Por Fátima ChuEcco Esses são os cães mantidos como cobaias durante dois meses. (Fotos: Fátima Chuecco e ONG Cão sem Dono)
Os cães que você vai conhecer a seguir estão vivos e têm claramente
uma missão de vida. São símbolo incontestável da luta contra a
vivissecção – uma das piores formas de escravidão, com sofrimento físico
e emocional diário que pode durar semanas e até meses. Retirar cobaias
com vida de um laboratório veterinário e dar a elas uma segunda chance é
mais difícil que ganhar o primeiro prêmio de uma loteria.
Mas isso
aconteceu e bem aqui, no Brasil, no final de 2015. Por isso é tão
importante essa história ser conhecida, compartilhada e servir de
inspiração para ativistas, docentes e estudantes de Veterinária, e
pessoas que amam os animais em geral.
Jamal, um cão preto simpático com elegantes patinhas brancas, que se
dá bem com pessoas e totalmente tranquilo perto de outros animais, foi
um dos 14 cachorros retirados das ruas para servirem de cobaia na UFV -
Universidade Federal de Viçosa (MG). Por meio de procedimentos invasivos
e dolorosos eles foram induzidos a uma doença chamada orteoartrite que é
crônica e incurável. Para isso, tiveram importantes ligamentos das
pernas rompidos.
Se só de pensar no procedimento nos causa aflição,
imagine passar por isso!
Mas os 14 cães de rua enfrentaram essa crueldade, inclusive,
financiada por Orgãos de pesquisa. Eles não tinham casa nem tutor para
reclamar por eles, é verdade, mas eram saudáveis, cheios de alegria e
plenamente adotáveis. Mas não deu tempo. Do CCZ mantido dentro da UFV
foram arrancados e levados direto para o laboratório de pesquisa onde
estiveram por cerca de dois longos meses.
Protetores locais se uniram a ativistas de outros Estados,
sensibilizaram a população e até o Ministério Público. Passaram dias e
noites atrás de documentos e argumentos que pudessem auxiliar na
libertação dos animais. E, finalmente, quando a vida desses cães já
estava (literalmente) “ por um fio”, a poucas horas de serem mortos,
descartados após os experimentos cujos resultados foram inconclusivos,
veio a ação judicial exigindo a soltura deles e a permissão para serem
entregues a protetores.
Ufa! Foi tão por pouco que mal dava para acreditar. Naquele dia, 3 de
dezembro de 2015, era registrado um fato inédito e impactante na
história da causa animal do Brasil. Então vários protetores foram buscar
os cães que deixaram a UFV com olhares que continham um misto de medo e
alegria.
Impossível descrever a emoção daqueles que puderam fazer parte
desse momento histórico. Alguns cães foram adotados em Minas e sete
foram levados para o sítio da ONG Cão Sem Dono em SP (vide foto). Mas
além da expectativa de uma nova vida, lamentavelmente, todos eles
levaram também sequelas. Esses são os cães levados para o sítio da Cão Sem Dono.
Jovens, com apenas entre 1 e 4 anos de idade, foram condenados a uma
enfermidade comum a animais mais idosos e obesos, e bem pouco comum em
cães sem raça definida. Alguns também tiveram problemas nos olhos. O cão
Leônidas, por exemplo, adotado em Minas, ficou quase cego. E Átila não
podia ver água que urinava de medo – uma sequela emocional que teve de
ser curada com muito amor.
A veterinária Michelly Cristine Rodrigues, que tratou dos sete cães
no sítio da Cão Sem Dono, disse que quando uma pessoa se interessa em
adotar um deles é advertida sobre a necessidade de dar uma medicação
contínua: “Esses cães fizeram vários exames e foram tratados. Não sentem
dor no momento, mas a doença a que foram induzidos, a osteoartrite,
costuma ser progressiva, portanto, precisam tomar condoprotetores para
conter a progressão. O adotante precisa realmente estar bastante
interessado no cão com esse problema e disposto a arcar com essa
responsabilidade. O remédio é caro e precisa ser ministrado
diariamente”.
Mas a veterinária ressalta que os cães estão ótimos, engordaram,
possuem ótima índole e têm uma vida normal. “Inclusive, o Manuel, que
também foi cobaia em Viçosa, recentemente foi adotado por um casal de
médicos e está sendo muito bem aceito.
Os cães Glauco e Betinho,
igualmente procedentes de Viçosa, também foram adotados. Agora temos no
sítio a Angela, o Bob, o Jamal e o Perninha que, infelizmente, ficou com
uma sequela mais visível e incômoda que o faz mancar”.
Ao centro a veterinária Michelly Rodrigues e o cão Jamal, sobrevivente de pesquisas feitas em universidade mineira.
Valéria Pisoresi é uma das voluntárias da ONG Cão Sem Dono (na foto
com o cão Jamal) e se comoveu bastante com o episódio: “Foi muito triste
aquilo tudo, mas a história ainda não acabou.
Torço para que esses cães
encontrem um lar. Há gente disposta a adotar um cão mesmo sabendo que
ele terá que usar algum tipo de medicamento a vida toda. Eu mesma adotei
a Hanna, minha cadela, sabendo que ela tinha tido cinomose. Eu e meu
marido estamos bem felizes com ela”, conta.
Rafael Miranda, fundador da Cão Sem Dono, diz que se surpreendeu com a
recuperação dos animais: “Eles chegaram bem debilitados, mas conforme
foram recebendo atenção e carinho começaram a reagir muito bem.
Eu
acredito que todo cão, em qualquer situação, é adotável. Por isso espero
que os sobreviventes de Viçosa possam também ter um lar, pois, embora
no sítio a gente tente dar o máximo de conforto possível, é uma situação
muito diferente de estar numa casa, junto de uma família. Estamos com
mais de 300 animais e sérias dificuldades econômicas. Esperamos contar
com a ajuda da população para encontrar lar para esses cães”. Betinho, Glauco e Manuel são três sobreviventes adotados. A veterinária Michelly não concorda com o uso de animais saudáveis em
experimentos: “Há muitos animais com osteoartrite e outras doenças
morrendo todos os dias sem qualquer tratamento porque seus tutores não
podem pagar veterinários e cirurgias. É preciso mudar essa mentalidade e
postura de causar sofrimento em animais saudáveis quando há tantos
precisando de ajuda”.
No dia 3 de março, um grupo de professores e alunos de Medicina e
Medicina Veterinária de Botucatu deu um belo exemplo de como “ensinar”
salvando vidas. Implantaram um marcapasso na cadelinha Joana que, de
fato, precisava desse procedimento, pois, corria risco de vida. A
paciente sobreviveu e sua cirurgia poderá ser assistida por mais
estudantes.
A ação foi realizada por meio de uma parceria entre a
Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) e a Faculdade de
Medicina (FM) da Unesp de Botucatu.
Além da importância da parceria multidiscilplinar entre setores da
FMVZ e da FM, a professora Maria Lúcia Gomes Lourenço, do Setor de
Cardiologia Veterinária, salientou os benefícios para o ensino: “Como
não é uma cirurgia feita rotineiramente, foi muito importante para que
os residentes e pós-graduandos de várias áreas pudessem acompanhar esse
procedimento, além de possibilitar a interação com a equipe da Faculdade
de Medicina.
Agora, temos um exemplo para mostrar sobre colocação de
marcapasso em cães. Isso gera um grande interesse nos alunos. Além de
atender o animal, todo o processo foi muito produtivo e estimulante em
termos didáticos”.
Não há nada mais eficaz (e ético) que tentar tratamentos em animais
que realmente precisam ser tratados. Professores e alunos de Veterinária
precisam começar a exigir esse novo olhar sobre o curso. É muito mais
enriquecedor lidar com um paciente de verdade. Sem falar que, o objetivo
dessa profissão é salvar e não aniquilar vidas. Valéria Pisoresi, voluntária da Cão Sem Dono, com o cão Jamal. Fátima Chuecco é jornalista ambientalista e
ativista da causa animal. É autora dos livros "MI-AU BOOK - Um livro
pet-solidário" e "MI-AU-BOOK & Cia", além de fazer parte de três
coletâneas todas focadas em animais. Tem passagens pelo SBT Repórter,
Diário de SP, Correio Popular de Campinas, Consulado da Austrália,
Revista Meu Pet e Instituto Supereco/Projeto Tecendo as Águas.
Por Jaimi Dolmage / Tradução de Alice Wehrle Gomide
A natureza sempre se renova, passando de tempos em
estagnação e decadência para um estado de florescimento novamente, em um
ciclo que se repete ao longo da nossa história. F. Scott Fitzgerald
escreveu sobre isso no livro O Grande Gatsby dizendo, “E então com a luz
do sol e as grandes explosões de folhas crescendo nas árvores, assim
como as coisas crescem em rápidos movimentos, eu tive aquela convicção
familiar que a vida estava começando novamente com o verão”.
Como os humanos tem expandido seu alcance, construindo
vizinhanças, povoados e cidades, nós algumas vezes nos encontramos
precisando seguir em frente, deixando para trás o que tínhamos
construído há muito esquecido. As razões podem ser óbvias, como um
desastre nuclear forçando os habitantes de Pripyat, Ucrânia, a deixarem
seus lares, ou razões mais banais, como o abandono da cidade mineradora
de diamantes de Kolmanskop, Namíbia.
Mas, um lugar fica realmente abandonado só porque os
humanos foram embora? De forma alguma! Na ausência de pessoas, alguns
lugares que previamente pensávamos estarem desolados estão atualmente
mais povoados do que nunca. Os novos ocupantes? A vida selvagem.
Deixados sozinhos para se alimentar, se reproduzir e prosperar sem serem
perturbados pelas pessoas, muitos tipos diferentes de animais e insetos
estão transformando dilapidados shopping centers, casas vazias e ilhas
esquecidas em seus paraísos pessoais. Tendo o papel de santuários
naturais, estes lugares estão fornecendo aos animais, alguns dos quais
ameaçados de extinção, um lugar para aumentarem seus números e
aproveitarem uma vida de liberdade.
Área deserta ou refúgio para cavalos?
Foto: upload.wikimedia.org
Abandonado em 1954, Kolmanskop – Namíbia já foi uma cidade
mineradora de diamantes florescendo até que as minas tiveram suas
riquezas eventualmente esgotadas. Os habitantes humanos da cidade
seguiram em frente e deixaram para trás o que eram seus lares, escolas e
lojas que foram tomados pelo raro e deserto Cavalo da Namíbia.
Foto: shazandfrank.wordpress.com
Sua origem é desconhecida já que estes cavalos não são
nativos da região, mas fruto da intervenção limitada humana, oferecendo
somente uma reserva de água durante secas extremas, estes cavalos foram
capazes de se adaptar incrivelmente bem aos terrenos difíceis e crescem
aos números pelos anos nas ruínas desta cidade esquecida.
Eu acho que sua loja favorita é Abercrombie and Fish
Foto: boredpanda.com
Incêndios e problemas de segurança atormentaram o New World
Shopping Mail em Bangkok, Tailândia, até que foi fechado em 1997. A
estrutura sem teto ficou vazia, coletando água da chuva em seu porão até
que uma piscina de 500 metros quadrados se formou. Mosquitos começaram a
aparecer, incomodando tanto os locais ao redor da estrutura abandonada
que as pessoas colocaram algumas carpas e bagres na piscina para
combater o problema.
Foto: boredpanda.com
Deixados para se reproduzir à vontade, os peixes
prosperaram em seu novo ambiente e transformaram o shopping em seu
aquário pessoal. O futuro dos peixes é incerto já que existem questões
sobre a estabilidade do prédio, mas por agora os moradores locais
visitam os peixes para alimentá-los.
Um Jumanji da vida real
Foto: nhbs.com
Enquanto caminhava pelas florestas ao redor da sua casa de
verão em Salo, Finlândia, o fotógrafo Kai Fagerström deu de cara com uma
casa abandonada. Sem perder a chance de tirar algumas fotos singulares,
Fagerström entrou para ver que a casa estava abandonada, mas de longe
estava vazia.
Foto: ngm.nationalgeographic.com
A casa estava cheia de inquilinos animais como texugos,
ratos, raposas e aves. Na realidade, 12 espécies diferentes de animais
estavam todos vivendo juntos e em harmonia sob o mesmo teto, tornando-se
personagens do seu livro fotográfico The House in the Woods.
A vida encontra um jeito à sombra do desastre
Foto: sullydish.files.wordpress.com
Em 1986 os residentes de Pripyat, Ucrânia, foram forçados a
abandonar suas casas, pois o Complexo Nuclear de Chernobyl sofreu o que
é considerado o pior acidente nuclear na história. A área foi
classificada como inabitável pelos próximos 20.000 anos, já que os
níveis de radiação na área continuam muito altos, mas isso não impediu
que uma grande variedade de vida selvagem e espécies de insetos se
mudassem para lá.
Foto: abandonedkansai.wordpress.com
Na realidade, as populações de animais nativos como
javalis, cães e cavalos prosperaram na zona de exclusão, tornando a área
ao redor de Chernobyl um refúgio natural na ausência de ocupantes
humanos. Cientistas conseguiram permissão de acesso somente recentemente
para estudar a área e seus habitantes, com os resultados fornecendo uma
visão incerta sobre como as populações serão afetadas pela radiação
pelas próximas gerações. Somente o tempo dirá, mas por agora a cidade de
Pripyat está povoada com uma seleção diversificada de vida.
A frase “Terra de Ninguém” não se aplica à vida selvagem
Foto: news.discovery.com
Desde o Armistício da Guerra da Coreia em 1953, uma faixa
de terra de 250km de comprimento e 4km de largura conhecida como Zona
Desmilitarizada separa a Coréia do Sul da do Norte de costa a costa.
Como as pessoas somente podem entrar com permissão especial nos últimos
60 anos, a área se tornou um lugar perfeito para uma grande variedade de
vida selvagem nativa e criticamente ameaçada viver sem ser perturbada.
Foto: news.nationalgeographic.com
Animais como os ameaçados gorais de Amur, o urso negro
asiático, o cervo almiscarado siberiano e o quase extinto leopardo de
Amur estão entre as 2.716 espécies diferentes que habitam a área.
Uma ilha de minas terrestres é uma mina de ouro para pinguins
Foto: blogs.reuters.com
Após a poeira das Guerras das Malvinas em 1982 ter baixado,
as águas ao redor da área foram tão exploradas para pesca que as
populações locais de pinguins começaram a cair de forma dramática.
Ironicamente, foram justamente esta pesca excessiva e as devastações da
guerra que acabaram criando um habitat único para os pinguins começarem a
fortalecer seus números e viver livremente.
Foto: wondermondo.com
Como um impedimento para os Britânicos, o exército
argentino colocou 20.000 minas terrestres ao longo da costa e das terras
de pastagem ao redor da capital onde permanecem até hoje. Muito leve
para ativar as minas, a população de pinguins vive alegremente e
completamente imperturbável neste santuário fora do comum.
Os ocupantes deste vagão de metrô parecem um pouco suspeitos
Foto: fineprintnyc.com
Desde 2001 a Autoridade de Transportes em Massa de Nova
Iorque vem participando de um programa que aposenta antigos vagões de
metrô e os despeja ao longo da costa leste para criarem recifes
artificiais. Conhecidos como Redbird Reef (Recife Pássaro Vermelho), os
vagões são despidos de materiais flutuantes e são limpos antes de serem
despejados das balsas nos oceanos.
Foto: eventbrite.com
Até 2010 o programa já tinha colocado mais de 2500 vagões
na água na esperança de dar à vida marinha da área um lar para procriar e
prosperar, incluindo linguado, tartarugas e cirripedias.
Se você disser que existe uma ilha inteira povoada por coelhos, ninguém acreditaria
Foto: s1.dmcdn.net
A pequena ilha conhecida como Okunoshima Island em
Takehara, Japão, é também comumente conhecida como Usagi Jima, ou “Ilha
dos Coelhos”. Abandonada após a Segunda Guerra Mundial, a ilha era o lar
de uma instalação de gás venenoso.
Foto: montrealgazette.com
Como os coelhos chegaram até a ilha é uma fonte de debate,
mas com animais maiores como gatos e cães sendo banidos de suas terras,
os coelhos de Usagi Jima são livres para correr e se multiplicar
enquanto ganham uma cenoura ocasional de um turista.
Esta ilha ganha a aprovação dos elefantes-marinhos
Foto: cdn.c.photoshelter.com
Antigamente uma estação de farol da Guarda Costeira até ser
abandonada em 1948, a Ilha Año Nuevo na Califórnia está cheia de vida
selvagem. Agora parte de uma reserva ambiental operada pelos Parques
Estaduais da Califórnia, a ilha abriga uma das maiores colônias de
reprodução de elefantes-marinhos em terra no mundo.
Foto: apt.ap1.netdna-cdn.com
Ela também é o lar de cormorões, andorinhas do mar,
lontras, leões-marinhos da Califórnia, assim como a rara e ameaçada
cobra San Francisco Garter Snake.
Barcos que não flutuam mais fazem uma ótima sombra
Foto: i.imgur.com
O que era antes o quarto maior lago no mundo, o Mar de Aral
na Ásia Central está agora na iminência de ficar completamente seco
devido às barragens que desviam suas águas. Os efeitos disso foram
devastadores e a área está sendo monitorada para que melhorias
ambientais possam ser feitas. Deixando para trás um deserto arenoso e
barcos de pesca encalhados, o lago seco agora vê camelos locais andando
livremente entre os cascos para terem uma pausa do sol.
Foto: worldofmatter.net
Esforços de revitalização estão sendo feitos e mostram uma
promessa real para a área e a vida selvagem que se mudou para lá,
incluindo não somente os camelos, mas as raposas asiáticas, lobos e
javalis.
Um local dedicado a tirar a vida se transforma em um lugar que a preserva
Foto: cdn.colorado.com
Uma vez uma fábrica de munições químicas, o Rocky Mountain
Arsenal em Commerce City, Colorado, teve sua última produção em 1982.
Sem limpeza e descontaminação do local, os humanos não entravam na área,
o que se tornou em uma abertura perfeita para os animais entrarem e
criarem um refúgio involuntário.
Foto: fws.gov
Em 1986, para a surpresa do Serviço de Vida Selvagem e
Pesca dos EUA, foi descoberto que não somente havia um poleiro comunal
de águias americanas vivendo lá, mas também 330 espécies adicionais de
vida selvagem. Hoje o local é um Refúgio Nacional de Vida Selvagem e é o
lar de cervos, bisões, coiotes e corujas.
Em 2015, houve 143 adoções, um aumento de 49% em relação a 2013.
Corregedora nacional atribui alta a ‘mudança de perfil da sociedade’.
Thiago ReisDo G1, em São Paulo
A funcionária pública Carmen e o filho Francisco (Foto: Victor Moriyama/G1)
O número de crianças adotadas com algum tipo de doença ou deficiência
tem aumentado no país. Dados da Corregedoria Nacional de Justiça obtidos
pelo G1 mostram que, em 2015, houve 143 adoções de
crianças e adolescentes com alguma limitação ou enfermidade – um aumento
de 49% em relação a 2013.
Entre os adotados estão 15 crianças com deficiência física, 15 com
deficiência mental, 19 com o vírus HIV e 94 com alguma outra doença
detectada. Os dados são referentes às uniões feitas por meio do Cadastro
Nacional de Adoção.
Uma nova lei, que foi criada em fevereiro de 2014 e acaba de completar
dois anos, pode ter ajudado a aumentar o número de adoções. A lei 12.955
prioriza os processos de adoção de crianças deficientes ou doentes
crônicas ao estabelecer uma celeridade no trâmite das ações. Já em 2014,
com a nova legislação, foi registrado um aumento: 148 adoções.
Para a corregedora nacional de Justiça, ministra Nancy Andrighi, no
entanto, “o papel da legislação é subsidiário”. “Essa lei funciona mais
como um desdobramento de outros regulamentos que já asseguravam direitos
a essas pessoas. Considero a mudança de perfil da sociedade como muito
mais relevante.
Vejo as pessoas mais abertas e misericordiosas,
dispostas a ajudar e amar uma criança ou um jovem numa situação de
desamparo aguda, que demanda uma dedicação ainda maior do que aquela
necessária em um caso de adoção tradicional”, afirma.
Segundo ela, o papel das entidades religiosas e outras organizações da
sociedade civil, como os grupos de apoio, também tem sido fundamental.
Apesar do aumento nos últimos dois anos, os números ainda são
irrisórios frente à realidade dos abrigos. Há hoje 6.353 crianças e
adolescentes no Cadastro Nacional de Adoção, sendo que 1.225 (ou seja,
quase 20%) possuem alguma doença ou deficiência.
Mais preocupante que isso é o percentual de pretendentes dispostos a
adotar uma criança com essas condições. Dados do cadastro mostram que
70% não aceitam crianças e adolescentes com doenças ou deficiências. E,
da parcela que aceita, a maioria só permite doenças que sejam tratáveis
ou de menor gravidade.
Apenas 3%, por exemplo, se colocam como futuros pais de uma criança com
HIV, 5% de uma criança com deficiência física e 3% de uma criança com
deficiência mental.
Francisco, que tem deficiência visual, faz acompanhamento em entidades de São Paulo (Foto: Victor Moriyama/G1)
‘Presente’
A funcionária pública Carmen Rute Fonseca, de 53 anos, está entre as
exceções. Ela adotou um menino, hoje com 5 anos, que tem deficiência
visual e paralisia em um dos lados do corpo.
Desde o início, Carmen não fez restrições quanto a problemas de saúde.
Como trabalha, ela só deixou claro que não podia ficar em casa o tempo
todo se a enfermidade assim exigisse. “Sou solteira e sempre tive
vontade de ter filhos. Minha família é grande. Então comecei a assistir
às palestras e fui ao fórum preencher a ficha. No começo eu queria uma
menina, mas depois pensei que, se eu tivesse um filho, não ia escolher,
então não fiz nenhuma exigência.”
Vejo as pessoas mais abertas e misericordiosas, dispostas a ajudar e
amar uma criança ou um jovem numa situação de desamparo aguda, que
demanda uma dedicação ainda maior do que aquela necessária em um caso de
adoção tradicional"
Nancy Andrighi, corregedora nacional de Justiça
Ela conheceu Francisco no abrigo há dois anos e foi informada das suas
limitações. A aproximação foi feita aos poucos. Após três meses, Carmen
foi questionada se já havia se decidido. Ela não titubeou. Dias depois,
os dois já estavam em casa. O garoto tem uma rotina rígida de
medicamentos e visitas a médicos – o que ele tira de letra. “Ele é
ótimo. Ele mesmo fala: ‘mãe, você esqueceu de aplicar a injeção [que ele
toma por causa da tireoide todas às noites]’. É uma figura. Um presente
de Deus.”
Carmen diz que o filho é “super comunicativo” e cativa a todos. “Na
escola, sempre tem um coleguinha que o ajuda sem ele nem pedir. Já pega a
bolsa e sai levando. Com as crianças, não tem essa de preconceito.”
Francisco faz acompanhamento na AACD e também na Laramara – Associação
Brasileira de Assistência à Pessoa com Deficiência Visual, em São Paulo.
Criada há 25 anos, a entidade oferece atendimento gratuito e conta com
uma equipe interdisciplinar composta por cerca de 40 profissionais.
A assistente social da Laramara Vera Pereira diz que a dedicação dos
pais adotivos impressiona. “É um amor incondicional e compreensível: a
adoção é decidida e vivida por muito mais que nove meses [de gestação].”
Para ela, os pais de crianças com deficiência deviam ter mais apoio. “É
uma luta grande em busca de fisioterapia, terapia ocupacional,
fonoaudiologia, atendimentos com médicos especializados. A criança
comprometida requer muito mais cuidados e o custo é excessivo”, afirma.
A corregedora Nancy Andrighi concorda. “Acredito que as autoridades
governamentais podiam fazer mais do que apenas garantir prioridade nos
processos, como estudar a concessão de incentivos concretos aos
pretendentes que adotarem uma criança doente ou deficiente. Por exemplo,
o Estado podia subsidiar as medicações essenciais ou os tratamentos das
crianças doentes, ou custear parte dos gastos com a educação dos
deficientes ou, pelo menos, assegurar algum abatimento adicional no
Imposto de Renda”, diz.
Carmen diz que o filho é 'super comunicativo' e 'carismático' (Foto: Victor Moriyama/G1)
Como adotar
Para adotar uma criança, é preciso ter no mínimo 18 anos. Não importa o
estado civil, mas é necessária uma diferença de 16 anos entre quem
deseja adotar e a criança acolhida.
O primeiro passo é ir à Vara da Infância mais próxima e se inscrever
como candidato. Além de RG e comprovante de residência, outros
documentos são necessários para dar continuidade no processo. É preciso
fazer uma petição e um curso de preparação psicossocial.
São realizadas, então, entrevistas com uma equipe técnica formada por
psicólogos e assistentes sociais e visitas. Após entrar na fila de
adoção, é necessário aguardar uma criança com o perfil desejado.
Águas abastecem cidades e garantem o sustento de milhares de pessoas.
Apesar da importância, o rio é maltratado pelo ser humano.
Ana Dalla PriaMinas Gerais
O São Francisco é um rio serve para navegar, pescar, irrigar lavouras e
também é fundamental para a sobrevivência de animais nativos do Brasil.
Na segunda reportagem da série sobre o Velho Chico, o Globo Rural
navega pelo estado de Minas Gerais e mostra que, apesar da importância, o
rio é maltratado por quem mais precisa dele: o ser humano.
De São Roque de Minas a Manga o São Francisco corre por 1,2 mil
quilômetros dentro de Minas Gerais. O Globo Rural navegou por ele, a
partir da barragem da Usina de Três Marias, no trecho em que as águas
geram energia, abastecem cidades e lavouras e garantem o sustento de
milhares de pessoas. Mas nos últimos três anos, o Velho Chico sofreu
especialmente por causa da falta de chuva no Sudeste e no Centro-oeste
do país, onde nasce a maior parte de sua água.
“Em 2015, nós constatamos que 70% dos afluentes do São Francisco secaram”, diz a advogada Sílvia Fridman.
O dado é assustador e hoje preocupa técnicos e gestores da água, como o
Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco, do qual faz parte a
advogada Sílvia Fridman. “Infelizmente, o Rio São Francisco corre o rio
de morrer”, alerta.
No município de Januária, no norte de Minas Gerais, no final de 2014, o
rio estava quase vazio. Em alguns trechos dava para cruzá-lo a pé. Algo
impensável até 10 ou 12 anos atrás.
A baixa do rio quase inviabilizou uma das tradicionais atividades econômicas da cidade.
No século passado, durante décadas, Januária era quase sinônimo de
cachaça. A bebida produzida no município era tão boa e famosa que
aparecia até em música.
Úrsula e Lícia Carneiro tocam a cachaçaria fundada pelo avô e contam
que por quase cem anos, grandes barcos navegaram pelo São Francisco
ligando o sertão da Bahia a Minas Gerias. Os chamados vapores também
transportavam passageiros, animais e grãos.
Felizmente, 2016 chegou levando chuva e muita água para a região. Mas a
chuvarada não afastou definitivamente o risco da falta de água, como é
possível ver no lago da Usina Hidrelétrica de Três Marias, a primeira
barragem erguida no leito do São Francisco, construída também para
perenizar o fluxo de água do rio.
A ideia é em anos de muita chuva guardar o excesso de água dentro do
lago para evitar enchentes e prejuízos rio abaixo. E nos anos de seca ir
liberando a água aos poucos para regularizar a vazão do Rio São
Francisco. Na maior parte do rio só chove durante seis meses do ano. No
restante, é o reservatório da usina que abastece o São Francisco.
“Hoje, a principal preocupação de quem está aqui cuidando da operação
desse reservatório é olhar o estoque de água e fazer durar até o fim da
seca e início da próxima chuva, no finalzinho desse ano de 2016”, diz
Marcelo De Deus, gerente de Planejamento Energético da Cemig.
O temor é legítimo. No início de 2016, o reservatório de Três Marias
estava com apenas 7% do volume útil. Mesmo com a chuvarada que caiu até
agora, o nível da represa só chegou a 34%. É menos do que em 2015,
quando o volume ficou em 36%.
Não é só a quantidade de chuva que preocupa cientistas como o hidrólogo
da Embrapa Cerrados Jorge Werneck. “O aumento do uso da água e a
intensificação do uso das bacias, tanto para área urbana quanto para a
área rural, impactam nesse fluxo da água dentro dos cursos de água”,
diz.
A própria construção de barragens afeta a ecologia do rio,
especialmente a vida dos peixes. O biólogo Rafael Melo explica que
muitas espécies, inclusive as de maior valor econômico como o surubim,
precisam subir o rio para desovar. A construção de barragens, como a de
Três Marias, interrompe o curso do São Francisco e muda as
características da água. Para poder reproduzir, os peixes têm que buscar
rotas alternativas, como o Rio Abaeté.
Encontrar problemas na bacia do São Francisco é fácil. Queimadas e
desmatamentos estão por toda parte. Não são poupadas nem mesmo as
veredas, formações vegetais que conservam água e abastecem os rios da
região.
Pelo Código Florestal Brasileiro, vereda é uma área que deveria ser
protegida. Deveria ter, pelo menos, 50 metros de mata ciliar em cada
margem. A própria estrada aberta para ligar as propriedades passa no
meio dela.
Atrás é área de pasto e há vários buritis mortos.
Em Três Marias, o Comitê da Bacia do São Francisco luta para salvar uma
das veredas, a principal nascente do córrego barreiro grande que corta a
cidade. Ao redor dela, uma área nove hectares, foi isolada para o
plantio 13 mil mudas de espécies nativas. A principal ferramenta para o
sucesso do reflorestamento tem nome e sobrenome: Ismael da Cruz Souza,
dono de parte do terreno onde fica a vereda. Ele foi incumbido de tomar
conta da área.
“A gente passava a molhar com regador planta por planta, replantando.
Eu me sinto até honrado de ter esse espaço. Isso é uma herança de mais
de 100 anos que nós temos aqui e que meu pai sempre preservou. E acho
que, onde quer que ele esteja, já falecido há 25 anos, eu creio que ele
está orgulhoso de mim”, diz Cruz.
Homens de verdade! Salvam um javali.
Muito diferente dos brasileiros, caçadores covardes, que com o apoio do
próprio IBAMA, promovem tortura e morte desses animais, por pura
diversão, no interior do país.
Após uma visita ao Brasil entre os dias 7 e 17 de março, a relatora da ONU Victoria Tauli-Corpuz falou sobre as condições dos indígenas no país.
Segundo ela, "em termos gerais, minha
primeira impressão após esta visita é de que o Brasil possui uma série
de disposições constitucionais exemplares em relação aos direitos dos
povos indígenas, e que no passado o país deixou patente sua liderança
mundial no que se refere à demarcação dos territórios indígenas.
Entretanto, nos oito anos que se seguiram à visita de meu predecessor,
há uma inquietante ausência de avanços na solução de antigas questões de
vital importância para os povos indígenas e para a implementação das
recomendações do Relator Especial.
Ao contrário, houve retrocessos
extremamente preocupantes na proteção dos direitos dos povos indígenas,
uma tendência que continuará a se agravar caso não sejam tomadas medidas
decisivas por parte do governo para revertê-la."
O objetivo da visita foi identificar e avaliar as questões enfrentadas pelos povos indígenas
do Brasil para propor uma série de recomendações com base em sugestões
anteriores, de 2008. Nos dias da visita, Victoria esteve nos estados de
Mato Grosso do Sul, Bahia e Pará. Em Brasília, a relatora se reuniu com
representantes dos três Poderes do Governo e participou de reuniões nos
escritórios nacionais e locais do Ministério Público Federal, da FUNAI e
do Vice-Governador do Mato Grosso do Sul.
Em sua visita ao Mato Grosso do Sul, ela
conheceu o povo Guarani-Kaiowá; na Bahia, visitou os Tupinambás e
conversou com representantes dos Pataxós; na região da Volta Grande, no
Pará, esteve em Juruna, terra indígena Paquiçamba. A relatora visitou,
no total, mais de 50 povos indígenas, incluindo os Yanomami, Maxakali,
Manoki e Ka’apor, bem como a Rede de Cooperação Amazônica, além de ter
recebido vários pedidos de visita de diversas comunidades indígenas de
todo o país.
Victoria disse que tantos os
representantes dos povos indígenas como a sociedade civil e o Governo
forneceram-lhe um grande volume de informações, as quais serão revisadas
para a elaboração de um relatório que será submetido, em setembro, ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.
O objetivo do relatório é ajudar os povos indígenas e o Governo a
encontrarem soluções para os desafios contínuos enfrentados por essas
comunidades no Brasil.
Um ponto que a relatora ressaltou é “a
dedicação dos povos indígenas às boas práticas e aos enfoques proativos
de modo a prosseguir na efetivação de seus direitos. Dentre essas ações
incluem-se: a elaboração de protocolos de consulta, a autodemarcação de
terras, o estabelecimento de alianças com as comunidades quilombolas e
ribeirinhas com vistas ao fortalecimento de seus direitos à terra e à
auto governança; e a autoproteção de territórios". Todas essas ações
constituem passos importantes para a autogestão e regulamentação de seus territórios
e para o exercício de sua autodeterminação e autonomia, tal como
previsto na Convenção 169 da OIT e na Declaração da ONU sobre os
Direitos dos Povos Indígenas.
As primeiras impressões de Victoria com as visitas é de que o Brasil é exemplar em relação aos dispositivos constitucionais
que garantem direitos aos povos indígenas, embora haja uma ausência de
avanços na solução de questões vitais para eles. Houve, pelo contrário,
retrocessos que preocupam a condução na garantia de proteção dos direitos dos povos indígenas. Ela relata os seguintes pontos como desafiadores para o Brasil:
• a Proposta de Emenda à Constituição,
PEC 215, e outras legislações que solapam os direitos dos povos
indígenas a terras, territórios e recursos;
• a interpretação equivocada dos artigos 231 e 232 da Constituição na decisão judicial sobre o caso Raposa Serra do Sol;
•
a introdução de um marco temporal e a imposição de restrições aos
direitos dos povos indígenas de possuir e controlar suas terras e
recursos naturais;
• a interrupção dos processos de demarcação,
incluindo 20 terras indígenas pendentes de homologação pela Presidência
da República, como por exemplo a terra indígena Cachoeira Seca, no
estado do Pará;
• a incapacidade de proteger as terras indígenas contra atividades ilegais;
• os despejos em curso e as ameaças constantes de novos despejos de povos indígenas de suas terras;
• os profundos e crescentes efeitos negativos dos megaprojetos em territórios indígenas ou próximos a eles;
• a violência, assassinatos, ameaças e intimidações contra os povos indígenas perpetuados pela impunidade;
• a falta de consulta sobre políticas, leis e projetos que têm impacto sobre os direitos dos povos indígenas;
•
a prestação inadequada de cuidados à saúde, educação e serviços
sociais, tal como assinalam os indicadores relacionados ao suicídio de
jovens, casos de adoção ilegal de crianças indígenas, mortalidade
infantil e alcoolismo;
• e o desaparecimento acelerado de línguas indígenas.
Em vistas disso, os riscos enfrentados
pelos indígenas na Constituição de 1988 continuam sendo os mesmos. A
mídia e outros atores retratam-nos de forma distorcida e como
possuidores de grandes extensões de terra. Entretanto, é o setor do
agronegócio que as ocupa.
“Mesmo onde os povos indígenas possuem terras
demarcadas na região amazônica, eles não desfrutam do efetivo controle
sobre seus recursos devido às crescentes invasões e atividades ilegais,
tais como mineração e extração de madeira”, relata Vicotoria.
Outra questão preocupante para a relatora da ONU é ameaça
que os povos indígenas sofrem. “Em 2007, segundo o CIMI, 92 líderes
indígenas foram assassinados, ao passo que em 2014 o número havia
aumentado para 138. O estado de Mato Grosso do Sul foi o que registrou o
maior número de mortes”. O alarmante nesses dados é que as autoridades
governamentais não estiveram nas áreas sob ameaça para averiguar a violação de direitos humanos a que está submetida a população indígena.
A omissão do Estado sobre grandes
projetos do setor privado em áreas ocupadas pelos indígenas, sem que
eles sejam sequer consultados, viola a Convenção 169 da OIT e a
Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas. Em
relação a esses grandes projetos, algumas questões levantadas pelos
povos indígenas escutados pela relatora são:
• A não implementação das condicionantes
estabelecidas e das medidas mitigatórias necessárias com relação ao
projeto de Belo Monte, tais como o fortalecimento da presença local da
FUNAI; a demarcação da terra indígena Cachoeira Seca, bem como a
regularização e plena proteção das terras indígenas Apyterewa e
Paquiçamba; a compensação pela perda de seus meios de subsistência; e a
criação de bases de fiscalização para proteger terras indígenas. O
efeito acumulativo de tal inação foi a ameaça à própria sobrevivência
dos povos indígenas impactados;
• O uso do instituto da suspensão de
segurança pelo Judiciário em um crescente número de projetos de
desenvolvimento para evitar questionamentos legais por parte de povos
indígenas;
• A licença emitida, sem consultas, para o projeto de
mineração de ouro de Belo Sun, próximo à usina de Belo Monte, e a falta
de uma avaliação acumulativa dos impactos ambientais, sociais e de
direitos humanos sobre os povos indígenas;
• A falta de consultas e a ausência de demarcação de terras indígenas afetadas pelo complexo da represa no rio Tapajós;
•
A falta de consultas em relação à extração de bauxita e as usinas
hidrelétricas associadas, que, juntas, representam um enorme complexo
industrial, envolvendo povos indígenas e comunidades quilombolas em
Oriximiná, no Pará;
• A poluição do Rio Doce causada pelo rompimento
da barragem em Minas Gerais e seu impacto sobre povos indígenas, como os
Krenak, que dependem do rio para seu sustento e subsistência;
• A
ausência de consultas e consentimento para a instalação de grandes
linhas de transmissão dentro de terras demarcadas protegidas pela
Constituição, tais como as dos Waimiri-Atroari em Roraima.
Segundo a relatora, “esses e outros
casos demonstram uma falta de compreensão, por parte do governo, sobre a
natureza da consultas de boa fé, prévias, livres e informadas com povos
indígenas, que são exigidas a fim de obter seu consentimento e proteger
seus direitos em conformidade com as obrigações do Estado afirmadas na
Convenção 169 da OIT e na Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos
dos Povos Indígenas”.
É urgente a conclusão do processo de demarcação das terras indígenas,
pois isso é fundamental para a garantia dos seus demais direitos e para
evitar os altos índices de desmatamento, a destruição de rios e
empobrecimento dos solos decorrentes da prática intensiva de de
monoculturas e atividades de mineração, o que impede as terras e as
águas de garantir a sustentabilidade alimentar dos povos indígenas no
futuro.
Naturalmente, é preciso vontade política
para reverter esse cenário de descaso com os povos indígenas
brasileiros e atender a Constituição de 1988. Da parte deles, segundo a
relatora da ONU, "há uma determinação manifesta por todos os povos
indígenas de manter suas culturas e suas línguas e determinar seu
próprio futuro, bem como as medidas proativas que vêm tomando para esse
fim, oferece motivos de esperança para os povos indígenas e a sociedade
brasileira como um todo".
Em vistas disso, Victoria apresentou uma
série de recomendações em seu relatório ao Conselho de Direitos Humanos
para ajudar a encontrar soluções para os desafios atuais enfrentados pelos povos indígenas:
• Medidas imediatas devem ser tomadas
para proteger a segurança dos líderes indígenas e concluir as
investigações sobre todos os assassinatos de indígenas;
• Devem ser
redobrados os esforços para superar o impasse atual relativo à
demarcação de terras, pois as soluções urgentes e vitais são possíveis
caso exista a necessária vontade política;
• Há uma necessidade
premente e imediata de rever os cortes propostos ao orçamento da FUNAI e
garantir que as representações locais da FUNAI não sejam alvo de tais
medidas, e que sejam, na verdade, fortalecidas para poder fornecer os
serviços básicos dos quais dependem os povos indígenas e outros órgãos
do Estado;
• Devem ser revistas e observadas a jurisprudência dos
órgãos de supervisão da OIT e a orientação do Relator Especial sobre a
implementação do direito a consultas prévias em relação a políticas,
legislação e projetos com impacto potencial sobre os direitos de povos
indígenas. Tais consultas devem ser conduzidas de forma a atender as
especifidades de cada povo indígena, conforme estabelece a Convenção 169
da OIT e a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos
Indígenas;
• O Estado deve reconhecer e apoiar as medidas proativas
que vêm sendo tomadas por povos indígenas para exercer seus direitos na
prática, em conformidade com seu direito à autodeterminação;
•
Diálogos devem ser iniciados com povos indígenas em relação à possível
realização de um Inquérito Nacional para sondar alegações de violações
de seus direitos, promover conscientização e oferecer reparação para
violações de direitos humanos;
• Deve ser viabilizada a efetiva
participação de povos indígenas na determinação de como as minhas
recomendações e as de meu predecessor podem ser implementadas e
supervisionadas.
Você sabia que, com seus próprios dedos, apertando, afagando, aconchegando, você consegue orientar seu cérebro para a superação de situações de estresse?
É o que conta à rádio EBC, neste áudio, o
Dr. Américo Barbosa, professor na pós graduação da UNIFESP e PUC e
doutor em Comunicação e Semiótica, um estudioso de técnicas que nos
permitem viver mais saudavelmente e curar nosso corpo e mente.
Diz Américo Barbosa que esta é uma prática milenar presente em culturas como a japonesa, chinesa e indu. Uma ciência que já tem mais de cinco mil anos de prática e comprovação. Como a própria ciência ocidental também ensina, diz ele: “cada um dos nossos dedos têm 14 mil terminais nervosos.
Então, quando você passa o dedo em alguma coisa e sente que é liso,
áspero ou molhado, você está mandando para o seu cérebro uma informação
através desses terminais. Da mesma forma, quando se faz o cruzamento dos dedos, isto dá uma informação para o sistema nervoso central, e ele vai padronizar um estado, seja físico, mental ou emocional e, na verdade, você se reprograma. O que nós temos nas mãos é algo fantástico que deveria ser melhor utilizado".
Algumas posições básicas para uso diário
Uma das práticas simples para aliviar sintomas de nervosismo é, como diz ele, você apertar, envolvendo totalmente, um polegar. Pode ser o direito ou o esquerdo, como seja mais confortável. Depois de um tempo você sentirá seu polegar pulsar - é o ritmo do seu coração que você sintoniza pelo polegar. A sintonia nossa com o ritmo do nosso coração ajuda a regular o ritmo da respiração - e a respiração é tudo, diz o doutor, com toda razão. Depois de uns minutinhos desta prática você notará que o seu estado de nervosismo irá cedendo e que você conseguirá driblar a situação que a afetava, de uma forma suave e saudável.
Na
verdade, o ato de você abraçar o dedo, qualquer que ele seja, com a
outra mão, vai ajudar a equilibrar seu organismo, sempre. Segundo as
medicinas orientais, a cada dedo se corresponde um dos cinco elementos
constituintes da vida: fogo, terra, água, ar e espírito. Também
corresponde a estados emocionais, a meridianos principais, a órgãos
fundamentais.
Outra prática interessante, conta ele, é retirada dos animais caçadores. Os animais caçadores, depois de abaterem e comerem sua caça, fazem com a língua uma canaleta e sopram firmemente diversas vezes. Esta respiração forçada pela canaleta da língua faz com que o organismo se libere de toxinas acumuladas durante a caça
e alimentação. O Dr. Américo recomenda, vivamente, que todos nós
façamos como os animais caçadores. É simples, prático e efetivo.
Neste vídeo o Dr. Américo também dá várias dicas de como você pode utilizar as mãos, uma na outra, e criar um ambiente terapêutico que te permita sobrelevar alguma situação mais desagradável ou estressante.
Existem posições de mãos que são consagradas, na cultura yogue, como mudras, que são posições curativas. Um desses mudras é aquele que ensina o Dr. Américo - o de se abraçar o dedo polegar.
Mas, se você se interessa por desenvolver essa técnica, dê uma olhada
neste vídeo, onde estão explicados vários dos mudras yogues, suas
posições e sua função.
Num
tempo em que as preocupações ecológicas têm cada vez mais relevância,
também as piscinas podem ser mais amigas do ambiente: chamam-se
piscinas biológicas e a sua manutenção fica inteiramente a cargo de
plantas aquáticas que asseguram mergulhos 100% verdes e sempre
refrescantes…
O que são piscinas biológicas?
As piscinas biológicas podem ser descritas como sendo lagos
artificiais que são escavados no terreno onde a piscina será instalada e
que são protegidos com uma tela impermeável de elevada qualidade. Qual
é, então, a principal diferença entre uma piscina biológica e uma
piscina tradicional? As piscinas biológicas não requerem cloro nem filtros,
mas subsistem graças às plantas aquáticas colocadas numa das áreas da
mesma e que garantem a limpeza e a manutenção da própria piscina
biológica. Como? Através da libertação de oxigénio que caracteriza o
processo de fotossíntese. Uma piscina amiga do ambiente, sem dúvida…
Como se constrói uma piscina biológica?
A construção de uma piscina biológica requer um terreno plano com
uma área com pelo menos 10 x 15 metros. Após a habitual escavação, o
buraco é impermeabilizado com uma tela que é solidamente afixada no
local e a piscina é dividida em dois espaços distintos – a zona de
lazer e natação e a zona das plantas aquáticas, as responsáveis pela
manutenção da piscina biológica. O buraco é depois enchido e a tela
impermeável fica completamente invisível. Graças à presença das plantas
aquáticas, o resultado final é uma piscina com um ar muito natural,
muito semelhante a um lago.
Que tipo de plantas são utilizadas e qual o seu papel?
As plantas aquáticas utilizadas nas piscinas biológicas são criadas
em viveiros, especificamente para este efeito e são fornecidas por uma
empresa especializada na construção deste tipo de piscinas.
Estrategicamente plantadas numa zona da piscina biológica, estas
plantas aquáticas têm um papel crucial porque são inteiramente
responsáveis pela limpeza e saúde da própria. Como é que isto se
processa na prática?
As plantas aquáticas purificam a água sempre que
libertam oxigénio, o que ocorre durante o típico processo de
fotossíntese que caracteriza a flora. Uma vez que a água da piscina
biológica estará constantemente a ser oxigenada, o risco da produção de
microrganismos e bactérias é praticamente inexistente.
De uma forma
100% natural e extremamente saudável, as plantas aquáticas substituem,
na perfeição, os filtros e químicos habitualmente associados à limpeza das piscinas
convencionais. As plantas são subsistentes e regeneram-se
continuamente, por isso, não necessitam de qualquer tipo de tratamento
específico. Por parte do proprietário, requer-se apenas que se retire
as folhas ou outro lixo que pode surgir na superfície da piscina
biológica e que se aspire o fundo 1 a 2 vezes por mês para evitar a
formação excessiva de calcário.
Quanto custa uma piscina biológica?
Dependendo do tamanho da piscina biológica a construir e dos
materiais utilizados na sua construção (um acabamento em betão é mais
caro do que o revestimento com uma tela impermeabilizada), os custos
finais rondam os €125 | R$295 por metro quadrado. Por norma, este valor
não cobre o custo associado à água do primeiro enchimento.
Principais vantagens e desvantagens das piscinas biológicas
Como qualquer tipo de piscina, também as piscinas biológicas
apresentam vantagens e desvantagens – avalie cada um dos pontos antes
de decidir se uma piscina biológica é a escolha acertada para a sua
casa.
Vantagens
Um ambiente 100% natural, ecológico e saudável, que não requer o uso de químicos ou cloro.
Custos de manutenção reduzidos.
Tempo de manutenção reduzido.
Como a piscina biológica não requer equipamentos elétricos, não existem custos energéticos.
Em termos estéticos, surge como uma zona tranquila e visualmente apelativa no exterior da casa.
Mais-valia em termos imobiliários.
As piscinas biológicas ajudam a equilibrar o ecossistema, eliminando a presença de insetos indesejados.
Perfeitas para quem adora estar em contacto com e observar a natureza, promoção da biodiversidade (fauna e flora).
Apesar do seu aspeto natural e da existência de plantas aquáticas, as piscinas biológicas não atraem mosquitos.
Mesmo depois de um inverno rigoroso, em que a piscina fica hibernada, as plantas voltam sempre a florescer na primavera e não necessitam de ser substituídas.
A tela impermeabilizada é mais barata do que o acabamento em betão e tem uma maior longevidade.
Pode criar uma borda em torno da piscina biológica tal e qual os
modelos mais convencionais ou deixá-la com um aspeto mais natural.
Desvantagens
Custo inicial elevado.
Requer que a construção seja feita por parte de uma empresa
especializada em piscinas biológicas. Não existem muitas e as
deslocações das mesmas podem aumentar o custo final.
Existência de animais anfíbios na zona das plantas aquáticas e que podem ocasionalmente surgir na zona de banhos.
Necessita de adquirir um aspirador para piscinas.
Rio de Janeiro 17/01/2014 | 2:50 - Por: Redação Sustentarqui
O que é uma Piscina Biológica – Veja exemplos.
piscina biológica SustentArqui
As piscinas biológicas ou ecológicas podem ser descritas como um sistema
no qual não são utilizados cloro ou outros produtos químicos para o
tratamento de sua água.
De uma forma natural e sustentável, as plantas aquáticas substituem os
filtros e químicos habitualmente associados à limpeza das piscinas
convencionais. As plantas garantem a limpeza e a manutenção da própria
piscina biológica, através da libertação de oxigênio que caracteriza o
processo de fotossíntese.
Algumas das plantas aquáticas utilizadas para a filtragem da água são as
Nenúfares ou
Ninféias. Porém a espécie da planta depende do clima do local onde será
feito o projeto. Sempre é aconselhável procurar um especialista.
Piscina Biológica
Foto: Elle
Piscina Biológica
Foto: Elle
A piscina natural é dividida em 2 áreas, uma para o banho propriamente
dito e outra para a purificação biológica com as pedras e as plantas.
No esquema abaixo, um exemplo de detalhe da construção de uma piscina
ecológica:
piscina Filtro natural
Imagem: http://www.naturalpoolsnz.com/concept.html
Vantagens e desvantagens de uma piscina biológica:
Vantagens:
– A vantagem principal em construir uma piscina ecológica ou biopiscina é
a ausência de cloro. Não necessita de produtos químicos.
– Tempo e custos de manutenção reduzidos.
– Como a piscina biológica não requer equipamentos elétricos, não
existem custos energéticos.
– As piscinas biológicas ajudam a equilibrar o ecossistema, eliminando a
presença de insetos indesejados.
– Promoção da biodiversidade (fauna e flora).
– Apesar do seu aspeto natural e da existência de plantas aquáticas, as
piscinas biológicas não atraem mosquitos.
Desvantagens:
– Custo inicial elevado. Somados todos os custos o valor de uma piscina
ecológica fica em torno de 20% a mais que os modelos convencionais.
– Pode haver a existência de animais anfíbios na zona das plantas
aquáticas e que podem ocasionalmente surgir na zona de banhos.
piscina biológica SustentArqui
piscina-ecologica-3 (1)
piscina ecológica
Foto: Elle
Fontes: Elle , ABC Piscinas
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Utilize plantas nativas no paisagismo O que é uma Piscina Biológica -
Veja exemplos. - SustentArqui -
http://sustentarqui.com.br/dicas/o-que-e-uma-piscina-biologica/ Por
favor, sempre faça referência à fonte de onde você está copiando.
io de Janeiro
17/01/2014 | 2:50 - Por: Redação Sustentarqui
O que é uma Piscina Biológica – Veja exemplos.
piscina biológica SustentArqui
As piscinas biológicas ou ecológicas podem ser descritas como um sistema
no qual não são utilizados cloro ou outros produtos químicos para o
tratamento de sua água.
De uma forma natural e sustentável, as plantas aquáticas substituem os
filtros e químicos habitualmente associados à limpeza das piscinas
convencionais. As plantas garantem a limpeza e a manutenção da própria
piscina biológica, através da libertação de oxigênio que caracteriza o
processo de fotossíntese.
Algumas das plantas aquáticas utilizadas para a filtragem da água são as
Nenúfares ou
Ninféias. Porém a espécie da planta depende do clima do local onde será
feito o projeto. Sempre é aconselhável procurar um especialista.
Piscina Biológica
Foto: Elle
Piscina Biológica
Foto: Elle
A piscina natural é dividida em 2 áreas, uma para o banho propriamente
dito e outra para a purificação biológica com as pedras e as plantas.
No esquema abaixo, um exemplo de detalhe da construção de uma piscina
ecológica:
piscina Filtro natural
Imagem: http://www.naturalpoolsnz.com/concept.html
Vantagens e desvantagens de uma piscina biológica:
Vantagens:
– A vantagem principal em construir uma piscina ecológica ou biopiscina é
a ausência de cloro. Não necessita de produtos químicos.
– Tempo e custos de manutenção reduzidos.
– Como a piscina biológica não requer equipamentos elétricos, não
existem custos energéticos.
– As piscinas biológicas ajudam a equilibrar o ecossistema, eliminando a
presença de insetos indesejados.
– Promoção da biodiversidade (fauna e flora).
– Apesar do seu aspeto natural e da existência de plantas aquáticas, as
piscinas biológicas não atraem mosquitos.
Desvantagens:
– Custo inicial elevado. Somados todos os custos o valor de uma piscina
ecológica fica em torno de 20% a mais que os modelos convencionais.
– Pode haver a existência de animais anfíbios na zona das plantas
aquáticas e que podem ocasionalmente surgir na zona de banhos.
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piscina ecológica
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Fontes: Elle , ABC Piscinas
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