sexta-feira, 21 de março de 2014

Projeto aposta em professores de escolas públicas para a preservação das águas


Projeto Rios Voadores quer conscientizar crianças e adolescentes de todo o País sobre a importância de preservar as florestas para proteger as águas


O fenômeno denominado “rios voadores”, massas de ar úmido que trazem vapor de água da Amazônia para outras regiões do Brasil e da América do Sul, é a inspiração de uma nova campanha educacional que será lançada pelo Projeto Rios Voadores na próxima sexta (21/3), na Escola da Natureza, em Brasília (DF). 

A iniciativa, patrocinada pela Petrobras, através do Programa Petrobras Socioambiental, consiste em transformar conteúdo científico e ambiental em material de fácil compreensão do público jovem e infantil por meio da capacitação de professores da rede pública de ensino. A distribuição de material didático específico conta com uma novidade: o livro Rios que voam, de Yana Marull. 

O objetivo é despertar a conscientização de crianças e adolescentes sobre o papel das florestas – e de cada árvore – na preservação das águas doces do Brasil.  No dia 22 de março é comemorado o Dia Mundial da Água. 
O projeto teve início em 2007, com a ideia de aproximar o público em geral aos resultados de pesquisas científicas (em curso há três décadas) sobre a floresta amazônica e o regime de chuvas no Brasil. 

Numa parceria com cientistas brasileiros renomados, como os professores Enéas Salati e Antonio Nobre, o piloto aventureiro Gérard Moss percorreu principalmente a Amazônia e o Centro-Oeste coletando amostras de vapor de água em um pequeno avião adaptado. 

A análise das amostras no Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) teve o objetivo de levantar mais dados técnicos sobre os rios voadores oriundos da Amazônia, conhecidos assim devido ao enorme volume de água que transportam na forma de vapor. 

A umidade provem da evapotranspiração das árvores da floresta amazônica (com 5,5 milhões de km²), e tem forte impacto no clima do Brasil. 

Educação ambiental

Segundo o piloto e ambientalista Gérard Moss, diretor do Projeto Rios Voadores que promove oficinas de formação para professores de escolas públicas sobre o tema desde 2011, o interesse em assuntos ambientais começa com crianças cada vez menores. 

Justamente para abraçar também o público infanto-juvenil, o projeto vai capacitar professores com materiais exclusivos direcionados às crianças. Através dos professores, o projeto multiplica o conhecimento e gera esperança na conservação das florestas e das águas do Brasil. 

Serão beneficiados alunos desde a educação infantil  até o ensino médio. 

Nestas primeiras oficinas, cerca de 200 professores (das disciplinas de ciências e geografia) serão capacitados no DF em parceria com a Escola da Natureza. 

“Com o lançamento do livro Rios que voam, temos agora um material colorido e cativante para as crianças pequenas. Nossa meta é alcançar milhares delas, principalmente nas regiões Norte e Centro-Oeste, mas também em outras regiões do Brasil. 

Nossa intenção é que até mesmo os pequenininhos entendam e sejam mais conscientes da importância da floresta, e mesmo da árvore em frente à sua casa, que também faz sua parte para fornecer vapor de água para a atmosfera”, diz Gérard, que acompanhou o treinamento de 625 professores em ações anteriores do projeto, os quais repassaram a matéria para mais de 80 mil alunos nos últimos três anos. 

País de água

Para o aventureiro suíço, naturalizado brasileiro, que ficou conhecido em todo Brasil por ser o primeiro piloto a dar a volta ao mundo em um motoplanador, apesar da decepção com a falta de comprometimento do mundo com a Rio+20, o Brasil possui vantagem em relação à sustentabilidade. 

No entanto, é preciso mais informação e conscientização entre seus próprios cidadãos. 

“O Brasil é o país campeão de chuvas no mundo (com o volume de 15.200 km³ de água por ano) graças à existência de dois elementos: a Floresta Amazônica e a Cordilheira dos Andes. 

A evapotranspiração das árvores da floresta lança vapor de água para a atmosfera. As massas de ar úmido, ou rios voadores, são empurradas ao oeste e encontram a barreira natural da cordilheira, onde são desviadas rumo ao sul.”, explica. 

“Da mesma forma que todos conhecem as peculiaridades climáticas da sua respectiva região (época das chuvas ou da estiagem), é importante que entendam a dinâmica que influencia o clima do país e sua sustentabilidade. O Brasil é um país de água, mas em certas regiões, não podemos nos dar o luxo de desperdiçá-la. 

Onde não há água suficiente, pelo motivo que for, precisamos dar mais valor e respeito a ela e à vegetação”, avalia Gérard, ao destacar que uma árvore de grande porte da Floresta Amazônica é capaz de produzir mais de mil litros de água por dia. 

Para o piloto de 58 anos, o Dia Mundial da Água significa não somente refletir sobre o uso da água, mas comemorar a existência da Floresta Amazônica, que funciona como uma imensa bomba d’água. 

“Temos que reconhecer o papel da floresta no conforto das nossas vidas, mesmo para quem vive bem longe da Bacia Amazônica. No Brasil, temos o luxo de abrigar  a maior floresta tropical do mundo no nosso quintal, e vale a pena refletir sobre as consequências sérias que seria perdê-la para sempre”, comenta.

“A agricultura em outros países grandes, como a China e os Estados Unidos, não é sustentável porque depende bastante de água do subsolo, bombeada de profundidades cada vez maiores, para irrigar o cultivo. No Brasil, apenas 5% da agricultura usam irrigação mecanizada e 95% se beneficiam das chuvas que caem gratuitamente do céu. 

Devemos dar mais valor à abundância de chuva que temos no Brasil, pensando no futuro e preservando a floresta que fornece uma boa parte da umidade que se transforma em precipitações. Vale a pena derrubar as árvores para eventualmente, um dia, ficar com escassez de água? 

Acho que o Brasil é o único país do planeta que, em longo prazo, seja capaz de fornecer alimentos para países como a China e a Índia, com acelerado crescimento populacional e sem os recursos de água que nós temos.”, conclui. 

Aprendizado lúdico

Para a diretora da Escola da Natureza, Lêda Bhadra, a parceria com o projeto tem sido satisfatória tanto para alunos quanto para professores de Brasília. Segundo ela, a iniciativa faz toda a diferença no aprendizado. Desde 1997, a escola é voltada para o atendimento de professores, alunos e projetos ligados ao tema ambiental, com atividades diárias. 

“Com esse tipo de iniciativa o professor se sente mais seguro e com mais propriedade para trabalhar, e de forma diversificada e lúdica com seus alunos. É uma oportunidade de trabalhar de forma diferenciada e sair um pouco do comum, com um material que é bastante rico”, afirma.

Livro Rios que Voam

O livro infanto-juvenil Rios que Voam traz em suas 24 páginas ilustrações divertidas e textos enxutos que explicam o fenômeno dos rios voadores e seu impacto na relação com o ser humano e a natureza. 

Escrito e ilustrado pela jornalista Yana Marull, que possui experiência na cobertura de matérias comportamentais e sobre o meio ambiente, a obra também conta com colaboração de Margi Moss. 

Além de reflexões sobre a conservação da água e das florestas, o livro traz ainda curiosidades diversas como, por exemplo, como ocorre o processo de evaporação da água, a formação das nuvens e da chuva. 

Serviço:

Lançamento e capacitação - Projeto Rios Voadores
Data: 21/03/2014 (sexta)
Hora: das 8h30 às 11h30 e das 14h às 17h
Local: Escola da Natureza - Centro de Referência em Atividades de Educação Ambiental da SEDF
Endereço: Parque da Cidade (portão 5)
Telefone: (61) 3901-7756 / 3901-8137
Fonte: Da redação do Jornal de Brasília



1. Comentário

"O objetivo é despertar a conscientização de crianças e adolescentes sobre o papel das florestas – e de cada árvore – na preservação das águas doces do Brasil." 

Muito bonito.Mas quem vai conscientizar o IBRAM, a TERRACAP, a NOVACAP, os ruralistas, o Congresso, a SEDHAB do predador Magela, sobre a importância da preservação das florestas? 

Vera Regina Moraes RS

Nenhum comentário: