De Óscar Castilla C. e Leslie Moreno Custodio, para o OJO Publico –
A megaoperação da alfândega peruana
interveio contra o envio de remessas de barbatanas de tubarão de origem
suspeita que seriam enviadas para a Ásia. Até o momento, foi estimado em
mais de 25 mil animais mortos nos mares da fronteira com o Equador,
vários deles na lista de espécies ameaçadas da União Internacional para a
Conservação da Natureza (IUCN).
Uma das maiores remessas de
barbatana de tubarão suposta origem ilegal no Peru -25 toneladas no
valor de US $ 630.000 e teve a China como destino foi apreendida pela
Aduana da Superintendência Nacional de Administração Tributária (SUNAT)
em Callao durante uma megaoperação para combater supostas organizações
dedicadas à extração e ao tráfico de espécies aquáticas em perigo de
extinção.
A operação – realizada na semana passada pela Brigada de Operações
Especiais (BOE) da Alfândega – descobriu vários contêineres com entre
100 e 150 sacas que continham milhares de barbatanas dorsais de espécies
que foram preliminarmente identificadas como pertencentes ao tubarão
azul ( prionace glauca ) e ao tubarão raposa ( Alopius pelagicus ), entre outros, incluídos na lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza ( IUCN ).
O número de espécimes abatidos pode crescer nas próximas horas quando
for concluída com a revisão total de 25 toneladas de material
encontrado em armazéns do porto Callao. “O preço desta exportação de
barbatanas parece pouco (US $ 630.000) em comparação com o valor do
ouro, madeira e outras matérias-primas enviados ao exterior, mas o dano
final à natureza e ao ecossistema marinho é inestimável”, disse um dos
responsáveis pelas investigações.
A investigação estabeleceu que as empresas Angaff SAC, Huiman SAC e
Lamarqocha Inversiones SAC com sede em Lima; Inversiones Peru Flippers
de Callao EIRL; e Tide Blue EIRL de Tumbes são os donos das cargas. De
acordo com informações financeiras, essas empresas foram criadas nos
últimos cinco anos e fazem importações do Equador e exportações para a
China continental e Hong Kong, mercados que vendem barbatanas de tubarão
em restaurantes ou industrializar por suas propriedades afrodisíacas
alegados.
“Estima-se que mais de 25 mil
espécimes de tubarão foram abatidos,
de acordo com o número de barbatanas
interceptadas pela alfândega”
Atualmente, o Peru é o terceiro exportador mundial de barbatanas de
tubarão e o maior fornecedor latino-americano desse produto para a
China, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e
Alimentação (FAO). O Equador está proibido de exportar as barbatanas de tubarão .
INTERVENÇÃO A
Brigada de Operações Especiais (BOE) da Alfândega descobriu vários contêineres com sacos de polietileno que tinham a China como destino. Foto: Ojo-Publico.comOlho – Público . com
Empresas sob investigação
As autoridades aduaneiras estabeleceram que uma das maiores empresas
Lamarqocha Inversiones SAC é constituída com Amadeo Saenz 2016 Astuñaupa
como gerente geral, e Xiaoou Zheng chinês de origem e Lucila Sáenz
Astuñaupa como fundadores. O exportador enviou remessas para a China por
mais de US $ 7 milhões entre julho de 2016 e setembro de 2018.
Outras empresas intervencionadas pela Alfândega
foram: Angaff Peru, criada em 2013 em Lima e cujo gerente é Jorge
Castillo Martínez, que também é o fundador da empresa com Brian Júnior
Pinto Panduro, 24 anos, que fez carregamentos para China por US $ 300
mil em 2018.
Huiman também SAC, fundada em 2016 em Lima e cujos gestores Clotilde
Huiman Cordova, advogado para o exportador, e seu marido Jorge Castillo
Silva, fez importações do Equador por US $ 350 bilhões e as exportações
para a China por US $ 880.000.
VULNERÁVEL. A
raposa tubarão nesta foto é caracterizada por sua cauda longa e se
tornou uma espécie cobiçada por pescadores de todo o mundo. Foto:
Nicolas Voisin / Oceana.
A alfândega também interveio na empresa chalaca Inversiones Peru
Flippers, criada em 2015 e cujo gerente e proprietário é Juan Quispe
Huamaní. Essa empresa fez exportações para Hong Kong por mais de US $
421 mil a partir de novembro de 2016. Enquanto isso, a Marea Blue,
criada em 2017 e administrada por Miguel Ángel Vera Chevez, fez
exportações para Hong Kong por US $ 57 mil. que vai de 2018.
Fontes do setor que combate o tráfico de barbatanas de tubarões
revelaram a inação do Estado na luta contra as organizações dedicadas à
extração e contrabando de espécies aquáticas em risco de extinção. As
entidades encarregadas de articular essas ações são a Polícia Nacional, o
Ministério Público Especializado em Assuntos Ambientais e a Agência
Nacional de Saúde Pesqueira ( Sanipes ) do Ministério da Produção .
INVESTIGAÇÃO Cada
um dos contêineres interpostos carregava entre 100 e 150 sacas com
milhares de barbatanas de tubarão.
Foto: Ojo-Publico.com.Olho – Público . com .
Olho – Público . com soube
que a Alfândega está em processo de investigação para estabelecer a
origem real da carga, que poderia permanecer imobilizada por até 30 dias
úteis, se disponível. Esta é a maior apreensão de barbatana de tubarão
nos últimos anos. Desde 2015, as autoridades peruanas apreenderam mais
de 27 toneladas de barbatanas desta espécie em diferentes operações
realizadas nas localidades de Tumbes, Ancash e Lima.
O Ministério Público também pode levar o caso ao Judiciário pelo
crime de extração ilegal de espécies aquáticas. Questionado sobre as
ações habituais nestes processos, o promotor público do Ministério do
Meio Ambiente Julio Guzmán disse que se o caso veio à judicializarse e
acabou em uma frase (a infracção é punível com até cinco anos de prisão)
a carga pode chegar a incinerado por não tem uso gastronômico ou
industrial no Peru.
Fornecedores e outros suspeitos
A última operação contra essas organizações ocorreu em março passado,
quando o Sunat apreendeu quase duas toneladas de barbatanas de tubarão
em Chimbote (Ancash) . Então, a carga – fornecida pela Tumbes e contida
em 51 malas avaliadas em US $ 31 mil – não possuía a documentação que
comprova sua origem. O caso contra o acusado Poly Dicks Pinto Gonzales,
pai de Brian Pinto Panduro, um dos proprietários da Angaff Peru; e os
irmãos Jorge Roldán e María Amelia Ángulo Sánchez; Já está no
Judiciário.
Alfândega do Sunat também identificou a empresa Genesis Naomi de
Tumbes como um dos fornecedores de barbatanas de tubarão, como parte de
suas investigações. A empresa, criada em 2014 e de propriedade e
gerenciada por Mario Lucio Maceda Vidal ,
fez importações do Equador para mais de US $ 1,2 milhão entre 2015 e
2016. Este personagem foi mandado para a prisão depois de ser acusado
como membro da organização ” Os Piratas de Puerto Pizarro “que opera na
zona norte do Peru.
“O tubarão-azul e o tubarão estão
em risco de extinção, segundo
O tráfego dessas espécies – cuja origem real é “lavada” na exportação
– segue globalmente, apesar do fato de que sua captura tem restrições
em certos países e que poderia levá-los à extinção se o seu comércio não
fosse controlado, de acordo com a Convenção sobre o Comércio
Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de
Extinção ( CITES ). Na
Conferência das Partes, a ser realizada no Sri Lanka em 2019, a
proposta do Peru de realizar um inventário das barbatanas dessas
espécies com o objetivo de limitar as licenças para seu comércio poderia
ser aprovada.
O Peru tornou-se a rota de saída para países com proibições como o
Equador, devido à alta demanda do mercado asiático. De acordo com o
Departamento de produtos da pesca PromPerú, o país exportou mais de 360
toneladas de barbatanas de tubarão nos últimos dois anos, que estavam
cotadas a US $ 10 milhões em FOB (valor utilizado para calcular os
montantes das exportações) valor.
OJO Publico – É
uma mídia digital produzida no Peru de jornalismo investigativo e
novas narrativas que visa oferecer um coquetel cada vez mais raro:
histórias relevantes, notícias reais, textos bem escritos e ferramentas
de informação inovadoras sobre temas urgentes da agenda pública
nacional. É uma equipe de repórteres experientes que aceitam o desafio
dos leitores: desconfortáveis com o poder, vigilantes da democracia,
põem nossos olhos no serviço do interesse do cidadão em vez de promover
os interesses dos outros.
Neste lugar, o absurdo disfarçado de jornalismo, as fofocas
infundadas e as cortinas de fumaça são proibidas. Tudo o que já resta no
quiosque da esquina. Aqui praticamos a máxima que orienta os grandes
empreendimentos da imprensa livre: publicamos as histórias que
gostaríamos de ver e ler para sermos verdadeiramente informados. Estamos
comprometidos com a vigilância e o controle do poder estatal e
corporativo, do crime organizado transnacional, da corrupção em todas as
suas formas e de outras ameaças contra o interesse público, o meio
ambiente e os direitos humanos.
Por Estêvão Bertoni, Nexo Jornal –
Dissertação de mestrado defendida em 2010 por funcionário da
mineradora diz que barragem que se rompeu tinha nove camadas suscetíveis
à liquefação, processo que podia levar estrutura a ruir
A barragem 1 da Mina Córrego do Feijão, da Vale, que se rompeu em 25
de janeiro de 2019 em Brumadinho (MG), possuía nove camadas com
potencial de liquefação, processo no qual o material sólido do
reservatório passa a se comportar como fluido, o que pode levar a
estrutura a se romper.
O dado foi observado pelo engenheiro geotécnico
Washington Pirete da Silva, que trabalha na mineradora há mais de 22
anos, e consta de sua dissertação de mestrado de 2010.
O risco de
liquefação também havia sido registrado por engenheiros que vistoriaram a
barragem de Fundão, da Samarco, em Mariana, antes da tragédia que matou
19 pessoas e deixou um rastro de destruição até o litoral do Espírito
Santo, em 5 de novembro de 2015.
presso
O histórico da barragem da Vale. E o risco de liquefação
Estêvão Bertoni
05 Fev 2019 (atualizado 06/Fev 16h05)
Dissertação de mestrado defendida em 2010 por funcionário da mineradora
diz que barragem que se rompeu tinha nove camadas suscetíveis à
liquefação, processo que podia levar estrutura a ruir
Foto: Adriano Machado/Reuters
Policial federal fotografa área da barragem 1, da Vale, em Brumadinho,
após estrutura ruir
A barragem 1 da Mina Córrego do Feijão, da Vale, que se rompeu em 25 de
janeiro de 2019 em Brumadinho (MG), possuía nove camadas com potencial
de liquefação, processo no qual o material sólido do reservatório passa a
se comportar como fluido, o que pode levar a estrutura a se romper. O
dado foi observado pelo engenheiro geotécnico Washington Pirete da
Silva, que trabalha na mineradora há mais de 22 anos, e consta de sua
dissertação de mestrado de 2010.
O risco de liquefação também havia sido registrado por engenheiros que
vistoriaram a barragem de Fundão, da Samarco, em Mariana, antes da
tragédia que matou 19 pessoas e deixou um rastro de destruição até o
litoral do Espírito Santo, em 5 de novembro de 2015.
“O principal mecanismo de ruptura em barragens de rejeitos alteadas para
montante [que crescem para dentro, como a barragem 1 e Fundão] ocorre
por processos de liquefação induzidos por carregamentos estáticos
[quando há uma carga que permanece estável ao longo do tempo] e
transientes e isto está diretamente relacionado às baixas densidades dos
rejeitos dispostos de forma hidráulica na barragem e à gestão
inadequada da operação nestas barragens”, escreve Silva.
Seu trabalho que analisa a barragem 1 é intitulado “Estudo do potencial
de liquefação estática de uma barragem de rejeito alteada para montante
aplicando a metodologia de Olson (2001)” e foi defendido na Escola de
Minas da Ufop (Universidade Federal de Ouro Preto). Na Vale, Silva é
responsável pela Gestão em Projetos Geotécnicos aplicados na Mineração e
Estudos de Alternativos de Disposição de Rejeitos.
A ruptura da barragem, que funcionava havia mais de 40 anos, deixou, até
esta terça-feira (5), 134 mortos e 199 desaparecidos.
O histórico da barragem 1
A estrutura que recebia rejeitos de minério de ferro em Brumadinho
começou a ser projetada em 1974 e foi finalizada em 1976, quando começou
a operar. Do início de seu funcionamento até 2007, ela cresceu 63
metros (uma média de dois metros por ano). Barragens de rejeitos estão
permanentemente em obras porque são feitas por camadas, num processo
chamado de alteamento (até 2007, nove alteamentos foram feitos). A 1
teve diversos projetistas e foi tocada por diferentes empreiteiras ao
longo dos anos.
A Vale só assumiu a direção da Mina Córrego do Feijão em 2003. As
atividades no local começaram em 1956, sob responsabilidade da Companhia
de Mineração Ferro e Carvão. Em 1973, três anos antes de a barragem
começar a operar, passou para o controle da Ferteco Mineração, até ser
transferida para a Vale, 30 anos depois. A mina empregava 613
funcionários diretos e 28 terceirizados até o final de 2018.
Em 2007, a parede frontal da barragem tinha 81 metros de altura (pouco
mais de duas vezes o tamanho do Cristo Redentor, no Rio). Diferentemente
do que se pensava, ela misturou dois tipos de alteamentos. Começou a
montante (quando os “degraus” crescem para dentro do reservatório) e, em
1984, cresceu pelo modelo de linha de centro (ou seja, a estrutura é
erguida para o alto, em linha reta). Em 1990, o método a montante foi
retomado.
Os problemas
Em seu trabalho, Silva chama a atenção para um detalhe ocorrido no
quarto alteamento, realizado em 1995: o eixo da parede frontal foi
deslocado 60 metros para o interior do reservatório. Isso significa que o
próximo degrau seria construído mais ao fundo, em cima do rejeito
anteriormente depositado, o que aproximava a parede de contenção da
barragem dos rejeitos com mais água (quanto mais distante a lama
permanecer da frente da barragem, menor o risco).
“Essa decisão foi tomada no sentido de se garantir uma maior condição de
segurança para a estrutura. Embora satisfatória do ponto de vista
geométrico por parte da projetista, o sistema de fluxo interno à
barragem não se mostrou adequado, induzindo o aparecimento de diversas
surgências ao longo do pé do dique do quarto alteamento e rápida
elevação das leituras piezométricas”, escreve o engenheiro.
As surgências a que Silva se refere são espécies de vazamentos ou
aparecimento de bicas d’água, que podem sinalizar que o material interno
está sendo carregado para fora, configurando um risco de ruptura. Os
piezômetros são aparelhos que medem o nível de água na estrutura e
precisam ser monitorados constantemente.
Uma investigação conduzida pela Samarco em 2016 mostrou que uma
alteração geométrica no eixo, com a criação de um recuo na forma de um
S, foi o que levou ao desastre com a barragem de Fundão, em Mariana. O
método de recuo do eixo não é recomendado por engenheiros, por ser uma
solução que apresenta riscos.
A falta de diretrizes
Silva diz em seu estudo que, de 1976 a 2005, ou seja, por quase 30 anos,
“a barragem era operada sem uma diretriz quanto à disposição dos
rejeitos”. “Esta operação ao longo dos alteamentos da primeira fase
resultou na formação de um depósito de rejeito não uniforme”, escreveu.
Nas barragens, os rejeitos arenosos, que ficam à frente, precisam ser
separados dos rejeitos finos (lama) jogados ao fundo. Manuais de
operação de barragens estipulam até uma distância mínima da “praia”
(formada pela areia) para manter a estrutura segura. No caso de Fundão, a
praia tinha que ter, no mínimo, 200 metros. Uma distância menor
significava risco, porque a lama (com água) estaria muito próxima da
parede de contenção.
Apenas em 2006, afirma o engenheiro, houve uma mudança no método de
disposição dos rejeitos na barragem 1 “e um entendimento melhor quanto à
importância desta operação”.
Silva ressalta, no estudo, que o “manejo da disposição dos rejeitos e o
controle do nível da água do reservatório constituem aspectos essenciais
para a garantia da segurança da estrutura”.
Os pontos suscetíveis
O engenheiro da Vale afirma que não havia uma “homogeneidade do sistema
de disposição de rejeitos”, por causa de “problemas da falta de um
controle efetivo quando da implantação da primeira fase do
empreendimento”. Sem separação efetiva entre lama e areia, havia áreas
críticas espalhadas pela estrutura.
Ele identifica “nove camadas com maior potencial ou susceptibilidade à
liquefação”, mas define como “pouco provável” um gatilho para
desencadear o processo. Esse gatilho pode ser uma perturbação, como uma
movimentação de terra, por exemplo.
Para ele, não haveria a necessidade de avaliar potenciais riscos de
ruptura por liquefação, pois “o potencial do gatilho é baixo em função
da gestão operacional da barragem 1”. Silva elogia a equipe responsável
pela manutenção do reservatório.
“Os procedimentos operacionais da barragem 1 da Mina do Córrego do
Feijão incluem o controle absoluto do nível de água do reservatório por
meio de um sistema extravasor dotado de stop logs [pequenas comportas], a
manutenção de uma praia de rejeitos com extensão mínima de 100 m e uma
gestão no manejo da disposição dos rejeitos feito por uma equipe técnica
bastante qualificada. Estes elementos, associados aos resultados
positivos das análises desenvolvidas nesta dissertação, garantem uma boa
segurança do empreendimento e seu baixo potencial a gatilhos de
liquefação estática”, escreve.
O Nexo ouviu o doutor em engenharia e professor José Marques Filho,
vice-presidente do Comitê Brasileiro de Barragens. Ele afirma que
controlar a água em barragens como a da Vale é essencial para manter sua
segurança e impedir que ocorra a liquefação.
Como ocorre o processo de liquefação?
JOSÉ MARQUES FILHO As partículas [do rejeito] são muito fininhas, muito
pequenas. Algumas são arenosas, outras são argilosas, e têm cargas
elétricas. Se você pegar uma massinha com pouca água, você consegue
moldar e fica durinha. Quanto mais seco estiver, mais duro vai ficar.
Por isso que você compacta. Quando vai tendo mais água e descargas
elétricas, esse material começa a ficar mais separado um do outro, em
suspensão, e fica muito deformável, porque aquele atrito de partícula
com partícula começa a diminuir, assim como a adesão entre elas. Então,
elas se separam. É como se houvesse uma suspensão, e o material se
movimenta, porque a água passou a ser predominante com relação à argila.
Conforme vai aumentando a quantidade de água, vai aumentando a solução
líquida.
Como ocorre numa barragem esse processo, que tem a parede frontal mais
seca e arenosa para barrar a água ao fundo?
JOSÉ MARQUES FILHO Se você tiver bastante água no meio daqueles poros,
qualquer mudança que você tenha, a força da água vence e passa a ser uma
solução. Pode não ser o material da frente que teve a liquefação, pode
ser o de trás, mas se ele se liquefazer, ele vai empurrar o da frente.
Uma coisa é o material sólido, você pode colocar um em cima do outro. Se
você colocar um material mais úmido ele escorre, porque ele faz uma
força lateral.
Então para manter em segurança é preciso tirar a água?
JOSÉ MARQUES FILHO Tem que tirar, drenar e não pode perturbar. Porque às
vezes ele está quieto, e se você perturba, ele se mexe e cai. Existem
várias maneiras. Pode ser uma liquefação estática e dinâmica. O material
está bem no limite de ficar fluido, aí você cutuca e ele escorre.
E essa perturbação pode ser o quê?
JOSÉ MARQUES FILHO Pode ser um sismo ou você pode estar escavando perto.
Pode ser um monte de coisa. Se mexeu o maciço ou se você fez furos
perto, pode gerar um problema. O ideal é estar com os drenos sempre
funcionando, controlando a barragem para que não tenha esse estado de
solução.
O sr. viu o vídeo da ruptura da barragem? Houve liquefação?
JOSÉ MARQUES FILHO Pode ter sido, sim. Pode ser também uma mistura de
fenômenos, porque tem uma parte arenosa, argilosa, mas há uma chance de
ter sido liquefação. Eu não posso falar com certeza.
ESTAVA ERRADO: A primeira versão deste texto nomeou de forma equivocada o
trabalho de mestrado de Washington Pirete da Silva. Na realidade, o
termo correto é dissertação, e não tese. O texto foi corrigido às 11h30
de 6 de fevereiro de 2019.
O aumento das temperaturas mudará a cor dos oceanos do mundo, tornando-os mais azuis nas próximas décadas, dizem cientistas.
Eles descobriram que o aquecimento global alterará a presença de
fitoplâncton, os minúsculos organismos marinhos que absorvem e refletem a
luz.
Os cientistas dizem que haverá menos deles nas águas nas próximas
décadas. Isso levará a uma mudança de cor em mais de 50% dos mares do
mundo até 2100.
O fitoplâncton desempenha um papel extremamente importante nos oceanos. Fitoplâncton, que absorvem e refletem a luz dos oceanos, visto por meio de um microscópio
Além de transformar a luz solar em energia química e consumir dióxido
de carbono, eles estão no primeiro degrau da cadeia alimentar marinha.
Eles também desempenham um papel importante na forma como vemos os oceanos com nossos olhos.
Quanto mais fitoplâncton houver na água, menos azul será o mar. O mais provável será uma cor esverdeada.
Pesquisas anteriores mostraram que, com o aquecimento, os oceanos terão uma redução no fitoplâncton em vários lugares.
Este novo estudo modela o provável impacto que essas mudanças terão
sobre a cor do oceano e do planeta à medida que o mundo se aquece.
“O que descobrimos é que a cor vai mudar. Provavelmente não tanto a
ponto de você enxergar a olho nu, mas certamente os sensores serão
capazes de perceber que há uma mudança”, disse a autora do estudo,
Stephanie Dutkiewicz, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT)
em Cambridge, nos Estados Unidos, em entrevista à BBC News.
“E provavelmente será um dos primeiros sinais de alerta de que mudamos a ecologia do oceano.” Além das mudanças no azul dos oceanos, também é provável que vejamos mudanças na área verde
Os pesquisadores apontam que as alterações são um impacto indireto da
mudança climática. Como o aquecimento está afetando a circulação dos
mares, isso está mudando a quantidade de alimentos disponíveis para o
fitoplâncton.
Outra diferença em relação a estudos anteriores é que, desta vez, os
pesquisadores estão olhando apenas para medições feitas por satélites da
luz refletida pelo fitoplâncton.
No passado, cientistas usavam medições de satélites da clorofila –
pigmento no fitoplâncton que absorve luz – para tentar entender o
impacto da mudança climática.
No entanto, eles tiveram problemas para estabelecer a diferença entre
a variação natural e o aquecimento induzido pelo homem sobre esse
pigmento verde. Eles acreditam que demorará de 30 a 40 anos até que eles
possam dizer com certeza que a mudança climática está causando um
impacto na clorofila.
“O que mostramos é que a cor na faixa verde/azul vai mostrar esse
sinal de mudança mais cedo. Em alguns lugares, talvez na próxima
década”, disse o Dr. Dutkiewicz.
“O oceano vai apresentar uma mudança de cor nas próximas décadas
maior do que veríamos na clorofila. A mudança de cor será mais um sinal
de alerta.” Padrões
naturais vistos no rio ucraniano Dnepr coberto por cianobactérias como
resultado da evolução do fitoplâncton em estações quentes
Os pesquisadores acreditam que o Atlântico Norte será um dos
primeiros lugares a refletir a mudança – seguido por regiões no Oceano
Antártico.
A equipe modelou o que aconteceria com os oceanos até o final deste
século se a temperatura média do mundo esquentasse em 3º C, o que é
próximo ao cenário previsto caso cada país siga as promessas que fizeram
no acordo climático de Paris.
“Haverá uma diferença notável na cor de 50% do oceano até o final do século 21”, disse o Dr. Dutkiewicz.
“Isso pode ser potencialmente muito grave. Diferentes tipos de
fitoplâncton absorvem a luz de maneira diferente, e, se a mudança
climática levar uma comunidade de fitoplâncton a invadir o espaço de
outra, isso também mudará os tipos de cadeias alimentares que eles podem
suportar.”
A equipe também acredita que o mundo verá mudanças em algumas das tonalidades verdes vistas também nos oceanos.
Isso acontecerá porque algumas espécies de fitoplâncton responderão
bem a um ambiente mais quente e criarão proliferações maiores e mais
diversas de organismos marinhos. É provável que isso apareça com mais
intensidade em regiões verdes perto do equador e dos polos, dizem os
pesquisadores.
O estudo foi publicado na revista Nature Communications. (#Envolverde)
Cercado por áreas degradadas, Córrego Caidor é responsável pelo abastecimento das regiões agrícolas do Estado
A chuva escassa e o clima quente são fatores que prejudicam o
fornecimento de água na região Centro-Oeste do Brasil. Em Goiás há um
agravante: a bacia hidrográfica do Córrego Caidor – responsável por
abastecer parte da área urbana e rural – está degradada e pode ser
perdida caso não haja um processo de restauração.
Para assegurar o fornecimento de água, pesquisadores do Laboratório
de Biogeografia da Conversação, da Universidade Federal de Goiás
(CB-Lab/UFG), iniciaram estudos na bacia e nos arredores para verificar o
nível de desgaste desses locais e propor medidas de recuperação. Há
cerca de um ano, a equipe vem trabalhando no diagnóstico ambiental e
tenta levantar recursos para dar início ao projeto.
A pesquisadora do laboratório Rafaela Aparecida da Silva saiu de Rio
Claro, em São Paulo, para participar dos estudos em Silvânia, no
interior de Goiás. Ela explica que o desgaste identificado na região é
consequência de anos de uso insustentável dos recursos naturais. “Nós
identificamos que a vegetação local está muito devastada e que há muita
erosão no solo.
A nossa principal preocupação é praticar ações para o
futuro, por mais que a falta de água já aconteça na região”, destaca. A
proposta para recuperar essas áreas envolve o plantio de sementes e
mudas, além da instalação de cercas para impedir a invasão do gado.
Outras medidas são a implantação de medidas de controle mecânico de
erosão, como curvas de nível nas propriedades rurais e o desenvolvimento
de ações educativas com os produtores locais para mudar a forma de
manejo da terra.
Dimensão financeira
Parte da estratégia para tirar o projeto do papel é desenvolver um
programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), que é um mecanismo
de incentivo econômico entregue aos institutos, empresas ou pessoas com
iniciativas que beneficiam o meio ambiente. Atualmente conhecida como
PSA de Silvânia, a proposta de recuperação da bacia hidrográfica do
Córrego Caidor participou do programa de aceleração Oásis, da Fundação
Grupo Boticário de Proteção à Natureza, que oferece suporte técnico no
desenvolvimento de iniciativas de PSA.
Rafaela explica que o apoio da Fundação foi fundamental para indicar
os caminhos e dar efetividade à proposta. “O projeto começou em dezembro
de 2017 e estava em uma fase muito inicial. A parceria com a Fundação
ajudou a desenvolver as metodologias e dar direcionamento aos caminhos
que o projeto teria que tomar. Conseguimos driblar alguns obstáculos no
desenho do projeto. Nós sabíamos o que precisava ser feito e a
aceleração nos explicou como fazer”, ressalta.
De acordo com o coordenador de Soluções Baseadas na Natureza da
Fundação Grupo Boticário, Renato Atanazio, a aceleração é aplicada em
algumas iniciativas participantes da Rede Oásis, que promove a
valorização de ambientes naturais por meio do PSA.
“A aceleração promove
a troca de experiências para capacitar projetos que enfrentam
dificuldades operacionais, que costumam estar relacionadas com a falta
de ferramentas de planejamento, bem como de recursos financeiros e
humanos.
Assim, o programa apoia na resolução de problemas que a equipe
do projeto enfrenta. Capacitamos um membro do grupo para que possa
transferir esse conhecimento adiante”, explica.
Em 2018, a Fundação Grupo Boticário envolveu cerca de 30 instituições
na Rede Oásis – nove delas participaram do programa de aceleração.
Durante quatro meses foi oferecida capacitação com elementos de gestão
de projetos e ótica voltada aos negócios. Para Atanazio, a colaboração
entre os pesquisadores é o mais importante. “Cada proposta tem uma
característica diferente e cada uma delas está em um grau de
implementação. Um projeto mais avançado consegue ajudar os mais
iniciantes.”
A primeira edição do programa de aceleração foi concluída
no final de novembro.
Após passar pelo processo de aceleração, o projeto PSA de Silvânia já
foi aprovado pela Câmara dos Vereadores da cidade e deve ser
implementado ao longo de 2019. Com a aprovação, esse e outros programas
de serviço ambiental devem receber orçamento da prefeitura para entrar
em ação. Além do auxílio municipal, o PSA de Silvânia busca parcerias
com instituições privadas para expandir a qualidade e impacto do
projeto.
Sobre a Fundação Grupo Boticário
A Fundação Grupo Boticário é fruto da inspiração de Miguel Krigsner,
fundador de O Boticário e atual presidente do Conselho de Administração
do Grupo Boticário. A instituição foi criada em 1990, dois anos antes da
Rio-92 ou Cúpula da Terra, evento que foi um marco para a conservação
ambiental mundial.
A Fundação Grupo Boticário apoia ações de conservação
da natureza em todo o Brasil, totalizando mais de 1.500 iniciativas
apoiadas financeiramente. Protege 11 mil hectares de Mata Atlântica e
Cerrado, por meio da criação e manutenção de duas reservas naturais.
Atua para que a conservação da biodiversidade seja priorizada nos
negócios e nas políticas públicas, além de contribuir para que a
natureza sirva de inspiração ou seja parte da solução para diversos
problemas da sociedade. Também promove ações de mobilização,
sensibilização e comunicação inovadoras, que aproximam a natureza do
cotidiano das pessoas.
Uma grande quantidade de peixes mortos apareceu na madrugada de hoje
(6) na Lagoa Rodrigo de Freitas, zona sul do Rio. Mais de sete toneladas
de peixes mortos foram retiradas do mar. De acordo com a Secretaria de
Conservação e Meio Ambiente do Rio, na última medição, feita às 7 h, a
sonda registrou valores de oxigenação inferiores a 0,12 mg/l [micrograma
por litro] na lagoa. Tal registro indica a instabilidade no ecossistema
da água, que está com bandeira vermelha.
Em nota, a Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) recolheu,
até as 15h de hoje, 7,4 toneladas de peixes mortos da Lagoa Rodrigo de
Freitas. A companhia mobilizou desde as primeiras horas do dia, 174
garis e 32 agentes de limpeza urbana, totalizando 206 profissionais na
ação.
O trabalho vem sendo feito com o apoio de três embarcações da própria
companhia de limpeza e uma contratada. A ação prossegue até que cesse a
mortandade de peixes e a limpeza das margens. A Secretaria de
Conservação e Meio Ambiente informou que todos os órgãos envolvidos na
Gestão Ambiental da Lagoa Rodrigo de Freitas permanecem em alerta.
Mortandade no final de 2018
Em dezembro do ano passado, a Comlurb recolheu 89,23 toneladas de
peixes da Lagoa Rodrigo de Freitas, principalmente savelhas. O trabalho
de limpeza durou quatro dias e
terminou no dia 23 de dezembro, às vésperas do Natal e contou com o uso
de quatro catamarãs para recolher os peixes mortos que boiavam no
espelho d´água.
(#Envolverde)
Temperatura média global ultrapassou 1ºC em relação à era
pré-industrial, de acordo com cinco bases de dados globais independentes
O ministro do Meio Ambiente do Brasil disse na segunda-feira que tem
coisas mais tangíveis com que se preocupar do que a mudança climática,
que segundo ele é uma discussão “acadêmica” sobre como estará a Terra
“daqui a 500 anos”. Dois dias depois, nesta quarta-feira (6), quatro
organizações independentes publicaram dados mostrando que o aquecimento
global já é bastante tangível: o ano de 2018 foi o quarto mais quente da
história desde o início das medições, em 1880.
Segundo a Nasa (Agência Espacial Americana), a Noaa (Agência Nacional de Oceano e Atmosfera dos EUA), o Met Office britânico e a OMM (Organização
Meteorológica Mundial), o ano passado perde apenas de 2016, 2015 e 2017
no ranking dos anos mais quentes. Os cinco recordes globais de calor
foram batidos todos nos últimos cinco anos. Recuando um pouco mais no
tempo, nove dos dez anos mais quentes aconteceram desde 2005.
“Nós não estamos mais falando de uma situação na qual o aquecimento
global é algo no futuro. Ele está aqui, agora”, disse à imprensa o
climatólogo neozelandês Gavin Schmidt, diretor do Instituto Goddard de
Estudos Espaciais, da Nasa, que analisa mês a mês as temperaturas da
superfície da terra e dos oceanos coletadas em 6.300 pontos ao redor do
mundo.
O calor excepcional de 2018 e a tendência de longo prazo de
aquecimento da Terra são confirmados por seis bases de dados distintas,
que usam metodologias diversas para produzir um compilado das médias
globais. A OMM, em sua análise, considera cinco delas. Todas mostram que
a temperatura global em 2018 ultrapassou 1oC em relação à
era pré-industrial. Em 2016, o ano mais quente da história, um El Niño
excepcionalmente forte fez com que a temperatura atingisse 1,2oC acima da era pré-industrial.
O Acordo de Paris, de 2015, estabeleceu como sua meta mais ambiciosa
que o mundo faria esforços para limitar o aquecimento global a 1,5oC.
Em outubro do ano passado, o IPCC, o painel de climatologistas das
Nações Unidas, publicou um relatório indicando que esse meio grau que
falta poderia ser atingido já em 2040. Para evitar que isso ocorra, será
preciso cortar 45% das emissões de gases de efeito estufa do mundo até
2030 – e a chance de que isso ocorra hoje é praticamente nula.
Animação da Nasa mostra como seis séries de dados concordam em relação à temperatura
Segundo a Nasa, a temperatura média global em 2018 foi 0,83oC
superior à média registrada entre 1951 e 1980, que por sua vez já é
maior que a pré-industrial. A Noaa põe o aquecimento médio em 0,79oC
acima da média do século 20. Esta agência, porém, não contabiliza o
Ártico, região que esquenta duas vezes mais rápido que o resto do mundo.
Segundo os dados da Noaa, 2018 é o 42o ano consecutivo em
que as temperaturas médias globais ultrapassam a média do século 20. Ou
seja, na última vez que o clima da Terra teve temperaturas na média, o
ministro do Meio Ambiente – aquele que diz que aquecimento global é uma
preocupação para daqui a cinco séculos – ainda usava fraldas.
“A tendência de longo prazo das temperaturas é muito mais importante
do que o ranking de anos individuais, e a tendência é de alta”, disse o
secretário-geral da OMM, o finlandês Petteri Taalas em comunicado da
organização.
As temperaturas, prosseguiu, contam apenas parte da história.
“Eventos meteorológicos extremos e de alto impacto afetaram muitos
países e milhões de pessoas, com repercussões devastadoras sobre
economias e ecossistemas em 2018.”
Que o digam os EUA, cujo presidente, Donald Trump, nega o aquecimento
global. Segundo a Noaa, uma agência do próprio governo, o país teme 14
desastres climáticos que causaram prejuízos na escala dos bilhões de
dólares em 2018. A conta total foi de US$ 91 bilhões e 247 mortes.
(#Envolverde)
[EcoDebate]
Diante da frente extraordinariamente fria que atinge várias regiões dos Estados
Unidos, voltaram nas redes sociais questionamentos sobre o aquecimento
global, que boa parte dos cientistas afirma ser causado pela ação
antrópica.
“Se o
mundo está ficando mais quente, por que, então, está fazendo tanto frio nos
EUA?” Pergunta que tem sido feita pelos que acreditam ser exagerada ou mesmo
falsa a afirmativa do aumento da temperatura média do planeta, causada pelo
aumento de emissão de gases causadores do efeito estufa. O presidente dos
Estados Unidos Donald Tramp, que retirou o país do Acordo de Paris, tuitou a
pergunta em tom irônico.
O termo
aquecimento global é usado para explicar o processo de aumento da temperatura
média dos oceanos e da atmosfera da Terra que está subindo de
maneira preocupante – e o que muitos talvez não saibam é que isso cria
condições para eventos meteorológicos extremos, incluindo ondas de frio
massacrantes.
Dúvidas
como a de Trump surgem em geral por causa da confusão entre dois conceitos:
clima e tempo, que têm significados diferentes na meteorologia.
Há
pessoas incluídas neste confundimento, que consideram que dois graus a
mais ou dois graus a menos não fazem diferença. Que basta controlar o
termostato do condicionador de ar que esta resolvida a situação. Só para citar
um único exemplo: a alteração de 2° na temperatura pode não significar nada
para os humanos, mas pode ser fatal na temperatura dos oceanos para os corais
marinhos.
Esta
falha na comunicação tem dificultado o entendimento de grande parte da
sociedade, para a sensibilização dos problemas causados pelas alterações do
clima em todo o planeta, que afetam as interações biológicas do meio ambiente.
Melhor
seria explorar a comunicação do aumento das amplitudes térmicas que
variam em cada sítio no mundo. Amplitude térmica é a diferença
entre a temperatura máxima e a temperatura mínima, registradas num determinado
período de tempo e num determinado lugar.
Pode ser
também a diferença entre a temperatura média do mês mais quente e a temperatura
média do mês mais frio. Ou seja, se a temperatura máxima foi de 15 °C e a
mínima de 3 °C, a amplitude térmica desse mês será de 12 °C, já que
15º – 3º = 12º. No caso da amplitude térmica diária, refere-se à diferença
entre a temperatura máxima e mínima de um dia.
A amplitude
térmica varia com a latitude e a altitude e é consequência da distribuição
desigual dos raios solares sobre a superfície do planeta Terra. Tanto que estas
variações climáticas subdividem o globo em regiões paralelas a partir da linha
do Equador em Zona Tropical, Zona Temperada do Norte e Zona Polar ou Glacial
Ártica, para o norte. Mais a Zona Temperada do Sul e Zona Polar ou Glacial
Antártica, na direção sul.
A amplitude
térmica na Zona Tropical é menor pois pode variar, por exemplo, de 23° na
madrugada a 33° a tarde, sendo portanto de 33°-23°=10°. Nesta zona ocorrem as
menores amplitudes térmicas do planeta.
A amplitude
térmica nas Zonas Temperada do Norte e Temperada do Sul, pode variar por
exemplo de 8° na madrugada a 36° a tarde, sendo portanto de 36°-8°=28°. Nesta
zonas ocorrem amplitudes térmicas mais elevadas que na Zona Tropical.
A amplitude
térmica nas Zonas Polar ou Glacial Ártica e Polar ou Glacial Antártica,
pode variar por exemplo de -45° a 0°, sendo portanto de -45°-0°=45°. Nestas
zonas ocorrem as maiores amplitudes térmicas do planeta.
O que a
emissão crescente de gazes de efeito estufa (GEE) está provocando é o aumento
das diferentes amplitudes térmicas no globo terrestre, isto é, elevação das
temperaturas máximas e redução de temperaturas mínimas em diferentes lugares.
Os
fenômenos resultantes são secas prolongadas como as que recentemente ocorreram
da Califórnia, que contribuíram para a ocorrência de incêndios catastróficos. E
seca na Austrália que resultou no sacrifício de milhares de bovinos e na morte
de milhares de animais silvestre pela sede. Bem como as nevascas atípicas
recentes nos Estados Unidos, que vem provocando a polêmica que envolveu até seu
presidente.
Portanto,
a difusão do conceito da elevação de amplitudes térmicas é muito mais
didático e portanto deverá ser mais compreensível para a sociedade, que o
conceito do aquecimento global.
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