Por que até hoje a humanidade não 'solucionou' as pragas de gafanhotos
Matheus Magenta
Da BBC News Brasil em Londres
Na Bíblia, os
gafanhotos, a oitava das dez pragas, devastam árvores e campos no Egito.
Nos registros do historiador romano Plínio, o Velho (23-79), 800 mil
pessoas morreram de fome por causa de nuvens do inseto na região que
hoje engloba Líbia, Argélia e Tunísia. A partir do fim do século 19, há
registros de infestações no sul do Brasil por décadas seguidas — em
Santa Maria (RS), conta-se até que uma nuvem de gafanhoto escureceu o
dia, de tão densa.
Atualmente, uma espécie de gafanhoto (
Schistocerca gregaria)
consome plantações no leste da África, no Oriente Médio e no sul da
Ásia, ameaça a segurança alimentar de 10% da população mundial e é
considerada a praga migratória mais perigosa do planeta.
A América do Sul vive hoje um misto de devastação e tensão por causa do inseto. Gafanhotos da espécie
Schistocerca cancellata
passaram por um processo natural no qual deixam de ser solitários e
passam a viver juntos. Em maio e junho, consumiram plantações no
Paraguai e na Argentina. Agora, há expectativa de que eles possam voar
para o Brasil ou o Uruguai ou mesmo se dispersarem.
O governo
argentino tem conseguido reduzir o tamanho da nuvem, mas condições
climáticas e a dificuldade de acesso ao lugar onde os insetos estão
reunidos prejudicam o monitoramento diário.
Ainda sem saber se será
atingido ou não, o Brasil decretou situação de emergência previamente e
publicou
portaria com diretrizes e agrotóxicos recomendados para o combate da praga. O plano de ação cabe a cada Estado.
O
fenômeno de explosão populacional de gafanhotos tem milênios, mas até
hoje o homem enfrenta sérias dificuldades para contê-lo.