sexta-feira, 11 de junho de 2021

Governo paralisa (de novo) fiscalização ambiental, denunciam servidores

 

Governo paralisa (de novo) fiscalização ambiental, denunciam servidores

Instrução Normativa publicada na semana passada retira autonomia de ação dos fiscais do Ibama e ICMBio, aumenta burocracia e favorece infratores

Daniele Bragança ·
21 de abril de 2021

O governo promoveu mais uma mudança nas regras de fiscalização ambiental – a segunda em menos de dois anos – e retirou a autonomia dos fiscais em campo, que agora precisam da autorização prévia de um superior para aplicar uma multa. As novas regras foram publicadas na quarta-feira (14) da semana passada através de uma instrução normativa conjunta assinada pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e os presidentes do Ibama, Eduardo Fortunato Bim, e do ICMBio, Fernando Lorencini. 

Em entrevista ao O Globo, após repercussão negativa da carta dos servidores, o ministro Ricardo Salles afirmou que o objetivo da norma era acelerar processos, mas que o Ministério irá analisar a manifestação. “Se houver mesmo necessidade de ajuste, o faremos”, disse. 

Desde a publicação da instrução normativa, ao menos três manifestações endereçadas às presidências das autarquias foram feitas para pedir que a norma seja revista. Uma feita por servidores do Ibama, outra pelos servidores do ICMBio e uma terceira pela Diretoria de Proteção Ambiental, do Ibama, assinada pelo diretor Olímpio Ferreira Magalhães. Segundo os servidores, a instrução normativa engessa o trabalho do dia a dia no momento em que as regras da norma anterior – que ajustou as normas após a criação dos núcleos de conciliação – começaram a ser implementadas.

“É como se nos mantivéssemos presos sempre a uma nova adequação”, reclama um fiscal para a reportagem de ((o))eco. A identidade do servidor será mantida em sigilo. Desde 2019, servidores da área ambiental federal estão proibidos de dar entrevista sem autorização prévia da assessoria de imprensa do Ministério do Meio Ambiente. 

Servidores do Ibama protestam contra IN

Mais de 300 servidores de carreira do Ibama assinaram uma carta, publicada na segunda-feira (19), pedindo modificações na Instrução Normativa. Os servidores alegam que as normas inviabilizam o seguimento dos processos em todo país. Na carta, também endereçada ao presidente do Ibama, os servidores afirmam que as atividades nas autarquias estão paralisadas, pois não foram tomadas medidas prévias no sistema eletrônico para incorporar as inúmeras mudanças promovidas pela entrada em vigor da norma. 

“Para evitar responsabilização aos servidores e de forma preventiva, estes estão apresentando suas razões no presente documento, à administração das autarquias executoras, IBAMA e ICMBio, para exercer o direito de recusa em iniciar procedimentos com a norma vigente e, muito menos com norma administrativa revogada, tendo em vista que não há meios disponíveis para o cumprimento dos prazos e, com o não cumprimento, há sanções previstas na Lei Federal 8.112/1990, podendo até o servidor ser demitido. Num completo descompasso com a situação das autarquias executoras da Política Nacional de Meio Ambiente, que vem sofrendo há anos com a diminuição no quadro de servidores, ao invés de realizar concurso público e assim prover os cargos vagos, a administração aprova norma que, sem meios para cumprir, pode levar a demissão de mais servidores”.

Em decorrência disso, todos os servidores que assinam a carta declaram que estão com suas atividades paralisadas pelas próprias autarquias. “Registramos que, no momento, os meios necessários para o estrito cumprimento do nosso trabalho não estão disponíveis e que todo o processo de fiscalização e apuração de infrações ambientais encontra-se comprometido e paralisado frente ao ato administrativo publicado. O resultado imediato e inevitável é a potencialização da sensação de impunidade, que é apontada como uma das principais causas do aumento do desmatamento na Amazônia, bem como de outros crimes ambientais no país”. 

Em ofício de orientação, o Coordenador-Geral de Fiscalização Ambiental do Ibama, Ricardo José Borrelli, afirmou que a lavratura do auto de infração e a elaboração do relatório de fiscalização devem ser feitos com os procedimentos já estabelecidos, ou seja, usando a norma anterior, revogada pela nova. Para os servidores, fingir que a norma não mudou fere o princípio da legalidade do ato administrativo. 

“Rogamos à toda a sociedade o apoio necessário para que haja, por parte dos gestores do MMA, IBAMA e ICMBio, uma atitude com vistas ao equacionamento do quadro de paralisação total imposto pela publicação da INC MMA/IBAMA/ICMBIO 01/2021 e para que não nos lancem convite em assumir riscos no cumprimento de atos sem a existência de norma vigente que nos ampare. Como já dito, isto é irregular, ilegal e configura mera tentativa de arrefecer uma crise administrativa sem precedentes que se instalou com a alteração da norma”, denunciam.

Mudanças impostas pela nova IN inviabilizam a fiscalização, denunciam os fiscais. Foto: Vinícius Mendonça/Ibama

Na mesma direção, servidores do ICMBio encaminharam ontem uma carta endereçada ao presidente do ICMBio, Fernando César Lorencini, ao coordenador-geral de Proteção (CGPRO/ICMBio), Diego Bezerra Rodrigues, e ao diretor de Criação e Manejo de Unidades de Conservação (Diman/ICMBio), Marcos de Castro Simanovic, em apoio à manifestação dos colegas servidores do Ibama, levantando os mesmos pontos. Segundo os servidores do ICMBio, se a norma se mantiver, “será necessário um enorme esforço de readaptação de procedimentos, sistemas e capacitação, recomeçando quase do zero toda a dinâmica Fiscalização, Conciliação, Instrução e Julgamento de autos de infração no ICMBio e no Ibama”.

Diretoria de proteção pede revogação das novas regras 

No início da noite desta terça-feira (20), o diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Olímpio Ferreira Magalhães, pediu a imediata modificação de cinco pontos da Instrução Normativa: a do conceito de relatório de fiscalização; mudança nos prazos para contemplar excepcionalidades; permitir que outros agentes envolvidos na operação possam sanar pendências apontadas pela chefia e alteração de artigo para deixar claro que o relatório de fiscalização deixou de representar, necessariamente, a abertura do processo administrativo ambiental. 

“Entendo que as mudanças em questão devem ser válidas imediatamente, tendo em vista a importância do tema. Feitas essas considerações, encaminho à apreciação e encaminhamentos pertinentes”, escreve Magalhães, em nota técnica encaminhada ao presidente do Ibama, Eduardo Bim.

Desde a chegada de Bolsonaro ao poder, em 2019, o número de autos de infração vem despencando. Em abril de 2020, Salles mudou toda a cúpula de fiscalização do Ibama após Bolsonaro se irritar com uma reportagem do Fantástico, da TV Globo, que mostrou os bastidores de uma megaoperação em Terras Indígenas no sul do Pará. Na ocasião, foram exonerados: o coordenador de operações de fiscalização do Ibama, Hugo Loss, um dos entrevistados na reportagem do Fantástico; o coordenador-geral de fiscalização ambiental, Renê Luiz de Oliveira; além do então diretor de Proteção Ambiental, Olivaldi Azevedo.

PV entra na briga

Não são apenas os servidores que pedem a mudança na instrução normativa. Os deputados Israel Batista (PV-DF), Célio Studart (PV-CE) e Leandre (PV-PR), todos do Partido Verde, entraram com um decreto legislativo para sustar a Instrução Normativa Conjunta. Segundo os deputados, é responsabilidade do parlamento sustar normas do Poder Executivo “que extrapolem seu poder regulamentar.”

Diretoria do ICMBio suspende operação que iria retirar gado ilegal de UC no Pará

 

Notícias

Diretoria do ICMBio suspende operação que iria retirar gado ilegal de UC no Pará

Ação de fiscalização planejada por servidores iria retirar gado ilegal de dentro de uma unidade de conservação no Pará, mas foi barrada. Servidores ameaçam greve em resposta

Duda Menegassi ·
12 de maio de 2021

Enquanto o Ministério do Meio Ambiente faz a transferência temporária do gabinete de Salles e dos presidentes do Ibama e do ICMBio, para o Pará sob a justificativa de “acompanhar as operações conjuntas com a Força Nacional”, ordens da diretoria do ICMBio suspendem uma operação de fiscalização em andamento há mais de um ano que estava em vias de agir para retirar gado ilegal de dentro de uma unidade de conservação de proteção integral no estado. O alvo da operação, liderada por cinco servidores desde fevereiro de 2020, era uma fazenda no interior da Reserva Biológica Nascentes da Serra do Cachimbo com mais de 1 mil cabeças de gado e que já registra 15 autuações que somam mais de R$59 milhões em multas, e mais de 2,2 mil hectares de áreas embargadas.

A decisão de suspender a operação veio do diretor de Criação e Manejo de Unidades de Conservação (Diman), o tenente-coronel da Polícia Militar do Estado de São Paulo, Marcos de Castro Simanovic. Fontes ouvidas por ((o))eco apontam, entretanto, que a ordem, na verdade, veio de cima, diretamente do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

A ordem foi anunciada na última semana (04/05) durante uma reunião conjunta entre a Diman e as partes envolvidas na operação, sem maiores explicações e sem ouvir a área técnica. Em resposta ao ocorrido, servidores ambientais, não apenas do ICMBio, mas também do Ibama, do Serviço Florestal Brasileiro e do próprio Ministério, articulam uma paralisação e já confabula-se até mesmo a possibilidade de greve geral. O assunto deve ser discutido durante congresso da Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente (Ascema Nacional) que será realizado neste final de semana.

((o))eco entrou em contato com Marcos Simanovic, que afirmou que: “a decisão foi tomada por mim, com base em informações técnicas e operacionais, que levaram à necessidade de adequação do planejamento para atender ocorrências de desmatamento e outras infrações flagrantes contra os recursos naturais do Bioma Amazônia. Foi uma priorização de escolha de alvos. Por questões de sigilo, necessário para o sucesso das ações, os detalhes não foram divulgados previamente. Em breve divulgaremos institucionalmente os resultados positivos dessa decisão pois estamos com as ações em andamento”.

A retirada do gado é vista como uma estratégia fundamental para atingir financeiramente os infratores que, mesmo com suas áreas embargadas, prosseguem com a criação e comercialização do gado ilegal. “Causar prejuízo à cadeia produtiva ilegal, instalada através do desmatamento e grilagem de terras públicas através da perda do produto originado do crime ambiental é a base das mais modernas teorias de enfrentamento de crimes diversos”, explica o ofício sobre a operação ao qual ((o))eco teve acesso.

O ministro Ricardo Salles no Pará junto com a Força Nacional para operações conjuntas publicamente anunciadas. Foto: Twitter/Reprodução

Coincidência ou não, a Reserva Biológica Nascentes da Serra do Cachimbo, onde seria realizada a retirada do gado, está localizada em Altamira, um dos municípios incluídos, de acordo com a portaria do ministro, nas operações de fiscalização nem um pouco sigilosas a serem realizadas em conjunto com a Força Nacional nesta semana.

O município é o líder de desmatamento no Pará, com 736 km² desmatados apenas entre 1º de janeiro e 29 de abril deste ano, de acordo com o monitoramento do Deter, realizado pelo INPE. A reserva biológica também aparece na lista das unidades de conservação mais desmatadas do estado no período, com 22 km² de cobertura florestal perdidos somente nestes primeiros quatro meses de 2021.

A cronologia da operação

O planejamento da operação começou em fevereiro de 2020 quando o então coordenador da Coordenação Geral de Proteção (CGPRO), Diego Bezerra Rodrigues, montou uma equipe de cinco servidores com maior experiência para atuar na região sudoeste do Pará com o objetivo principal de desenvolver um trabalho de retirada de gado de áreas embargadas em unidades de conservação federais.

Em julho do ano passado, em parceria com a Unidade Especial Avançada (UNA) Itaituba, braço do ICMBio que coordena localmente as ações de fiscalização, foi fechado e aprovado um planejamento de execução, dividido em duas etapas. A primeira delas, batizada de “Operação X” teve início em setembro e tinha o objetivo de levantar informações para definir alvos, épocas e estratégias para retirada do gado. Devido às condições climáticas do final do ano, época mais chuvosa na Amazônia, foi decidido esperar o período seco, a partir de maio do ano seguinte, para prosseguir com a operação.

Em fevereiro de 2021, o alvo foi definido: a fazenda no interior da Reserva Biológica Nascentes da Serra do Cachimbo, com uma área de 2.260 hectares desmatados ilegalmente. Além das mais de mil cabeças de gado, dos embargos e multas milionárias, “a fazenda também conta com recomendação para desocupação imediata da área, conforme manifestações proferidas pela Coordenação de Matéria Fundiária da Procuradoria Federal Especializada junto ao ICMBio (PFE/COMAF), já que se trata de ocupação de gleba pública federal, sem qualquer documento autorizativo ou legitimador, associada à prática de ilícitos ambientais”.

Nos meses seguintes, de março e abril deste ano, foram acertados os acordos com as prefeituras que receberiam o gado recolhido como doação, e com a Força Nacional – que tem atuado em apoio ao ICMBio desde outubro de 2018 – para maior segurança na ação e aumento do efetivo, que envolveria cerca de 40 pessoas. O planejamento incluiu, além da compra de suprimentos e obtenção de hospedagem, o apoio de dois servidores veterinários para o suporte ao manejo e toda a tramitação jurídica necessária junto à Agência de Desenvolvimento Agropecuário do Estado do Pará (ADEPARA) para apoio nas questões sanitárias e de transporte do gado. .

No dia 22 de abril de 2021, entretanto, o servidor e coordenador da CGPRO, Diego Bezerra Rodrigues decidiu pedir exoneração do cargo, motivado – conforme apurou o Estadão à época – pelas imposições que foram feitas pela Instrução Normativa (publicada na véspera do pedido de Bezerra) que alterou o processo de autuação ambiental e que, segundo servidores denunciam, inviabiliza o trabalho dos fiscais.

De acordo com o ofício ao qual ((o))eco teve acesso, depois da exoneração do coordenador, oficializada no dia 27 de abril, foi realizada uma reunião dos envolvidos na operação com o substituto, Adriano Souza. Na ocasião, Adriano ficou de atualizar o diretor da Diman, Marcos Simanovic, sobre a operação.

Associação de servidores criticam “circo” armado por Salles com transferência de gabinete para acompanhar operações, enquanto ação de servidores é barrada às vésperas de ser efetuada. Foto: Twitter/Reprodução

Cerca de uma semana depois, no dia 4 de maio, o coordenador substituto informou que após uma reunião entre a Coordenação Geral de Proteção, a Diman, a UNA de Itaituba e a Gerência Regional Norte, “por ordem do diretor o enfoque da operação iria mudar para verificação de alertas de desmatamentos, e que não mais haveria retirada de gado, sem maiores explicações e, segundo os participantes da reunião, sem sequer ouvir a área técnica. Mesmo após reiteradas solicitações de revisão desse posicionamento por parte da equipe, tendo em vista mais de um ano de planejamento e grande montante de recursos públicos envolvidos nessa e nas etapas preparatórias, a diretoria se mostrou intransigente em sua decisão”, descreve o ofício.

Depois do redirecionamento, foi dada a quatro dos servidores envolvidos a oportunidade de optar se ainda se disponibilizariam para a operação, diante de sua nova configuração. Todos eles cancelaram sua participação devido à mudança no foco da operação e solicitaram que seus nomes fossem retirados de quaisquer ordens de serviço ou ordens de fiscalização referentes a ela.

Nota de repúdio dos servidores

A Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente (Ascema Nacional) se manifestou através de uma nota oficial publicada nesta quarta-feira (12) em que repudia a decisão e solicita ao Ministério Público Federal, o Tribunal de Contas da União e demais autoridades competentes, “que apurem mais essa denúncia de mau uso de recursos públicos, que jogaram no lixo meses de trabalho de inteligência, sem que ocorresse o retorno esperado: a interrupção do desmatamento e a ocupação ilegal de unidade de conservação federal, contrariando os deveres constitucionais de proteção ao meio ambiente. Esperamos a apuração dos fatos relatados, para abertura de investigação e punição rigorosa sobre os nomeados políticos indicados por este governo, que têm corroído as instituições públicas de meio ambiente por dentro”.

No texto, a Ascema classifica a transferência temporária do gabinete do ministro como um circo, em que “busca expor aos holofotes da opinião pública os soldados da Força Nacional, seguindo as ordens do ministro para levantamentos de pátio de madeireiras e aplicação de multas de desmatamento”, enquanto “longe dos holofotes e por debaixo dos panos, o ministro desmonta a ação dos especialistas em meio ambiente”.

“Segundo a Ascema Nacional apurou, às vésperas da operação, ao tomar conhecimento dos detalhes, os militares que ocupam a direção do ICMBio ordenaram a mudança do alvo, e a modificação do foco da operação para o simples levantamento de outros alertas de desmatamento na região. Com toda razão, os servidores se recusaram a atuar na palhaçada armada pelo ministro”, continua o texto. “Tal ato da direção do ICMBio mais uma vez demonstra a necessidade de se combater a tentativa de reforma administrativa imposta por este governo que ataca o meio ambiente, usando palavras e atos, mas principalmente, funcionários comissionados que nada entendem de ambiente e agem para proteger infratores, como no caso exposto”, completa.

Ambientalistas entram na Justiça contra o desmonte da pesquisa ambiental no Estado de São Paulo

 

Ambientalistas entram na Justiça contra o desmonte da pesquisa ambiental no Estado de São Paulo

Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental ingressou com uma ação contra o decreto assinado por João Doria que modificou o sistema estadual de florestas

Daniele Bragança ·
24 de maio de 2021
 
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente

O Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam) ingressou na justiça com uma Ação Civil Pública (ACP) contra o Estado de São Paulo para restabelecer as estruturas da pesquisa científica no estado, que se encontram no limbo após a extinção dos Institutos Florestal, Geológico e de Botânica. Na ação, foi anexada uma moção assinada por 370 pesquisadores científicos e organizações ambientais de todo o país.

A ação quer a restauração de todas as estruturas que alicerçam as pesquisas científicas ambientais do Instituto Florestal e pede a suspensão imediata dos efeitos do Decreto n. 65.274, de 26/10/2020, publicado em 27/10/2020, “até que seja apresentada pela Secretaria de Infraestrutura do Meio Ambiente a motivação circunstanciada, acompanhada de elementos técnicos de modo a justificar a alteração do Sistema Estadual de Florestas (SIEFLOR)”

Para a Proam, o decreto causou o desmonte de estruturas necessárias para a realização das atividades dos três Institutos de Pesquisa – Florestal, de Botânica e Geológico (Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente – SIMA), “pois definiu novos direitos e competências, antes mesmo da criação da unidade administrativa prevista em lei, além de provocar a perda da identidade que caracteriza as respectivas áreas de atuação”. 

“Essas instituições, responsáveis pela geração de conhecimento em matéria ambiental, especialmente no que se refere à conservação de áreas protegidas, possuíam áreas de pesquisa bem estruturadas e eram economicamente autossuficientes”, afirma Carlos Bocuhy, presidente do Proam. 

Para Vilazio Lellis Jr, coordenador do Coletivo de Entidades Ambientalista de São Paulo, o que o governo de São Paulo fez não se justifica economicamente. “Estão sendo sacrificadas entidades centenárias e o que se propõe em seu lugar representa um processo de falência para a pesquisa ambiental”, afirma.

Saiba Mais

Ação Civil Pública – PROAM

Moção em defesa da pesquisa científica ambiental do Estado de São Paulo

Câmara votará requerimento para apreciação urgente de projeto que reabre a Estrada do Colono

 

Câmara votará requerimento para apreciação urgente de projeto que reabre a Estrada do Colono

Líderes dos partidos incluíram requerimento na votação no plenário na quarta-feira. Projeto de lei recorta a parte mais preservada do Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná

Daniele Bragança ·
31 de maio de 2021
Salada Verde
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Ao menos 16 líderes partidários votaram pela inclusão de um requerimento que passa o projeto de lei 984/19, de autoria do deputado Vermelho (PSD/PR), para a tramitação em regime de urgência. O projeto, que está na Câmara desde fevereiro de 2019, sequer passou por todas as comissões que deveria passar. Em regime de urgência, caso o requerimento seja aprovado, o projeto será apreciado diretamente no plenário.    

O projeto é uma cópia de outros projetos que já foram apresentados no Congresso e não conseguiram ser votados e cria uma categoria nova de unidade de conservação, a estrada-parque. Com isso, ela possibilita a reabertura de uma estrada ilegal que cortava um trecho de 18 km de floresta protegida desde 1939, no Parque Nacional do Iguaçu. A estrada foi fechada por decisão judicial em 1986 e desde então a reabertura virou tema de debates e já rendeu vários projetos de lei. Para o Ministério Público Federal (MPF), houve regeneração da vegetação na estrada que corta o Parque Nacional do Iguaçu e que a reabertura desmatará mais de 20 hectares e comprometerá a integridade da unidade de conservação

PL 510 abrirá caminho para ocupação de 24 milhões de hectares de florestas públicas

 

PL 510 abrirá caminho para ocupação de 24 milhões de hectares de florestas públicas

Análise feita por pesquisadores da UFMG aponta que, caso aprovado, o PL 510 não apenas dará anistia a desmatadores, mas também deixará florestas públicas vulneráveis

Duda Menegassi ·
4 de maio de 2021

Em pauta no Senado, o Projeto de Lei nº 510/2021 põe novamente em destaque o debate: regularização fundiária versus incentivo à grilagem. E conforme a análise de especialistas, o projeto de autoria do senador Irajá Abreu (PSD-TO) não se traduz em avanços reais para titular a terra de pequenos proprietários, como defendem alguns de seus porta-vozes, mas sim amplia a anistia aos desmatadores e estimula mais invasões de terras públicas. De acordo com análise feita por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), além de anistiar ocupações ilegais feitas até 2014, o PL 510 também abrirá o caminho para a grilagem de outros 43 milhões de hectares de terras públicas, sendo 24 milhões de hectares de florestas.

“A iniciativa abriria caminho ainda para a ocupação desorganizada de 43 milhões de hectares, dos quais 24 milhões atualmente cobertos por florestas públicas tipo B [são as florestas localizadas em áreas arrecadadas pelo Poder Público, mas que ainda não foram destinadas], que poderiam ser estrategicamente licitadas para exploração sustentável de madeira e de outros produtos da sociobiodiversidade. Os efeitos do PL 510 se somam também ao PL 4843/2019, já aprovado pelo Senado, que permite a aplicação da lei de regularização fundiária às áreas atualmente destinadas para assentamentos da reforma agrária. Deste modo as flexibilizações e anistias introduzidas pelo PL 510 serão aplicadas aos 66 milhões de hectares ocupados pelos assentamentos rurais nos estados da Amazônia Legal, permitindo a titulação de médios e grandes imóveis, e retirando os pequenos produtores dessas áreas”, detalha o artigo feito pelas equipes do Laboratório de Gestão de Serviços Ambientais (LAGESA) e do Centro de Sensoriamento Remoto (CSR), ambos da UFMG, assinado por quatro pesquisadores: Raoni Rajão, Debora Assis, Felipe Nunes e Britaldo Silveira Soares Filho.

“O PL 510 não só anistia as invasões que já ocorreram, mas gera a expectativa que novas invasões continuarão a ser regularizadas. Cria-se, portanto, um ciclo de destruição ambiental e criminalidade, no qual a certeza da impunidade se consolida como um dos principais motores do desmatamento na Amazônia, impedindo o estabelecimento de atividades produtivas de baixo impacto ambiental na região”, ressalta o texto, que pode ser lido na íntegra neste link.

Segundo os dados levantados pelos pesquisadores da UFMG, apenas considerando os imóveis presentes na base de dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o PL 510/2021 irá anistiar a ocupação irregular de 5.737 parcelas entre 2012 e 2018, e legitimar a invasão de outras 16 mil áreas nas quais atualmente não há evidência de uso agropecuário significativo, que representam 2,4 milhões de hectares com um valor de mercado superior a R$2,2 bilhões.

Um dos pontos centrais do PL 510/2021 é estipular um novo marco temporal para titulação da terra, que passa de 2008 para 2012, para regularizar a terra com desconto (10 a 50% do valor mínimo), e se estende até dezembro de 2014, mediante pagamento do valor cheio estipulado pelo Incra – que ainda assim costuma representar menos da metade que o valor de mercado da propriedade. Além disso, outro ponto polêmico do PL é com relação ao tamanho das terras que dispensam vistoria no processo de regularização, que passaria de 4 módulos fiscais (uma unidade que varia de acordo com o município e corresponde de 5 a 110 hectares) para 2.500 hectares em todo o país. Nestes casos, basta uma declaração do ocupante para o processo de regularização fundiária.

Figura 1: Imóveis em regularização pelo INCRA com evidência de uso agropecuário (i.e., área acima de 5%) antes de 2012 e imóveis com evidência de ocupação após 2012 ou sem evidência que poderiam ser beneficiados pelas mudanças do PL 510/2021.

“Precisamos avançar na regularização, mas de maneira correta e pelos motivos certos”, resume o professor da UFMG e um dos autores da análise, Raoni Rajão. “Nós temos dois projetos na mesa, um é o PL 510 e o outro é o PL 2.633 [em tramitação na Câmara dos Deputados]. Este último nasceu com a necessidade de aprovar a Medida Provisória nº 910 e o deputado Zé Silva (SOLIDARIEDADE-MG), que foi o relator, fez um bom trabalho de ouvir diferentes setores e, de fato, amenizou muitos dos pontos polêmicos da MP 910, tornando o projeto muito mais equilibrado. O que decepciona é que depois de todo esforço e debate, você tem uma outra iniciativa começando no Senado Federal que é uma cópia piorada da MP enviada por Bolsonaro ao Congresso Nacional, ao invés de continuarmos o debate onde ele parou, que foi no PL 2.633, do Zé Silva”, explica Raoni em conversa com ((o))eco.

Em oposição ao PL 510, a outra proposta em tramitação sobre regularização fundiária, o PL 2.633 pode representar um caminho mais equilibrado, aponta Raoni Rajão. “O PL 2.633 traz alguns benefícios, por exemplo, permite o refinanciamento de quem deixou de pagar pelas terras acima de 100 hectares, que é um valor simbólico e muita gente não paga e poderia por isso perder a terra, mas o PL permite que isso seja renegociado. São concessões que eu acho até razoáveis, que não comprometem. E o PL 2.633 mantém o marco, ou seja, não anistia as invasões pós-2011, como a proposta do senador Irajá, e nem facilita a titulação via imagem de satélite de imóveis médios e grandes. Acho que ele [PL 2.633] é uma base boa para poder aprofundar o debate. O que está faltando ali é juntar com um pacote anti-grilagem mais forte, por exemplo aumentando a pena para invasão de terras públicas [atualmente punível com até 3 anos de prisão]. Acho que isso e outros ajustes pontuais poderiam construir a possibilidade de termos um consenso entre ambientalistas e ruralistas”.

O professor lembra a fala do secretário de Assuntos Fundiários da Presidência, Luiz Antonio Nabhan Garcia, durante uma audiência sobre o PL 2.633/2020 em maio do ano passado, em que criticou a limitação do tamanho das propriedades que dispensam vistoria para regularização em seis módulos fiscais, que seriam feitas apenas por sensoriamento remoto (ao invés dos 2.500 hectares). Com estas dimensões, o projeto atende 92% dos produtores rurais. Ainda assim, Nabhan acusou o texto de ser injusto com os 8% restantes – na prática os grandes e médios proprietários de terra. “A medida provisória [910] que lamentavelmente foi sepultada, lá contemplava tudo. É justo deixar alguém pra trás?”, lamentou durante a reunião, em que representou a posição do governo federal e do Ministério da Agricultura.

“Esse tipo de fala deixa muito claro qual é a intencionalidade do governo federal nisso. Desde o começo a MP foi posta para poder ajudar os médios e grandes. Agora como os benefícios que ajudam mais de 90% não são suficientes, busca-se novamente ajudar os médios e grandes, através da PL 510. Acho que a queda de braço vai estar aí. “A aprovação ou não do PL 510 vai depender da capacidade dos deputados e senadores de se informarem sobre o que está em jogo de verdade”, analisa Raoni.

O papel do Incra

O professor da UFMG chama atenção ainda para o papel fundamental do próprio Incra nos processos de regularização fundiária e destaca que são necessários esforços também em fortalecer o instituto. “Porque um dos problemas principais é que o Incra tem sido sucateado nos últimos anos. Uma coisa boa da gestão atual é que eles têm investido em tecnologia e modernizado o sistema, e isso é um passo importante, mas não adianta só isso. É necessário um órgão que seja célere não só na hora de dar o benefício, mas ele precisa ser assertivo também na hora de verificar se as condicionantes desse benefício estão sendo cumpridas”, completa Raoni. “O Tribunal de Contas da União (TCU) quase todo ano faz uma auditoria do Incra e há vários anos aponta que o Incra não está fazendo o trabalho dele em proteger as terras públicas. Ele está deixando as áreas serem invadidas, não está monitorando, não está pedindo reintegração de posse”.

“É inegável a necessidade de se avançar no processo de regularização fundiária no Brasil com a titulação das áreas ocupadas até 2011 e a destinação dos 43 milhões de hectares de terras públicas vulneráveis a invasões. Mas para isso é preciso fortalecer o INCRA, o IBAMA e o ICMBio, endurecer as leis que punem a invasão de terras públicas e melhorar a integração entre a política fundiária e ambiental. É também crucial envolver nesse esforço entidades da sociedade civil e academia, permitindo um debate aprofundado entre ambientalistas e setor produtivo para aprimorar a legislação atual tomando como base o PL

2633/2021. O PL 510/2021, na sua forma atual, além de não contribuir para esses objetivos, envia um forte sinal para criminosos que se beneficiam com o desmatamento e a grilagem de terras na Amazônia”, conclui o artigo dos pesquisadores da UFMG.

Arthur Lira quer votar projeto que regulariza a grilagem de terras na semana que vem

 

Arthur Lira quer votar projeto que regulariza a grilagem de terras na semana que vem

Requerimento para que PL 2633 passe a ser pauta urgente sequer foi votado, mas presidente da Câmara está certo que consegue votar mérito do projeto no plenário já na próxima semana

Daniele Bragança ·
10 de junho de 2021
 
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), acredita que conseguirá votar na semana que vem, caso o relatório fique pronto, o projeto de lei 2633, que flexibiliza  as regras da regularização fundiária. O projeto sequer passou pelas comissões pela qual foi designado. 

“Nós temos aí um projeto que está na pauta e vai ser apresentado um relatório semana que vem para rodar, que é 2366, se não me engano, que é da regularização fundiária”, disse o presidente, em conversas com os jornalistas. 

Desde terça-feira (08), um requerimento para passar a proposta para o regime de urgência entrou na pauta, mas não foi votado. Com a aprovação do requerimento, o projeto será apreciado diretamente no plenário e, se pautado, pode ser votado já na sessão deliberativa do dia seguinte. 

O PL 2366 herdou o texto da MP 910, também conhecida como MP da grilagem, que perdeu a validade. Apresentado em maio de 2020, o projeto já teve três relatórios de dois autores diferentes. O último relator, o deputado Bosco Saraiva (Solidariedade-AM), ainda não apresentou o relatório final.

Esta semana, foi apensado ao PL 2366 o PL 1730, que é a cópia do PL 510/2021 do Senado, considerado pelos ambientalistas o pior projeto de flexibilização da regularização fundiária atualmente em pauta. Há uma expectativa sobre quais pontos serão aproveitados pelo relator Bosco Saraiva e quais serão descartados.

Ministério do Meio Ambiente lança curso sobre boas práticas no mar e nas praias

 

Ministério do Meio Ambiente lança curso sobre boas práticas no mar e nas praias

Publicado em 08/06/2021 19h19

Curso tem sinergia com o Plano Nacional de Combate ao Lixo no Mar

Hoje, dia 8 de junho, é o Dia Mundial dos Oceanos, e em celebração à data, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) abre as inscrições para o curso "Conduta consciente na zona costeira e marinha''. Lançado na plataforma de ensino à distância do programa Educa+ do MMA, o curso visa orientar a sociedade acerca da importância da conservação dos ecossistemas na zona costeira e marinha e estimular práticas responsáveis para a melhoria da qualidade do ambiente e o cuidado com os recursos naturais.

No primeiro módulo do curso, são apresentados os diversos ecossistemas e recursos naturais da zona costeira e marinha brasileira, bem como as atividades econômicas e recreativas a ela associadas. Nos demais módulos, os participantes encontram conteúdo sobre boas práticas, atividades e mutirões de limpeza, bem como sobre a importância do consumo responsável e do descarte adequado de resíduos sólidos, para prevenir o problema do lixo no mar. 

A adoção de comportamentos ambientalmente responsáveis na realização de atividades produtivas, turísticas, recreativas e educativas promove mais qualidade de vida para quem habita e frequenta as cidades costeiras e marinhas do Brasil. Além disso, soluções inovadoras voltadas à transformação dos resíduos sólidos em produtos com valor agregado geram benefícios econômicos para a região e contribuem com a recuperação dos ecossistemas.

O curso, com carga horária de 20h, será disponibilizado na plataforma 100% gratuita e 100% digital de ensino à distância do MMA. Os interessados poderão realizar as inscrições até 18/6 na própria plataforma do Educa+.

 

Combate ao Lixo no Mar

Lançado em 2019 pelo Ministério do Meio Ambiente, o Plano Nacional de Combate ao Lixo no Mar é um dos eixos prioritários da Agenda Nacional de Qualidade Ambiental Urbana. O objetivo principal é enfatizar ações de resposta imediata, como mutirões de limpeza de praia e conscientização da população, visando reduzir os impactos ambientais, sociais e econômicos provocados pelo problema.

Saiba mais sobre o Combate ao Lixo no Mar

 

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Aberto edital de R$ 115 milhões para aeronaves de combate ao fogo

Publicado em 09/06/2021 13h15

ICMBio prepara apoio aéreo a brigadas de incêndio em parques nacionais

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão vinculado ao Ministério do Meio Ambiente (MMA), lançou na última terça-feira (1/6) licitação para a contratação de aviões e helicópteros a serem empregados no combate a incêndios florestais em unidades de conservação federais e seus entornos, com investimento em torno de R$ 115 milhões.

Serão 16 aviões para combate direto a incêndios florestais e até 8 helicópteros para apoio logístico aos brigadistas. O objetivo da contratação é apoiar as equipes de solo em ocorrências dentro do período de emergência ambiental da temporada da seca.

Com 500 horas de voo, os aviões no modelo Air Tractor têm capacidade de lançar até 2.500 litros de água por viagem. Eles serão distribuídos entre as bases de Cuiabá (MT), Brasília (DF), Santana do Riacho (MG) e Lençóis (BA) e poderão ser utilizados para reforçar o combate ao fogo em qualquer outra área do território nacional. Já os helicópteros serão distribuídos entre as bases de Brasília (DF) e Belo Horizonte (MG) e contarão com 420 horas de voo. No caso dos Air Tractors, a aquisição representa um aumento de 60% em comparação ao ano anterior.

Entre as principais contribuições dos helicópteros estão alcançar áreas de difícil acesso, deslocar servidores e cargas com maior agilidade e apoiar o monitoramento aéreo das áreas protegidas. Os Air Tractors contribuem, em especial, com lançamentos de água, que podem combater os incêndios diretamente, ou apenas amenizar a intensidade do calor e a altura das chamas, a fim de retardar o avanço das linhas de fogo e permitir a ação dos combatentes em solo com mais efetividade.

A medida faz parte das ações para prevenção e combate a incêndios florestais que vêm sendo realizadas pelo ICMBio em vista da seca sazonal e está alinhada ao treinamento de brigadistas, queimas controladas, aquisição de viaturas, a contratação de mais de 130 brigadistas para a Brigada Pronto Emprego, formada para acionamento imediato para operar em todos os biomas do Brasil, além de mais de mil brigadistas para atuação local.

 

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Técnica inovadora para prevenção de incêndios chega pela 1ª vez ao Pantanal

 

Técnica inovadora para prevenção de incêndios chega pela 1ª vez ao Pantanal

Publicado em 10/06/2021 17h58 Atualizado em 10/06/2021 20h08

ICMBio participa de ação com brigadistas e servidores especializados na técnica e no bioma

Nos meses de julho, setembro e novembro deste ano, o Pantanal vai receber, pela primeira vez, ações de prevenção a incêndios florestais pelo Manejo Integrado do Fogo (MIF). Vinculado ao Ministério do Meio Ambiente (MMA), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) vai estar na linha de frente do projeto Rede Pantanal, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), realizando ações de queima controlada.

A técnica inédita para o bioma será executada em uma unidade do Estado de Mato Grosso e em duas regiões de Mato Grosso do Sul, respectivamente a RPPN Sesc Pantanal, o município de Corumbá e a Terra Indígena Kadiwéu. Para a seleção das áreas, foram consideradas a flora e os níveis de inundação locais. 

O ICMBio, além de participar do Rede Pantanal com os próprios servidores, tem atuado na capacitação dos brigadistas e servidores atuando nas localidades. Além disso, o órgão vai orientar e coordenar as ações de queima controlada, monitoramento e a avaliação em quatro parcelas de cada uma das três unidades escolhidas para o projeto piloto.

A cada mês — julho (antes da seca), setembro (durante a seca) e novembro (início da cheia) —, três parcelas serão queimadas e uma não, para que possam ser comparadas. As técnicas do MIF simulam a queima natural, eliminando material combustível sobre o solo com o uso de equipamentos específicos, que direcionam pequenos focos de fogo controlado no terreno. 

A medida faz parte das ações para prevenção e combate a incêndios florestais que vêm sendo realizadas pelo ICMBio em vista da seca sazonal e está alinhada ao treinamento de brigadistas, queimas controladas, a aquisição de viaturas, o investimento em aeronaves, a contratação de mais de 130 brigadistas para a Brigada Pronto Emprego, formada para acionamento imediato para operar em todos os biomas do Brasil, além de mais de mil brigadistas para atuação local.

 

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