quarta-feira, 12 de março de 2014

Derrota importante

G1 
por Cristiana Lôbo 


A derrota imposta pelos aliados, PMDB à frente, na criação de uma comissão externa para apurar denúncias de corrupção na Petrobras é inquestionável: 267 votos, acima, portanto, do placar de maioria absoluta que é de 257 votos.

O que se quer saber, agora, se vai ser assim daqui para a frente ou se foi um caso episódico, apenas para servir de alerta ao Palácio do Planalto.

"Espero que o governo aprenda", disse um petista tão logo o painel eletrônico exibiu o resultado da votação. Outro petista acrescentou: "O governo errou muito!"

Este erro, segundo os petistas, foi pelo fato de a presidente dar nome ao seu problema: Eduardo Cunha. Assim, o líder do PMDB obteve da bancada o apoio que esperava.

Na manhã desta terça-feira de muitas reuniões e conversas, os peemedebistas mais afinados com o governo acreditavam que a bancada da Câmara iria dar apoio ao líder, mas, ao mesmo tempo, declarar apoio ao governo. Não foi o que aconteceu.

No decorrer da reunião, o clima foi esquentando e a proposta majoritária foi a de declarar independência ao governo. Aí, entrou de novo em cena o mesmo Eduardo Cunha.

Desta vez, no papel de bombeiro. Ele atuou para amenizar o tom da nota. Enquanto alguns queriam rompimento e outros a tal independência, Cunha conseguiu que prevalecesse o seguinte:

"A intenção de se conduzir com independência, visando o melhor entendimento sobre as matérias, de acordo com a posição da maioria em cada votação". Ou seja, independente, mas nem tanto assim.

Fica, portanto, a dúvida: Eduardo Cunha articulou a rebelião apenas para dar um susto ao governo ou isso é um processo que pode desaguar na convenção do PMDB e até colocar em risco a aliança em torno da candidatura de Dilma Rousseff? 

"Não... vamos aguardar", respondeu um cauteloso Eduardo Cunha. Ele antecipou apenas um outro movimento: se for colocado em votação projeto do Marco Civil da Internet, ele vai encaminhar pela derrota da proposta do deputado Alessandro Molon, do PT, que reflete o interesse do Palácio do Planalto.

Outros deputados peemedebistas têm opinião diferente e avaliam que "o caldo desandou", como disse Lúcio Vieira Lima, um dos mais rebeldes da bancada. Ele e Danilo Forte (CE) sempre estiveram perfilados ao lado de Eduardo Cunha e muito críticos ao governo. 

Mas, de uns tempos para cá, esta postura ganhou adeptos. E para isso, contribuiu muito uma articulação feita pelo ministro Aloízio Mercadante. 

Diante da articulação para a criação do "blocão" que afinal levou o governo à derrota nesta terça-feira, Mercadante reuniu os líderes dos partidos e recomendou que, em lugar de criticar o governo, os deputados deveriam "grudar em Dilma e tirar muita fotografia ao lado dela, porque Dilma tem alta aprovação popular e vai se reeleger", segundo relataram participantes da conversa. Ou seja, uma articulação às avessas.

Bem, motivos para fazer queixas do governo os deputados dizem ter muitos. Eles reclamam que os programas do governo que dão certo são capitalizados politicamente apenas pelos petistas. 

Os cargos mais importantes também ficam com os petistas. As emendas parlamentares estão sob contingenciamento. Ou seja, dizem eles, não sobra nada.

O desdobramento desta derrota do governo vai depender muito dos próximos passos da presidente Dilma. 

Passado o momento de fúria, já conhecido por todos, será preciso ver como a presidente vai retomar a discussão sobre a reforma ministerial e encerrar as mudanças - garantindo os apoios que necessita para a campanha da reeleição.


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