sexta-feira, 6 de julho de 2018

Brasil será ‘paraíso dos agrotóxicos’, diz pesquisador da Fiocruz



Para Fernando Carneiro, da Fiocruz, deixar o registro de novos produtos a cargo de Ministério da Agricultura, como prevê projeto de lei, representa perigo para a população brasileira

Por Anna Beatriz Anjos, da Agência Pública
Cerca de 30% dos alimentos no país já estão fora do padrão de segurança
Pesticidas podem diminuir QI das crianças e provocar vários tipos de câncer
Riscos se agravam pela falta de capacidade do Estado de monitorar o uso
Na última segunda-feira (25), a comissão especial criada na Câmara dos Deputados para discutir o projeto de lei 6.299/2002, que propõe alterações na atual legislação de agrotóxicos, aprovou texto que divide opiniões. De um lado, empresários do agronegócio comemoram o parecer do relator Luiz Nishimori (PR-PR) sob o argumento de que moderniza a aprovação e regulação dos pesticidas. Do outro, organizações de promoção à saúde coletiva e defesa do meio ambiente afirmam que o relatório flexibiliza significativamente o processo, o que representa riscos não só aos trabalhadores do campo, mas também aos consumidores dos alimentos expostos aos agrotóxicos.
O pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) do Ceará Fernando Carneiro engrossa o coro do segundo grupo. Integrante do Grupo Temático Saúde e Ambiente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e coordenador do Observatório da Saúde das Populações do Campo, da Floresta e das Águas (OBTEIA), ele garante que as mudanças na lei significam um “retrocesso gigantesco”.
Para Carneiro, um dos pontos mais críticos trazidos pelo texto – que agora vai a plenário – é a centralização das avaliações de novos produtos e autorização de registros no Ministério da Agricultura, em detrimento da estrutura tripartite de regulação – a lei em vigor determina que os ministérios da Saúde e Meio Ambiente também atuem nas análises. “O processo fica concentrado em um órgão totalmente dominado pelo agronegócio, então o risco é de realmente haver a aprovação de substâncias que possam causar todo tipo de problema”, declara.
Por que o senhor considera que o PL 6.299/2002 represente um retrocesso?
Há 60 anos, Rachel Carson, bióloga norte-americana, escreveu “A primavera silenciosa”, um clássico da literatura ambientalista, que marca o movimento ambiental mundial e ficou muitos meses entre os livros mais vendidos dos Estados Unidos. Teve uma repercussão tão grande que o governo americano criou uma comissão de cientistas comprovando tudo o que ela havia pesquisado, o que gerou, inclusive, a criação da agência de proteção ambiental nos Estados Unidos. Nós, em 2015, publicamos o dossiê Abrasco, com quase 700 páginas e mais de 60 autores colocando isso. Só que o que a gente vê hoje com esse PL é que, em vez de fazermos um movimento para cuidar da saúde da população e do meio ambiente, estamos vendo exatamente o contrário. O PL é a liberalização, o desmonte do aparato regulatório brasileiro do registro de agrotóxicos, com a perspectiva de permitir, inclusive, que substâncias muito mais danosas à saúde adentrem nosso mercado. Estamos assistindo a um retrocesso gigantesco. Era para estarmos diminuindo, mas estamos potencializando o uso.
Quais riscos – sociais, ambientais e para a saúde pública – essa proposta representa?
Vai ter um impacto direto na saúde do trabalhador, do consumidor brasileiro, da população. Você de repente concentra [o processo de avaliação e aprovação dos agrotóxicos] na agricultura, tirando o papel da saúde e do meio ambiente de olhar a questão por seus ângulos – a saúde pela Toxicologia e o meio ambiente pela Ecotoxicologia. O processo fica concentrado em um órgão totalmente dominado pelo agronegócio, então o risco é de realmente haver a aprovação de substâncias que possam causar todo tipo de problema, tanto de saúde quanto de contaminação do ambiente, o que representa um risco à vida como um todo. Os danos causados pelos agrotóxicos são de várias ordens. Isso que querem chamar de defensivo é um veneno, causa efeitos imediatos e crônicos, desde câncer e até diminuição de QI em crianças. Isso para não falar nos impactos na cadeia alimentar, na nossa fauna. É muito grave o que está acontecendo.
O uso de agrotóxicos ainda parece um tema distante na realidade urbana – não são todos os consumidores que se preocupam com isso quando vão ao mercado, por exemplo. Quais os riscos à saúde desse consumidor final?
Para fazer estudos de seguimento e analisar essas questões, pode-se levar 20, 30 anos. São estudos caros e complexos; há a carga hereditária e a carga ambiental de doenças, é necessário que os estudos controlem esses fatores. Mas isso não tem sido prioridade na ciência brasileira. O agronegócio capitaliza o lucro e socializa o prejuízo: analisar uma amostra de agrotóxico no ambiente pode custar mil reais, e poucos laboratórios fazem isso no Brasil.
Estamos liberando uma substância que não temos a capacidade de monitorar e vigiar. É caro e o ônus fica para o setor público – o ônus da pesquisa, da vigilância –, enquanto eles capitalizam em cima disso – e a maior parte dos agrotóxicos no Brasil nem paga imposto, em vários estados eles têm 100% de isenção. O que já se fez nesse sentido foi por meio da Anvisa, através do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos [PARA]. A série histórica que apresentamos no dossiê da Abrasco [com base em dados da Anvisa] dos últimos dez anos mostra que 70% dos alimentos consumidos pelos brasileiros têm resíduos de agrotóxicos e 30% estão irregulares.
Então, pelo menos, um terço do que a gente come está fora do padrão, ou seja, tem potencial de dano. Recentemente eles mudaram para essa metodologia de avaliação de riscos e, de um ano para o outro, de repente, esses 30% viraram 1%. A substância é carcinogênica, mas na avaliação de risco, que o PL quer implantar, você tem premissas. Quais são elas? A pessoa vai estar com luva e com máscara. Estando com isso, o risco é aceitável. Agora, vamos olhar para a realidade do Brasil. Como é possível aceitarmos premissas desse tipo sendo que o trabalhador não usa [as proteções], é caro, o patrão não paga o equipamento, que também não é adequado à nossa realidade, é quente. A premissa da avaliação de risco é que tudo isso está funcionando muito bem, cabe tudo no modelo teórico. Esse é o cavalo de troia desse projeto de lei: mudar de avaliação de perigo para avaliação de risco.
Para Fernando Carneiro, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) do Ceará, um dos pontos mais críticos trazidos pelo texto é a centralização das avaliações de novos produtos e autorização de registros no Ministério da Agricultura
Para Fernando Carneiro, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) do Ceará, um dos pontos mais críticos trazidos pelo texto é a centralização das avaliações de novos produtos e autorização de registros no Ministério da Agricultura. Foto: Abrasco
Outra questão apontada como delicada pelos críticos do projeto é a criação do registro temporário para produtos que já sejam registrados em pelo menos três países membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e que obedeçam ao código da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Você pensa da mesma forma?
Estão dizendo que existe uma tal burocracia, que leva-se até oito anos para obter o registro de um agrotóxico no Brasil, mas isso é fake news porque compara a estrutura de países como Brasil e Estados Unidos. Na Anvisa há 20 ou 30 técnicos para analisar os pedidos de [registro] de agrotóxicos, na FDA [Food and Drugs Administration], a similar norte-americana, são 700. Aqui uma empresa paga poucos mil reais para fazer o processo de registro, nos Estados Unidos pode chegar a um milhão. A fila aqui é grande porque não se investe na capacidade de órgãos reguladores e porque é barato registrar, sendo que o registro é eterno – para você tirar um produto de circulação, tem que fazer uma reavaliação a partir de denúncia etc. O registro temporário é para forçar a barra e, em vez de investir na capacidade de análise dos órgãos – fazendo concurso, pagando equipe –, colocar uma faca no pescoço do órgão e dizer “se você não liberar o pedido em dois anos, o produto entra no mercado”. Eles falam dos problemas, mas o PL não é solução para nenhum deles. Ele está longe de resolver o problema da população, só resolve o problema das empresas. Vai virar o paraíso dos agrotóxicos, porque já é barato e eterno, vai poder tudo.
Ao discutir a flexibilização da legislação de agrotóxicos, o Brasil segue uma tendência mundial ou vai na contramão dos países mais desenvolvidos?
Vai totalmente na contramão. Na Europa, foram colocadas mais restrições [ao uso de agrotóxicos]; a própria China, que tem um modelo selvagem de desenvolvimento, tem feito ações desse tipo. O Brasil está na contramão da história mundial. Lembra um pouco a década de 80, na época de Cubatão, em que os militares diziam “poluição, venha a nós, poluição é desenvolvimento”. Está muito parecido.
Em contraposição ao PL 6.299/2002, seus críticos defendem a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos (PNARA), transformado em projeto de lei que tramita na Câmara. É possível reduzir o uso de agrotóxicos sem repensar o modelo de produção agropecuário que hoje vigora no Brasil?
O Brasil adotou um modelo que chamamos de neoextrativismo. Basicamente, nas últimas décadas nos desindustrializamos e a economia foi puxada pela exportação de bens primários, tanto agrícolas como minerais. Houve o tempo da bonança, mas depois, com a crise e a queda dos preços, esse modelo entrou em colapso. O agrotóxico simboliza o modelo capitalista selvagem. Um modelo que distribua renda e preserve os ecossistemas, acho que seria possível apenas com a aplicação plena da agroecologia.
Recentemente estive no Encontro Nacional de Agroecologia, o ENA, em Belo Horizonte, onde mais de 70% [do público] era de agricultoras e agricultores. Eles contam que começam a fazer a transição agroecológica, aí vem o vizinho com o avião, [pulveriza] o agrotóxico e as pragas fogem para onde? Para as áreas onde não há veneno. Isso causa um problema. Outra situação: escutei vários agricultores que têm caixas de abelhas, aí vem o avião e mata tudo. Vem a deriva [produzida quando o agrotóxico ultrapassa os limites da área que se pretende atingir], vai para a propriedade vizinha e dizima as abelhas.
Há também casos de aviões sendo utilizados como forma de expulsar indígenas de suas terras, usados como arma de guerra. O PNARA surge quase como uma transição: vamos pelo menos reduzir o uso de agrotóxicos e trabalhar para fortalecer a agroecologia, porque é muito desigual o apoio de um modelo em relação ao outro. Quando se definiu que 30% da merenda escolar tem que ser proveniente de agricultura familiar, preferencialmente agroecológica, foi uma canetada que ajudou a desenvolver a agroecologia em todo país. Uma simples medida como essa.
É possível criar formas de promover um modelo em relação ao outro, pois historicamente a gente vê o contrário. O agricultor que quer plantar sem veneno tem até hoje dificuldade de conseguir empréstimo no banco, porque se exige a nota fiscal fiscal do veneno, do adubo químico. É muito difícil convencer o gerente que não é necessário gastar com isso, que é possível gastar com outras coisas.
*A Agência Pública é uma organização sem fins lucrativos.
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 05/07/2018

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Ser humano e ecossistema, artigo de Roberto Naime

Ser humano e ecossistema, artigo de Roberto Naime


Ser humano e ecossistema

[EcoDebate] Antônio Leal Aidar elabora instigante reflexão no site da revista ecológica sobre as relações do indivíduo humano com o ecossistema.
Se levarmos em conta que ser do ecossistema é fazer parte de seu equilíbrio, então a resposta é negativa.
E isso explica sua importância. Por que, então, o ser humano não faz parte do ecossistema. Deveria fazer e já fez quando era um indivíduo menos complexo. Mas hoje causa desequilíbrios e destruição.
Por isso se sabe que apenas leis e normas não vão resolver os problemas, embora sejam relevantes. A civilização humana determinará nova autopoiese sistêmica, na acepção livre da concepção de Niklas Luhmann e Ulrich Beck.
Contemplando a solução dos maiores problemas e contradições exibidas pelo atual arranjo de equilíbrio. Que é um sistema instável, muito frágil e vulnerável. Para sua própria sobrevivência, o “sistema” vai acabar impondo uma nova metamorfose efetiva.
E graças a ação humana, o planeta está pedindo socorro. Parece que quando o ser humano surgiu no planeta sua condição era a de hominídeo irracional e, portanto ele estava integrado ao ecossistema, fazia parte dele como qualquer outro mamífero.
Mas a partir do domínio da inteligência, criou uma concepção de dominar a natureza. E deste determinado momento, esse hominídeo foi modificado, ganhando cada vez mais a condição de raciocinar, e isto mudou completamente a história.
Quem fez essa mudança e porquê, talvez nunca se saiba de verdade. Mas esse fato criou uma espécie nova, em condições de subjugar todas as outras e interferir de forma contundente na natureza a ponto de quebrar seu equilíbrio.
Estamos no planeta Terra, mas não fazemos parte dele, de sua natureza.
Wolf Paul da Universidade de Frankfurt contesta com sobrados argumentos os caminhos que tem tomado o direito ambiental e o próprio convívio com a natureza. Ele denomina de irresponsabilidade organizada esta situação e identifica que o direito tem se prestado para tornar o Direito Ambiental meramente simbólico.
Ele manifesta que o pensamento jurídico precisa evoluir do antropocentrismo para o ecocentrismo.
Não se pode mais conviver com uma simbologia que produz pérolas, ao ficar discutindo se lobos marinhos, leões-marinhos e focas, afetados por despejos de resíduos no mar do norte, tem personalidade jurídica ou não, se devem ou não ser classificados como coisas pelos pandecistas.
E além de recusar a ação, condenando os responsáveis pela atitude, atribuir o pagamento de custas aos demandantes entendidos como lobos marinhos, leões marinhos e focas.
O ser humano está cavando a própria sepultura, porque na verdade não é totalmente racional. O que nos falta em racionalidade gera a falsa sensação de controle sobre nossas vidas.
Alguma coisa está para mudar. Isto é o que se chama autopoiese dentro de uma acepção livre do que é o delicado equilíbrio estabelecido no que se denomina sistema social. Mas está no ar, que algo vai mudar e essa mudança colocará a civilização humana em nova trajetória.
Não vai ser fácil descer do pedestal que a civilização humana antropocêntrica construiu.
A verdade libertará todas as nossas vítimas. Mas vamos perder o comando e dividir com cada ser vivo. E será a única forma de sobrevivência do ser humano.

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.
Sugestão de leitura: Civilização Instantânea ou Felicidade Efervescente numa Gôndola ou na Tela de um Tablet [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 05/07/2018
"Ser humano e ecossistema, artigo de Roberto Naime," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 5/07/2018, https://www.ecodebate.com.br/2018/07/05/ser-humano-e-ecossistema-artigo-de-roberto-naime/.

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quinta-feira, 5 de julho de 2018

Proteger nuestro planeta para protegernos a nosotros mismos


Entender mejor los grandes desafíos a los que nos enfrentamos es esencial para que, entre todos, podamos tomar decisiones sin miedo. Una reflexión de los responsables en la FAO de la colección 'El Estado del Planeta'

Un niño en Mingkamen (Sudán del Sur).
Un niño en Mingkamen (Sudán del Sur). 
En el primer libro de esta colección [El Estado del Planeta,compuesta por 11 tomos] hacíamos un análisis preliminar de la situación del estado de la Tierra. Veíamos la botella medio llena si nos ateníamos a los avances que han mejorado el bienestar general en este último siglo.
Avances que se han concretado en logros como la disminución de la mortalidad infantil, la reducción significativa del hambre y la pobreza o los altos índices de alfabetización en el mundo (hoy el 85% de las personas saben leer y escribir).
Ahora bien, al mismo tiempo, si cambiábamos el foco, veíamos la botella medio vacía. Y aquí aparecían los desafíos más graves a los que se está enfrentando la humanidad desde que tiene conciencia de ser tal.
Nos referimos a los diferentes retos que se abordan libros de la colección El Estado del Planeta: el cambio climático, la pérdida de biodiversidad, la deforestación, la escasez de agua o el hambre y la obesidad, solo por citar algunos.
En todos ellos encontramos un denominador común: la acción devastadora del ser humano. Por decirlo de una manera más cruda: nos hemos convertido en la fuerza de la naturaleza más destructiva que haya existido jamás.
Lo más interesante y esperanzador es que la solución depende de nosotros. Frente a todos y cada uno de los desafíos, conocemos los límites. Necesitamos, por ejemplo, que la temperatura de la tierra no aumente en más de dos grados Celsius; conservar al menos el 90% de la biodiversidad (el 43% de las especies se encuentran ya amenazadas) o mantener cerca del 75% de los bosques originales de la tierra (hemos bajado a un 62%).
Pero además de conocer los límites a algunos desafíos, también conocemos la solución a otros; sabemos, por ejemplo, cómo podríamos acabar con el hambre en el mundo. O sea, que, como primera conclusión, podríamos afirmar que depende de nosotros si queremos llenar esa botella medio vacía antes de que se haga añicos y salte todo por los aires.
Depende de nosotros. Esa es la razón por la que el último libro de esta colección lo hemos titulado de la siguiente manera: ¿Qué puedes hacer tú?
En este libro hemos recogido todas las acciones que están en nuestras manos para afrontar cada uno de los desafíos mencionados. Pequeños gestos para reducir el cambio climático en casa; para conservar la biodiversidad cuando viajas, para evitar el desperdicio de agua o para recordarte lo que puedes hacer para alimentarte de manera sostenible y saludable.
Son pequeñas acciones, claro que sí, pero todas juntas suman mucho. Muchísimo. Mucho más de lo que podríamos imaginar. Para poder cambiar el mundo (nuestro planeta incluido) antes es necesario conocerlo. Saber en qué estado se encuentra.
Por eso dedicamos la primera parte del libro a recoger los mejores mapas que se han publicado en los libros anteriores. La idea era tener una visión lo más global y transversal posible sobre el estado de nuestro planeta. En definitiva, es necesario primero tomar conciencia para después tomar decisiones.
Depende de nosotros el llenar esa botella medio vacía antes de que se haga añicos
La científica y Premio Nobel Marie Curie dejó escrito que “no hay nada en la vida que debamos temer, solo debemos entender”. Pues bien, ahora es el momento de entender más, para que podamos temer menos.
Ese ha sido el espíritu que nos ha guiado al equipo que ha trabajado en esta colección: queríamos entender mejor los grandes desafíos a los que nos enfrentamos para que entre todos podamos tomar decisiones sin miedo.
Se suele decir que cuando le das al botón de pausa en una máquina, esta se detiene. Pero cuando le das al botón de pausa en un ser humano, entonces es cuando se pone en marcha. Empiezas a reflexionar, a reconsiderar tus supuestos, a imaginar de nuevo lo que es posible y, lo más importante, a reconectar con tus convicciones más profundas.
Creemos que ha llegado el momento para que reflexionemos sobre cómo queremos relacionarnos con el planeta. La manera en la que usamos sus recursos. Nuestra manera de consumir. La forma en que queremos comunicarnos, aprender, trabajar, relacionarnos.
Porque lo que cada vez está más claro es que protegiendo a nuestro planeta nos estamos protegiendo a nosotros mismos.
Enrique Yeves es director de comunicación de la FAO y Pedro Javaloyes es director de publicaciones de la agencia. Ambos dirigen la colección El estado del planeta, editada por EL PAÍS y la FAO, que analiza los principales retos a los que se enfrenta la humanidad. Cada domingo se entrega un volumen con el periódico por 1,95 €, y los 11 tomos también se pueden conseguir aquí.
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