segunda-feira, 16 de maio de 2016

1/3 das áreas produtivas do planeta foram destruídas em apenas 40 anos




Meio Ambiente


O intenso uso de agrotóxicos e o desmatamento são as principais causas deste problema.

4 de dezembro de 2015 •

 
São necessários 500 anos para que apenas 2,5 centímetros de solo seja recomposto naturalmente.|



 
Foram necessárias quatro décadas para que 33% das terras produtivas do planeta fossem perdidas. De acordo com um estudo publicado pela Universidade de Sheffield, no Reino Unido, o intenso uso de agrotóxicos e o desmatamento são as principais causas deste problema.

A situação é alarmante, pois, ao mesmo tempo em que a terra fica imprópria para o cultivo, a demanda mundial por alimentos aumenta. Os cientistas responsáveis pela pesquisa estimam que a produção de alimentos tenha que aumentar 50% até 2050 para garantir o abastecimento global. Mas, se não houver mudanças drásticas nos padrões atuais, isso não deverá ser possível e o desastre pode ser irreversível.

Após diversas análises, o estudo concluiu que o modelo de lavoura, combinado ao uso intenso de fertilizantes tem degradado o solo em ritmo muito acelerado. A erosão, por exemplo, acontece cem vezes mais rápido do que a taxa de formação do solo. Segundo os pesquisadores, são necessários 500 anos para que apenas 2,5 centímetros de solo seja recomposto naturalmente.

Não é apenas a produtividade que está ameaçada. A erosão do solo ocorre devido à perda de estrutura e por uso contínuo para a lavoura. De acordo com o estudo, quando ele é preparado repetidas vezes para o plantio, ele é exposto ao oxigênio, o que ocasiona perda de carbono e qualidade. Isso impacta diretamente em sua capacidade de armazenar água, o tornando inútil como base eficiente e também no combate a inundações.

Os acadêmicos apresentaram algumas alternativas para minimizar o problema. Substituir os fertilizantes químicos por adubos orgânicos é a primeira delas. Eles ainda sugerem sistemas rotativos entre agricultura, pecuária e árvores, para aliviar a pressão exercida sobre a terra arável. Em entrevista ao The Guardian, Duncan Cameron, um dos líderes do estudo, explicou que, acima de tudo, é necessário contar com o apoio governamental, criando políticas públicas que ajudem os agricultores a adotarem métodos mais sustentáveis.

Redação CicloVivo

Mamãe, voltei!!

Envolverde Portal de Sustentabilidade do Brasil


Uma da ações mais bonitas da FPI do São Francisco é a reintrodução de pássaros silvestres ao seu habitat natural. Neste caso, a soltura ocorreu numa reserva ecológica de bioma da Caatinga, já que os animais são nativos desse ecossistema. Ouve só o canto dos pássaros! É de alegria!

Fonte:Texto e vídeo retirado da página do Ministério Público do Estado de Alagoas


 https://www.facebook.com/RepertorioAnimalfotografiadenatureza/



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Países querem plano integrado de conservação para o Escudo das Guianas

14/04/2016 Envolverde Portal de Sustentabilidade do Brasil

Doze instituições do Brasil, Guiana Francesa, Guiana e Suriname reuniuniram-se no começo deste mês na cidade de Maripasoula, na Guiana Francesa. Foto: © WWF-Brasil/Marcelo Oliveira
Doze instituições do Brasil, Guiana Francesa, Guiana e Suriname reuniuniram-se no começo deste mês na cidade de Maripasoula, na Guiana Francesa. Foto: © WWF-Brasil/Marcelo Oliveira


Por Redação do WWF Brasil –

O Escudo das Guianas fica na região norte do continente sul-americano em uma área de cerca de 250 milhões de hectares entre Brasil, Guiana Francesa, Suriname, Guiana e parte da Venezuela. Em sua porção brasileira, abrange partes dos estados do Pará (Calha Norte) Roraima e Amapá.


Ao mesmo tempo em que apresenta altos níveis de endemismo de biodiversidade (espécies que só vivem naquela região), o local também se caracteriza pela vulnerabilidade social e ambiental motivada pela ocupação desordenada do solo, a intensificação da agricultura e grandes investimentos de infraestrutura de transporte e energia.

Some- se isso o fato de que a ação de qualquer um dos países – seja boa ou ruim – afeta diretamente o que acontece na floresta do país vizinho.

Por isso, um grupo de doze instituições do Brasil, Guiana Francesa, Guiana e Suriname reuniu-se no começo deste mês na cidade de Maripasoula, na Guiana Francesa, para traçar um plano estratégico de conservação que englobe uma atuação conjunta. O encontro reuniu 25 representantes de comunidades, governos, gestores de áreas protegidas, organizações não governamentais e povos indígenas.

O plano estratégico pensado para o Escudo das Guianas inclui desde a publicação de artigos científicos, a realização de um simpósio internacional, a captação conjunta de recursos para ações de conservação.

Os países também estão dispostos a dar suporte ao Observatório do Mercúrio, um fórum para troca de conhecimento sobre a contaminação dos rios e da biodiversidade, um dos mais graves problemas ambientais da região.
Rica biodiversidade e vulnerabilidades sociais e ambientais convivem na região no extremo norte da Amazônia brasileira. Foto: © WWF-Brasil/Marcelo Oliveira
Rica biodiversidade e vulnerabilidades sociais e ambientais convivem na região no extremo norte da Amazônia brasileira. Foto: © WWF-Brasil/Marcelo Oliveira

Por isso, parte do encontro foi dedicada a uma visita ao Parc amazonie de Guyane – uma área protegida francesa, de 3,1 milhões de hectares, onde foi possível ver como a Guiana Francesa lida com a proteção de áreas naturais e com problemas como o garimpo.

Para o coordenador-executivo adjunto do Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (IEPÉ), Décio Yokota, a possibilidade do trabalho conjunto no combate à contaminação de mercúrio é uma das grandes frentes que serão abertas no futuro.

O Escudo das Guianas é uma das maiores florestas tropicais conservadas do mundo. Estima-se que ali estejam armazenadas quase 10 bilhões de toneladas de carbono, cumprindo papel importantíssimo na regulação do clima do planeta.

Além da extraordinária biodiversidade, é também uma das maiores reservas de água doce do mundo. Além disso, vários povos indígenas compartilham áreas comuns na região, entre eles os Wajãpi, os Karipuna e os Tiriyó.

“Nosso objetivo é colocar o Escudo de Guianas no mapa mundial de conservação”, explicou o analista de conservação do WWF-Brasil, Marcelo Oliveira. A organização atua há vários anos na região.

Além de apoiar a implementação do Parque Nacional do Tumucumaque, o maior parque nacional de florestas tropicais do mundo, com 3,8 milhões de hectares, o WWF-Brasil também colabora na criação do Mosaico da Amazônia Oriental, reforçando os mecanismos de gestão daquela área.

Foi ali também que nasceu o projeto Biodiversidade nas Costas, uma ação voltada para a Educação Ambiental que está se tornando uma política pública adotada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) na elaboração de suas diretrizes institucionais. (WWF Brasil/ #Envolverde)

* Publicado originalmente no site WWF Brasil.

Fauna amazônica presta serviço de US$ 5 tri

27/01/2016 Envolverde Portal de Sustentabilidade do Brasil

Macaco-aranha. Foto: Sérgio Pucci/The Nature Conservacy
Macaco-aranha. Foto: Sérgio Pucci/The Nature Conservacy

Estimativa corresponde ao carbono mantido na floresta por macacos e antas ao dispersar sementes de grandes árvores, afirmam pesquisadores do Reino Unido e do Brasil

Por Claudio Angelo, do OC –
Enquanto Dilma Rousseff e Nelson Barbosa se estapeiam com o Congresso por alguns bilhões de reais de CPMF, um serviço cujo valor é estimado em pelo menos US$ 5 trilhões, quase três vezes o PIB do Brasil, vai sendo literalmente abatido a tiros no norte do país: trata-se do valor do carbono mantido na Amazônia por grandes animais, como o macaco-aranha e a anta, mortos por caçadores.


A estimativa acaba de ser publicada por um grupo de cientistas do Brasil, dos EUA e do Reino Unido, liderados por um amazônida: o paraense Carlos Peres, professor da Universidade de East Anglia, na Inglaterra.

Esses animais de grande porte, afirma o grupo, guardam a chave para a fixação de parte expressiva do carbono da floresta amazônica – que, por sua vez, estoca sozinha metade do carbono das florestas tropicais do planeta. Eles são os responsáveis por dispersar as sementes das árvores de madeira de lei, que têm o maior teor de carbono.

A caça de antas, macacos-aranha e macacos-barrigudos, cuja carne é apreciada nas zonas rurais da Amazônia, pode levar a perdas de 2,5% a 5,8% da biomassa da floresta, em média, chegando a quase 38% em alguns locais onde esses bichos foram extintos pelos caçadores. Extrapolando esse valor para toda a área da Amazônia, e considerando um valor da tonelada de carbono de modestos US$ 5 no mercado internacional de emissões, Peres e colegas estimaram que esses bichões prestam um serviço de US$ 5 trilhões a US$ 13 trilhões inteiramente de graça, apenas comendo frutos dessas árvores e defecando suas sementes.

Ao fazer isso, ajudam novas árvores de madeira densa a se espalhar pela floresta, retirando carbono do ar por fotossíntese e estocando-o em caule e galhos à medida que crescem.

A conta foi publicada nesta segunda-feira no periódico PNAS, da Academia Nacional de Ciências dos EUA. Antes que o Ministério da Fazenda resolva bolar um esquema para se apropriar desse valor para tampar o buraco fiscal brasileiro, os autores se apressam em dizer que trata-se de uma estimativa apenas para referência – já que nem todo o carbono da Amazônia é “monetizável”, ou passível de ser transacionado em mercados como crédito. Mesmo assim, afirma Peres, há um valor bem concreto em manter os animais vivos.

“O serviço de dispersão prestado por estes vertebrados florestais vale dinheiro”, disse o brasileiro radicado no Reino Unido ao OC. “Poderíamos até pensar num programa de pagamentos por serviços ambientais para subsidiar comunidades locais a manejar melhor seus estoques de caça num regime de manejo comunitário”, afirmou.

O que é urgente, porque, ao irem para a grelha, para zoológicos particulares ou mesmo ao serem mortos por esporte, os grandes vertebrados da Amazônia causam perdas de valor e ainda ajudam a aquecer ainda mais o planeta. Como os caçadores são, em geral, populações pobres ou índios em busca da proteína de cada dia – mas usando armas cada vez mais modernas e vivendo em aldeias cada vez mais sedentárias, o que agrava seu impacto sobre as zonas de caça –, vale a pena pagar para que eles racionalizem essa caça.

REDD+
No estudo, Peres e colegas do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e da Universidade do Estado do Oregon, nos EUA, usaram computadores e dados de campo de 166 áreas de floresta com e sem pressão de caça para modelar o impacto que a caça na Amazônia brasileira poderia ter. Depois, modelaram o impacto que a caça praticada por 1 milhão de residências rurais na Amazônia poderia ter, usando como base de dados 2.300 áreas de floresta previamente inventariadas (ou seja, cuja população de árvores era conhecida).

A conclusão dos pesquisadores foi que os grandes primatas comedores de frutas têm suas populações afetadas pela caça em 32% das áreas remanescentes de floresta na Amazônia, e podem sumir completamente de 7,5% da região.

Peres e seus colegas usaram no estudo uma abordagem relativamente nova: a discussão do mutualismo – a interdependência entre plantas e animais – na agenda climática. O reconhecimento do papel da fauna na manutenção do carbono florestal foi totalmente ignorado na construção do chamado Redd+, o mecanismo de redução de emissões por desmatamento proposto no âmbito da Convenção do Clima e reconhecido no Acordo de Paris. O Redd+, por assim dizer, enxerga as árvores, mas não a floresta.

Estudos sobre a importância da fauna para a fixação de carbono (e sobre o impacto da caça nas emissões) vêm sendo feitos na África e na Ásia, mas até agora nenhum havia sido realizado para a Amazônia, que é justamente o lugar onde o Redd+ está mais adiantado devido ao monitoramento regular que o Brasil faz do desmatamento.

Na Mata Atlântica, a primeira avaliação da chamada “defaunação” sobre o carbono foi publicada no ano passado, num estudo liderado por Mauro Galetti e Carolina Bello, da Unesp de Rio Claro, que tem Carlos Peres como coautor. A conclusão é que extinções locais de grandes vertebrados causam perdas de até 3 toneladas de carbono por hectare, ao deixar a floresta mais “rala”.

“O nosso modelo é bem mais conservador – tendendo a uma subestimativa de perda de biomassa florestal e carbono”, disse Peres. “Ele leva em consideração somente um grupo morfológico muito mais restrito de plantas que dependem quase exclusivamente de dispersão de sementes por algumas espécies de frugívoros de grande porte que são altamente sensíveis a pressão de caça.” (Observatório do Clima/ #Envolverde)

* Publicado originalmente no site Observatório do Clima.

A urgência de recobrir o Brasil

23/02/2016 Envolverde Portal de Sustentabilidade do Brasil

Foto: Shutterstock
Foto: Shutterstock

Oportunidades na economia florestal mobilizam investidores, ONGs e academia no rastro dos compromissos climáticos.

Por Sérgio Adeodato*
Reza o dito popular, atribuído originalmente ao poeta cubano José Martí, que o ser humano somente se realiza por completo após ter um filho, escrever um livro e plantar uma árvore. Das três partes dessa missiva, a última, à primeira vista, parece a mais simples. Mas não no caso do cultivo de mudas para recompor ambientes de floresta natural e recuperar áreas degradadas, atividade que se tem mostrado bem mais complexa e cara do que normalmente se imagina.

E agora mobiliza grande esforço por parte de cientistas, ambientalistas e economistas – no País e em várias partes do mundo – para o desenvolvimento de um modelo apto a torná-la viável na escala compatível com a urgência do combate à mudança climática e da conservação de recursos vitais, como a água.

O caminho exige fazer contas e gerar receita mediante o uso sustentável, conforme mostra esta primeira reportagem da série sobre restauração florestal.

No Brasil, os primeiros números da difícil matemática, divulgados em janeiro como resultado de um estudo inédito conduzido pelo Instituto Escolhas, retratam o volumoso custo da empreitada: até 2030 será necessário um investimento total de aproximadamente R$ 52 bilhões (R$ 3,7 bilhões ao ano) para tornar factível o plano de restaurar 12 milhões de hectares, conforme o compromisso brasileiro de mitigar a emissão de gases de efeito estufa, anunciado em dezembro na conferência da ONU sobre clima, em Paris.

O cálculo considera o plantio de 50% da área durante 21 anos com espécies exóticas, como o eucalipto, que deverão ser substituídas por árvores nativas após 25 a 30 anos. Nessas condições, o modelo prevê taxa de retorno financeiro de 4%, mediante exploração de madeira, e disso resultaria a criação de 215 mil empregos. Além da arrecadação de R$ 6,5 bilhões em impostos, o empreendimento permitiria a construção de toda uma cadeia produtiva (coleta de sementes, viveiros de mudas, laboratórios, maquinário, serviços de manutenção) capaz de paralelamente resolver o passivo ambiental do agronegócio.

“Estamos na largada da corrida e precisamos de atletas para isso”, adverte Roberto Kishinami, um dos coordenadores do estudo, ao reforçar a importância do investimento em qualificação técnico-profissional neste momento preparatório. De acordo com o pesquisador, o Brasil cultiva atualmente 350 mil hectares de floresta por ano, o que corresponde a pouco mais de um terço do necessário para o País cumprir a atual meta, e, dessa área, menos de 1% com árvores nativas.

O quadro requer rapidez para romper a defasagem: “O próximo passo, em 2016, será refinar os dados e mapear os métodos de plantio de floresta ambiental, social e economicamente mais vantajosos, em regiões prioritárias na Amazônia e Mata Atlântica, biomas abrangidos pelo estudo”. A modelagem incluirá outras fontes de receita, como o aproveitamento de produtos não madeireiros e a remuneração por serviços ecossistêmicos dentro do conceito de ecologia da paisagem [1].

O fator mudança no uso da terra [2] tem sido apontado como a bola da vez no debate climático global, o que poderá significar aumento do fluxo de recursos para soluções, entre as quais está a restauração florestal. “O engajamento do setor financeiro na reunião de Paris foi notório e o Brasil tem tudo para se destacar com investimentos em estoques de árvores que fixam carbono”, ressalta Roberto S. Waack, membro da Coalizão Clima, Florestas e Agricultura, iniciativa que encomendou a modelagem econômica da restauração ao Instituto Escolhas e pretende acessar recursos de fundos internacionais para o tema.

O capital privado, segundo Waack, tem sido ator relevante no jogo, o que reforça a importância de tornar o plantio de florestas economicamente mais atrativo. Com a redução das incertezas científicas e o aumento das regulações globais e nacionais, a lógica inverteu-se: “Hoje, não investir em tecnologias de baixo carbono é que representa risco ao patrimônio”, diz. Criar sistemas de gestão em land use (uso da terra), incorporando novos modelos de silvicultura, é estratégico para a competitividade das empresas.

Uma das iniciativas brasileiras mais recentes é o projeto MapBiomas, que em 2016 começará a divulgar mapas anuais de cobertura do solo em todo o Brasil de forma barata, rápida e atualizada, com possibilidade de comparar dados históricos desde 1985. A principal inovação é o processamento de imagens de satélite tendo como base a plataforma Google Earth Engine. A tecnologia disponibiliza dados em nuvem para fácil acesso a pesquisadores nas diferentes regiões, eliminando barreiras que antes tornavam o trabalho inviável.

“A ideia foi preencher a lacuna de informação sobre a dinâmica do uso da terra no Brasil para melhorar as estimativas de emissões de gases de efeito estufa”, explica Carlos Silva, pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e um dos coordenadores do projeto, promovido pelo Seeg/Observatório do Clima em cooperação com ONGs, universidades e empresas. O mapeamento facilitará a aplicação do Novo Código Florestal [3], além de monitorar áreas protegidas e apontar oportunidades para restauração.

“O País precisa achar os meios para aumentar a cobertura florestal, porque não poderá voltar atrás no compromisso registrado na ONU”, afirma Maurício Voivodic, diretor-executivo do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), organização que auxilia pequenos produtores de cacau e eucalipto a recuperar a mata nativa.

Em sua análise, “faltam condições políticas e econômicas ao País para desatar esse nó”. O Plano ABC — Agricultura de Baixo Carbono previu em 2010 a recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas até 2020, parte mediante plantios florestais, mas até agora atingiu-se apenas um quinto da meta, segundo Voivodic.

Avanços mais expressivos são esperados após a aprovação do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg) – marco legal que definirá como as reservas legais poderão ser exploradas economicamente, hoje no Ministério do Meio Ambiente para ajustes após consulta pública entre janeiro e agosto do ano passado. No horizonte de 20 anos, o plano prevê a recuperação de 390 mil hectares nos primeiros cinco anos e estabelece medidas para sensibilização da sociedade, aumento da quantidade e qualidade de sementes e mudas, fomento ao mercado de produtos e serviços de restauração florestal, desenvolvimento de mecanismos de incentivo e expansão de assistência técnica.

“O desafio está em mudar a visão dos tomadores de decisão, mostrando que plantar árvores pode gerar mais renda do que as atividades que as destroem”, destaca Rubens Benini, coordenador da agenda de restauração da TNC Brasil. A ONG iniciará estudos econômicos da restauração em 2016, tendo até hoje contribuído para repor 11 mil hectares de vegetação nativa em dez Estados, com um total de 29 milhões de árvores.

mapa
Para Benini, uma importante questão a ser resolvida é a estruturação de uma base genética para espécies nativas, repetindo o esforço empreendido para o eucalipto. “Não estamos falando apenas de clima, mas de segurança alimentar, garantia de água e redução da pobreza.” Em razão desses fatores, e também dos benefícios de outros insumos básicos que podem ser obtidos de árvores, como a geração de energia, o tema da restauração florestal compõe a agenda dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecida pelas Nações Unidas no ano passado com metas para 2030.

A questão, antes restrita ao círculo ambientalista e às universidades, chegou aos bancos e tende a ser considerada, por exemplo, na liberação de crédito rural. Márcio Macedo, gerente da área de meio ambiente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), tem a expectativa de significativo aumento da demanda por financiamento [4] de plantios de floresta: “Após o acordo climático de Paris, o tema ganhou importância global e o fluxo de recursos para a atividade deverá crescer”. O banco está estruturando um fundo ambiental de R$ 1 bilhão a partir de recursos captados lá fora – “um plano ambicioso, que dependerá de qualificação técnica e bons projetos”.

Em plantios florestais de menor escala com espécies nativas, o custo chega a R$ 14 mil por hectare, mas no caso de áreas regeneradas naturalmente, sem cultivo de mudas, o valor cai para R$ 3 mil a R$ 5 mil por hectare. Experimentos de campo têm chegado a modelos mais baratos. “Na Mata Atlântica e na Amazônia, a redução de custo atingiu 50%, em média, com uma combinação de espécies nativas e adubação verde”, revela Ricardo Rodrigues, pesquisador da Universidade de São Paulo/Esalq, em Piracicaba (SP). E o retorno financeiro com a exploração de madeira superou as expectativas. “Queremos agora medir o valor dos ganhos com os serviços ecossistêmicos da restauração.”

Os negócios podem ser favorecidos pelo surgimento de mecanismos de mercado, como a compra e venda de Cotas de Reserva Ambiental (CRA) [5], em desenvolvimento no Instituto BVRio. O presidente executivo, Pedro Moura Costa, é otimista: “A ficha está caindo; é maior o engajamento de produtores rurais e tudo indica que o setor deslanchará quando a situação econômica melhorar”.

Outro mecanismo, recém-lançado pela instituição, é a bolsa de comércio de madeira, com plano de movimentar US$ 200 milhões até dezembro. Como suporte às transações foi criado um aplicativo para que compradores (construtoras, serrarias, fabricantes de móveis, atacadistas e exportadores) possam rastrear a origem do produto ao passar o telefone sobre o código de barras da guia que o acompanha.

O Serviço Florestal Brasileiro estima que menos da metade das toras extraídas na Amazônia tem origem legal e sustentável. Mudar o cenário de competição desleal do produto predatório, que não paga impostos, é uma condição para a chegada de investimentos. Para o suprimento da demanda brasileira, estima-se a necessidade de multiplicar por dez a atual área de produção de madeira rastreada, até 2030. Plantar árvores é uma das soluções.
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[1] Método que considera não apenas as reservas legais das propriedades rurais isoladamente, mas os benefícios ambientais, econômicos e sociais obtidos pela conexão delas com outras áreas de mata, em uma perspectiva mais ampla.

[2] É a principal fonte de emissões da economia brasileira, no total de 486 milhões de toneladas de carbono, segundo dados do Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa (Seeg) – 2015.

[3] O passivo ambiental a ser restaurado nas propriedades, após a implementação do Cadastro Ambiental Rural, é estimado em 20 milhões de hectares.

[4] Lançado em 2015, o BNDES Restauração Ecológica já recebeu 78 projetos para restauração de 20 mil hectares na Mata Atlântica, totalizando R$ 281 milhões.

[5] Mecanismo previsto no Código Florestal, no qual um proprietário sem Reserva Legal pode compensar o passivo comprando “cota” de floresta em outra área.
(Página 22/ #Envolverde)

* Esta é a primeira de uma série de reportagens sobre restauração florestal, em parceria da PÁGINA22 com o projeto MapBiomas.

‘Área degradada’ ajuda meta do país no clima

16/05/2016 Envolverde Portal de Sustentabilidade do Brasil

Capoeira em floresta seca de Minas Gerais. Foto: Maria D. M. Veloso
Capoeira em floresta seca de Minas Gerais. Foto: Maria D. M. Veloso

Grupo mede pela 1ª vez contribuição das florestas secundárias para sequestro de carbono; dado sugere que meta do Brasil em Paris poderia ser bem mais ambiciosa se incluísse essa vegetação.
Por Claudio Angelo, do OC –


Capoeira, juquira, área degradada, área devoluta. O ecólogo Daniel Piotto não se conforma com os nomes populares dados às florestas que crescem novamente após o abandono de uma área desmatada. “É tudo pejorativo”, protesta.


Mas as humilhadas florestas secundárias ainda poderão rir por último, graças ao trabalho de um grupo internacional de dezenas de pesquisadores integrado por Piotto e outros brasileiros. O time produziu o primeiro mapa global dessas matas em regeneração na América Latina e calculou seu potencial de sequestro de carbono. Os números são impressionantes.


Do México ao Paraguai, as florestas tropicais em diversos estágios de regeneração cobrem 2,4 milhões de quilômetros quadrados, uma área superior à da Argentina. E, se fossem mantidas por 40 anos livres dos tratores e das motosserras, sequestrariam da atmosfera 31 bilhões de toneladas de gás carbônico – o equivalente a tudo o que a América Latina emitiu entre 1993 e 2014. Desse potencial, 71% está em um único país: o Brasil.


Piotto e seus colegas do consórcio SecondFor (contração em inglês de “Amantes da Floresta Secundária”), vêm se dedicando a entender o papel das áreas regeneradas para a biodiversidade e o ciclo de carbono – por tabela, para o clima. Em fevereiro eles já haviam publicado um estudo na revista Nature estimando pela primeira vez o potencial médio de sequestro de carbono de uma floresta secundária, 11 vezes maior do que o de uma floresta madura na Amazônia.


O novo estudo, publicado on-line nesta sexta-feira (13/5) no periódico Science Advances, traz agora o mapeamento de onde essas florestas estão e de sua resiliência, ou seja, os lugares onde uma área desmatada e abandonada volta a ser floresta mais rápido.


Segundo Piotto, o trabalho tem implicações diretas para as metas do Brasil no Acordo de Paris, inscritas na chamada INDC (Contribuição Nacionalmente Determinada Pretendida). Como não havia até agora estimativas do quanto essas florestas capturavam de carbono, elas não são incluídas nas provisões da INDC, segundo a qual o país se compromete a reduzir 37% de suas emissões em 2025 em relação aos níveis de 2005. O compromisso do país no setor de florestas se limita a zerar o desmatamento ilegal na Amazônia e restaurar ou reflorestar 120 mil quilômetros quadrados desmatados.

“A meta é muito tímida”, diz Piotto, pesquisador da Universidade Federal do Sul da Bahia.
Segundo ele, o país poderia adotar um compromisso muito mais ousado de redução de emissões caso as florestas secundárias entrassem na conta, já que, essas sim, estão ativamente sequestrando carbono.


“A gente concentra muito o nosso foco na restauração, e as pessoas têm a impressão de que é um processo ativo, de custo altíssimo”, afirma o cientista. “Mas, se a gente cuidar das florestas que estão se regenerando, com medidas simples a gente consegue adotar uma meta muito mais ambiciosa.”
A questão é que, para isso, seria preciso proteger as capoeiras, que hoje estão desguarnecidas em grande parte do Brasil.


Em vários Estados, as florestas nos chamados “estágios iniciais de sucessão” são passíveis de desmatamento legal. No Pará, por exemplo, embora a lei proteja capoeiras em estágio avançado de crescimento, o corte é permitido até 20 anos de idade se elas estiverem fora de áreas de preservação permanente. Na Mata Atlântica, formações florestais em estágio “inicial” ou “pioneiro”, muitas vezes indistinguíveis de um pasto sujo, também podem ser derrubadas legalmente pela Lei da Mata Atlântica, com autorização do órgão ambiental estadual. Nesse bioma, o limite de reserva legal é apenas 20% da propriedade. “Essas florestas estão no limbo”, diz Piotto.

O grupo elaborou vários cenários de emissão e sequestro de CO2 para várias hipóteses de proteção.
No cenário de desmatamento atual, a América Latina chegaria em 2048 com 12,2 bilhões de toneladas de CO2 emitidas desde 2008. No cenário de proteção de 100% das florestas secundárias com transformação de 40% dos pastos em capoeira – uma virtual impossibilidade prática –, o sequestro total no período chegaria a 37,7 bilhões de toneladas. O SecondFor advoga uma política na qual a maior parte dessas florestas seja preservada. Pelo seu tamanho e pelo exemplo, o Brasil deveria liderar a sua adoção.

“O resultado mostra que é possível descarbonizar mais cedo do que se imaginava”, diz Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima. O problema, ele afirma, são dois: primeiro, assumir que a mudança climática não afetará a capacidade de absorção de carbono das florestas nas próximas décadas. Segundo, não se pode usar esse saldo positivo de absorção das capoeiras para deixar de zerar o desmatamento, restaurar florestas em grande escala e cortar emissões no setor de energia – onde elas crescem mais rápido no país. “Não resolve se não fizermos a lição de casa em todos os setores.” (Observatório do Clima/ #Envolverde)

* Publicado originalmente no site Observatório do Clima.

APÓS SER PLANTADO, LÁPIS SE TRANSFORMA EM ERVAS


 

Quinta, 12 Maio 2016 09:43

Todos os anos, cerca de 60.000 árvores são cortadas em todo o mundo para produzir cerca de 15 milhões de lápis de madeira.

Mas e se esses mesmos lápis após utilizados pudessem fazer crescer uma planta de volta? Conheça o Sprout Pencil!

Imagine a seguinte cena: você escreve um monte de coisas com um lápis, aponta, escreve de novo, até que ele acaba. O que fazer quando fica apenas aquela pontinha? Lixo.

Agora não mais se você estiver usando o Sprout Pencil. Criado por três estudantes do MIT, a alternativa multifuncional foi desenvolvida em 2012, logo após eles pesquisarem que cerca de 15 bilhões de lápis são feitos a cada ano e, que há um esforço enorme para diminuir os resíduos criados a partir deles.

O Sprout pencil nada mais é do que um lápis feito de cedro. Mas, diferentemente dos outros, no lugar da borracha, os lápis de madeira têm uma cápsula biodegradável contendo uma mistura de sementes. Uma vez que o lápis fica pequeno demais para escrever, tudo o que você precisa fazer é colocá-lo em um vaso com terra e ativá-lo com água, para que lindas plantas, flores e ervas/temperos nasçam.


No solo, surgem lavandas, manjericão, hortelã, alecrim, girassóis, tomates, pimentas verdes, e muito mais. O mais legal? Os restos também funcionam como um marcador útil com o nome das ervas plantadas.

Michael Stausholm, que agora é o CEO da Sprout Pencil, disse que gostou da ideia quando ela era apenas um projeto no Kickstarter. “Na época, eu estava morando na Dinamarca e trabalhando muito com empresas sustentáveis”, disse à CNN. “Mas a sustentabilidade é algo difícil de mostrar para os consumidores. Eu estava procurando por um produto que poderia facilmente fazer isso e foi assim que me encantei pelo Sprout Pencil.

Através do crowdfunding, o Sprout virou realidade e, Stausholm, em parceria com os alunos do MIT, fabricou e vendeu cerca de 70 mil lápis no país nórdico durante a primavera de 2013. Em 2014, um milhão de lápis ecológicos tinham sido espalhados por toda a Europa.

Hoje eles vendem a ideia em mais de 60 países e tem escritórios na Dinamarca e os EUA. Os lápis de madeira certificada já existem em diversas variedades de plantas e um pacote de oito pode ser comprado por US$ 19,95. O empresário espera reduzir o seu valor, para que cada vez mais, alunos do mundo todo possam se dar ao luxo de usá-los.

“Nós sabemos que não podemos salvar o planeta apenas com os nossos produtos, mas a nossa missão é, pelo menos, educar as pessoas sobre como ser mais conscientes com o que compram e olhar para os produtos reutilizáveis de uma nova forma”.

Legal, não? Dá só uma olhada:

Quando você planta o lápis na terra, a cápsula se dissolve dentro de 24 horas e as sementes começam a brotar.

“Esperamos que os lápis encorajem os consumidores a serem mais conscientes sobre como e o que eles compram. Eles são um lembrete de que todos nós podemos tentar minimizar o desperdício. Sabemos que ele não pode salvar o planeta, mas esperamos inspirar as pessoas para uma nova mentalidade.”

Esperamos que cheguem em breve pelo Brasil!

Saiba mais no site oficial da marca.

Fonte followthecolours

Monsanto aceita a derrota e retira da Europa os seus GM … excepto em Espanha e Portugal




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A Monsanto desistiu da batalha para a implementação das suas sementes GM na Europa, mostrando que as mobilizações podem alcançar vitórias significativas contra os grandes interesses económicos e políticos. Espanha e Portugal são a exceção.

A Monsanto garante que terminaram com as atividades de promoção das suas sementes GM na Europa e que não tem a intenção de pedir autorização para a venda de novas plantas transgénicas na região. “Não gastaremos mais dinheiro para convencer as pessoas a cultivar”, disse Brandon Mitchener, chefe de Relações Públicas da Monsanto para a Europa e Oriente Médio, numa entrevista à Investigative Reporting Denmark.

A rejeição pelos produtores agrícolas e consumidores dos organismos geneticamente modificados (OGM), devido aos seus impactos negativos na biodiversidade, meio ambiente e saúde no curto prazo e até mesmo efeitos imprevisíveis a longo prazo levou a multinacional a envolver-se em grandes investimentos em marketing, ações judiciais e ações de lobby para ganhar aceitação para os seus produtos. O anúncio da sua retirada é uma vitória para todos os que têm informado e lutado contra a sua expansão.

Em 2001, foi publicada a Diretiva Política Europa “libertação intencional do meio-ambiente de organismos geneticamente modificados” e na maioria dos países europeus, esses produtos já foram proibidos. Incluindo a Alemanha, França, Grécia, Itália, Polónia, Luxemburgo, Bulgária, Suíça, Áustria, Irlanda e Hungria que optou por ter “zonas francas transgénicas “. Apenas 1% de todo o milho cultivado na Europa é transgénico.

Monsanto não foi a primeira a desistir de sua batalha de implementar GMO no continente europeu. Em 2012, a BASF tinha anunciado a retirada das suas sementes GM na Europa, uma decisão que a Syngenta havia tomado vários anos atrás, sob pressão dos produtores, consumidores e governos.


Espanha, reino europeu da GM

No entanto, as informações publicadas pela Investigative Reporting Denmark indicam que Monsanto irá aplicar uma exceção para a retirada de OGM na Europa. Aqueles países onde têm o apoio de agricultores ou político Considerando este último ponto são três os mercados onde a multinacional vai continuar a expandir os seus negócios: República Checa, Portugal e Espanha.

Espanha atualmente concentra 90% da produção de milho GM na Europa

Enquanto na República Checa estas culturas estão em declínio, Portugal e Espanha, continuam com o seu desenvolvimento. Na verdade, atualmente Espanha concentra 90% da produção de milho GM na Europa. Apesar das hesitações dos agricultores e consumidores, o apoio dado a estes cultivos pelas classes políticas e interesses económicos levaram à sua expansão.