segunda-feira, 19 de agosto de 2019

A extinção da política ambiental no Brasil e os riscos para a vida no planeta



A extinção da política ambiental no Brasil e os riscos para a vida no planeta


A extinção da política ambiental no Brasil e os riscos para a vida no planeta. Entrevista especial com Cristiana Losekann

Por João Vitor Santos, IHU

Desde que tomou posse, as ações do governo de Jair Bolsonaro têm deixado claro que o meio ambiente é uma área que deve se submeter às demais. E por aí vem liberação recorde de agrotóxicos, questionamentos sobre dados de desmatamento, o desejo de emprego de recursos do Fundo Amazônia para indenizar agricultores (quando o recurso deve servir para ações diretas de preservação), ataque a direitos e mecanismos de proteção de povos originários, além de fortalecimento do discurso de que as questões ambientais devem ser flexibilizadas em prol do desenvolvimento econômico.

Essas e outras tantas medidas são, para a cientista social Cristiana Losekann, muito mais do que um revés da política ambiental. “O que está em jogo não é um novo modelo de política ambiental, mas o próprio fim da política ambiental”, dispara, em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line. “O governo atual rompe com nossa tradição de política ambiental e inicia uma série de medidas que eliminam a participação da sociedade e a corresponsabilidade da sociedade. Ao fazer isso, restringe o poder de proteção ambiental ao Estado ao mesmo tempo que desmantela os órgãos de controle e fiscalização”, avalia.

Cristiana recorda que, numa perspectiva histórica, a política ambiental brasileira sempre teve uma “concepção de responsabilidade compartilhada na proteção da natureza, entre Estado e sociedade”. Ou seja, de um lado o Estado tem o poder de regulamentar e gerir as questões de meio ambiente, mas, de outro, a sociedade tem participação ativa nessas ações, na construção e fiscalização dessas políticas ambientais. “Essa concepção está expressa em diferentes instituições nossas e formulada a partir das diferentes concepções de natureza e de problemas ambientais que foram se desenvolvendo ao longo desses anos na nossa esfera pública”, pontua. Mas, agora, o Estado chama para si essas ações, desnutrindo fóruns como o Conselho Nacional de Meio Ambiente. “É uma ruptura sem precedentes com o que a sociedade brasileira vem pactuando em torno das questões ambientais. A questão é que os efeitos catastróficos disso são incontroláveis e cairão sobre nós e mais ainda sobre as populações já subalternizadas”, acrescenta.


Para a cientista social, é evidente que esse modelo não se sustenta. No entanto, teme que, quando se perceber a inviabilidade dessas lógicas, seja tarde demais. “O grande perigo desse desmonte é que nós até podemos reconstruir instituições, refundar nossa política ambiental no futuro, mas não podemos fazer reviver toda a vida que foi destruída, todo o ecossistema que foi alterado”, alerta. E provoca: “uma das maiores demonstrações de inteligência do ser humano é o reconhecimento do seu próprio limite, daquilo que não sabe e que ainda precisa aprender. Governos que agem como prepotentes demonstram ser, inconsequentemente, o contrário disso”.
Cristiana LosekamCristiana Losekam (Foto: UFES)
 
Cristiana Losekann possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, mestrado e doutorado em Ciência Política pela mesma instituição. É professora associada do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Espírito Santo e professora permanente do Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal do Espírito Santo.

Também é coordenadora do Organon – Núcleo de estudo, pesquisa e extensão em mobilizações sociais DCSO/PGCS/UFES.

Entre suas publicações, destacamos A política dos afetados pelo extrativismo na América Latina (Revista Brasileira de Ciência Política, 2016), Ambientalistas em Movimento no Brasil: entrelaçamentos e tensões entre o estado e a sociedade durante o Governo Lula(Curitiba: Editora Appris, 2014) e Desastre na bacia do Rio Doce: desafios para a universidade e para instituições estatais (Rio de Janeiro: Folio digital, 2018).

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Quando e em que contexto, no Brasil, passou a se refletir sobre os “problemas ambientais”? O que a História do país revela sobre essa temática?
Cristiana Losekann – Inicialmente, é importante observar que problemas ambientais são percepções construídas por nós acerca da nossa relação com o ambiente. Nós construímos, assim, uma explicação e uma interpretação sobre certas circunstâncias. Isso significa dizer que os chamados problemas ambientais não são simplesmente dados, embora, evidentemente, essa percepção precise se basear em certa experiência que estabelecemos com o ambiente, nossa observação, produção científica, fatos observados etc.

Dito isto, fazendo uma revisão simples do pensamento social brasileiro encontramos diversas produções textuais que nos permitem vislumbrar já no século XVIII uma ideia, uma percepção, elaborada enquanto “problema ambiental” (o trabalho de José Augusto Pádua é uma referência importante nesse sentido). Podemos citar José BonifácioJoaquim Nabuco e Frei Vicente. Mais próximo de nossos dias, Caio Prado Júnior, Nelson Werneck Sodré e Gilberto Freyre, entre outros intelectuais importantes da nossa história que se preocuparam e de escrever sobre a degradação ambiental no Brasil. José Bonifácio escreveu um famoso texto em que descreve a caça às baleias e sua preocupação, até mesmo afetiva, podemos dizer, com a morte das baleias. Também é importante observar que os problemas ambientais foram construídos quase sempre na relação com diferentes ideias de desenvolvimento econômico, observando que conflitos são estabelecidos entre a necessidade de cuidar da natureza e os projetos de desenvolver o país sempre vinculados com o uso da natureza como recurso.

Outro ponto que é importante de ser observado é que a produção desse pensamento ambientalista desde tão cedo ajudou a construir as nossas instituições. Dessa forma, as instituições políticas ambientais (leis, princípios, órgãos etc.) não são uma construção casuística de um ou de outro governo, ao contrário, elas vêm sendo construídas ao longo de nossa história e sendo moldadas a partir da forma como, podemos dizer, a sociedade foi construindo essa noção de problemas ambientais.

Pensamento global, distorções locais

Um outro aspecto implicado nessa questão e que aparece muitas vezes em discursos políticos de forma muito equivocada, é que, ainda que possamos compreender uma trajetória de pensamentos sobre os problemas ambientais do Brasil, isso nunca se construiu de forma hermética fechada e restrita ao âmbito nacional. Esse pensamento se construiu na interação com circuitos internacionais de produção de ideias sobre o tema, constituindo, assim, uma trajetória de pensamento humano sobre as interações com a natureza; o próprio conhecimento científico é parte deste processo. Essa característica global da produção de um pensamento sobre os problemas ambientais é frequentemente mal entendido por linhas ideológicas nacionalistas (de esquerda ou direita) que criam dicotomias forçadas e conspiratórias entre um “eles” exterior que está sempre interessado em nos manter atrasado e que vincula esse atraso ao cuidado ambiental, ou ao ambientalismo.
No nosso contexto político, temos como exemplos disso Aldo Rebelo, ex-ministro e ex-membro do partido comunista, que estabeleceu batalhas contra ambientalistas de ONGs contra o que chamava de “imperialismo verde” que tentava impedir o desenvolvimento do Brasil. Para espanto de muitos, o governo atual, que se apresenta como sendo de um polo político oposto ao do partido comunista, também defende a mesma ideia, apresentando qualquer ideia de cuidado ambientalcomo interesse estrangeiro contra o Brasil.

IHU On-Line – Como e em que contexto surgem as primeiras legislações ambientais no país?
Cristiana Losekann – Existem diferentes tipos de legislações que podem ser compreendidas como ambientais. Mas podemos diferenciar dois tipos importantes: aquelas que dizem respeito aos princípios de proteção ambiental e de definição do que é essa proteção e aquelas que definem como será estruturado o sistema para controle e implementação dessa proteção. Com relação a esse último aspecto, é fundamental observar que, ainda que com nuances, historicamente, uma característica marcante da nossa política ambiental é que ela é marcada por uma concepção de responsabilidade compartilhada na proteção da natureza, entre Estado e sociedade.
Existem diversos modelos de política ambiental no que diz respeito à competência e responsabilidade da proteção da natureza. Alguns países adotaram um modelo totalmente estatal e outros adotaram modelos privatistas em que a proteção não é simplesmente da sociedade, mas exclusivamente privada.

No Brasil, nós temos adotado legislativamente, desde pelo menos a década de 1930, essa ideia de que, para que a gente possa proteger a natureza, o melhor seria um modelo de compartilhamento da responsabilidade entre a sociedade e o Estado. Essa concepção está expressa em diferentes instituições nossas e formulada a partir das diferentes concepções de natureza e de problemas ambientais que foram se desenvolvendo ao longo desses anos na nossa esfera pública. É preciso então observar que existem diversas formas de conceitualizar a natureza e de construir aquilo que caracteriza o problema ambiental.

Código Ambiental de 1934

Um dos primeiros marcos nesse sentido foi o código ambiental de 1934 (Decreto 23.793/34), que obrigava os donos de terras a manterem 25% da área de seus imóveis com a cobertura de mata original. O objetivo era garantir a existência de madeira para lenha e carvão que estava acabando em função do desmatamento. Por outro lado, já havia a ideia de “florestas protetoras”, o que mais adiante se transformou nas áreas de preservação permanente – APPs. Aqui já estava expressa a ideia de que a natureza precisa ser preservada para o bem de nossas próprias necessidades econômicas.

Dessa ideia se origina um tipo de modelo de compartilhamento focado em uma concepção de “serviços ambientais”, ou seja, a própria natureza seria provedora de serviços que são essenciais para a manutenção das nossas atividades econômicas. Essa concepção produziu um tipo específico de política de compartilhamento da proteção ambiental entre Estado e sociedade caracterizado de forma central pelo instituto da “reserva legal”, que é uma área localizada no interior de uma propriedade rural, privada ou pública destinada ao uso sustentável dos recursos naturais (ela não é intocável, mas o proprietário deve garantir as suas condições de sustentabilidade).

Novo Código em 1965

Depois do código florestal de 1934, nós tivemos outro código em 1965 e diversas legislações foram sendo criadas depois até a reabertura de discussão do código florestal em 2009. Dentre esses marcos legais eu destaco, evidentemente, a Política Nacional de Meio Ambiente de 1981, que entre outras coisas criou o Conselho Nacional de Meio Ambiente, através do qual se estabeleceu a participação da sociedade civil na elaboração contínua do corpo da nossa política ambiental.

Reserva legal, colegiados participativos e dispositivos legais

Nós podemos, então, genericamente pensar nos institutos da política ambiental relacionados a três mecanismos diferentes de compartilhamento da proteção ambiental: a reserva legal que estaria ligada ao mecanismo de corresponsabilidade; os colegiados participativos ligados ao mecanismo de participação política; e, ainda, os dispositivos legais tais como a lei da ação civil pública e dos crimes ambientais funcionando como mecanismos de controle. A ação civil pública ambiental prevê algo que é muito importante e poderoso, a possibilidade de a própria sociedade civil utilizá-la mesmo contra o Estado, já que ela não coloca em discussão a legalidade do ato em julgamento, mas o dano ao meio ambiente. Assim, mesmo que uma decisão seja legítima, se ela causar um dano ambiental poderá ser revogada. Esses três mecanismos correspondem a distintos espaços nos quais atores do Estado e da sociedade atuam no compartilhamento de suas responsabilidades ambientais.

IHU On-Line – Na sua opinião, os governos ditos progressistas conseguiram compreender a emergência da crise ambiental?
Cristiana Losekann – Ainda que nós tenhamos uma construção institucional bastante avançada da política ambiental, é importante notar que esta envolve conflitos cruciais, pois implicam na regulação e, de certa forma, na limitação de certas atividades econômicas. Nesse sentido, uma vez que os governos do Partido dos Trabalhadores estabeleceram como núcleo central de suas políticas o Plano de Aceleração do Crescimento baseado em grandes obras de infraestrutura e no fomento ao setor de commodities, também se agravaram os conflitos ambientais no país.
Aliás, esta é uma característica comum de vários países latino-americanos e é em função do crescimento desses conflitos chamados de neoextrativistas (ligados à mineração, petróleo, agronegócio) que se ampliaram também as mobilizações de comunidade afetadas por esses empreendimentos, o que provocou mudanças importantes no ambientalismo que ganhou mais força no viés chamado de “socioambiental”, ou seja, mais ligados às comunidades tradicionais, povos indígenas, populações marginalizadas e empobrecidas. Essa tem sido uma das articulações mais promissoras de resistência ambiental dos últimos tempos porque ela articula o cuidado ambiental com outros problemas da sociedade, renda, cultura, identidade, racismo etc.

IHU On-Line – A senhora destaca que existem modelos de política ambiental, sendo que alguns são mais estatais e outros mais privatistas. Pode explicar esses dois modelos, destacando seus limites e potencialidades no que diz respeito ao cuidado com a natureza?
Cristiana Losekann – As instituições que vão sendo criadas compreendem sempre algum princípio ou lógica da relação sociedade-ambiente e de forma resumida as duas tendências marcadamente mais fortes de política ambiental são as dos Estados Unidos e Europa, onde encontramos respectivamente o viés preservacionista que é mais restritivo e tendencialmente “sacralizador” da natureza, e o viés conservacionista que é menos restritivo e que permite o uso dos recursos renováveis. A primeira tendência pode ser observada na ideia de criação de áreas isoladas de proteção. Mas, no Brasil, nós combinamos os dois modelos e incluímos a sociedade civil em boa parte dos nossos institutos ambientais. Há também entre nós um aprendizado mais recente (ainda muito restrito aos pesquisadores) sobre a importância da valorização de certas práticas e mesmo modos de ser chamados “tradicionais” e indígenas que, diferentemente da tradição ocidental, construíram formas de vida que não implicam na destruição da natureza.

IHU On-Line – Qual é a questão de fundo que deve ser considerada e analisada na proposta de “flexibilização da legislação ambiental”, defendida pelo atual governo brasileiro?
Cristiana Losekann – O que está em jogo não é um novo modelo de política ambiental, mas o próprio fim da política ambiental. O governo atual rompe com nossa tradição de política ambiental e inicia uma série de medidas que eliminam a participação da sociedade e a corresponsabilidade da sociedade. Ao fazer isso, restringe o poder de proteção ambiental ao Estado ao mesmo tempo em que desmantela os órgãos de controle e fiscalização (desestruturação e precarização de agências reguladoras e fiscalizadoras, o aviso prévio de fiscalização, revisão de áreas de proteção ambiental, reservas e parques etc.).
É uma ruptura sem precedentes com o que a sociedade brasileira vem pactuando em torno das questões ambientais. A questão é que os efeitos catastróficos disso são incontroláveis e cairão sobre nós e mais ainda sobre as populações já subalternizadas. Os desastres de mineração em Mariana/Rio Doce e em Brumadinho já nos mostraram que é preciso reconhecer os limites da natureza e os nossos próprios.

IHU On-Line – Diversas ONGs e ambientalistas acusam o atual governo brasileiro de estar “desmontando a legislação ambiental”. A senhora concorda com esse tipo de crítica ao atual governo? Em que consiste esse desmonte e quais as possibilidades de reversão desse quadro?
Cristiana Losekann – O grande perigo desse desmonte é que nós até podemos reconstruir instituições, refundar nossa política ambiental no futuro, mas não podemos fazer reviver toda a vida que foi destruída, todo o ecossistema que foi alterado. Nós temos poder para reconstruir aquilo que construímos uma vez, mas não temos poder de reconstruir aquilo que é maior do que nós, aquilo que ainda nem bem conhecemos. Uma das maiores demonstrações de inteligência do ser humano é o reconhecimento do seu próprio limite, daquilo que não sabe e que ainda precisa aprender. Governos que agem como prepotentes demonstram ser, inconsequentemente, o contrário disso.

IHU On-Line – Quais são os mecanismos de participação política ambiental e qual a importância deles? E por que têm sido tão atacados atualmente?
Cristiana Losekann – A importância desses mecanismos é enorme. São eles que constroem as próprias dinâmicas da política ambiental uma vez que grande parte das atribuições de decisões são de competência de tais colegiados. A diminuição das cadeiras e das representações internas ao Conselho Nacional do Meio Ambiente – Conama, por exemplo, podem acarretar em problemas sérios, tais como atrasos e mesmo impasses em processos decisórios fundamentais inclusive para os setores econômicos. Na pesquisa da minha tese de doutorado, eu estudei esses colegiados e compreendi que o Conama é um dos espaços mais importantes da política ambiental e um modelo a ser seguido. É notável que mesmo os setores econômicos conferem importância a ele e fazem questão de participar de tal espaço.

O ataque aos mecanismos de participação política revela uma atitude autoritária do governo, mas também uma falta de compreensão sobre a própria sociedade brasileira. O governo aposta que o apoio recebido nas urnas será revertido em apoio incondicional a todo tipo de decisão mesmo essas que rompem com toda uma tradição institucional. Isso, além de ser altamente nocivo à democracia, é um erro político, já que há uma tendência mundial, inclusive de setores econômicos mais progressistas, de busca por novos padrões de consumo, produtos com menos agrotóxicos e diminuição do plástico.

Além disso, a crise ambiental é cada vez mais perceptível, com o aumento das catástrofes que se tornam cotidianas, as mudanças climáticas, a poluição e diminuição das condições de bem viver. Nesse sentido, a percepção de que temos problemas ambientais sérios é amplamente compartilhada entre a população, já não é mais algo apenas dos ambientalistas, de cientistas ou de intelectuais.
(EcoDebate, 18/07/2019) publicado pela IHU On-line, parceira editorial da revista eletrônica EcoDebate na socialização da informação.

[IHU On-line é publicada pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos Unisinos, em São Leopoldo, RS.]

Você entende a real importância das florestas para o planeta e para a humanidade?


Você entende a real importância das florestas para o planeta e para a humanidade?


Mata Atlântica

Seis segredos sobre a importância das florestas para o planeta e para a humanidade

FAO
Onde você encontraria o maior centro de recreação do mundo e o supermercado mais natural de todos? Florestas não teriam sido sua primeira resposta, certo?

Essa é a magia sobre as florestas. Eles guardam segredos.
Por muito tempo pensávamos nas árvores como puramente funcionais ou ornamentais, objetos no cenário. Eles decoram as ruas da cidade. Nos fornecem sombras para descanso e alívio do calor do sol. Nos fornecem papel e combustível, frutas e nozes. Esses benefícios são bastante óbvios.

No entanto, alguns de seus outros benefícios são quase invisíveis a olho nu. As florestas estão silenciosamente trabalhando em segundo plano, secretamente limpando nossa água, filtrando nosso ar e nos protegendo das mudanças climáticas. Elas são anjos da guarda de mais de um bilhão de pessoas, fornecendo alimentos, medicamentos e combustível para aqueles que não podem ter acesso a esses recursos. Elas abrigam mais de três quartos da biodiversidade terrestre e abrigam muitas das pessoas mais pobres do mundo.

As florestas desempenham um papel fundamental em nossas vidas. Papel que nem sequer reconhecemos. Aqui estão 6 dos seus segredos mais bem guardados:

1. Supermercados – Mais do que a ocasional maçã ou laranja que arrancamos de uma árvore, as florestas são verdadeiros mercados de alimentos. Quase 50% das frutas que comemos vêm das árvores, sem mencionar as nozes e as especiarias que também obtemos dessas cestas básicas naturais.

2. Seguro de vida – Algumas comunidades dependem quase exclusivamente de florestas para suas fontes de alimentos. Cerca de 40% da extrema pobreza rural – cerca de 250 milhões de pessoas – vivem em áreas de floresta e savana. Para essas comunidades, florestas são um seguro contra a fome.

3. Energia – Cerca de um terço da população mundial usa madeira como fonte de energia para necessidades como cozinhar, ferver água e aquecimento. A madeira proveniente de florestas fornece cerca de 40% da energia renovável global – tanto quanto a energia solar, hidrelétrica e eólica juntas. As árvores voltam a crescer, mas precisamos dar mais ênfase ao uso sustentável desses recursos para proteger nossas florestas da degradação.

4. Super heroínas – Florestas e árvores podem parecer inconspícuas, como Clark Kent, mas elas são como o Super-homem de várias maneiras. Elas são nossas heroínas na luta contra a mudança climática. Elas tornam nossas cidades mais sustentáveis, resfriando naturalmente o ar e removendo poluentes. Elas protegem a nossa saúde, dando-nos lugares para nos refugiarmos e relaxarmos. Elas combatem a degradação da terra e a perda da biodiversidade, fornecendo vida vegetal e animal em seus habitats.

5. Sumidouros de carbono – Como uma força para o bem, nossos super-heróis florestais agem como sumidouros de carbono, absorvendo o equivalente a cerca de 2 bilhões de toneladas de dióxido de carbono a cada ano. Como qualquer super-herói, eles têm uma falha. O desmatamento é sua criptonita. Quando as árvores são cortadas, elas liberam esse dióxido de carbono de volta ao ar. O desmatamento é, de fato, a segunda principal causa da mudança climática após a queima de combustíveis fósseis. É responsável por quase 20% de todas as emissões de gases de efeito estufa – mais do que todo o setor de transportes do mundo.

6. Recreação – As árvores são apaziguadoras de estresse. O turismo baseado na natureza está crescendo três vezes mais rápido do que a indústria do turismo como um todo e agora responde por aproximadamente 20% do mercado global. Estudos até ligam espaços verdes e cobertura de árvores nas cidades a níveis reduzidos de obesidade e criminalidade. Como um exemplo, a taxa de obesidade de crianças que vivem em áreas com bom acesso a espaços verdes é menor do que naquelas que têm acesso limitado ou nenhum acesso.

As florestas têm secretamente desempenhado um papel cada vez maior no nosso dia-a-dia. Não podemos esperar ter um mundo #FomeZero sem contar com a ajuda dos governos, das agências e dos órgãos que as protegem e ajudam a respeitá-las.
Compartilhe essas mensagens com amigos e pense sobre o papel que elas desempenham em sua vida. Florestas e árvores devem receber reconhecimento também. É hora de revelar seus segredos.

Da FAO Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 16/08/2019
Você entende a real importância das florestas para o planeta e para a humanidade?, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 16/08/2019, https://www.ecodebate.com.br/2019/08/16/voce-entende-a-real-importancia-das-florestas-para-o-planeta-e-para-a-humanidade/.

Greve Global pelo Clima. “Não peçam aos seus filhos respostas para a bagunça que vocês fizeram”

Greve Global pelo Clima, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

“Não peçam aos seus filhos respostas para a bagunça que vocês fizeram”
Greta Thunberg

Reunião da Coalizão SP pelo Clima na Paulista Aberta
Reunião da Coalizão SP pelo Clima na Paulista Aberta © Zedu Moreau, in Greenpeace

[EcoDebate] Os adolescentes que sempre foram vistos como imaturos e inconstantes estão dando uma lição aos seus pais e avós. Eles dizem que não querem repetir os versos de Belchior: “Ainda somos os mesmos, E vivemos, Como os nossos pais”.

A juventude mundial está começando a perceber que recebeu uma herança maldita das gerações anteriores e que é grande a possibilidade de um colapso ambiental em meados do século XXI. Relatório publicado pelo Centro Nacional de Descoberta do Clima da Austrália argumenta que, se nada for feito, as mudanças climáticas podem levar ao colapso da civilização humana até 2050.
Os cientistas acreditam que, no atual ritmo de aquecimento global, a temperatura subirá cerca de 3 graus Celsius nos próximos 30 anos: “Há um risco existencial para a civilização, com consequências negativas permanentes para a humanidade que nunca poderão ser desfeitas, aniquilando a vida inteligente permanentemente – ou reduzindo drasticamente seu potencial”.

Se as velhas gerações, pensando egoisticamente pouco fazem em defesa da natureza (pois já estarão mortas na segunda metade do século XXI), os jovens do mundo – os millennials – se preocupam com o futuro e a degradação das bases naturais da vida na Terra.

Os jovens já estão sentindo os efeitos do caos climático e ambiental. São inúmeros os casos de desastres provocados pelas mudanças climáticas. Se nos próximos 12 anos, a temperatura média do planeta alcançar mais de 1,5 graus Celsius, em relação ao período pré-industrial, os impactos na biodiversidade e na sociedade serão dramáticos, afetando a disponibilidade de alimentos, afetando a saúde e agravando as condições de vida. O impacto será maior entre os pobres e os jovens.

Segundo o Greenpeace, aqui no Brasil, alguns grupos já começaram a se articular para a “Greve Global pelo Clima”. No dia 14 de julho, cerca de 50 pessoas entre ativistas, representantes de ONGs e movimentos sociais se reuniram na Avenida Paulista, na cidade de São Paulo, para construírem juntos as próximas ações para a mobilização. Em um encontro de microfone aberto, todos puderam sugerir caminhos e expor ideias para um dos maiores desafios: fazer com que a população entenda a urgência do tema e se engaje nessa mobilização. Afinal, defender o clima estável é defender uma vida saudável, segura e em harmonia com o planeta. As ações humanas, como a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento, são as principais aceleradoras do aquecimento global.

A Greve Global pelo Clima ganha força e se conecta com o movimento “Fridays for Future” (Sextas-feiras pelo Futuro), liderado pela jovem sueca Greta Thunberg, de 16 anos. A adolescente sueca, que se recusa a viajar de avião, por conta das altas emissões de CO2, viajará de barco para Nova Iorque, onde irá fazer uma fala na “U.N. Climate Action Summit”, em 21 de setembro de 2019, dentre outras atividades.

Na semana de 20 a 27 de setembro de 2019 haverá a “Greve Global pelo Clima”. Este movimento é mais urgente no Brasil, que está passando por um momento de ataque ecológico por parte do próprio governo brasileiro. Como disseram Ferrante e Fearnside (IHU, 02/08/2018): “Jair Bolsonaro, que assumiu o cargo em 1º de janeiro de 2019 como o novo presidente do Brasil, tomou medidas e fez promessas que ameaçam a floresta amazônica brasileira e os povos tradicionais que a habitam. Os ruralistas, nomeadamente os grandes proprietários de terras e os seus representantes, que são uma parte fundamental da base política do novo presidente, estão a avançar uma agenda com impactos ambientais que se estendem a todo o mundo”.

O mundo vive uma situação de emergência climática e ambiental. Só uma união geral poderá evitar o colapso ecológico. A Greve Global pelo Clima pode unir as lutas específicas contra o classismo, o escravismo, o racismo, o sexismo, o homofobismo, o idadismo, o xenofobismo e o especismo. Sem condições climáticas e sem o fortalecimento da biocapacidade do Planeta não haverá perspectiva para as futuras gerações.

Portanto, os jovens brasileiros e todas as pessoas que se solidarizam com a natureza e a vida na Terra deveriam participar da “Greve Global pelo Clima”. É preciso superar os nacionalismos, os isolacionismos e os corporativismos.

A defesa do clima é de todos e pode unir todas as forças. O futuro da vida no Planeta depende da mobilização de todas as pessoas!

José Eustáquio Diniz Alves
Colunista do EcoDebate.
Doutor em demografia, link do CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/2003298427606382


Referências:
Lucas Ferrante e Philip Fearnside. “O novo presidente do Brasil e “ruralistas” ameaçam o meio ambiente, povos tradicionais da Amazônia e o clima global” INPA, IHU, 02/08/2018
http://www.ihu.unisinos.br/591256-o-novo-presidente-do-brasil-e-ruralistas-ameacam-o-meio-ambiente-povos-tradicionais-da-amazonia-e-o-clima-global
Beatriz Diniz. Crianças e jovens lideram greve global pelo clima, OC, 15/03/2019
http://www.observatoriodoclima.eco.br/criancas-e-jovens-lideram-greve-global-pelo-clima/
Greenpeace Brasil. Greve Global pelo Clima: jovens do mundo todo pedem nosso apoio, 15/07/2019 https://www.greenpeace.org/brasil/blog/greve-global-pelo-clima-jovens-do-mundo-todo-pedem-nosso-apoio/
Lusa. “Clima: a greve já não é só dos estudantes, 27 de Setembro há greve geral 31 de Julho de 2019”,Público, 31/07/2019
https://www.publico.pt/2019/07/31/p3/noticia/clima-a-greve-ja-nao-e-so-dos-estudantes-27-de-setembro-ha-greve-geral-1881884
Outras palavras. Prepara-se a Greve Mundial pelo Clima, 01/08/2019
https://outraspalavras.net/movimentoserebeldias/prepara-se-a-greve-mundial-pelo-clima/
Global Week For Future 20-27 sept
https://fridaysforfuture.org/
Global Climate Strike
https://globalclimatestrike.net/

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 16/08/2019
Greve Global pelo Clima, artigo de José Eustáquio Diniz Alves, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 16/08/2019, https://www.ecodebate.com.br/2019/08/16/greve-global-pelo-clima-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/.

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Podcast 6 – Blog Cidadãos do Mundo: Assustador é não ouvir mais os zumbidos das abelhas


Resultado de imagem para abelhas imagensPodcast 6 – Blog Cidadãos do Mundo: Assustador é não ouvir mais os zumbidos das abelhas



23/05/2019 13:15 Por Sucena Shkrada Resk*
Ouvir os zumbidos das abelhas para muitos pode ser algo assustador, mas ao contrário do que você possa pensar, mais assustador é justamente não ouvir esses zumbidos. A resposta é simples: esses agentes da natureza responsáveis pela maior parte da polinização no planeta estão sendo literalmente exterminados. Por consequência, foi colocada em risco a conservação da biodiversidade e da nossa segurança alimentar. Este é o presente para o futuro que queremos? Vale a pena a reflexão, não é? Este é o tema desse sexto podcast do Blog Cidadãos do Mundo - jornalista Sucena Shkrada Resk (ouça aqui), também no formato para leitura.

Segundo alerta global feito pela Organização das Nações Unidas (ONU), a combinação de pesticidas, mudança no uso do solo e monocultura extensiva são as principais ameaças na atualidade à manutenção das cerca de 30 mil espécies de abelhas polinizadoras no planeta. Mais um dado a ser gravado: 75% dos cultivos para nossa alimentação dependem delas, de acordo com a FAO, braço para alimentação e agricultura da ONU. Não podemos esquecer que esse agente fundamental de serviços ecossistêmicos também produz o mel e é inspiração até para a arquitetura, por sua habilidade na construção das colmeias. Essas informações foram suficientes para te deixar sensibilizado? Se não foram, vamos lá!

Exemplos sucessivos têm sido noticiados, há anos, no Brasil e em diversos países do mundo, como EUA e na União Europeia. Entre os mais recentes por aqui está uma série de casos que foram apurados pela Agência Pública de Notícias e pela Repórter Brasil. De dezembro do ano passado a fevereiro de 2019, foi registrada a morte massiva de mais de 500 milhões de abelhas, sendo 400 milhões só no Rio Grande do Sul e as demais nos estados do Mato Grosso do Sul, de Santa Catarina e de São Paulo.

As fontes primárias sobre estas ocorrências são diversas: associações de apicultores, pesquisadores em universidades e secretarias de agricultura, entre outras. E os casos não param por aí. Também há registros históricos no Ceará, no Distrito Federal, em Goiás, em Mato Grosso, em Minas Gerais, no Paraná e no Rio de Janeiro. E olhe, que aqui no Brasil, temos a predominância somente de seis espécies nativas.

Responsabilidades compartilhadas
Apesar de pequenos avanços isolados por iniciativa da gestão pública no país, por meio de legislações, a pulverização aérea ainda é o principal meio que acelera este extermínio. Por isso, além de ações, como do estado do Ceará e  do Ministério Público em todo país, o ideal seria que a maior parte dos gestores públicos e legisladores tomassem as iniciativas da proibição, por meio da conscientização, consulta e pesquisa a relatos vivenciais e técnicos.

Pesquisas científicas esclarecem que entre os componentes de pesticidas e fungicidas, o mais mortal para as abelhas no mundo, têm sido os neonicotinoides, derivados da nicotina (já proibidos pela União Europeia, em maio de 2018) e há sinalização para o comprometimento provocado pelo Fipronil, também proibido na Europa.

Este colapso acontece ao mesmo tempo em que o Brasil amplia a liberação de agrotóxicos. A autorização é pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em consonância com o Ministério da Agricultura e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama). Só neste ano, 169 até a terceira semana de maio. No ano passado, o total em 12 meses foi de 450.


Estudos de caso
O vídeo-reportagem “Medo da Primavera – uma hecatombe em andamento”, que trata do caso no município de Mata, no Rio Grande do Sul, tem quase vinte minutos, e é uma amostra que contém relatos que nos fazem compreender um pouco sobre a dinâmica do que está ocorrendo. Uma frase de um personagem ecoa – “A abelha sumindo...nós somos os próximos”. No último dia 22 de maio, movimentos e associações, além de pesquisadores e cientistas do estado entraram com uma representação, no Ministério Público Federal (MPF), pedindo a proibição do uso de agrotóxico relacionado à mortalidade em massa das abelhas nesse município.

Além dos agrotóxicos, as mudanças climáticas também estão pressionando a existência das abelhas. Pesquisa feita por cientistas da Universidade Estadual da Flórida e colaboradores, publicada na Ecology Letters, em 2017, constata que a alteração do clima afeta a disponibilidade de flores e alimentos para as próprias abelhas. Foram estudadas espécies locais. O grupo também reforçou o comprometimento provocado pelos neonicotinoides. Outro estudo recente é da Northwestern University e do Chicago Botanic Garden. Houve a simulação de um clima mais quente, no qual 35% das abelhas morreram no primeiro ano e 70%, no segundo ano. No Brasil, a Associação Brasileira de Estudos das Abelhas é mais uma fonte interessante para consulta sobre o tema.

Liberações de agrotóxicos
Existe mais um lado da análise, com relação à saúde humana, que é tão importante quanto ao tocante às abelhas. De acordo com o Relatório Nacional de Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Agrotóxicos 2018, do Ministério da Saúde, a maior incidência de notificação de intoxicações por agrotóxicos no Brasil foi registrada em 2014, no Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan): 6,26 casos para cada 100 mil habitantes. Entre 2007 e 2015, foram notificados (oficialmente) 84.206 casos. Imagine quantos também estão subnotificados.


Meio copo cheio
Ao mesmo tempo que há este alerta, bons exemplos também existem no planeta, que servem de inspiração para reverter este colapso da relação humana com o meio ambiente. Uma delas tem a participação direta da própria sociedade e vem da Grã-Bretanha. O Conselho Municipal de Brent, em Londres, decidiu plantar 11 km de flores silvestres em espaços verdes para atrair as abelhas.  Que tal seria seguir esses passos por aqui?


*Sucena Shkrada Resk - jornalista, formada há 27 anos, pela PUC-SP, com especializações lato sensu em Meio Ambiente e Sociedade e em Política Internacional, pela FESPSP, e autora do Blog Cidadãos do Mundo – jornalista Sucena Shkrada Resk (https://www.cidadaosdomundo.webnode.com), desde 2007, voltado às áreas de cidadania, socioambientalismo e sustentabilidade.

Veja também no Blog Cidadãos do Mundo – jornalista Sucena Shkrada Resk:

21/01/2019 – Narrativa de agricultura familiar nos leva à valorização ecossistêmica e humanística
11/07/2018 – Entrevista da semana: Defensor público fala sobre o desafio do combate do uso dos agrotóxicos em São Paulo e em todo o Brasil
03/04/2018 – Pulverização aérea: sabemos realmente as externalidades negativas do ciclo do que comemos?
24/11/2017 – Médica sanitarista fala sobre o universo da saúde ambiental, com destaque sobre os impactos dos agrotóxicos
24/04/2016 – Agrotóxicos – parte 2: mais um projeto polêmico na Câmara
Agrotóxicos-transgênicos: um rolo compressor está sendo passado sobre o direito do consumidor
19/08/2015 - Sim, nós precisamos das abelhas
16/06/2013 – Hortas urbanas, um exercício de desprendimento
12/12/2012 – Até quando vamos silenciar as primaveras?
08/11/2011 - Os eixos da economia sustentável sob o olhar de Ladislau Dowbor
28/10/2011 - Reflexões sobre segurança alimentar & meio ambiente
14/07/2010 - Uma realidade sem agrotóxicos é possível
29/06/2010 - O que comemos?
01/02/2010 - Esp.FSM 2010 - Qual é a nossa conjuntura ambiental?

Casos de sucesso na conservação de onça-pintada em Mata Atlântica

Casos de sucesso na conservação de onça-pintada em Mata Atlântica

Escrito por Neo Mondo 5 de agosto de 2019
Casos de sucesso na conservação de onça-pintada em Mata Atlântica
Foto – © Staffan Widstrand / WWF

POR – DOUGLAS SANTOS (WWF) / NEO MONDO


Estimativas recentes apontam para um aumento da população de onças-pintadas em Mata Atlântica, mais ainda há muito o que fazer para reduzir a ameaça de extinção. Restam apenas 300 indivíduos na Mata Atlântica e o equilíbrio dessa população é extremamente sensível
Os relatos de avistamento de onças-pintadas cresceram como reflexo dos trabalhos de conservação e conscientização que são desenvolvidos em todo o Brasil por diversas instituições. Tivemos casos amplamente divulgados, que repercutiram nas redes sociais como, por exemplo, a onça-pintada na beira da Rodovia Ferra de Camargo Penteado (SP-250), em Apiaí (SP). Também houve o registro da onça em Juiz de Fora, que foi capturada e solta em uma área de proteção ambiental.

Segundo Felipe Feliciani, analista de conservação do WWF Brasil, precisamos aprofundar os estudos de como o animal se desloca entre os fragmentos de Mata Atlântica e analisar processos de restauração naquelas regiões para ajudar na construção de corredores ecológicos. “Dificilmente você vai ver um pasto com uma nascente de água de qualidade e com quantidade de água, as principais nascentes estão em áreas florestais. Onde tem onça, tem floresta, tem água boa, ar puro, tem ecoturismo, tem oportunidades de negócios. A floresta tem um valor imenso e é um mecanismo financeiro para as comunidades que vivem ali. Temos que ver a floresta como um aliado ao nosso desenvolvimento sustentável”, diz Feliciani.
De acordo com o coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap), Ronaldo Morato, existem diversos resultados expressivos de conservação de onça-pintada no Brasil como, por exemplo, o resultado de conservação no Parque Nacional do Iguaçu e o acordo de cooperação trinacional entre Argentina, Brasil e Paraguai. “Vale lembrar que a espécie habita outros biomas brasileiros e há muitos casos no Cerrado com o Instituto Onça Pintada, no Pantanal com o turismo de avistamento desenvolvido com o Onçafari e na Amazônia com o instituto Mamirauá”, afirma Morato. Infelizmente, a onça-pintada já foi extinta do Pampa.
 
Saiba mais no Barulho da Onça, o podcast do WWF-Brasil;

Escute no Spotify: http://bit.ly/barulhodaonça

Escute os episódios anteriores: www.wwf.org.br/barulho
 
0

Poluição do ar: Qual é o valor de cinco segundos?

Poluição do ar: Qual é o valor de cinco segundos?

Escrito por Neo Mondo 7 de junho de 2019
Poluição do ar: Qual é o valor de cinco segundos?

POR – SUCENA SHKRADA RESK*, ESPECIAL PARA COALIZÃO VERDE (1 PAPO RETO, CENÁRIO AGRO e NEO MONDO)



A maioria de nós provavelmente nunca pensou quanto valem cinco segundos nos dias de hoje, não é? Valem literalmente uma vida, pois neste curto espaço de tempo morre uma pessoa no mundo em decorrência de doenças associadas à poluição do ar, correspondendo anualmente a 7 milhões de pessoas
Para compreender melhor a gravidade do problema, faça a conta: nove em dez pessoas respiram ar poluído e contaminado no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Portanto, fazemos parte desta estatística. Viver principalmente nas regiões metropolitanas apresenta externalidades sobre as quais nem temos noção. Os efeitos do comprometimento do bem-estar chegam à economia: ultrapassam os US $ 5 trilhões (dados 2013). Cerca de 3 bilhões de pessoas, ou seja, 40% da população no planeta,  ainda não têm acesso a combustíveis limpos e tecnologias em suas casas, principal fonte de poluição do ar interior do domicílio.


Poluição é tema transversal
Uma afirmação em documentos da OMS é taxativa: a poluição não tem fronteiras. Mesmo assim, estes alertas fazem parte de um tema ainda depreciado na agenda da política pública, que é a saúde ambiental. Um conteúdo transversal a outras agendas, como transportes, agricultura, indústria e mineração, tratamento de resíduos, ciência e tecnologia e educação, além de meio ambiente e saúde. A ausência de planos e políticas concatenadas entre todas estas áreas resultam nesta ineficácia ainda presente no combate à poluição do ar.


Estes dados reforçam a escolha do tema “Poluição do Ar”, nesta Semana do Meio Ambiente de 2019, feita pela Organização das Nações Unidas (ONU). O alerta é recorrente: este inimigo aparentemente oculto faz parte dos reflexos da nossa própria ação humana em um modelo de desenvolvimento no qual a produção de gases tóxicos à saúde ainda permeia, e muito, as nossas cadeias produtivas e modais de transporte com combustíveis poluentes e/ou catalisadores ineficientes na mobilidade urbana. Reflete consequentemente o nosso modelo de produção e consumo. Respiramos ainda quantidades excessivas de gases tóxicos, como dióxido de nitrogênio (NO2), ozônio troposférico (O3), monóxido de carbono (CO), material particulado (MP), hidrocarbonetos e dióxido de enxofre (SO2), entre outros gases. As suas concentrações são relacionadas a condições metereológicas. Ventos fracos e inversões térmicas (camada de ar quente que se forma sobre a cidade, “aprisionando” o ar e impedindo a dispersão dos poluentes) em baixa altitude exigem alerta.

Principais públicos afetados


As crianças pagam uma conta muito alta, pois são um dos públicos que mais sofrem com efeitos fatais. Em outubro de 2018, o relatório “Air Pollution and Child health”  alerta a respeito, registrando mais de 600 mil mortes anuais. Como esclarece o patologista Paulo Saldiva, um dos maiores especialistas brasileiros nesta área, há efeitos adversos da poluição do ar sobre a saúde humana. Alguns deles se manifestam de forma aguda, ou seja, horas ou dias após a exposição, enquanto outros são evidenciados somente após longos períodos de exposição. São os chamados efeitos crônicos. Trocando em miúdos, uma perfeita bomba-relógio.


As vítimas em potencial, segundo Saldiva, têm abaixo dos 5 e acima dos 65 anos de idade. Já as morbidades são associadas à asma, bronquite crônica, doença aterosclerótica, diabetes mellitus, miocardiopatias e arritmias cardíacas.


No Brasil, no Sistema Único de Saúde (SUS), a demanda de pacientes com problemas associados à poluição atmosférica só cresce. Chegam às unidades básicas de saúde e aos hospitais, pessoas com irritações das mucosas, dos olhos, processos de asmas, doenças pulmonares, cardiovasculares e cânceres. A partir de 2001, foi instituída a Vigilância em Saúde de Populações Expostas à Poluição Atmosférica (Vigiar), pelo Ministério da Saúde, com foco principalmente em prevenção e de atenção integral. Um dos objetivos desta medida é a criação de um instrumento de identificação de municípios de risco. Os levantamentos, entretanto, ainda são ínfimos diante da espacialidade, concentração de pessoas e fontes emissoras.


Frota veicular

Os indícios de que é preciso rever nosso modelo de desenvolvimento começam, por exemplo, quando nos confrontamos com dados a respeito da frota veicular no país. De acordo com o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), até fevereiro de 2019, o Brasil registrava 54.995.950 só de automóveis e 22.471.809 motocicletas, extra os demais modelos automotivos (caminhões, ônibus etc), e disparadamente o estado de São Paulo se destaca nestas estatísticas, respectivamente com 18.317.839 e 4.662.471. A necessidade de aumentar a frota de transporte coletivo não poluente em todas as cidades do país é algo urgente diante desta realidade.


Como explica o engenheiro químico David Tsai, coordenador de área de emissões do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), uma das principais questões que devem ser avaliadas quanto às emissões de poluentes, são os catalisadores dos automóveis (adotados no país desde 1992), além dos investimentos em energia limpa e renovável. A qualidade e eficiência destes equipamentos devem ser permanentemente fiscalizadas. Ele ainda explica a importância de haver a manutenção e ampliação do monitoramento da qualidade do ar no país como instrumento de políticas públicas mais eficazes.


Monitoramento da qualidade do ar
Atualmente há 284 estações sob gestão pública somente em nove estados (Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás e Distrito Federal), como destaca a Plataforma Qualidade do Ar, sistematizada pelo IEMA. Nela, é possível observar o déficit de investimento dos estados neste segmento. Somente os de São Paulo e do Rio de Janeiro mantêm aproximadamente 75% das estações de monitoramento no país e 50% delas estão nas regiões metropolitanas. O Norte do país é desassistido e na região Centro-Oeste e no Nordeste há um número irrisório de cobertura. “Há maior dificuldade de controle de concentrações sobre o material particulado fino (MP2,5) e o ozônio”, diz.


Mais um aspecto estratégico discutido hoje em dia é quanto à manutenção e melhoria da atuação do Programa de Controle de Poluição de Ar por Veículos Automotores (Proconve), criado por resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama).


Em 2016, houve uma avaliação dos Impactos e Econômicos dos Benefícios Socioambientais do Proconve, lançado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). No relatório, há um dado que chama a atenção. Um estudo realizado pelo Laboratório de Poluição Atmosférica da Faculdade de Medicina da USP e a consultoria Environmentality, entre 1996 e 2005, o número de mortes evitadas pelo Proconve em seis capitais brasileiras foi estimado em 50.000. Isso representaria a economia aproximada de US$ 4,5 bilhões de gastos com saúde pública.

No levantamento, foi apurado que na região metropolitana de São Paulo, o programa teria evitado 3,41% das mortes de adultos acima de 25 anos por doenças cardiovasculares, 3,39% por problemas respiratórios e 5,41% por câncer de pulmão. Ao mesmo tempo, é avaliado que ainda muito a melhorar, pois se calcula que nove pessoas morrem por dia devido à poluição em São Paulo. As concentrações de material particulado ainda são duas vezes mais altas do que o recomendado pela OMS. Vale lembrar que o mesmo tem como principais fontes: veículos automotores, processos industriais, queima de biomassa e ressuspensão de poeira do solo.



Partículas finas


Segundo a OMS, as partículas inaláveis finas (MP2,5), em concentrações excessivas, que podem atingir os alvéolos pulmonares, afetam 91% das pessoas que  vivem em cidades no mundo.
A poluição do ar doméstica é mais um problema desprezado nas políticas públicas e chega a representar o quarto risco global para a saúde, responsável por 4,3 milhões de mortes anualmente. A pesquisadora Adriana Gioda, em seu artigo “Comparação dos Níveis de Poluentes Emitidos pelos Diferentes Combustíveis Utilizados para Cocção e sua Influência no Aquecimento Global”, publicado na Química Nova 41, traz mais uma informação relevante. No Brasil, cerca de 10 milhões de domicílios ainda fazem uso de lenha, de acordo com o levantamento. Em 2010, na América Latina e Caribe, foi estimada a ocorrência de 70.000 mortes prematuras relacionadas à exposição interna ao MP2,5 devido ao uso de combustíveis sólidos na cocção. Ela alerta: as partículas finas são as mais diretamente associadas a mortes e doenças.


Quem não viu algum dia aquela imagem emblemática de pessoas com máscaras, em Pequim, para se proteger da poluição atmosférica na China? Um cenário triste e que revela os extremos. O problema em questão, no Brasil e no mundo, é ainda maior, porque milhares de pessoas sequer têm a chance de usá-las, visto que muitas vidas já estão sendo abreviadas por causa da falta da impulsão, de fato, à energia limpa e renovável; a hábitos mais saudáveis e não poluentes de mobilidade urbana, como andar de bicicleta, exercitar a carona solidária, usar transporte público não poluente. Tudo isso associado ao combate à pobreza, que pesa de forma incontestável sobre a maior parte das vítimas, e investimento em Pesquisa & Ciência.

SAIBA MAIS – LISTA DOS PRINCIPAIS POLUENTES ATMOSFÉRICOS:

Aldeídos (RCHO)
Dióxido de Enxofre (SO2)
Dióxido de Nitrogênio (NO2)
Hidrocarbonetos (HC)
Material Particulado (MP)
Monóxido de Carbono (CO)
Ozônio (O3)
Poluentes Climáticos de Vida Curta (PCVC)
Fonte: Ministério do Meio Ambiente


Veja também no Blog Cidadãos do Mundo (desde 2007, voltado às áreas de cidadania, socioambientalismo e sustentabilidade) artigos referentes a esse e outros temas, ao longo dos últimos anos. É só consultar na busca.


*Sucena Shkrada Resk é jornalista, formada há 27 anos, pela PUC-SP, com especializações lato sensu em Meio Ambiente e Sociedade e em Política Internacional, pela FESPSP, e autora do Blog Cidadãos do Mundo. 
3

Crise climática não pode ser combatida sem nos distanciarmos do uso nocivo da terra, alerta relatório do IPCC

Crise climática não pode ser combatida sem nos distanciarmos do uso nocivo da terra, alerta relatório do IPCC

Escrito por Neo Mondo 8 de agosto de 2019
Crise climática não pode ser combatida sem nos distanciarmos do uso nocivo da terra, alerta relatório do IPCC

POR – AVIV COMUNICAÇÃO / NEO MONDO


Documento foi divulgado neste dia 8 e ressalta a importância de metas mais ambiciosas e ações urgentes
A forma como utilizamos o solo é um dos principais fatores para as mudanças do clima, colocando demandas insustentáveis ​​nos sistemas terrestres de que os seres humanos e a natureza dependem. Esta é a principal conclusão do Relatório Especial do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e Terra, apresentado hoje em Genebra.

O novo documento do IPCC explora a relação entre clima, pessoas e terra em um mundo cada vez mais quente. Ele adverte que as mudanças climáticas estão colocando mais estresse sobre a terra, aumentando a degradação, a perda de biodiversidade e a insegurança alimentar.

O uso da terra contribui com cerca de 23% do total de emissões globais de gases de efeito estufa (GEE) via ação humana – as causas principais são desmatamento, conversão de habitat para a agricultura e emissões de gases por parte das criações de gado. Em todo o mundo, o setor de alimentos é responsável por 75% do desmatamento, sendo que a pressão é maior nos trópicos. A remoção de florestas e a conversão de ecossistemas naturais libera carbono e contribui para uma perda de biodiversidade e degradação da terra sem precedentes.

No Brasil, o setor de uso da terra é a principal causa de emissões de GEE. Segundo o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), Agropecuária e Mudança de Uso da Terra e Florestas corresponderam, respectivamente, a 23,9% e a 46,12% das emissões brasileiras em 2017, data do dado mais recente disponível.


Aumento do desmatamento
O cenário torna-se ainda mais preocupante com as notícias de aumento de desmatamento divulgadas recentemente pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe). De acordo com o Deter, sistema utilizado pelo Inpe e tido como referência em todo o mundo, o desmatamento em julho de 2019 foi 278% maior do que no mesmo mês do ano passado – foram apontadas perdas de 2.254,9 km² contra 596,6 km², apenas na Amazônia.

“A divulgação aberta dos dados de desmatamento, como tradicionalmente tem sido feita pelo Inpe e pelo Imazon, busca conscientizar sobre a progressão destes números e ajudar a traçar estratégias de combate a esta prática, que traz prejuízos ao meio ambiente e à população. Enquanto o mundo trabalha pela ampliação de metas do Acordo do Paris, o nosso país precisa, pelo menos, atuar de forma imediata para eliminar o desmatamento ilegal e fazer a restauração e o reflorestamento com que se comprometeu”, diz o diretor de Conservação e Restauração de Ecossistemas do WWF-Brasil, Edegar Rosa.

De acordo com a sua NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada), o Brasil se comprometeu a eliminar o desmatamento ilegal; restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de florestas, além de alcançar participação estimada de 45% de energias renováveis até 2030.

O Brasil ratificou o documento no Congresso em 2016. No entanto, as movimentações do Ministério do Meio Ambiente e do governo Bolsonaro têm agido em outra direção: houve queda nas fiscalizações e autuações para desmatamento ilegal, mudanças estruturais no corpo técnico do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e ICMBio Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), além de declarações que apontam para maior permissividade. Como consequência, os ânimos estão acirrados, como em invasões de garimpeiros ilegais em terras indígenas.

Resultados presentes no nosso dia-a-dia

O relatório do IPCC ressalta que a mudança climática já está afetando os quatro pilares da segurança alimentar – disponibilidade, acesso, utilização e estabilidade – por meio do aumento das temperaturas, mudanças nos padrões de precipitação e maior frequência de alguns eventos extremos, como secas e inundações.

“Além de diminuir as emissões, precisamos nos preparar para os problemas já existentes das mudanças climáticas”, afirma Rosa, “É essencial não só para a saúde do planeta, mas, principalmente, das pessoas. Sem um ambiente saudável será impossível prover alimentos, habitação e segurança climática para todos”, diz Rosa.

Assessor chefe em mudanças climáticas e líder do IPCC no WWF Internacional, Dr. Stephen Cornelius, ressalta a importância de termos ações urgentes contra a crise climática: “Este relatório envia uma mensagem clara de que a forma como usamos atualmente a terra está contribuindo para as mudanças climáticas, prejudicando sua capacidade de apoiar pessoas e a natureza. As prioridades incluem a proteção e a restauração de ecossistemas naturais e a mudança para a produção e consumo sustentável de alimentos.”

Ele acrescenta ainda que uma mudança para o manejo sustentável da terra deve ser acompanhada pelos necessários cortes rápidos e profundos nas emissões de combustíveis fósseis, “se quisermos cumprir a meta de 1,5 °C do Acordo de Paris”.

O relatório destaca ainda as sinergias e transições relacionadas às nossas escolhas. Para isso, o WWF defende um conjunto integrado de ferramentas de gestão sustentável da terra necessárias para garantir um futuro seguro para o clima, que apoie a segurança alimentar e a natureza, com destaque para as soluções climáticas baseadas na natureza. Por exemplo, os manguezais ajudam a aumentar a resiliência climática, ao mesmo tempo em que fornecem uma gama de serviços ecossistêmicos para as comunidades locais e dão suporte a viveiros de peixes.

Calendário
A partir da semana que vem, o Brasil e o mundo promovem uma série de eventos com o objetivo de engajar mais empresas, governos subnacionais e a sociedade em metas mais audaciosas relacionadas ao Acordo de Paris. O primeiro desses grandes eventos acontece de 19 a 23 de setembro em Salvador, com a Semana do Clima regional América Latina, na cidade de Salvador.

No mês seguinte, junto com uma grande greve climática organizada por jovens de todo o mundo, haverá a Cúpula do Clima em Nova York. De acordo com Rosa, esta será a primeira oportunidade para os governos anunciarem planos audaciosos.

“O planeta, a biodiversidade e a segurança alimentar das pessoas que vivem na Terra dependem de metas e ações mais fortes”, diz o diretor Rosa.

Outros eventos importantes até o final do ano incluem a Conferência Brasileira do Clima, em outubro, na cidade de Recife, e a Conferência de Partes da ONU no Chile (COP25).

Caça de animais silvestres aumenta no inverno

Caça de animais silvestres aumenta no inverno

Escrito por Neo Mondo 28 de junho de 2019
Caça de animais silvestres aumenta no inverno

POR – PG1 COMUNICAÇÃO / NEO MONDO


Dados da Polícia Ambiental do Paraná comprovam aumento de 60% no período em 2018 em comparação com o ano anterior
Apesar da caça de animais silvestres ser proibida em território brasileiro desde 1967 por meio da Lei de Proteção à Fauna (Lei 5.197/67), a prática ainda é muito comum pelo Brasil e, cada bioma e cada espécie, revela ter um nível de ameaça diferente. As motivações para realização desta atividade variam desde o consumo para alimentação, em geral quando se tratam de mamíferos ou aves, até capturas para manutenção como animais domésticos.

Em regiões onde o clima é mais frio, a caça de animais silvestres aumenta no inverno. Segundo dados do Batalhão de Polícia Ambiental do Paraná – Força Verde (BP Amb FV), da Polícia Militar do Paraná, o número de apreensões de armadilhas para a fauna em todo o Estado cresceu de 761 entre junho e setembro de 2017 para 1.220 apreendidas no mesmo período de 2018. O aumento representa um crescimento de 60%. Outro indício que comprova que a caça é mais intensa durante os meses mais frios do ano é o número de armas de fogo apreendidas pelo Batalhão. Apenas durante o inverno de 2018, foram mais de 130 armas e 2.344 munições apreendidas.

Alguns fatores contribuem para esse aumento. De acordo com o capitão BP Amb FV, Álvaro Gruntowski, o inverno é uma época em que o alimento é mais escasso na floresta, por isso o animal acaba se expondo mais para conseguir se alimentar e é facilmente atraído pelas “cevas”, alimentos deixados em local estratégico para atrair o animal. A estação também coincide com o período reprodutivo de muitas espécies, deixando-as ainda mais vulneráveis. “Mas o principal fator é a temperatura mais amena e diminuição das chuvas, o que torna o deslocamento do caçador mais fácil e confortável dentro da floresta”, ressalta Gruntowski.

O coordenador das reservas da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), Reginaldo Ferreira, instituição que é proprietária de três Reservas Naturais no litoral do Paraná – das Águas, Guaricica e Papagaio-de-cara-roxa –, conta que algumas  armadilhas utilizadas pelos caçadores também podem representar risco para quem transita por estas áreas naturais e para os policiais do BP Amb FV, como é o caso do “trabuco” ou armadilha de carreiro, que consiste em uma arma de fogo instalada com um dispositivo que é acionado quando o animal passa pela trilha. “Nossas atividades incluem o monitoramento dessas áreas, em parceria com o Batalhão, para prevenir ilícitos ambientais como desmatamentos, a caça ou captura de animais silvestres, corte de palmito nativo ou qualquer outra atividade ilegal dentro dessas áreas. Infelizmente, ainda sofremos muito com a caça predatória na região, o que representa uma ameaça não apenas para os animais, mas para quem anda pela mata também”, explica Reginaldo.
Foto: Lucas Pontes