quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Valor Econômico – Emissões de CO₂ disparam nos EUA com aceleração da economia

Valor Econômico – Emissões de CO disparam nos EUA com aceleração da economia


Por Agências internacionais

Os EUA elevaram as emissões de dióxido de carbono em 3,4% em 2018, o maior aumento em oito anos, impulsionado pelo forte crescimento econômico, segundo estudo do Rhodium Group. Esta foi a segunda maior alta nas emissões em mais de 20 anos, abaixo apenas do aumento ocorrido em 2010, quando a economia dos EUA se recuperava da Grande Recessão.

De acordo com o estudo, os dois setores que mais contribuíram para o aumento de emissões foram o industrial e de imóveis - frequentemente ignorados na formulação de políticas para energia limpa e de combate a mudança climática.

As emissões geradas pela indústria manufatureira aumentaram 5,7% no ano passado em relação a 2017, enquanto as emissões de edifícios comerciais e residenciais - de fontes como queima de combustíveis fósseis para aquecimento e esfriamento - cresceram 10%, alcançando o nível mais alto desde 2004.

Em comparação, o setor de transportes, ainda a maior fonte de emissão de CO2 dos EUA, registrou um aumento de apenas 1%.

O aumento na poluição gerada por edifícios representa um desafio aos governos e está relacionado com as condições climáticas. Em 2017, o inverno mais ameno reduziu a demanda por aquecimento, mas no ano passado as temperaturas baixas mais normais resultaram num forte aumento no consumo de óleo para aquecimento. Embora os governos locais possam melhorar os padrões de eficiência energética para novas construções, não há muito que se possa fazer para controlar o uso de energia em edifícios comerciais e residenciais existentes.

A produção manufatureira aumentou em 2018, impulsionada pela forte economia. "O setor industrial ainda é quase que totalmente ignorado" pelos governos quanto se trata de políticas climáticas, segundo os autores.

Se não houver uma mudança significativa nas políticas ou uma grande inovação tecnológica, espera-se que o setor industrial se torne um emissor cada vez maior, em termos percentuais, de gases de efeito estufa dos EUA nos próximos anos, diz o estudo. "Esperamos que o setor industrial tome o lugar da energia como a segunda maior fonte de emissões na Califórnia em 2020 e se torne a principal fonte de emissões no Texas em 2020", escreveram os autores.

Os autores do estudo observaram que as emissões poderiam ser menores se o governo Donald Trump não tivesse revertido parte das regras ambientais do governo de Barack Obama.

"Não acho que teríamos visto o mesmo aumento", disse Trevor Houser, sócio da Rhodium, referindo-se às emissões do setor de geração de energia elétrica, que cresceram 1,9%.

Esse aumento na emissões de ocorreu apesar da aposentadoria de um número recorde de usinas térmicas a carvão. Isso porque o gás natural não só superou as fontes renováveis para substituir as velhas usinas como também atendeu a maior parte do crescimento na demanda por eletricidade, segundo o Rhodium Group.

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