segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Olimpíada? Não, obrigado

uinta-feira, 11 de fevereiro de 2016


Como uma campanha popular enfrentou um poderoso lobby de empresários e ajudou a derrubar a candidatura de Boston para sediar os Jogos Olímpicos de 2024


Por Giulia Afiune, para a Agência Pública –

Faltando apenas seis meses para os Jogos Olímpicos de 2016, o Rio de Janeiro chegou aos assuntos mais comentados no Twitter por causa da poluição na baía de Guanabara – ao mesmo tempo em que pesquisadores da Universidade de Nova York chegaram a pedir que a Olimpíada fosse adiada ou até mesmo cancelada por causa da epidemia de Zika.

Sediar uma Olimpíada pode ter sido uma grande glória no passado, mas tem se tornado um fardo político e econômico que cada vez menos cidades estão dispostas a carregar.

Há um ano, Boston, no estado de Massachusetts, costa leste dos Estados Unidos, contemplava a possibilidade de realizar os Jogos Olímpicos de 2024 em sua região metropolitana. Parecia uma boa ideia levar o megaevento para um local onde o amor pelos esportes é visível por todo lado: em bares lotados durante partidas de futebol americano dos New England Patriots, em outdoors que estampam o time de basquete Boston Celtics ou nos incontáveis bonés de beisebol dos Red Sox vistos no metrô na hora do rush.

No entanto, a perspectiva de uma Olimpíada em Boston teve vida curta. Em janeiro de 2015, o município foi escolhido pelo Comitê Olímpico Americano (United States Olympic Committee, o USOC) para representar os Estados Unidos no concurso global para a cidade-sede de 2024. Sete meses depois, o USOC mudou de ideia.

O índice de apoio entre os moradores da região havia caído de 51% em janeiro para 40% em julho. Já a rejeição tinha aumentado de 33% para 53%, segundo pesquisas de opinião.

A intensa discussão que ocorreu na cidade nesse período ficou cristalizada em um debate organizado no dia 23 de julho de 2015 pelo jornal Boston Globe e pela emissora de TV Fox25. De um lado, estavam representantes do Comitê Olímpico americano e do Boston 2024, grupo privado de influentes executivos que estava por trás da candidatura (confira aqui). Para eles, a Olimpíada significava uma chance de criar empregos, atrair investimentos privados e catalisar o desenvolvimento da cidade. Do outro lado, estava um jovem membro do No Boston Olympics, o mais influente grupo de oposição ao plano, e também um economista que estuda os meandros financeiros das Olimpíadas (veja aqui). Ambos argumentavam que não valia a pena sediar os jogos: os recursos públicos deveriam ser investidos em áreas mais importantes para a cidade.

Quatro dias depois, ficou claro quem venceu o debate. Era o fim da candidatura de Boston.

O plano do Boston 2024

A possibilidade de realizar a Olimpíada na cidade começou a ser explorada em 2012. O plano ganhou fôlego no fim de 2013, quando chegou às mãos do empresário John Fish, CEO da Suffolk Construction, a maior empreiteira de Boston e uma das maiores empresas privadas dos Estados Unidos. Sob a liderança de Fish, foi formado o Boston 2024, um grupo privado de altos executivos ligados à construção civil, ao mercado financeiro e ao mercado dos esportes, que elaborou e sustentou a proposta para a Olimpíada.

No começo, tinham apoio de figuras influentes como o ex-governador de Massachusetts e candidato republicano à presidência em 2012, Mitt Romney; a Massachusetts Competitive Partnership, que reúne CEOs de diversas empresas do estado; e Steve Pagliuca, um dos donos do time de basquete Boston Celtics – que mais tarde substituiu Fish como presidente do conselho do grupo.

Segundo o Boston 2024, a Olimpíada em Boston seria econômica, rentável e inteiramente financiada com recursos privados. O plano iria reduzir o número de obras necessárias aproveitando estruturas esportivas e alojamentos já existentes nas 35 universidades espalhadas pela cidade. Para evitar “elefantes brancos”, o estádio olímpico e a vila dos atletas seriam erguidos como estruturas temporárias e depois transformados em conjuntos habitacionais.

Para sediar os jogos, eram necessárias algumas melhorias em infraestrutura, como transporte público e obras viárias, mas o Boston 2024 dizia que estas já estavam planejadas e financiadas com recursos públicos.

Mudando a conversa

O que o Boston 2024 não antecipou foi o barulho causado pela oposição, formada por acadêmicos e dois principais grupos de ativistas: o No Boston 2024 e o No Boston Olympics, que se tornou mais influente.

O No Boston Olympics nasceu no fim de 2013, em uma conversa informal entre amigos na sala de um apartamento em um bairro nobre no centro de Boston. Chris Dempsey, Conor Yunits e Liam Kerr, o dono do apartamento, estavam incomodados com o discurso positivo que a mídia divulgava sobre a Olimpíada – e decidiram se organizar para oferecer um contraponto.

“A gente precisava fornecer um ponto de vista alternativo, que não estávamos ouvindo de mais ninguém”, conta Kelley Gosset, de 35 anos, que se tornaria codiretora do No Boston Olympics. “Fomos tomar um café em uma manhã de domingo para discutir estratégias, o que nós poderíamos fazer para divulgar nossas ideias de forma mais efetiva e como argumentar de forma persuasiva.”

O pequeno grupo trabalhou sem parar pesquisando os efeitos dos Jogos Olímpicos em cidades-sede. “As pessoas não são necessariamente especialistas nas Olimpíadas – nós também não éramos. Eu mesma não sabia que não gostava das Olimpíadas”, conta Kelley. O principal objetivo do grupo era oferecer ao público informações e análises qualificadas sobre os jogos, para que tirasse as próprias conclusões. “As pessoas estavam sedentas por informações que nós estávamos felizes em fornecer”, resume.
Ela conta que ouvia muitas críticas no começo. “As pessoas diziam ‘Você não devia fazer isso’, ‘Essa é uma má ideia’, ‘Isso vai prejudicar sua carreira’”. No entanto, isso não a impediu de seguir em frente. “Eu sentia que era a coisa certa a se fazer.”

O No Boston Olympics era contra o evento principalmente por causa do alto custo pago pela população. “Todas as Olimpíadas nos últimos 60 anos custaram mais do que o previsto no orçamento. Esses são recursos públicos escassos e preciosos que poderiam ser mais bem utilizados em áreas mais importantes, como educação, habitação e transporte, em vez de em um evento de três semanas”, diz Kelley.

Cheque em branco

Ainda que o plano do Boston 2024 previsse só recursos privados, o Comitê Olímpico Internacional exige que as cidades-sede paguem pelos gastos acima do previsto – uma espécie de cheque em branco assinado pelos contribuintes. A exigência do COI está no contrato firmado com a cidade-sede e funciona como uma garantia de que a Olimpíada vai acontecer, mesmo que à custa da população.

O economista Andrew Zimbalist, autor do livro “Circus Maximus: O jogo econômico por trás das Olimpíadas e da Copa do Mundo”, estimou em um artigo publicado na revista da Universidade Harvard que cada Olimpíada custa, em média, 252% a mais do que o previsto. Os jogos de Londres de 2012, por exemplo, custaram US$ 18 bilhões, e a previsão inicial eram U$S 6 bilhões. Segundo ele, isso acontece porque as cidades-sede apresentam propostas com orçamentos baixos demais para ganhar o apoio do público – que irá pagar o excesso depois.

“O orçamento foi pensado assim para parecer que os jogos seriam acessíveis e que não haveria déficits para a população cobrir”, avalia ele, sobre a proposta de Boston. “[O Boston 2024] precisava de apoio político do governador e da atual legislatura e precisava que os cidadãos fossem a favor do plano. Para convencê-los, tentaram fazer parecer que o plano era economicamente viável, mas ele nunca foi”, analisa o economista em entrevista à Pública. Ele criticava, por exemplo, a proposta de construir estruturas esportivas temporárias. “Em teoria, a justificativa para sediar a Olimpíada é que você gasta muito dinheiro, mas depois você fica com coisas que você quer e precisa. Se elas são todas temporárias, não sobra nada”, resume.

Além dos US$ 4,7 bilhões de custos operacionais que viriam do Boston 2024, eram esperados US$ 3,4 bilhões da iniciativa privada para as obras, US$ 1 bilhão do governo federal para cobrir custos de segurança e US$ 5,2 bilhões que seriam direcionados para obras de infraestrutura que já estavam previstas no orçamento da cidade e do governo do estado. “Não dava para acreditar nos números. Na primeira versão do plano, eles diziam que US$ 5,2 bilhões seriam gastos em infraestrutura. Mas o líder do comitê de transportes da Câmara dos Deputados disse que seriam necessários cerca de US$ 13 bilhões”, acrescenta Zimbalist.

Robert Boland, professor de Administração em Esportes da Universidade de Ohio, acredita que o Boston 2024 não conseguiu deixar claros os potenciais benefícios de sediar a competição. “Um dos desafios para vencer o concurso e sediar um megaevento é identificar o bem público que isso trará. E também é preciso constatar as vantagens concretas que isso trará no longo prazo”, ele explica. No caso de Boston, diz, “claramente não havia um plano atraente para as pessoas”.

“Outro grande problema foi que, quando Boston foi escolhida pelo USOC, o plano para os Jogos Olímpicos não tinha sido divulgado. Então ninguém sabia o que eles iam fazer. Era só ‘acredite na nossa palavra, nós temos um bom plano que não vai custar dinheiro público’”, diz Zimbalist. Os documentos que detalhavam o plano foram divulgados pouco a pouco, graças à pressão da população, de políticos locais e da mídia, que fez vários pedidos por meio da lei de acesso à informação americana.

No Boston Olympics: ativismo online e presencial

Enquanto o Boston 2024 escondia seus documentos, a tática do No Boston Olympics era disponibilizar informações para jornalistas e para o público.

A conta no Twitter e a página no Facebook estavam sempre repletas de dados e análises. “As mídias sociais ajudaram a amplificar os argumentos que a oposição estava tentando trazer para um público maior”, observa Jules Boykoff, professor da Pacific University Oregon e estudioso dos movimentos sociais relacionados às Olimpíadas.
O grupo usou estratégias diversas para divulgar sua mensagem. “Nós ficamos associados com as mídias sociais, mas também escrevemos editoriais, fizemos comentários em rádio e em outros canais de comunicação, demos respostas para reportagens, demos informações para legisladores que tinham perguntas”, conta Gosset.

Boykoff diz que foi uma estratégia poderosa. “É impressionante como eles influenciaram a discussão nos círculos midiáticos tradicionais. Se você olhar a cobertura dos jornais Boston Herald, Boston Globe e outros, percebe pelo jeito que os jornalistas escreviam as matérias que eles estavam seguindo esses grupos no Twitter.” No entanto, essa estratégia foi combinada com táticas mais tradicionais, como reuniões com a população, prefeito, governador e até mesmo com o Boston 2024. “A mistura entre fazer ativismo online e comparecer a reuniões é parte do nosso momento contemporâneo”, diz Boykoff.

Walsh recua

A oposição vocalizada por ativistas, pelas redes sociais e pela mídia tradicional cresceu tanto que o Boston 2024 não podia mais ignorá-la. Em março de 2015, o grupo anunciou que faria um referendo sobre o tema. Mas não deu tempo. Em julho, mais da metade da população se dizia contra a realização da Olimpíada em Boston.

A falta de apoio deixou o prefeito Marty Walsh em uma situação desconfortável. Inicialmente defensor da Olimpíada, ele estava sendo pressionado para firmar o contrato de cidade-sede, o que selaria seu compromisso de que a população arcaria com todos os custos extras dos jogos.

Em 27 de julho, Walsh se recusou a assinar o contrato. “Eu não vou assinar um documento que arrisque nenhum dólar do dinheiro dos contribuintes para cobrir custos excedentes na Olimpíada”, disse à imprensa. Horas depois, o USOC e o Boston 2024 decidiram retirar a candidatura de Boston.

Ativismo anti-Olimpíadas no mundo

Depois do que aconteceu em Boston, o Comitê Olímpico Americano escolheu Los Angeles para representar os Estados Unidos no concurso para sediar os jogos de 2024. Também competiam Hamburgo, Roma, Budapeste e Paris.

No entanto, a oposição à Olimpíada está se espalhando e ganhando fôlego também nessas cidades. E o sucesso tornou o No Boston Olympics uma referência.

Em novembro do ano passado, Hamburgo decidiu que não iria mais ser a candidata alemã após um referendo mostrar que 52% da população era contra. O No Boston Olympics esteve lá em outubro de 2015, a convite dos ativistas alemães. “Foi maravilhoso. Nós discutimos a importância das mídias sociais, da pesquisa que nós criamos”, conta Kelley Gosset.

Já em Roma, o grupo de esquerda Radicali Italiani começou uma campanha no início deste ano para levar a questão para as urnas. Ativistas em Budapeste buscam o mesmo. “Eles entraram em contato com a gente”, revela a codiretora do No Boston Olympics. “Por enquanto, é uma conversa preliminar, e o interesse deles é no nosso trabalho, na nossa história e nas lições aprendidas. Essa conexão é importante porque dá continuidade a um mergulho nas análises sobre as Olimpíadas que permite um olhar crítico para os custos e benefícios para as cidades-sede.”

Para Jules Boykoff, a “atmosfera” que envolve os jogos tem mudado. “Esse é o legado da Olimpíada de inverno em Sochi, na Rússia, em 2014, quando o custo ultrapassou US$ 50 bilhões”, diz. “Há uma tendência clara de populações em potenciais cidades-sede de estarem mais conscientes dos possíveis lados negativos de sediar as Olimpíadas. As pessoas estão falando sobre isso. Mais pessoas estão tendo a chance de dizer: obrigado, mas não, obrigado.”

Fonte: Envolverde

Charge Ambiental

Curso de Geosignals

Coulée de boue toxique : l’Etat brésilien exige une indemnisation record


Le Monde | • Mis à jour le | Par


Le petit village de Bento Rodrigues dans l'état du Minas Gerais au Brésil englouti par la coulée de boue.

Un peu plus de cent jours après l’une des pires catastrophes écologiques qu’ait jamais connue le Brésil, l’heure des comptes est venue. L’entreprise minière Samarco, suspectée de négligence coupable lors de la rupture de deux barrages dans l’état du Minas Gerais, le 5 novembre 2015, doit conclure un accord avant la fin du mois de février avec le gouvernement brésilien. La catastrophe avait engendré une avalanche de boue chargée de rejets miniers déversée sur plus de 600 kilomètres, engloutissant le petit village de Bento Rodrigues, dévastant la faune et la flore, et souillant le fleuve Rio Doce jusqu’à la mer. Dix-neuf personnes avaient trouvé la mort.

L’entreprise détenue à 50-50 par les groupes brésiliens Vale et australien BHP Billiton, pourrait devoir verser jusqu’à 20 milliards de reais (4,45 milliards d’euros) permettant d’entreprendre, sur dix ans, la réparation et le dédommagement de la catastrophe. Dans l’immédiat, l’entreprise devra verser 2 milliards de reais. A désastre inédit, montant inédit. Jamais l’Etat n’a exigé de telles sommes. En 2000, suite à la fuite de pétrole dans la baie de Guanabara à Rio de Janeiro, le groupe pétrolier Petrobras à l’origine du désastre avait dû s’acquitter de sommes chiffrées en dizaines de millions de reais.

Poursuites pénales

L’accord, qui pour aboutir doit d’abord vaincre les dernières résistances de l’entreprise, s’ajoute aux poursuites pénales engagées contre Samarco. Un peu moins d’une dizaine de membres de la direction de l’entreprise, dont Ricardo Vescovi, directeur de la société au moment des faits, sont poursuivis pour crime environnemental. La direction du groupe pourrait aussi être inculpée pour homicide.


Samarco est suspectée d’avoir fait preuve de légèreté, notamment pour déclencher l’alarme qui aurait permis de sauver des vies. Pire encore, l’entreprise aurait été avisée dès 2014 des failles des deux barrages, prétend Joaquim Pimenta de Avila, qui a travaillé en tant que consultant pour le groupe minier. Entendu par la police, l’ingénieur a confié avoir informé l’entreprise de risques de rupture, rapportait la Folha de Sao Paulo le 19 janvier.


Qu’a fait Samarco par la suite ? Mystère. Interrogée, l’entreprise nie vertement affirmant que « le consultant Joaquim Pimenta de Avila n’a jamais alerté de risque de rupture du barrage » et précise s’être entendue avec l’Etat du Minas Gerais afin d’adopter des mesures préventives supplémentaires pour renforcer la solidité des infrastructures.

Pour l’heure, aucune preuve n’accuse formellement le groupe. « Tout jugement est prématuré », souligne Carlos Henrique Medeiros, du Comité brésilien sur les barrages (CBDB), organisation chargée d’améliorer les performances des constructions. 


« Un barrage est une structure complexe et vulnérable. Le risque zéro n’existe pas », rappelle-t-il. « Il s’agit d’un accident complexe », insiste Samarco.

Les causes de la rupture des deux barrages, situés près de la petite ville touristique de Mariana, restent inconnues. Une enquête est en cours, dont les résultats sont espérés d’ici à six mois ou un an mais différentes hypothèses circulent. On évoque une petite secousse sismique ou encore une possible surcharge. Les doutes persistent également sur le degré de toxicité de la boue déversée dans le fleuve Rio Doce.

Inertie du gouvernement

Seule la justice permettra de déterminer la culpabilité ou non de Samarco. Mais l’entreprise s’est déjà distinguée par son manque d’empressement voire, par une sorte de nonchalance envers ce drame écologique. Le 27 janvier, l’Institut brésilien de l’environnement et des ressources naturelles (Ibama) a rejeté de façon cinglante la proposition de Samarco pour la réhabilitation des zones endommagées. Le contenu du document avait été jugé plus que « superficiel » et l’entreprise a dû fournir une nouvelle version le 17 février.


Une vue aérienne de Rio Doce, qui a été recouvert par la boue, à un endroit où larivièr rejoint la mer, sur la côté d'Espirito Santo le 23 novembre 2015.
Au-delà de la colère concentrée sur le groupe, les organisations non gouvernementales s’agacent de l’inertie du gouvernement.

« La sécurité des barrages est assumée par les groupes miniers eux-mêmes, sans contrôle extérieur ! », souligne Nilo d’Avila, coordinateur de Greenpeace au Brésil. « La loi sur les mines et les barrages doit être améliorée mais rien ne laisse présager qu’elle va changer », poursuit-il rappelant que les entreprises minières ont financé abondamment campagnes et partis politiques.


Depuis quelques jours, Samarco a lancé une campagne de publicité nationale pour vanter les mesures prises pour réparer les dégâts. « Dans l’Etat du Minas Gerais ils font aussi de la publicité pour dire que l’eau est potable », enrage Dante Pavan membre du Giaia, un groupe indépendant de chercheurs visant à mesurer les dégâts environnementaux de la catastrophe. Reste que cette coulée de boue spectaculaire, qui a ruiné nombre d’agriculteurs et de pêcheurs du Rio Doce, a marqué les esprits.

L’image de Samarco n’en sortira pas indemne. Et celle de son actionnaire Vale, entreprise historique et emblématique du Brésil dont le nom initial était « Vale do Rio Doce », pourrait aussi être entachée.
 Claire Gatinois (Sao Paulo, correspondante)              

Walden: mito da natureza intocada ou Ecologia Profunda? artigo de José Eustáquio Diniz Alves

Walden: mito da natureza intocada ou Ecologia Profunda? artigo de José Eustáquio Diniz Alves

Publicado em fevereiro 19, 2016 por 



“Não me proponho escrever uma ode ao desânimo, mas gargantear com o vigor de um
galo matutino empertigado no poleiro, nem que seja apenas para acordar os vizinhos”
(Henry David Thoreau, 1817-1862)

160219

[EcoDebate] O crescimento das atividades antrópicas, no contexto do fluxo metabólico entrópico, está degradando a vida no Planeta, como mostra a escola da Economia Ecológica. O progresso humano tem ocorrido às custas do regresso ambiental. 

Existem várias análises e metodologias mostrando a gravidade da saúde geral da Terra:
1) a pegada ecológica global já ultrapassou em 50% a biocapacidade e a civilização humana vive da herança ecológica do passado, sendo que esta herança natural está sendo dilapidada rapidamente; 
2) Estudo publicado na Revista Science (janeiro de 2015), do Stockholm Resilience Centre, mostra que quatro das nove fronteiras planetárias foram ultrapassadas. Duas delas, a Mudança climática e a Integridade da biosfera, são o que os cientistas chamam de “limites fundamentais” e tem o potencial para conduzir o sistema Terra a um novo estado que pode levar a civilização ao colapso; 
3) a humanidade, na época do Antropoceno, está provocando a 6ª extinção em massa no Planeta, como mostra o livro da jornalista Elizabeth Kolbert, The Sixth Extinction; 
4) O mundo está ficando mais quente e rompendo com a estabilidade climática do Holoceno, conforme mostram diversos estudos da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), da Nasa, que alertam para os riscos irreversíveis do aquecimento global e das mudanças climáticas (ALVES, 2014).
Diante da gravidade da situação do Planeta e da possíbilidade da extinção da vida de milhões de espécies que vivem na Terra – muito antes da chegada do homo sapiens – fica difícil compreender como há pessoas que ainda fazem ginástica para justificar o antropocentrismo, a redução das áreas anecúmenas e a expansão das áreas ecúmenas. 

O livro “O Mito Moderno da Natureza Intocada” (primeira edição de 1994), de Antonio Carlos Santana Diegues, foi escrito para combater os ambientalistas que defendem a perspectiva ecocêntrica (ou biocêntrica) de defesa do meio ambiente. 

O livro de Diegues, direta ou indiretamente, reforça o que há de pior na relação assimbiótica entre o ser humano e a natureza. Também é incompreensível como alguém pode combater a iniciativa de criação do Parque Nacional de Yosemite – inaugurado em 1864 (com 3.100 km2) e do Parque Nacional de Yellowstone – inaugurado em 1872 (com 8.980 km2).


Num país, como o Brasil, que já destruiu 92% da Mata Atlântica, mais de 50% do Cerrado e mais de 20% da Amazônia – sem falar nos demais biomas como os mangues, as araucárias, os pampas, etc. que continuam a ser destruídos – fica difícil entender como um pesquisador possa fazer um livro para combater as “áreas naturais protegidas”. A tática utilizada por Diegues foi criar um mito para depois ridicularizá-lo, como se a origem da perspectiva ecocêntrica fosse fundada neste mito relatado pela concepção antropocêntrica do autor, que nas conclusões do seu livro diz o seguinte:


“As áreas naturais protegidas, sobretudo as de uso restritivo, mais do que uma estratégia governamental de conservação, refletem, de forma emblemática, um tipo de relação homem/natureza. A expansão da ideia de parques nacionais desabitados, surgida nos Estados Unidos em meados do século passado, retoma, de um lado, o mito de paraísos naturais intocados, à semelhança do Éden de onde foram expulsos Adão e Eva (…) A persistência da ideia de um mundo natural, selvagem, não tocado, tem força considerável, sobretudo entre populações urbanas e industriais que perderam, em grande parte, o contato quotidiano e de trabalho com o meio rural” (p. 157).


Na verdade, o que Antonio Diegues fez no livro “O Mito Moderno da Natureza Intocada” foi criar e ridicularizar um suposto mito, atribuindo a simplicidade dos seus fundamentos ao núcleo da argumentação dos pensadores ecocêntricos. Se, pelo menos, este truque fosse bem elaborado até poderia servir para um diálogo entre os defensores do antropocentrismo e do ecocentrismo. Mas Diegues não só desconsiderou obras fundamentais para o entendimento do assunto, como deturpou o pensamento de outros.

Por exemplo, a forma como Diegues tratou o pensamento de Henry Thoreau é não só incorreta, como inaceitável para os padrões acadêmicos, pois as citações de Thoreau foram feitas por “apud”, ou seja, Diegues não leu nenhum texto de Thoreau (embora todos deles estejam disponíveis na Web, inclusive vários em português), mas atribui ao autor de Walden concepções que não são verdadeiras. Diegues implica, particularmente, com a noção de wilderness (vida natural e selvagem). Ele diz:

“O movimento de criação de “áreas naturais” nos EUA foi influenciado por teóricos como Thoreau e Marsh. O primeiro estudou administração florestal e criticou a destruição das florestas para fins comerciais (…) A ideia de parque como área selvagem e desabitada, típica dos primeiros conservacionistas norte-americanos, pode ter suas origens nos mitos do “paraíso terrestre”, próprios do Cristianismo (…) Esse mito do paraíso perdido e de sua reconstrução parece estar na base da ideologia dos primeiros conservacionistas americanos. Assim, Thoreau escreveu em 1859: ‘o que nós chamamos de natureza selvagem é uma civilização diferente da nossa’ (apud Nash, 1989). Dessa forma, os primeiros conservacionistas pareciam recriar e reinterpretar o mito do paraíso terrestre mediante a criação (pp 26 e 27).

Acontece que Henry David Thoreau (1817-1862) foi um precursor de movimentos libertários nos Estados Unidos e no resto do mundo, defensor de uma vida simples, autossuficiente e em harmonia com a natureza, além de um rigoroso crítico do modelo de desenvolvimento consumista e degradador do meio ambiente. Aos 16 anos foi estudar Letras e Literatura na Universidade de Havard. 

Aprendeu grego, alemão e francês e se tornou grande conhecedor de textos clássicos das culturas grega, hindu e chinesa. Segundo o filósofo Ralph Waldo Emerson, amigo que influenciou a formação do autor de Walden, “Thoreau era celibatário e nunca foi à igreja”. Portanto, não tem nenhum sentido dizer que as concepções filosóficas de Thoreau foram influenciadas pelo cristianismo, pois é amplamente conhecido que Thoreau foi mais influenciado pela cultura clássica da Grécia e pelas filosofias orientais.

Em nenhuma página do livro “O Mito Moderno da Natureza Intocada” foi dito que Thoreau se opôs à Guerra dos Estados Unidos contra o México, à escravidão, ao genocídio dos índios americanos e à escravidão animal (ele era vegetariano). Não foi dito que Thoreau escreveu o famoso texto “A desobediência civil” (publicado em 1849) que se transformou numa grande referência da luta contra a opressão, a exploração, a injustiça e a discriminação em todas as suas formas. 


Thoreau foi a referência central para a atuação política de: a) Leon Tolstói (1828-1910), que passou a utilizar a ideia da desobediência civil no combate ao totalitarismo czarista na Rússia; b) Mohandas Gandhi que utilizou os mesmos princípios na luta contra a discriminação racial na África do Sul e na luta pacífica pela independência da Índia; c) foi com base em Thoreau que Martin Luther King organizou a luta não violenta contra a discriminação racial e pelos direitos civis nos Estados Unidos; d) o princípio da desobediência civil influenciou pensadores da ciência política como Hannah Arendt, John Rawls, etc.

Ao contrário do que disse Diegues, Thoreau não estudou “administração florestal”, mas construiu sozinho uma pequena cabana às margens do lago Walden, localizado nas florestas ao redor da cidade de Concord, onde viveu uma vida simples e autossuficiente por dois anos. Ele não só deu o exemplo pessoal, como fez uma defesa dos direitos ambientais e dos direitos das espécies vegetais e animais. De fato, o livro Walden faz uma defesa da natureza e da vida selvagem (wilderness). Mas isto nada tem a ver com a concepção de “paraíso perdido” do cristianismo e muito menos com concepções malthusianas ou neomalthusianas. O que existe é uma questão ética. Por conta disto, cada vez mais pessoas defendem o crescimento das áreas anecúmenas, como no livro de Caroline Fraser: Rewilding the World.

É lamentável que o livro “O Mito Moderno da Natureza Intocada” tem se valido de uma falsa dicotomia entre a preservação de áreas naturais e selvagens (wilderness) e os direitos das populações indígenas e tradicionais. 


Na realidade esta dicotomia não existe, mas serve para desqualificar a luta em defesa dos direitos da natureza e a manutenção de parques nacionais e áreas de proteção natural. Em pleno século XXI todos os biomas brasileiros estão ameaçados. Principalmente a Amazônia que tem sido alvo da sanha destruidora do agronegócio, das empreiteiras interessadas na construção de hidrelétricas na Amazônia e da indústria de combustíveis fósseis interessadas na exploração do petróleo, do gás natural e do gás de xisto.

 Recentemente, a Comissão de Minas e Energia rejeitou o Projeto de Decreto Legislativo (PDC) 2602/10, que susta os efeitos do Decreto 7.154/10, que estabelece procedimentos para autorizar e realizar estudos de aproveitamento de potenciais de energia hidrelétrica e de implantação de sistemas de transmissão e distribuição de energia elétrica no interior de unidades de conservação (UC).

Estudo da fundação da navegadora Ellen MacArthur e da consultoria McKinsey, divulgado durante o Fórum Econômico Mundial de Davos (WEF, 2016), mostra que os oceanos terão mais plásticos do que peixes em 2050. Segundo o documento, a proporção de toneladas de plástico para toneladas de peixes era de uma para cinco em 2014 que será de uma para três em 2025 e vai ultrapassar uma para uma em 2050.

 Portanto, mais do que nunca é preciso preservar as áreas naturais e os territórios anecúmenos. Não é hora de brincar com mitos de natureza intocada. Cabe lutar pela preservação do meio ambiente contra toda ganância humana assimbiótica, contra a geração crescente de luxo e lixo e contra os interesses egoísticos do processo de acumulação de capital.

Assim, por tudo isto, fica claro que a defesa de áreas naturais e selvagens e as concepções da Ecologia Profunda nada têm a ver com o “mito da natureza intocada”. O que o mundo precisa é realmente reforçar a concepção ecocêntrica e anti-antropocêntrica. Henry Thoreau está localizado no panteão dos grandes pensadores da humanidade. Felizmente sua influência e seu reconhecimento vão muito além de quaisquer detratores, populistas e demagogos de ocasião. 

O pensamento de Henry Thoreau continua vivo e cada vez mais presente nos movimentos libertários e no combate ao antropocentrismo. A defesa do meio ambiente é cada vez mais necessária no século XXI, para evitar o crescimento da pegada ecológica, o rompimento dos limites das fronteiras planetárias, a perda de biodiversidade e o agravamento do aquecimento global e dos efeitos desastrosos das mudanças climáticas.
Referências:
The Walden Woods Project: https://www.walden.org/
Planetary Boundaries 2.0 – new and improved, Stockholm Resilience Centre, Stockholm. Janeiro 2015
Thoreau, Henry David, Walden, ou, A vida nos bosques, São Paulo, Ground, 2007
THOREAU, Henry David. Desobedecendo: a desobediência civil e outros ensaios. Tradução de José Augusto Drummond. Rio de Janeiro, Rocco, 1984.
ALVES , J. E. D. População, desenvolvimento e sustentabilidade: perspectivas para a CIPD pós-2014. R. bras. Est. Pop., Rio de Janeiro, v. 31, n.1, p. 219-230, jan./jun. 2014
ALVES, JED. Sustentabilidade, Aquecimento Global e o Decrescimento Demo-Econômico, Revista Espinhaço, Diamantina. UFVJM, Revista Espinhaço, v. 3, n. 1, 2014.
ALVES, JED. Henry Thoreau, um revolucionário, Projeto Colabora, RJ, 20/01/2016

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, 19/02/2016
"Walden: mito da natureza intocada ou Ecologia Profunda? artigo de José Eustáquio Diniz Alves," in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 19/02/2016,http://www.ecodebate.com.br/2016/02/19/walden-mito-da-natureza-intocada-ou-ecologia-profunda-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/.

[CC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à Ecodebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]

Civilização em crise, artigo de Marcus Eduardo de Oliveira


Publicado em fevereiro 19, 2016 por 


[EcoDebate] À semelhança dos mais sérios problemas ambientais, a crise de civilização (confluência de todas as outras crises) parece ser fruto do descompasso e da perda de noção do lugar que ocupamos junto à natureza, desde que herdamos do século XVI os ensinamentos de Francis Bacon, que enxergava a natureza como uma “prostituta de todos”, seguido por René Descartes, o qual preconizava que “o homem deveria dominar, apossar e ser soberano do mundo físico”.

Desde a formação dos primeiros núcleos populacionais, por volta do ano 8.000 a.C, obtemos da natureza o indispensável para nossa sobrevivência, no entanto, não tratamos a relação homem-natureza com acuidade; ao contrário, na natureza interferimos de modo a desequilibrá-la, quer pela extração descontrolada de recursos naturais, quer pelo acúmulo e despejo de rejeitos e poluição gerados.

Pelo paradigma dominante da cultura tecnocientífica, de igual modo somos dominados pela prevalência do interesse individual, sempre situado acima do coletivo. Dessa maneira, lamentavelmente, muitos seguem subjugando a natureza, à lá orientação da filosofia decartiana, fazendo assim jus a separação homem-natureza, base da filosofia do sistema social de Bacon.


Pelo fato de a humanidade estar dissociada da natureza, coube para muitos a tarefa de desvalorizá-la, a ponto de não haver, sequer, devida preocupação com o esgotamento atual dos principais serviços ecossistêmicos.

Separados do “mundo natural”, restou à humanidade mergulhar de cabeça no “mundo material”. Assim, em pouco tempo, o “ter” conquistou privilégio sobre o “ser” e, desde então, é a conquista material, grosso modo, que determina o status social.

Dominados por um fetichismo consumista sem precedentes, não raras vezes a civilização de hoje tende a achar normal que tudo se transforme em mercadoria. Condicionados ao consumo, conduzidos pelo fascínio da moda e do “moderno”, os vorazes consumistas não percebem com clareza a prática da obsolescência programada, e assim tudo aquilo que tem preço, e é ditado pelo marketing, passa a comandar suas ações.

Com isso muitos desaprendem a olhar para o “valor” – não no sentido monetário – das coisas; uma vez que, para os consumistas de plantão, importa mais a etiqueta, a grife de sucesso. Seduzidos, pois, pela indústria da publicidade que recomenda a todo instante a prática do “compre mais”, o que se presencia é a segregação daqueles que têm dos que não detém poder de compra.

Consoante a isso, é consensual afirmar que falta à civilização um projeto ético de igualdade, de humanização, firmando as bases de uma economia de partilha, de comunhão, baseada na cooperação (que soma e inclui), e não na competição (que divide e exclui).

De igual modo, falta à civilização desenvolver uma íntima relação de harmonia, de parceria e de convivência fraternal com todos os elementos da natureza, da maneira ensinada por Francisco de Assis, nas primeiras décadas do século XIII.

O que predomina atualmente é o modelo de frenética produção e consumo nascido da Revolução Industrial que desembocou, logo a seguir, na Revolução Científica e Tecnológica.


Eficiência ambiental, desde essa época, se tornou um conceito herético, à medida que lucro e produtividade passaram a ser as palavras de ordem, pouco importando se isso custa – no sentido de desgaste e depleção – a dilapidação dos recursos da natureza.

Num mundo marcado por abusivas formas de desigualdade socioeconômica, na total impossibilidade de universalizar o excesso de bens produzidos, é aviltante pensar que a medida (indicador) de felicidade “encontrada” por uma parte da civilização (os 20% dos mais abastados) é ter mais bens, é adquirir, comprar e acumular, enquanto metade exata da população mundial encontra-se à margem de qualquer possibilidade de consumo, mesmo de itens básicos à sobrevivência.

Uma vez que essa civilização tem permitido o predomínio do mercado de consumo sobre as relações sociais, torna-se comum confundir necessidades com desejos. Por isso, seduzidos pelo canto da sereia, muitos acreditam que consumo em excesso é sinônimo de bem-estar.

O que esse modelo econômico faz conosco? Nos devora por dentro, deixando em todos nós o sentimento de que artificializamos o mundo, desde o momento em que o mercado de consumo, direta e indiretamente, criou condições para nos mercantilizar.

É chover no molhado afirmar que esse sistema econômico baseado na mercantilização de tudo é irracional, no entanto, nossa civilização tem sido completamente incapaz de dar o grito de alerta, livrando-se das amarras dessa sociedade de consumo.

De modo semelhante, incapazes de proporem uma radical ruptura, os governos mundiais, tanto os de “direita”, quanto os de “centro-esquerda”, quer tenham economias industrializadas ou em estágio de desenvolvimento, continuam fazendo o jogo do mercado, estimulando, via políticas econômicas expansionistas, mecanismos para aumentar a produção industrial, seduzidos constantemente pela ideia da economia do crescimento.

Todos – governos, empresas, consumidores – estão envolvidos nisso, não há escapatória. Por isso a crise de civilização é correlata à civilização em crise, “alimentada” pelos que estão “na parte de cima” da pirâmide social, esmagando os que se encontram “na parte de baixo”, porém refletindo em todos as consequências, uma vez que a crise ecológica, por exemplo, não diferencia cor, sexo, credo, nacionalidade ou condição financeira. Os riscos da devastação ambiental são os mesmos, afetando todos.

Cabe então indagar: mas quando é que isso terá fim? A resposta parece ser mais simples do que imaginamos. O sistema econômico de mercado não irá se desintegrar como preconizam – e desejam – alguns marxistas.

Sem desejarmos aqui levantar falsas profecias, lamentavelmente parece que ainda haverá muito mais desigualdade a ser gerada e perpetuada no seio de um sistema capitalista que valoriza a mercadoria, não as pessoas (exceto as que possuem elevado poder de compra); que enaltece o produto, não as relações humanas.

Por essa razão, aqueles que se encontram “na parte de baixo” sofrerão mais ainda as consequências dessa atual economia linear que extrai, produz, acumula e descarta, polui e degrada; dito de outra forma, de uma economia que, para garantir sua sobrevivência, tem que promover a acumulação, pautando-se, para isso, no crescimento econômico que, face aos privilégios, aumenta a riqueza de poucos em detrimento das enormes carências sociais de tantos outros.

Para comprovar isso, basta um único dado: são vergonhosos os recentes estudos divulgados pela Oxfam sobre os indicadores que medem a concentração de riqueza no mundo, mostrando que apenas 62 indivíduos detém renda equivalente a de 3,5 bilhões de pessoas, ou seja, de metade da população mundial.

Michael Löwy, professor emérito da École des Hautes Études en Sciences Sociales (Paris), destacou bem essa passagem: “a crise econômica e a crise ecológica resultam do mesmo fenômeno: um sistema que transforma tudo – a terra, a água, o ar que respiramos, os seres humanos – em mercadoria, e que não conhece outro critério que não seja a expansão dos negócios e a acumulação de lucros”.

É preciso, ademais, que a civilização desperte para uma racionalidade que a faça abandonar esse perverso modelo econômico, até mesmo porque, comprar coisas das quais não precisamos, com dinheiro que muitas vezes não temos, para impressionar unicamente outras pessoas, não nos levará a lugar algum, senão ao desespero existencial.

E antes que seja tarde demais, que cada um de nós adquiramos consciência suficiente para perceber que não é a aquisição material que nos proporcionará os mais felizes momentos em nossas vidas.

Marcus Eduardo de Oliveira é economista e ativista ambiental.
prof.marcuseduardo@bol.com.br

in EcoDebate, 19/02/2016
"Civilização em crise, artigo de Marcus Eduardo de Oliveira," in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 19/02/2016, http://www.ecodebate.com.br/2016/02/19/civilizacao-em-crise-artigo-de-marcus-eduardo-de-oliveira/.

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Brasileiros estão entre os maiores consumidores de ‘fast-food’ do mundo

Brasileiros estão entre os maiores consumidores de ‘fast-food’ do mundo

Publicado em fevereiro 19, 2016 por 

Apesar da praticidade e preços baixos, riscos de se tornar freguês desse tipo de alimentação são alertados por especialistas

fast food

De acordo com matéria publicada pelo periódico El Pais, a população brasileira se encontra em primeiro lugar no ranking de consumo de fast food na América Latina (53,7 bilhões de reais). À luz de um estudo realizado pela EAE Business School, incidente nos hábitos de consumo, os brasileiros perdem apenas para Estados Unidos, Japão e China na hora de comprar esse tipo de comida que, mesmo rápida e barata, não é necessariamente a melhor opção.
Segundo Juliana Morimoto, professora de nutrição da Universidade Presbiteriana Mackenzie, essa realidade se deve muito ao consumo de alimentos fora do domicílio, que teve aumento significativo nos últimos anos. Dizem os estudos, que as despesas totais obtidas na Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) apontaram para um gasto de 27,9% em alimentação longe de casa; um aumento de cerca de 6% desde 2003.
Esse aumento, por sua vez, é preocupante uma vez que denota redução na qualidade da alimentação. “Ao analisar dados da POF 2008-2009, verificou-se que quem consome alimentos fora de casa tem ingestões maiores de gordura total, gordura saturada e açúcares (abundantes no fast food) se comparado aos que optam por uma alimentação mais “caseira”, comenta a especialista.
É importante salientar que consumo fora do domicílio não é sinônimo de fast food: a alimentação pode ser feita também em restaurantes (self-service e à la carte) e em espaços empresariais. Em uma era em que a rotina permite cada vez menos tempo para assuntos que não sejam o trabalho, os fast foods se mostram como uma infeliz alternativa. Resta saber até quando a saúde vai se deixar vencer pela pressa.
Colaboração de Lucas Berti, in EcoDebate, 19/02/2016

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Profissão perigosa? Conheça o hipnotizador de tubarões

BBC20/02/2016 18h30 - Atualizado em 20/02/2016 18h30

Profissão perigosa? Conheça o hipnotizador de tubarões

Italiano que desenvolveu técnica para relaxar animais e fazê-los dormir explica por que não tem medo e diz que meta é preservação da espécie.

Da BBC
Italiano desenvolveu técnica para hipnotizar tubarões (Foto: BBC)Italiano desenvolveu técnica para hipnotizar tubarões (Foto: BBC)


Um piloto de avião desenvolveu uma técnica que "hipnotiza" tubarões para que possam ser estudados por pesquisadores – ou admirados por entusiastas do mergulho.

Fundador da academia de pesquisas e mergulho Shark Academy, o italiano Riccardo Sturla Avogadri, de 45 anos, diz à BBC Brasil que seu objetivo principal é colocar a técnica a serviço da preservação das centenas de espécies desse animal existentes no mundo.

"Muitas espécies de tubarão são protegidas por lei. São animais incríveis, temos muito o que aprender com eles."

Ao descrever o método, ele conta que o primeiro passo é atrair os tubarões. Para isso, usa ruídos, alimentos, substâncias químicas ou imagens. "Se meu alvo é um tubarão-branco, por exemplo, uso fotos ou sangue de focas", disse Avogadri, ao Outlook, programa do serviço mundial da BBC.

Em seguida, ele coloca comida para o tubarão em um recipiente especial para que o animal possa sentir seu cheiro. "É transparente, então, ele pode ver a comida, mas não pode mordê-la."

Nesse ponto, começa fazer movimentos com as mãos e os dedos para que o tubarão pense que é um peixe e tente morder suas mãos. "Na verdade, eu forço o tubarão a morder minha mão", contou.

Instantes antes de morder, o tubarão deixa água passar dentro de sua boca para oxigenar as brânquias, explicou o piloto.

"Nesse momento – quando o tubarão está com a boca fechada – começo a usar a técnica. Coloco a mão no nariz do peixe e começo a massageá-lo. Essa é a parte mais perigosa, porque se vou muito depressa, o tubarão vai embora. Se vou muito devagar, o tubarão morde meus dedos."


Massagem e 'limpeza de pele'
A escolha do nariz para a massagem não é acidental. Ali, há estruturas sensoriais chamadas "ampolas de Lorenzini", tubos muito finos acoplados a poros localizados na pele do nariz e sensíveis a campos elétricos. E o tubarão gosta de ser massageado nessa região, segundo Avogadri.

"Movimentos circulares dão a ele uma sensação agradável. Eles começam a se afastar por uns cinco ou seis segundos, mas, quando se dão conta de que a sensação é boa, às vezes retornam. Se estou em um grupo com 20 tubarões, tenho de reconhecer quais deles vão confiar em mim."

Ao achar o tubarão certo, Avogadri tenta atraí-lo para fazê-lo relaxar. Se isso acontece, ele continua a massagem com a outra mão e sai em busca de parasitas no corpo do peixe para removê-los.

"O tubarão sente a massagem, que é gostosa para eles, e também que estou tentando tirar um parasita da sua pele. Nesse ponto, se o tubarão se afasta, ele percebe que fiz algo bom e volta imediatamente. Esse é o truque, ele pensa que sou uma estação de limpeza", disse Avogadri.

Proteção
Para um observador leigo, é impossível entender como Riccardo pode correr tamanho risco. O hipnotizador de tubarões explica, no entanto, que, quando começou a desenvolver sua técnica, usava uma proteção.

"Vestia uma roupa especial de aço inoxidável que os dentes não atravessavam. Mas, aos poucos, comecei a entender como ele se move e onde segurá-lo", disse. "Se você toca em uma parte do animal que ele não gosta, ele vai embora. Levou anos para eu aprender."

No decorrer desses anos, ele conta, foi mordido várias vezes: "Mas você tem de levar em consideração que os dentes de um tubarão não têm raiz, então, quando tocam algo duro, eles quebram."

Em alguns vídeos, o piloto é visto massageando o nariz de um tubarão, que está parado. Depois, pega o animal e começa a girá-lo. Ele explica que isso é uma forma de contornar um obstáculo no desenvolvimento da técnica: como manter o tubarão sem se mover e permitir que ele respire?

"Esse tipo de tubarão precisa se mover constantemente, porque, para respirar, a água tem de passar por sua boca, então, o ergo e faço os giros", disse. "Depois de ele dormir, o levo devagarinho para a superfície para ser estudado."

Pesquisa
Os tubarões pertencem a uma família de animais muito primitivos. Cientistas calculam eles que habitam o planeta há 400 milhões de anos – surgiram 200 milhões de anos antes dos dinossauros, por exemplo.

Por isso, são considerados por especialistas como modelos de resiliência e adaptabilidade e, portanto, extremamente valiosos para o homem.

Com o tubarão adormecido, os pesquisadores podem colocar identificações em seu corpo, medí-lo com instrumentos e fotografá-lo. "Tudo isso sem precisarmos capturar o animal. Normalmente, nos centros de pesquisa, usam-se anzóis para pegar o tubarão. Isso é estressante para eles."

Avogadri disse que sua técnica não tem esse impacto. "Sei que não porque, às vezes, coloco o tubarão para dormir por dez minutos. Depois (de acordar), ele vai embora e volta. Se fosse estressante, ele não voltaria."

Motivação
Além de trabalhar com pesquisadores, o piloto leva grupos pequenos de mergulhadores para expedições de mergulho com tubarões, como o executivo argentino Ignacio Daniel Arias, que fez cursos de alimentação e de imobilização de tubarões com Avogadri e, agora, se prepara para mais um.

"Em abril, vou para as Bahamas e desta vez (vou mergulhar) com o tubarão tigre. É o segundo mais agressivo do mundo, o que mais mata depois do tubarão branco. Chega a até seis metros de comprimento", explica Arias à BBC Brasil

"Claro que tenho medo! Principalmente quando o animal se aproxima. Mas pensava que ia sentir mais. Sou um empresário nerd que trabalha na área de software e pratica mergulho por recreação."
"Mas também tenho respeito. E a paixão pelos animais é tão grande que a gente acaba perdendo o medo."
 

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Quadra 25. Um exemplo bem sucedido de união comunitária.







Rita, Rosângela, Elisângela, são nomes conhecidos dos moradores da quadra 25 do Park Way. São as guerreiras que lutam diariamente para embelezar a quadra, para garantir aos moradores mais segurança e melhor qualidade de vida. Nesse sentido não esmorecem: lutam para aprimorar o paisagismo do balão, a limpeza da rua, a roçagem dos lotes.Esse esforço  é contínuo, é diário, não respeita domingos e nem feriados. 

Exemplo desse empenho ficou evidenciado na reunião de hoje, quando as guerreiras reuniram os moradores da 25 para traçar novo plano de ação com vistas já à recuperação do gramado, e à  promoção de novas medidas de segurança. 

Parabéns guerreiras incansáveis. O Park Way agradece.



O evento contou ainda com a presença do Administrador Regional Cleudimar Sardinha