quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Alívio: nenhuma usina a carvão é contratada


Alívio: nenhuma usina a carvão é contratada
por Marcelo Laterman

 31 de agosto de 2018 | 

Funeral do carvão realizado por ativistas do Greenpeace em frente à termelétrica de Candiota
Eólicas destronam fontes fósseis em leilão de energia e reafirmam o potencial avassalador das renováveis no Brasil

Eólicas já são mais competitivas que fontes fósseis e abrem caminho para um futuro brilhante das energias renováveis © Bernd Lauter / Greenpeace


O resultado do leilão de energia A-6, realizado nesta última sexta-feira (31) mostrou que o preço por potência instalada de eólica segue imbatível e a confiança na fonte só aumenta. Foram contratados mais de 1.250 MW em empreendimentos eólicos contra apenas 363,2 MW de energias fósseis – que se refere a apenas uma termelétrica a gás. Vale lembrar que térmicas a gás lideravam a oferta de energia cadastrada no leilão. Outra vitória a ser celebrada foi a derrubada da maior ameaça deste leilão: nenhuma das duas usinas a carvão inscritas no certame foi contratada.


Geração de energia eólica na Alemanha.“Que isso sirva para o governo reavaliar sua visão sobre a fonte de energia elétrica mais poluente que existe, ineficiente e, como vimos hoje, inviável economicamente”, afirma Marcelo Laterman, especialista em Energia do Greenpeace Brasil.

O sucesso das eólicas mostra a maturidade da fonte, que teve a forma de contratação alterada e, por causa da nova regra, teve uma alta no preço em relação a leilões anteriores – foi de R$ 67,60 para R$ 90,45/MWh. Ela passou a ter sua energia contratada por quantidade e não por disponibilidade como anteriormente, o que aumenta os riscos ao empreendedor. Ou seja, mesmo o governo impondo regras mais duras para a fonte, ela ainda demonstra vantagens significativas em relação às fósseis – contratadas por disponibilidade.

Mesmo com a mudança de regra para as eólicas, a predominância na oferta de térmicas a gás e o absurdo da inclusão de térmicas a carvão, esses resultados confirmam, a cada dia, que fontes fósseis não têm mais espaço na nossa matriz. É importante comemorar que o resultado deste leilão não confirmou seu potencial catastrófico. Na última quarta-feira, dois dias antes do leilão, nossos ativistas realizaram um protesto-funeral do carvão em frente a uma grande termelétrica, no sul do país.  

“Mas não podemos relaxar. Há questões ainda em aberto: até quando o governo vai permitir que o carvão ameace nossa matriz energética? Por que não incentivar a geração de energia solar fotovoltaica e incluí-la no leilão?” aponta Laterman. Nós, do Greenpeace, continuaremos pressionando por essas respostas.

Ativistas pedem que o governo brasileiro se comprometa com o fim do carvão, em frente à termelétrica de Candiota (RS) © Marlon Marinho / Greenpeace

A campanha “Una-se pelo Clima” levou milhares de pessoas às ruas em todo o mundo para exigir o fim do uso de combustíveis fósseis




por Thiago Gabriel

 13 de setembro de 2018 |  0 Comments


A campanha “Una-se pelo Clima” levou milhares de pessoas às ruas em todo o mundo para exigir o fim do uso de combustíveis fósseis



O último sábado (8) foi um dia histórico para a construção de um futuro mais verde. Milhares de pessoas em mais de 90 países se uniram pelo clima para dizer “Chega!” à emissão desenfreada de gases poluentes na atmosfera e adeus à era dos combustíveis fósseis. Convocadas pela organização 350.org junto a centenas de coletivos parceiros e grupos de atuação local, as marchas levantaram o grito da campanha “Una-se pelo Clima” em mais de 900 ações espalhadas por todos os continentes.

Manifestante na cidade de Iquitos, no Peru, pede por 100% das energias renováveis. © Luis Chumbe / Survival Media Agency

A exigência das milhares de pessoas que saíram às ruas é por uma transição justa e imediata dos combustíveis fósseis para100% das energias geradas por fontes limpas e renováveis.
A consciência global que mobilizou as manifestações é de que só assim será possível garantir um futuro para as novas gerações e evitar o aquecimento do planeta. Já são cada vez mais frequentes os desastres climáticos decorrentes da poluição atmosférica e as populações vulneráveis são sempre as mais atingidas.

Desde a construção de barragens que podem alagar comunidades inteiras e afetar os meios de subsistência locais até a proteção de defensores ambientais ameaçados em áreas rurais, as pautas foram variadas em cada região e deram visibilidade para as demandas locais. Na Colômbia, a polícia tentou impedir a manifestação contra a construção de uma hidrelétrica na região de Ituango.

A marcha em Ituango, na Colômbia, protestou contra a construção de uma hidrelétrica na região. © Mauricio Mejia / Survival Media Agency








Vista aérea da manifestação em São Francisco, EUA. © Anesti Vega



A data escolhida para as marchas também envia um recado direto aos governantes que devem agir pelo planeta. Neste dia 12 de setembro, tem início a Cúpula Global de Ação Climática que reúne políticos, empresários e lideranças globais na cidade de São Francisco, nos Estados Unidos. Na cidade-sede do encontro, uma enorme manifestação tomou conta das ruas e exigiu compromissos reais dos governantes pelo fim do uso de combustíveis fósseis.
No Brasil, as ações aconteceram em Florianópolis, Rio de Janeiro e em cidades do interior de São Paulo. Muitos atos contaram com atividades de conscientização sobre as mudanças climáticas e envolveram trabalhos artísticos que atentaram para a situação do planeta, como no caso do artista paulistano Mundano.

Ação de conscientização em Belém, Pará. Manifestações aconteceram em diversas regiões do Brasil.




A diretora-executiva do Greenpeace, Bunny McDiarmid, escreveu um artigo (em inglês) na véspera das manifestações “Una-se pelo Clima”. No texto, ela cita tragédias recentes decorrentes das mudanças climáticas e aponta para a necessidade de não silenciar frente ao aquecimento global: “Comunidades ao redor do mundo estão exigindo mudanças. Elas estão dizendo ‘Não!’ ao sofrimento, às condições climáticas extremas, à poluição dos combustíveis fósseis e a piora na qualidade do ar. Elas pedem que os líderes políticos ajam, enquanto também buscam a responsabilização e justiça climática.”

Ela também fala sobre a necessidade de pressionar os governantes reunidos para a adoção de medidas concretas e imediatas em direção ao uso de fontes renováveis. “Nos últimos 30 anos, os políticos debateram e discordaram sobre a mudança climática enquanto a indústria de combustíveis fósseis enriquecia e a realidade do aquecimento global se aproximava inexoravelmente. Não estamos mais no limite da mudança climática, estamos vivendo nela. Esta é a hora da verdade.”, escreveu Bunny.

Milhares de pessoas ocupam as ruas de Paris. © Manon Godefroi



Nossa comida coloca o planeta sob pressão


Nossa comida coloca o planeta sob pressão
por Greenpeace Brasil

 1 de agosto de 2018 |  0 Comments


Chega de veneno em nossa comida


Trator em plantação de soja no Brasil

A população mundial usa mais recursos naturais do que o planeta consegue regenerar. A cada ano, entramos no “cheque especial” da Terra mais cedo. E a forma como produzimos nossos alimentos contribui enormemente para esse déficit ambiental


O modelo agrícola dominante no Brasil causa impactos negativos à saúde e ao meio ambiente. © Daniel Beltrá/ Greenpeace

Este ano, o dia 1º de agosto ficou marcado como o “Dia da Sobrecarga da Terra”, data em que o volume de recursos naturais usados pela humanidade excede a capacidade de renovação dos ecossistemas da Terra, no período de um ano. Ou seja, em apenas 212 dias a população mundial consumiu alimentos, água, madeira e outros recursos calculados para 365 dias.

A data, que tem ocorrido mais cedo a cada ano, é indicada pela organização Global Footprint Network por meio de um cálculo sobre a capacidade anual de regeneração dos recursos naturais em relação ao que é consumido mundialmente. Leia mais sobre o Dia da Sobrecarga da Terra e como esse cálculo é feito aqui.

Globalmente, a produção de comida corresponde a 26% do esgotamento de recursos deste ano, o que reforça a necessidade de adotarmos urgentemente formas mais sustentáveis de produção e consumo de alimentos. No Brasil, temos um modelo agrícola dominante que tem fechado completamente os olhos para esta realidade e negado a necessidade de formas mais saudáveis de produzir.

Pior e mais agressivo que o próprio modelo de produção agrícola são seus ferrenhos defensores e verdadeiros negacionistas desse processo de sobrecarga: a bancada ruralista. Esses parlamentares, que representam maioria hoje no Congresso, têm feito esforços gigantescos para garantir as leis que os beneficiam direta e imediatamente.

A discussão do Pacote do Veneno foi emblemática. Mesmo com o posicionamento da comunidade científica e da sociedade, contrárias ao projeto, os ruralistas rasgaram, sem qualquer constrangimento, a integridade do meio ambiente, a saúde da população e sua segurança alimentar, em favor de um texto que quer facilitar ainda mais a entrada de veneno no nosso país. A negação de um novo modelo e a insistência em utilizar mais e mais agrotóxicos dá tração cada vez maior para este modelo injusto, tóxico e insustentável. E, dessa forma, o modelo convencional segue “tratorando” a terra e seus recursos, esgotando-os e destruindo nossa capacidade futura de produção.

Alarmismo? Catástrofe? Não, apenas a realidade que está diante de nossos olhos. Parlamentares ruralistas reafirmam diariamente que não há espaç