quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Carlos Nobre defende no Vaticano o uso da 4ª Revolução Industrial para o desenvolvimento da Amazônia

Carlos Nobre defende no Vaticano o uso da 4ª Revolução Industrial para o desenvolvimento da Amazônia

 

 

Carlos Nobre, o reconhecido cientista do IEA-USP falou ontem ao Papa Francisco e aos bispos reunidos no Vaticano para o Sínodo para a Amazônia. Segundo O Globo, afirmou que só um novo paradigma de desenvolvimento baseado na biodiversidade da floresta em pé e no saber tradicional por meio do emprego de ciência e alta tecnologia pode trazer justiça social e riqueza sustentável para a região.

Em sua fala, Carlos Nobre fez referência ao documento científico “Marcos Científicos para Salvar a Amazônia” assinado por 60 cientistas dos países amazônicos e por pesquisadores globais da floresta, lançado oficialmente ontem. Em artigo no Valor, Daniela Chiaretti comenta detalhes do documento.


Segundo Daniela, Nobre disse que “há uma oportunidade emergente de desenvolver um novo paradigma sustentável que garanta que a floresta valha muito mais em pé do que derrubada (…) Utilizando a melhor ciência e avançadas tecnologias da Quarta Revolução Industrial, esta nova abordagem pode salvar a floresta”. Nobre reforçou que “este novo paradigma de desenvolvimento sustentável” deve ser socialmente inclusivo e justo, fortalecer comunidades, indígenas e mulheres, e combinar os conhecimentos científicos com os tradicionais.


ClimaInfo, 9 de outubro de 2019.

Queimadas ameaçam espécies em risco na Amazônia

Queimadas ameaçam espécies em risco na Amazônia



05 Setembro 2019   |   1 Comment
Por WWF-Brasil

As queimadas das últimas semanas estão elevando o risco das 265 espécies ameaçadas de extinção que existem hoje na Amazônia, alerta o WWF-Brasil. São 180 espécies da fauna, das quais 124 ocorrem apenas no bioma, e 85 da flora. O risco é maior para as espécies que estão sendo atingidas pelo fogo e não estão sob nenhum mecanismo de proteção. Este é o caso, por exemplo, da cuíca-de colete (Caluromysiops irrupta) que teve registro em 1964 em Rondônia, um dos estados com maior índice de desmatamento. Além dela, cerca de mais 60 espécies da Amazônia estão nessa situação de vulnerabilidade. Para as espécies em risco que contam com algum mecanismo de proteção, como o tatu-canastra, a queixada e o tamanduá-bandeira, as queimadas são um dos principais fatores de risco a sua sobrevivência.

Embora Unidades de Conservação (UCs) ou Planos de Ação Nacional (PAN) protejam 76% das espécies em risco do bioma Amazônia, nenhum deles pode proteger a fauna e flora das queimadas. No caso das UCs, o fogo atingiu principalmente aquelas que têm maior índice de desmatamento: Área de Proteção Ambiental Triunfo do Xingu em Pará (PA), Floresta Nacional do Jamanxim (PA), Área de Proteção Ambiental Tapajós (PA), Reserva Extrativista Jaci Paraná (RO), Estação Ecológica Terra do Meio (PA), Reserva Extrativista Chico Mendes (AC), Floresta Nacional de Altamira (PA), Reserva Extrativista Rio Preto – Jacundá (RO), Reserva Biológica Serra do Cachimbo (PA) Floresta Nacional do Amanã (AM/PA).

Estima-se que dentro dessas UCs ocorram pelo menos 55 espécies ameaçadas (44 da fauna e 11 da flora), sendo que 24 são endêmicas do Brasil.  Para 5 espécies, a queimada é uma das principais ameaças:
 

Grupo

Espécie

Nome comum

Aves Tinamus tao Azulona
Mamíferos Priodontes maximus Tatu-canastra
Mamíferos Tayassu pecari Queixada
Aves Urubitinga coronata Águia-cinzenta
Mamíferos Myrmecophaga tridactyla Tamanduá-bandeira

Estatísticas WWF-Brasil a partir do cruzamento de dados do INPE, levantamentos sobre a fauna da região da base de dados do WWF-Brasil e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

A floresta Amazônica abriga cerca de 30.000 espécies de plantas ou 30% de todas as espécies vegetais da América do Sul. As florestas são vitais para a saúde do planeta, uma vez que abrigam bem mais da metade das espécies terrestres do mundo e são um dos agentes responsáveis pela maior quantidade de captura de carbono, o que mitiga a crise climática.  E a fauna silvestre, por sua vez, é vital para manter as florestas saudáveis e produtivas, cumprindo funções como a polinização e a dispersão de sementes, além de outros papéis essenciais para sua própria regeneração e o armazenamento de carbono.

Mauricio Voivodic, diretor-executivo do WWF-Brasil, afirma que precisamos defender florestas saudáveis e produtivas. "É preciso haver um sinal claro por parte do governo e da sociedade que o Brasil não aceita mais a destruição de seu principal patrimônio biológico. O governo federal precisa garantir que Unidades de Conservação e Terras Indígenas sejam efetivamente protegidas de ocupações e atividades ilegais. O setor corporativo também tem um importante papel a desempenhar, monitorando suas cadeias de suprimentos para garantir a compra de produtos livres de desmatamento. Todos nós podemos ajudar, e a hora é agora: não há mais tempo a perder”, ressalta Voivodic.

Marcelo Oliveira, biólogo e especialista em conservação do WWF-Brasil, explica que a fauna silvestre é vital para cumprir funções como a polinização e a dispersão de sementes, além de outros papéis essenciais para a regeneração das florestas. “O desmatamento e as queimadas destroem os habitats das espécies causando prejuízos de muitos anos, para muito além do fogo dos meses de agosto até outubro”, afirma Oliveira.

As queimadas acontecem em um cenário de declínio nas populações de animais nas florestas, como comprovou recente estudo da rede WWF (Fundo Mundial para a Natureza) com a primeira avaliação global da biodiversidade florestal de 1970 até 2014. Ela mostrou que as populações monitoradas de aves, mamíferos, anfíbios e répteis que vivem em florestas diminuíram, em média, 53% no período estudado. A perda e a degradação de habitats causada principalmente pela atividade humana, como o desmatamento, é a causa de 60% das ameaças a florestas e espécies florestais. Os declínios foram maiores em florestas tropicais, como a floresta amazônica.

Por isso, o WWF tem pedido aos líderes mundiais que declarem emergência planetária e assegurem um "Novo Acordo para a Natureza e para as Pessoas" até 2020, que barre a emergência climática, proteja a natureza remanescente e torne o nosso modelo de consumo e produção mais sustentável. Proteger e restaurar florestas deve estar no centro deste acordo.

Sobre o WWF-Brasil
O WWF-Brasil é uma organização não-governamental brasileira e sem fins lucrativos que trabalha para mudar a atual trajetória de degradação ambiental e promover um futuro onde sociedade e natureza vivam em harmonia. Criada em 1996, atua em todo Brasil e integra a Rede WWF. Apoie nosso trabalho em wwf.org.br/doe
 

Um em cada três focos de queimadas na Amazônia tem relação com o desmatamento


Um em cada três focos de queimadas na Amazônia tem relação com o desmatamento



06 Setembro 2019   |   0 Comments
Na Amazônia, 31% dos focos de queimadas registrados até agosto deste ano localizavam-se em áreas que eram floresta até julho de 2018. A conclusão é de uma análise feita pela equipe do WWF-Brasil, sobre focos de queimadas no bioma, com base em séries históricas de imagens de satélite e em dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Esse resultado revela que aproximadamente um em cada três focos de queimadas registrados em 2019 não tiveram relação com a limpeza de pastagens, mas sim com queimadas que sucederam o corte de áreas de floresta, no ciclo tradicional de corte e queima. Historicamente, na Amazônia, o uso do fogo é um dos estágios finais do desmatamento após o corte raso da floresta.

Os líderes dos países amazônicos devem assinar hoje (6/9), na cidade de Letícia, na Colômbia, um Pacto Pela Amazônia. A proposta consistia em coordenar esforços para defender o bioma nesta imensa crise. Mas o governo brasileiro pode pressionar para que o pacto seja fraco e apoiar a mineração e outras indústrias extrativistas, com grandes impactos ambientais, prejudicando toda a região.

O mês de agosto trouxe notícias preocupantes para a Amazônia brasileira: a área com alertas de desmatamento foi de 1.394 km2, um valor 120% maior do que o mesmo mês em 2018. Somente nos oito primeiros meses de 2019, a área total com alertas de desmatamento foi de 6 mil km2, um valor 62% maior do que o observado para o mesmo período em 2018.

Acompanhando o rastro do desmatamento, o número de focos de queimadas na Amazônia, entre janeiro e agosto de 2019, cresceu mais de 110%, na comparação com o mesmo período de 2018. Ao todo, foram registrados 46.825 pontos, segundo a medição do Programa Queimadas do INPE. Esse valor representa um aumento de 64% em relação à média dos últimos dez anos (2009-2018) para o mesmo período.



A nova análise realizada pela equipe da WWF-Brasil corrobora nota técnica recém-publicada pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) verificou que 30% dos focos de fogo registrados nos primeiros oito meses de 2019 localizavam-se em florestas públicas não destinadas (20%) ou áreas sem informação cadastral (10%). As florestas públicas não destinadas ainda carecem de destinação para uma categoria fundiária de proteção e –portanto, por definição, qualquer desmatamento ou fogo que acontece ali é de origem ilegal.

Em síntese, as análises apontam que não está ocorrendo na Amazônia um aumento de queimadas em pastagens, ou mesmo de incêndios florestais fora de controle -mesmo porque estamos num ano mais úmido, com a floresta menos suscetível a esses incêndios acidentais- mas sim uma verdadeira epidemia de desmatamento, na qual o fogo vem sendo utilizado intencionalmente como ferramenta para limpeza de áreas recém-desmatadas.

De acordo com Mauricio Voivodic, diretor-executivo do WWF-Brasil, as queimadas na Amazônia não são naturais -elas são deliberadamente deflagradas, de forma ilegal, por madeireiros e grileiros- e só poderão ser controladas com uma ação conjunta do governo, do setor privado e da sociedade.

"Pedimos à sociedade que apoie um modelo de desenvolvimento para a Amazônia que seja capaz de estimular a ciência e a tecnologia, o uso sustentável da biodiversidade e o respeito aos povos indígenas e comunidades tradicionais", disse Voivodic.

Segundo ele, a menos que o governo aplique leis e penalidades mais rigorosas para colocar um fim nessas atividades ilegais, o mundo continuará testemunhando a devastação de uma das principais proteções naturais existentes contra a crise climática.

"Fazemos um apelo para que os governos dos países amazônicos lutem contra o desmatamento e a grilagem relacionada à exploração de terras públicas. E também pedimos que o setor privado implemente mecanismos de rastreabilidade e transparência para garantir a eliminação da compra de bens -especialmente carne, madeira e produtos de mineração- provenientes de áreas ou atividades ilegais", afirmou Voivodic.

Em agosto de 2019, uma área de 24.944 km² foi queimada na Amazônia brasileira. Essa área corresponde a mais de quatro vezes a que foi registrada no ano anterior, de 6.048 km².

Ao longo de 2019, a área total da Amazônia destruída por incêndios é estimada em cerca de 43.753 km². No mesmo período, em 2018, foram queimados 17.553 km², o que representa um aumento de quase 150% neste ano.

Áreas protegidas sob ameaça
Segundo dados preliminares do Mapbiomas, mais de 90% dos desmatamentos registrados nos três primeiros meses de 2019 no Brasil foram realizados sem autorização do órgão ambiental competente, ou seja, são totalmente ilegais. Por meio da ferramenta, é possível detectar que 40% dos alertas validados no primeiro trimestre de 2019 ocorreram em áreas nas quais sequer poderia haver autorização, pois são unidades de conservação, terras indígenas ou áreas de preservação permanente, como nascentes.

Um dado preocupante, que demonstra a sensação de impunidade reinante na Amazônia, é o aumento significativo do desmatamento em áreas protegidas (Parques Nacionais, terras indígenas etc.). Entre janeiro e agosto de 2019, o desmatamento nessas áreas cresceu 84% em relação a 2018 e mais de 190% em relação a 2017.

A proporção de área com alertas de desmatamento dentro de áreas protegidas em relação ao total de alertas na Amazônia também sinaliza uma tendência de elevação nos últimos três anos avaliados: 11% em 2017, 13% em 2018 e 17% em 2019. Dados do IPAM mostram que 20% dos focos de queimadas registrados até agosto deste ano ocorreram dentro de áreas protegidas, e que apesar da proteção ambiental que conferem, foi observado aumento surpreendente aumento no número de focos de queimadas em UCs em 2019, com o dobro dos focos registrados em relação à média dos últimos oito anos.



Todos esses dados e análises deixam claro que os esforços do Governo Federal devem se concentrar sobretudo na prevenção do desmatamento ilegal, com ações efetivas de fiscalização e punição àqueles que vêm infringindo a lei. É o caso, por exemplo, dos mais de 300 grileiros que invadiram a terra indígena Trincheira-Bacajá, no Estado do Pará, que estão derrubando e colocando fogo na floresta com a intenção de se apossarem da área e mais tarde revende-la no lucrativo mercado de terras roubadas do patrimônio público.

Apenas em julho foram desmatados 945 hectares de florestas na terra dos Xikrin, um aumento exponencial impulsionado pela sensação de impunidade que vigora em áreas de fronteira na Amazônia como decorrência dos discursos e ações adotadas pelo atual governo.

Projeto de Lei 3723 pode liberar a caça de animais silvestres do Brasil; grupos contra a caça pedem alteração no texto

Projeto de Lei 3723 pode liberar a caça de animais silvestres do Brasil; grupos contra a caça pedem alteração no texto



09 Outubro 2019   |  
Por Aliança Pró Biodiversidade

Por estar em regime de urgência, a qualquer momento pode ser votado na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 3.723/2019, de autoria do Poder Executivo, que em sua origem tratava da ampliação do porte e da posse de armas. Porém, o relator do PL, deputado Alexandre Leite, acrescentou em seu Substitutivo ao PL artigos que podem levar à caça aos animais silvestres no Brasil. A proposta é rejeitada pela maioria da sociedade, conforme pesquisa Ibope realizada a pedido do WWF-Brasil que comprovou que 93% dos brasileiros são contra a caça.

No dia 1º de outubro, o deputado atendeu em parte o clamor da sociedade e apresentou a 3ª versão de seu Substitutivo ao PL 3723, deixando claro que cabe aos órgãos ambientais -e não ao Exército como havia colocado anteriormente- a competência pela eventual autorização de caça aos animais, em observância à legislação específica vigente.

Mesmo assim, a versão do PL de 1º de outubro não deixa claro que as atividades de abate, controle ou manejo (incluindo caça) da fauna são específicas às espécies exóticas invasores, podendo seu art. 21-AB dar margem a interpretação da possibilidade da caça aos animais silvestres.

Também, ficaram de fora do artigo 6º do substitutivo a garantia da posse de arma para os fiscais ambientais.

Um grupo formado pelas instituições ambientalistas, Aliança Pró Biodiversidade, Onçafari, Rede Pró UC, Mater Natura, Freeland Brasil, Fundação SOS Mata Atlântica e WWF-Brasil, afirma ser necessário que o relator do PL e os líderes dos partidos na Câmara ainda devem se comprometer a fazer as duas alterações acima citadas para se afastar os riscos da caça aos animais silvestres. Por isso, uma campanha está sendo feita nas redes sociais para instruir a população e convidá-los para cobrar dos deputados federais que a caça de animais silvestres não seja liberada no país.

Uma planilha comparando o texto atual com o defendido pelas instituições citadas está disponível no blog do Onçafari. Estão disponíveis também os perfis de deputados nas redes sociais para que os interessados em defender os animais silvestres enviem mensagens à eles solicitando que efetuam essas duas alterações na 3ª versão do substitutivo do PL 3.723/2016:

1) Dar a seguinte redação ao art. 21-AB do PL 3.723/2019 - "As atividades de abate, controle ou manejo de fauna exótica invasora serão regulamentadas e fiscalizadas pelo órgão ambiental federal".

2) Incluir os agentes fiscais dos órgãos ambientais do Sisnama (Sistema Nacional do Meio Ambiente) no rol do art. 6º do PL, que relaciona os profissionais com direito à posse e porte de armas.


09 Outubro 2019   |  
Por Aliança Pró Biodiversidade

Por estar em regime de urgência, a qualquer momento pode ser votado na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 3.723/2019, de autoria do Poder Executivo, que em sua origem tratava da ampliação do porte e da posse de armas. Porém, o relator do PL, deputado Alexandre Leite, acrescentou em seu Substitutivo ao PL artigos que podem levar à caça aos animais silvestres no Brasil. A proposta é rejeitada pela maioria da sociedade, conforme pesquisa Ibope realizada a pedido do WWF-Brasil que comprovou que 93% dos brasileiros são contra a caça.

No dia 1º de outubro, o deputado atendeu em parte o clamor da sociedade e apresentou a 3ª versão de seu Substitutivo ao PL 3723, deixando claro que cabe aos órgãos ambientais -e não ao Exército como havia colocado anteriormente- a competência pela eventual autorização de caça aos animais, em observância à legislação específica vigente.

Mesmo assim, a versão do PL de 1º de outubro não deixa claro que as atividades de abate, controle ou manejo (incluindo caça) da fauna são específicas às espécies exóticas invasores, podendo seu art. 21-AB dar margem a interpretação da possibilidade da caça aos animais silvestres.

Também, ficaram de fora do artigo 6º do substitutivo a garantia da posse de arma para os fiscais ambientais.

Um grupo formado pelas instituições ambientalistas, Aliança Pró Biodiversidade, Onçafari, Rede Pró UC, Mater Natura, Freeland Brasil, Fundação SOS Mata Atlântica e WWF-Brasil, afirma ser necessário que o relator do PL e os líderes dos partidos na Câmara ainda devem se comprometer a fazer as duas alterações acima citadas para se afastar os riscos da caça aos animais silvestres. Por isso, uma campanha está sendo feita nas redes sociais para instruir a população e convidá-los para cobrar dos deputados federais que a caça de animais silvestres não seja liberada no país.

Uma planilha comparando o texto atual com o defendido pelas instituições citadas está disponível no blog do Onçafari. Estão disponíveis também os perfis de deputados nas redes sociais para que os interessados em defender os animais silvestres enviem mensagens à eles solicitando que efetuam essas duas alterações na 3ª versão do substitutivo do PL 3.723/2016:

1) Dar a seguinte redação ao art. 21-AB do PL 3.723/2019 - "As atividades de abate, controle ou manejo de fauna exótica invasora serão regulamentadas e fiscalizadas pelo órgão ambiental federal".

2) Incluir os agentes fiscais dos órgãos ambientais do Sisnama (Sistema Nacional do Meio Ambiente) no rol do art. 6º do PL, que relaciona os profissionais com direito à posse e porte de armas.

Amazônia, Cerrado e Pantanal somam 123.326 focos de queimadas em 2019

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Amazônia, Cerrado e Pantanal somam 123.326 focos de queimadas em 2019



03 Outubro 2019   |   0 Comments
Por WWF-Brasil

Amazônia, Cerrado e Pantanal somam -de 1 de janeiro até 30 de setembro de 2019- 123.326 focos de queimadas, segundo dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Na Amazônia, que apresentou 66.750 pontos de queimadas nesse período, o aumento é de 24% em comparação com o mesmo período nos últimos 10 anos e 15% maior que a média dos últimos três anos.

Em alguns Estados da Amazônia Legal, a situação foi especialmente severa entre janeiro e setembro deste ano. Comparado ao mesmo período de 2018, Amazonas, Mato Grosso e Roraima tiveram um aumento de 24%, 78%, e 132%, respectivamente.

Apesar do menor número de focos, foram 6.052 registros, o Pantanal é o bioma que apresenta as maiores altas na média. Comparado aos últimos 10 anos, o aumento foi de 79% e, levando em conta os últimos três anos, o crescimento é de 81%.

Ainda levando em consideração os nove primeiros meses de 2019, o Cerrado teve 50.524 focos de queimadas. Número 20% maior que a média dos últimos três anos, e sem alterações em relação a última década.

Desmatamento
As queimadas na Amazônia estão diretamente relacionadas com o desmatamento e, apesar da queda no número de queimadas em setembro (20% menor que em 2018), a derrubada da floresta segue em altas taxas.

Até os primeiros 19 dias de setembro de 2019, a área total de pontos de desmatamento na Amazônia brasileira, em 2019, cobriu 7.580 km2. Um crescimento significativo, de 153% e de 79%, quando comparado à média dos últimos 10 anos e três anos, respectivamente.

Por ser uma floresta úmida, a Amazônia não é um bioma com característica de autocombustão (fogo espontâneo). Ou seja, a floresta só pega fogo em áreas secas, onde árvores foram cortadas e o fogo foi provocado pela ação humana.

Com o crescimento do desmatamento, mais áreas serão queimadas até o final deste ano ou a próxima estação seca. Isso porque a queimada é um método amplamente utilizado para limpar terras desmatadas

Queimadas em setembro
No acumulado do último mês (de 1 a 30/09), o número de focos de queimadas aumentou gravemente no Pantanal. Foram registrados 2.887 pontos, um crescimento de 268% em relação ao mesmo período de 2018.

No Cerrado a tendência de alta, relacionada ao mesmo período do ano passado, também se manteve. O aumento foi de 100% (22.989 focos de queimadas).

A Amazônia registrou 19.925 pontos de queimadas, uma queda de 20% em relação a setembro de 2018. Apesar disso, essa notícia não é totalmente boa já que o desmatamento, origem das queimadas no bioma, aumentou. 

 WWF