sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Não tem jeito, não! Dilma erra até quando acerta. E por que é assim? Porque o erro está na origem, não é mesmo? Ela não está num lugar compatível com a sua competência. Nesta quinta, as personagens de sua trapalhada foram um auxiliar seu e um banqueiro: Leiam.

04/09/2015
às 7:11

Dilma erra até quando acerta e agora diz que vai querer superávit em 2016. A diferença da brincadeira: uns R$ 100 bilhões…

Não tem jeito, não! Dilma erra até quando acerta. E por que é assim? Porque o erro está na origem, não é mesmo? Ela não está num lugar compatível com a sua competência. Nesta quinta, as personagens de sua trapalhada foram um auxiliar seu e um banqueiro.


Num post de ontem, afirmei que Dilma é capaz de gerar uma crise política até quando diz: “Me passa o açúcar?”. Ela fez uma reunião de emergência, uma desnecessidade, para, ora vejam!, garantir que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, fica no cargo. Problema: como Levy era a âncora de Dilma, não o contrário, é claro que o resultado no mercado foi mais instabilidade.



Mas a coisa não ficou por aí. Depois de enviar ao Congresso uma peça orçamentária ILEGAL, em que antecipou que pretende fabricar um déficit de, no mínimo, R$ 30,5 bilhões, a presidente recuou. Nada disso! Agora ela afirma que vai mesmo fazer o superávit de 0,7% do PIB. Notem: entre a primeira pretensão e a segunda, há uma diferença de mais ou menos R$ 100 bilhões. Quem confia?

 (N.B) O déficit de 30 bilhões é menor do que o custo da realização da Olimpíada no Brasil, avaliado em 40 bilhões.Você queria a Olimpíada? Eu não.Eu preferia boas escolas e bons hospitais.

Mas isso ainda é o de menos. Dilma mudou de ideia depois, como se sabe, de Levy externar seu desconforto — afinal, saiu do grupo Bradesco e foi para o ministério da Fazenda porque seria o homem da austeridade, não da bagunça — e de um encontro com Luiz Carlos Trabuco, presidente do banco.


Eu nunca sou oblíquo. Nunca bato na cangalha para o burro entender, como se diz em Dois Córregos. Trabuco é um homem sério, um profissional respeitado no mercado e um comandante de banco competente. Pode e até deve falar com Dilma ou com o ministro da Fazenda quando quiser — mesmo este tendo sido seu funcionário até outro dia.


Dilma é que não deveria se entregar a esses desfrutes. Que diabo de comandante em chefe do país é esta que é capaz de agasalhar, da noite para o dia, uma diferença de R$ 100 bilhões no Orçamento e que muda tão radicalmente de ideia depois de se encontrar com o presidente do Bradesco, ex-chefe de Levy? Convenham… Essa gente não se ajuda, não é mesmo?


A tal reunião de emergência juntou a própria Dilma, claro!, Levy — o potencial demissionário —, Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Nelson Barbosa (Planejamento). Depois do encontro, o orador da turma foi Mercadante, que disparou, com a elegância habitual:


“Levy fica. A reunião foi muito boa. Ele tem compromisso com o Brasil”. Segundo esse gênio político, o boato da demissão era coisa de  “mal informados” e “mal-intencionados”. E arrematou: “Tem gente especulando e tentando ganhar dinheiro com turbulência”.


Oh, não me diga, Mercadante, que há gente tentando ganhar dinheiro com a turbulência. Estranho seria se houvesse gente se mobilizando para perder… Uma vez Mercadante, sempre Mercadante! Isso acaba virando um destino, né? Se o chefe da Casa Civil vem a público com mensagem de caráter tão inequívoco — “Levy fica” —, então é porque Levy esteve por um fio, não é mesmo? Ou por outra: por que um chefe da Casa Civil tem de desmentir boatos de “mal informados” e “mal-intencionados”?


Isso está abaixo da racionalidade até de Mercadante.


Por Reinaldo Azevedo

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