Homem ateou fogo em vegetação às margens da BR-226 em Janduís, região Oeste — Foto: Focoelho.com
Um homem de 62 anos foi preso em flagrante na tarde desta terça-feira (8) depois de atear fogo em uma área de vegetação às margens da BR-226, no município de Janduís. Questionado pela Polícia Militar sobre o motivo de ter iniciado o fogo, ele disse que o fez porque “deu vontade”. Ele foi encaminhado a delegacia e em seguida ao sistema prisional.
Segundo informações da PM do município de Janduís, por volta de 13h30 a Secretaria de Meio Ambiente informou sobre um incêndio intencional de grandes proporções às margens da rodovia. “A gente orientou que eles levassem logo um carro pipa pra lá e também uma retroescavadeira para fazer uma barricada e impedir o fogo de avançar”, contou o comandante do destacamento local, Sargento Valdir.
A PM esteve no local e testemunhas contaram que tinham visto a pessoa responsável pelo incêndio. Os agentes conseguiram localizar o suspeito ainda perto do local e ele confessou o crime. “A gente perguntou por que ele fez isso e ele respondeu: ‘deu vontade de tocar fogo’”, contou Sargento Valdir.
Equipe da secretaria de meio ambiente de Janduís levou mais de 1 hora pra controlar o fogo — Foto: Focoelho.com
O fogo atingiu um trecho que fica no km 309, entre os municípios de Janduís e Campo Grande. A equipe do município demorou mais de 1 hora para conter as chamas. De acordo com a Polícia, o fogo foi considerado de grandes proporções e chegou perto de atingir o prédio da Cooperativa de Leite do município.
O suspeito foi encaminhado a Delegacia de Polícia Civil de Caraúbas e foi autuado em flagrante “por causar incêndio expondo a perigo de vida ou patrimônio”. Ele foi encaminhado ao Presídio de Caraúbas onde ficará à disposição da justiça.
Campanha
O Corpo de Bombeiros Militar do RN, através da Diretoria de Engenharia e Operações (DEO), lançou a Operação Abrace o Meio Ambiente (AMA) com o intuito de intensificar as ações contra incêndios florestais.
Pra isso, foi montada uma força-tarefa com vários órgãos públicos que também atuam na defesa do meio ambiente. O objetivo do trabalho em conjunto é prevenir e combater incêndios florestais, garantindo a preservação da fauna e da flora.
O Corpo de Bombeiros informou que foram feitos investimentos em equipamentos de proteção individual, viaturas operacionais e outras estruturas necessárias para reforçar o trabalho de prevenção e combate.
De acordo com o Comandante Do Serviço Operacional do CBMRN, Major Christiano Couceiro, o alto índice de ocorrências dessa categoria no interior do estado fez como que a Operação fosse antecipada.
“Sempre no segundo semestre do ano, em meados de setembro, o Corpo de Bombeiros se preocupa ainda mais com ações de proteção ambiental em virtude do aumento da temperatura e consequentemente o maior surgimento de incêndios em áreas de vegetação. No ano passado, a Operação AMA foi desencadeada no mês de outubro. Já neste ano, a Diretoria de Engenharia e Operações fez o trabalho de planejamento ainda mais cedo e a Operação foi antecipada no interior, em função dos grandes números de ocorrências”, disse.
Incêndio florestal é caracterizado pela propagação do fogo em áreas florestais e de savana (cerrados e caatingas), que normalmente ocorre com constância e intensidade no período de estiagem acompanhado da redução da umidade ambiental. Além disso, esse tipo de ocorrência pode ser tanto provocado pelo homem ou por causa natural.
Ainda segundo o Comandante, nos casos em que a população perceber que alguém está colocando fogo em alguma área deve ligar para a Polícia Militar no número 190 e realizar a denúncia, pois trata-se de crime ambiental. Já em caso de ocorrências de incêndio o telefone dos bombeiros é o 193.
Prevenção
Nunca usar fogo para limpeza de terreno ou de plantação;
Nunca jogue resto de cigarro ainda acesso em locais onde haja vegetação;
Próximo as estradas e terrenos, o ideal é providenciar uma aceiro para evitar a propagação de um possível incêndio nas proximidades;
Boa parte da vida selvagem do planeta pode desaparecer no futuro – GETTY IMAGES
A quantidade de populações selvagens desabou em mais de dois terços
em menos de 50 anos, segundo um relatório produzido pelo grupo
ambientalista WWF.
O relatório diz que esse “declínio catastrófico” não dá sinais de desaceleração.
E também alerta para o fato de que a natureza está sendo destruída por humanos em um ritmo nunca visto antes.
A natureza selvagem está em “queda livre” na medida em que queimamos
florestas, pescamos em demasiado nos oceanos e destruímos redutos de
vida selvagem, segundo Tanya Steele, executiva da WWF.
“Nós estamos destruindo o nosso mundo — o único lugar que chamamos de
lar — arriscando nossa saúde, nossa segurança e nossa sobrevivência
aqui na Terra. Agora a natureza está nos mandando uma mensagem
desesperada de SOS e estamos ficando sem tempo.”
O que esses números significam?
O relatório analisou várias espécies diferentes de vida selvagem que são monitoradas por cientistas em habitats no mundo todo.
Os pesquisadores detectaram uma queda média de 68% em 20 mil
populações de mamíferos, pássaros, anfíbios, répteis e peixes desde
1970.
A queda é um sinal claro do estrago causado pela atividade humana na
natureza, segundo Andrew Terry, que é diretor de conservação da
Sociedade Zoológica de Londres (ZSL, na sigla em inglês) — entidade que
levantou os dados.
“Se nada mudar, as populações continuarão caindo sem dúvida, levando a
vida selvagem à extinção e ameaçando a integridade dos ecossistemas dos
quais dependemos”, disse ele.
O relatório afirma que a pandemia de covid-19 é um lembrete potente de como a natureza e a humanidade estão interligados.
Fatores que levam ao surgimento de pandemias — como perda de habitat e
comercialização de animais selvagens — também estão entre as causas na
redução dramática da vida selvagem.
Novos modelos sugerem que é possível impedir e até reverter a perda
de habitats e o desmatamento, se for feito um esforço urgente de
conservação, com mudanças na forma como produzimos e consumimos
alimentos.
O apresentador de televisão e naturalista britânico David
Attenborough acredita que o Antropoceno — a era geológica em que a
atividade humana passou a ser dominante — pode ser o momento em que nós
conseguiremos alcançar um equilíbrio com o mundo natural, nos tornando
condutores do nosso planeta.
“Para fazer isso, serão necessárias mudanças sistêmicas em como
produzimos alimento, criamos energia, administramos nossos oceanos e
usamos materiais”, diz ele.
“Mas acima de tudo será necessário haver uma mudança de perspectiva.
Uma mudança — de encararmos a natureza não como algo opcional ou ‘legal
de se ter’, mas sim como nosso maior aliado em restaurar o equilíbrio do
nosso mundo.”
Gorilas nas montanhas do Congo enfrentam a ameaça da caça ilegal – GETTY IMAGES
Como medimos as perdas da natureza?
Medir a variedade de vida na Terra é algo complexo, com muitas métricas distintas.
Em conjunto, as métricas mostram que a biodiversidade está sendo
destruída em um ritmo sem precedentes na história da humanidade.
Esse relatório em particular usa um índice para medir se as
populações de vida selvagem estão crescendo ou diminuindo. O índice não
nos revela o número de espécies perdidas ou extintas.
As maiores quedas ocorreram nas áreas tropicais. A queda de 94% na
América Latina e no Caribe é a maior no mundo, com ameaças a répteis,
anfíbios e pássaros.
“Este relatório está olhando para o retrato global e a necessidade de
se agir em breve para revertermos essas tendências”, diz Louis McRae,
da ZSL.
Os dados foram usados para criar um modelo do que seria necessário para se reverter o declínio.
A pesquisadora Georgina Mace, da University College London, diz que
só ações de conservação não serão suficientes para se “mudar a curva de
perda de biodiversidade”.
O papagaio-cinzento africano é uma das espécies em risco devido à perda de habitat e comércio de vida selvagem – GETTY IMAGES
“Serão necessárias ações de outros setores, e aqui nós mostramos que o
sistema de alimentação será particularmente importante, tanto do lado
da oferta, da agricultura, como da demanda, dos consumidores.”
O que outras medidas nos falam sobre a perda da natureza?
Dados de extinção são compilados pela União Internacional por
Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), que avaliou mais de
cem mil espécies de plantas e animais, com mais de 32 mil espécies
ameaçadas de extinção.
Elefantes estão sob ameaça de caçadores e perdas de habitat – GETTY IMAGES
Em 2019, um painel intergovernamental de cientistas concluiu que um
milhão de espécies (500 mil animais e plantas e 500 mil insetos) estão
sob ameaça de extinção, algumas delas já nas próximas décadas.
O relatório da WWF é um de muitas avaliações publicadas ao longo das
próximas semanas, na véspera de um grande encontro sobre o clima no
próximo ano.
A ONU vai lançar, na terça-feira da próxima semana (15/09), sua avaliação sobre o estado atual da natureza.
Uma grande quantidade de alimento em bom estado para consumo é desperdiçada todos os dias – GETTY IMAGES
Ainda aumentando, a população global poderá chegar, segundo
estimativas, a 10 bilhões de pessoas em 2050. Para alimentar tanta
gente, vamos precisar produzir uma quantidade recorde de alimentos.
A dimensão desse desafio é épica. Com apenas 30 temporadas de plantio
e colheita restantes até que a população atinja o marco de 10 bilhões,
fica claro que a agricultura como conhecemos hoje precisa mudar, se
quisermos ter esperança de alimentar o planeta.
Nos últimos seis meses, viajei por toda a Europa conversando com
cientistas e engenheiros, formadores de opinião, varejistas e, é claro,
agricultores na tentativa de analisar uma série de questões em torno do
abastecimento de alimentos e encontrar soluções em potencial para o
nosso futuro.
Essa transformação tão necessária – não apenas da agricultura, mas de
toda a nossa cadeia de suprimento de alimentos – já está em andamento.
Confira abaixo cinco sugestões que podem ajudar a nos preparar para alimentar os futuros 10 bilhões de habitantes do planeta:
1 – Criar ‘robôs fazendeiros’
Antes de começar a reclamar que os robôs estão roubando nossos
empregos, me ouça. Muitos agricultores dizem que o trabalho no campo,
sentado por horas a fio em um trator, não só é repetitivo e chato, como
toma tempo que eles poderiam estar investindo em outras tarefas
importantes que precisam desempenhar para gerenciar seus negócios.
A Small Robot Company criou três pequenos robôs: Tom, Dick e Harry.
Tom tira fotografias com georreferenciamento de plantas no campo, que
são enviadas para análise. Isso faz com que Dick se aventure a
pulverizar – com precisão – plantações específicas, eliminando assim a
necessidade de pulverizar os campos como um todo, o que evita o uso
desnecessário de poluentes e economiza recursos. Harry é o robô de
plantio, equipado com uma furadeira robótica.
Juntos, eles realizam tarefas monótonas tradicionalmente realizadas pelo homem – com maior precisão e menos desperdício.
2 – Preservar o solo
Um dos motivos pelos quais robôs móveis de pequeno porte podem ser
uma boa notícia para a agricultura é que eles conseguem substituir boa
parte do trabalho realizado pelos tratores convencionais.
Os tratores comuns são pesados. Quando atravessam o campo, compactam o
solo. E “esmagam” os poros que existem no interior da terra, reduzindo o
tamanho dos orifícios que retêm a água e o ar.
Essa compactação afeta significativamente a capacidade do solo de
reter água e, portanto, a capacidade da plantação de absorvê-la,
juntamente com os nutrientes.
O uso de robôs menores e mais leves para realizar o trabalho
executado atualmente por tratores pode ajudar bastante a reduzir esses
problemas.
É verdade que um robô de pequeno porte não é capaz de arrastar
máquinas grandes e pesadas, como um motocultivador. Mas eles não
pretendem simplesmente repetir os métodos da agricultura tradicional.
Quando for ao mercado, que tal escolher os legumes mais ‘feios’ para o jantar? – GETTY IMAGES3 – Evitar o desperdício
Um dos fatos mais chocantes que aprendi foi em relação à enorme
quantidade de alimento em bom estado para consumo que é desperdiçada.
De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), “um terço
estimado de todos os alimentos produzidos acaba apodrecendo nas latas de
lixo dos consumidores e varejistas, ou estragando devido a práticas
inadequadas de transporte e colheita”.
Um dos países que enfrentam um grave problema de desperdício é a
Holanda, um grande exportador de produtos agrícolas (em valor). A
magnitude da circulação de alimentos pelo país faz com que o desperdício
seja uma questão importante. O governo prometeu que a Holanda se
tornaria o primeiro país europeu a reduzir pela metade a quantidade de
alimentos descartados até 2030.
Há uma série de ideias e iniciativas brilhantes para ajudar a
resolver esta questão, mas uma abordagem que acho sensacional é o uso de
aplicativos como o “Too Good To Go” (ou ”bom demais para se jogar
fora”, em tradução livre). Esse aplicativo permite que os varejistas
vendam alimentos que seriam descartados – mas estão em perfeita condição
de consumo – para os clientes a um custo reduzido.
4 – Retardar o processo de amadurecimento
Não podemos voltar no tempo, mas, pelo menos quando se trata de frutas, é possível retardar o processo de amadurecimento.
As bananas que como na minha casa, no Reino Unido, podem ter vindo do
Equador, da República Dominicana, da Costa Rica ou de outro lugar ainda
mais distante.
Para chegar até a minha geladeira, elas devem ter sido colhidas ainda
verdes, talvez tenham passado 40 dias em um barco até chegar ao
supermercado, onde, para serem escolhidas na prateleira, precisam estar
perfeitamente amarelas, sem qualquer mancha preta ou marrom. Isso requer
um gerenciamento incrível e cuidadoso.
Se uma banana amadurece cedo demais no meio desse processo, ela
libera gás etileno, o que desencadeia o amadurecimento de outras
bananas. Basta uma única banana fora do padrão para acabar com 15% de um
carregamento. É uma pilha enorme de bananas desperdiçadas.
O que alguns cientistas de Norwich, no Reino Unido, estão fazendo é
editar o genoma das bananas – modificando letras específicas em seu DNA –
para que produzam muito menos etileno.
A iniciativa pode reduzir o desperdício durante a viagem e prolongar
sua vida útil no supermercado. Em algumas partes do mundo, poderia ser
reproduzido em cadeias de suprimento reais.
Mas em outros lugares, como na União Europeia, a edição genética das
plantações tem uma regulamentação rigorosa e passa por um longo processo
de aprovação.
5 – Fazer escolhas mais inteligentes
Passando um tempo com agricultores, produtores, varejistas e
consumidores, percebi rapidamente como nossas formas atuais de cultivar,
processar e vender alimentos não são escalonáveis ou sustentáveis.
A única maneira de alimentar 10 bilhões de pessoas até 2050 é se as
indústrias agrícolas e alimentares se tornarem muito mais sustentáveis. E
isso requer mudanças em todo o modelo de cultivo, processamento,
transporte, armazenamento e venda. Significa que muitas empresas e
governos precisam agir. Mas todos nós também.
Seja indo ao mercado e escolhendo os legumes mais “feios” para o
jantar, incentivando os supermercados a mudarem os rótulos para informar
a pegada de carbono e hídrica de cada alimento (para que você possa
fazer uma escolha consciente) ou usando novas tecnologias para evitar o
desperdício, há muito que podemos fazer para valorizar nossos alimentos e
seus produtores.
Construir um mundo que vai se alimentar de uma agricultura
sustentável é uma tarefa difícil. Mas agricultores, cientistas,
engenheiros, varejistas, líderes empresariais e governos estão se unindo
para garantir que haja comida suficiente no futuro. E eu certamente
estarei pensando nas mudanças que posso adotar do ponto de vista
individual para participar deste esforço.
* Greg Foot é apresentador da série de TV ‘Follow the Food’ da BBC. Este artigo representa as visões e reflexões pessoais dele.
A cada 6 segundos o planeta perdeu um campo de futebol de floresta tropical em 2019: Brasil está no topo do ranking
3 de junho de 2020 Suzana Camargo
Ano a ano as mesmas notícias se repetem. Infelizmente. Em 2019, noticiamos aqui que o planeta tinha perdido 12 milhões de hectares de florestas tropicais no ano anterior e o Brasil havia sido o país com o mair índice de desmatamento. As informações faziam parte de um estudo, com dados da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, publicado pelo Global Forest Watch, uma iniciativa do World Resources Institute (WRI).
Agora um novo levantamento acaba de ser divulgado com o cenário registrado em 2019. Os números continuam a ser alarmantes e o Brasil mantem-se no topo desse ranking vergonhoso.
De acordo com o mais recente relatório do Global Forest Watch, os trópicos perderam 11,9 milhões de hectares de cobertura arbórea no ano passado.
“Quase um terço dessa perda, 3,8 milhões de hectares, ocorreu dentro de florestas primárias tropicais úmidas, áreas de floresta tropical madura que são especialmente importantes para a biodiversidade e o armazenamento de carbono. É o equivalente a perder um campo de futebol de floresta primária a cada 6 segundos durante todo o ano”, explicam os pesquisadores envolvidos no estudo.
O monitoramento aponta que a perda de floresta primária em 2019 foi 2,8% maior do que no período anterior e segue uma tendência de crescimento anual. Essa foi a terceira maior alta desde a virada do século, com exceção dos anos 2016 e 2017, quando houve o registro recorde de queimadas.
Assim como em 2018, o Brasil aparece em 1o lugar na lista de países que tiveram maior perda de florestas. A destruição chegou a mais de 1,3 milhão de hectares, mesmo número observado no último levantamento. Nosso país é responsável, sozinho, por um terço da devastação de florestas tropicais primárias do mundo.
Na sequência aparecem no ranking, mas com números bem menores, a República Democrática do Congo (475 mil hectares), Indonésia (324 mil hectares), Bolívia (290 mil hectares) e Peru (162 mil hectares) – confira lista completa mais abaixo.
“A Amazônia brasileira enfrentou incêndios excepcionalmente altos em agosto de 2019, mas muitos deles ocorreram em áreas já desmatadas, enquanto os agricultores preparavam terras para a agricultura e pastagens de gado”, afirma o relatório, que aponta ainda perdas preocupantes em terras indígenas no estado do Pará.
“No território indígena de Trincheira/Bacajá, o desmatamento como resultado da apropriação ilegal de terras acelerou em 2019. A mineração ameaça florestas em outros territórios, como Munduruku e Kayapó. Enquanto isso, o governo brasileiro propôs uma nova legislação em fevereiro que permitiria a mineração comercial e a extração de petróleo e gás em territórios indígenas”, denunciam os pesquisadores.
Há bons exemplos
As autoras do estudo do Global Forest Watch ressaltam, entretanto, que existem países que conseguiram reduzir suas taxas de desmatamento. Dois exemplos citados são Indonésia e Colômbia.
Em 2018, a Indonésia já tinha apresentado o mais baixo nível de perda florestal primária desde 2003, graças a programas de conservação ambiental implementados pelo governo local, que incluem, uma maior fiscalização para impedir queimadas e limpezas de terras, e uma moratória florestal, agora permanente, sobre o desmatamento para plantações e extração de óleo de palma.
No ano passado, o país asiático teve nova queda na perda florestal, de 5%, e com isso, registra os níveis mais baixos desde o começo do século.
No caso da Colômbia, acredita-se que o empenho governamental também tenha tido bons resultados, acarretando no declínio do desmatamento. O presidente Iván Duque Márquez anunciou planos para conter a destruição da Floresta Amazônica e parques nacionais, com auxílio de forças militares e policiais, e fazer o replantio de áreas desmatadas.
Todavia, com a recessão causada pela pandemia do novo coronavírus, surge um desafio ainda maior para evitar o desmatamento.
“Em vez de sacrificar as florestas em busca de recuperação econômica, o que só acarretará complicações futuras para a saúde e os meios de subsistência de milhões de pessoas no mundo todo, os governos podem fazer melhor. Investir na restauração e na boa administração das florestas criará empregos, contribuirá para economias mais sustentáveis e protegerá os ecossistemas florestais de que o mundo precisa”, afirmam Mikaela Weisse e Liz Goldman, autoras do relatório.
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Foto: reprodução Facebook Global Forest Watch
Suzana Camargo
Jornalista, já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e 2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras, entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas, energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em Londres, vive agora em Washington D.C.
18 de fevereiro é o Dia Mundial do Pangolim (World Pangolin Day). Na verdade, a data é comemorada no terceiro sábado de fevereiro e foi criada pela ONG Annamiticus com o objetivo de destacar os esforços para a conservação
de todas as espécies de pangolins encontradas no planeta (quatro na
África e quatro na Ásia). Mas você já ouviu falar do pangolim? Por que
ele é um animal tão importante?
O pangolim é um animal coberto de escamas que parece uma mistura de tamanduá com tatu.
Possui garras grandes e afiadas que usa para destruir ninhos de
formigas e cupins. Os insetos são coletados por uma grande língua,
envolta por uma saliva pegajosa. Quando se sente ameaçado, se enrola e
se transforma em uma bola blindada contra predadores, incluindo leões.
Quando se sente ameaçado o pangolim esconde a cabeça e a barriga e fica protegido pelas escamas.
Nem os leões conseguem penetrar a armadura.
Porém, o fato mais importante sobre os pangolins é que eles são os mamíferos que mais sofrem com o tráfico de animais silvestres
no mundo. Acredita-se que mais de um milhão de pangolins foram
capturados ilegalmente na natureza ao longo da última década. Estima-se
que mais de 100 mil são enviados à China e ao Vietnã a cada ano. A
procura na Ásia é tão grande que não existem mais pangolins suficientes
para atender à demanda e os traficantes começaram a caçar as espécies
africanas.
Infelizmente, as escamas dos pangolins, compostas de queratina
(mesma substância encontrada nos chifres dos rinocerontes e também em
nossas unhas e pelos), são utilizadas na medicina asiática tradicional
há mais de dois mil anos para o tratamento de inúmeras doenças (de
câncer à acne). No entanto, não existe nenhum estudo científico que
comprove as propriedades medicinais da estrutura. Outro problema é que a
carne do animal é considerada afrodisíaca e é possível encontrar pratos
feitos com carne ou feto de pangolim em alguns restaurantes asiáticos.
O pangolim carrega o filhote na cauda ou nas costas
Segundo a IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês), todas as oito espécies de pangolins estão ameaçadas de extinção. Então, nada mais justo do que um dia para lembrar da importância desses animais para o planeta.
A página do Dia Mundial do Pangolimcita 12 coisas que você pode fazer para ajudar a preservá-lo:
Nas redes sociais, use a hashtag #WorldPangolinDay (#DiaMundialDoPangolim)
Curta a página do Pangolin (acima), o mamífero mais traficado no mundo
Faça um post sobre os pangolins no Dia Mundial do Pangolim
Compartilhe informações sobre os pangolins em suas redes sociais
Faça pinturas, desenhos esculturas ou tatuagens de pangolins
Faça uma apresentação sobre pangolins na sua escola
Apoie organizações que trabalham com projetos de conservação de pangolins
Faça uma festa ou um evento para celebrar o Dia Mundial do Pangolim (poste as fotos na página do Dia Mundial do Pangolim)
Faça biscoitos ou bolos em forma de pangolim e poste as fotos na página do Dia Mundial do Pangolim
Solicite a aplicação das leis e penalidades para o contrabando de pangolins (e outros animais selvagens)
Informe as pessoas que prescrevem escamas de pangolins estão
estimulando uma atividade ilegal. As escamas são feitas de queratina
(mesma substância encontradas em nossas unhas, cabelos e nos chifres de
rinoceronte) e não há nenhum estudo científico que comprove a
propriedade medicinal da substância.
Notifique as autoridades se você encontrar pangolins para venda em
mercados ou em cardápios de restaurante e denuncie os traficantes de
animais silvestres.
Apaixonado
por animais desde criança, logo decidiu estudar Biologia, formando-se
pela USP em 2005. É técnico em turismo e trabalhou como guia a partir de
2008, tendo conduzido, por três anos, passeios de ecoturismo no
Pantanal e na Amazônia. De 2011 até 2016, foi repórter e editor do site
da revista National Geographic Brasil, onde nasceu o blog Curiosidade
Animal (desde dezembro de 2016, aqui, no Conexão Planeta).
Todos os anos, milhares de plantas, insetos, aves, mamíferos, répteis e anfíbios morrem. Simplesmente deixam de existir. De acordo com historiadores, a Terra já passou por cinco grandes períodos de extinção. No último deles, o choque de um meteoro gigante teria provocado a morte dos dinossauros.
Cientistas já consideram o que está acontecendo nos dias de hoje como uma nova onda de extinção em massa. E um novo estudo divulgado por pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, afirma que essa extinção está em um ritmo mais acelerado do que se pensava anteriormente.
Em 2015, o biólogo Paul Ehrlich foi um dos co-autores de um artigo que apontava a ocorrência da nova era de extinção de espécies no planeta. Agora, cinco anos mais tarde, o pesquisador, em parceria com colegas de outros países, revela que mais de 500 espécies de animais terrestres podem deixar de existir nas próximas duas décadas, praticamente a mesma quantidade perdida durante o último século inteiro.
Através de dados como abundância e distribuição dos animais, o levantamento indicou que há 515 espécies de vertebrados terrestres que possuem uma população com menos de 1 mil indivíduos. Desses pouco mais de 500, 50% deles estão em risco ainda maior: existem menos de 250 indivíduos restantes.
A maioria dessas espécies ameaçadas vive em regiões tropicais e subtropicais. É o caso da rã-arlequim (Atelopus varius), da Costa Rica e do Panamá, que foi praticamente dizimada por um fungo invasor vindo da Ásia.
Outro exemplo é o rinoceronte de Sumatra(Dicerorhinus sumatrensis), que parece na imagem que abre este post. Caçado por causa de seu chifre, atualmente estima-se que sejam aproximadamente apenas 80 na vida selvagem.
A rã-arlequim
Com populações menores, essas espécies são incapazes de desempenhar suas funções em um ecossistema e pode provocar um efeito dominó em outras espécies.
“Quando a humanidade extermina populações e espécies de outras criaturas, está cortando o membro em que está sentada, destruindo partes do nosso próprio sistema de suporte à vida”, alerta Ehrlich. “A conservação de espécies ameaçadas de extinção deve ser elevada a uma emergência nacional e global para governos e instituições, igual à perturbação climática à qual está ligada”.
O cientista e seus colegas ressaltam que as principais causas dessa extinção sem precedentes, em termos de rapidez, são a expansão de áreas urbanas, a destruição de habitats, o tráfico de animais silvestres, a poluição e as mudanças climáticas.
“O que fazemos para lidar com a atual crise de extinção definirá o destino de milhões de espécies”, afirma Gerardo Ceballos, pesquisador sênior do Instituto de Ecologia da Universidade Nacional Autônoma do México. “Temos uma última oportunidade de garantir que os muitos serviços que a natureza nos fornece não sejam sabotados irremediavelmente”.
Os autores do estudo pedem que todas as espécies com populações com menos de 5 mil indivíduos sejam consideradas como ‘criticamente ameaçadas’ pela Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), que avalia as condições de sobrevivência de milhares de espécies de animais e plantas no planeta.
Novas ameaças à saúde humana
Os cientistas envolvidos na pesquisa também fazem outro apelo: um basta urgente ao tráfico de animais silvestres.
A proposta é de um acordo global para proibir o comércio de espécies selvagens. “A captura ou a caça ilegal de animais selvagens para alimentação, animais de estimação e medicamentos é uma ameaça contínua fundamental, não apenas para as espécies à beira da extinção, mas também para a saúde humana, como aconteceu com a COVID-19”, destacam os pesquisadores.
Futuras gerações podem não ter a chance de conhecer animais como gorilas, orangotangos, macacos e lemurs. Trezentas espécies de mamíferos já desapareceram do planeta. É o que se considera a sexta grande extinção em massa
da vida na Terra. E mesmo que fosse dado um basta ao desmatamento em
áreas selvagens, à caça e às mudanças climáticas nos próximos 50 anos, a
natureza ainda precisaria de 5 a 7 milhões de anos para se recuperar.
Mas parece que números chocantes não bastam para fazer com que
governos e tomadores de decisão tomem alguma atitude urgente. Por isso,
um grupo de cientistas dinamarqueses da Universidade de Aarhus, em
parceria com colegas suecos da Universidade de Gothenburg, decidiu
estudar como a extinção de milhares de animais e plantas está destruindo
também a história da evolução dessas espécies, inclusive, a do próprio homem. É como se estivéssemos colocando fogo em nossa árvore genealógica.
Em artigo científico publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences, os
pesquisadores afirmam que a extinção das 300 espécies de mamíferos
corresponde à perda de 2,5 bilhões de história da evolução.
“Estamos fazendo algo que deixará um rastro por milhões de anos após
nossa partida. Isso revela a gravidade do que acontece agora. Estamos
entrando em uma era de extinção que pode ser comparada àquela que matou
os dinossauros”, alertou Matt Davis, principal autor do estudo. “É muito
preocupante. Estamos cortando a árvore da vida, incluindo o ramo que é a
nossa base. Ecossistemas ao redor do mundo já foram afetados pelo
extermínio de grandes animais, como os mamutes”, diz.
A diferença entre a extinção em massa ocorrida na época dos
dinossauros e a atual é que a primeira foi provocada por causas naturais
e esta última pelas atividades humanas, ou seja, a maneira como o homem
decidiu viver no planeta.
À medida que o Homo sapiens tomou o controle da vida na Terra e
começou a ditar suas regras, demais espécies começaram a perecer. E com
elas, toda sua linhagem distinta de biodiversidade, como também, suas
funções vitais no meio ambiente.
“Grandes vegetações ou animais, como por exemplo, as preguiças
gigantes e o tigre-de-dente-de-sabre, que tornaram-se extintos há
aproximadamente 10 mil anos, eram muito diferentes do ponto de vista
evolutivo. Entretanto, como tinham poucos “parentes”, suas extinções
significaram como se um tronco inteiro da evolução da Terra fosse
decepado”, explica Davis. “Há muitas espécies de ratos, então se algumas
desaparecerem, não haverá problemas. Mas só havia quatro espécies de
tigre-de-dente-de-sabre e todas elas não existem mais”.
O estudo internacional é um grito por socorro. É mais um alerta
mundial sobre nosso impacto na Terra. Esforços de conservação precisam
ser intensificados e leis mais rígidas colocadas em vigor para proteger a
vida do planeta.
Jornalista,
já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo
da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e
2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras,
entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta
Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas,
energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em
Londres, vive agora em Washington D.C.
Muito tem se falado nos últimos anos sobre o impacto das alterações no clima do planeta sobre a sobrevivência – e o desaparecimento – de milhares de espécies de plantas e animais na Terra. Todavia, um novo estudo divulgado por pesquisadores da Universidade de Gothenburg, na Suécia, sugere que o ser humano é o principal responsável por 96% das extinções dos mamíferos nos últimos milhares de anos.
“Não encontramos nenhuma evidência de extinções causadas pelo clima durante os últimos 126 mil anos. Em vez disso, descobrimos que o impacto humano explica 96% de todas as extinções de mamíferos durante esse tempo”, afirma Daniele Silvestro, um dos pesquisadores e autores do artigo científico publicado na revista Science Advances sobre o assunto.
Para chegar a tal conclusão, foram analisados dados de fósseis de 351 espécies de mamíferos que deixaram de existir desde o final da Era do Pleistoceno, quando o Homo Sapiens surgiu, evoluiu e começou a se espalhar pela Terra.
De acordo com os cientistas suecos, nossos ancestrais pré-históricos já tinham um impacto destrutivo sobre a biodiversidade do planeta. Maior do que aquele provocado pelas mudanças climáticas e até, da chamada Era do Gelo.
“Essas extinções não aconteceram continuamente e em um ritmo constante. Em vez disso, explosões de extinções são detectadas em diferentes continentes nos momentos em que os humanos os alcançaram. Mais recentemente, a magnitude das extinções causadas pelo homem acelerou novamente, desta vez em um escala global”, explica Tobias Andermann, outro especialista envolvido no estudo.
Para os pesquisadores, os mamíferos pré-históricos eram mais resilientes às modificações no clima, todavia, eles alertam que o mesmo não acontece nos dias atuais. Eles ressaltam que nosso ritmo de extinções só foi visto antes no fim da era dos dinossauros.
“A crise climática de hoje, juntamente com habitats fragmentados, caça furtiva e outras ameaças relacionadas com o homem, representam um grande risco para muitas espécies ”, acredita Silvestro.
Entretanto, ainda há chance de revertermos esse cenário, defendem os cientistas.
“Apesar das projeções sombrias, a tendência ainda pode ser mudada. Podemos salvar centenas, senão milhares de espécies da extinção com estratégias de conservação mais direcionadas e eficientes. Mas, para conseguir isso, precisamos aumentar nossa consciência coletiva sobre a escalada iminente da crise da biodiversidade e tomar medidas para combater esta emergência global. A hora é agora. Com cada espécie perdida, perdemos irreversivelmente uma parte única da história natural da Terra “, conclui Tobias Andermann.