segunda-feira, 13 de março de 2017

A poluição do meio marinho por detritos de plástico: visão geral, artigo de Alexandra Leitão




ONU lança campanha contra poluição dos oceanos provocada por consumo de plástico. Foto: ONU Brasil
A poluição do meio marinho por detritos de plástico: visão geral
Introdução
As correntes oceânicas têm vindo a desenvolver durante décadas detritos flutuantes em todos os cinco principais giros oceânicos (do Atlântico Norte, do Atlântico Sul, do Índico, do Pacífico Norte e do Pacífico Sul). Um giro oceânico é um grande sistema de correntes marinhas rotativas, particularmente as que estão relacionadas com os grandes movimentos do vento, e é causado pelo efeito da força de Coriolis (Heinemann et al., 1998). As correntes rotativas criam grandes manchas e redemoinhos de lixo, sendo muito dele constituído por resíduos de plástico (Jeftic et al., 2009).


No entanto, a quantidade exata de plástico que continua a ser encaminhado para os oceanos do mundo continua a não ser suficientemente conhecida. Um estudo de 2015 do grupo de trabalho sobre resíduos marinhos do National Center for Ecological Analysis and Synthesis (NCEAS), da Universidade da Califórnia, Santa Barbara, publicado na revista Science estima que a quantidade de resíduos de plástico que são despejados no mar ronda os 8 milhões de toneladas anualmente (Jambeck et al., 2015). O grupo de trabalho NCEAS prevê que o impacto cumulativo nos oceanos poderá ser tão elevado como 155 milhões de toneladas em 2025.


Contudo, o planeta não vai chegar ao “pico de resíduos” global antes de 2100 (Hoornweg et al., 2013), o que tenderá a agravar ainda mais a situação. “Estamos, deste modo, a ser dominados pelos nossos resíduos, mas o problema não é insuperável”, segundo Jambeck.


Naturalmente, que a inversão desta tendência alarmante passa pela redução do crescimento de plástico industrial e doméstico de uso único e por estratégias de gestão e recuperação, a par de responsabilidade alargada do produtor.


A poluição plástica (polímeros sintéticos) está distribuída globalmente em todo o ambiente marinho devido às suas propriedades de flutuabilidade e durabilidade, portanto, com potencial para se tornar amplamente dispersa no ambiente marinho através da hidrodinâmica e correntes oceânicas.


Através de foto-degradação (ação da luz solar) e outros processos atmosféricos, nomeadamente, biodegradação (ação de organismos vivos normalmente micróbios), degradação térmica (resultado da exposição prolongada a radiações UV) ou hidrólise (reação com água), os fragmentos plásticos dispersam-se no oceano, vindo a convergir nos giros. A geração e acumulação de poluição de plástico também ocorre em baías fechadas, golfos e mares cercados por linhas costeiras e bacias hidrográficas densamente povoadas (Barnes et al., 2009).


A absorção de substâncias tóxicas do plástico durante o seu percurso através do ambiente levaram alguns investigadores a afirmar que polímeros sintéticos no oceano devem ser considerados como resíduos perigosos (Rochman et al., 2013).


O presente trabalho aborda os perigos da poluição de microplásticos existentes e emergentes no Atlântico Norte, procurando sensibilizar para o problema e contribuir para os esforços em curso para desenvolver soluções para a poluição plástica.


O problema
Muitos autores definem microplásticos como partículas menores que 5 mm (e.g. NOAA, 2009), enquanto outros colocam o limite superior em 1 mm (e.g. Claessens et al., 2011), sendo, no entanto, o valor de 5 mm o mais utilizado. Este (5 mm) é o tamanho usado pelo norte-americano National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) para o Programa Lixo Marinho. 


Estas partículas têm vindo a ser detetadas, de forma crescente no seio do biota aquático, afetando o zooplâncton de alimentação dos peixes, aumentado assim a preocupação com potenciais efeitos sobre os organismos aquáticos e a potencial influência sobre a toxicidade de outros contaminantes do meio marinho.


Os plásticos, fabricados a partir de recursos não renováveis como petróleo, carvão e gás natural são indispensáveis na sociedade moderna e são amplamente utilizados nos mais variados tipos de indústria. Trata-se de um material omnipresente na civilização contemporânea e encontramo-lo sob as mais variadas formas. As propriedades dos plásticos levaram a inúmeros avanços tecnológicos, economia de energia, melhoria da saúde dos consumidores e redução dos custos de transporte. 


Devido à sua muito baixa taxa de degradação, quebrando apenas gradualmente, através de ação mecânica, persistem por séculos. Os plásticos de tamanhos variados acumulam-se tanto em ecossistemas terrestres como aquáticos.


Dada a sua importância na nossa sociedade, é também um dos materiais mais descartados no ambiente como lixo, muito do qual não recebe o destino correto e acaba, invariavelmente, nos mares, transportados por rios, cheias, e outros fatores humanos, tornando-se um dos fatores de impacto mais drásticos e observáveis ​​no ambiente.


No meio marinho, os plásticos acumulam-se tanto em áreas costeiras baixas como no oceano aberto e encontram-se desde os trópicos aos mares polares, cuja acumulação no giro oceânico, juntamente com vários outros resíduos, incluindo produtos químicos, tem despertado crescente preocupação, o que representa um grande desafio para a sua remediação (Zarfl et al., 2011).


Apesar da sua jovem idade, os plásticos já invadiram a maioria dos habitats marinhos incluindo a Antártida (Zarfl & Matthies, 2010) e até mesmo o mais puro e intocado: o fundo do mar Ártico como Bergmann & Klages (2012) demonstraram recentemente.


No entanto, apesar da consciência crescente do problema da poluição de plástico, ele continua a ser produzido, consumido e descartado a uma taxa crescente, o que constitui um problema para a biosfera como um todo, em animais marinhos que por sua vez afeta negativamente a biodiversidade (Rochman et al., 2013). Em 2011, a produção mundial de plásticos aumentou para cerca de 280 milhões de toneladas, continuando um padrão de crescimento de cerca de 9% ao ano desde 1950 (Plastics Europe, 2012).


O fundo do mar é considerado como um esgoto para grande parte dos plásticos marinhos. Interferem fisicamente no ambiente por acumulação, soterrando seres vivos que vivem no fundo do oceano ou bloqueando parte da superfície quando flutuam em grandes maciços, libertando substâncias tóxicas.


Origem da poluição plástica
Grande parte da poluição de plástico tem origem terrestre (80%), não só a partir do uso doméstico em áreas urbanas e industriais, como de estações de tratamento de água que usam técnicas limitadas e ineficientes para eliminar microplásticos, sendo normalmente transportados pelo escoamento da água e do vento para o oceano.


Os restantes 20% são de origem marítima (Jeftic et al., 2009), resultantes do despejo do lixo não regulamentado ou ilegal da atividade de transporte marítimo ou, por variadas razões ter de perder a totalidade ou parte da sua carga, e ainda a poluição originada pelas atividades industriais baseadas no mar, como por exemplo a pesca que, nas últimas décadas se acentuou devido ao aperfeiçoamento de técnicas e equipamentos, à expansão das frotas e à introdução das linhas e redes de plástico. 


Segundo Allsopp et al. (2007) observações informais indicam que são descartadas até 30 km de redes em cada viagem de navio pesqueiro no Atlântico Norte, situação que, muito provavelmente, se deve repetir noutros oceanos. Linhas, cordas e redes enredam-se em hélices de navios, danificando-as, obstruem tubulações e sistemas de bombeamento de água, provocam entrelaçamento da fauna marinha que a leva à morte por estrangulamento e afogamento, complicando a própria atividade pesqueira e a navegação em geral, tornando-se um problema de todos.


As plataformas petrolíferas são também grandes fontes da quantidade de plásticos derivados dos tubos de perfuração, capacetes de proteção, luvas, uso como abrasivos em aplicações de limpeza (também em uso doméstico) entre outros.


A aquicultura também pode ser um contribuinte significativo de detritos plásticos nos oceanos.


A situação no Atlântico Norte
Os resíduos de plástico, são uma séria ameaça aos ecossistemas marinhos. Depois de decompostos em fragmentos microscópicos, o que pode durar séculos, libertam substâncias tóxicas, misturam-se com o plâncton, são confundidos com alimento por várias espécies e por serem indigeríveis, causam obstruções no seu aparelho digestivo matando-os ou ferindo-os, acabando assim infiltrados em toda a cadeia alimentar oceânica, que mais tarde contaminará a alimentação humana. 


Afetando os ecossistemas e espécies, muitas delas de valor económico, naturalmente que o Homem acaba prejudicado também, como a ciência já comprovou. As grandes vítimas são tartarugas (espécie ameaçada), aves, focas e outros grandes animais marinhos.



Um levantamento realizado em praias da Espanha, França e Itália revelou em média a existência de 1 935 objetos diversos por km2 da faixa costeira: 77% deles eram de plástico, e destes, 93% eram sacos utilizados nas compras domésticas (Madan & Madan, 2009).


Estudos recentes efetuados na Escócia (Murray & Cowie, 2011) demonstraram que 83,0% dos lagostins recolhidos no Mar de Clyde ingeriram plástico, incluindo linhas de monofilamento e fragmentos de sacos de plástico. Num outro estudo realizado no Canal da Mancha (Lusher et al., 2013), das 504 amostras examinadas em 10 espécies de peixe foram observados plásticos no trato gastrointestinal de 36,5%. Todas as cinco espécies pelágicas e as cinco demersais (que vivem no fundo do mar) tinham ingerido plástico, a sua maioria constituído pelos polímeros rayon (57,8%), poliamida (35,6%), muito usados na indústria pesqueira, não existindo diferenças significativas entre a ingestão de microplásticos pelos peixes pelágicos (38%) e demersais (35%). A maioria do plástico ingerido era constituída por fibras sintéticas (68,3%), seguido de fragmentos plásticos (16,1%), pellets e “microbeads” (11,5%), ocupando os microplásticos 92,4% do total. 



O Mar do Norte e, particularmente, o lodaçal das marés do Mar de Wadden é um ecossistema diversificado, complexo, que atua como um valioso habitat para a vida marinha com um alto grau de biodiversidade. Ao mesmo tempo, o Mar do Norte está rodeado pelas densamente povoadas nações industrializadas do norte da Europa. Aproximadamente 185 milhões de pessoas vivem em estados ribeirinhos, e milhões de turistas visitam a área do Mar do Norte todos os anos para recreação (OSPAR, 2010). Várias indústrias e grandes portos estão localizados em baías ou estuários dos grandes rios como o Reno, o Elba e o Tamisa.


No que diz respeito à exploração humana offshore, o Mar do Norte é afetado pela pesca intensiva e o tráfego marítimo de navios comerciais, de passageiros, de embarcações de recreio e militares. Alguns programas regionais, como a Convenção OSPAR promovem e gerem ações e medidas potenciais, para evitar maior degradação do meio ambiental marinho.



No estuário do rio Tamar (Sudoeste do Reino Unido) designado em 2013 como Zona de Conservação Marinha pela sua biodiversidade e habitats variados para proteger os habitats estuarinos, os microplásticos e potencialmente, também à escala nanométrica representam mais de 80% de plásticos retidos (Browne et al., 2007).



Muitos países já registaram declínio na pesca por causa do lixo, e o problema afeta também o turismo. Os impactos económicos ainda não foram estimados com precisão, e só se dispõe de estudos pontuais, mas a partir deles é fácil projetar a dimensão global dos prejuízos.



Nas ilhas Shetland (Reino Unido) os detritos marinhos dão prejuízos para a pesca que chegam a mais de 3 milhões de euros anuais na danificação de equipamentos e prejuízo nos peixes. No Reino Unido, em 1998 foram registados 200 incidentes envolvendo motores de barcos danificados por detritos, e alguns portos britânicos gastam até 33 mil euros anuais por problemas relacionados (Jeftic et al., 2009). 


 
Os impactos dos detritos plásticos a longo prazo, combinados com outras formas de agressão, como a crescente poluição química por fertilizantes e esgotos, o aquecimento das águas devido ao aquecimento global, o declínio da biodiversidade marinha e outros fatores terão repercussões, sem dúvida à escala global, afetando profundamente o Homem.



As zonas costeiras são as regiões mais produtivas do mundo, tanto biológica como economicamente, mas são também altamente vulneráveis, sobretudo em zonas mais densamente povoadas. Deve ter-se em conta que grande parte da população mundial vive no litoral, recebendo impactos diretos da poluição por detritos marinhos, plásticos e outros.



Esforços para regular a poluição marinha
Desde a Convenção MARPOL (1973), a principal Convenção que abrange a prevenção da poluição do meio marinho por navios, causada de forma operacional ou acidental, muitos esforços nacionais e transnacionais têm procurado compreender melhor e regular a poluição marinha.



Estes esforços têm conduzido a resultados tangíveis nas formas de melhorar a cultura ambiental, através de acordos internacionais e legislação, nomeadamente, (i) o Protocolo de MARPOL a partir de 1978, atualizado ao longo dos anos com sucessivas alterações (ii) a Comunicação da Comissão ao Parlamento Europeu, ao Conselho, ao Comité Económico e Social Europeu e ao Comité das Regiões sobre uma política marítima integrada para a União Europeia (COM(2007) 574) (iii) a Diretiva 2008/56/CE do Parlamento Europeu e do Conselho que estabelece um quadro de ação comunitária no domínio da política para o meio marinho (Diretiva-Quadro “Estratégia Marinha”) em que os Estados-membros devem desenvolver atividades para alcançar “um bom estado ambiental” nos mares europeus até 2020 (iv) a Convenção OSPAR (Convenção para a Proteção do Meio Marinho do Atlântico Nordeste), um instrumento legislativo vigente desde 1998, que regula a cooperação internacional em matéria de proteção ambiental no Atlântico Nordeste. Combina e atualiza a Convenção de Oslo de 1972 sobre o despejo de resíduos no mar e a Convenção de Paris adotada em 1974 sobre fontes de poluição marinha terrestres (v) a Public Law 109 – 449, de dezembro 2006 (EUA) com vista ao estabelecimento de um programa para ajudar a identificar, determinar as fontes, avaliar, reduzir e evitar detritos marinhos e os seus efeitos adversos sobre o ambiente marinho e segurança da navegação.



Estes esforços legislativos refletem a sensibilização da sociedade para com a poluição costeira e de mar aberto.



Possíveis soluções
A UNEP, a agência das Nações Unidas que coordena as suas atividades ambientais e ajuda os países em desenvolvimento na implementação de políticas e práticas ambientalmente saudáveis recomenda, entre outras, as seguintes medidas para minimizar o impacto negativo dos detritos marinhos, enfatizando que a prevenção é mais efetiva e mais barata do que o combate a um problema já instalado (Jeftic et al., 2009):


- Reforço e melhoria internacional da legislação sobre o lixo e sua fiscalização;
- Estabelecimento de programas de monitorização;
- Educação do público em larga escala conduzindo à mudança de hábitos, fazendo-o entender a importância do problema, seu papel nas causas, e ensinando formas de preveni-lo e mitigá-lo, dirigindo-se especialmente ao público que vive no litoral e aos turistas;
- Reestruturação do setor pesqueiro, introduzindo métodos e materiais de pesca menos danosos ao ambiente;
- Incrementar a eficiência e segurança dos sistemas de manuseamento de lixo dos navios de transporte de carga e passageiros;
- Incentivar a pesquisa e o intercâmbio de informações, a cooperação global, preparando mais pessoal técnico;
- Dedicar mais incentivos e recursos a infraestruturas sanitárias e a programas de redução do lixo e de manuseamento correto dos resíduos.



Conclusões
Os primeiros relatos de lixo plástico nos oceanos no início dos anos 70 (Colton et al., 1974) chamaram a mínima atenção da comunidade científica. Atualmente, apesar do reconhecimento generalizado do problema, a quantidade de detritos de plástico encontrada no meio ambiente continua a aumentar, resultado da sua crescente utilização.



Na sociedade contemporânea, o plástico alcançou um estatuto fundamental, com vasta aplicação comercial, industrial e medicinal. A procura é considerável.



As tendências de produção, padrões de uso e as mudanças demográficas e a natureza descartável de artigos de plástico resultará num aumento da incidência de plásticos e detritos microplásticos, no ambiente marinho.



O meio marinho é um património precioso que deve ser protegido, preservado e, quando exequível, recuperado com o objetivo último de manter a biodiversidade e de possibilitar a existência de oceanos e mares diversos e dinâmicos, limpos, sãos e produtivos. Os detritos marinhos, em especial os plásticos, são um desafio de grandes proporções que cresce a cada dia, é uma das mais omnipresentes formas de poluição e tem dado enormes prejuízos, e por isso tem chamado a atenção internacional, mas as medidas até agora adotadas têm sido insuficientes para a reversão de um quadro que é muito preocupante e cuja repercussão é de longo prazo.



De acordo com Jambeck et al. (2015), a “remoção em grande escala de detritos marinhos de plástico não vai ser rentável e muito provavelmente simplesmente inviável”. “Isso significa que precisamos para evitar plástico de entrar nos oceanos, em primeiro lugar de uma melhor gestão dos resíduos, mais reutilização e reciclagem, melhor design de produto e materiais de substituição”.


Definitivamente, o oceano tem de deixar de ser o principal sumidouro de plásticos.



Referências
Allsopp, M., Walters, A., Santillo, D. & Johnston, P. (2007). Plastic Debris in the World’s Oceans. Greenpeace.
Barnes, D. K. A., Galgani, F., Thompson, R. C., & Barlaz, M. (2009). Accumulation and fragmentation of plastic debris in global environments. Philosophical Transactions of the Royal Society B, 364, 1985–1998.
Bergmann, M., & Klages, M. (2012). Increase of litter at the Arctic deep-sea observatory HAUSGARTEN. Marine Pollution Bulletin, 64, 2734–2741.
Browne, M. A., Galloway, T., & Thompson, R. (2007). Microplastic – an emerging contaminant of potential concern? Integrated Environmental Assessment and Management, 3(4), 559–561.
Claessens, M., De Meester S., Van Landuyt L., De Clerck K., Janssen C.R. (2011). Occurrence and distribution of microplastics in marine sediments along the Belgian coast. Marine Pollution Bulletin, 62(10), 2199-204.
Colton, J. B., Knapp, F. D., & Burns, B. R. (1974). Plastic particles in surface waters of the northwestern Atlantic. Science, 185(4150), 491–497.
Heinemann, B. and the Open University (1998). Ocean circulation. Oxford University Press.
Hoornweg, D., Bhada-Tata, P., & Kennedy, C. (2013). Waste production must peak this century. Nature, 502(7473), 615-617.
Jambeck, J. R., Geyer, R., Wilcox, C., Siegler, T. R., Perryman, M., Andrady, A., Narayan, R., & Law, K. L. (2015). Plastic waste inputs from land into ocean. Science, 347(6223), 768-771. DOI: 10.1126/science.1260352
Jeftic, L., Sheavly, S. & Adler, E. (2009). Marine litter: a global challenge. United Nations Environment Programme: Nairobi.
Lusher, A. L., McHugh, M., & Thompson, R. C. (2013). Occurrence of microplastics in the gastrointestinal tract of pelagic and demersal fish from the English Channel. Marine Pollution Bulletin, 67, 94- 99.
Madan, S. & Madan, P. (2009). Marine Debris. Global Encyclopaedia of Environmental Science, Technology and Management. Global Vision Publishing House.
Murray, F., & Cowie, P. R. (2011). Plastic contamination in the decapod crustacean Nephrops norvegicus (Linnaeus, 1758). Marine Pollution Bulletin, 62(6), 1207-1217.
NOAA (2009). Proceedings of the International Research Workshop on the Occurrence, Effects and Fate of Microplastic Marine Debris. NOAA Marine Debris Programme, NOAA Technical Memorandum NOS-OR&R-30.
OSPAR (2010). Quality Status Report 2010. London, United Kingdom.
Plastics Europe (2012). An Analysis of European Plastics Production, Demand and Waste Data for 2011. Plastics Europe, Brussels.
Rochman, C. M., Browne, M. A., Halpern, B. S., Hentschel, B. T., Hoh, E., Karapanagioti, H. K., Rios-Mendoza, L. M., Takada, H.,Teh, S. & Thompson, R. C. (2013). Classify plastic waste as hazardous. Nature, 494, 169-171.
Zarfl, C., Fleet, D., Fries, E., Galgani, F., & Gerdts, G. (2011). Microplastics in oceans. Marine Pollution Bulletin, 62(8), 1589-1591.
Zarfl, C., & Matthies, M. (2010). Are marine plastic particles transport vectors for organic pollutants to the Arctic? Marine Pollution Bulletin, 60(10), 1810–1814.
Alexandra Leitão é Professora Auxiliar na Católica Porto Business School, onde foi Diretora das Licenciaturas em Economia e Gestão de 2011 a 2013. Doutorada em Economia, com especialização em Economia do Ambiente, pela Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa. Mestre em Finanças, pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto. Licenciada em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto. Tem interesses de investigação e publicações em Economia do Ambiente e dos Recursos Naturais, com comunicações em diversas conferências internacionais. Publicou na Ecological Economics. Referee em revistas científicas internacionais.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 13/03/2017


"A poluição do meio marinho por detritos de plástico: visão geral, artigo de Alexandra Leitão," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 13/03/2017, https://www.ecodebate.com.br/2017/03/13/poluicao-meio-marinho-por-detritos-de-plastico-visao-geral-artigo-de-alexandra-leitao/.

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Zee prova que mais uma vez o meio ambiente será vitima da irracionalidade governamental.

Conselho Comunitário do Lago Sul
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Reunião sobre novo Zoneamento Ecológico-Econômico de Brasília (ZEE) - reunião da SEMA e SEGETH/GDF realizada em 11/3/17  na sede do CREA - Relato

A- projeto apresentado pelo GDF/SEGETH
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1) foi apresentada pela equipe da SEMA/SEGETH proposta de novo zoneamento para Brasília, com tabelas e números bem destacados. Foi distribuída brochura impressa, com página inicial contendo introdução assinada pelo governador.  Brochura trouxe o zoneamento, com tabelas e números bem destacados. Os mapas foram pouco detalhados, impossibilitando aos moradores de cada bairro/quadra visualizarem que consequências exatas o zoneamento traria para cada bairro ou quadra (perda de área verde, surgimento de áreas comerciais, novas vias de conexão, etc)

- pela forma como a proposta de zoneamento foi apresentada na brochura impressa, em cores, ótimo acabamento e introdução pelo governador do DF, alguns entre os presentes entenderam que se tratava de fato consumado. Foram prestados esclarecimentos entre os próprios participantes de que, não obstante o formato da publicação,  tratava-se ainda de uma proposta e, como tal, potencialmente aberta a todas as alterações que venham a se mostrar necessárias.

2) Foi explicitado claramente (embora sem mapas) pelos funcionários da SEMA/SEGETH o objetivo de adensamento da ocupação de bairros residenciais (incluindo os Lagos N e S), com os argumentos de:
- descontrole do crescimento do Entorno
- baixa densidade per capita de bairros como os Lagos N e S, reduzida  ainda mais nos últimos anos, em decorrência da diminuição do tamanho médio das famílias
Obs: não foi explicitado como se daria o proposto adensamento, tendo alguns participantes compreendido ter sido idealizado às expensas das áreas verdes  do projeto urbanístico original de Lucio Costa . Assunto não foi explicitado pelo GDF.

3) objetivo de definir uso misto em todos os bairros, mesmo os que são hoje predominantemente residenciais, com alegação de que isso traria uma dinamização da economia (não foi explicado como o zoneamento, por si só, compensaria o atual colapso do comércio local, resultante hoje em inúmeros imóveis vazios em áreas comerciais). Palestrantes do GDF indicaram ao público (composto por grande número de estudantes de arquitetura) que o ZEE traria empregos para profissionais recém-formados; não foram apresentados esclarecimentos, contudo, sobre a vinculação entre o ZEE e a geração de empregos para jovens profissionais

4) tentativa de ligar o proposto zoneamento à consequente redução (não explicado exatamente de que forma)  das desigualdades sociais em Brasília

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B) Dinâmica da audiência
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Após a exposição feita pela SEMA/SEGETH, foi franqueada a palavra para participantes, tendo havido manifestações relevantes de todas as regiões administrativas do DF.

Os depoimentos foram contundentes; todos falaram que o ZEE proposto pelo gdf não está pronto para ser levado a votação pela Câmara Legislativa do DF. Foram apontadas muitas incorreções, ausência de mapas explicativos essenciais e  ambiguidades no texto.

Representantes do Park Way, Lago Sul, Lago Norte, Asa Sul e Asa Norte rechaçaram o uso misto proposto para as residências, por  entenderem não haver justificativas para medida passível de descaracterizar bairros residenciais sem ganhos significativos resultantes.

ICM-BIO (Instituto Chico Mendes - Min.Meio Ambiente) manifestou-se contra o que caracterizou como uma série de contradições e incongruências do ZEE, pois as unidades de conservação, APAS e áreas protegidas não estão  representadas e nem garantida sua proteção ou a proteção doa corredores de vida silvestre.

A ADASA foi no ponto ao afirmar que os mapas de recursos hídricos com os riscos ambientais e serviços ecossistêmicos também não foram considerados e incorporados às explanações,  provocando distorções nas áreas que não estão sendo protegidas como deveriam - como é o caso do Lago Paranoá e os seus tributários, responsáveis pelo abastecimento de água do próprio lago .

O diálogo foi muito produtivo e deixou claro para os presentes que o texto preparado pelo GDF, da forma como apresentado, não atende aos interesses dos moradores de nenhum dos bairros potencialmente afetados.

O Conselho Comunitário do Lago Sul, a Associação Park Way Residencial e outras lideranças protocolaram documentos solicitando aos órgãos responsáveis do gdf alterações específicas no ZEE.

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C) Próximos passos
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O Secretário da SEMA, André Lima, indicou que convocaria nova audiência. Mais tarde, retificou a informação, indicando que convocaria  uma consulta pública. Por haver diferença relevante entre os aspectos jurídicos das duas modalidades, participantes do encontro encareceram que fosse convocada nova audiência. Aguarda-se posicionamento por parte do gdf.

- Para ser aprovado, o ZEE precisará ser levado à Câmara Legislativa do DF e aprovado pelos deputados distritais

- As lideranças dos bairros residenciais potencialmente mais afetados pela legislação proposta seguirão acompanhando o tema de perto, para que não seja aprovada legislação prejudicial aos interesses das comunidades. Será essencial, nesse processo, o empenho dos moradores dos bairros potencialmente afetados

sexta-feira, 10 de março de 2017

Organizando os armários de tarântulas


Por Vandré Fonseca
A Avicularia avicularia, descrita por Linnaeus no século XVIII. Uma tarântula que ficou famosa por ser capaz de atacar até mesmo pássaros. Foto: Divulgação.
A Avicularia avicularia, descrita por Linnaeus no século XVIII. Uma tarântula que ficou 
famosa por ser capaz de atacar até mesmo pássaros. Foto: Divulgação.


Manaus, AM -- A análise de novas coletas e de espécimes depositadas em museus de todo o mundo revelou a existência de três espécies até agora desconhecidas e levou à definição de três novos gêneros de tarântulas do grupo Avicularia.


O estudo desenvolvido pelos aracnólogos Carolina Sayuri Fukushima e Rogério Bertani, do Instituto Butantan, de São Paulo (SP), foi publicado esta semana na revista científica de acesso aberto ZooKeys. 


As aranhas avicularia, conhecidas como comedoras de pássaro, foram descritas pela primeira vez por Carl Linnaeus, em 1758, e ganharam o nome inspirado por uma ilustração do século XVII em que uma delas aparecia devorando uma ave. 


Porém, como explica Carolina Fukushima, havia uma grande confusão na classificação e definição das características que definem essas aranhas. Ao longo dos séculos, segundo ela, espécies com características completamente diferentes foram identificadas como Avicularia, criando uma grande bagunça. 


Depois de um grande trabalho de investigação, os pesquisadores brasileiros propõem uma nova classificação das espécies para 49 espécies do grupo, que inclui mudanças de status de espécies conhecidas, novas espécies e novos gêneros.
Legenda: As cores metálicas de um indivíduo juvenil do novo gênero de aranhas, Ybirapora. Essas são encontradas na Mata Atlântica. Foto: Rogério Bertani.
As cores metálicas de um indivíduo juvenil do novo gênero de aranhas, Ybirapora. Essas são encontradas na Mata Atlântica. Foto: Rogério Bertani.


As aviculárias ganharam três novos gêneros, que agora passam a ser doze. Entre os novos, Caribena e Antillena incluem espécies encontradas no Caribe. O gênero Ybirapora, palavra em Tupi que pode ser traduzida como “aquelas que vivem em árvore”, designa um grupo brasileiro que vive na Mata Atlântica.


A autora da ilustração que inspirou a fama do gênero, cientista pioneira e artista Maria Sybilla Merian, que viveu entre 1647 e 1717, foi homenageada na denominação de uma das novas espécies, a A. merianae, uma tarântula peruana.


A A. lynnae é uma espécie nova, identificada a partir de coletas feitas no Peru e Equador. O nome é uma homenagem a Lynn West, mulher de um especialista em aranhas, Rick West. A outra espécie nova, A. caei, foi batizada em homenagem a um amigo dos pesquisadores. Até agora, só foi encontrada na região do Lago de Juriti, no Pará.

Saiba Mais
Artigo: Taxonomic revision and cladistic analysis of Avicularia Lamarck, 1818 (Araneae, Theraphosidae, Aviculariinae) with description of three new aviculariine genera.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Recorde de degelo global em janeiro e fevereiro de 2017, artigo de José Eustáquio Diniz Alves




“Para cada mil pessoas dedicadas a cortar as folhas do mal,
há apenas uma atacando as raízes”.
Duzentos anos do nascimento de Henry Thoreau (1817-1862)

from NSIDC sea ice concentration data

[EcoDebate] Não há mais como contestar. Os negacionistas das mudanças climáticas perderam totalmente seus argumentos, claramente, anticientíficos. O degelo global bateu todos os recordes em janeiro e fevereiro de 2017. Depois de três anos (2014, 2015 e 2016) de temperaturas muito elevadas, sem precedentes no Holoceno (últimos 10 mil anos), a desglaciação do Ártico, da Groenlândia, da Antártica e dos glaciares atingiu um recorde, como mostra o gráfico acima (ArctischePinguin – ver link abaixo).


A tendência de queda é clara ao longo dos últimos 40 anos. A curva acima tem uma distribuição bimodal, pois o hemisfério Norte tem pico de gelo em fevereiro, quando o hemisfério Sul está no vale (mínimo de gelo), sendo que em julho a Antártica está no máximo de gelo e o Ártico no mínimo. O máximo do gelo global acontece entre outubro e novembro. Seguindo as curvas anuais (todas com este mesmo tipo bimodal de distribuição), nota-se que elas mostram uma tendência de queda em relação à média de 1981-2010, embora haja oscilações anuais de curto prazo, diferentes da tendência de longo prazo.


Porém, chama a atenção que o padrão de queda na extensão de gelo, desde setembro de 2016, não tem paralelo nos últimos 40 anos, quando se começou as medidas por satélite. A curva de 2016 sofreu uma queda abruta no último trimestre do ano (outubro a dezembro) e continuou batendo recordes de baixa nos dois primeiros meses de 2017.


A tendência de queda nos meses de janeiro e fevereiro é clara no Ártico, como mostram os gráficos abaixo da NSIDC – National Snow & Ice Data Center. O ano de 2011 havia batido os recordes dos anos anteriores. O degelo nos meses de janeiro e fevereiro entre 2012 e 2016 foi um pouco menor do que em 2011. Mas, em 2017, o nível de gelo no Ártico ficou abaixo de qualquer outro período anterior. O Ártico foi atingido por ondas de calor (para os padrões do inverno ártico) nunca vistos, consequentemente, a formação de gelo foi menor. A vida dos animais do polo Norte corre sério perigo de extinção. A tendência do degelo é evidente pelos gráficos abaixo.

extent anomalies

Ao contrário do Ártico, a Antártica estava aumentando a extensão de gelo desde 1978. As causas deste aumento são complexas e envolvem a força dos ventos, as correntes marinhas, o ciclo hidrológico, etc. Todavia, nunca, desde o início da medição por satélites, a extensão do gelo nos meses de janeiro e fevereiro, foi tão grande como em 2014 e 2015. Mas essa tendência foi revertida e a redução do gelo na Antártica foi enorme em 2016 e bateu todos os recordes negativos em 2017, como pode ser visto nos gráficos abaixo.

extent anomalies

Uma das constatações do degelo é que uma imensa rachadura na plataforma de gelo Larsen C cresceu profundamente em dezembro de 2016 e falta pouco para que um imenso bloco de cerca de 5 mil km² (equivalente a área do País de Gales ou da Região Metropolitana do Rio de Janeiro) se desprenda da plataforma Larsen C.


Os gráficos abaixo da NSIDC – National Snow & Ice Data Center – mostram, com dados diários, que a extensão de gelo no Ártico e na Antártica nos últimos 4 meses está bem abaixo da média do período 1981-2010 e bem abaixo desta média mesmo quando se considera o desvio padrão da variabilidade natural (área em cinza). Também está abaixo das curvas mais baixas já existentes. Ou seja, nunca se viu tanta perda de gelo como tem acontecido em janeiro e fevereiro de 2017.

arctic and antarctic sea ice extent

As imagens abaixo mostram o máximo de gelo no inverno da Antártica nos meses de setembro de 2015 e 2016. Mostra também que o nível de gelo no verão da Antártica no mês de fevereiro de 2017 está muito abaixo do nível do mesmo mês em 2016.

sea ice extent sea ice extent

Além do Ártico e da Antártica, há mais duas áreas que estão contribuindo, de maneira acelerada, com o processo de desglaciação: a Groenlândia e os glaciares do Canadá. Assim, o aumento do nível dos oceanos é inexorável e trata-se de saber apenas quanto e quando isto vai ocorrer.


Artigo de John Abraham, no jornal Guardian (24/02/2017), mostra que a perda de gelo da Groenlândia aumentou substancialmente nas últimas décadas e é responsável agora por aproximadamente 1/3 ao aumento total do nível do mar. Observa-se que as águas ao redor da Groenlândia estão como se estivessem de cabeça para baixo.


A água quente e salgada, que é pesada, fica abaixo de uma camada de água fria e fresca do Oceano Ártico. Isso significa que a água quente está no fundo, e as geleiras sentadas em águas profundas podem estar em apuros. À medida que a água quente ataca as geleiras marinhas (geleiras que se estendem para o oceano), o gelo tende a quebrar e partir, recuando em direção à terra.



 Em alguns casos, os glaciares recuam até que sua linha de aterramento coincida com a costa. Mas em outros casos, a superfície ondulante permite que a água quente use a parte inferior da geleira para longas distâncias e, assim, aumentar o risco de grandes eventos de “parto”. Muitas vezes, quando as geleiras perto da costa se rompem e descascam, o outro gelo pode então fluir mais facilmente para os oceanos.

greenland melt extent 2016

Artigo de Nicole Mortillaro, na CBC News (20/02/2017), mostra que as geleiras do Canadá estão respondendo rapidamente ao aquecimento do Ártico e são, atualmente, um dos principais contribuintes para a elevação do nível do mar. Pesquisadores da University of California Irvine estudaram dados coletados de 1991 a 2015 sobre geleiras encontradas nas ilhas Rainha Elizabeth no Ártico. Eles descobriram que, de 2005 a 2015, o derretimento superficial desses glaciares aumentou em 900%.


Há duas maneiras pelas quais os glaciares perdem gelo: o derretimento superficial e a descarga de icebergs, conhecidos como partos. Antes de 2005, a massa perdida das geleiras nas ilhas da rainha Elizabeth foi compartilhada quase igualmente entre os dois, em 48% e 52%, respectivamente.
No entanto, após 2005, o derretimento da superfície tornou-se o principal contribuinte da perda de gelo: agora representa 90% das perdas totais na região. Eles passaram a derramar três gigatons de água anualmente para 30 gigatons – algo que tem sérias consequências. Enquanto a Groenlândia e a Antártida possuem a maior quantidade de água doce do mundo sob a forma de geleiras e lençóis de gelo, o Canadá também tem sua parcela significativa. O país é o lar de cerca de 20 por cento das geleiras do mundo e, como resultado, é o terceiro maior contribuinte para a mudança do nível do mar.

queen elizabeth islands

O gráfico abaixo dá destaque para os dois primeiros meses dos anos de 1978 a 2017. Nota-se que a extensão de gelo global é a menor em 40 anos, bem abaixo de 2015 e 2016 e bem abaixo da média 1981 a 2010 (mesmo considerando o desvio padrão). Este recorde negativo de degelo é preocupante e indica que o mundo vai caminhar para uma era de grande inundação.

global ice extent

O filme “Before the Flood” retrata como a civilização está gerando problemas crescentes no Planeta e é um poderoso instrumento de conscientização dos problemas climáticos e da grave crise ambiental por que passa a humanidade. Esta crise tende a se agravar quando o governo Donald Trump (conforme discurso no Congresso de 28/02/2017) corta os gastos para a proteção do meio ambiente e aumenta os gastos militares, além de incentivar o consumo conspícuo.


Enquanto a governança global está sobre ameaça devido ao crescimento do nacionalismo e do militarismo, o Acordo de Paris está sob ameaça. Mas o aquecimento não arrefece e o declínio do volume global de gelo é uma realidade inquestionável como mostra o gráfico abaixo.

declínio do volume global de gelo nos dois hemisférios

O fato inescapável é que o aumento das emissões de gases de efeito estufa (a queima de combustíveis fósseis, liberação de gás metano na pecuária e no permafrost, etc.) eleva a temperatura da atmosfera e dos oceanos e aumenta o degelo global, acelerando a elevação do nível dos oceanos. A Groenlândia tem o potencial de elevar os oceanos em 6 metros e a Antártica em 60 metros. O degelo total pode provocar a subida em mais de 70 metros. Mas apenas 3% de degelo já seria para elevar as águas marinhas em mais de 2 metros, nível suficiente para provocar grandes danos.


Há dois bilhões de pessoas que vivem a menos de dois metros do nível do mar no mundo. O naufrágio das áreas costeiras vai, dentre outros efeitos, agravar o problema dos deslocados. A crise dos refugiados da guerra da Síria vai parecer um acontecimento trivial perto da crise gerada pela invasão das águas salgadas nas costas litorâneas de todo o mundo.


Referências:
ALVES, JED. O alarmante declínio do volume global de gelo no Planeta, Ecodebate, 13/02/2017
ALVES, JED. O colapso do gelo da Antártica e o aumento do nível do mar, Ecodebate, 17/02/2017
Nicole Mortillaro. As Arctic warms, Canada’s glaciers playing major role in sea level rise, CBC News, 20/02/2017
Brandon Miller. Antarctic sea ice reaches record low, CNN, 16/02/2017
John Abraham. OMG measurements of Greenland give us a glimpse of future sea rise, Guardian, 24/02/2017
Leonardo DiCaprio. Before the Flood (Legendado em português), National Geography, 31 de out de 2016 https://www.youtube.com/watch?v=aV9w_chyuf4
Chris Mooney. Antarctic ice has set an unexpected record, and scientists are struggling to figure out why, Washington Post, 01/03/2017
ArctischePinguin https://sites.google.com/site/arctischepinguin/home/global-sea-ice
NSIDC – National Snow & Ice Data Center: https://nsidc.org/data/seaice_index/

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 03/03/2017


"Recorde de degelo global em janeiro e fevereiro de 2017, artigo de José Eustáquio Diniz Alves," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 3/03/2017, https://www.ecodebate.com.br/2017/03/03/recorde-de-degelo-global-em-janeiro-e-fevereiro-de-2017-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/.