sexta-feira, 21 de março de 2014

Refinaria de ouro Lula acha que Dilma deveria fazer como ele: manter o bico fechado



Lula acha que ela deu ‘tiro no pé’ ao falar sobre refinaria superfaturada
21 de março de 2014 às 8:15

refinaria pasadena


O governo Lula pagou US$ 1,1 bilhão por esta refinaria americana, que valia US$ 42,5 milhões


O ex-presidente Lula, cujo governo pagou US$ 1,1 bilhão por uma refinaria que valia US$ 42,5 milhões nos Estados Unidos, acha que a presidenta Dilma Rousseff deveria ter ficado calada, e que deu “tiro no pé” ao divulgar nota tentando esclarecer seu papel na negociata, como ministra da Casa Civil e presidente do conselho de administração da Petrobrás.

Lula criticou a estratégia de Dilma de jogar dúvidas sobre o embasamento técnico e jurídico apresentado para a compra pela Petrobras da refinaria em Pasadena (EUA). 

O jornal Folha de S. Paulo informou que o ex-presidente, em conversas reservadas, criticou sua sucessora por “agir por impulso”, na tentativa de tirar o foco das investigações do negócio sobre ela, temendo desgaste político em ano eleitoral. 

Mas acabou levando para o Planalto uma crise que era só da Petrobras.

Em 2006, quando presidia o Conselho de Administração da petroleira, Dilma votou a favor da compra de 50% da refinaria de Pasadena, pelo valor total de US$ 360 milhões. Esse preço pago à empresa belga Astra Oil por 50% da refinaria foi oito vezes maior do que o valor pago pela empresa pela unidade inteira, no ano anterior. 

A Petrobras também teve de desembolsar mais US$ 820,5 milhões para concluir o negócio, pois foi obrigada a comprar os outros 50% da refinaria, em função de uma cláusula no contrato, que se acredita parte do esquema, estabelecendo que, em caso de desacordo, um sócio deveria comprar a parte do outro. 

A compra é investigada pelo Tribunal de Contas da União, Ministério Público do Rio e pela Polícia Federal.



Blog CoroneLeaks

No entanto, segundo coluna de Eliane Catanhede, na Folha de São Paulo, há várias perguntas a responder:

1 - Como a tão centralizadora e detalhista Dilma, então chefe da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da Petrobras, votou a favor de uma operação tão esquisita?

2 - Se havia todo um detalhamento da proposta, por que Dilma e os conselheiros, que são bem remunerados, contentaram-se com um mero resumo agora criticado como "técnica e juridicamente falho"?

3 - Como, à época, o diretor internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, pivô da crise, acabou diretor financeiro da BR Distribuidora?

4 - E como o presidente Gabrielli virou secretário do governo da Bahia, subordinado ao governador petista Jaques Wagner, e até é um dos pré-candidatos à sua sucessão?

5 - Mas a mais importante questão de todas, no caso Pasadena, é aritmética: como, quando e por que pagar US$ 360 milhões pela metade de uma refinaria que acabara de ser vendida um ano antes, integralmente, por US$ 42,5 milhões?

6 - E a cláusula que obrigava uma das partes a comprar 100% da refinaria em caso de divergências não acendeu nenhum sinal amarelo?

7 - É comum uma refinaria de US$ 42,5 milhões passar a valer mais de US$ 1 bilhão num passe de mágica?

8 - Por que Dilma ficou esses anos todos calada e agora resolveu soltar uma nota jogando o escândalo dentro do Palácio do Planalto? Ela quis se antecipar a outros dados que estão para pipocar?

9 - Nessa nota, Dilma disse que, se todas as cláusulas fossem conhecidas, "seguramente" a compra da refinaria de Pasadena não seria aprovada. Admitiu, assim, que o negócio foi um verdadeiro escândalo?
 
 

Nenhum comentário: