domingo, 30 de novembro de 2014

A descoberta da maior caverna do mundo: Miao Room (Com direito a tour interativo)


Uma viagem ao coração da Terra para descobrir o que os nossos olhos provavelmente nunca verão. China, Miao Room, a maior câmara natural subterrânea do mundo, que depois de ter sido melhor observada, ganhou este título. 

 
Uma enorme estrutura natural admirada graças a uma expedição financiada pela National Geographic Society. Richard Walters, Daniela Pani e Roo Walters colocaram os pés nas profundezas da China e ficaram sem palavras quando na frente deles se abriu a grande câmara já antes conhecida, mas, pela primeira vez observada nos detalhes de toda a sua particularidade. 


A caverna fora mapeada a primeira ez com laser 3D. As novas medições permitiram descobrir que trata-se da câmara com um maior volume no mundo. Dimensões impossíveis de se imaginar: 10.780.000 metros cúbicos.  


A medição do volume do Miao Room excede em 10% o da Sarawak Chamber na Malásia, a antes campeã do título de maior câmara subterrânea do mundo, ainda que a caverna malaia seja a maior do planeta em área, possui 154,5 mil metros quadrados. 


Miao Room faz parte do sistema de cavernas de Gebihe, que está localizado no Ziyun Getuhe Chuandong National Park. A caverna mede 852 m de comprimento, 191 de largura e tem uma área de 118.000 m2. 


Por mais de 600 milhões de anos, a área em que se localizam as cavernas Gebihe fora coberta pelo mar. Esta foi a sua sorte, o longo período de tempo, durante o qual na área foram depositadas camadas espessas de sedimentos, como o calcário macio.  O levantamento da área e, portanto, a erosão da camada de calcário,  deu vida à caverna como a vemos hoje. 


Para fazer o tour virtual pela Miao Room, clique aqui.
 
Para visitar a caverna junto com os protagonistas do passeio, clique aqui.

 

 
Fonte fotos: NationalGeographic

A INFRAMERICA desmata sem dó nem piedade a complexa teia hídrica que brota do Cerrado e que já está ameaçada de extinção!

Entrevista com Altair Sales Barbosa

Publicado em outubro 27, 2014 por


“A questão atual do desaparecimento dos pequenos cursos d’água, alimentadores dos maiores, é apenas a ponta de um ‘iceberg’ que tende a se tornar cada vez mais evidente”, adverte o antropólogo.


 Foto: tvbrasilcentral
O problema que gera as crises de abastecimento de água que afetam o estado de São Paulo “jamais será solucionado em sua totalidade”, alerta Altair Sales Barbosa, na entrevista a seguir, concedida por e-mail à IHU On-Line.
Segundo ele, a dificuldade de solucionar tais crises está relacionada a outros dois fenômenos:




 “o primeiro é a estiagem prolongada provocada por fatores que independem da ação humana, como el Niño, por exemplo.


O segundo é a vazão dos rios alimentadores das represas, que não ostentam mais a quantidade de água de tempos atrás.


A consequência: com a normalização da precipitação pluviométrica depois de certo tempo (uns quatro anos), os níveis das represas podem atingir a plenitude. Entretanto, com o advento de outra estiagem cíclica, a situação voltará a se repetir”.


Na entrevista a seguir, o pesquisador explica que o Sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de São Paulo, “é abastecido principalmente pelo rio Piracicaba, afluente do rio Doce, que aparentemente nada tem a ver com a bacia do Paraná”, que é formada e alimentada pelas águas do Cerrado.


Entretanto, esclarece, “se penetrarmos além das aparências, iremos constatar que além das águas que fluem da Serra do Mar, as águas do aquífero Guarani são as responsáveis pela alimentação das nascentes da represa, basta ver a geotecnia das nascentes do rio Piracicaba, bacia do rio Doce, e suas relações com as nascentes do ribeirão Baguaçu, proveniente do aquífero Guarani e pertencente a Bacia do Paraná”.



Isso significa, pontua, que o “Sistema Biogeográfico do Cerrado, que ocupa desde a aurora do Cenozoico até a parte central da América do Sul, também é conhecido como o ‘berço das águas’ ou a ‘cumeeira’ do continente, porque é distribuidor das águas que alimentam as grandes bacias hidrográficas da América do Sul”.


Somente na abrangência do Cerrado, destaca, “encontram-se três grandes aquíferos responsáveis pela formação e alimentação dos grandes rios continentais.


Um deles e o mais conhecido é o aquífero Guarani, associado ao arenito Botucatu e a outras formações areníticas mais antigas. Esse aquífero é responsável pelas águas que alimentam a bacia hidrográfica do Paraná, além de alguns formadores que vertem para a bacia Amazônica. Os outros dois são os aquíferos Bambuí e Urucuia (…)



Os aquíferos Bambuí e Urucuia são responsáveis pela formação e alimentação dos rios que integram a bacia do São Francisco e as sub-bacias hidrográficas do Tocantins, Araguaia, além de outras situadas na abrangência do Cerrado”. Isso significa que, “representada por uma complexa teia, as águas que brotam do Cerrado são as responsáveis pela alimentação e configuração das grandes bacias hidrográficas da América do Sul”.


Fundador do Memorial do Cerrado, Goiânia-GO, o antropólogo adverte que o Cerrado é uma das matrizes ambientais mais antigas, e “já chegou ao seu clímax evolutivo, ou seja, uma vez degradado, não se recupera jamais na plenitude de sua biodiversidade”.


A vegetação nativa do bioma é responsável pela alimentação dos lençóis profundos, contudo, com a introdução da agricultura no Cerrado, parte da vegetação já foi extinta e impacta diretamente no funcionamento dos corpos hídricos.


“No caso específico das plantas do cerrado, estas possuem um sistema radicular extremamente profundo e complexo. Estas plantas existiam até bem pouco tempo, nas áreas de recargas do aquífero Guarani, responsáveis pelas águas da bacia do Paraná.


Com a introdução da monocultura, essas plantas foram substituídas por vegetais com raízes subsuperficiais que não sugam as águas como as plantas nativas. A consequência é que com o passar dos tempos as águas dos aquíferos vão diminuindo.


Num primeiro momento ocorre o fenômeno denominado migração de nascentes das partes mais elevadas para as partes mais baixas. Num segundo momento os cursos d’águas menores iniciam um processo de desaparecimento e assim por diante, são veias menores que deixam de irrigar as maiores”, informa.
Se a atual situação do Cerrado não for alterada, o futuro será ainda mais catastrófico.


De acordo com o diagnóstico de Barbosa, “o primeiro aquífero a ter suas reservas diminuídas será o Urucuia, até o quase total desaparecimento, seguido do aquífero Bambuí e do aquífero Guarani”.



Posteriormente, frisa, “os fenômenos ocorridos nos chapadões centrais do Brasil, em função do desaparecimento do cerrado, afetarão, de forma direta, várias partes do continente” e a “floresta equatorial deixará de existir na sua configuração original, sendo paulatinamente substituída por uma vegetação rala do tipo caatinga, salpicada em alguns locais por espécies de plantas adaptadas a um ambiente mais seco”.


 Foto: tvbrasilcentral
Altair Sales Barbosa é graduado em Antropologia pela Universidade Católica de Chile e doutor em Arqueologia Pré-Histórica – Smithsonian Institution National Museum Of Natural History (1991). É professor titular da Pontifícia Universidade Católica de Goiás.


Confira a entrevista.


IHU On-Line – O senhor está entre os pesquisadores que já afirmam a extinção do Cerrado. Quais fatores levaram a esse quadro? É possível revertê-lo?


Altair Sales Barbosa - Em primeiro lugar, o Cerrado dos Chapadões Centrais do Brasil se nos apresenta como um Sistema Biogeográfico, que envolve vários subsistemas. Esses subsistemas se diferenciam por solos, fisionomia vegetal, quantidade de água nos lençóis, comunidades animais, etc., e qualquer modificação nos elementos dos subsistemas provoca modificações nos Sistema como um todo.


Em segundo lugar, convém destacar que o Cerrado é uma das matrizes ambientais mais antigas da história recente do Planeta Terra, que tem seu início no Cenozoico. Isto significa que este ambiente já chegou ao seu clímax evolutivo, ou seja, uma vez degradado, não se recupera jamais na plenitude de sua biodiversidade.


Em terceiro lugar, a maior parte das plantas do cerrado tem um desenvolvimento lento, algumas levam séculos para atingir a maior idade, fato que torna quase impossível um trabalho de recomposição vegetal. Sem mencionar que estas plantas estão condicionadas a um tipo de solo oligotrópico com balanço hídrico específico, fato hoje difícil de ser encontrado em equilíbrio no Cerrado.


Não se mede a degradação ambiental apenas pela ocorrência de uma ou outra planta. Há de se considerar comunidades, tanto vegetais como animais, incluindo insetos polinizadores, água, etc., tudo isto já não existe no cerrado de forma contínua. O que há são fragmentos que não representam 10% da área total.


IHU On-Line – Qual a função do Cerrado brasileiro enquanto elo para garantir o abastecimento da água tanto no Norte quanto no Sul do país? Ainda nesse sentido, qual é a conexão existente entre o Cerrado e os demais biomas brasileiros?


Altair Sales Barbosa - O Sistema Biogeográfico do Cerrado, que ocupa desde a aurora do Cenozoico até a parte central da América do Sul, também é conhecido como o “berço das águas” ou a “cumeeira” do continente, porque é distribuidor das águas que alimentam as grandes bacias hidrográficas da América do Sul.


Isso ocorre porque, na área de abrangência do Cerrado, encontram-se três grandes aquíferos responsáveis pela formação e alimentação dos grandes rios continentais.



Um deles e o mais conhecido é o aquífero Guarani, associado ao arenito Botucatu e a outras formações areníticas mais antigas. Esse aquífero é responsável pelas águas que alimentam a bacia hidrográfica do Paraná, além de alguns formadores que vertem para a bacia Amazônica. Os outros dois são os aquíferos Bambuí e Urucuia.


 O primeiro está associado às Formações geológicas do Grupo Bambuí, e o segundo está associado à Formação arenítica Urucuia, que em muitos locais está sobreposta à Formação Bambuí. Em certos pontos, há até um contato entre os dois aquíferos, apesar de existir entre ambos uma imensa diferença cronológica. Os aquíferos Bambuí e Urucuia são responsáveis pela formação e alimentação dos rios que integram a bacia do São Francisco e as sub-bacias hidrográficas do Tocantins, Araguaia, além de outras situadas na abrangência do Cerrado.


Esses três grandes aquíferos, armazenados nos lençóis artesianos, intercalam-se na parte central dos chapadões do continente sul-americano, formando lagoas conhecidas como águas emendadas, que tomam a direção norte, sul, leste e oeste do continente. Essa direção está condicionada à estrutura geomorfológica que caracteriza cada área, definindo e delimitando, dessa forma, as bacias e sub-bacias hidrográficas.



Dos planaltos do centro da América do Sul brotam águas responsáveis pela grande alimentação do rio Amazonas, pela sua margem direita. Das entranhas dos arenitos de idades Mesozoicas brota a grande maioria das águas da imponente bacia do Paraná, que verte para o sul do continente. Do alto da Serra da Canastra, juntando águas oriundas do arenito da Formação Urucuia e águas retidas nas galerias do calcáreo Bambuí de idade Proterozoica, correm em direção ao nordeste do Brasil as águas do São Francisco.

“No início do século XXI, encontra-se em suspenso o destino do Cerrado”

Bacias hidrográficas independentes
Além dessas imponentes bacias hidrográficas de dimensões continentais, no cerrado, ainda brotam águas que dão origem a bacias hidrográficas independentes de grande importância regional. Algumas são tão fenomenais que formam acidentes únicos. É o caso da bacia do Parnaíba, que nasce na Chapada das Mangabeiras, alimentada com águas oriundas do arenito Urucuia, situado no cerrado do Jalapão, estado do Tocantins.


A bacia do rio Parnaíba, apesar de as dimensões serem bem menores que as anteriores, está associada a um grande transporte de sedimentos, que são distribuídos por vasta área do litoral norte do Brasil, formando dunas, lagoas, os lençóis maranhenses, os lençóis piauienses, estendendo até as dunas de Jericoacoara, no Ceará. No seu encontro com o oceano Atlântico, forma o Delta do Parnaíba, tão complexo e ao mesmo tempo impressionante que está entre os maiores do Planeta.


Outro exemplo importante refere-se à sub-bacia do rio Gurgeia, oriunda do cerrado piauiense, responsável pela irrigação de uma vasta área e pela formação dos poços jorrantes com águas que brotam com tanta pressão que, ao surgirem até a superfície, atingem vários metros de altura.

O Cerrado e os rios do Amazonas


A Bacia Amazônica é considerada a maior rede hidrográfica do Planeta. Para descrevê-la, um observador, mesmo do espaço, é incapaz de avaliar sua complexidade em meio a ilhas, furos, paranás e igarapés.


A bacia hidrográfica do Amazonas tem sua gênese a partir de três importantes regimes: águas de origem glacial, provenientes dos Andes; águas de origem pluvial, que alimentam a bacia pela margem esquerda; e águas tanto de origem pluvial como de lençóis profundos, que a alimentam pela margem direita. Na realidade, são esses rios da margem direita que contribuem para os maiores volumes de água na alimentação do Amazonas e também são responsáveis pela sua regularidade e sua perenização, já que as águas pluviais e glaciares da sua margem esquerda e nascentes, apesar de volumosas, possuem regimes irregulares.


Tomando a orientação de leste para oeste, pode-se constatar quão extensos e volumosos são os afluentes da margem direita do rio Amazonas, que brotam no coração do cerrado e cujas vertentes, qual artérias interligadas, são bombeadas para irrigar e oxigenar o pai dos rios.


Tocantins ou Araguaia
As sub-bacias do Tocantins e Araguaia são tão complexas e extensas que não se tem certeza de qual dos dois chega primeiro ao Amazonas, ao sul de Marajó. Oficialmente é o Tocantins, mas é ele que deságua no Araguaia, e não o inverso. Porém a nomenclatura não é um fator relevante. O mais importante é a quantidade de água e sedimentos que esses rios levam até a foz do Amazonas, transformando-a num ecossistema extremamente complexo.
Tocantins, um rio de vários nomes


O rio Tocantins bem poderia ser chamado de rio Uru, que nasce nos contrafortes da Serra Dourada e segue ao norte, ao passo que seus irmãos de nascentes tomam rumo oeste em direção ao Araguaia ou rumo sul em direção ao Paranaíba.


Entre as pedras, o Uru é Uruíta, mais abaixo dialoga com dona Ana e se formou Uruana. Depois de tanto se encorpar, tornou-se Uruaçú ou Uru-grande, nos vocábulos do Tupi. Ou o Tocantins seria o Rio das Almas, proveniente dos Pirineus, ou Maranhão ou ainda o Paranã, que vem do longínquo lugar onde as águas se emendam?


O fato é que o rio Tocantins é todos eles e muito mais. Inúmeros afluentes caudalosos o alimentam pela margem direita e pela margem esquerda. Alguns da margem direita têm suas nascentes emendadas com águas que correm para a bacia do São Francisco, como é o caso das águas provenientes do Jalapão e as águas do Paranã, oriundas do atual município de Formosa, em Goiás.
O mesmo fenômeno acontece em relação aos afluentes da margem esquerda, com aqueles da margem direita do Araguaia. São as reentrâncias do interflúvio formado pela Serra do Estrondo que os separam.


Rio Araguaia
O rio Araguaia nasce em formações pertencentes à bacia geológica do Paraná, mas integra a bacia hidrográfica do Amazonas. Seu berço e seu curso superior são compostos por águas do Aquífero Guarani. No seu nascedouro, esse aquífero se encontra nas formações Baurú e Botucatu. No mesmo local nascem os rios Taquari, que corre no sentido oeste integrando a sub-bacia do rio Paraguai no Pantanal Mato-grossense, e o Aporé, que corre para sudeste, desaguando no Paranaíba, formador do Paraná.


Entretanto o Araguaia segue sereno para o norte, recebendo a todo instante portentosos afluentes tanto pela margem direita quanto pela esquerda. Alguns desses afluentes são tão extensos e complexos que delimitam, no tempo e no espaço, histórias próprias. Esse é o caso do rio das Mortes, cuja nascente brota das reentrâncias da Serra do Roncador, a pouca distância, onde ao sul nascem os rios do Pantanal Norte, sub-bacia do Paraguai.


No seu curso intermediário, o Araguaia abraça a Ilha do Bananal, a maior ilha fluvial do mundo. Na realidade, trata-se de um grande território com rios próprios, lagos e uma diversidade biótica impressionante. Em meio a essa complexidade, segue o Araguaia, até encontrar-se com o Tocantins ou vice-versa, como já foi dito.


Bem próximo à nascente do Rio das Mortes, emergem também das reentrâncias da Serra do Roncador os grandes afluentes do Xingu. Aí também se situam as nascentes do caudaloso Teles Pires. Na borda oeste dessa Serra, surgem as águas do rio Arinos, que mais abaixo se une com as águas do Juruena, formado por uma complexa rede de nascentes oriundas da borda norte da chapada dos Parecis, toda coberta por cerrado. Teles Pires, Arinos e Juruena se juntam para formar o Tapajós, que deságua no Amazonas na cidade de Santarém.


Guaporé, Mamoré e Madeira têm suas nascentes situadas nos limites oeste do Cerrado, desde a depressão relativa do Pantanal Mato-Grossense até as águas provenientes das ilhas de cerrado situadas nos longínquos planaltos de Alta Lídia, Serra dos Pakaás-Novos. Daí, então, descambam águas do Jamarí que vão engrossar o já grandioso Ji-Paraná, que deságua no Madeira.

“O que se pode afirmar é que enquanto o desejo de explorar o Cerrado tiver raízes estrangeiras, a possibilidade de um programa racional de desenvolvimento será nula”

O Cerrado e a Bacia hidrográfica do São Francisco
O rio São Francisco e toda sua bacia hidrográfica correm por inúmeras terras do território brasileiro. O São Francisco tem sua nascente situada em áreas de cerrado, na Serra da Canastra, estado de Minas Gerais. É alimentado especialmente pelas águas acumuladas no aquífero Urucuia e no aquífero Bambuí. Seu regime é marcado por diferenciações básicas.



A grande totalidade dos afluentes da margem direita que recebe suas águas principalmente das chuvas sofre influência direta de climas semiáridos, conduzidos até o curso médio superior do grande vale, pelos eixos de expansão de semiaridez. Esses rios são classificados como rios temporários, que desaparecem na estação seca. Portanto, a perenização do São Francisco está na dependência direta dos seus afluentes que o alimentam pela margem esquerda.
Esses rios caudalosos e outrora cristalinos correm encaixados e paralelos na formação geológica Urucuia.


A grande maioria provém dos contrafortes leste da Serra Geral ou Espigão Mestre, como é o caso dos rios Carinhanha, Pratudinho, Pratudão, Formoso, Arrojado, Correntina, do Meio, Guará, Santo Antonio, Corrente e Grande.


Outros que o alimentam na porção superior têm suas nascentes nas águas emendadas próximas ao Distrito Federal, como é o caso dos rios Preto e Urucuia. Este dá nome à formação geológica que abriga o aquífero Urucuia, responsável por quase 80% das águas que alimentam o São Francisco.


O rio Paracatu é o responsável pela junção das águas dos aquíferos Bambuí e Urucuia. E tem suas nascentes situadas numa mancha isolada da formação Urucuia. Ainda pela margem direita, o rio das Velhas contribui com o São Francisco, no seu curso superior, com águas oriundas, quase em sua totalidade, do aquífero Bambuí.


A última grande nascente ao norte se constitui no nascedouro do rio Preto, afluente do rio Grande. As nascentes do rio Preto estão em áreas aflorantes do arenito Urucuia, na região do Jalapão, um pouco ao sul da nascente do Parnaíba, com água quase emendada com o rio do Sono, afluente do Tocantins.


O Cerrado e as Águas do Paraná
A Bacia hidrográfica do Paraná é outra formada e alimentada pelas águas do Cerrado. Apenas em sua porção inferior, após receber o rio Uruguai, esse fenômeno não é tão evidente.


As águas nascentes da bacia do Paraná se espalham como um leque a partir do coração do Cerrado, correndo em direção ao sul do continente. Das escarpas sul da Chapada dos Parecis e das escarpas oeste da Serra do Roncador fluem as águas formadoras da sub-bacia do Paraguai.


O rio Paraná é formado pela junção dos rios Paranaíba e Grande. As águas iniciais do Paranaíba são originárias das águas emendadas que viajam desde o norte do Distrito Federal, e se juntam às que vertem da Serra das Divisões do Centro-Sul de Goiás, até as que vêm das bordas leste e sul da Serra do Caiapó.


As águas do rio Grande se precipitam da borda oeste da Serra da Mantiqueira, numa área de Mata Atlântica, mas seu curso maior percorre de leste a oeste o estado de Minas Gerais, e são as águas do Cerrado mineiro que lhes dão corpo.


Assim, representada por uma complexa teia, as águas que brotam do Cerrado são as responsáveis pela alimentação e configuração das grandes bacias hidrográficas da América do Sul.
 Foto: gpsdoagronegocio.blogspot.com.br
IHU On-Line – O senhor associa a recente crise de abastecimento de água em São Paulo à condição ambiental do Cerrado?


Altair Sales Barbosa - Para entender este assunto, é necessário compreender que um aquífero possui sua área de descarga e de recarga. A área de recarga de um aquífero se situa nos chapadões ou em suas áreas mais planas. Quem exerce a função de alimentar os lençóis profundos é a vegetação, especialmente a vegetação nativa.


No caso específico das plantas do cerrado, estas possuem um sistema radicular extremamente profundo e complexo. Estas plantas existiam até bem pouco tempo, nas áreas de recargas do aquífero Guarani, responsáveis pelas águas da bacia do Paraná.


Com a introdução da monocultura, essas plantas foram substituídas por vegetais com raízes subsuperficiais que não sugam as águas como as plantas nativas. A consequência é que com o passar dos tempos as águas dos aquíferos vão diminuindo.


Num primeiro momento ocorre o fenômeno denominado migração de nascentes das partes mais elevadas para as partes mais baixas. Num segundo momento os cursos d’águas menores iniciam um processo de desaparecimento e assim por diante, são veias menores que deixam de irrigar as maiores.


No caso específico das crises de abastecimento de água que afetam o Estado de São Paulo, por exemplo, o problema jamais será solucionado em sua totalidade. Isto porque a situação está intimamente ligada a dois problemas: o primeiro é a estiagem prolongada provocada por fatores que independem da ação humana, como el Niño, por exemplo.


O segundo é a vazão dos rios alimentadores das represas, que não ostentam mais a quantidade de água de tempos atrás. Consequência: com a normalização da precipitação pluviométrica depois de certo tempo (uns quatro anos), os níveis das represas podem atingir a plenitude.



Entretanto, com o advento de outra estiagem cíclica, a situação voltará a se repetir. O Sistema Cantareira é abastecido principalmente pelo rio Piracicaba, afluente do rio Doce, que aparentemente nada tem a ver com a bacia do Paraná.


Entretanto, se penetrarmos além das aparências, iremos constatar que além das águas que fluem da Serra do Mar, as águas do aquífero Guarani são as responsáveis pela alimentação das nascentes da represa, basta ver a geotecnia das nascentes do rio Piracicaba, bacia do rio Doce, e suas relações com as nascentes do ribeirão Baguaçu, proveniente do aquífero Guarani e pertencente à Bacia do Paraná.


IHU On-Line – Qual é a atual situação dos rios que nascem no Cerrado? É possível constatar alguma mudança no fluxo da água deles ao longo dos últimos anos? O senhor mencionou recentemente que dez pequenos rios do Cerrado desaparecem a cada ano. É possível estimar quantos pequenos rios já desapareceram e o que isso significa num quadro geral acerca dos recursos hídricos do cerrado?

Altair Sales Barbosa - A partir de 1970, uma nova matriz territorial foi implantada na área do Cerrado. Essa matriz tem raízes e consequências predatórias. A partir desse momento foi só uma questão de tempo para que os problemas ambientais viessem a aparecer e se agravarem com o tempo.
A questão atual do desaparecimento dos pequenos cursos d’água, alimentadores dos maiores, é apenas a ponta de um “iceberg” que tende a se tornar cada vez mais evidente.


IHU On-Line – É possível avaliar qual a situação ambiental do Aquífero Guarani?
Altair Sales Barbosa - É muito difícil precisar esta situação em função da ausência de pesquisas. Entretanto, se projetarmos as consequências advindas da degradação, podemos afirmar que se não houver uma solução científica e tecnológica capaz de aumentar a recarga deste aquífero, num tempo muito mais curto que possamos imaginar, suas reservas desaparecerão quase que por completo.


Veja o que já está acontecendo com o rio São Francisco, alimentado pelos aquíferos Urucuia e Bambuí, que estão passando pelo mesmo processo de degradação.


IHU On-Line – Com a crise de abastecimento em São Paulo, fala-se em possíveis riscos de desertificação, como de extermínio das reservas hídricas existentes no subsolo. Esse risco existe de fato? Em que proporção no atual momento? Se o Cerrado já está extinto, como reverter a crise hídrica? Por quais razões não se trata e não se menciona a importância do Cerrado nas discussões acerca da crise de abastecimento da água?
Altair Sales Barbosa - O potencial agrícola que o cerrado tem demonstrado o transformou em uma das últimas reservas da terra capazes de suportar, de modo imediato, a produção de cereais e a formação de pastagens.



E o desenvolvimento das técnicas modernas de cultivo tem atraído, recentemente, grandes investimentos e criado modificações significativas do ponto de vista da infraestrutura de suporte.



O fato da não existência de uma política global para agricultura tem provocado o êxodo rural e o crescimento desordenado dos núcleos urbanos. Todos esses fatores, no seu conjunto, têm provocado situações nocivas ao meio ambiente, com perspectivas preocupantes.


De todos os grandes Domínios Morfoclimáticos e Fitogeográficos Brasileiros, para usar a linguagem do Prof. Ab’Saber, ou Sistemas Biogeográficos, o Cerrado tem sido o que mais transformações vem sofrendo nos últimos anos. Porém, não só transformações das técnicas de produção, mas outras muito mais profundas, isto é, transformações culturais, que têm afetado o próprio modo de vida das populações, desestruturando os valores e, muitas vezes, provocando um vazio, não repondo algo que venha a preencher o espaço deixado pelos elementos que foram ou estão sendo subtraídos.



Os antigos núcleos urbanos, quase todos originados em torno de atividades mineradoras, principalmente os do início do século XVIII, veem-se de repente transformados em polos regionais de inovações e agenciadores de “mudanças radicais” nos sistemas de relações, com seus inúmeros serviços, quase todos voltados para atividades agroindustriais e com preocupações imediatistas.




A criação de Goiânia, posteriormente Brasília, juntamente com o desenvolvimento do sistema viário e o processo de modernização da agricultura, veio contribuir com certa radicalização nas modificações dos fatores até então estruturados, rompendo em estilhaços seus traços mais tradicionais.
Até bem pouco tempo, as áreas do Sistema Biogeográfico do Cerrado não eram muito valorizadas, nem procuradas para implantação de grandes atividades agropastoris.



As suas partes mais intensamente ocupadas eram restritas ao Subsistema de Matas, ou seja, áreas florestadas que existem dentro do Sistema e que estão sempre associadas a solos de boa fertilidade natural. Por isso essas áreas, também denominadas de “terras de cultura”, foram as primeiras a receber o impacto de uma degradação maior. Ao seu lado, em escala menor, podem ser citadas as áreas que compõem o Subsistema Cerradão e as Matas-Galerias.

“Não se mede a degradação ambiental apenas pela ocorrência de uma ou outra planta. Há de se considerar comunidades, tanto vegetais como animais, incluindo insetos polinizadores, água, etc., tudo isto já não existe no cerrado de forma contínua. O que há são fragmentos que não representam 10% da área total”

As demais áreas, que constituem as maiores superfícies do Sistema, como os Subsistemas do Cerrado, do Campo, das Veredas e Ambientes Alagadiços, em virtude das características dos seus solos, não favorecem de imediato uma ocupação intensiva, não tiveram tanto impacto no início maciço da ocupação humana.


Essas áreas, outrora ocupadas pelo criatório extensivo, tinham como suporte uma pastagem nativa, cujo teor alimentício estava condicionado à sazonalidade climática, fato que obrigava os rebanhos a migrações longas. E durante a estação seca eram conduzidos para as “veredas”, onde a umidade mantinha o capim verdejante, mesmo no auge da seca. Entretanto, essas áreas de veredas não ocupam grande extensão e, na época da estação chuvosa, em função de muitos fatores, não é propícia a sua ocupação por rebanhos. Nessa época chuvosa, o rebanho pode ser transportado para as áreas mais elevadas (campos e cerrado).


Esse fator das migrações sazonarias é responsável por um sistema pastoril que exige grandes extensões de terras, que poderiam ser compradas, arrendadas ou simplesmente ocupadas na forma de posse ou “fechos”.


A utilização do calcário para a correção da acidez do solo e do adubo para aumento da sua fertilidade, a introdução do arado e de sistemas mecânicos de desmatamento e a facilidade de irrigação transformaram essas áreas, anteriormente impróprias para atividades agrícolas, em terras produtivas.


Outrossim, a substituição das pastagens nativas por espécies estrangeiras modificou radicalmente o quadro pastoril.


Os impactos causados sobre o ambiente por esse novo modelo de ocupação são visíveis e podem ser caracterizados pelos itens seguintes:
  • empobrecimento genético;
  • empobrecimento dos ecossistemas;
  • destruição da vegetação nativa;
  • propagação de ervas exóticas;
  • extinção da fauna nativa;
  • diminuição e poluição dos mananciais hídricos;
  • compactação e erosão dos solos;
  • contaminação química das águas e da biota;
  • proliferação de doenças desconhecidas, etc.
Exploração do cerrado
Esses fatores em conjunto geram inúmeros outros que, por sua vez, funcionam como agentes de atração populacional e de modificações significativas do ambiente.


Como exemplo, podemos citar a demanda de energia que exige a formação de grandes reservatórios e usinas geradoras que criam inúmeras frentes de trabalho, diretas e indiretas, acarretando entropias de grande alcance natural e social.


Assim é que, no início do século XXI, encontra-se em suspenso o destino do Cerrado. Se as próximas décadas trarão sua ruína ou salvação, ainda não se pode dizer. Embora sejam grandes as lacunas no nosso conhecimento, dispomos de informações suficientes para impedirmos que ocorra uma degradação irreversível.


O que se pode afirmar é que enquanto o desejo de explorar o Cerrado tiver raízes estrangeiras, a possibilidade de um programa racional de desenvolvimento será nula.


O cerrado está incluído no Planejamento Político Brasileiro como região de expansão da fronteira agrícola, orientada por práticas predatórias, causando um cenário estarrecedor.


A retirada total da cobertura vegetal afetará, de forma decisiva, a já reduzida recarga dos aquíferos, cujas reservas chegarão a um nível crítico, pois as águas pluviais que conseguirem penetrar através do solo serão de imediato absorvidas por estes, dado seus estados de aridez em função da insolação.



A pouca umidade retida se evaporará de forma rápida pelas mesmas causas. No início, os problemas oriundos dessa situação tentarão ser contornados com a construção de barramentos, através de curvas de níveis e pequenos açudes, para reter as águas das chuvas. Entretanto, os ambientes que surgem desse processo têm caráter bêntico, fato que origina a argilicificação e a consequente impermeabilização do fundo dos poços, que, associada à forte insolação, resultará numa ação de nula eficácia.



 Foto: cmbbc.cpac.embrapa.br
Aquíferos
O primeiro aquífero a ter suas reservas diminuídas será o Urucuia, até o quase total desaparecimento, seguido do aquífero Bambuí e do aquífero Guarani.


Com o desaparecimento do lençol freático, seguido da diminuição drástica da reserva dos aquíferos, os rios iniciarão um processo de diminuição da perenidade, oscilando sempre para menos, entre uma estação chuvosa e outra, e desaparecendo quase por completo na estação seca.



Esse fato afetará primeiro os pequenos cursos d’água, depois os de médio porte e, em seguida, os grandes rios.




Os fenômenos ocorridos nos chapadões centrais do Brasil, em função do desaparecimento do cerrado, afetarão, de forma direta, várias partes do continente.


A parte sul da calha do rio Amazonas, representada pelos baixos chapadões, terá uma rede de drenagem insignificante no que diz respeito ao volume d’água, uma vez que os grandes afluentes da margem direita, que têm suas nascentes e seus alimentadores situados no cerrado, deixarão de existir ou terão seus volumes diminuídos de forma significativa nos cursos superiores e médios.



Os grandes afluentes do rio Amazonas, pela sua margem direita, serão alimentados apenas nos seus cursos inferiores, fato que reduzirá em mais de 80% suas vazões.


A floresta equatorial deixará de existir na sua configuração original, sendo paulatinamente substituída por uma vegetação rala do tipo caatinga, salpicada em alguns locais por espécies de plantas adaptadas a um ambiente mais seco.



O vale do Parnaíba, englobando a bacia geológica Parnaíba-Maranhão, será invadido na direção sul/norte por dunas arenosas secas provenientes da Formação Urucuia, existentes no Jalapão e na Chapada das Mangabeiras.


E, na direção norte/sul, será invadido por sedimentos arenosos litorâneos que caracterizam os Lençóis Maranhenses e Piauienses, que, em virtude de condições favoráveis, terão facilidade de transporte eólico em direção ao interior. Os atuais poços jorrantes do vale do Gurgueia deixarão de ser fluentes.


Com o desaparecimento dos principais afluentes do rio São Francisco, pela sua margem esquerda, que cortam o arenito Urucuia, a ausência de alimentação constante e o assoreamento contribuirão para o desaparecimento do grande rio, nos seus aspectos originais. Permanecerão algumas lagoas e cacimbas, onde o terreno tiver característica argilosa, ou outra rocha impermeabilizante originária da metaformose do calcário Bambuí.


A Caatinga, que já caracteriza parte do curso inferior do rio São Francisco, avançará um pouco mais em direção ao norte, transicionando paulatinamente para a formação de uma grande área desértica que certamente abrangerá o centro, o oeste, o sul da Bahia e norte e centro de Minas Gerais.


A região da Serra da Canastra permanecerá com alguns elementos originais, como uma espécie de enclave geoecológico, com clima subúmido.


Nas áreas correspondentes aos formadores e às bordas da Bacia Hidrográfica do Paraná, as desintegrações intensas dos arenitos Botucatu e Bauru – que já formaram na região, durante os períodos Triássico e Cretáceo, grandes desertos, acordarão de um sono profundo, expandindo seus grãos de areia em várias direções, provocando erosões colossais, assoreamento e acúmulos de sedimentos na configuração de dunas. Do curso médio da Bacia do Paraná até a parte superior de seus afluentes, haverá muitas áreas desérticas separadas por formações rochosas ostentando vegetação de características áridas e semiáridas.
A sub-bacia do rio Paraguai, alimentada pelo aquífero Guarani, sofrerá as mesmas consequências das demais regiões hidrográficas do Cerrado, transformando o atual Pantanal Mato-Grossense numa área de desertos arenosos, tal como já ocorreu na região durante o Pleistoceno Superior, onde ali existia o deserto do Grande Pantanal.
Logo após o desaparecimento por completo das comunidades vegetais nativas, a agroindústria terá seus dias de grande apogeu em termos de produtividade.
Grave processo de modificação
Os núcleos urbanos criados ou dinamizados como suportes dessas atividades atingirão também seu apogeu em termos de aumento demográfico e em termos de ofertas e oportunidades de serviços de natureza diversa.


Passado certo tempo, contado em alguns poucos anos, essa realidade experimentará um grave processo de modificação. A produtividade agrícola começará a diminuir assustadoramente, causando ondas de demissões nas empresas estabelecidas.


Isso acontecerá porque a água dos lençóis subterrâneos não será mais suficiente para sustentar a produção no sistema de rotatividade de antes. Não haverá água para fazer funcionarem os pivôs centrais. A atividade agrícola sobrevivente se restringirá à época da estação chuvosa, que já se manifestará com instabilidades sazonais.


Os solos, outrora preparados intensivamente para os cultivos, serão ocupados em pequenas parcelas, deixando exposta uma grande superfície desnudada. Da mesma forma as pastagens que sustentavam a pecuária serão afetadas, provocando a redução paulatina dos rebanhos.


Essa situação começará a refletir de forma visível nos polos urbanos. Haverá racionamento de água, em função da diminuição da vazão dos rios, que, por sua vez, provocará a redução do nível dos reservatórios. O racionamento de energia elétrica também será imposto pelas mesmas causas. O desemprego e os serviços, antes fartos e variados, afundarão numa crise sem precedentes.

“O cerrado está incluído no Planejamento Político Brasileiro como região de expansão da fronteira agrícola, orientada por práticas predatórias, causando um cenário estarrecedor”

Isso provocará o aumento de pessoas ociosas e vadias nas cidades, situação que criará enormes embaraços sociais desagradáveis. Haverá a intensificação da criminalidade de todas as espécies, desde pequenos furtos, saques, assaltos e assassinatos. A prostituição se generalizará, trazendo consequências consideráveis para a saúde pública, que se apresenta cada vez mais decadente. Os serviços públicos, incluindo a educação, por falta de arrecadação e manutenção, começarão a beirar o caos.


Depois de certo tempo a ausência de água nos rios criará uma paisagem desoladora. Áreas outrora ocupadas pelas lavouras serão caracterizadas por formas vegetacionais rasteiras e exóticas, típicas de formações desérticas, com um ciclo vegetativo muito curto.


Grande parte dos campos agrícolas abandonados, sem a cobertura vegetal necessária para fixar o solo, passará, durante algumas épocas do ano, a ser assolada por ventos e tempestades fortes, que criarão uma atmosfera escura carregada de grãos finos de poeira em extensões quilométricas.


Os polos urbanos serão assolados por diversas epidemias, que provocarão índices alarmantes de mortalidade. A maioria da população sucumbirá diante da miséria crescente.

Sobre a INFRAMERICA desmatando o Cerrado para construir... concessionarias de automóveis (!!) abra o link abaixo:

http://associacaoparkwayresidencial.blogspot.com.ar/2014/10/inframerica-revitaliza-as.html

A crise hídrica chegou para ficar!


Publicado em novembro 11, 2014

seca

[EcoDebate] Na última década, pelo menos, cientistas, pesquisadores e ambientalistas insistentemente alertam para os riscos de uma grave crise hídrica.


Alertaram para a necessidade de revitalizar bacias hidrográficas, recuperar mananciais, ampliar ao máximo os sistemas de captação e tratamento de esgoto, conservar e proteger as áreas de recarga dos aquíferos. Isto sem falar, da redução do desperdício dos sistemas de distribuição, do uso perdulário da água pela agricultura e do desperdício pelos consumidores.


Além disto, cientistas, pesquisadores e ambientalistas também alertavam que o desmatamento da floresta amazônica ameaçava os ‘rios voadores’, de fundamental importância para o clima e as chuvas na região sudeste.
Alertaram em vão e foram rotulados de catastrofistas e apocalípticos, para dizer o mínimo.


Os desenvolvimentistas a qualquer custo e os paladinos do agronegócio, em especial, sempre desqualificaram os alertas, por maior embasamento científico que tivessem.


Sei disto muito bem porque perdi a conta de quantas vezes enfrentei esta desqualificação.


Pois bem, exatamente como nos alertas, a crise hídrica chegou.
O estudo ‘O Futuro Climático da Amazônia‘, por exemplo, estimou que o desmatamento acumulado na Floresta Amazônica, em 40 anos de análise, somou 762.979 quilômetros quadrados (km²), o que corresponde a três estados de São Paulo. Dentre suas conclusões, destacou que floresta amazônica não mantém o ar úmido apenas para si mesma.



Ela exporta essa umidade por meio de rios aéreos de vapor, os chamados “rios voadores,” que irrigam áreas como o Sudeste, Centro-Oeste e Sul do Brasil e outras áreas como o Pantanal e o Chaco, além da Bolívia, Paraguai e Argentina.


O pesquisador do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), Antônio Nobre, em entrevista e com base no estudo, estimou que, nos últimos 40 anos, a Amazônia perdeu 42 bilhões de árvores e que é impossível não relacionar os dados com a crise hídrica e a seca pelas quais passa o Brasil atualmente.
Ainda segundo Nobre, uma árvore grande da Amazônia chega a evaporar mil litros de água em apenas um dia. Se calcularmos todas as árvores da bacia amazônica, a quantidade de vapor que vai pra atmosfera corresponde a 20 bilhões de toneladas de água por dia (mais que o Rio Amazonas coloca no Oceano Atlântico no mesmo período).


A mesma lógica perversa também ocorre no Cerrado, vigorosamente devastado para a expansão do agronegócio. O Prof. Altair Sales Barbosa, em entrevista, destacou que …”


Somente na abrangência do Cerrado, destaca, “encontram-se três grandes aquíferos responsáveis pela formação e alimentação dos grandes rios continentais. Um deles e o mais conhecido é o aquífero Guarani, associado ao arenito Botucatu e a outras formações areníticas mais antigas. Esse aquífero é responsável pelas águas que alimentam a bacia hidrográfica do Paraná, além de alguns formadores que vertem para a bacia Amazônica. Os outros dois são os aquíferos Bambuí e Urucuia (…) Os aquíferos Bambuí e Urucuia são responsáveis pela formação e alimentação dos rios que integram a bacia do São Francisco e as sub-bacias hidrográficas do Tocantins, Araguaia, além de outras situadas na abrangência do Cerrado”. Isso significa que, “representada por uma complexa teia, as águas que brotam do Cerrado são as responsáveis pela alimentação e configuração das grandes bacias hidrográficas da América do Sul”. “


Em meio a isto, o rio São Francisco agoniza, a ponto de sua nascente histórica ter secado. E, em quase todo país, os estoques de água nos reservatórios das hidrelétricas estão perigosamente baixos, como nos níveis de 2001, trazendo de volta o risco de racionamento de energia.


Diante deste grave cenário, aqueles que nos desqualificaram permanecem impávidos e incapazes de autocritica. Uma parte, relativiza a crise e aposta na generosidade de São Pedro. Outra parte, opta por defender magaobras hídricas como ‘solução’, embora em custos astronômicos.



Nesta lógica imediatista, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, apresentou à presidenta Dilma Rousseff, uma lista de oito obras, orçadas em R$ 3,5 bilhões, visando a ‘segurança hídrica’ de São Paulo. Mais uma vez, mais obras, obras, obras e nada de gestão, eficiência, redução de desperdício e revitalização de bacias.


Ou seja, os desenvolvimentistas apostam em mais do mesmo. E, mais uma vez, alguns apostam e todos perdem.


Sinceramente, não percebo que governos, autoridades, gestores, usuários e consumidores realmente compreendam a dimensão da crise e que as soluções passam pelas mesmas recomendações que cientistas, pesquisadores e ambientalistas fazem há mais de uma década.

Pena, porque a crise hídrica chegou para ficar.

Henrique Cortez, jornalista e ambientalista, é editor da revista Cidadania & Meio Ambiente e do portal EcoDebate.

Referências:

O Futuro Climático da Amazônia
Desmatamento acumulado na Amazônia cobra fatura e começa a afetar o clima, diz estudo
Podcast: Amazônia perdeu 42 bilhões de árvores nos últimos 40 anos
A complexa teia hídrica que brota do Cerrado está ameaçada. Entrevista com Altair Sales Barbosa
A crise hídrica em São Paulo e no São Francisco, artigo de José Eustáquio Diniz Alves
Alckmin apresenta a Dilma obras para garantir a oferta de água em SP
Desperdício de água tratada pode chegar a 50% nas grandes cidades só com vazamentos da rede

Publicado no Portal EcoDebate, 11/11/2014

Tatuagens constituem risco de saúde incalculável


Ciência

Entre química e impurezas, desenhos corporais injetam no organismo um sem número de substâncias tóxicas, muitas vezes nem testadas. Especialistas presumem que sejam cancerígenas, mas não há estudos nem leis suficientes. 


Quem gostaria de injetar alguns gramas de verniz de carro sob a pele? Ou um pouco de fuligem resultante da combustão de petróleo ou alcatrão?



Provavelmente ninguém. Mas isso é o que recebem todos os que se deixam tatuar. "Os pigmentos para tatuagens contrastantes e de longa duração foram desenvolvidas para cartuchos de impressora e tintas de automóveis", revela Wolfgang Bäumler, professor do Departamento de Dermatologia da Universidade de Regensburg, em entrevista à DW.


Acima de tudo, as tintas de tatuagem não foram desenvolvidas para estar sob a pele. Grandes empresas químicas fabricam toneladas de pigmentos coloridos, principalmente para fins industriais; empresas pequenas os compram e transformam em produtos para tatuagem.



"As substâncias nunca foram testadas para aplicação subcutânea", diz à DW Peter Laux, do Instituto Federal Alemão de Avaliação de Riscos (BfR) em Berlim. "A própria grande indústria diz que, na verdade, os pigmentos não são feitos para isso."


Da pele para o organismo inteiro
Wolfgang Bäumler acrescenta que as tintas de tatuagem precisam ser "brutalmente insolúveis em água". Isso já torna a prática perigosa, pois o corpo não tem como se livrar facilmente delas. De acordo com um recente estudo americano, apenas dois terços dos produtos utilizados nas tatuagens permanece sob a pele: o restante se espalha pelo corpo.


"As substâncias vão para o sangue, para os nódulos linfáticos, os órgãos, e vão parar em algum lugar. Onde, exatamente, não se tem ideia", relata o dermatologista.


Arco-íris de produtos químicos
Numa sessão de tatuagem, produtos químicos não testados são lançados no organismo


Os produtos químicos para as cores vermelho, laranja e amarelos são compostos azólicos – substâncias orgânicas com uma má reputação, que costumam desencadear alergias. Algumas delas, como o Pigment Red 22, podem se decompor, se a tatuagem for exposta á luz solar, diz Bäumler. Os compostos resultantes são tóxicos e cancerígenos.



Compostos chamados ftalocianinas, que resultam em azul e verde brilhante, geralmente contêm cobre e níquel. Também nos pigmentos marrons com óxidos de ferro, muitas vezes há presença de níquel. O metal provoca alergias de contato em muitas pessoas e é proibido em cosméticos. Nos produtos para tatuagens, contudo, ele continua sendo frequente.


Tatuagens pretas, por sua vez, são feitas com derivados de um material chamado Carbon Black. Ele nada mais é do que fuligem industrial, produzida quando a indústria química queima petróleo, alcatrão ou borracha.


Impurezas cancerígenas
No entanto os especialistas salientam que não só as cores são perigosas. "Além dos elementos corantes, produtos para tatuagem podem também conter outras substâncias, como solventes, espessantes, conservantes e diversas impurezas", adverte o BfR.


De acordo com Peter Laux, impurezas são a regra, não a exceção. "Os departamentos regionais de diagnóstico se queixam regularmente sobre a qualidade química das substâncias para tatuagem que eles controlam."



Entre essas impurezas, os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos são particularmente perigosos. Formados durante as combustões incompletas, também na produção de fuligem, muitos são comprovadamente cancerígenos. Nas tintas pretas para tatuagem, estão muitas vezes presentes em concentrações acima do limite recomendado.



"Consta que os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos se desprendem continuamente durante o processo de tatuagem e se espalham pelo corpo. Os níveis medidos são um risco sério à saúde e segurança dos consumidores", adverte o BfR.



Laux acrescenta que "também há no mercado substâncias para tatuagens que cumprem os requisitos". No entanto, é difícil para o consumidor definir qual substância é boa e qual não.



Segundo FDA, cerca de 25% dos americanos têm tatuagem


Regulamentação insuficiente
Na Alemanha e em muitos outros países, as substâncias para tatuagens não são consideradas nem medicamentos nem cosméticos – e aí reside o problema. Porque esses produtos precisam atender determinados requisitos antes de poder sequer entrar no mercado.


No caso dos medicamentos, análises de segurança mostram o que acontece exatamente com uma substância no corpo, como ela é metabolizada, e quais outras substâncias podem se formar a partir dela. Para as tatuagens, não há tais regulamentações.



Em 2008, o Conselho Europeu expediu uma resolução determinando o controle mais rigoroso dos produtos para tatuagens, e muitos países implementaram leis e regulamentações concernentes. Mas, de acordo com Peter Laux, todas são insuficientes.



Uma portaria relativa a substâncias de tatuagem de 2009 proíbe na Alemanha o uso de certas substâncias, e uma lista especifica exatamente o que é proibido. "Todas as demais substâncias são permitidas, mesmo produtos químicos que acabam de ser desenvolvidos por um fabricante e nunca foram previamente testados."


"Precisamos criar listas positivas", reivindica Laux. Isso significa, que ao invés de substâncias proibidas, a portaria deveria conter as permitidas que tiveram a sua segurança comprovada.



Incerteza é única certeza
Em diversas sociedades, tatuagem é símbolo cultural antigo. Por exemplo na máfia Yakuza do Japão


Até mesmo tatuadores profissionais concordam que a situação não é satisfatória. "Em nossa opinião, no momento as tintas de tatuagem não são realmente seguras", admitiu Andreas Schmidt, vice-presidente da associação Tatuadores Alemães Organizados, num simpósio em Berlim sobre a segurança dos produtos empregados.


Ele exige testes toxicológicos para os componentes, mas acrescenta: "Estamos otimistas de que há apenas alguns problemas com as tintas, caso contrário haveria mais reclamações de clientes e mais matérias em jornais e revistas".
No entanto, os especialistas lembram que o câncer muitas vezes precisa de décadas para se desenvolver, e a conexão não é tão fácil de provar.


Até agora, as substâncias para tatuagens não são testadas quanto a seus riscos. Faltam estudos em seres humanos, de curto quanto e de longo prazo. Experimentos em animais são proibidos.


O dermatologista Bäumler foi judicialmente impedido de efetuar um teste de produtos de tatuagem em porcos. "A justificativa foi que as pessoas que se deixam tatuar o fazem voluntariamente", conta.


Portanto, ninguém ainda pode afirmar ainda se tatuagens são prejudiciais à saúde ou não. Talvez provoquem câncer – talvez não.


Peter Laux arremata que cada um deve decidir por si se quer fazer uma tatuagem ou não – o BfR não faz nenhuma recomendação. "Até agora só sabemos que não há qualquer garantia de que as substâncias para tatuagens sejam seguras para a saúde."

Uma presidente que virou refém das circunstâncias --O Estado de S.Paulo




30 Novembro 2014 | 02h 05 



ANÁLISE: Carlos Melo


Por pontos, Dilma Rousseff venceu a eleição; vitória legítima. Mas a realidade que a cerca a torna refém das circunstâncias. Reduzidas são suas condições de impor pontos de vista e deixar fluir o jorro ideológico que brotou na campanha. Ao contrário da retórica triunfalista dos primeiros dias, a natural potência da reeleição agora escoa num indesmentível desgaste que drena o poder e a capacidade de ação da presidente. 


Sem condescendência ou ressentimento, o analista perceberá que são várias e simultâneas as frentes de conflito em que o governo está metido - mais numerosas que os dedos das mãos. Pode-se dizer que Dilma envolveu-se - ou foi envolvida - numa penca de problemas. 



Vem ao caso discutir, aqui, apenas as aflições mais prementes: o escândalo da Petrobrás e o front da economia. 


É nesses dois campos que, no curto prazo, residem os mais elevados riscos. Independentemente da vontade do governo ou de seu partido, não há controle sobre o duto da delação premiada: mais e mais implicados avaliam que o único meio para reduzir suas penas seja colaborar e também abrir o bico, liberando o fluxo de novas denúncias e envolvidos. O rio é caudaloso; quem saberá aonde vai dar?



Diante disso, as alternativas de Dilma se escassearam. O melhor seria fugir para frente: implementar processo de desenvolvimento elevado, garantir empregos e renda. Mas, como fazê-lo sem recursos e com a credibilidade econômica em pane? 



A crise de credibilidade reduz a confiança do investimento privado, as expectativas de melhora são corroídas. A piora econômica se alimenta do mau momento político, potencializado pela economia em frangalhos. Um ciclo de horrores. Necessário cessar o ciclo, estancar a sangria: dar alguns anéis para não ceder todos. 


O front econômico é onde Dilma poderia mais imediatamente fazê-lo: acalmar os impacientes agentes de mercado é mais razoável do que enfrentá-los assim enfraquecida. Sim, implica morder a língua, conceder, capitular; reconhecer que o marketing não passou de bravata. Por isso, e não por paixão, a presidente foi em busca do prestígio de Joaquim Levy. Não foi convicção técnica, mas decisão política. 



Nem gosto, nem opção. Como o sapo, Dilma não pulou a cerca por boniteza, mas por precisão. Claro, pode-se prever que, mais a frente, os efeitos deletérios do ajuste atingirão aliados. Só então se saberá se Dilma se conformará (ou não) com esta margem do rio.


(Vale a pena ler de novo) Monopólio da cidadania



  Mídia  Sem Mascara

O PT sempre deixou claro em seus documentos e congressos que tinha como objetivo a hegemonia,
e isso significa massacrar toda e qualquer oposição, mesmo a de ideias.


A esquerda sempre teve um cacoete muito grave: o de se enxergar como detentora do monopólio das virtudes.



Os pensadores e filósofos que construíram o socialismo e suas vertentes o fizeram de suas casas amplas e aristocráticas, amparados pela riqueza de suas famílias.



O mundo dos pobres e dos desfavorecidos nunca lhes foi nada além de um mundo imaginado, de uma realidade extremamente distante, razão pela qual suas soluções para os problemas de desigualdade social sempre geraram cada vez mais pobreza em todos os lugares onde foram implementadas.



Mas, a despeito do fracasso prático dessas soluções e ideias, o simples fato de declararem uma preocupação para com os mais pobres parece ser mais que suficiente para inflar o ego de grande parte dos militantes de esquerda. Aqui no Brasil o fenômeno é facilmente identificável entre os membros do partido governista, o PT, desde o seu surgimento até os dias de hoje. Sua fundação foi auto-aclamada como a de uma agremiação até então jamais vista, composta de “salvadores da pátria”, gente que iria injetar uma dose cavalar de ética e honestidade na política brasileira.



Muitos que participaram desse início dificilmente poderiam ser considerados representantes dos trabalhadores que se propunham defender; os que o poderiam fazer com alguma legitimidade, caso do próprio Lula, se transformaram, durante os muitos anos no poder, em exemplos máximos da nova aristocracia brasileira, vivendo um estilo de vida que nem os homens mais bilionários do planeta costumam viver.



Cruzam o país em jatos particulares, bebem garrafas de vinho mais caras que um automóvel, e continuam dizendo que são do povo, e contra a elite.



Do alto de sua pseudo-humildade megalômana acusam todos os que não concordam com suas posturas, ideias e ações de serem contra os pobres, transformando-os em bodes expiatórios da nação. Sim, todos aqueles que não querem o governo do PT e que estão se manifestando contra ele nas ruas estão sendo difamados e caluniados pela liderança petista.



Manifestantes que marcam suas passeatas no final de semana, pois não podem se dar ao luxo de perder um dia de trabalho, que não vandalizam o patrimônio público e nem o privado, que não colocam máscaras para esconder seus rostos, que não colocam fogo em pneus para bloquear estradas, esses são chamados de golpistas, de antidemocráticos, de elite branca, de burguesia inconformada.



A diferença entre o discurso e a realidade é tão gritante que chega a ser ofensiva à inteligência. Quando o MST invade os gramados de Brasília e agride policiais, a presidente da república os chama para dialogar. Quando milhares de pessoas tomam pacificamente as avenidas de São Paulo num sábado à tarde, o partido da presidente da república os chama de golpistas, fascistas e reacionários.


O que nos resta? A quem não faz parte das minorias agraciadas pelo PT foi reservada uma categoria diferente: a de cidadão de segunda classe. Os que não se qualificam para nenhuma bolsa, para nenhuma ajuda governamental, que não se beneficiam por conta de seus antepassados negros ou indígenas, que não são filiados ao partido, que não têm cargos comissionados na máquina estatal petista, esses todos, que compõem a maioria dos brasileiros, não podem sequer exercer seu direito de expressão, pois qualquer opinião ou ação contra o governo é rapidamente classificada como quase criminosa, como um atentado à democracia.


Não que isso seja algo espantoso – o PT sempre deixou claro em seus documentos e congressos que tinha como objetivo a hegemonia, e isso significa massacrar toda e qualquer oposição, mesmo a de ideias.


O próprio Lula já comemorou em público a ausência de candidatos de direita nas eleições presidenciais, como se isso fosse a coisa mais saudável do mundo. Pluralidade não é uma palavra muito querida por ele e seus companheiros de partido, a não ser quando aplicada a reais, dólares ou euros.


Já passou de hora de desmascarar esses “homens do povo”. É isso que nos resta, expor suas contradições, sua hipocrisia e suas mentiras. Eles têm o poder do estado e do dinheiro farto, mas não têm ao seu lado a verdade. Enquanto houver espaços a ocupar onde se possa falar a verdade, ela acordará pessoas e libertará mentes. Assim eu espero.

Publicado no jornal Correio Popular, de Campinas, São Paulo.
Flavio Quintela é escritor e tradutor de obras sobre política e filosofia, e autor do livro “Mentiram (e muito) para mim”.

Ridículo!!!OAB e sua insólita Comissão da Verdade sobre a escravidão negra. Mas sobre o Petrolão, nada


Mídia Sem Máscara


A tarefa, é claro, tem que envolver o governo petista. Qualquer outro, mandaria a OAB cuidar da própria vida. Mas sabe bem a OAB que se o governo não participar não aparece dinheiro para a colheita.




A recente decisão tomada pelo Conselho Federal da OAB me fez ver como esses devaneios históricos transitam no Brasil. Devagar e sempre. Demoram mas vão para onde os querem levar. As motivações para que avancem são muitas e graves: é tudo questão de privilégio, poder e dinheiro.



A notícia me lembrou de um artigo que escrevi em 1999, para o Correio do Povo. Estávamos, no Rio Grande do Sul, sob o governo petista de Olívio Dutra, nosso conhecido Exterminador do Futuro. A Secretaria de Educação, totalmente dedicada à conquista gramsciana da hegemonia, lançara uma cartilha que tratava obviedades históricas como achados ideológicos do governo popular e democrático. O texto que escrevi a respeito dessa cartilha tinha por título "Aqui são outros quinhentos" e, lá pelas tantas, dizia assim:


"Doravante, de acordo com o livrinho vermelho dos pensamentos da SEC, passa-se a ensinar a grande novidade de que havia índios no local do desembarque ocorrido em 21 de abril de 1500, atribuindo-se a esse episódio, portanto, o nome de Invasão. Tal verdade histórica estabelece uma conveniente referência para homologar as práticas do MST. Nesse livreto é ensinado ao povo que o país chamado Brasil, constitui, há cinco séculos, um sinistro e gigantesco usucapião lançado contra os primitivos e legítimos proprietários."



E prossegui, ironizando: "Também é denunciado, ali, que os ancestrais dos negros e mulatos foram trazidos para a América como escravos, nos infectos porões de navios negreiros. Quem ler a cartilha fica com a impressão de que antes do governo popular e democrático, a versão dominante é a de que os negros aportaram ao Brasil como turistas, a bordo de confortáveis transatlânticos. Só a democracia popular e participativa do governo petista teria permitido arrancar o véu da mentira e revelar para a História, que os escravos, inclusive, trabalhavam de graça e eram frequentemente maltratados."



Passados 15 anos, chega a vez da OAB. Transitando ao largo de bibliotecas inteiras, toneladas de livros escritos sobre o tema em diversos idiomas, propõe ela que o governo crie uma Comissão da Verdade sobre a escravidão. A tarefa, é claro, tem que envolver o governo petista. 


Qualquer outro, mandaria a OAB cuidar da própria vida. Mas sabe bem a OAB que se o governo não participar não aparece dinheiro para a colheita.



Enfim, na perspectiva dos pais da ideia, tudo se passa como se a vinda dos escravos africanos fosse um mistério insondável, um autêntico naufrágio da verdade que agora, felizmente, sob um governo que sabe muito bem criar e se beneficiar de cisões e ressentimentos, será "resgatada" dos mais profundos abismos da história universal. 


Parolagem político-ideológica que a Secretaria de Educação do governo Olívio Dutra iniciou no Rio Grande do Sul há 15 anos e que, agora, poderá render um "fundo de reparação" cuja conta, como sempre, virá para a sociedade. Como será com a farra do "Petrolão", a respeito do qual a OAB nada diz.

http://puggina.org

Barack Obama matou Ferguson

  Mídia Sem Máscara



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O caso Brown, assim como foi o caso Trayvon Martin em 2012, é mais um legado tóxico e destrutivo do pior presidente da história americana.



 


Ferguson, uma pequena cidade de 20 mil habitantes no Missouri, está sendo queimada, saqueada, roubada e destruída por uma horda de bárbaros incitados pela canalhice vampiresca de políticos, ativistas e a imprensa esquerdista, um eixo do mal que fabricou um caso de crime racial onde não houve nada além de um policial fazendo seu trabalho, como decidiu a justiça. E mais de 100 cidades americanas também registram incidentes parecidos.


A morte de Ferguson, em breve uma cidade fantasma, é uma tragédia por ser obra do que há de pior na política hoje, o que chamo de Guerra contra a Verdade. George Orwell já havia previsto em “1984″ um regime totalitário em que um Ministério da Verdade seria responsável pela cultura, educação, imprensa e especialmente por reescrever a história conforme o interesse do estado. O que está acontecendo hoje em Ferguson e em várias cidades dos EUA é a materialização das piores previsões de George Orwell.


 Os sanguessugas da esquerda americana, poucas horas após a morte de Brown, roteirizaram uma farsa em que um “gigante gentil” de 18 anos foi abordado por um policial frio, desumano e racista. Mesmo desarmado, indefeso, com os braços levantados e gritando “não atire! não atire!”, o “gigante gentil” foi morto. Fotos “fofinhas” de Michael Brown criança, a mesma técnica usada no caso Trayvon Martin, inundaram o noticiário. A história, falsa como uma nota de três dólares, incendiou o país.


Você não precisa de dois minutos para entender o caso. Michael Brown, um gigante de quase 2 metros de altura e 140 kg, viciado em drogas, entra numa loja de conveniência para cometer um assalto e é filmado pelas câmeras de segurança. Ele sai da loja com o produto do roubo e a polícia é acionada. O policial Darren Wilson para o carro ao lado de Brown para fazer a abordagem, Brown impede que Wilson saia do carro. Brown se projeta para dentro do carro pela janela desferindo vários socos no policial. Brown tenta pegar a arma de Wilson que dispara, atingindo sua mão. Brown corre e Wilson sai atrás dele, Brown se vira e parte para cima de Wilson que dispara matando Brown. Não há qualquer dúvida: o policial matou um assaltante violento em legítima defesa.


Ferguson_Michael_Brown_father_rally_082414.jpgMas os fatos e a verdade não importam quando a agenda progressista e racialista percebe uma oportunidade, assim como tubarões ao sentirem que há sangue por perto. Ativistas como Al Sharpton passam a incitar a massa contra os brancos, contra a política, contra tudo e contra todos, com o apoio velado de Barack Obama e do pilantra Eric Holder, o extremista radical que ocupa a procuradoria-geral do governo. O plano dos tubarões esquerdistas era pressionar o júri para jogar os fatos fora e oferecer Darren Wilson como o bode expiatório para sacrifício e assim satisfazer a turba enfurecida, como nas cerimônias pagãs da antiguidade descritas brilhantemente por René Girard.


Após a sentença, a mãe e o padrasto de Michael Brown foram cercados pelos vândalos e, numa explosão de raiva captada em vídeo (veja aqui http://youtu.be/yUQ73NI-Krc), o padrasto grita várias vezes “burn this bitch down!”. A “bitch” em questão é a cidade de Ferguson. Seu pedido está sendo atendido. A loja de conveniência que Michael Brown assaltou antes de morrer foi uma vítima preferencial dos bárbaros, saqueada e destruída pouco tempo depois.


O caso Brown, assim como foi o caso Trayvon Martin em 2012, é mais um legado tóxico e destrutivo do pior presidente da história americana, de quem foi eleito prometendo uma democracia pós-racial mas que, na prática, só jogou lenha na fogueira das tensões raciais do país.Darren Wilson matou Michael Brown em legítima defesa. Barack Obama matou Ferguson a sangue frio.

Mais:

“”Gigante Gentil”: Ben Shapiro desmascara farsa da esquerda americana” http://youtu.be/PNl_azRrHkw
Ferguson: Cai a farsa esquerdista! Júri decide não indiciar policial branco por morte de ‘jovem’ negro; e promotor educa mídia sobre provas físicas contra agenda política. Protestos continuam: militância não se importa com fatos” (Felipe Moura Brasil) http://abr.ai/1CeTDyj

“FERGUSON VERDICT EXPLODES MEDIA’S LYING RACIAL NARRATIVE” http://www.breitbart.com/Big-Journalism/2014/11/24/
Media-narrative-implodes-Michael-Brown

Zimmerman matou Martin, que matou o jornalismo” http://bit.ly/1uVHXf1
“Afterburner w/Bill Whittle: The Lynching” (sobre o caso Trayvon Martin) http://youtu.be/Ebu6Yvzs4Ls
“Entrevista com René Girard” http://youtu.be/tBDibQ0Tdo4
“Black leaders doing a disservice to Ferguson community?” http://www.foxnews.com/on-air/the-five/videos

Publicado na Reaçonaria.



Alexandre Borges é diretor do Instituto Liberal.

PGR Rodrigo Janot faz reuniões discretas com as empreiteiras do Petrolão e vira o pizzaiolo geral da República.


Rodrigo Janot, o PGR, Pizzaiolo Geral da República.


O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) acusou neste sábado (29) o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de tentar blindar o governo. Motivo: uma nota da revista "Veja" desta semana que afirma que Janot vem se reunindo com representantes de empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato. 


Segundo a nota, Janot articula para que os executivos admitam a formação de cartel para atuar na Petrobras argumentando que se trata de um crime econômico, mais defensável. Janot, segundo a revista, teria falado em riscos à "governabilidade" e prometido que as firmas não seriam declaradas inidôneas. 
Por meio de sua assessoria, o procurador afirmou que as informações publicadas na "Veja" não procedem e que, como já declarou antes, "numa delação premiada tudo é negociável, menos o perdão".

Ferreira afirmou que pedirá explicações ao procurador. "Isso é um escândalo. O senhor Rodrigo Janot não pode virar o pizzaiolo-geral da República", disse. "As empresas assumem a culpa, livram os políticos, porque não haveria mais a propina; a Petrobras vira vítima e a presidente Dilma, uma justiceira." O tucano lembra que as denúncias de corrupção cairiam apenas sobre Paulo Roberto Costa, ex-diretor da estatal que já admitiu ao Ministério Público ter recebido propina.

A OAS afirmou neste sábado que representantes seus jamais se reuniram com Rodrigo Janot. Lembra, porém, que eventuais contatos entre acusados e Ministério Público são comuns em um ambiente democrático. A Folha não conseguiu localizar representantes da Camargo Corrêa, a outra empreiteira citada pela revista.(Folha de São Paulo)


Aécio Neves acusa: a presidente Dilma tem vergonha de olhar para a candidata Dilma.

domingo, 30 de novembro de 2014



Artigo intitulado "Trinta dias" publicado hoje, na Folha de São Paulo, por Aécio Neves, presidente do PSDB e ex-candidato presidencial que recebeu quase 52 milhões de votos nas urnas.


Completamos um mês do fim das eleições presidenciais. Tudo o que se viu neste período comprova, na prática, o que a oposição denunciou no processo eleitoral: a grave situação em que o país se encontra. Além dos prejuízos causados pela má gestão e pela corrupção endêmica, o PT prestou, recentemente, mais dois grandes desserviços ao Brasil. Um na campanha, outro nos dias que se seguiram. 

O primeiro, na ânsia de vencer a qualquer custo, o de legitimar a mentira e a difamação como armas do embate político. O segundo, o de contribuir para a perda da credibilidade da atividade política ao fazer, sem qualquer constrangimento, nos dias seguintes à eleição, tudo o que afirmou que não faria. 


Como a atividade política é instrumento fundamental da vida democrática, sua desmoralização só interessa aos autoritários, para quem o discurso político não é compromisso, mas encenação que desrespeita e agride a cidadania. 


Finda a eleição, a candidata eleita, rapidamente, pôs de lado as determinações do marketing e colocou em prática tudo o que acusou a oposição de pretender fazer. Fez isso sem dar satisfação à opinião pública. Sem dar explicação sequer a seus próprios eleitores. Os mesmos eleitores que observam, atônitos, a presidente implantar as "medidas impopulares", que usou como matéria-prima do terrorismo eleitoral contra seus adversários. 

Hoje a realidade demonstra que ela concordava com todos os alertas que fiz sobre os problemas enfrentados pelo país, mas entre o respeito à verdade e aos brasileiros, e a insinceridade ditada pela conveniência do marketing, a presidente escolheu o marketing, o que não contribui para engrandecer a sua vitória. 


Na campanha, o PT dizia que aumentar os juros tiraria comida da mesa do trabalhador. Três dias depois da eleição, foi justamente isso o que o governo Dilma fez. No discurso do PT, se eleita, a oposição iria reajustar a gasolina, governar com banqueiros e patrões. Vencida a eleição, o governo anunciou o aumento dos combustíveis e convidou um banqueiro para a Fazenda. Anunciou ainda dois novos ministros: para cuidar da agricultura e da indústria, a dirigente e o ex-dirigente das confederações patronais. 

Mesmo conhecendo a realidade, a candidata teve coragem de dizer que a inflação e as contas públicas estavam sob controle. Agora, deparamos com mais um rombo espetacular e manobras inimagináveis para maquiar as obrigações da Lei de Responsabilidade Fiscal. 


Surpresos, os brasileiros assistem àquilo que muitos estão chamando de estelionato eleitoral. Tudo isso explica a indignação de milhares de pessoas que vão às ruas e se mantêm mobilizadas nas redes sociais. São pessoas que se sentem lesadas, mas esse sentimento não tem relação com o resultado eleitoral em si. Processos eleitorais fortalecem a democracia, qualquer que seja o resultado da eleição. Vencer e perder são faces da mesma moeda. As pessoas estão se sentindo lesadas porque os valores que saíram vencedores na disputa envergonham o país. 

Além do grave descalabro econômico e administrativo agora revelado, é assustador o que ocorre com a nossa maior empresa. Nos debates, ofereci várias oportunidades para a candidata oficial pedir desculpas aos brasileiros por ter tirado a Petrobras das páginas econômicas e a levado para o noticiário policial. A situação, desde então, agravou-se de uma maneira jamais imaginada. A Petrobras hoje é um caso de polícia internacional. Não há mais como se desculpar. 


Por outro lado, não deixa de ser simbólico o fato de a presidente ter se negado a participar do anúncio dos novos ministros da área econômica. É possível que ela tenha se sentido constrangida por correr o risco de se encontrar com a candidata Dilma Rousseff. 


Os últimos 30 dias são uma amostra da situação real do Brasil e do que vem pela frente. E nos mostram por que não podemos nos dispersar.