Gorilas de dorso prateado batem no peito com mais frequência quando as fêmeas sob sua proteção estão entrando no estro, o período em que elas ficam mais propensas a acasalar. Mas os machos não ficam fazendo isso o dia todo, como costuma ser mostrado em filmes.

Na verdade, Wright descobriu que cada macho batia no peito em média apenas 1,6 vezes a cada 10 horas. Gorilas machos de nível inferior, ou subordinados, também batem no peito, assim como gorilas machos bebês quando estão brincando.

Wright afirma que não parece haver uma relação entre o tamanho ou a dominância de um macho e quantas vezes ele bate no peito, ou quanto tempo dura essa exibição. Mas, segundo ele, uma sequência de batidas pode, potencialmente, comunicar a identidade de um animal, ou sua “assinatura individual”, para outros animais.

Gigantes não tão gentis

Embora gorilas sejam providos com músculos gigantescos e longos dentes caninos, eles raramente chegam à agressão. Wright acredita que isso seja, pelo menos em parte, porque as batidas no peito permitem que os machos avaliem uns aos outros sem recorrerem à violência física.

“Mesmo que seja provável que um gorila vença uma luta, ainda existe um fator de alto risco”, explica ele. “São animais grandes e poderosos, capazes de causar muitos danos.”

No caso de machos menores, o som da batida no peito de um gorila de dorso prateado pode desencorajá-los de se aproximarem. Da mesma forma, um gorila de dorso prateado pode ouvir as batidas produzidas por um macho menor que esteja por perto e decidir que ele é muito insignificante para se preocupar.

Como a frequência máxima das batidas no peito corresponde ao tamanho do corpo — que também está ligado ao domínio e ao sucesso reprodutivo — as gorilas fêmeas também têm motivos para prestarem atenção ao som. Batidas particularmente impressionantes podem atrair fêmeas para um grupo próximo, embora isso ainda não tenha sido estudado.

Salmi também estudou as batidas no peito em gorilas-ocidentais-das-terras-baixas. Curiosamente, essa espécie também exprime um comportamento de bater palmas — que parece ser uma maneira de alertar outros para algum perigo em potencial — que até agora não foi observado em seus parentes próximos das montanhas.

Considerando os resultados do novo estudo, o próximo passo é analisar como outros gorilas utilizam as informações codificadas em sons de batidas no peito, afirma Salmi.

Ela comenta que “será muito interessante ver como o som de batidas no peito nos ambientes em que os gorilas vivem pode afetar seus movimentos e decisões sobre quais áreas usar em seus territórios.”

Fonte: National Geographic Brasil