sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

2 milhões de gatos serão mortos por envenenamento até 2020, diz governo da Austrália



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Por Bruno Rizzato
O governo da Austrália declarou abertamente que pretende exterminar cerca de 2 milhões de gatos, até 2020.

 
   
Isso porque, apesar do companheirismo doméstico, gatos são exímios caçadores de pequenas presas. O mesmo acontece com os gatos selvagens. Porém, como não podem distinguir o que podem e o que não podem caçar, acabam, de forma indireta, exterminando algumas espécies em risco de extinção. Este é, justamente, o motivo pelo qual as autoridades pretendem tomar a medida extrema, com o intuito de proteger a fauna do país.
 
De acordo com uma pesquisa financiada pelo governo, das 29 espécies de mamíferos extintas nos últimos 200 anos, 28 delas foram de responsabilidade felina. Outra estimativa mostra que cerca de 4 milhões de pássaros são mortos, anualmente, pelos gatos. Greg Hunt, Ministro do Meio Ambiente da Austrália, disse que as medidas extremas serão necessárias e de forma ‘humana’. “Precisamos reverter as ameaças às espécies endêmicas do país”, disse ele em entrevista.
 
Porém, a medida é controversa e precipitada. Segundo alguns outros estudos, apesar dos gatos, de fato, contribuírem para a extinção de algumas espécies, é preciso levar em conta inúmeros outros fatores de maior incidência, como a mudança de habitat, queimadas florestais, desenvolvimento industrial e agricultura.
 
A comunidade internacional tentou fazer um apelo para os grupos ambientalistas da Austrália, mas eles apoiam a medida do Governo. Porém, eles alegam que existem falhas cruciais na defesa de habitats naturais, e isto poderia ajudar muito mais na preservação das espécies do que a caça aos gatos.

 
Kelly O’Shanassy, executiva principal da Fundação de Conservação Australiana, acredita que quatro ações podem ser realizadas para conter o crescimento da extinção de espécies. “Precisa ocorrer o extermínio de gatos selvagens, fornecimento de lugares seguros para as espécies em perigo, melhorias no habitat e intervenção contra ações que ameacem os animais”, disse ela.
 
Por conta do forte apelo repulsivo da ação, o governo pretende fazer campanhas para ter o apoio da comunidade local. Assim, foi criado o aplicativo para smartphone ‘FeralCatScan’. Nele, os moradores podem entrar em contato com as autoridades para denunciar locais com grandes concentrações de gatos selvagens.
 
 
Segundo o governo australiano, o extermínio acontecerá por envenenamento, através de utilização de iscas contaminadas. 

Gatos selvagens são os alvos principais da caça, e, normalmente, não se relacionam bem com os humanos. “Não odiamos os gatos. No entanto, não podemos mais tolerar o mal que eles estão fazendo para a vida selvagem do país. Mais de 120 espécies nativas estão em risco de extinção por conta deles”, disse Gregory Andrews, da Secretaria de Meio Ambiente da Austrália.
 
Apesar da medida extrema tomada pela Austrália, outros países cogitam ações ostensivas para conter a extinção por responsabilidade de gatos selvagens, como Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha. 

Muitos grupos de ativistas estão indo contra a ação, afirmando que uma simples castração resolveria o problema de forma humana, diminuindo a quantidade de seus bandos nas ruas.

 

 

Brigitte Bardot denuncia massacre de 2 milhões de gatos na Austrália 

 

 

media Brigitte Bardot enviou uma carta para o ministro do meio ambiente australiano, Greg Hunt, sobre o massacre de gatos selvagens. FONDATION B. BARDOT ‏@FBB_World
 
A atriz Brigitte Bardot condenou o massacre de dois milhões de gatos selvagens que o governo da Austrália planeja realizar com o objetivo de proteger outras espécies em perigo. As mortes já começaram. A ex-musa do cinema francês enviou uma carta para o ministro australiano do Meio Ambiente, Greg Hunt, dizendo que o plano é um "escândalo".


"Matar dois milhões de gatos em uma população estimada de 20 milhões é uma vergonha", escreveu Bardot. A atriz propõe que, em vez de matar os felinos, os recursos sejam utilizados para uma campanha de esterilização em grande escala.


Conforme números do ministério, os gatos selvagens são responsáveis pelo desaparecimento de 10% das espécies de animais, ocorrido na Austrália desde a chegada dos colonos europeus, há dois séculos. Estes felinos "representam um verdadeiro tsunami de violência e de morte para as espécies endêmicas da Austrália", declarou recentemente o ministro do Meio Ambiente.

Além da morte programada de dois milhões de gatos até 2020, as autoridades cogitam criar santuários que possibilitem a renovação de determinadas populações de pássaros e mamíferos. "A única alternativa é a esterilização. Os gatos operados defendem seu território, mas não podem se reproduzir", escreveu a atriz francesa.


Organizações divergem
Diversas organizações de defesa dos animais protestaram contra o abate. A Peta declarou que o método é ineficiente e concordou com a proposta de Bardot. “Não apenas o abate e o envenenamento dos gatos é cruel, como é ineficiente a longo prazo. O uso de veneno em áreas suburbanas também coloca em perigo gatos domésticos, cães e outros animais carnívoros”, advertiu a associação.


Outra organização, Animal Austrália, argumentou que “a maior ameaça para a existência de espécies endêmicas da Austrália é a destruição do habitat delas e o acesso à comida”.

Já a Australian Wildlife Conservancy (AWC), que luta pela preservação das espécies selvagens, observou que a presença de um grande número de gatos é danosa para o restante dos animais, e “é preciso regular a população”. “É difícil criticar o projeto do governo porque é a primeira vez que essa questão dos gatos é levada a sério. Estava na hora de agirem”, destacou o diretor da entidade, Atticus Fleming.

 

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