Uma
empresa sul africana decidiu criar pacotes de caça de leões que têm
criado alguma controvérsia nas redes sociais. Apesar de a empresa Mukulu
African Hunting Safaris não ser a única a permitir a caça, foi pioneira
em oferecer “dois pelo preço de um”.
"Pague para caçar um leão e mate uma leoa de graça!" — o 2X1 oferecido por uma empresa de safári
A "incrível" oferta é
de uma empresa sul-africana de safáris de caça, e pretende atrair um
maior público face ao crescimento do interesse pela caça de animais
selvagens. Líder de movimento repudia.
▲A empresa Mkulu African Hunting Safaris cita uma economia de 10 mil dólares com a oferta
Getty Images
“Adicione uma leoa às categorias 2, 3, 4 ou 5 de
caça de leões sem nenhum custo extra”. É desta maneira que se inicia o
controverso anúncio no site da empresa sul-africana de safaris de caça Mkulu African Hunting Safaris.
A
“incrível” oferta, como descreve a empresa, diz ainda que basta “fazer
as contas para ver uma economia de 10 mil dólares por caçador”, já que
este é um anúncio que visa pessoas que procuram fazer o safari em
companhia de outras pessoas.
Uma oportunidade para alguns (a caça de animais da África do Sul é
legal) e um absurdo para outros mas o anúncio está a gerar diversas
críticas nas redes sociais pela relativização do assunto e pela
utilização de uma linguagem de marketing próxima das empresas de retalho
alimentar. Como exemplo, a Mkulu chega a descrever o caso de um grupo
interessado na oferta que “decida caçar um leão de ‘categoria 3’, no
preço de 23.500 dólares, ambos os caçadores terão direito à caça destes
leões, além de terem o direito a caçar leoas adicionais sem custo
extra”.
O fundador da campanha “Ban Throphy Hunting”, Eduardo Gonçalves, declarou ao Mirror
que matar animais em safaris é uma prática que cada vez mais interessa
pessoas. “O negócio da caça de troféus está em alta. Antes eram só
detentores de terras e coronéis do exército que se interessavam pela
caça em safaris. Hoje em dia, são engenheiros, gerentes de empresas de
serviços ou até mesmo reformados que querem matar animais por diversão,
disse Gonçalves ao jornal britânico.
O anúncio da oferta pode ser lido no site oficial da empresa
A
empresa sul-africana compara literalmente as suas promoções “às ofertas
especiais de Black Friday” e Gonçalves não poupa críticas: “As ofertas
de última hora ou de cancelamento significam que alguns caçadores
procuram descontos. É como a Black Friday, mas todos os dias são dias
negros para os animais.”
Mais
uma ... ou menos uma. Para as tenebrosas estatísticas de animais
atropelados nas rodovias brasileiras, apenas mais um indivíduo a
ser adicionado. Para o ecossistema, uma
grande perda - indivíduo adulto saudável deixando precocemente de
cumprir seu papel ecológico Crédito da fotografia : Polícia Militar de
Proteção Ambiental do Mato Grosso, 08/10/2019, no Pantanal norte.
PL 3.723/2019 E A CAÇA: NOSSA FAUNA CORRE PERIGO!!!
Em 4 e 5 de outubro é comemorado, respectivamente, o Dia dos Animais e
das Aves. Seja a voz deles junto ao deputados federais, Rodrigo Maia
(DEM/RJ), Alexandre Leite (DEM/SP) e os líderes de partidos na Câmara
dos Deputados (endereços abaixo).
Nos próximos dias 8 e 9 pode
ser votado na Câmara o Projeto de Lei (PL) nº 3.723/2019, que em sua
origem tratava somente da ampliação do porte e da posse de armas. Mas, o
deputado Leite acrescentou em seu 1º Substitutivo ao PL, artigos que
podem levar à caça aos animais silvestres no Brasil.
No dia 1º de
outubro, o deputado atendeu em parte ao clamor da sociedade e
apresentou a 3ª versão do Substitutivo ao PL 3723, deixando claro que
cabe aos órgãos ambientais - e não ao Exército como estava antes - a
competência pela eventual autorização de caça aos animais, e em
observância à legislação específica vigente.
Mesmo assim, essa
versão do PL de 01/10/2019, não deixa explícito que as atividades de
abate, controle ou manejo (incluindo caça) da fauna, são específicas às
espécies exóticas invasores, podendo seu art. 21-AB dar margem à
interpretação da possibilidade da caça aos animais silvestres.
Quer garantir a proteção aos nossos animais? Então envie mensagens nas
redes sociais e aos e-mails dos deputados requerendo que:
* Alterem a
redação desse art. 21-AB do PL 3.723/2019 para: "As atividades de
abate, controle ou manejo de fauna exótica invasora serão regulamentadas
e fiscalizadas pelo órgão ambiental federal".
* Onde couber (no
art. 21-A do PL, p.ex.), que as menções à palavra "caça" ao longo do PL
sejam substituídas por "apostilamento (=registro) das armas para caça".
Lembrando que, hoje, somente é permitida por lei a caça ao
javali/javaporco.
* Sejam incluídos os agentes fiscais dos órgãos
ambientais do Sisnama (Sistema Nacional do Meio Ambiente) no art. 6º do
PL, para que tenham direito à posse e porte de armas quando de suas
atividades de fiscalização de crimes ambientais.
Em seu nome,
como eleitor, e de nossos animais, lembre aos deputados que recente
pesquisa Ibope constatou que 93% dos brasileiros são contra a caça! E
que petição na plataforma Chance contra os PLs da Caça já atingiu quase 1
milhão de assinantes - vide http://chng.it/srws62mY
Grandes manchas pretas e gosmentas arrastadas pelo mar chegam a todo momento às areias claras do litoral do Nordeste brasileiro.
Sua origem é desconhecida, mas seus efeitos já são devastadores. São
mais de 132 pontos com registros de óleo em 61 cidades de nove Estados
diferentes: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí,
Rio Grande do Norte e Sergipe. Ao menos oito animais morreram sufocados
pelo material de origem ainda desconhecida.
Biólogos temem que a poluição se espalhe ainda mais e chegue a
prejudicar a reprodução de animais – entre eles, golfinhos e baleias
jubarte.
O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis) informou que tomou uma série de medidas, em
parceria com os Corpos de Bombeiros dos Estados atingidos, para
minimizar os danos desde o dia 2 de setembro, quando foram identificadas
as primeiras manchas.
Junto com a Marinha e Petrobras, o grupo de técnicos também tenta
identificar a origem e os responsáveis pelo despejo de petróleo cru no
mar. O Instituto Tamar suspendeu a soltura de tartarugas marinhas por
conta do problema. Manchas na praia de Tabatinga, município de Nísia Floresta, no Rio Grande do Norte
O primeiro resultado dessa força-tarefa aponta que a substância
encontrada nos litorais não é nenhum tipo de derivado de petróleo, como
gasolina ou querosene, mas sim o produto em sua forma bruta, não
processado.
A Petrobras anunciou que suas análises indicam que o material que
está poluindo as praias não é produzido no Brasil. Na tarde desta
segunda-feira (07/10), o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o governo
federal identificou um possível responsável pelo vazamento.
“Pode ser algo criminoso, pode ser um vazamento acidental. Pode ser
um navio que naufragou também. Agora, é complexo. Temos no radar um país
que pode ser o da origem do petróleo e continuamos trabalhando da
melhor maneira possível”, disse o presidente.
A Petrobras contratou moradores das regiões afetadas pelo óleo para
trabalhar na limpeza das praias. O número de contratados, porém, vai
depender da quantidade de pessoas treinadas para atuar em situações
desse tipo em cada região atingida.
Avanço rumo ao sul
O presidente do Instituto Biota de Conservação, Bruno Stefanis Santos
Pereira de Oliveira, que atua em Alagoas, disse que a mancha está
avançando de maneira significativa em direção ao sul do país.
“A gente não tem ideia do que está boiando por aí, de onde vem, nem a
proporção que tomará. A previsão é aumentar. O que a gente sabe é que
as manchas começaram no norte e hoje estão no Estado todo, e cada vez
maiores”, disse Oliveira. Direito de imagem: REPRODUÇÃO/ MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTEMapa mostra áreas atingidas por petróleo no Nordeste brasileiro
Ele conta que nos primeiros dias os moradores observavam apenas
pequenas manchas e que neste domingo foi vista a maior quantidade de
óleo. No mesmo dia, membros do instituto resgataram uma tartaruga com
metade do corpo coberto pelo material.
“Fizemos o primeiro socorro e acionamos o Ibama para que a tartaruga
recebesse os próximos atendimentos. Quando isso acontece, uma equipe de
veterinários faz uma cuidadosa lavagem manual com detergente e água
morna, e uma bateria de exames para saber se o animal está bem
fisicamente. Depois de limpas, são analisadas todas as cavidades do
animal, como boca e narinas, para saber se alguma delas está bloqueada
pelo óleo”, explicou Oliveira.
O coordenador de pesquisa do Instituto Baleia Jubarte teme que a
expansão das áreas atingidas pelo petróleo prejudique até a reprodução
das baleias no litoral da Bahia e do Espírito Santo.
“Não tivemos o registro de nenhuma baleia ou golfinho atingido pelo
óleo, mas pode acontecer, pois o que a gente vê é um avanço constante do
óleo”, afirmou.
Dimensões incertas
Questionados pela reportagem da BBC News Brasil, o Ibama e o governo
federal não souberam informar o tamanho da mancha de óleo próxima ao
litoral brasileiro. Também não disseram se tomarão medidas emergenciais
para conter o avanço do petróleo em direção à costa ou para que ele se
espalhe pelo oceano.
O Instituto Biota de Conservação, porém, conta com um “exército” de moradores para se manter informado.
A ONG especializada em pesquisa científica e conservação da fauna e
ecossistemas marinhos criou uma rede de informações por meio da ajuda de
moradores para monitorar a costa alagoana.
Dessa forma, eles monitoram desde as praias mais movimentadas até as
mais desertas e pouco urbanizadas sem a necessidade de estar presente
fisicamente em todas elas.
Por meio do aplicativo BiotaMar, os moradores podem registrar ocorrências por meio de fotos e solicitar apoio especializado. Direito de imagem: INSTITUTO BIOTA DE CONSERVAÇÃOTartaruga atingida por mancha de óleo é resgatada no litoral de Alagoas
“Isso nos ajuda a monitorar uma faixa muito maior do que poderíamos
normalmente. Os moradores estão na praia quase 24 horas por dia e a
gente conta com eles para alertar os órgãos ambientais e fazer os
resgates no menor tempo possível. A população é o nosso maior parceiro”,
disse Bruno Oliveira, da ONG que desenvolveu o aplicativo.
Para especialistas, o mais importante é cuidar para evitar que o óleo
se espalhe e cause mais danos. A intenção é evitar que animais e
pessoas tenham contato com o óleo para que as pessoas não se contaminem.
Uma pessoa relatou ter passado mal após ter comido um peixe que ingeriu
óleo.
“Nossa intenção é evitar qualquer contato. É mais fácil identificar e
evitar ingerir animais maiores porque são mais evidentes, mas os
menores podem ser ingeridos e entrar na cadeia alimentar sem ser
percebidos”, disse Oliveira
O Estado do Sergipe decretou situação de emergência e pediu para que
nenhum morador use as praias e não entre em contato com o óleo, mesmo
que tenha a intenção de ajudar. Em caso de emergência, a recomendação é
acionar os órgãos responsáveis.
O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sobrevoou o litoral
sergipano durante cerca de 30 minutos nesta segunda-feira para avaliar a
extensão das manchas.
Sem entender a dimensão da mancha de óleo, os especialistas ouvidos
pela reportagem dizem que é difícil prever o que pode acontecer no
Brasil.
A preocupação dos ambientalistas é que tenha ocorrido um desastre de
proporção semelhante à explosão da plataforma Deepwater Horizon, que
deixou 11 trabalhadores mortos e derramou milhões de barris de petróleo
no Golfo do México.
“Em desastres de grandes proporções, como o do Golfo do México,
ocorreram mortalidades de baleias e golfinhos””, afirmou o coordenador
do Instituto Baleia Jubarte.
Os
assinantes desta petição são contrários ao teor dos seis projetos de
lei citados abaixo e requerem aos parlamentares autores que os retirem
de pauta.
No caso de haver continuidade na tramitação na Câmara dos Deputados e
no Senado, solicitam que os demais parlamentares votem pela REPROVAÇÃO dos projetos nas comissões em que são analisados e no plenário.
Sobre a proposta
As formas de caça profissional e esportiva aos animais silvestres
estão proibidas no país há 52 anos, por meio do Código de Fauna (Lei nº
5.197/1967). Mas existe uma mobilização de parlamentares para liberá-las
novamente. Atualmente, tramitam na Câmara dos Deputados e no Senado
seis projetos de lei que pretendem legalizar e facilitar essas
atividades.
Os projetos afrontam o Princípio da Dignidade Animal, contemplado no inciso VII do parágrafo 1º do artigo 225 da Constituição Federal de 1988, em que se proíbe atividades que submetam os animais à crueldade. Também ignora a Declaração de Cambridge, de 2012, em que renomados cientistas afirmam que os animais são seres sencientes, com capacidade de sentir medo, prazer, alegria e dor, por exemplo.
Além disso, é comprovado que a caça é, hoje, uma das maiores causas de extinção de espécies. Os seis projetos que defendem a liberação da caça são:
986/2015, 1.019/2019 e 3.615/2019:
respectivamente dos deputados federais Rogério Peninha Mendonça
(MDB-SC) e Alexandre Leite (DEM-SP) e do senador Marcos Rogério
(DEM-RO), sendo que todos pretendem criar o Estatuto dos CACs
(Colecionadores, Atiradores e Caçadores) abordando o armamento utilizado
por essas categorias, além de considerar como legalizada a caça
esportiva no Brasil.
PL 6.268/2016 (PL da Caça): do ex-deputado federal Valdir Colatto (MDB-SC) e que pretende legalizar as caças profissional e esportiva.
PLP 436/2014:
do deputado federal Rogério Peninha Mendonça (MDB-SC), que tenta passar
para os Estados o fornecimento de autorizações de caça.
PL 7.136/2010:
do deputado federal licenciado e atual chefe da Casa Civil do Governo
Bolsonaro, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), que propõe passar para os municípios
a emissão de licenças de caça.