sábado, 24 de julho de 2021

Nota de solidariedade ao povo alemão devido às enchentes no país

 

Nota de solidariedade ao povo alemão devido às enchentes no país

17.07.2021 • Opinião
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O IPAM e seus colaboradores se solidarizam com a população alemã, que enfrenta atualmente uma das piores inundações de sua história moderna. A dor da perda de pessoas e de seus sonhos traz consternação a toda uma nação, mas também a toda a humanidade.

A longa relação de parceria e cooperação entre os países nos aproxima neste momento, com laços de apoio que se estendem entre os dois continentes. Juntamo-nos na esperança que a busca pelos desaparecidos seja bem lograda, e que em breve a Alemanha e sua população possam se recuperar de mais esse desafio.

O desenvolvimento da Pan-Amazônia não pode ser pautado só na economia

 

O desenvolvimento da Pan-Amazônia não pode ser pautado só na economia

20.07.2021 • Notícias



O mundo inteiro vem discutindo propostas para salvar a Amazônia, mas o primeiro passo precisa ser uma mudança de narrativa em que o desenvolvimento não seja pautado apenas no crescimento econômico. “Ainda somos obrigados a justificar como fazer a conservação da floresta na perspectiva do que poderia ser um ganho econômico, sem que haja um espaço para abordar o valor que a floresta tem nas suas múltiplas dimensões”, destacou Adriana Ramos, assessora política e de direitos socioambientais do Instituto Socioambiental (ISA), durante participação em encontro do Amazoniar na última quinta-feira (15/07), que teve como tema “Uma Amazônia em 9 países: inúmeras culturas em um só bioma”.

  

Para Gregório Mirabal, coordenador geral da Coordenadoria das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (COICA), que também participou do último encontro do Amazoniar, as múltiplas crises resultantes da pandemia de Covid-19 evidenciam a importância de um olhar mais abrangente para a região. “A pandemia não tem fronteiras […] não tem distinção de ideologia nem de partido político. Todos vêem a Amazônia como um negócio, como uma forma de sair da crise econômica”, disse.

“Nosso grande problema é o enfrentamento de fortes interesses econômicos que se colocam como mais relevantes do que o interesse da conservação”, comenta Ramos. Segundo ela, a informação pode ajudar e oferecer mais elementos para que a sociedade se mobilize, mas a luta “sempre vai ser de cunho econômico, contra uma lógica exploratória e colonial que não é pensada para o próprio desenvolvimento da Amazônia”.

A chave está na própria Amazônia

Ramos alerta que a resposta para a conservação e o desenvolvimento da Amazônia está dentro do território. “Existe uma arrogância da nossa sociedade de buscar uma solução tentando reinventar coisas que já fazem parte da realidade indígena há séculos.”

Para ela, a bioeconomia ilustra bem essa situação. “Acredito que a economia a partir da floresta em pé e do uso da biodiversidade pode ser um caminho para o futuro, mas não pode ser uma bioeconomia feita dentro de laboratórios, que vai tentar reproduzir o valor da biodiversidade fora da floresta”, disse. “Os povos indígenas nos trazem uma diversidade de repertório e possibilidades que não precisa ser reinventada pela ciência moderna. Ela precisa ser primeiro respeitada para então podermos pensar em qualquer outra solução que venha daí”, ressaltou.

“Nascemos na selva e aprendemos a conviver, valorizar e respeitar nossos territórios desde sempre. Pensamos na Amazônia como um ser vivo, do qual somos parte. O que conservamos da natureza é resultado do nosso trabalho milenar, que é chave para que a humanidade continue vivendo”, complementou Mirabal.

De acordo com Ramos, precisamos ouvir a perspectiva indigena e rever nossa construção de soluções a partir desse conhecimento milenar do uso sustentável da floresta. “Tudo que a ciência conseguiu aferir foi reconhecendo que o manejo tradicional dos povos indígenas é a melhor forma de se manter a floresta em pé”, afirmou.

Ela ainda criticou o fato de que muitas empresas que ameaçam territórios indígenas com a exploração de recursos naturais usam discursos de responsabilidade socioambiental e compromisso climático. “Precisamos colocar o conhecimento tradicional e a defesa dos territórios indígenas como eixo central de qualquer perspectiva de futuro da Amazônia. Essa mudança de compreensão é um trabalho que todos nós precisamos fazer coletivamente. Só assim vamos conseguir de fato construir alternativas para uma Amazônia mais justa. São grandes desafios, mas a luta dos povos indígenas nos dá muitas chaves para seguir nessa perspectiva”, disse.

A governança da Pan-Amazônia além de fronteiras

Outro desafio na região é a governança do território, que tem sido uma questão central para as comunidades indígenas. A Pan-Amazônia atravessa nove países, é lar de mais de 400 povos indígenas, abriga a maior rede hidrográfica mundial, contém os maiores estoques de carbono e coexiste com uma das maiores concentrações de biodiversidade do planeta. E essa terra de superlativos precisa de uma governança que vá de encontro com sua grandeza e supere fronteiras geopolíticas.

“Há 10 mil anos, não haviam outros governos nem outros povos nesse território. É importante considerarmos comunidades e nações com direito a autodeterminação, porque temos um governo próprio territorial”, apontou Mirabal. “Temos contextos políticos institucionais muito distintos, especialmente do ponto de vista de políticas socioambientais, do reconhecimento dos direitos territoriais dos povos indígenas e da conservação ambiental, mas com desafios similares”, explicou Ramos.

Para ambos, é preciso uma visão mais integrada da Amazônia, e é a partir da articulação dos diferentes atores que coexistem na região que será possível pensar numa melhor governança compartilhada desse território tão importante para o mundo.

Sobre o Amazoniar

O Amazoniar é uma iniciativa do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) para promover um diálogo global sobre a floresta amazônica e sua influência nas relações entre o Brasil e o mundo.

O segundo ciclo de debates teve como foco os povos indígenas e o seu papel como principais aliados no combate ao desmatamento e na conservação da floresta, sua contribuição para a ciência e para a cultura, bem como seu impacto no desenvolvimento sustentável da região.

Para receber as novidades dos próximos encontros do Amazoniar, cadastre-se na nossa newsletter.

 

Núcleo de Marte é gigantesco - e quase todo líquido

 

Núcleo de Marte é gigantesco - e quase todo líquido

Redação do Site Inovação Tecnológica - 23/07/2021

Sonda InSight revela como é o interior de Marte
Impressão artística do interior do Marte, segundo as primeiras observações sismológicas.
[Imagem: IPGP / David Ducros]

Geologia de Marte

Três estudos publicados na edição desta semana da revista Science trazem a primeira compilação das observações sísmicas de Marte, feitas pela sonda InSight, da NASA.

Esses estudos são os primeiros a mapear o interior de um planeta além da Terra.

Estudar as camadas internas de um planeta - sua crosta, manto e núcleo - pode trazer informações sobre sua formação e evolução, bem como descobrir qualquer atividade geomagnética e tectônica.

Essas regiões interiores profundas podem ser sondadas medindo-se as ondas que viajam pelo planeta após eventos sísmicos, como terremotos ou, neste caso, martemotos, os terremotos de Marte. São esses os mesmos métodos que têm sido fundamentais para o estudo das características internas da Terra.

Crosta

No primeiro estudo, Brigitte Endrun e seus colegas usaram os martemotos e o ruído sísmico ambiente para criar imagens da estrutura da crosta marciana abaixo do local de pouso da InSight, encontrando evidências de uma crosta formada por várias camadas, com duas ou três interfaces.

Extrapolando esses dados para todo o planeta, os pesquisadores concluíram que a espessura média da crosta de Marte fica entre 24 e 72 quilômetros.

Manto

No segundo estudo, Amir Khan usou ondas sísmicas diretas e refletidas na superfície de oito martemotos de baixa frequência para sondar mais fundo e revelar a estrutura do manto de Marte, a uma profundidade de quase 800 km.

Os resultados indicam que uma litosfera espessa fica perto de 500 km abaixo da superfície e, como na Terra, provavelmente tem uma camada de baixa velocidade de propagação de ondas abaixo dela. De acordo com a equipe, a camada crustal de Marte é provavelmente altamente enriquecida em elementos radioativos produtores de calor, que aquecem esta região às custas do interior do planeta.

Sonda InSight revela como é o interior de Marte
Esquema do interior de Marte com base nos primeiros dados coletados.
[Imagem: Simon C. Stähler et al. - 10.1126/science.abi7730]

Núcleo de Marte

Ainda mais fundo, Simon Stähler e seus colegas usaram os tênues sinais sísmicos refletidos na fronteira entre o manto e o núcleo de Marte para investigar o núcleo marciano.

Eles concluíram que o núcleo de Marte é formado em larga medida por metal líquido. E é um núcleo incrivelmente grande, com um raio de quase 1.830 quilômetros - ou seja, o núcleo tem mais do que a metade do diâmetro de Marte.

O núcleo marciano começa aproximadamente na metade do caminho entre a superfície e o centro do planeta. Isso sugere que o manto de Marte consiste em apenas uma camada rochosa, em vez de duas, como na Terra. Os resultados também indicam que o núcleo de ferro-níquel é menos denso do que se pensava e mais rico em elementos mais leves.

Sonda InSight revela como é o interior de Marte
A sonda traz resultados inéditos sobre o interior de Marte, mas tem deixado os cientistas com um quê de decepção.
[Imagem: NASA]

Frustrações

A sonda InSight (sigla em inglês para (Exploração Interior Usando Investigações Sísmicas, Geodésia e Transporte de Calor) pousou em Marte no início de 2019 e é uma das menos conhecidas sondas marcianas, talvez porque seja fixa, e não um rover, como os exploradores marcianos mais famosos.

Além disso, a sonda vem sofrendo com problemas técnicos, tendo sido marcada sobretudo pelo não funcionamento do seu principal instrumento científico, uma perfuratriz, conhecida como "Toupeira de Marte", que deveria perfurar o solo até vários metros de profundidade.

Depois disso, sua operação vem sendo crescentemente limitada pela baixa produção de eletricidade dos seus painéis solares, já quase totalmente cobertos por poeira.

Bibliografia:

Artigo: Upper mantle structure of Mars from InSight seismic data
Autores: Amir Khan, Savas Ceylan, Martin van Driel, Domenico Giardini, Philippe Lognonné, Henri Samuel, Nicholas C. Schmerr, Simon C. Stähler, Andrea C. Duran, Quancheng Huang, Doyeon Kim, Adrien Broquet, Constantinos Charalambous, John F. Clinton, Paul M. Davis, Mélanie Drilleau, Foivos Karakostas, Vedran Lekic, Scott M. McLennan, Ross R. Maguire, Chloé Michaut, Mark P. Panning, William T. Pike, Baptiste Pinot, Matthieu Plasman, John-Robert Scholz, Rudolf Widmer-Schnidrig, Tilman Spohn, Suzanne E. Smrekar, William B. Banerdt
Revista: Science
Vol.: 373 Issue 6553
DOI: 10.1126/science.abf2966

Artigo: Thickness and structure of the martian crust from InSight seismic data
Autores: Brigitte Knapmeyer-Endrun, Mark P. Panning, Felix Bissig, Rakshit Joshi, Amir Khan, Doyeon Kim, Vedran Lekic, Benoit Tauzin, Saikiran Tharimena, Matthieu Plasman, Nicolas Compaire, Raphael F. Garcia, Ludovic Margerin, Martin Schimmel, Éléonore Stutzmann, Nicholas Schmerr, Ebru Bozdag, Ana-Catalina Plesa, Mark A.Wieczorek, Adrien Broquet, Daniele Antonangeli, Scott M. McLennan, Henri Samuel, Chloé Michaut, Lu Pan, Suzanne E. Smrekar, Catherine L. Johnson, Nienke Brinkman, Anna Mittelholz, Attilio Rivoldini, Paul M. Davis, Philippe Lognonné, Baptiste Pinot, John-Robert Scholz, Simon Stähler, Martin Knapmeyer, Martin van Driel, Domenico Giardini, W. Bruce Banerdt
Revista: Science
Vol.: 373 Issue 6553
DOI: 10.1126/science.abf8966

Artigo: Seismic detection of the martian core
Autores: Simon C. Stähler, Amir Khan, W. Bruce Banerdt, Philippe Lognonné, Domenico Giardini, Savas Ceylan, Mélanie Drilleau, A. Cecilia Duran, Raphaël F. Garcia, Quancheng Huang, Doyeon Kim, Vedran Lekic, Henri Samuel, Martin Schimmel, Nicholas Schmerr, David Sollberger, Éléonore Stutzmann, Zongbo Xu, Daniele Antonangeli, Constantinos Charalambous, Paul M. Davis, Jessica C. E. Irving, Taichi Kawamura, Martin Knapmeyer, Ross Maguire, Angela G. Marusiak, Mark P. Panning, Clément Perrin, Ana-Catalina Plesa, Attilio Rivoldini, Cédric Schmelzbach, Géraldine Zenhäusern, Éric Beucler, John Clinton, Nikolaj Dahmen, Martin van Driel, Tamara Gudkova, Anna Horleston, W. Thomas Pike, Matthieu Plasman, Suzanne E. Smrekar
Revista: Science
Vol.: 373 Issue 6553
DOI: 10.1126/science.abi7730

Edifício da USP usará energia térmica do solo para climatização

 

Edifício da USP usará energia térmica do solo para climatização

Redação do Site Inovação Tecnológica - 02/07/2021

USP constrói prédio que usa energia térmica do solo para climatização
Esquema de funcionamento do sistema de aproveitamento de energia geotérmica para climatizar ambientes.
[Imagem: Thaise Morais]

Energia geotérmica

Não é necessário contar com a atividade vulcânica dos países escandinavos para aproveitar a energia geotérmica.

Engenheiros brasileiros projetaram e começaram a construir um prédio que vai usar a energia térmica do subsolo para climatizar seus ambientes.

O projeto é um desdobramento da pesquisa da engenheira civil Thaise Morais, realizada na Escola de Engenharia da USP de São Carlos (SP), que avaliou o uso das fundações de edifícios como meio para a troca de energia térmica entre o prédio e o subsolo para climatização, tanto no aquecimento como no resfriamento.

A energia geotérmica é aquela encontrada dentro da crosta terrestre, no solo, nas rochas ou mesmo na água, sendo calculada por um diferencial de temperatura em relação ao solo. Essa energia pode ser transferida para a superfície por processos de troca térmica a partir das fundações da edificação, sendo então aproveitada usando uma espécie de motor termal, conhecido como bomba de calor.

Thaise aprimorou uma técnica conhecida como "sistema geotérmico de captações rasas", que aproveita o calor natural do subsolo mesmo em locais onde não há forte atividade geotérmica. Um sistema desse tipo já foi usado pela mesma equipe para resfriar uma escola pública em Campinas (SP).

"A temperatura da região que vai desde a camada superficial da crosta terrestre até algumas centenas de metros de profundidade é resultado das interações naturais que ocorrem entre o ambiente externo e o interior da crosta. Assim, o solo funciona como uma espécie de bateria ou reservatório de energia térmica", descreveu a pesquisadora.

USP constrói prédio que usa energia térmica do solo para climatização
Este é o edifício onde o sistema de refrigeração geotérmica será instalado pela primeira vez.
[Imagem: Aflalo & Gasperini]

Energia térmica do solo para refrigeração e aquecimento

O sistema de refrigeração geotérmica está sendo instalado em um prédio batizado de "Laboratório Vivo", que começou a ser erguido na Escola Politécnica da USP, em São Paulo, no Centro de Inovação em Construção Sustentável (CICS). A expectativa é de que as despesas com o consumo de energia elétrica por aparelhos de ar-condicionado sejam reduzidas, aumentando o conforto térmico dos ocupantes.

O trabalho de Thaise consistiu em avaliar o desempenho dessa tecnologia nas condições de clima e solo de São Paulo.

O sistema capta ou rejeita calor do solo por meio das estacas que compõem a própria fundação do edifício. Essas estacas ficam enterradas e, por estarem em contato direto com o subsolo, possuem uma grande área de contato para a troca térmica. Por meio de tubos instalados no seu interior e com a ajuda de um fluido, a energia térmica é levada até a superfície, onde uma bomba geotérmica faz a troca de calor entre o subsolo e os ambientes do prédio.

"Nos testes, usamos água potável como fluido para a troca de calor entre a fundação e o subsolo. A bomba troca calor com a água a partir de um outro fluido refrigerante que circula em seu interior. Essa troca é feita de forma contínua e repetitiva até que a temperatura desejada para o ambiente seja alcançada," relata a pesquisadora.

Segundo Thaise, o sistema de aproveitamento de energia geotérmica pode ser aplicado em todos os tipos de edifícios. Para isso, porém, é preciso conhecer as propriedades térmicas do subsolo da localidade e analisar as condições de clima e demanda térmica da edificação.

Um sabão biológico para deixar também a natureza mais limpa

 

Um sabão biológico para deixar também a natureza mais limpa

Redação do Site Inovação Tecnológica - 15/07/2021

Biossurfactante ananatosídeo
A equipe já está trabalhando para adaptar o processo de síntese dos ananatosídeos para a indústria.
[Imagem: Maude Cloutier et al. - 10.1039/D1SC01146D]

Biossurfactantes

Químicos canadenses anunciaram a descoberta de uma substância que promete nada menos do que tornar os sabões mais "limpos" - em termos ambientais.

Maude Cloutier e seus colegas criaram um biossurfactante - um surfactante é o principal ingrediente ativo de sabões, sabonetes, detergentes e xampus.

Enquanto os surfactantes usados pela indústria são derivados do petróleo, o biossurfactante é sintetizado por bactérias, o que o torna um produto facilmente degradável.

Alguns dos biossurfactantes mais seguros para os seres humanos - e com melhor biodegradabilidade - são baseados em moléculas chamadas ramnolipídios. Mas há um problema: Essas substâncias são feitas pela Pseudomonas aeruginosa, uma bactéria patogênica prejudicial ao homem.

"Se quisermos obter todos os benefícios dos ramnolipídeos, precisamos cultivar essas bactérias patogênicas em grande escala. E, como isso é um risco para a saúde, a indústria está procurando alternativas," explicou o professor Charles Gauthier.

A equipe encontrou substâncias similares aos ramnolipídeos na Pantoea ananatis, uma bactéria não patogênica, e então desenvolveu uma técnica para sintetizar quimicamente essas moléculas, que foram batizadas de ananatosídeos.

A indústria já está demonstrando interesse por esses novos biossurfactantes porque o processo de síntese é simples e passível de ser escalonado para fabricação em escala industrial.

Em preparação para essa tradução do laboratório para a indústria, a equipe já está trabalhando para tornar a substância mais estável.

Bibliografia:

Artigo: Total synthesis, isolation, surfactant properties, and biological evaluation of ananatosides and related macrodilactone-containing rhamnolipids
Autores: Maude Cloutier, Marie-Joëlle Prévost, Serge Lavoie, Thomas Feroldi, Marianne Piochon, Marie-Christine Groleau, Jean Legault, Sandra Villaume, Jérôme Crouzet, Stéphan Dorey, Mayri Alejandra Dìaz De Rienzo, Eric Déziel, Charles Gauthier
Revista: Chemical Science
DOI: 10.1039/D1SC01146D

segunda-feira, 12 de julho de 2021

Material inspirado em cactos coleta água dia e noite

 

Material inspirado em cactos coleta água dia e noite

Redação do Site Inovação Tecnológica - 01/06/2021

Material inspirado em cactos coleta água dia e noite
As microárvores, inspiradas nos espinhos dos cactos, coletam água dia e noite.
[Imagem: Ye Shi et al. - 10.1038/s41467-021-23174-0]

Coleta de neblina e vapor solar

Além das necessidades históricas das regiões mais secas, as mudanças climáticas trouxeram uma larga variabilidade nos ritmos das chuvas.

Isso gerou um esforço de pesquisa significativo para a criação de dispositivos capazes de extrair água potável diretamente do ar.

Alguns sistemas fazem isso usando energia solar, enquanto outros, ainda que com menor rendimento, conseguem capturar a rala umidade do ar, o que os permite funcionar também à noite.

A geração de vapor solar é uma técnica de coleta de água na qual o calor do Sol faz com que a água se transforme em vapor, que é então condensado em água potável. Ela funciona melhor nas áreas costeiras porque também é capaz de dessalinizar a água, embora só funcione durante o dia.

A produção de água pela coleta de neblina é exatamente o que parece: À noite, as nuvens baixas ficam mais pesadas, portando gotas de água; dispositivos capazes de aglutinar e coletar essas gotículas então transformam a névoa em água potável.

Material inspirado em cactos coleta água dia e noite
Detalhes da estrutura do material coletor de água.
[Imagem: Ye Shi et al. - 10.1038/s41467-021-23174-0]

Aprendendo com quem sabe

Agora, Ye Shi e colegas do Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos EUA, criaram um material para coletar água potável do ar que funciona de dia e de noite, combinando as duas tecnologias de coleta de água em uma.

Para isso, Shi foi buscar inspiração em quem faz isso há milhões de anos: os cactos.

O resultado é um material biomimético, uma membrana de hidrogel com microarquiteturas, capaz de produzir água por meio da geração solar de vapor-água e da coleta de névoa, fundindo as duas técnicas em um único dispositivo.

A membrana é formada por minúsculos espinhos, que lembram árvores de Natal, mas na verdade são inspirados no formato dos espinhos dos cactos.

"Os cactos são adaptados de forma única para sobreviver em climas secos," disse Shi. "No nosso caso, essas espinhas, que chamamos de 'microárvores", atraem gotículas microscópicas de água que estão suspensas no ar, permitindo que elas deslizem pela base da espinha e se aglutinem com outras gotículas, formando gotas relativamente pesadas que eventualmente convergem em um reservatório de água."

Em um teste durante a noite, uma amostra do material, com uma área de 125 centímetros quadrados (cm2), coletou cerca de 35 mililitros de água da névoa. Em testes durante o dia, o material coletou cerca de 125 mililitros de água pelo método do vapor solar.

Bibliografia:

Artigo: All-day fresh water harvesting by microstructured hydrogel membranes
Autores: Ye Shi, Ognjen Ilic, Harry A. Atwater, Julia R. Greer
Revista: Nature Communications
Vol.: 12, Article number: 2797
DOI: 10.1038/s41467-021-23174-0

domingo, 11 de julho de 2021

Cidades precisam dispensar carros para sobreviver

 

Cidades precisam dispensar carros para sobreviver

Redação do Site Inovação Tecnológica - 28/06/2021

Cidades precisam dispensar carros para sobreviver
Tempo médio de deslocamento (eixo vertical) como função do número de motoristas (eixo horizontal).
[Imagem: Rafael Prieto Curiel et al. - 10.1098/rsos.201808]

Explosão automobilística

Para uma equipe de urbanistas e ambientalistas, não há outra saída: As cidades devem se livrar dos carros para serem habitáveis no futuro.

E eles citam um dado que parece indicar ser esse mesmo o caminho: Globalmente, o número de carros produzidos está aumentando mais rapidamente do que a população.

Apenas para citar o dado mais recente, foram 80 milhões de carros produzidos em 2019, enquanto a população aumentou em 78 milhões.

Para Rafael Curiel e colegas da Universidade College de Londres, isso exige não apenas uma mudança no comportamento coletivo, como também um planejamento urbano que leve o foco para a redução da dependência de carros, promovendo menos viagens e viagens mais curtas, encorajando caminhadas e ciclismo como principais meios de transporte local.

O transporte público deve ser incentivado para viagens mais longas, argumentam os pesquisadores, e os carros só devem ser usados em emergências ou ocasiões especiais.

Cidade travada

Os pesquisadores criaram um modelo matemático de uso de automóveis em uma cidade, onde os residentes usavam o carro diariamente ou usavam o transporte público, sendo que o principal fator de decisão - usar ou não o carro - foi o tempo que as viagens demoravam.

O modelo permitiu testar cenários extremos, incluindo o de uma cidade com 50 milhões de habitantes e 50 milhões de carros, onde todos os moradores usam o carro diariamente para tentar minimizar o tempo de deslocamento. Além das exigências insuportáveis em termos de custos de infraestrutura - como avenidas, pontes e estacionamentos - a cidade literalmente trava com congestionamentos.

Em geral, presume-se que melhorar a infraestrutura de transporte público melhoraria os custos básicos (tempo), pois mais pessoas optariam por ele em vez de dirigir o próprio carro. Contudo, o modelo mostrou que, mesmo sem melhorar a infraestrutura, os custos básicos podem ser reduzidos reduzindo-se o número de pessoas que podem dirigir de cada vez.

Por exemplo, se um grupo de pessoas tem permissão para dirigir uma semana e deve usar outros meios de transporte na próxima, o tempo médio de deslocamento poderia ser reduzido em até 25%.

Cidades precisam dispensar carros para sobreviver
Modelo de custos sociais (eixo vertical) como função do número de motoristas (eixo horizontal) considerando uma população de um milhão de habitantes.
[Imagem: Rafael Prieto Curiel et al. - 10.1098/rsos.201808]

Custos do uso do carro

Segundo a equipe, a redução do uso dos carros nas cidades depende principalmente de oferecer aos cidadãos mais opções de viagens, além de estabelecimentos comerciais e de serviços locais.

Garantir que os residentes compreendam os custos do uso do automóvel também pode ajudar a fazer escolhas informadas, enquanto intervenções - como cobrança por congestionamento, pedágios e controles de viagem e estacionamento podem ajudar ainda mais a desencorajar o uso do carro.

"Atualmente, grande parte dos terrenos das cidades é dedicada aos automóveis. Se o nosso objetivo é ter cidades mais habitáveis e sustentáveis, devemos tomar parte desse terreno e destiná-lo a meios de transporte alternativos: a pé, de bicicleta e de transporte público," disse o professor Humberto Ramírez, da Universidade Gustave Eiffel.

Bibliografia:

Artigo: A paradox of traffic and extra cars in a city as a collective behaviour
Autores: Rafael Prieto Curiel, Humberto González Ramírez, Mauricio Quiñones Domínguez, Juan Pablo Orjuela Mendoza
Revista: Royal Society Open Science
DOI: 10.1098/rsos.201808

Roupa com tecido reflexivo resfria até 5 ºC sem gastar energia

 

Roupa com tecido reflexivo resfria até 5 ºC sem gastar energia

Redação do Site Inovação Tecnológica - 09/07/2021

09-07 Roupa com tecido reflexivo resfria até 5 ºC sem gastar energia
O tecido foi testado em várias situações e comparado com roupas comuns de algodão.
[Imagem: Shaoning Zeng et al. - 10.1126/science.abi5484]

Roupa que refrigera

Nosso mundo em rápido aquecimento está criando uma demanda por novos tecidos inovadores, que ajudem a resfriar as pessoas sem depender de eletricidade ou baterias.

O conceito por trás disso é o resfriamento radiativo, uma espécie de refrigeração passiva que manda o calor para o espaço ao gerar comprimentos de onda infravermelhos para os quais a atmosfera terrestre é transparente.

Vários tipos de têxteis de resfriamento radiativo têm-se mostrado capazes de melhorar a transferência de calor entre a pele e o ambiente, mostrando que esta é uma forma promissora de gerenciamento térmico pessoal.

No entanto, esses materiais em escala de laboratório ainda carecem de durabilidade ou são difíceis de produzir em escala industrial, o que é necessário para que eles cheguem ao mercado.

Shaoning Zeng, da Universidade de Ciência e Tecnologia Huazhong, na China, acredita ter encontrado uma solução para esse problema criando uma espécie de "manto de invisibilidade para o calor".

09-07 Roupa com tecido reflexivo resfria até 5 ºC sem gastar energia
Mesmo sendo multicamada, o metatecido pode ser fabricado por processos industriais.
[Imagem: Shaoning Zeng et al. - 10.1126/science.abi5484]

Metatecido

Usando o princípio dos metamateriais, Zeng criou um "metatecido", um tecido multicamada que mescla camadas de ácido polilático, óxido de titânio laminado e uma camada de politetrafluoroetileno.

Essa combinação criou um tecido com uma funcionalidade de resfriamento radiativo passivo excepcional, além de apresentar excelentes propriedades mecânicas, como durabilidade, impermeabilidade e respirabilidade.

De acordo com a equipe, o tecido pode fornecer alta emissividade térmica (94,5%) e alta refletividade (92,4%) no espectro solar.

Além do mais, o metatecido pode ser fabricado de maneira fácil e econômica por meio dos processos de fabricação industrial tradicionais.

Para demonstrar a aplicação prática do material, Zeng fez uma série de testes, um dos quais mostrou que o corpo humano coberto pelo metatecido pode ser resfriado passivamente cerca de 4,8 ºC abaixo da temperatura obtida com o corpo coberto por um tecido de algodão branco.

Bibliografia:

Artigo: Hierarchical-morphology metafabric for scalable passive daytime radiative cooling
Autores: Shaoning Zeng, Sijie Pian, Minyu Su, Zhuning Wang, Maoqi Wu, Xinhang Liu, Mingyue Chen, Yuanzhuo Xiang, Jiawei Wu, Manni Zhang, Qingqing Cen, Yuwei Tang, Xianheng Zhou, Zhiheng Huang, Rui Wang, Alitenai Tunuhe, Xiyu Sun, Zhigang Xia, Mingwei Tian, Min Chen, Xiao Ma, Lvyun Yang, Jun Zhou, Huamin Zhou, Qing Yang, Xin Li, Yaoguang Ma, Guangming Tao
Revista: Science
DOI: 10.1126/science.abi5484

sexta-feira, 9 de julho de 2021

Primeiro semestre de 2021 tem maior desmatamento na Amazônia em seis anos

 

Primeiro semestre de 2021 tem maior desmatamento na Amazônia em seis anos

02.07.2021 • Notícias
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Ação no Pará em 2020 contra desmatamento. Foto: SEMAS-PA/Divulgação

Dados preliminares do sistema de alertas Deter mostram que os seis primeiros meses de 2021 computaram a maior área desmatada na Amazônia desde 2016, quando começaram os registros. Mesmo faltando dados de cinco dias para fechar o semestre, já foram derrubados 3.325 quilômetros quadrados de floresta, 8% a mais do que o mesmo período de 2020.

O Deter costuma apresentar dados subestimados em relação ao sistema oficial de monitoramento do desmatamento da Amazônia, o Prodes, que é divulgado anualmente. Contudo, indica tendências.

“Como ainda faltam cinco dias para fechar o monitoramento de junho, esse número ainda pode crescer”, explica a diretora de Ciência do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), Ane Alencar. “Mas é preocupante. Temos um ano com tendência de seca principalmente na parte sul da Amazônia, e ainda muita área desmatada desde 2019 que ainda não queimou.”

Estudo lançado nesta semana pelo IPAM e pelo Woodwell Climate Research Center mostra que existem 5 mil quilômetros quadrados de vegetação desmatada esperando o fogo, e que um efeito somado do fenômeno La Niña e o aquecimento de partes do Atlântico Tropical Norte pode levar condições mais secas para a região.

Juntos contra a grilagem na Serrinha do Paranoá

 Juntos contra a grilagem na Serrinha do Paranoá


Cuidar da Serrinha é cuidar da Água, é cuidar da vida e cuidar das futuras gerações.

Como relata a notícia acima tivemos uma grande vitória com a concessão da liminar que determina a derrubada e impede novas construções na Serrinha do Paranoá, especificamente na região do denominado ‘condomínio Privê 2’ , invasão e parcelamento ilegal de terras entre os córregos do Urubu e Jerivá.

Mas para que a decisão não fique apenas no papel precisamos da ajuda de todos.

De todos que se preocupam com a garantia da qualidade de vida presente e futura; 
De todos que sabem da importância da Serrinha como nossa ‘caixa d’água’ limpa e corredor ecológico; 
De todos que querem ver a cidade crescendo com planejamento e respeito ao meio ambiente.

E como cada um pode ajudar?

Muito simples nos ajudando a fiscalizar o cumprimento da decisão. 

Informando qualquer movimentação que indique ocupação da área ou mesmo preparação. Informando qualquer cerca ou construção levantada, qualquer terreno desmatado, indício de captação de água ou mesmo ligação elétrica.

As denúncias deverão conter o maior número de informações possíveis (fotos, coordenadas de GPS ou localização do WhatsApp, e a descrição suscinta do que está ocorrendo).

Tais denúncias poderão ser encaminhadas por e-mail (forumambientalistadf@gmail.com e crdrs.lagonorte@gmail.com) ou WhatsApp  (991475578 ou 981660005)

Será resguardado o sigilo e encaminhado ao Ministério Público, o qual poderá solicitar providências a fiscalização ou mesmo nos autos da Ação Civil Publica onde foi deferida a liminar.

A participação da comunidade local e de visitantes é fundamental para inibir o progresso das ocupações irregulares já vistas em tantos lugares do DF.

Por favor nos ajude a fiscalizar, bem como a compartilhar essas mensagens a todos seus contatos do Lago Norte e grupos que participe.

Também é importante compartilhar com seus contatos de outras localidades para que conheçam a importância da Serrinha e a necessidade de sua preservação.

Quem conhece, preserva.

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quarta-feira, 7 de julho de 2021

Gabão é o primeiro país africano pago para proteger sua floresta tropical

 


Gabão é o primeiro país africano pago para proteger sua floresta tropical

A floresta tropical do Gabão é o lar de um grande número de espécies, incluindo os elefantes. Fonte: Getty Images.
A floresta tropical do Gabão é o lar de um grande número de espécies, incluindo os elefantes. Fonte: Getty Images.

O Gabão se tornou o primeiro país africano a receber pagamento pela redução das emissões de carbono, protegendo sua floresta tropical.

A Iniciativa Florestal da África Central (Cafi, sigla em inglês), apoiada pela ONU, entregou cerca de R$ 85 milhões – a primeira parcela de um negócio de R$ 753 milhões fechado em 2019.

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Quase 90% do Gabão é coberto por florestas, que capturam mais carbono do que o país emite.

As florestas tropicais são vitais para absorver as emissões de aquecimento global do planeta.

O Gabão mostrou que conseguiu reduzir o desmatamento e, assim, diminuir suas emissões de carbono em 2016 e 2017, em comparação com a década anterior, diz a Cafi.

Como resultado, a Noruega, por meio da Cafi, pagou ao Gabão cerca de R$ 85 milhões com base em uma fórmula relacionada ao número de toneladas de carbono que, de outra forma, seriam liberadas. O restante dos R$ 753 milhões devem ser entregue nos próximos anos.

O pagamento inicial representa apenas 0,1% do PIB anual do Gabão, mas o ministro das Florestas, Lee White, disse à BBC que foi um primeiro passo significativo.

Quase 90% do Gabão é coberto por floresta. Fonte: Getty Images.
Quase 90% do Gabão é coberto por floresta. Fonte: Getty Images.

O Gabão lançou uma série de esquemas de conservação nos últimos anos, incluindo a criação de 13 parques nacionais e um projeto de combate à extração ilegal de madeira.

Mesmo assim, o país quer ganhar mais dinheiro com a madeira e diz que vai continuar a colher árvores e aumentar o valor do setor, processando mais a matéria-prima em casa.

A instituição de caridade Rainforest Foundation UK, que trabalha na proteção da floresta tropical e direitos à terra da comunidade, disse à BBC que embora o dinheiro para proteger as florestas seja importante, esse pagamento “corre o risco de ser um exercício de relações públicas”.

Ela aponta para dados do grupo de monitoramento Global Forest Watch, que mostram que 2017 teve uma das maiores taxas de perda de floresta no Gabão desde 2001.

O governo afirma que seu monitoramento mostra que o país pode manter seus estoques de carbono por meio de uma silvicultura sustentável.

‘Caminho para um plano mais ousado’

Análise por Matt McGrath, correspondente de meio ambiente da BBC.

Por muitos anos, os países mais ricos buscaram acabar com o desmatamento na África e em outros lugares, pagando às nações mais pobres para proteger suas árvores.

Esta abordagem geralmente falhou em parar a maré de corte de árvores, então esses novos resultados do Gabão são certamente encorajadores.

As árvores antigas do Gabão são críticas para o mundo, pois retêm mais carbono do que florestas semelhantes na Amazônia – elas também abrigam cerca de 60% dos elefantes sobreviventes da África.

O ministro das Florestas do Gabão agora quer avançar com um plano mais ousado de vender créditos de carbono para permitir que os países ricos reduzam as emissões de setores difíceis como transporte e aquecimento doméstico.

Muitos veem isso como uma ideia controversa, permitindo que os ricos comprem sua saída de escolhas difíceis.

Esta questão certamente fará parte das discussões na conferência climática COP26 em Glasgow, em novembro.

Fonte: BBC News
Tradução: Redação Ambientebrasil / Maria Beatriz Ayello Leite
Para ler a reportagem original em inglês acesse:
 https://www.bbc.com/news/world-africa-57567829