quarta-feira, 16 de junho de 2021

Milhares de pessoas assinam petição contra complexo eólico próximo a único refúgio da arara-azul-de-lear do país







Milhares de pessoas assinam petição contra complexo eólico próximo a único refúgio da arara-azul-de-lear do país

Milhares de pessoas assinam petição contra complexo eólico próximo a único refúgio da arara-azul-de-lear do país

Há poucas semanas divulgamos aqui no Conexão Planeta uma denúncia feita pela Fundação Biodiversitas sobre a construção de um complexo eólico, em Canudos, na Bahia, próximo ao único habitat da arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari) no Brasil. A espécie é considerada em perigo de extinção, de acordo com a União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN). Pelo último censo, realizado em 2019, estima-se que sejam apenas 1.500 aves (leia reportagem completa aqui).

Além do temor de especialistas de que as 80 turbinas eólicas possam causar risco de colisão para as araras, há ainda um outro problema: a Voltalia, multinacional francesa responsável pelo empreendimento, não precisou apresentar um licenciamento ambiental completo para obter a permissão para a obra.

Uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) estabelece a exigência de Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima), além de audiências públicas, para plantas eólicas que estejam situadas em “em áreas de ocorrência de espécies ameaçadas de extinção e endemismo restrito”.

Apesar disso, o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema) aprovou o projeto somente com a apresentação do licenciamento simplificado. 

Questionados sobre a razão pela qual o licenciamento ambiental completo não foi requisitado para a Voltalia, tanto o Inema como o Cemave – centro nacional voltado para a conservação das aves silvestres ligado ao ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) – não responderam aos e-mails enviados para suas assessorias de imprensa.

Milhares de pessoas assinam petição contra complexo eólico próximo a único refúgio da arara-azul-de-lear do país

A arara-azul-de-lear tem o hábito de realizar longos voos diariamente, cerca de 60 a 80 km. No mapa acima, a localização do Complexo Eólico de Canudos está indicada com a seta vermelha, onde aparecem as linhas amarelas. A mancha clara apresenta a área de uso da espécie

Petição online contra a obra

Indignada com a situação, uma jovem ativista ambiental, de 18 anos, resolveu criar uma petição online pedindo a suspensão da construção do complexo eólico de Canudos. Náthaly Marcon é auxiliar de veterinária, apaixonada por araras-azuis, e decidiu tomar a iniciativa de chamar a atenção sobre a questão.

Na petição, que é endereçada ao presidente executivo da Voltalia, Sebastian Clerc, ao presidente da empresa no Brasil, Robert Klein, e ao governador da Bahia, Rui Costa, ela ressalta a importância da preservação da arara-azul-de-lear.

Em pouco menos de uma semana, a petição no site Change.org já tem mais de 15 mil assinaturas. Se você também é contra a obra e gostaria que as autoridades locais se pronunciassem a respeito, assine e compartilhe o link.

Milhares de pessoas assinam petição contra complexo eólico próximo a único refúgio da arara-azul-de-lear do país

A arara-azul-de-lear foi descrita pela primeira vez em 1856, mas seu habitat permaneceu desconhecido por mais de um século. Foi apenas em 1978 que pesquisadores descobriram sua localização, na região conhecida como Raso da Catarina, na Bahia

Leia também:
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Jardins da Arara de Lear: livro conta a história linda da descoberta desta espécie em risco de extinção

Fotos: arara-azul-de-lear (João Marcos Rosa/Fundação Biodiversitas)

Fungos que computam podem ser seres mais inteligentes da Terra, diz cientista

 


Fungos que computam podem ser seres mais inteligentes da Terra, diz cientista

Redação do Site Inovação Tecnológica - 07/06/2021

Computação biológica: Os fungos são os seres mais inteligentes da Terra?
A comunicação dos fungos é tão complexa que os pesquisadores estão propondo usá-los como computadores biológicos.
[Imagem: Dehshibi et al. - 10.1016/j.biosystems.2021.104373]

Computador de fungo

Você já ouviu falar de computadores químicoscomputadores feitos com plantasprocessadores feitos de gel e até um processador que usa gotas de água em vez de eletricidade.

Pois agora a chamada biocomputação está para incorporar um novo elemento da natureza: os fungos.Você já ouviu falar de computadoresquímicoscomputadores feitos com plantasprocessadores feitos de gel e até um processador que usa gotas de água em vez de eletricidade.

Afirmar que os fungos sejam os organismos vivos mais inteligentes do mundo parece soar como um exagero, mas não para o professor Mohammad Dehshibi, da Universidade da Catalunha, na Espanha, que afirma que os fungos podem ser usados diretamente como dispositivos computacionais.

Pesquisadores japoneses já haviam demonstrado que um fungo consegue reproduzir o projeto do metrô de Tóquio, mas o professor Dehshibi afirma que seu uso pode ser muito mais genérico e versátil, permitindo resolver uma infinidade de problemas computacionais.

Ele está trabalhando especificamente com os micélios, aquelas teias emaranhadas (higas) formadas por fungos como o Pleurotus djamor, conhecido como cogumelo-ostra-rosa.

"Alterando as condições ambientais, podemos reprogramar uma geometria e uma estrutura teórica dos gráficos das redes de micélio e, em seguida, usar a atividade elétrica dos fungos para criar circuitos de computação," propõe o pesquisador.

Mais complexo que o cérebro humano

Esse "processador de fungo" se tornou uma opção sobre a qual vale a pena pensar quando a equipe descobriu que o cogumelo-ostra-rosa gera disparos de potencial elétrico, muito similares às sinapses do cérebro, que se espalham por toda a rede do micélio.

Essa atividade elétrica do fungo corresponde a um sistema de comunicação interna extremamente complexo. De fato, os pesquisadores demonstraram que a complexidade dessa "linguagem" é maior do que a de muitas línguas humanas em termos de comunicação.

Eles então viram nisso a possibilidade de usar os sinais elétricos do fungo como um meio eficiente e prático de transmissão de informação e computação, dando aos fungos um potencial muito interessante como computadores biológicos. A proposta é utilizar uma variedade de medições para traduzir esses sinais elétricos em mensagens de acordo com a classificação dos picos de potencial detectáveis, as "sinapses fúngicas", por assim dizer.

A tarefa não é simples: Os sinais elétricos no tecido do fungo são tão complexos que as mais modernas técnicas da neurociência, usadas para medir os potenciais de disparo das sinapses no cérebro humano, não foram capazes de decifrá-los. A equipe então propõe desenvolver um método para detectar o tempo de chegada dos disparo spor meio de algoritmos recursivos, que permitam a caracterização da atividade elétrica.

"No momento, há dois grandes desafios a serem enfrentados [para usar fungos como computadores]," explicou Dehshibi. "O primeiro é implementar um propósito computacional que faça sentido. O segundo é caracterizar as propriedades dos substratos fúngicos para descobrir seu verdadeiro potencial computacional."

Computação biológica: Os fungos são os seres mais inteligentes da Terra?
Os programas usadas pela neurociência para decifrar os sinais do cérebro humano não foram capazes de lidar com a complexidade da comunicação dos fungos.
[Imagem: Dehshibi et al. - 10.1016/j.biosystems.2021.104373]

Computador ambiental

Mas a pergunta que precisa ser feita é: Será que realmente podemos esperar ver, mesmo que num futuro distante, um laptop com um microprocessador feito de fungos?

Para Dehshibi, o objetivo dos computadores de fungos não é substituir os processadores de silício, já que as ações nesse proposto computador biológico são lentas para isso. Mas as propriedades dos fungos poderiam ser usadas como um "sensor ambiental em grande escala".

Por exemplo, redes fúngicas poderiam monitorar grandes quantidades de fluxos de dados como parte de sua atividade diária. Se pudéssemos nos conectar às suas redes e interpretar os sinais que eles usam para processar informações, então poderíamos aprender muito sobre o que está acontecendo em um ecossistema e, eventualmente, agir se houver necessidade, propõe Dehshibi.

Bibliografia:

Artigo: Electrical activity of fungi: Spikes detection and complexity analysis
Autores: Mohammad Mahdi Dehshibi, Andrew Adamatzky
Revista: Biosystems
Vol.: 203, 104373
DOI: 10.1016/j.biosystems.2021.104373

Artigo: Reactive fungal wearable
Autores: Andrew Adamatzky, Anna Nikolaidou, Antoni Gandia, Alessandro Chiolerio, Mohammad Mahdi Dehshibi
Revista: Biosystems
Vol.: 199, 104304
DOI: 10.1016/j.biosystems.2020.104304