Polícia Federal deflagra operação contra desmatamento ilegal
Redação
Polícia Federal/PA
A Polícia Federal deflagrou hoje (29/7) a Operação Carranca, para reprimir a exploração ilegal de madeira na região de Brasil Novo, Medicilândia e Uruará, no estado do Pará.
Estão sendo cumpridas, ao todo,
60 medidas cautelares, sendo 14 mandados de medidas cautelares diversas
da prisão, 7 mandados de afastamento do emprego ou função pública, 4
mandados de suspensão da atividade de natureza econômica, 7 mandados de
sequestro de bens e 28 mandados de busca e apreensão.
A
investigação policial teve início no primeiro semestre de 2016, a
partir de denúncias da extração ilegal de madeira no município de Brasil
Novo/PA. Com o avanço da investigação, foi possível identificar grupos
que atuavam em todas as etapas da cadeia produtiva da madeira: extração,
serragem, falsificação de documentos, fiscalização, transporte e compra
da madeira ilegal.
Esses grupos criminosos foram divididos em 4
núcleos, conforme sua atuação no esquema criminoso. O primeiro núcleo
se refere aos madeireiros de pouco poder econômico, que atuam na linha
de frente da extração ilegal de madeira nos municípios mencionados. O
segundo núcleo é dos madeireiros de grande poder econômico, que
financiam uma grande cadeia de extração, serragem e distribuição de
madeira ilegal, inclusive realizando a manipulação de créditos
florestais e falsificação de documentos.
Já, o terceiro núcleo
está ligado aos servidores públicos das Secretarias municipais de Meio
Ambiente, advogados, engenheiros florestais e outros ligados a esses,
que utilizam sua função pública para favorecer e acobertar os crimes
ambientais, além de, em alguns casos, participarem do comércio de
madeira ilegal.
O quarto núcleo, cuja identificação foi feita
com o apoio da Polícia Rodoviária Federal, é composto por servidores
policiais que realizavam fiscalização ilegal na rodovia Transamazônica,
cobrando vantagem indevida dos caminhoneiros como condição para
prosseguirem viagem ou passando informações de fiscalização rodoviária.
Dentre eles há um servidor público federal e outros do estado do Pará,
além de batedores caminhoneiros que repassavam informações.
Os tipos penais investigados são:
- exploração econômica de floresta nativa em terra de domínio público (Lei nº 9605/1998);
- fornecimento de nota fiscal em desacordo com a legislação (Lei nº 8137/1990);
- integrar ou financiar organização criminosa (Lei nº 12850/2013);
- recebimento de madeira para fins comerciais sem exigir a exibição da licença (Lei nº 9605/1998);
-
falsidade ideológica, associação criminosa, corrupção passiva,
prevaricação, peculato, violação de sigilo funcional e concussão (todos
do Código Penal Brasileiro).
Cinco são presos em garimpo ilegal em Apiacás; maquinário é apreendido
Redação
Divulgação/PJC
Garimpo ilegal em Apiacás
Cinco homens foram detidos na tarde desta quinta-feira
(30), na zona rural de Apiacás (1.010 km ao norte de Cuiabá), durante
ação integrada da Polícia Civil do município e da Secretaria Estadual do
Meio Ambiente (Sema) de combate a crimes ambientais na região.
Os
suspeitos de 51, 52, 55, 58 e 65 anos foram autuados em flagrante por
usurpação (produzir bens ou explorar matéria prima pertencente à União
sem autorização legal) e por poluição (construir ou fazer funcionar,
estabelecimentos, obras ou serviços potencialmente poluidores, sem
licença).
O trabalho foi deflagrado em apoio à equipe da Sema
para fiscalização de um garimpo situado em uma propriedade rural situada
na estrada W3. Chegando nas proximidades, as equipes avistaram uma
escavadeira e barulho de motores em funcionamento. Os policiais e
fiscais foram recebidos por um homem que se apresentou com o
proprietário do local e foi solicitado que o mesmo desligasse o motor
que estava na beira do córrego e chamasse as outras pessoas que estavam
garimpando dentro de uma escavação.
No local foram encontrados
três motores, sendo dois em funcionamento de uma s draga de seis
polegadas. Foi constatada a existência de um córrego, que passa ao lado
do garimpo, um braço do rio Das Primas, cujas águas estavam sendo
utilizadas para a garimpagem. Também foi localizada uma máquina
escavadeira, que não estava em funcionamento, porém, utilizada no
garimpo. As equipes constataram quatro garimpeiros trabalhando dentro de
um buraco.
Diante dos fatos, as cinco pessoas foram conduzidas
para a Delegacia de Apiacás para as providências cabíveis. Todos os
materiais utilizados no garimpo foram apreendidos pela Sema.
Os
conduzidos foram interrogados e responderão pelos crimes de usurpação
(produzir bens ou explorar matéria prima pertencente à União sem
autorização legal) e por poluição (construir ou fazer funcionar,
estabelecimentos, obras ou serviços potencialmente poluidores, sem
licença).
Sema flagra garimpo de ouro ilegal e aplica multa de R$ 400 mil
Foram identificados aproximadamente 22,5 hectares de desmate entre áreas de preservação permanente e de mata nativa.
Redação
Sema/MT
A Secretaria de Meio Ambiente (Sema-MT) realizou fiscalização contra garimpo de ouro sem autorização de operação na região de Carlinda e Alta Floresta.
Fiscais da Unidade Descentralizada de Alta Floresta e da Coordenadoria
de Fiscalização de Empreendimentos aplicaram multa de R$400 mil por
supressão vegetal e operação ilegal na atividade e embargo.
A operação ocorreu em parceria com a Polícia Judiciária Civil e incluiu a zona de amortização do Parque Estadual Cristalino e foi resultado de denúncias e de análise de imagens de satélite
monitoradas pela regional de Alta Floresta. A fiscalização flagrou
atividade implantada de extração mineral com sinais recentes de desmate e
perfurações no solo trazendo significativo impacto nas florestas e
corpos hídricos.
Foram feitos o levantamento em campo, por meio
de uso de veículo aéreo não tripulado, da extensão do dano e também
identificação de outros focos de desmatamento realizados pela atividade.
Foram identificados aproximadamente 22,5 hectares de desmate entre áreas de preservação permanente e de mata nativa.
Os responsáveis responderão administrativamente o embargo e também pelas infrações cometidas.
Atividade essencial
As
atividades de fiscalização ambiental, que incluem as ações de
monitoramento e controle de crimes ambientas como desmatamento e
exploração florestal ilegais, pesca predatória, caça ilegal, poluição
causara por empreendimentos, dentre outros, seguem em pleno
funcionamento durante a pandemia do Covid-19.
De acordo com
artigo 8° do decreto Estadual 432/2020, a fiscalização ambiental é
considerada atividade essencial no Estado. Ao se deparar com crimes
ambientais, o cidadão pode fazer denúncias pelo 0800 65 3838 ou via
aplicativo MT Cidadão (disponível para IOS e Android).
Monitoramento Diário
Desde
2019, por meio da Sema, o Estado de Mato Grosso é beneficiário da
Plataforma de Monitoramento da Cobertura Vegetal (ferramenta) adquirida
pelo Programa REM, por meio do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade
(Funbio), com recursos da Alemanha e Reino Unido.
Além das
imagens diárias de alta resolução espacial, são disponibilizados alertas
semanais de desmatamento e degradação da vegetação em toda a área do
Estado. Os alertas permitem detectar desmates a partir de um hectare e
acompanhar a alteração da cobertura vegetal de forma rápida e precisa.
Denúncias
O
cidadão pode denunciar crimes ambientais à Ouvidoria Setorial da Sema:
0800-65-3838 ou via WhatsApp no (65) 99281- 4144, nas regionais da Sema
ou pelo aplicativo MT Cidadão.
Ação integrada apreende helicóptero que jogava agrotóxico na Floresta Amazônica
Piloto conseguiu fugir e
duas pessoas foram conduzidas para a delegacia após flagrante de
desmatamento ilegal e outros crimes ambientais
Juliana Carvalho
Sema-MT
Operação integrada da Secretaria de Estado de Meio
Ambiente (Sema), polícias Civil e Militar e Centro Integrado de
Operações Aéreas (Ciopaer) na segunda-feira (15.06) flagrou a
pulverização de agrotóxico em floresta nativa, áreas de regeneração e
pasto, ocasionando danos visíveis à flora.
Esta é a primeira vez
que Mato Grosso apreende um helicóptero sendo utilizado para realizar
desmatamento ilegal. A equipe considerou o crime um atentado contra a
saúde pública e o meio ambiente.
Na
ação realizada a 63 quilômetros do município de Colniza (Noroeste de
Cuiabá), duas pessoas foram conduzidas para a delegacia de polícia. O
piloto do helicóptero não foi localizado. A aeronave apreendida será
periciada e removida, enquanto os produtos utilizados na pulverização
serão periciados no local.
A operação teve origem em denúncia
anônima que relatou o uso de agrotóxico por diversas propriedades no
entorno da Vila Maguila, distrito de Colniza.
Após um trabalho
pelo Núcleo de Inteligência e Operações Integradas (NIOC) da Sema, a
área foi identificada e o Ciopaer foi acionado para sobrevoar a área. Os
agentes identificaram a vegetação amarelada e localizaram a aeronave
com os pulverizadores acoplados.
Aequipe também encontrou os
tanques utilizados no armazenamento de agrotóxicos, nas margens de um
lago que aparenta ser uma nascente hídrica represada. As investigações
iniciais apontam para a contaminação da lagoa. De acordo com o relato de um dos conduzidos, foram
pulverizados 83 galões de 20 litros de agrotóxicos em duas
propriedades, em uma área aproximada de 850 hectares e estavam
preparando para realizar o trabalho na terceira propriedade.
O
suspeito relatou ainda que todo material era manipulado às margens da
nascente. Demais sanções administrativas estão sendo calculadas e a
Polícia Civil conduz o inquérito criminal.
Desmatamento ilegal zero
A
ação realizada em Nova Bandeirantes integra Operação Amazônia Arco
Norte do Governo de Mato Grosso em parceria com a Operação Verde Brasil
do Governo Federal, visando zerar o desmatamento ilegal em Mato Grosso.
Desde
o início da Operação, em maio, foram aplicados R$ 101 milhões em multas
por crimes contra a flora, como desmatamento, exploração florestal e
queimadas ilegais, dentre outros. Foram embargados mais de 21 mil
hectares e apreendidos 44 tratores.
Desde janeiro, Mato Grosso
aplicou R$ 555 milhões por crimes contra a flora e embargados 78 mil
hectares. As ações conduzidas resultaram na apreensão de 116 tratores e
27 caminhões.
Atividade essencial
As atividades de
fiscalização ambiental, que incluem as ações de monitoramento e controle
de crimes ambientas como desmatamento e exploração florestal ilegais,
pesca predatória, caça ilegal, poluição causara por empreendimentos,
dentre outros, seguem em pleno funcionamento durante a pandemia do
Covid-19.
De acordo com artigo 8° do decreto Estadual 432/2020, a
fiscalização ambiental é considerada atividade essencial no Estado. Ao
se deparar com crimes ambientais, o cidadão pode fazer denúncias pelo
0800 65 3838 ou via aplicativo MT Cidadão (disponível para IOS e
Android).
Militares cercados pelo fogo são resgatados por helicóptero em Poconé
Redação
Corpo de Bombeiros - MT
Seis militares bombeiros que combatiam incêndio no
Pantanal, no muncípio de Poconé, viram-se cercados pelo fogo na última
sexta-feira (14).
Eles conseguiram se comunicar com a base e
foram localizados por uma aeronave que também auxilia o trabalho dos
bombeiros na região. Em seguida um helicóptero da Força Aérea Brasileira
conseguiu pousar e resgatá-los.
Segundo informado pelo
bombeiros, o vento forte fez as linhas de fogo avançarem rapidamente em
direção ao setor norte do hotel Sesc Porto Cercado.
Cerca de 200
mil hectares foram consumidos pelo fogo desde o início do incêndio que
começou há três semanas no Pantanal mato-grossense.
As
ações para defesa da maior planície alagável do mundo, contam mais 134
pessoas atuando no combate aos incêndios. São 38 bombeiros militares de
Mato Grosso e 12 de Mato Grosso do Sul. Do Governo Federal, atuam oito
militares da FAB e 23 da Marinha, além de 14 brigadistas do ICMBio. O
Sesc Pantanal disponibilizou 39 funcionários, sendo quatro em parceria
com a Universidade Federal de Mato Grosso.
Para ação, estão
sendo empregados duas aeronaves de combate a incêndio do CBMMT e outas
duas do ICMBio. Um helicóptero da Força Aérea Brasileira e outro da
marinha atuam na operação para deslocamento de equipes e identificação
das éreas atingidas. Na sexta-feira (14), mais um helicóptero do Ibama
começou atuar na região do Porto Jofre, em Poconé.
Por terra, as
equipes recebem o apoio de duas camionetes, uma van, um caminhão, um
ônibus e dois quadriciclos também do Corpo de Bombeiros Militar e três
máquinas oriundas de apreensão cedidas pela Sema. De recursos privados,
estão em campo uma aeronave e três camionetes do Sesc Pantanal, três
caminhões pipa, três tratores pipa, um microônibus, um quadriciclo e uma
van. Máquinas de diversos produtores rurais estão sendo empregadas na
construção das linhas de defesa. As estimativas apontam que uma área de
204 mil hectares foi atingida pelo fogo nos municípios de Barão de
Melgaço e Poconé
Duas
aeronaves do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT)
utilizaram cerca de 45 mil litros de a?gua para impedir que o fogo
atingisse uma casa de pau-a-pique (foto acima) do seu Dito Verde
(Benedito Alves da Silva), morador mais antigo da reserva RPPM Sesc
Porto Cercado. Além das aeronaves, combatentes, dois barcos e um
helicoóptero da Marinha foram empenhamos para impedir que casa de seu
Dito Verde fosse destruída pelas chamas. O incidente aconteceu na
quarta-feira (12/08).
Da série ‘Roteiros da Amazônia’, com o cineasta Jorge Bodanzky* Preguiças são bichos que vivem espalhados pelas Américas, especificamente em sua porção Central, na Amazônia e na Mata Atlântica, que volta e meia viralizam em redes sociais e causam certo debate sobre a quantidade de horas que passam dormindo.
As que vivem na Amazônia alimentam-se basicamente de folhas de
embaúba, mas há notícias sobre a criação de preguiças com uma dieta
diferente, repleta de vegetais que existem na Alemanha.
A administradora desse regime peculiar foi Heidi Mosbacher,
alemã que viveu por cerca de duas décadas às margens do rio Cuieiras e
criou dezenas desses bichos para um estudo que dizia montar.
Como na maioria das situações atípicas, foi o mero acaso que fez o diretor Jorge Bodanzky conhecer a jovem, com quem manteve contato por mais de uma década.
Era o final dos anos 80, quando ele estava em Manaus (AM) com o
colega Gernot Schley, fazendo uma matéria sobre a exportação de madeira
amazônica para a Alemanha. Enquanto entrevistava um empresário do ramo
madeireiro, em um pequeno escritório abafado atrás do Teatro Amazonas,
foi surpreendido por uma mulher loira, alta e muito magra que entrou
esbaforida no local, solicitando sua correspondência e falando alemão.
O homem — que dividia as funções de madeireiro com as de
cônsul-honorário da Alemanha na cidade — deu a ordem e a secretária
entregou quatro ou cinco cartas à visitante, que logo saiu correndo por
onde entrara. Curioso, Bodanzky perguntou ao paisano quem era aquela
moça. Ele respondeu que era “uma alemã maluca que morava sozinha no mato
com as preguiças”.
O diretor interrompeu a entrevista e correu atrás da jovem, que
seguiu em direção ao cais de Manaus, perto dali. “Perguntei a ela quem
era e para onde ia, mas ela só me disse que não poderia falar, que tinha
pressa para alimentar as preguiças que estavam famintas”, conta.
Ele a acompanhou até o porto e foi surpreendido por uma pequena canoa telada, contendo nada menos que 20 bichos-preguiça.
Sem dar explicações, a mulher embarcou e subiu pelo rio Negro em rumo
desconhecido até então. Quando voltou ao cônsul, não acrescentou muito
mais à sua primeira e impactante impressão: apenas que ela se chamava
Heidi Mosbacher, alemã de Munique, de poucos conhecidos e que só
aparecia no escritório para buscar suas cartas a cada dois ou três
meses. Depois voltava para o isolamento, no meio da floresta.
Investigando, Jorge soube que um barqueiro conhecido seu, apelidado
Bigode, mantinha contato e às vezes ia até onde Heidi morava, próximo ao
rio Cuieiras, na Reserva Florestal Adolpho Ducke, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), em Manaus.
Avessa à socialização humana, ela fugia para o mato quando alguém tentava chegar ao local onde cuidava dos animais.
Mesmo visitando a cidade por várias vezes, aquela tinha sido a
primeira vez que Bodanzky soube da estrangeira. Até aquele momento o que
ele sabia é que Heidi aparentemente fazia pesquisas sobre as preguiças.
Mas para qual instituição? Onde? Como? Gernot, que acompanhava o
diretor na cidade, não se interessou pelo assunto.
Quando voltou à cidade, em outro momento, o diretor convenceu o
cônsul a quebrar o protocolo e pediu para pegar e levar ele próprio a
correspondência de Heidi, como um carteiro informal (mero pretexto para
conhecê-la). A ideia era fazer a viagem com Bigode, que já sabia o
caminho, mas quando Heidi escutou o barulho do motor naturalmente se
escondeu, conforme imaginavam. Ele chamou-a pelo nome e falou em alemão.
Em algumas horas ela apareceu, ainda desconfiada e falando pouco.
Nenhuma câmera foi levada.
“A história da Heidi era muito interessante porque, a cada vez que
ela ou outra pessoa a contava, mudava alguma coisa. Quer dizer, até hoje
não se sabe exatamente qual é a história verdadeira, até onde vão os
fatos e a imaginação de cada um”, lembra Bodanzky.
Após longa conversa, o cineasta entendeu que a pesquisadora registrava os hábitos dos bichos-preguiça.
Mesmo com as respostas, as dúvidas e a curiosidade foram aumentando.
Ele voltou ao lugar com uma equipe, depois de convencer Heidi a
participar de uma reportagem para uma emissora brasileira.
Ela relatou que era de Munique, na Alemanha, onde também havia
estudado Química. Trabalhou no Quênia como analista de solos, voltou
para a cidade natal e depois foi para Manaus com alguns pesquisadores.
Em 1973, quando andava pela capital amazonense, viu uma criança vendendo
um filhote de preguiça. Apaixonou-se pelo bicho, comprou-o e ficou tão
preocupada que decidiu salvar a espécie local, tomando-a como um símbolo
da preservação da floresta.
Daí, após dois anos na capital do Amazonas, foi parar num barraco de
propriedade do INPA no rio Cuieiras, em área de preservação ambiental.
Por algum motivo o órgão tolerou sua presença no local, que ela usava
como morada e dividia com os mamíferos.
Guardava de 20 a 30 bichos-preguiça na precária casa de palafitas.
Ela dormia no local com os animais e, quando viajava a Manaus, precisava
trazê-las consigo, porque elas precisam ser alimentadas com muita
frequência.
Essa era uma grande aflição de Heidi e tornava a situação muito
limitadora, porque a preguiça come basicamente a folha da embaúba, uma
árvore típica da Amazônia. O mamífero também não bebe água, mas a retém
do que come, e por isso, a folhagem precisa ser sempre fresca.
Como sempre dizia, inclusive em entrevistas, Heidi acreditava que as
pessoas tinham que aprender que as preguiças eram dignas de proteção e
não eram lentas como a maioria achava. “Elas não são estúpidas. Podem se
comunicar, são afetuosas, cuidam umas das outras e são limpas”, disse
ao jornal americano Washington Post em 1994, que a chamou de “dama das preguiças”, sloth lady na ocasião.
A pesquisa e o realismo mágico
Bodanzky ainda precisava entender os detalhes sobre a estada da
pesquisadora naquele lugar, praticamente isolada havia mais de dez anos
(ela tinha chegado no Amazonas em 1973 e foi para o Cuieiras em 1975). A
partir daí, as visitas aconteceram com certa frequência, de uma a duas
vezes por ano, sempre quando o diretor passava por Manaus. Apesar da
curiosidade e o registro de alguns encontros, ele sentia uma simpatia
genuína por Heidi.
Ela chamava os ribeirinhos de canibais porque eles comiam preguiças como carne de caça.
Estes, em contrapartida, ficavam ofendidos com a comparação, e isso
gerava uma certa animosidade. Heidi piorava tudo quando dizia que seria
morta pelos caboclos da região que, ela acreditava, a odiavam por
proteger os mamíferos.
“Ela tinha desejo de morrer lá e realmente acreditava que seria morta
pelos caboclos”, afirma Bodanzky. Mas acontecia justamente o contrário:
não havia hostilidade.
Alguns vizinhos, compadecidos de Heidi, até levavam comida para a
alemã — peixe e farinha de mandioca. Antes existia uma família na região
que lhe dava verduras e frutas, mas se mudaram, o que a deixou ainda
mais solitária naquele lugar. Mesmo nas agruras e intempéries da selva tropical, ela dizia, inclusive, que a única coisa que realmente sentia falta da civilização era do bom e velho pão europeu.
O cineasta soube posteriormente que Heidi de fato conseguira uma bolsa pelo Instituto Max-Planck da
Alemanha para estudar as preguiças, em 1979. Mas acabou ficando sem o
recurso porque, depois que foi morar na reserva, desapareceu e nunca
mais se manifestou à entidade.
Ela dizia que trabalhava muito e que existiam poucas informações
sobre o animal, como vive, se reproduz e tempo de gestação. Por isso, as
colocou na construção, que foi telada. Heidi tinha uma favorita, que
chamava de Monalisa —por ter um aparente sorriso
amarelo no rosto— e que era como uma filha, como as outras. Mas sempre
preferia posar para as fotos e vídeos com o bicho. Ela também admirava a
primatóloga britânica Jane Goodall, especialista em chimpanzés.
Quando questionada sobre o que já havia pesquisado, a alemã não apresentava nenhum tipo de registro. A justificativa evocava o realismo mágico, como lembra Jorge Bodanzky:
“Eu perguntava pela pesquisa e ela dizia que anotava tudo em
cadernos. Eu retrucava: ‘E onde estão? Posso vê-los?’. Ela apontava para
uma bagagem acomodada no forro da casa. Quando eu pedia para me
mostrar, ela dizia que não havia nada ali porque, de tempos em tempos, a
casa era invadida por formigas que sempre comiam os cadernos com as
anotações e ela era obrigada a sair do lugar. Então dizia que todo ano
precisava reescrever o trabalho”, explica.
Algumas pessoas a achavam ‘totalmente maluca’, outros acreditavam que
ela fazia estudos sérios. O fato é que a pesquisa em si, de acordo com
Bodanzky, era ficção. Nunca foram encontrados registros escritos de Heidi Mosbacher sobre as preguiças, até o momento.
Este fato reforça a tese de que o trabalho de Heidi na região era a
observação. Talvez um pretexto para ficar ali à vontade, longe dos
estressantes centros urbanos. Algo que, para o cineasta, é a realização
de uma vontade que muitas pessoas expressam.
A peleja de Heidi também significa preocupação com a espécie, um tipo de ecologia fora do padrão, que convida para um olhar mais atento. De fato, houve algumas reportagens publicadas na revista People, em 1988, além do artigo no Washington Post e dos trabalhos de Bodanzky para o Globo Repórter, da Rede Globo, veiculados em 1990.
Preguiças germânicas
O desejo de Heidi era voltar para seu país natal, sem abandonar suas
queridas preguiças. Ela queria levar algumas para Munique, para
continuar a pesquisa. A ideia era acostumá-las desde pequenas à dieta de
cenouras, batatas e outros vegetais que pudessem ser encontrados
facilmente na Alemanha. Mas como levá-las?
Já no começo dos anos 90, Bodanzky trabalhava para o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e
relatou ao gestor da época sobre o projeto de Heidi. Mas apenas a boa
vontade da alemã não bastava para a operação: o presidente disse que a
transferência seria impossível, por faltar uma instituição de pesquisa
oficial que recebesse os animais no país europeu. A negativa foi
reiterada em uma ocasião posterior, inclusive em troca de cartas e
ofícios transportados por Jorge.
Até meados de 1998 e 1999, Bodanzky acreditava que não havia conteúdo
suficiente para fazer um material mais extenso sobre Heidi. Pelo
julgamento alheio, a história “não tinha pé nem cabeça” e por isso não
despertava interesse, além do cineasta que a conhecia há uma década.
Somente David Meyer, marido da diretora Helena Solberg, ficou
fascinado quando ouviu os relatos de Bodanzky. Ele sugeriu um
documentário ao National Geographic, que topou o projeto. Jorge foi
adiante, sondar Heidi sobre o assunto, mas recebeu uma notícia triste:
descobriu que a alemã havia ficado muito doente e fora para a Alemanha
se tratar.
Ouviu de um vizinho que ela tinha soltado os bichos no mato. “Foi
quando eu pensei: ‘Ah, se ela soltou é porque não volta mais’”, diz. Ele
estava certo. Heidi estava com câncer de estômago e fez uma operação no
país natal. Acabou morrendo lá, longe de suas amadas preguiças e da
Amazônia, onde viveu por mais de duas décadas.
A história permaneceu esquecida até o ano passado, quando uma
documentarista suíça procurou Bodanzky para entrevistá-lo. O assunto era
justamente Heidi.
No documentário de Mélanie Rounier, o jornalista Ron Arias, que entrevistou Heidi, diz que a química que sonhava ser bióloga era uma mulher muito solitária e que chegou, inclusive, a ter como vizinho um casal de conterrâneos alemães a 15 metros de distância.
Mas eles não se davam muito bem porque o homem trabalhava em uma
empresa construtora de estradas, que tinha que limpar a vegetação para
realizar o serviço, coisa que ela criticava muito. Os outros dois
achavam que Mosbacher era louca.
Para Bodanzky, Heidi Mosbacher, assim como tantos personagens, representa um certo grau de ‘loucura’ lúcida recorrente nas pessoas que vão para a região e alimentam o “mistério amazônico”.
“Uns vão para procurar o El Dorado, vão fazer a Fordlândia, o Projeto Jari, Belo Monte. Quer dizer, é um espaço que ainda oferece o mistério, o imaginário. Talvez ainda seja o único lugar da Terra onde as coisas impossíveis ainda podem se realizar, ou pelo menos as pessoas acham isso”, frisa.
“Acho que a Heidi fugiu da civilização e criou a sua própria família
em meio às preguiças. É uma loucura, até certo ponto, mas não muito
diferente da fábrica de celulose de Daniel Ludwig, por exemplo. Creio
que a Amazônia dá espaço para isso”.
O filme de Rounier, concluído em 2019, disponível abaixo, em francês e alemão, é “Heidi Mosbacher, au-delà d‘une vie”. “A coisa se inverteu, hoje ela sabe mais sobre a Heidi”, conclui Jorge.
Projeto
independente, sem fins lucrativos, visa ampliar o debate crítico a
respeito da região amazônica e expor sua diversidade cultural, sua
riqueza natural e seus dilemas. Seu site é gerido por uma rede de
colaboradores e editores remotos de diversos pontos do país e do globo
Os incêndios no Pantanal que já
entram na quarta semana, destruindo a vegetação da maior planície de
água doce do mundo e matando seus animais, chegaram à Fazenda São
Francisco do Perigara, no município de Barão do Melgaço, no Mato
Grosso. O local é o maior refúgio natural de araras-azuis do país.
Na última sexta-feira (14/08), apesar das chamas estarem próximas à
fazenda, relatos de pessoas que estavam no santuário traziam boas
notícias: que as araras continuavam por lá.
Mas em post divulgado nas redes sociais neste domingo, acompanhado do vídeo abaixo, o Instituto Arara-Azul informou
que, “… a área continua protegida, sem fogo. Mas, infelizmente, os
relatos não são muito bons. Isso porque as aves, tanto as araras azuis
quantos outros psitacídeos, que costumam ser contados em centenas, foram
vistos em menor número. Com relação às araras azuis, foram apenas 30
indivíduos no dormitório. Antes disso, poucas vezes foram contadas menos
de 100 – 150 araras”.
Combate ao fogo no Pantanal
De acordo com a bióloga Luciana Ferreira, que trabalha no instituto e esteve no local, a fumaça, a falta de água e a secura do ambiente podem ter afetado as araras e impedido que a maioria delas se dirija ao dormitório.
“Torcemos para que a chuva chegue logo na região. E assim, diminua o
perigo sobre essa área tão importante para todas as espécies que a
utilizam há décadas para dormir, se alimentar, se proteger e se
reproduzir!”, escreveu a equipe do Instituto Arara-Azul.
A arara-azul (Anodorhynchus hyacinthinus) está ameaçada de extinção.
Com 1 metro de comprimento, da ponta do bico até a ponta da cauda, ela é
a maior espécie no mundo da família Psittacidae. Mas sem dúvida
nenhuma, é sua plumagem de um azul cobalto intenso e o amarelo em volta
dos olhos sua maior característica.
A espécie vive em grupo, em bandos de 10 a 30 indivíduos. Na região
do Pantanal, 90% dos ninhos dessas aves são encontrados nas árvores de
manduvi e são reutilizados de ano para ano.
O Instituto Arara-Azul foi fundado há 30 anos pela bióloga Neiva Guedes, uma apaixonada pela espécie e uma referência mundial em conservação.
Graças à sua determinação e do esforços do instituto, estudando a vida
dessas aves, testando e produzindo ninhos artificiais, manejando ovos e
filhotes e, acima de tudo, envolvendo a população e divulgando a
importância de manter as araras livres na natureza -, a arara-azul, que
ao final da década de 80 tinha uma população estimada em 1,5 mil
indivíduos, hoje chega a 6,5 mil.
O Instituto Arara-Azul está promovendo uma campanha para arrecadar
recursos com o objetivo de colaborar com as ações de proteção e
prevenção contra os incêndios, e assim, proteger a área de dormitório
das araras-azuis que ainda resta.
Para quem quiser ajudar, vale depositar qualquer valor na conta abaixo:
Jornalista,
já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo
da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e
2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras,
entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta
Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas,
energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em
Londres, vive agora em
Vitória! Grupo Carrefour Brasil se compromete a melhorar a
vida dos porcos
13/01/2020
A rede varejista é a primeira no Brasil a adotar altos
níveis de bem-estar animal em sua política de fornecedores
Após quase dois anos de trabalho e negociações, o Grupo
Carrefour Brasil assumiu nosso compromisso de melhorar a vida dos porcos.
O anúncio, feito na última sexta-feira (10), é uma grande
vitória para os animais - que foi possível graças ao apoio dos mais de 92
mil brasileiros que assinaram nossa petição e exigiram mudanças pelo
bem-estar dos porcos.
As melhorias serão aplicadas a todos os fornecedores de
carne suína in natura (não processada) da marca própria Carrefour, que
representa 74% de toda a carne de porco comercializada em seus
açougues. Para os produtos de outras marcas, a rede anunciou que também
cobrará melhorias.
De acordo com a nova política, o Grupo Carrefour Brasil só
comprará carne suína in natura de fornecedores que:
garantam
que as porcas passem o período de gestação em grupo e não mais do que 28
dias em gaiolas. Essa mudança deverá ser feita até 2022;
não
usem o corte de orelha (mossa) como forma de identificação dos animais.
Assim como no caso da gestação coletiva, os fornecedores terão dois anos
para abolir a mossa;
adotem
a castração por vacina (imunocastração) ao invés da castração cirúrgica. A
imunocastração deverá ser implementada até 2025;
utilizem
o corte ou desgaste dos dentes dos animais somente em casos de extrema
necessidade, como quando alguns animais apresentarem comportamentos
agressivos;
investem,
de forma contínua, em ambientes mais interativos para os animais, que
simulam situações que ocorreriam na natureza.
A rede também se comprometeu a realizar estudos e testes com
seus fornecedores para encontrar uma solução para a prática do corte de cauda
dos porcos.
Apenas o começo
O Carrefour Brasil foi é a primeira grande rede
varejista a atender nossos pedidos para mudar a vida dos porcos.
Desde 2017, nossa campanha “Mude a vida dos porcos”
pede aos supermercados que:
substituam
a gestação em gaiolas por gestação coletiva em ambientes com
enriquecimento ambiental até 2028;
disponibilizem
materiais e condições que permitam que os animais expressem seu comportamento
natural até 2028;
eliminem
mutilações dolorosas até 2028;
eliminem
gaiolas para as porcas mãe durante o parto e a amamentação até 2035.
Ainda há muito a ser feito. Queremos que outras empresas do
setor, como o Grupo Pão de Açúcar, sigam o exemplo do Grupo Carrefour
Brasil e priorizem o bem-estar dos animais em suas políticas de fornecedores.
Em 2020, continuaremos pressionando os supermercados para
que os animais não sejam esquecidos.