sexta-feira, 11 de abril de 2014

Vargas ameaça abrir o bico e obriga o PT a aceitar sua volta à Câmara.


André Vargas, o deputado petista sócio do doleiro preso pela PF na Operação Lava Jato, mandou avisar: quer o PT defendendo o seu mandato ou abre o bico e leva mais gente junto. Citou nominalmente dois candidatos a governos estaduais. Exigiu manifestações de apoio e disse que quer o PT solidário enquanto ele for julgado pela Comissão de Ética da Câmara. Vargas está um poço até aqui de mágoa. É uma bomba relógio, segundo um deputado petista, prestes a explodir.

Após o recado explícito, a Executiva Nacional do PT decidiu ontem mesmo instalar uma comissão formada por três dirigentes da sigla para ouvir o deputado licenciado e ex-vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR), antes de instaurar qualquer procedimento interno. 

Esta foi uma das exigências de Vargas, que também ameaça Lula, que, no início da semana, disse que ele deve "explicar à sociedade" sua ligação com o doleiro para que o PT "não pague o pato". O deputado não gostou, chamou Lula de "traíra" e "mal agradecido", que não ia ser "um segundo José Dirceu". Ao final, acertou com o partido que será advertido, mas que não haverá expulsão da legenda. 

O próprio presidente do PT, Rui Falcão, em jogada ensaiada, saiu em defesa de Vargas, ontem, "Previamente à instalação da Comissão de Ética [no partido], a Comissão Executiva Nacional decidiu ouvir o companheiro André Vargas a respeito dos fatos noticiados", disse, após reunião em São Paulo. "São fatos noticiados que, por si só, não incriminam ninguém." A ordem interna é ganhar tempo. 

Durante o encontro convocado às pressas,  representantes de alas mais à esquerda do PT defenderam a instauração imediata de comissão de ética no partido, enquanto dirigentes da ala majoritária fizeram coro a Falcão e conseguiram fechar a resolução por consenso. O medo das denúncias prometidas por Vargas falou mais alto.

Por outro lado, o Conselho de Ética da Câmara já instaurou processo disciplinar que pode acabar na cassação de Vargas. A Casa deve decidir até 23 de abril se cabe dar prosseguimento ao caso. O PT vai pressionar de todas as formas para que Vargas seja absolvido e já se fala em "mensalão em dólar". Se isto ocorrer, o PT nem mesmo precisaria montar a sua própria sindicância. 

No entanto, a comissão que deve ouvir Vargas já foi nomeada e só tem "peixe" do ex-vice presidente da Câmara:  Alberto Cantalice, vice-presidente do PT, Florisvaldo Souza, secretário de organização e Carlos Árabe, secretário de formação. O temor de Lula e da cúpula do PT é que a crise tenha efeito nas eleições deste ano, principalmente em São Paulo e no Paraná. Mas o medo maior é que Vargas saia atirando e denunciando gente graúda dentro do partido. 

O deputado pediu licença por 60 dias do mandato e renunciou à vice-presidência da Câmara anteontem. Depois do acordão interno formalizado, blindado pela companheirada, deve retornar em 10 dias para, segundo ele, "defender o seu mandato". Só faltou dizer que fará isso com "unhas e dentes", como sugeriu Lula em relação à Petrobras.
 
 

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