quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Marinha suspende bombardeio em ilha no arquipélago de Alcatrazes

 ((O)) ECO



https://oeco.org.br/noticias/marinha-suspende-bombardeio-em-ilha-no-arquipelago-de-alcatrazes/

Marinha suspende bombardeio em ilha no arquipélago de Alcatrazes

Exercício militar havia sido agendado para os dias 16 e 17 de agosto na Ilha Sapata, na zona de amortecimento do Refúgio de Vida Silvestre Alcatrazes, em pleno período reprodutivo das aves

DUDA MENEGASSI · 

9 de agosto de 2022

Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes. Foto: Daniele Bragança.


https://pt.wikipedia.org/wiki/Alcatrazes#/media/Ficheiro:Brazil_Sao_Paulo_location_map.svg



Na última semana, veio à público a notícia de que a Marinha do Brasil havia agendado um exercício de tiros na Ilha Sapata, que faz parte da zona de amortecimento do Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes, no litoral norte paulista, para os dias 16 e 17 de agosto. A notícia causou uma imediata repercussão na sociedade civil e no próprio ICMBio, que gerencia as áreas protegidas do Núcleo de Gestão Integrada Alcatrazes, por se tratar do período reprodutivo de aves migratórias e de migração de baleias pela região do arquipélago. O alerta sobre os possíveis impactos do exercício militar na fauna silvestre de Alcatrazes – para além apenas da ilha Sapata – fizeram a Marinha suspender a ação. 

A data inicialmente agendada pela Marinha estava fora do período acordado através de Termo de Compromisso com o ICMBio para realização dos exercícios militares, que devem ser feitos entre novembro e abril. A prática é restrita à Ilha Sapata e 1 quilômetro do mar no seu entorno, como parte de acordo firmado entre os órgão militar e ambiental para criação do Refúgio e por isso foi deixada de fora do traçado da unidade de conservação (UC) marinha.

Em nota oficial enviada a ((o))eco, o ICMBio respondeu que devido à época reprodutiva das aves no Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes, orientou a Marinha, por meio de ofício, pelo adiamento do exercício de tiro. “Em resposta ao ICMBio, a Marinha do Brasil adiou a atividade agendada na região”. 

((o))eco havia entrado em contato com a Marinha solicitando o posicionamento do órgão diante da manifestação do ICMBio e da sociedade civil, mas não recebeu resposta. Também não foi publicizado se a Marinha já definiu uma nova data para o exercício.

“Conforme exposto na Informação Técnica no 13/2021-CEMAVE/DIBIO/ICMBio, a realização de exercícios de tiro na época reprodutiva das aves pode comprometer em até 75% o sucesso reprodutivo da temporada, e recomenda o aprofundamento do conhecimento da fenologia das fragatas (Fregata magnificens), bem como de outras espécies que nidificam no Arquipélago, visando a definição dos períodos mais adequados para realização de treinamentos militares. Enquanto não houver resultados desses estudo, orientamos que o exercício seja realizado na data acordada previamente com a Marinha, justamente para evitar a sobreposição da atividade com a principal época reprodutiva das aves”, apontou o presidente do ICMBio, Marcos Simanovic, em ofício enviado à Marinha logo após o agendamento do exercício militar. “Ressaltamos que a conservação dos ninhais é um dos principais objetivos do Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes”, completa.

O Refúgio de Vida Silvestre de Alcatrazes foi criado em 2016 e engloba todo o arquipélago dos Alcatrazes, com exceção da ilha Sapata, e as ilhas já protegidas pela Estação Ecológica Tupinambás, unidade de conservação contígua que é gerida de forma conjunta ao refúgio através do Núcleo de Gestão Integrada (NGI) Alcatrazes/ICMBio. Ao todo, as duas UCs somam cerca de 70 mil hectares, entre áreas terrestres e marinha.

A ilha de Alcatrazes, principal ilha do arquipélago, foi utilizada como alvo para treinamentos de tiro até 2013, quando foi substituída pela ilha Sapata. No acordo costurado com a Marinha para criação da unidade de conservação, foi decidido que a ilha ficaria de fora do traçado do refúgio justamente para que o órgão militar fizesse seus treinamentos lá, e não nas demais ilhas do arquipélago, hoje protegidas. A Ilha Sapata faz parte da zona de amortecimento do refúgio, ou seja, da faixa que circunda a unidade de conservação e também tem uso restrito, onde também é proibida a pesca e o mergulho. A ilha foi escolhida porque nela os impactos dos exercícios de tiros seriam potencialmente menores, uma vez que não há espécies endêmicas e ameaçadas identificadas na ilha.

O último exercício de tiros realizado na ilha foi no ano passado, dentro do período acordado.

De acordo com o plano de manejo do Refúgio, os exercícios de tiros podem causar impactos tanto pela perturbação da avifauna do arquipélago, ocasionada pelo estampido sonoro, bem como pelo risco de dispersão e acúmulo de projéteis no fundo marinho. 

(Alcatrazes é o maior sítio reprodutivo de aves marinhas da costa brasileira, com uma população que gira em torno de 10 mil aves. Além disso, por conta de sua diversidade de flora e fauna, com mais de 20 espécies endêmicas, o arquipélago é conhecido como "Galápagos do Brasil".[4]

O conjunto é protegido, desde 1967, pela Estação Ecológica Tupinambás, uma Unidade de Conservação Federal de Proteção Integral, e, desde 2016, pelo o Refúgio de Vida Silvestre do Arquipélago de Alcatrazes, que é atualmente a segunda maior unidade de conservação integral da Marinha do Brasil depois do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos.) Wikipedia)

“Há registro da destruição de ninhos de atobás e gaivotões na ilha da Sapata, pelo impacto dos projéteis. As fragatas perturbadas nos ninhos pelo efeito sonoro dos disparos podem abandoná-los, deixando ovos e filhotes sujeitos a queda e a predação”, descreve o documento

Mobilização da sociedade civil

O vereador Fernando Puga (PT), do município de São Sebastião, responsável por um abaixo-assinado contra o exercício da Marinha, comemorou em suas redes o adiamento da atividade. “A sociedade civil do litoral norte precisa se manter unida e atenta, para que a gente consiga não só essa, mas uma vitória definitiva que é eliminar qualquer tipo de exercício de tiro em Alcatrazes”, declarou em vídeo publicado na tarde desta terça (09).

abaixo-assinado organizado por ele já somava mais de 10 mil assinatura

 

Brasil desmatou 20% a mais em 2021 do que no ano anterior

 https://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2022/07/19/178592-brasil-desmatou-20-a-mais-em-2021-do-que-no-ano-anterior.html?utm_source=ambientebrasil&utm_medium=jornal_diario


Brasil desmatou 20% a mais em 2021 do que no ano anterior

Relatório aponta alta de destruição em todos os biomas brasileiros. Com 98% de ilegalidade, desmatamento é movido principalmente pelo avanço da agropecuária.

O Brasil perdeu 16,5 mil quilômetros quadrados de mata nativa em 2021, uma área equivalente a dez vezes a cidade de São Paulo. Em relação ao ano anterior, o desmatamento em todo o território nacional cresceu 20%, aponta o Relatório Anual de Desmatamento no Brasil (RAD), do MapBiomas, lançado nesta segunda-feira (18/07).

“Houve alta em todos os biomas, não é algo concentrado na Amazônia. É um fenômeno que está acontecendo em todo o país”, afirma Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas, uma iniciativa que reúne universidades, ONGs e empresas de tecnologia e disponibiliza os dados numa plataforma online gratuita.

No ranking da destruição por bioma, a Amazônia é a primeira, com 59% do total de desmatamentos registrados no país. Em 2021, foram 9,7 mil km2 de corte desse bioma, 15% a mais do que o verificado no ano anterior.

Para chegar aos resultados, a equipe do MapBiomas analisou 69.796 alertas de desmatamento captados pelos satélites que integram diferentes sistemas, como o Deter (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Inpe), SAD (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia, Imazom), GLAD (Universidade Maryland), SIRAD-X (Instituto Socioambiental, ISA), SAD Caatinga (Geodatin e Universidade Estadual de Feira de Santana, Uefs), SAD Pantanal (SOS Pantanal e ArcPlan) e SAD Mata Atlântica (SOS Mata Atlântica e ArcPlan).

“Todos os alertas são avaliados por nossos analistas. Os dados são abertos, gratuitos, podem ser usados não apenas pelo governo, mas por instituições como os bancos. Eles podem, por exemplo, checar se quem pede dinheiro emprestado é um desmatador ilegal usando esse banco de dados”, afirma Azevedo.

Alta ilegalidade, alta velocidade

O relatório, feito pelo terceiro ano seguido, indica também uma alta taxa de ilegalidade: 98% dos desmatamentos detectados estão fora da lei. Isso significa que há problemas como falta de autorização dos órgãos responsáveis, sobreposição a áreas que deveriam ser protegidas nos imóveis rurais ou sobreposição a áreas públicas protegidas, como unidades de conservação.

Outro destaque negativo é o aumento do tamanho médio dos desmatamentos. De 2020 para 2021, o número de áreas impactadas com mais de 100 hectares saltou de 2.026 para 3.040.

A velocidade com a qual a mata nativa é devastada no país ficou mais acelerada no período: com uma média de 191 novos alertas por dia, a área de desmatamento diário em 2021 foi de 45 km2. É como se um estádio do Maracanã desaparecesse a cada dois minutos.

É possível ainda, mostra o relatório, saber e penalizar quem comete as irregularidades, já que a maior parte do corte, 76%, ocorreu sobre áreas que estão registradas no Cadastro Ambiental Rural (CAR). Esse registro é obrigatório para todos os imóveis rurais de acordo com o Código Florestal.

“Isso significa que em pelo menos 3/4 dos desmatamentos é possível encontrar um responsável”, diz Azevedo, ressaltando que o dano à vegetação nativa foi registrada em apenas 0,9% dos mais de 7 milhões de imóveis cadastrados no CAR.

De onde vem a pressão

Pela primeira vez desde sua primeira edição, o relatório analisou as atividades econômicas que mais influenciaram as áreas desmatadas. A agropecuária aparece como o principal vetor, responsável por 97% dos casos, seguida pelo garimpo (0,5%), expansão urbana (0,4%), mineração (0,1%) e outros motivos (2,5%) ainda em estudo para futuro detalhamento, como construção de usinas eólicas e solares.

“O desmatamento pode até ter sido feito por um especulador ou grileiro, mas quem mais se beneficia dele, quem mais usa a terra em questão, é a agropecuária”, afirma Azevedo.

Para chegar a essa conclusão, os analistas consideram informações como formato e localização do desmatamento, assim como atividades econômicas do entorno e dados em banco públicos.

Duas regiões em especial são apontadas como as mais afetadas pela expansão da fronteira agrícola, a chamada Amacro, na divisa dos estados de Amazonas, Acre e Rondônia, e a Matopiba, no encontro de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

Fiscalização e punição

Apesar de todo detalhamento disponível, a fiscalização ainda segue a passos lentos. Até maio de 2022, apenas 5,2% da área desmatada sofreu embargo ou autuação do Ibama.

“As áreas onde existem indícios de ilegalidade deveriam ser imediatamente embargadas, já que isso pode ser feito remotamente, não é preciso ir até lá. Com isso, a propriedade não conseguiria qualquer tipo de financiamento até que pare o dano e comece a ser feita a recuperação da vegetação”, diz Azevedo.

Um estudo recente publicado pelo Imazom mostrou que a tecnologia pode ser uma importante aliada para barrar os crimes ambientais e a violência no campo. Provas obtidas remotamente, como imagens de satélites e dados públicos sobre terras, passaram a ser consideradas pelo Judiciário e podem acelerar punições.

É o que indica a análise de mais de 3 mil processos movidos entre 2017 e 2020 pelo Programa Amazônia Protege, criado pelo Ministério Público Federal para responsabilizar os desmatadores ilegais por meio de ações civis públicas. Juntos, esses processos tentam punir a derrubada de 2,3 mil km2 de floresta com pedidos de indenizações que somam R$ 3,7 bilhões.

A pesquisa mostrou que, embora a condenação em primeira instância seja baixa (8% dos casos), as instâncias superiores são mais propensas a usar a essas inovações jurídicas que podem mudar o rumo da impunidade.

“Com as decisões favoráveis ao uso de satélite para responsabilizar desmatadores ilegais, já temos um grande avanço no Judiciário, que é esse aporte tecnológico para localizar e punir quem está degradando a Amazônia. Isso desobriga um único meio de comprovação do crime, como a visita in loco dos órgãos ambientais para poder comprovar que a área está sendo desmatada, especialmente na Amazônia, onde as distâncias e o acesso são um grande desafio”, afirma Jeferson Almeida, pesquisador do Imazon.

Fonte: Deutsche Welle

Em Pantanal, Zé Leôncio e Velho do Rio prendem caçadores, mas Brasil afora, criminosos matam animais silvestres impunemente

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Em Pantanal, Zé Leôncio e Velho do Rio prendem caçadores, mas Brasil afora, criminosos matam animais silvestres impunemente

Em Pantanal, Zé Leôncio e Velho do Rio prendem caçadores, mas Brasil afora, criminosos matam animais silvestres impunemente

O capítulo da terça-feira (09/08) da novela Pantanal, exibida pela Rede Globo, mostrou o personagem Zé Leôncio, interpretado pelo ator Marcos Palmeira, e os peões da fazenda indo atrás de caçadores que estavam na propriedade. Durante a noite, são ouvidos tiros e imagens mostram três homens armados andando pela mata. Com a ajuda do Velho do Rio, vivido com maestria por Osmar Prado, os criminosos ficam encurralados e são pegos. No dia seguinte, são entregues para integrantes da polícia, que chegam no local.

Escrita em 1990 por Benedito Ruy Barbosa e exibida pela extinta TV Manchete, o remake da novela está sendo adaptado por Bruno Luperi, neto do autor original, que tem usado a ficção para chamar a atenção sobre vários e importantes assuntos ambientais e sociais: desde o perigo dos incêndios para o Pantanal e a extinção de espécies do bioma, como também sobre o respeito à sexualidade dos personagens, como é o caso do preconceito enfrentado por Zaqueu (Silvero Pereira) até a violência psicológica e moral sofrida por Maria Bruaca (Isabel Teixeira).

Na terça, Luperi usou Pantanal para falar de dois temas ambientais: a visita de Joventino (Jesuíta Barbosa) na fazenda de Santa Catarina para conhecer de perto um modelo mais sustentável de agricultura e o problema da caça a animais silvestres.

Atualmente, no Brasil, somente está liberada a caça de controle a uma espécie animal exótica e invasora, o javali-europeu (Sus scrofa) e a seu híbrido, o porco-doméstico (javaporco). Todavia, a pena para quem for autuado matando outra espécie de animal é de apenas seis meses a um ano de prisão e multa.

Diante então de uma punição tão branda, e ainda mais com a falta de fiscalização no país e o incentivo do governo Bolsonaro para o porte de armas, em especial entre caçadores, os criminosos se sentem fortalecidos.

Caçadores flagrados dentro de reservas e unidades de conservação

Esta semana mostramos aqui no Conexão Planeta o registro do nascimento de um segundo filhote, só em 2022, na reserva do Rio de Janeiro onde antas ficaram extintas durante um século. A descoberta foi feita graças às imagens obtidas pelas armadilhas fotográficas instaladas pela equipe do Projeto Refauna 
na Reserva Ecológica de Guapiaçu, no município de Cachoeiras de Macacu.

Entretanto, apesar da boa notícia, os pesquisadores revelaram que as câmeras registraram no mesmo local e no mesmo dia que o filhote passou com a mãe, caçadores armados passando pela trilha.

“Infelizmente, imagens de caçadores têm se tornado cada vez mais comuns em nossos monitoramentos. Um dos problemas do aumento expressivo do acesso às armas de fogo é pôr em risco nossa fauna, incluindo espécies ameaçadas de extinção, e a equipe que está constantemente em campo”, alertou o Refauna.

Já no Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná, uma Unidade de Conservação de Proteção Integral criada com o objetivo de preservar um dos mais significativos remanescentes da Mata Atlântica na América do Sul e onde são proibidas a caça e a pesca, entre 2009 e 2019, a Polícia Ambiental e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) registraram mais de 1.300 autos de infração. Entre as principais vítimas estão animais como cutias, pacas, veados, porcos-do-mato, catetos e até espécies de grande porte, como antas, onças-pardas e pintadas.

E desde que o presidente Jair Bolsonaro assumiu o governo e colocou em prática sua política armamentista, houve um salto de 333% nos novos registros de armas para CACs (caçadores, atiradores e colecionadores de armas de fogo). Entre 2018 e 2021, o número passou de 59.439 para 257.541.

Pra piorar ainda mais este cenário, que coloca em risco a nossa fauna e apesar de 93% dos brasileiros serem contra a caça, existe um projeto de lei tramitando no Congresso Nacional que prevê a legalização da caça esportiva de animais silvestres no Brasil. O PL 5544/2020 é de autoria do ex-deputado federal Nilson Stainsack (leia mais aqui).

Infelizmente, se um projeto como esse for aprovado, não vai existir Zé Leôncio ou Velho do Rio na vida real para proteger nossos animais.

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Contra a caça de animais silvestres: por mais vida e paz em nossas florestas!

Foto: divulgação TV Globo