quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

ORÇAMENTO PARALELO Editorial Folha de SP



AGORA É QUEDA LIVRE




               

Graça Foster saiu do armário.
Gilberto Carvalho saiu do armário.
Marta Suplicy saiu do armário.

Vamos um por um:

Graça Foster deu coletiva de imprensa para sacramentar A Privataria Petista.

É isso mesmo, disse ela, estamos liquidando patrimônio; estamos vendendo a Petrobras aos pedaços pelo mundo afora pra sustentar o suborno eleitoral do preço subsidiado dos combustíveis.

É isso mesmo, vai continuar assim por 2014 afora o que, pelas contas dela, mata irremediavelmente o resultado de 2015 também. De 2016 em diante, quem sabe...

No arrasto, rola o mesmo processo na indústria do álcool onde usina atrás de usina nacional estrangulada pelo tamponamento dos preços está sendo vendida para multinacionais com capital suficiente pra esperar isso voltar depois que o monopólio estiver configurado.

Gilberto Carvalho chamou a imprensa pra dizer que é isso mesmo, é o governo quem financia os “red blocsdo MST e, se assim é, assim continuará sendo porque distorção ideológica não é pagar trogloditas para esbulhar proprietários produtivos, marchar sobre a capital federal e invadir o STF que ousa condenar petistas, mas sim denunciar que foi isso que aconteceu.

Marta Suplicy, dita ministra “da Cultura”, disse que é isso mesmo, sob o governo petista a Lei Rouanet de incentivo “à cultura” só vale pra fazer propaganda do PT, não serve pra biografias de não petistas em ano eleitoral nem que estejam mortos e que, se não se pode eleger morto que se dane porque não interessa se o cordeiro está rio acima ou rio abaixo da alcatéia, ela não precisa de mais argumentos que a posse dos dentes para devorá-lo.

São todas notícias de um único dia envolvendo figuras do primeiro escalão de uma organização criminosa que perdeu o medo. Eles já fizeram a conta: ha subornados que chegue para aguentar qualquer desaforo. Os que têm olhos de ver não bastam para detê-los. E se a casa balançar, joga-se a Dilma fora e chama-se o Lula que a coisa vai.

Por isso nada impede que tudo isso seja  despejado sobre o público com a operação de assassinato no garrote vil da última instituição a resistir passando ao vivo na televisão.
O Poder Judiciário, que morre assim que morrer o STF, assiste a tudo em estrondoso silêncio. Reles presidiários já não se furtam de chutar-lhe a bunda. 

A comunidade jurídica, Brasil afora, recebe a patada e cumpre, sem dar um pio: corte-se a cabeça dos diretores da prisão que ousaram enfrentar o condenado. 

Amém!

Não há mais um Poder Judiciário; há 4 maquis* e uma madalena arrependida entrincheirados no STF até que a compulsória, que está próxima, os mande para a clandestinidade. 

Serviriam melhor à causa democrática se renunciassem em protesto em vez de continuar definhando dentro de uma instituição que foi ocupada por vendidos, dentro da qual gente decente não têm mais nenhum papel a cumprir.

Agora é queda livre.




* Maquis é um arbusto abundante da Córsega que era utilizado pelos habitantes locais como refúgio durante as várias invasões estrangeiras na ilha. 

O general Charles De Gaulle durante a Segunda Guerra Mundial organizou a resistência francesa e, em homenagem a Napoleão Bonaparte, que era corso, deu o nome de Maquis aos heróis que lutavam na clandestinidade contra os alemães (Wikipédia).

27 de fevereiro de 2014
vespeiro 

Lorotas políticas e verdades efêmeras

O que assusta de verdade é a possibilidade de que esse governo se prolongue por mais quatro anos. Haja aflição!


O Estado de S.Paulo - 27/02

Quando o governo Dilma endossou uma nota detestável que o Mercosul emitiu sobre a crise política na Venezuela, que exerce sua presidência rotativa, o atraso político chegava, finalmente, à altura do obstáculo que o bloco econômico tem representado para o Brasil. Explicarei o que quero dizer.

Ao lado das diferenças, durante seus mandatos presidenciais, o coronel Hugo Chávez e Lula tiveram ao menos três coisas em comum. 


Em primeiro lugar, desfrutaram a mais espetacular fase de bonança externa de que se tem memória, traduzida em juros internacionais no chão e preços de exportações primárias nas nuvens - petróleo, de um lado, produtos agrominerais, do outro. 

Em segundo lugar, enfraqueceram suas economias, desindustrializando-as e tornando-as muito mais dependentes do exterior em matéria de consumo e bens de investimentos - justo eles, que se diziam de esquerda e, com diferença de graus, anti-imperialistas... 

Em terceiro lugar, deixaram heranças econômicas amargas para seus sucessores, que se revelaram, infelizmente, plenamente despreparados para governar de verdade, isto é, entender a situação, antecipar-se aos acontecimentos, formular e implantar estratégias de recuperação, saber comunicar-se e amenizar as expectativas pessimistas sobre o futuro de suas economias e de seus países.

Tudo em termos relativos, é óbvio. Na Venezuela, em face do maior subdesenvolvimento e do componente ditatorial do regime chavista, a crise tem sido infinitamente pior. 


A economia e o abastecimento derreteram. A inflação avizinha-se dos 60% ao ano - é a maior do mundo. Há forte escassez de alimentos. O preço do dólar paralelo é oito vezes maior que o oficial. A falta de divisas paralisa as atividades que utilizam insumos importados e provoca desabastecimento de 50% dos medicamentos. Por isso tudo, os antagonismos tornaram-se muitíssimo mais exacerbados. Há motivos de sobra para as pessoas irem às ruas reclamar.

O governo venezuelano já tinha suprimido na prática a liberdade de imprensa e fechado os caminhos da oposição e agora reinaugurou no continente a era das prisões políticas e do assassinato de opositores anônimos, com suas forças paramilitares. 


Uma espécie de SA nazista à moda venezuelana. O desenlace poderá ser trágico, mesmo que o presidente Nicolás Maduro continue sob a proteção da alma dickenseniana de Chávez, com quem ele assegura conversar regularmente.

O PT tem afinidade eletiva com o chavismo e a reação do governo brasileiro ante a repressão aos manifestantes de oposição na Venezuela trouxe a política externa do Brasil ao seu nível mais baixo desde 1965, quando o general-presidente Castelo Branco, na postura de ajudante de ordens do presidente Lyndon Johnson, mandou tropas para auxiliarem os EUA na invasão da República Dominicana. 


Nessa época eu vivia no exílio e convivia com estudantes de vários países da América Latina - os leitores não calculam a vergonha que dava ser brasileiro naquele momento da invasão. No episódio venezuelano não estão envolvidas tropas, mas houve um sopro de maior covardia: foi disfarçado de membro do Mercosul que o Brasil subscreveu o manifesto que culpou as vítimas pelos massacres e pela instabilidade do governo de Maduro.
Quando foi deposto o presidente Fernando Lugo, dentro das regras constitucionais, o petismo e o kirchnerismo resolveram suspender o Paraguai do Mercosul, invocando a cláusula democrática, que virou piada. Aproveitaram para aprovar o ingresso da Venezuela no bloco, ao qual os paraguaios se opunham, com poder de veto.

A estupidez política, finalmente, se casava com a estupidez econômica. O pior do Mercosul não veio do atual governo brasileiro nem dos Kirchners ou de Maduro. 


Nasceu nos governos Collor e Menem, no início dos anos 90, quando previram um acordo que criaria, além de uma zona de livre-comércio entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai - o que era correto -, também uma união alfandegária em quatro anos, o que Europa demorou 40 para fazer. Ou seja, se o Brasil quiser fazer um acordo com algum país para ampliar seu comércio, os demais membros do Mercosul têm o direito de obstruir ou vetar caso não se sintam bem atendidos.

Isso é o que está acontecendo, por exemplo, com a tentativa brasileira de negociar com a União Europeia (UE), que já dura mais de dez anos. Os argentinos têm retardado a negociação, e podem fazê-lo, embora de forma humilhante para nós: em reunião preparatória já exigiram até que o Brasil se retratasse das declarações da nossa embaixadora junto à UE, que havia atribuído a eles o notório atraso na apresentação da proposta conjunta.

A solução mais fácil, porém, não é ficar brigando com a Argentina, mas acabar com a união alfandegária de vez, deixando ao Mercosul a tarefa já hercúlea da zona de livre-comércio, hoje tão incompleta. Só que isso vai contra um dogma do atual governo brasileiro: transformar facilidades em dificuldades.

O colapso da política externa brasileira é apenas um detalhe da perda de rumo de um partido e de um projeto de governo que fracassaram. 


Sua agenda evaporou-se e, agora, os petistas estão à cata de outra qualquer que lhes permita montar, para usar o termo da moda, uma narrativa eficaz para a campanha eleitoral. Com a agravante de que aquela cascata da suposta "herança maldita recebida do neoliberalismo" já não cola. Não é mais possível demonizar as privatizações, agora que o PT se ajoelha no seu altar, orando pelo advento da grande panaceia para tudo.

O governo atual conseguiu a façanha de combinar a estagflação com expectativas péssimas sobre o futuro da economia, piores até do que os principais indicadores justificariam. 


O grande pesadelo dos agentes econômicos hoje não são o baixo crescimento, os juros siderais (de novo, os maiores do mundo) ou o déficit externo, o terceiro mais alto do planeta em volume e o segundo como porcentagem do PIB. 

O que os assusta de verdade é a possibilidade de que esse governo se prolongue por mais quatro anos. Haja aflição!


Blog do Murilo

Dinheiro tem! Militares cobram reajuste e lembram porto cubano



Publicado: 27 de fevereiro de 2014 às 18:30 Diário do Poder

CDH

A audiência pública da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), realizada hoje (27), serviu de palco para as reclamações de militares da reserva e familiares de integrantes das Forças Armadas ainda na ativa. 

Sobraram críticas para a presidenta Dilma Rousseff e insatisfações com os baixos salários e os benefícios da carreira.

Os militares cobraram o pagamento de um reajuste salarial de 28% ainda pendente em relação a diversos subgrupos, referente ao antigo sistema de reajuste na data-base do período inflacionário. 

Seria uma dívida salarial já reconhecida pela Justiça, da ordem de R$ 5 bilhões. Houve ainda apelos pela correção de discrepâncias de tratamento entre servidores situados no mesmo grau hierárquico.
 
Durante a audiência, Ivone Luzardo, que presidente do Partido Militar Brasileiro, afirmou que é inaceitável o governo argumentar que não tem recursos para o reajuste. 

Ela lembrou que para outros tipos de gastos o governo não tem problema para arranjar dinheiro, inclusive, como lembrou, para construir um porto em Cuba ou para perdoar dívidas de diversos países. 

Dito isso, cobrou o pagamento integral e retroativo do reajuste de 28% ainda pendente.

INVESTIGANDO OS EMPRESTIMOS SECRETOS



Tucano vai ao STF por dados de repasses a Cuba e Angola

O senador Alvaro Dias em Brasília
O senador Alvaro Dias em Brasília (Pedro França/Agência Senado)
 
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) apresentou nesta segunda-feira um mandado de segurança pedindo que o Supremo Tribunal Federal (STF) obrigue o governo a divulgar as informações sobre repasses de recursos a Cuba e Angola. 
 
O Ministério de Desenvolvimento Social se nega a dar publicidade aos dados, mesmo quando acionado via Lei de Acesso à Informação. 
 
Os repasses foram feitos por meio de empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. 
 
O requerimento de Alvaro Dias tem como alvo a presidente Dilma Rousseff, o ministro do Desenvolvimento, Mauro Borges, e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho.O tucano fala em “ato atentatório à moralidade e transparência pública”. (Gabriel Castro, de Brasília)

Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/tucano-vai-ao-stf-por-dados-de-repasses-a-cuba-e-angola?

 Comentário meu:
 
Não adianta a mídia dizer que um TUCANO está pedindo explicações. Alvaro Dias é um representante do povo que o elegeu e está pedindo uma explicação que NÓS vimos pedindo há muito tempo. Então nada de colocar o partido dele em destaque como se ele estivesse fazendo algo contra o governo. Ele esta cumprindo uma reivindicação que a população exige. Chega desse governo ser obedecido em todas as suas pirraças de crianças. Esta na hora sim, de prestar contas a sociedade que sustenta tudo isso! Chega de impunidades e de desmandos com nosso dinheiro.
 

SEMELHANCAS ENTRE VENEZUELA E BRASIL

27 fevereiro, 2014  

 

BLOG Política Sem Medo


"Barba" discursa em Cuba
Lendo o MANIFESTO dos oficiais militares da Venezuela compreendi tudo o que esta havendo no Brasil. Compreendi o que esses terroristas que tem o mal e a violência no DNA querem fazer.

Na Venezuela já estão em ação e no Brasil já esta também tudo preparado para tal. Trata-se dos DIREITOS HUMANOS DOS BANDIDOS que não compreendíamos POR QUE.

Vou explicar, primeiro eles defendem a classe como se eles fossem vitimas da sociedade, depois os chamam para o seu lado para que deem seu voto e que trabalhe naquilo que eles mais gostam, que e  PRATICAR A VIOLENCIA , O ROUBO, O ASSALTO , A DEPREDACAO e ainda recebam salario alto.

Tem perspectiva mais estimulante para todos os bandidos? Agora entendi por que o PCC sempre fez campanha para o PT. Agora entendi por que Maria do Rosário quer ficar "bem na fita" com eles. Os meliantes serão os seus colegas de trabalho muito breve.

Isto já e uma realidade na Venezuela onde os militares estão sendo deixados a deriva, sem salários dignos, sem infra-estrutura para as mais elementares necessidades enquanto os bandidos saem da prisão para praticar violências, matar, violentar, roubar e depois voltam para a prisão onde fazem festas comemorando com discotecas e comida da melhor enquanto os guardas militares ficam a parte só observando.

Agora os oficiais tomaram ciência de que o caos esta instalado lá e com o aval de Nicolas Maduro que assim pode rir da população que esta morrendo. Em 12 anos de comunismo mais de 24 mil mortes nao explicadas.No Brasil mais de 50.000 por cada ano de PETE



Quatro policiais militares foram presos nesta quinta-feira

Quatro policiais militares foram presos na tarde desta quinta-feira (27) suspeitos de serem responsáveis por publicar críticas ao comando da PM nas redes sociais. 

Segundo as primeiras informações, um dos presos é oficial e os outros são praças. 

O JBr acompanha o caso.


Fonte: Da redação do Jornal de Brasília



O CORDÃO DOS CHANTAGISTAS


As notórias dificuldades da presidente Dilma Rousseff com o que se supunha que fosse a base parlamentar do governo acabam de subir uma oitava com a decisão dos líderes partidários nominalmente alinhados com o Planalto de criar um "blocão" de oito legendas. 

 Conduzido pelo PMDB e nele incluído o oposicionista Solidariedade, o cordão dos chantagistas - e é disso que se trata - poderá reunir mais de 250 deputados, quase a metade da Casa de 513 membros.

É um contingente respeitável - se é que cabe o adjetivo, tendo em vista o enredo e os protagonistas - para fazer a presidente levar a sério os malignos planos de vingança dos seus irados criadores. 

Eles bufam porque a presidente não os trata com o respeito e a consideração de que se acham merecedores, o que se traduziria sobretudo em agraciá-los com os cargos e as verbas a que entendem ter direito natural - e abarcando, nestes tempos de reforma pré-eleitoral do Gabinete, mais e melhores vagas na Esplanada dos Ministérios.

A se firmar, o bloco dos frustrados poderá alardear força suficiente para romper o bloqueio imposto pelo governo à apreciação, na Câmara, de propostas perdulárias que, por isso mesmo, têm a vantagem de agradar às mais diversas clientelas do Congresso, até no setor público. 

Mesmo quando não são de sua própria lavra, mas em má hora confeccionadas no Executivo, os políticos cuidam pavlovianamente de piorá-las. É o caso do projeto que muda do IGP-DI para a taxa Selic o indexador das dívidas de Estados e municípios com a União.

A iniciativa foi uma manobra descarada para facilitar a vida do prefeito petista de São Paulo, Fernando Haddad, que alega ter pouco dinheiro para fazer da cidade a Xangai do lado de cá do mundo, como apregoa, napoleonicamente. 

Com as contas federais cada vez mais turvas, a ameaça de rebaixamento do Brasil no ranking das agências internacionais de avaliação de crédito e a maré montante de descontentamento do empresariado, Dilma caiu em si e mandou segurar a tramitação da descabida bondade.

Mas a tigrada, para a qual tanto faz como tanto fez o novo programa fiscal com que o governo pretende desinchar a face que assusta os investidores quando a veem no retrato do Brasil, foi além da barbeiragem inicial. 

Enfiou no texto a aplicação retroativa do novo indexador. Já não bastasse o projeto planaltino transgredir a Lei de Responsabilidade Fiscal, a esbórnia estaria à altura de desfilar no sambódromo. 

O governo fez saber que, diante do risco, retirará de vez a proposta - o que devia fazer de todo modo.

Já diante da falange da gastança, o Planalto gastou as suas reservas de panos quentes para acalmar os zangados. 

Anunciou o envio de uma força-tarefa de 12 ministros - naturalmente, das pastas mais bem dotadas em matéria de recursos para custear emendas parlamentares. Eles darão plantão no gabinete da liderança do governo na Câmara, revezando-se diante de um confessionário sui generis. 

Os desgarrados do dilmismo aparecerão não para confessar pecados, mas para cobrar benesses da autoridade, na expectativa de voltar para os seus redutos muito melhor do que perdoados: premiados.

Numa reunião com o pessoal de cenho franzido, os ministros da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, e o líder governista Arlindo Chinaglia, aspergiram outra dose de boa vontade ao dar aos interlocutores a oportunidade de apresentar uma lista de projetos prioritários a serem votados neste semestre - o único período legislativo útil do ano. 

Mas haverá prioridades e prioridades: as que não aumentem as despesas do governo serão privilegiadas. "Não podemos esquecer que todos os partidos assinaram o pacto de responsabilidade fiscal", lembrou Ideli. A ver.

Resta a ganância do PMDB e de outros menos votados pelos Ministérios a vagar - sempre aquém das suas ambições. Com a agravante da resistência da presidente a levar à Esplanada candidatos de quem não gosta - mesmo em nome da reeleição. Quem sabe na conversa marcada para amanhã, Lula lhe mostre o caminho das pedras.

27 de fevereiro de 2014
Editorial O Estado de S.Paulo

"BLOCÃO" DE ALIADOS ESTREIA E AMEAÇA INVESTIGAR PETROBRAS


Líderes de sete partidos governistas e de um da oposição acertaram ontem pauta de votação incômoda ao Planalto


Após forte pressão do governo, sessão que propôs comissão para apurar propina em petroleira foi encerrada
  Insatisfeitos com o governo, sete partidos da base aliada e um oposicionista formalizaram ontem a criação de um "blocão" de deputados "independentes" para atuar na Câmara dos Deputados. 

O novo grupo fechou uma pauta incômoda ao Planalto e acabou travando as votações da Casa.
 
 
Capitaneadas pelo PMDB, principal aliado do PT no âmbito federal, as bancadas escolheram como alvo a Petrobras, uma prioridade da presidente Dilma Rousseff.
 
 
O "blocão" decidiu apoiar a aprovação de uma comissão externa para investigar denúncias de pagamento de propina a funcionários da petroleira estatal pela fornecedora holandesa SBM.
 
 
A discussão do tema elevou a tensão entre governo e deputados. O Planalto chegou a oferecer explicações da presidente da Petrobras, Graça Foster, mas o novo grupo rejeitou e tentou derrotar o Executivo.
 
 
Durante a sessão para discutir a criação da comissão, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), conversou por telefone com o vice Michel Temer, com ministros e teria até discutido com Ideli Salvatti (Relações Institucionais).
 
 
Em meio à pressão do governo e manobras regimentais do PT, a sessão foi encerrada sem definição sobre a criação da comissão. Alves ainda tentou acordo para discutir outros temas, mas aí foi a vez do "blocão" se recusar a registrar presença.
 
 
Segundo os aliados, a ideia era mostrar que o "blocão" --formado por PMDB, PSC, PP, Pros, PDT, PTB, PR e o oposicionista Solidariedade-- não está "blefando". Ao todo, ele reúne mais de 250 dos 513 deputados.
 
 
A estratégia de colocar em pauta uma matéria sensível ao governo foi discutida em almoço na casa do líder do PMDB. No encontro, os líderes analisaram o pacote do Planalto para tentar neutralizar o "blocão".
 
 
O governo havia prometido a mobilização de ministros para atender demandas dos deputados além de cumprir liberação de verbas para obras apadrinhadas por congressistas e elaborar pauta de votações de consenso.
 
 
Para líderes do "blocão", as ações não resolvem insatisfações motivadas pela falta de diálogo com o governo, pelo rompimento de acordos para pagamento das emendas e pela interferência do Planalto na pauta da Casa.
 
 
Ontem, as principais queixas foram dirigidas ao ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil).  

Segundo líderes, ele aumentou a irritação dos aliados porque teria dito que a reeleição de Dilma está pavimentada e que lhe sobra sustentação nos Estados.
 
 
Em outra frente, o Planalto terá de trabalhar para evitar que a instabilidade resulte numa CPI no Congresso para investigar denúncias de irregularidades na Petrobras.  

A oposição já começou a recolher assinaturas.

27 de setembro de 2014
  - Folha de São Paulo

O desafio de Dilma no Nordeste


26/2/2014 7:03
Por Leandro Mazzini - de Brasília

Dilma Rousseff
Dilma Rousseff




A despeito das pesquisas nas quais lidera, a presidente Dilma terá de lutar contra a máquina da oposição na maioria dos estados do Nordeste. 

Daí o ex-presidente Lula indicar que fará campanha para ela na região. 

Dos nove estados, Dilma só tem apoio garantido no Maranhão, onde prefeitura da capital e os dois maiores adversários – Flávio Dino x candidato da família Sarney – são seus aliados. 

O PSB domina Pernambuco, o PSDB Alagoas, e o DEM voltou a controlar Salvador, com simpatia do PMDB. Jaques Wagner fica no governo até o fim para o PT não perder o a Bahia agora.


Dilma não aprendeu com o fracasso de Margaret thatcher

RENATO RIELLA

Não sei se a presidente Dilma Rousseff assistiu o recente filme sobre a Dama de Ferro da Inglaterra. Margaret Thatcher era a mulher mais poderosa do mundo, eleita Primeira-Ministra pelo Partido Conservador. Havia vencido uma guerra (contra a Argentina) e fez mudanças poderosas no seu país. Mas caiu porque humilhou um integrante inexpressivo do seu partido numa reunião.


Essa forma pretensiosa de agir ficou clara no filme, servindo de lição para todos. Mas parece que Dilma, realmente, não foi ao cinema. 

O exemplo mais claro de que ela não aprendeu a lição da Margaret Thatcher é a forma com que ela trata o senador Eunício Oliveira, líder do PMDB no Senado. Por sinal, ele é bem mais expressivo do que o integrante do Partido Conservador humilhado pela Primeira-Ministra.

Eunício tem tudo para vencer a eleição de governador no Ceará. Além de liderar as pesquisas, é muito rico, mantém grande domínio sobre o PMDB nacional, ostenta ótima forma física e é genro de Paes de Andrade, político que já teve grande influência no partido e no estado.

Dilma, além de não se dispor a apoiar a candidatura de Eunício, cometeu a indelicadeza (na verdade um ato infeliz) de enviar emissário para convencer o senador a desistir de ser governador e aceita um ministério num governo que está chegando ao fim.

Consta que Dilma tem proferido palavrões quando fala do senador Eunício, que se mantém irredutível na sua campanha e tende a ser eleito. Ele tem domínio administrativo intenso dentro do PMDB nacional. Para quem conhece sua trajetória, é fácil prever que poderá levar o partido a se afastar de Dilma Rousseff na campanha presidencial.

Dilma (e talvez o próprio vice-presidente Michel Temer) está subestimando o poder do senador Eunício Oliveira. Poderão ser surpreendidos. 

Painel do senado pode interromper sonho político do famigerado arruda


RENATO RIELLA

Quem acredita na candidatura do famigerado José Roberto Arruda a governador do DF (ou a síndico de qualquer coisa) não acompanha direito o noticiário.


Ele está envolvido em diversos processos que devem complicar seu futuro político, mas o mais maduro é mesmo o mais antigo: o do Painel do Senado, que pode ser julgado em segunda instância a qualquer momento. 

Em 2013, onze anos após o escândalo, ele foi condenado em primeira instância. O crime foi a violação do painel eletrônico do Senado, na votação secreta que levou à cassação o senador Luiz Estevão (PMDB-DF).

Por esse crime, a Justiça Federal em Brasília condenou o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda e mais três pessoas por improbidade administrativa. 

O juiz Alexandre Vidigal de Oliveira, da 20ª Vara Federal, considerou que Arruda praticou ato de improbidade administrativa ao ordenar a quebra do sigilo da votação.

O magistrado não aceitou a justificativa apresentada por Arruda em depoimento à Justiça de que, na noite anterior à decisão sobre Estevão, não determinou à Regina Célia Borges, então diretora do Serviço de Processamento de Dados do Senado (Prodasen), que violasse o painel eletrônico. 

O ex-parlamentar disse ter pedido a ela para conferir a segurança do equipamento, ressaltando que falava em nome do então presidente da Casa, Antonio Carlos Magalhães (do extinto PFL), morto em 2007.

No início de 2001, quando o escândalo eclodiu, Arruda, na época líder do governo Fernando Henrique Cardoso no Senado, mentiu aos senadores, em discurso contundente, ao negar qualquer envolvimento no acesso à lista de votação. 

Pouco depois, confessou ter recebido o material. Ameaçado de cassação diante das investigações da Casa que apontavam sua participação direta no episódio, renunciou ao mandato.

Para o juiz, baseado em vários depoimentos colhidos ao longo do processo, Arruda “teve participação expressiva nas ações de articulação dos envolvidos e de acesso e conhecimento das informações sigilosas obtidas”.

Pela violação do Painel, Arruda foi condenado à suspensão dos direitos políticos por cinco anos, ao pagamento de 100 salários de senador (contracheque da época da cassação de Estevão) e ainda ficou proibido de ter contratos com o poder público ou receber benefícios dele.

Comercio quer crescer mais ainda???!!!

Sindivarejista lutará por mais segurança nas quadras comerciais

O Sindicato do Comércio Varejista do DF (Sindivarejista), na sua nova fase de trabalho, terá foco na questão da segurança, defendendo melhor nível de policiamento nas quadras de Brasília.

O Sindivarejista congrega 30 mil lojas de rua e de shoppings e acaba de eleger o novo presidente, Edson de Castro, vice-presidente da entidade no mandato anterior. Os vice são Talal Abu Allan e Antonio Matias.

Uma das principais metas é lutar pelo fortalecimento do comércio do Plano Piloto e cidades-satélites. 


Vamos defender o crescimento do setor com ações objetivas e práticas. Ouviremos os empresários e levaremos os pleitos às diferentes esferas governamentais. Lutaremos, ainda, pela geração de empregos e renda e pelo aumento do policiamento nas quadras”, diz Edson.

Joaquim: maioria “sob medida” jogou por terra “trabalho primoroso” do STF


Presidente do Supremo faz duras críticas aos colegas ao proclamar o acolhimento de recurso contra a condenação por formação de quadrilha no mensalão. Decisão livra José Dirceu de cumprir pena no regime fechado

Agência Brasil
 
Joaquim: "Esta é uma tarde triste para o STF, porque com argumentos pífios foi jogada por terra uma decisão plenária sólida"

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, fez um desabafo ao anunciar a absolvição de oito réus do mensalão do crime de formação de quadrilha. 

A maioria da corte aceitou o recurso de condenados como José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares e Marcos Valério Fernandes e os livrou dessa condenação. 

A revisão da decisão proferida em 2012 foi decidida com o voto dos ministros Teori Zavascki e Luís Roberto Barroso, os últimos indicados pela presidenta Dilma Rousseff. 

A posição deles foi determinante para a virada no placar, já que os seus antecessores, Carlos Ayres Britto e Cezar Peluso, haviam votado pela condenação.

Aviso o Brasil que este é só o começo, apenas o primeiro passo, dessa maioria de circunstância formada sob medida para lançar por terra todo um trabalho primoroso, levado a cabo por esta corte no segundo semestre de 2012″, disse o ministro.

Mesmo sem serem citados nominalmente, Teori e Barroso foram os principais alvos das críticas de Joaquim. “Ouvi argumentos tão espantosos como aqueles se basearam simplesmente em cálculos aritméticos e em estatísticas totalmente divorciadas da prova dos autos, da gravidade dos crimes praticados e documentados nos autos dessa ação penal”, reclamou. Os dois ministros apresentaram cálculos para demonstrar que as penas impostas aos réus eram exageradas.

Esta é uma tarde triste para este pleno do STF, porque com argumentos pífios foi reformada, foi, como eu disse, jogada por terra, extirpada do mundo jurídico uma decisão plenária sólida, bem fundamentada, tomada por esse plenário”, protestou.

Com a decisão do Supremo de aceitar os recursos, ficam mantidas as penas atuais, já que as condenações por formação de quadrilha ainda não foram executadas. Caso os recursos tivessem sido rejeitados, condenados como o ex-ministro José Dirceu e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, que cumprem pena em regime semiaberto, passariam para o fechado, sem possibilidade de deixar a prisão para trabalhar durante o dia.

Prática reiterada

Para Joaquim Barbosa, não há dúvida de que os acusados se associaram de maneira permanente para praticar crimes. Ele citou o papel exercido por cada um dos réus. “Como não dizer que toda essa trama não constitui quadrilha?”, questionou o ministro. Segundo ele, ao contrário de uma associação eventual, havia uma estrutura sólida para a prática reiterada de quadrilha, sem a alteração de sua composição e de seus objetivos.

Segundo o ministro, a decisão do plenário embute um “determinismo social”. Na avaliação dele, a acusação de formação de quadrilha valeria se os acusados fossem desempregados. “O objetivo do grupo era preservar o poder para o partido que venceu as eleições. Para tanto, o número de crimes era ilimitado. Muitos outros crimes seriam praticados se não fosse a delação premiada”, afirmou.

Após o desabafo de Joaquim, a sessão foi interrompida por uma hora. O voto contrário dele aos recursos apresentados pela defesa fechará o placar em seis a cinco. Além de Luís Roberto Barroso e Teori Zavascki, também acolheram os argumentos da defesa os ministros Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski e Rosa Weber. 

Votaram pela manutenção da condenação por formação de quadrilha os ministros Luiz Fux, que relatou o pedido, Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello e Celso de Mello.

Outros textos sobre o mensalão

Apesar de tudo, avançamos- Reinaldo Azevedo

 Cumpre agora que a nossa memória mantenha vivos os atos vergonhosos

Vamos lá. Até para ser justo com os ministros que cumpriram a sua função e que honraram o peso da toga, cumpre que a gente saúde o resultado final do julgamento do mensalão. Afinal de contas, “eles” estão lá, presos, ainda que em condições especiais, demonstrando que o Brasil, antes, não era uma República perfeita por causa do velho patrimonialismo. 

E, agora não o é, por causa do novo. De todo modo, corruptos passivos, corruptos ativos, lavadores de dinheiro, entre outros, saíram dessa história com a ficha suja. É um avanço. Mas cabe notar que alguns deles continuam a exercer, de forma desassombrada, o seu poder.

Estranho país este o de Luís Barroso e Teori Zavascki, em que Marcola, chefe de quadrilha, não derruba diretores de presídio, mas José Dirceu e Delúbio Soares, que agora não são mais quadrilheiros, sim. É o mesmo país de Rosa Weber, de Cármen Lúcia, de Ricardo Lewandowski. Tenham paciência!

Há coisas realmente intrigantes em tudo isso. Os interessados revejam o caso de Natan Dondon, julgado em 2010. Ele foi acusado de, em associação com um grupo, desviar R$ 8,4 milhões da Assembleia Legislativa de Rondônia. 

A relatora do caso foi Cármen Lúcia. O revisor foi Dias Toffoli. O homem foi condenado a uma pena de 2 anos 3 meses por formação de quadrilha — a pena máxima é de três. Lewandowski concordou. O trio, agora, votou para inocentar os “não quadrilheiros” do mensalão. Entendi: um crime cometido lá em Rondônia, de “apenas” R$ 8,4 milhões, é cometido por quadrilheiros. 

Já o mensalão, que desviou R$ 76 milhões só do Banco do Brasil, ah, esse não! Houve só concurso de agentes. A única diferença é que Natan Donadon roubou menos. Atenção! O processo de Donadon foi desmembrado. Os que não tinham foro especial por prerrogativa de função foram julgados em Rondônia e pegaram uma pena menor do que a dele. Ele, então, recorreu pedindo a equiparação. Os ministros acharam a solicitação descabida.

Os senhores bandidos, especialmente os do colarinho branco, em particular os companheiros do colarinho vermelho, façam o favor de, doravante, deixar consignado em ata o crime de quadrilha. É preciso que se reúnam para definir o objeto da associação: “Nós, nesta assembleia, decidimos que estamos nos unindo com o propósito de delinquir…”.

Como deixaram claro em seu voto Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa, esse resultado foi planejado, foi desenhado com antecedência. Apostou-se tudo na procrastinação e na mudança de composição do tribunal. E mais coisa vem por aí. Joaquim Barbosa tem dado sinais de que pode não permanecer no tribunal sob a presidência de Ricardo Lewandowski, cujo biênio tem início em novembro. 

Há quem assegure que, se ele não sair em abril — prazo máximo para se candidatar a algum cargo, se quiser —, sai antes de novembro. Celso de Mello pode ficar até novembro do ano que vem, quando faz 70 anos, caso não antecipe a aposentadoria. E Marco Aurélio chega aos 70 em julho de 2016. O resultado das urnas pode trazer junto a corte bolivariana.

Parabéns aos ministros, os que estão na Corte e os que já a deixaram, que honraram a toga. Tomara que a história se encarregue dos outros. Não é fatal que esta lhes seja justa. Em boa medida, vai depender da nossa capacidade de não esquecer.
 
Por Reinaldo Azevedo

STF livra mensaleiros do crime de quadrilha Reinaldo Azevedo

27/02/2014
às 14:33


Laryssa Borges e Gabriel Castro, na VEJA.com:

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira livrar oito réus da condenação por formação de quadrilha. Por 6 votos a 5, a corte aceitou os embargos infringentes e derrubou as condenações por esse crime. 

Com isso, José Dirceu e Delúbio Soares escaparam do cumprimento de pena em regime fechado. José Genoino, que já estava livre do regime fechado, também teve a pena diminuída.Na prática, o tribunal revisou o que havia decidido na etapa inicial do julgamento. 

Nessa guinada, foram decisivos os votos dos ministros novatos, que não estavam presentes na primeira fase do processo: Teori Zavascki e Luís Roberto Barroso, que substituíram César Peluzo e Carlos Ayres Britto. O efeito prático da sentença foi este: a pena de José Dirceu cai de 10 anos e 10 meses de prisão para 7 anos e 11 meses. 

A de Genoino, de 6 anos e 11 meses para 4 anos e 8 meses. A de Delúbio, de 8 anos e 11 meses para 6 anos e 8 meses.

O publicitário Marcos Valério, Ramon Hollerbach e Cristiano Paz e os ex-banqueiros e Kátia Rabello e José Roberto Salgado também foram beneficiados pela decisão do tribunal. Mas, como haviam recebido penas mais elevadas, continuam em regime fechado de prisão. 

O STF fez jornada dupla nesta quinta-feira para concluir o julgamento iniciado em 2 de agosto de 2012: a sessão, que normalmente se inicia às 14h, começou pouco depois das 10h e se estenderá pela tarde após uma pausa para almoço.

Votos Na sessão desta quinta, cinco ministros votaram, quatro deles a favor dos réus. Na abertura da sessão desta quinta, o ministro Teori Zavascki deu mais um voto pela aceitação dos embargos infringentes para o crime de formação de quadrilha. 

É difícil afirmar, por exemplo, que José Dirceu, ministro-chefe da Casa Civil, ou José Genoino, dirigente partidário, tivessem se unido a outros agentes com o objetivo e o interesse comum de praticar crimes contra o sistema financeiro nacional ou de lavagem de dinheiro”, disse Zavascki.

 O voto que deu maioria a favor dos mensaleiros foi o de Rosa Weber. Ela argumentou que não há provas suficientes de que os réus associaram-se com a finalidade específica de cometer crimes: “Há diferença marcante entre pessoas que se associam para cometer crimes e pessoas que se associam com outra finalidade, mas que no âmbito dessa associação cometem crimes”, afirmou a ministra. No primeiro caso, complementou, trata-se de formação de quadrilha. 

No segundo caso, são crimes praticados em concurso de agentes. Já com a maioria formada, o ministro Gilmar Mendes apresentou um voto enfático em defesa da condenação por formação de quadrilha: “Houve a formatação de uma engrenagem ilícita que atendeu a todos e a cada um”.

O ministro Marco Aurélio Mello também apresentou um voto contrário aos embargos: ele também destacou a guinada dada pela corte em relação à fase inicial do julgamento, quando Peluzo e Ayres Britto ainda compunham a corte: “Cabe indagar: julgamos segundo o critério de plantão? O pronunciamento anterior se mostrou um pronunciamento à margem dos elementos coligidos a cargo do Ministério Público ao processo? A resposta, e devemos honrar os dois colegas que já não integram o colegiado, é desenganadamente negativa”.

O decano Celso de Mello acompanhou: “Os membros dessa quadrilha agiram com dolo de planejamento, divisão de trabalho e organicidade. Uma sofisticada organização criminosa, como a ela se referiu o procurador-geral da República”. 

Em um voto memorável, Celso de Mello respondeu aos constantes ataques dos mensaleiros condenados, que tratam o julgamento como uma farsa. 

É nessa sucessão organizada de golpes criminosos que reside a maior farsa da história política brasileira. E isso, para vergonha de todos nós e grave ofensa ao sentimento de decência dos cidadãos honestos desta república democrática. É por tudo isso que se impõe repelir aqui e agora, com o máximo vigor, essa inaceitável ofensa que tão levianamente foi assacada contra a dignidade institucional e a alta respeitabilidade do Supremo Tribunal Federal”, disse o ministro.

O presidente do STF e relator do processo do mensalão, Joaquim Barbosa, deu o quinto voto contra os embargos. 

Ele criticou explicitamente o papel exercido pelos dois ministros novatos, escolhidos pela presidente Dilma Rousseff quando o julgamento já havia sido iniciado: “Sinto-me autorizado a alertar a nação brasileira de que esse é apenas o primeiro passo. 

Essa maioria de circunstância tem todo o tempo a seu favor para continuar na sua sanha reformadora”, disse ele, que afirmou ainda que o STF vive uma tarde “triste”.

Lavagem Durante a tarde, a corte inicia o julgamento dos embargos infringentes para o crime de lavagem de dinheiro – o que, entre outros réus, pode beneficiar o ex-deputado João Paulo Cunha (PT). 

A conclusão desse julgamento, entretanto, pode ser adiada: o ministro Luís Roberto Barroso alegou ter um compromisso e não estará no plenário. 

Sem ele, é possível que a votação termine empatada em 5 a 5. Ao site de VEJA, o magistrado afirmou não acreditar na conclusão do julgamento nesta quinta-feira. Assim, os trabalhos seriam retomados após o Carnaval.

Por Reinaldo Azevedo

Membros do PCC fazem voos de rotina e aulas de pilotagem

Criminosos teriam enfrentado dificuldades para aprender a pilotar. Alternativa para que plano de resgate de líderes tivesse êxito seria sequestrar pilotos


Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder do PCC, seria resgatado de helicóptero pelos comparsas
Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder do PCC, seria resgatado de helicóptero pelos comparsas 

 
O dinheiro abundante do tráfico de drogas fez com que o uso de aeronaves se tornasse comum entre os criminosos do Primeiro Comando da Capital (PCC). A facção usa helicópteros para o transporte de malotes com milhões de reais de uma região para a outra do Estado e para pagar fornecedores de maconha e cocaína.

No dia 29 de janeiro, por exemplo, integrantes da facção embarcaram em um helicóptero no Guarujá, no litoral paulista, para levar 1,4 milhão de reais para São Paulo. A aeronave pousou no Campo de Marte, na Zona Norte, onde os bandidos desembarcaram com o dinheiro em malotes. 

Um grupo de choque do PCC fez a segurança do dinheiro e monitorou a entrega do pagamento até a Zona Leste da capital. Segundo o relatório da inteligência policial paulista, o dinheiro havia sido arrecadado com o tráfico de drogas na Baixada Santista. Ele seria destinado para o pagamento de fornecedores das drogas.

Os homens da inteligência desconfiam que o helicóptero usado para transportar o dinheiro seja o mesmo que serviu para o voo de reconhecimento do plano de resgate, feito por Márcio Geraldo Alves de Ferreira, o Buda, em 29 de novembro do ano passado. Ele é um dos suspeitos apontados pela polícia como responsável por montar a base de apoio dos criminosos em Porto Rico, no Paraná, para resgatar Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola.

Buda seria também o responsável pelos contatos dos alunos de pilotagem do PCC com o bandido Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, que se esconde no Paraguai, onde é o gerente dos negócios de Marcola. Na semana passada, o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) pediu à Justiça sua prisão temporária, que foi negada. 

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No dia 27 de maio, os policiais identificaram Márcio Rogério da Silva como um dos suspeitos de fazer aulas de pilotagem de helicóptero a pedido da facção. Ele moraria em Jundiaí e seria irmão de Célio Marcelo da Silva, o Bin Laden, apontado como um dos maiores sequestradores do Estado. Márcio Rogério também teria feito aprendizagem em um helicóptero modelo Esquilo.

As aulas teriam sido dadas na Escola de Aviação JR Helicópteros, no Campo de Marte. Durante o planejamento da facção, os criminosos estudaram montar uma base em Guaíra, no Paraná, mas desistiram porque o lugar era muito longe de Presidente Venceslau, em São Paulo, onde a cúpula da facção está detida.

Em 27 de julho, Barbará mandou pelo telefone um comparsa identificar uma pista de pouso em Mato Grosso do Sul que tivesse capacidade para pousar um Boeing 737. Acharam uma pista mantida por uma unidade do frigorífico Marfrig, em Bataguaçu (MS), às margens do km 35 da Rodovia BR-267. A pista tem 1.200 metros de extensão por 18 metros de largura. Ali seria feita uma simulação da operação.

Em 22 de outubro de 2013, os policiais interceptaram um telefonema de Márcio Geraldo Alves Ferreira, o Buda. Em 18 de novembro, ele foi, segundo a polícia, até Porto Rico - onde alugou a casa que seria o quartel-general da operação de resgate.

Já neste ano, o início de fevereiro, o PCC estava com dificuldade para treinar pilotos em função da diferença entre os modelos de aeronaves que seriam usadas na manobra de resgate dos chefes da facção. 

Sequestros - Um dos problemas enfrentados pelos envolvidos na investigação é o risco de o PCC tentar usar no resgate pilotos de helicóptero sequestrados em São Paulo ou em Curitiba. Essa alternativa foi identificada pelos integrantes da inteligência policial durante as interceptações telefônicas.

No começo de seu planejamento, o PCC teria optado por treinar três de seus integrantes, financiando um curso de pilotagem de helicóptero para seus soldados. Mas os criminosos enfrentaram alguns contratempos, como a dificuldade de aprender a pilotar diferentes aeronaves e a prisão do professor que ensinava seus homens no Campo de Marte. 

Assim, a facção começou a cogitar a usar pilotos sequestrados na ação, que seriam feitos reféns e obrigados a levar a tropa de assalto da facção até o presídio, no interior.

Um desses voos foi fotografado pelos agentes da polícia em 29 de novembro do ano passado. O suspeito Buda foi quem contratou o voo panorâmico em São Paulo para testar o esquema - ele fez isso duas vezes, segundo a polícia, naquele mês.

No dia 6 deste mês, por exemplo, os criminosos agendaram mais um voo de helicóptero para testar o esquema. O serviço foi feito por uma mulher. No dia 8, outro helicóptero foi alugado para simular voos até as cidades de Porto Rico e de Loanda, ambas na região de Maringá, no interior do Paraná. Um inquérito foi aberto pelo Deic sobre o caso. 

Snipers - Uma equipe de 15 homens do Comando de Operações Especiais (COE) com seis atiradores de elite está de tocaia na mata ao redor da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, no oeste paulista, à espera da tropa do Primeiro Comando da Capital (PCC) que planeja resgatar Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e outros três líderes da facção. Eles podem até derrubar aeronaves que se aproximarem da prisão.

Os atiradores - chamados de snipers - têm fuzis de calibre 5,56 mm. Eles estariam ainda armados com um fuzil calibre .50. O armamento é suficiente para abater o helicóptero que tentar retirar os bandidos da prisão.

Os homens do COE foram deslocados da capital para o interior. Em 2011, quando outra tentativa de resgate de presos foi descoberta, a cúpula da Segurança Pública decidiu então mandar para a cidade os homens das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), cuja presença ostensiva servia para dissuadir ações dos criminosos na região.

Nesta quinta-feira a cúpula da Segurança deveria se reunir para analisar a situação. Participariam do encontro os secretários da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, e da Administração Penitenciária, Lourival Gomes. 

Também deveriam estar presentes o comandante-geral da PM, coronel Benedito Roberto Meira, o delegado-geral da Polícia Civil, Maurício Blazeck, e o diretor do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Wagner Giudice.

Eles decidiriam quais os próximos passos da polícia para tentar desarticular o plano dos criminosos. Uma das medidas possíveis seria pedir à Justiça o isolamento de Marcola e dos demais envolvidos no plano de fuga no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), da Penitenciária de Presidente Bernardes.

(Estadão Conteúdo)