sábado, 3 de outubro de 2026

COMUNIDADE DO PARK WAY CONTRA O USO COMERCIAL e INDUSTRIAL DENTRO DAS RESIDENCIAS DO PARK WAY.

 

O problema

COMUNIDADE DO PARK WAY CONTRA O USO COMERCIAL e INDUSTRIAL
DENTRO DAS RESIDENCIAS DO PARK WAY.

Moradores do Park Way,

O GDF quer incluir na LUOS (Lei de Uso e Ocupação do Solo) a implantação de atividades comerciais e industriais dentro das residências do Park Way. Assim, nosso bairro cujos condomínios eram para uso familiar exclusivo poderá ser alterado para uso misto, aberto para a instalação de fabricas, lojas e indústrias dentro das residências.

São mais de 500 as Atividades que podem ser enquadradas como Micro Empreendimentos Individuais (MEI) , entre elas açougue, abatedouros, britador, serralherias, carpintarias, conserto de motos, mecanico de automoveis que poderão ser instaladas dentro dos condominios.

A CONVENCÃO DE CONDOMINIO NÃO CONSEGUIRÁ IMPEDIR!

O micro empreendedor pode contestar a proibição na justica e o processo se arrastará por anos  enquanto a empresa ou a industria continuará funcionando e perturbando os vizinhos..

Defenda sua qualidade de vida

Se essa proposta for aprovada e incluída na LUOS nossa segurança e qualidade de vida poderão ficar seriamente comprometidas com a entrada e saída de caminhões trazendo insumos e mercadorias, com o barulho das maquinas funcionado, a circulação de pessoas estranhas ao condomínio, o cheiro das tintas, o congestionamento, a ocupação das áreas verdes com deposito e material para utilização nas fabricas.

Brasília nasceu planejada e setorizada para oferecer conforto e segurança para todos os moradores. O Park Way foi criado para ser o pulmão do Distrito Federal. Uma ilha verde de silencio e de ar puro. Contém córregos importantes para o abastecimento do Lago Paranoá. Para manter essas características foi declarado área de preservação ambiental, Reserva da Biosfera do Cerrado, APA do Gama Cabeça de Veado.

Vote CONTRA essa iniciativa do GDF de destruir o Park Way e a qualidade de vida dos moradores do DF.

Só assim poderemos preservar e proteger nossa segurança, nosso verde, nossos córregos, nossa tranqüilidade, nossos bichos e nosso ar puro.  

https://www.change.org/p/associa%C3%A7%C3%A3o-park-way-residencial-contra-o-uso-comercial-de-servi%C3%A7os-e-industrial-dentro-das-residencias-do-park-way

Excelentíssima Senhora Governadora Celina Leão,

Excelentíssima Senhora Governadora Celina Leão,


Venho, respeitosamente, manifestar minha preocupação e a de muitos moradores do Park Way diante da autorização para a regulamentação de atividades comerciais no interior dos condomínios da região.


O que causa maior perplexidade não é apenas o conteúdo da medida, mas a forma como ela vem sendo conduzida. Os comerciantes foram ouvidos e tiveram sua reivindicação atendida, enquanto os moradores, diretamente afetados pela mudança, não foram previamente consultados.


Essa ausência de diálogo torna-se ainda mais preocupante diante da existência de um abaixo-assinado que reúne cerca de 60 mil assinaturas de moradores e ambientalistas contrários à inclusão de atividades comerciais dentro das áreas residenciais do Park Way. Trata-se de uma manifestação expressiva da sociedade civil, que demonstra que a questão está longe de representar uma preocupação isolada ou de um pequeno grupo de moradores.


O Park Way não é uma área residencial comum. Suas características urbanísticas e ambientais constituem justamente o motivo pelo qual milhares de famílias escolheram a região para morar e nela investiram suas economias. Muitos adquiriram suas residências considerando a natureza essencialmente residencial do bairro e o padrão de ocupação que historicamente o caracteriza.


Permitir atividades comerciais dentro dos condomínios significa, na prática, introduzir uma nova dinâmica em espaços concebidos para uso residencial. Dependendo da natureza e da intensidade dessas atividades, poderão ocorrer aumento da circulação de veículos e pessoas, pressão sobre a infraestrutura existente, problemas de estacionamento, ruído, impactos sobre a segurança e alteração da tranquilidade que constitui uma das principais características do Park Way.


Há ainda uma preocupação que não pode ser ignorada: o Park Way está inserido em uma área de grande relevância ambiental, com importantes recursos hídricos e áreas de Cerrado, estando relacionado à proteção da Reserva da Biosfera do Cerrado e às áreas de proteção ambiental existentes no Distrito Federal. A ocupação urbana precisa, portanto, ser analisada também sob a perspectiva da preservação dos mananciais e da sustentabilidade ambiental.


Nesse contexto, a ODS 6 da Agenda 2030 da ONU, que trata da garantia da disponibilidade e da gestão sustentável da água e do saneamento para todos, reforça a necessidade de que decisões de ocupação territorial considerem a proteção dos recursos hídricos e a capacidade ambiental da região.


Senhora Governadora, não parece razoável que uma mudança capaz de afetar tão profundamente a vida cotidiana dos moradores seja conduzida a partir da demanda de um segmento interessado na exploração comercial da área, sem que aqueles que residem nos condomínios tenham oportunidade efetiva de participar da discussão.


Os moradores não estão pedindo que suas opiniões prevaleçam automaticamente sobre as demais. O que reivindicam é algo muito mais básico: o direito de serem ouvidos antes que uma alteração dessa magnitude seja implementada em seu local de moradia.


É importante lembrar que os imóveis foram adquiridos sob determinadas condições urbanísticas e com expectativas legítimas quanto à preservação de suas características residenciais. Uma mudança dessa natureza não pode ser tratada como uma simples regulamentação administrativa, pois pode alterar as condições que fundamentaram decisões patrimoniais tomadas por inúmeras famílias.


Por isso, solicito respeitosamente a Vossa Excelência que suspenda a implementação da regulamentação até que seja realizado um processo efetivo de diálogo e consulta aos moradores do Park Way, permitindo que sejam apresentados os impactos e as preocupações da comunidade e que sejam avaliadas alternativas que conciliem os diferentes interesses sem descaracterizar a região.


O Park Way precisa ser tratado não apenas como espaço disponível para novas atividades econômicas, mas como um território residencial, ambientalmente sensível e onde vivem milhares de pessoas que também têm direito a participar das decisões que irão modificar seu modo de vida.


Espero, portanto, que Vossa Excelência possa receber representantes dos moradores e abrir um canal de diálogo antes da consolidação dessa mudança.


quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Especialistas conclamam governos a tornar mais rígidas leis de comércio de anfíbios e répteis

 

sábado, 30 de maio de 2026

A HOMOLOGAÇÃO DO CAOS: Como o Estado transforma a ilegalidade Urbana em Regra.

 A HOMOLOGAÇÃO DO CAOS: Como o Estado transforma a ilegalidade Urbana em Regra.


Testemunhamos em Brasília, e, especificamente no Park Way, a ascensão de uma prática administrativa perversa: a Homologação do Caos. Caracteriza-se quando o Estado abdica do seu papel fiscalizador/planejador para se tornar um mero carimbados de ilegalidades, moldando as leis ao sabor dos fatos consumados.

Essa política inverte a lógica do direito Urbanístico e funciona como um incentivo direto à transgressão.

O investidor promove o desvio de finalidade do lote,  consolida a atividade comercial irregular à revelia da lei e, anos depois, é agraciado com um decreto de regularização sob o pretexto governamental de "adequação à realidade".

O morador que cumpriu as normas, que investiu no Park Way acreditando no Plano Diretor e que buscou qualidade de vida e sossego, descobre, desalentador, ser ele o verdadeiro punido pelo sistema.

A proposta apresentada pelo GDF, alterando o uso de parte dos lotes de Residencial Exclusivo para uso misto, comprova essa tese.

Os lotes selecionados para regularizacao  violaram a lei ao estabelecer atividade comercial em lote residencial. Ao invés de punir, premia-se.

Inclusive um deles, está com licenciamento cassado pelo Supremo Tribunal Federal- STF.

sexta-feira, 29 de maio de 2026

A Fauna Pede Passagem: Cobramos que o Senado encaminhe o PL das Passagens de Fauna Notícias

 

A Fauna Pede Passagem: Cobramos que o Senado encaminhe o PL das Passagens de Fauna

Notícias

28 maio 2026

 Por Proteção Animal Mundial

Proteção Animal Mundial e 40 organizações pedem avanço do projeto que combate atropelamentos de animais silvestres.

A Proteção Animal Mundial e mais 40 organizações protocolaram nesta semana um ofício direcionado à Presidência do Senado Federal solicitando o devido andamento legislativo do Projeto de Lei 2550/2026.

A proposta estabelece medidas concretas para prevenir o atropelamento de animais silvestres nas rodovias e ferrovias do Brasil e conecta a preservação da biodiversidade, a segurança viária e a proteção da vida humana. 

A iniciativa das organizações da sociedade civil prevê que o projeto, considerado histórico para a agenda animal no país, avance nas comissões do Senado e mantenha o impulso conquistado após sua aprovação na Câmara dos Deputados, no começo de maio.

Pelo fim dos acidentes na estrada

Pelo fim dos acidentes na estrada

O projeto de lei cria o Plano Nacional de Segurança Viária para a Fauna Silvestre e o Cadastro Nacional de Acidentes com Animais Silvestres. Esses são instrumentos inéditos para enfrentar um problema que afeta milhões de animais silvestres todos os anos e também coloca vidas humanas em risco. 

Entre as medidas previstas estão a criação de um mapeamento de áreas críticas e a implementação de soluções como passagens de fauna, cercamentos, sinalização adequada e outras medidas de mitigação em rodovias e ferrovias brasileiras.

Para a Proteção Animal Mundial, o momento exige atenção e engajamento contínuos. A aprovação na Câmara representou uma conquista importante, mas a transformação da proposta em lei depende agora do avanço da tramitação no Senado Federal.

Ao protocolar o ofício, as organizações reforçam seu compromisso com a construção de soluções permanentes para um problema que gera impactos ambientais, sociais e econômicos em todo o território nacional. A expectativa é que a ampla mobilização da sociedade civil contribua para demonstrar a relevância do tema e a urgência de sua apreciação pelos senadores.

“Hoje, mais de 15 animais morrem a cada segundo nas estradas brasileiras e esse dado trágico pode ser evitado. As passagens de fauna, por exemplo, são eficazes e onde já foram instaladas reduzem em até 27% os atropelamentos”, explica Julia Trevisan, coordenadora da Campanha de Vida Silvestre, da Proteção Animal Mundial.

“A fauna brasileira pede passagem. E ao aprovarmos o PL 2550/2026, os impactos serão positivos tanto para os animais silvestres quanto para nós, humanos. Uma estrada segura para os animais é também uma estrada segura para nós”, completa.

A fauna brasileira pede passagem

A pauta ganhou força com ações conjuntas realizadas por dezenas de organizações, incluindo o manifesto “A Fauna Pede Passagem: por vidas humanas e animais”, que reuniu instituições de todo o país em defesa de medidas estruturantes para reduzir os atropelamentos de fauna.

O tema também ocupa posição de destaque na Agenda Legislativa Animal, articulação coordenada por organizações da sociedade civil que reúne projetos prioritários para a proteção animal no Congresso Nacional.

O antigo PL 466/2015 integrou a Agenda Legislativa Animal por dois anos consecutivos, refletindo o entendimento coletivo de que a proteção da fauna nas infraestruturas de transporte é uma questão estratégica para a biodiversidade, para a segurança viária e para o desenvolvimento sustentável do país.

 

domingo, 24 de maio de 2026

LUOS-Discurso ao Presidente da SEDUH em defesa do Meio Ambiente .22 de maio de 2022

 Boa tarde a todos.


Gostaria inicialmente de agradecer o espaço de diálogo e a oportunidade de manifestação da comunidade. Falo hoje como moradora e também como representante da preocupação de inúmeros moradores do Park Way que escolheram viver no bairro justamente por sua vocação estritamente residencial, ambientalmente preservada e voltada à qualidade de vida familiar.

Nossa preocupação não é apenas com uma alteração pontual na legislação. O que está em discussão é a própria identidade urbanística do bairro, a preservação da segurança, da tranquilidade e do modelo de ocupação que historicamente caracterizou o Park Way.”

O Governo do Distrito Federal, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (SEDUH), pretende alterar a LUOS — Lei de Uso e Ocupação do Solo — do Conjunto 1 da Quadra 5 do Park Way, permitindo a implantação de atividades comerciais em área que, a exemplo das demais quadras do bairro, deveria manter destinação estritamente residencial.

Ocorre que o Conjunto 1 da Quadra 5 também é formado predominantemente por condomínios residenciais, concebidos para moradia familiar, baixa circulação de pessoas e preservação da tranquilidade local. A imensa maioria dos moradores desses condomínios tem plena consciência de sua responsabilidade na preservação ambiental e na manutenção das características urbanísticas e ecológicas do Park Way, razão pela qual não concorda com essa alteração proposta pela SEDUH.

A permissão para instalação de atividades comerciais e profissionais tende a gerar aumento significativo de circulação de veículos, clientes e prestadores de serviços, comprometendo a segurança, o sossego, a privacidade e o bom convívio entre vizinhos, além de descaracterizar completamente a finalidade habitacional originalmente prevista para a região.

Caso essa alteração venha efetivamente a ser implementada, os moradores que escolheram residir e investir no bairro justamente por sua vocação estritamente residencial e por seu perfil voltado à preservação ambiental serão diretamente prejudicados. A implantação de atividades comerciais no interior das residências tende a comprometer a segurança, a tranquilidade e a qualidade de vida da comunidade, além de gerar impactos concretos como aumento de circulação de pessoas estranhas ao convívio local, excesso de veículos, produção de lixo, ruídos constantes e sobrecarga da infraestrutura interna dos condomínios.

Segundo informações divulgadas pela própria Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Habitação do Distrito Federal, caberia aos moradores inserir nas convenções condominiais cláusulas proibindo atividades comerciais em determinados condomínios. Contudo, tal solução mostra-se insuficiente e insegura juridicamente. Na prática, convenções de condomínio frequentemente enfrentam dificuldades de aplicação e fiscalização, especialmente diante de uma alteração legal que passe a autorizar expressamente atividades comerciais em áreas originalmente destinadas à moradia. Ao conferir respaldo normativo ao uso comercial, a mudança na LUOS tende a enfraquecer ainda mais a autoridade das convenções condominiais e a ampliar conflitos entre moradores, comprometendo o bom convívio e a própria finalidade residencial dos condomínios do Park Way.

“Também causa preocupação o fato de que a alteração proposta poderá acabar beneficiando atividades comerciais já implantadas irregularmente em área de destinação estritamente residencial, muitas vezes em razão da insuficiência de fiscalização ao longo dos anos. Em vez de corrigir distorções e reforçar o cumprimento da legislação urbanística originalmente prevista para o Park Way, a mudança na LUOS tende a transmitir a percepção de que ocupações irregulares podem futuramente ser legitimadas por alterações normativas posteriores. Tal medida fragiliza a segurança jurídica, enfraquece a confiança dos moradores nas regras urbanísticas vigentes e gera sensação de injustiça para aqueles que sempre respeitaram a destinação exclusivamente residencial da região.”

Por isso, pedimos que essa proposta seja analisada com extrema cautela. O Park Way possui características urbanísticas e ambientais muito específicas, que não são compatíveis com a ampliação de atividades comerciais dentro de áreas residenciais e condomínios fechados.

Os moradores que investiram suas vidas no bairro o fizeram confiando na legislação vigente e na destinação exclusivamente residencial da região. Alterar essa lógica agora significa comprometer a segurança jurídica, a qualidade de vida e o equilíbrio comunitário do bairro.

Esperamos que o interesse coletivo, a preservação ambiental e o respeito ao planejamento urbano prevaleçam sobre interesses pontuais. Muito obrigada.”


quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Veronika faz algo que nenhuma outra vaca no mundo faz, e isso pode mudar a forma como tratamos os bovinos

 

Veronika é uma vaca marrom suíça, que vive em uma idílica vila nas montanhas da zona rural da Áustria. Ela não é criada para produção de carne ou leite, mas como um animal de estimação, quase um membro da família de Witgar Wiegele, agricultor orgânico e padeiro. E há pelo menos uma década, faz o que somente mamíferos da espécie primataeram capazes, de acordo com a ciência: usava gravetos para se coçar. 

Com o tempo, ela se aperfeiçoou e passou a utilizar também cabos de madeira e ancinhos – que eram colocados por Wiegel em seu caminho – com o mesmo objetivo.

Wiegele a observava, considerava esse comportamento curioso, mas não imaginava que pudesse interessar a pesquisadores, como objeto de estudo. Até o dia em que, no ano passado, gravou um vídeo de Veronika em plena coçação e compartilhou com Alice Auersperg, bióloga cognitiva e professora da Universidade de Medicina Veterinária de Viena, especializada na evolução da inteligência em aves. 

Sua pesquisa concentra-se na cognição física, comportamento lúdico, resolução de problemas e habilidades de fabricação de ferramentas em papagaios e corvídeos, mas ela havia lançado um livro sobre o
uso de objetos por animais. Desde então, não teve mais sossego: recebia milhares de mensagens de pessoas que contavam as experiências de seus animais. Mas o e-mail de Wiegele chamou sua atenção e ela logo se interessou pela vaquinha habilidosa.

“Quando vi as imagens, ficou imediatamente claro pra mim que se tratava de um exemplo significativo de uso de ferramentas por uma espécie raramente considerada sob uma perspectiva cognitiva”, declarou ela à GoodNews Network.

“Parecia muito interessante! Tínhamos que dar uma olhada mais de perto”, contou à National Geographic. E foi assim que Auersperg e Antonio Osuna-Mascaró, pesquisador de pós-doutorado da mesma universidade, foram conhecer a vaca Veronika e se encantaram com ela.

“Escolhas consistentes e funcionalmente apropriadas”

Logo começaram os testes com Veronika – foram 70, sistemáticos –, uma série de ensaios controlados e, entre eles, uma experiência muito interessante com uma escova, colocada na grama em uma orientação aleatória. 

Os pesquisadores observavam que extremidade da escova Veronika escolhia para tocar que partes do corpo e descobriram que suas escolhas eram “consistentes e funcionalmente apropriadas”, classificou Osuna-Mascaró. “Ela aplica técnicas diferentes conforme o formato da ferramenta e a região do corpo”.

A vaca austríaca preferia usar a extremidade com cerdas (da escova) para coçar partes amplas e firmes do corpo, como as costas por exemplo. Nas mais sensíveis e macias – como úbere ou região anal –, escolhia a
extremidade lisa do cabo “e dava leves empurrões para frente, mirando precisamente no alvo”.

Além disso, foi fácil de perceber que, ao coçar a parte superior do corpo, ela fazia movimentos amplos e vigorosos; já na parte inferior, adotava movimentos cuidadosos e lentos.

Veronika escolhia a parte da escova e ajustava a forma de manuseá-la conforme seu objetivo, muitas vezes utilizando a mesma parte do objeto para alcançar diferentes resultados. 

Versatilidade, antecipação e precisão motora

A pesquisa confirmou que seu comportamento, ao usar ferramentas, se encaixa na definição clássica – “manipulação de um objeto externo para atingir um objetivo por meios mecânicos” –, mas vai além, visto que ela as utiliza de forma flexível e multifuncional. 

“Como ela está usando a ferramenta em seu próprio corpo, isso representa uma forma egocêntrica de uso, que geralmente é considerada menos complexa do que o uso de ferramentas direcionado a objetos externos”, explicou o Dr. Osuna-Mascaró.

Ele ainda destacou que, ao mesmo tempo em que era muito habilidosa com as ferramentas, Veronika também enfrentava limitações ao ter que manipulá-las com a boca. “O que impressiona é como ela compensa essas limitações, antecipando o resultado de suas ações e ajustando sua pegada e movimentos de acordo com a situação”.

Seu comportamento foi além das previsões, demonstrando versatilidade, antecipação – as mudanças de pegada sugerem essa característica, que está associada ao uso inovador de ferramentas em primatas e corvídeos – e precisão motora. 

Sua cognição física é altamente sofisticada, o que, até agora, parecia impossível identificar num bovino. Isso, certamente devido à forma como os vemos esses animais, subestimando-os por seu papel utilitário. 

“Apesar de mais de 10 mil anos de domesticação, a pesquisa sobre a cognição bovina permanece escassa e restrita a contextos aplicados como produtividade e bem-estar”, acrescentam os pesquisadores.

A influência do modo de vida de Veronika

Auersperg e Osuna-Mascaró também destacaram no artigo publicado na revista científica Current Biology, em 19 de janeiro (com destaque na capa, veja foto à esquerda), que as circunstâncias em que vive Veronika – ambiente externo e aberto, contato com humanos que a tratam bem, autonomia para ir e vir, oportunidade de interagir com objetos manipuláveis e uma linda e rica paisagem para observar, além de longa expectativa de vida –, certamente criaram condições para que seu “comportamento exploratório e inovador” se manifestasse.

Por isso, os pesquisadores desejam ampliar a pesquisa para identificar que condições sociais e ambientais podem levar ao surgimento de comportamentos como esse em animais de criação e se há casos semelhantes ao de Veronika, que podem ter passado despercebidos. 

“Suspeitamos que essa habilidade possa ser mais difundida do que documentada, por isso, convidamos todos (leitores do Conexão Planeta incluídos) a observarem vacas e touros e registrarem aqueles que usam objetos para explorar e desenvolver esse tipo de comportamento”, destacam os cientistas. Quem aceitar o convite e fizer registros, pode enviá-los para a Dra. Alice Aersperger no e-mail: alice.auersperg@vetmeduni.ac.at

A seguir, assista ao vídeo produzido por Witgar Wiegele e enviado para a bióloga Alice Auersperger, que culminou com a pesquisa:

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