sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Valor Econômico – Eleito deve enfrentar crise energética e pressão tarifária


Por Rodrigo Polito e Camila Maia | Do Rio e de São Paulo

O próximo presidente da República deve se deparar com uma crise energética já em seu início de mandato, em janeiro de 2019. O baixo nível previsto para os reservatórios das hidrelétricas do país, devido ao cenário ruim para as chuvas, indica que será necessário o acionamento de térmicas mais caras para poupar água.

Por enquanto, o quadro, dizem especialistas, não mostra riscos de desabastecimento de energia em 2019, mas o acionamento das térmicas só agrava o cenário de um "tarifaço". Ou seja, repasse para o consumidor de vários custos que se acumulam por pendências do setor. É consenso que a situação hídrica é grave e exigirá despacho de termelétricas mais caras para evitar um esvaziamento dos reservatórios. O problema é a remuneração das térmicas.

Para a Associação Nacional dos Consumidores de Energia (Anace), os reservatórios hidrelétricos do subsistema Sudeste/Centro-Oeste, responsável por 70% da capacidade de armazenamento de água para geração de energia do país, não vão se recuperar no próximo verão a ponto de permitir operação confortável do sistema elétrico no período seco (entre abril e novembro). Para a entidade, que reúne pequenos e médios consumidores, o cenário hidrológico desfavorável terá impacto no custo da energia de 2019.

"Que recuperação você pode ter a partir de novembro com o período úmido? Para nós, certamente não voltaremos, no fim de março do ano que vem, a um nível confortável de 50%, 55% [de armazenamento no Sudeste/Centro-Oeste], que seria o ideal para enfrentar mais um período seco", afirmou Carlos Faria, presidente da Anace. "Com isso, você tem a geração térmica que vai continuar em patamares elevados, como está hoje. Hoje temos cerca de 13 mil MW médios sendo gerados de térmicas e vamos continuar com isso."

Pelos cálculos da Anace, os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste chegarão ao fim de novembro com cerca de 22% de armazenamento. Para o fim do próximo período chuvoso, em abril, a entidade projeta um estoque de apenas 45%: "É muito ruim para enfrentar um período seco. Vamos ter a repetição do que está acontecendo neste ano". Os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste estão com 22,7% da capacidade. A última previsão oficial do operador para o fim de outubro é de 17,9%.

Em meio a este cenário e a uma sucessão presidencial, o Ministério de Minas e Energia (MME) surpreendeu ao abrir nesta semana duas polêmicas consultas públicas para viabilizar o funcionamento de termelétricas a gás natural sem contrato, com potencial de repasse de custos milionários aos consumidores. As consultas foram abertas com prazo de apenas quatro dias para contribuições, diante da alegada urgência de uma solução para o problema.

As consultas envolvem propostas de repasse ao consumidor dos custos necessários para viabilizar a operação de quatro térmicas a gás que estão com problemas na oferta do combustível: Termofortaleza (da Enel), Araucária (da Copel, com participação da Petrobras), Uruguaiana (AES Tietê) e Cuiabá (JBS).

As propostas, que implicam aumento de tarifa via encargos, surgem justamente no momento em que o ministro Moreira Franco defende a redução tarifária e a adoção de um modelo mais simples para a cobrança da energia, para que o consumidor entenda mais facilmente o que está pagando.

Na segunda-feira, o MME abriu consulta para viabilizar a geração da Termofortaleza, parada desde fevereiro por conflito entre a Enel e a Petrobras. A estatal prefere pagar multa a entregar o gás ao preço estabelecido pelo Plano Prioritário de Termelétricas (PPT), criado em 2000 às vésperas do racionamento de energia do ano seguinte. A consulta propõe que a diferença entre a tarifa do contrato da termelétrica e o novo preço cobrado pela Petrobras seria pago via encargo pelos consumidores.

No dia seguinte, foi lançada outra consulta, para viabilizar a operação das outras três térmicas que hoje estão indisponíveis por falta de gás. Nesse caso, a consulta propõe ajustar o custo variável unitário das usinas, que seria acrescido de parcela fixa referente à remuneração dos investimentos (que normalmente seriam remunerados por contrato de venda de energia de longo prazo, inexistente no caso das usinas que operam em regime de "merchant").

Além disso, o governo propõe a liquidação da energia das quatro térmicas em separado, para evitar que a inadimplência atual no mercado de curto prazo afete essas usinas.

A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) deve se posicionar contra a proposta do MME de liquidação em separado por entender que a medida é contrária ao princípio de isonomia dos agentes, segundo Talita Porto, conselheira da CCEE. A câmara estuda fazer uma contribuição às consultas públicas abertas pelo MME. O problema é que, devido ao prazo curto para o envio de contribuições, o material pode não ser concluído a tempo.

O presidente da Associação de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), Edvaldo Santana, criticou a abertura das consultas públicas com pouco tempo para o envio de contribuições, o que limita a transparência e a participação dos agentes do setor. Segundo ele, o quadro energético atual apresentado pelo governo não justifica um aumento de custos para o consumidor para suportar a operação dessas térmicas. "Se tudo está sob controle, não justifica o consumidor pagar esse impacto. Preocupa-me, além dos custos, o que pode estar acontecendo do ponto de vista energético e que nós não estejamos sabendo", disse.

Questionado sobre o assunto, Rodrigo Limp, diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), disse que a agência é favorável à solução para despacho dessas usinas, que poderiam operar no lugar de outras termelétricas mais caras, a óleo combustível e diesel.

Para o presidente do Instituto Acende Brasil, Claudio Sales, considerando o cenário de acionamento de térmicas fora da ordem de mérito, a proposta de acionamento da Termofortaleza, com remuneração por ESS, seria mais barata para o consumidor do que despachar térmicas com custo ainda mais alto.

Para justificar as propostas, o MME anexou ao material da consulta pública uma carta enviada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) com simulações feitas em agosto e que projetavam um nível de estoque dos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste entre 14,6% e 12,2% no fim de novembro.

De acordo com Leonardo Calabró, vice-presidente de operações da consultoria Thymos Energia, as projeções anexadas pelo MME estão defasadas, já que foram feitas em agosto. Pelos cálculos da Thymos, os reservatórios de todo o país chegariam a 22% ao fim do período seco, no início de dezembro, considerando o despacho fora da ordem de mérito de termelétricas. "Excluindo o despacho das termelétricas, podemos chegar ao fim de novembro com um volume próximo de 18% dos reservatórios de todo o país", disse Calabró.

Esse nível é muito baixo, mas o que se comenta no setor é que não exigiria uma proposta feita via consulta com tal açodamento.

Na última semana, a hidrologia teve leve melhora, que permitiu o desligamento de termelétricas fora da ordem de mérito (com custo superior ao preço de energia no mercado à vista). Essas oscilações de curto, no entanto, não mudam a visão dos especialistas, de que o acionamento das usinas será inevitável, assim como a alta do custo.

Correio Braziliense – Fauna esquecida


O desaparecimento de animais afeta ecossistemas e interfere na vida humana, com desequilíbrios climáticos e escassez de água, por exemplo. O problema no Brasil tem aumentado, mas parece esquecido. Em uma década, cresceu 87% a lista de bichos ameaçados de extinção. Em 2008, o Ministério do Meio Ambiente lançou um catálogo com 627 animais em risco. Hoje, o número chegou a 1.173.

Esse é somente um dos exemplos do descaso com a fauna. A preocupação de especialistas é com a falta de políticas públicas de prevenção. Nenhum dos planos de governo dos 13 presidenciáveis registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aborda especificamente a questão. Nove trazem proposições genéricas, que não resolvem as questões existentes, segundo especialistas.

Os últimos mapeamentos mostram que a Mata Atlântica está em colapso. Há 15 dias, houve mais um ataque ao meio ambiente: deputados da Assembleia Legislativa de Rondônia votaram, por unanimidade, pela extinção de uma reserva florestal que equivale a mais de meio milhão de hectares de áreas protegidas na Amazônia.

Elaborada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a Declaração Universal do Direito dos Animais completou 40 anos em janeiro. Contudo, ambientalistas criticam a ausência de políticas públicas que implementem a cartilha.

Para o professor Reuber Albuquerque Brandão, do Departamento de Engenharia Florestal da UnB, existe um recrudescimento do assunto. “A maior parcela dos candidatos encara o meio ambiente como atraso para a economia, para a indústria, para a geração de empregos. Infelizmente, temos falta de ações de várias áreas, um grande conflito na questão fundiária e na falta de planejamento para áreas de conservação de biodiversidade”, critica.

O diretor do Departamento de Conservação e Manejo de Espécies do Ministério do Meio Ambiente, Ugo Vercillo, destaca que 25% das espécies ameaçadas de extinção não são cobertas por nenhuma medida de preservação. “Ampliamos as ações de conservação, como áreas de proteção e elaboração de planos nacionais de preservação de espécies consideradas ameaçadas de extinção. Estamos firmando um acordo que trará US$ 60 milhões para que 100% das espécies estejam protegidas. O lançamento deve ocorrer até o fim do ano”, promete.

Vercillo é um dos que criticam a falta de substância nos planos. “Infelizmente, temos um processo político em que as pessoas não pensam nos problemas que existem. São planos eleitoreiros.”

Os números divulgados pelo ministério fazem parte de um levantamento de 2014 — o mais atualizado. O grupo sob maior ameaça é o de peixes continentais (leia quadro).

É possível, contudo, que esses números sejam maiores. Pesquisa divulgada na última edição da revista Plos One, publicação científica especializada, destaca que um “colapso” afeta a Mata Atlântica. Pressionada pela excessiva exploração humana, a população de mamíferos da floresta tropical foi reduzida pela metade desde o início da colonização, há cinco séculos. As principais vítimas são animais de médio e grande portes, como onças-pintadas e antas.

Os pesquisadores compararam inventários sobre a Mata Atlântica publicados nas últimas três décadas e dados sobre a biodiversidade da área na época do Brasil Colonial. A conclusão é de que a agricultura, a extração de madeira e os incêndios mitigaram drasticamente o tamanho do bioma.

As populações de mamíferos foram duramente penalizadas. Houve perdas de indivíduos em cerca de 500 espécies. “Esses hábitats estão severamente incompletos, restritos a remanescentes florestais insuficientemente grandes e presos num vórtice de extinção em aberto. Esse colapso é sem precedentes tanto na história quanto na pré-história e pode ser diretamente atribuído à atividade humana”, diz Juliano Bogoni, pesquisador de pós-doutorado na Universidade de São Paulo (USP), que liderou o estudo.

O engenheiro florestal Cesar Victor do Espírito Santo, superintendente executivo da Fundação Pró-Natureza (Funatura), pondera que a ausência de propostas nos planos de governo é um reflexo da prioridade que a sociedade dá ao tema. “É lamentável a forma marginal que os planos de governo tratam a questão, mas a situação ambiental sempre esteve num plano secundário. Temos desafios grandes para a questão ambiental no Brasil. Historicamente, temos esforços aquém do necessário. Sempre investimos o mínimo necessário”, critica.

Projeto contra a natureza

Os 18 deputados da Assembleia Legislativa de Rondônia votaram, por unanimidade, pela extinção da reserva florestal Cujubim. Em 2017, Rondônia foi o terceiro estado da região amazônica que mais desmatou: 1.252km2, contribuindo com 19% dos desmatamentos na Amazônia Legal, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O projeto da extinção ainda precisa ser sancionado pelo governador Daniel Pereira (PSB). O secretário estadual de Desenvolvimento Ambiental, Hamilton Santiago, adiantou ao Correio que o texto será vetado.

Em risco

Veja espécies ameaçadas

310 Peixes continentais

233 Aves

233 Invertebrados terrestres

110 Mamíferos

98 Peixes marinhos

80 Répteis

66 Invertebrados aquáticos

41 Anfíbios

Fonte: Ministério do Meio Ambiente

O que eles propõem

Ciro Gomes (PDT)
» Implantação das unidades de conservação já criadas no Brasil com as devidas indenizações e/ou reassentamentos e taxação à produção ilegal que reduz a sustentabilidade e piora as condições ambientais.

Eymael (Democracia Cristã)
» Proteger o meio ambiente e assegurar a todos o direito de usufruir a natureza sem agredi-la.

Geraldo Alckmin (PSDB)
» Perseguir o cumprimento das metas assumidas no Acordo de Paris.

Guilherme Boulos (PSol)
» Estabelecer princípios de atuação para empresas brasileiras no exterior, coibindo uma perspectiva puramente utilitária, predatória do meio ambiente e violadora de direitos.

Henrique Meirelles (MDB)
» Criar unidades de conservação nos arquipélagos de São Paulo e São Pedro (PE) e Trindade e Martim Vaz (ES). Programas de redução do desmatamento na Amazônia, de recuperação de nascentes e de revitalização do rio São Francisco.

João Amoêdo (Novo)
» Aumentar a coleta e o tratamento de esgoto.

João Goulart Filho (PPL)
» Rever o Código Florestal de forma que aumente a proteção do meio ambiente e garanta a produção agropecuária.

Marina Silva (Rede)
» Implementar políticas de bem-estar dos animais: os de produção, para consumo humano, de estimação, de trabalho, selvagens ou de laboratório.

Fernando Haddad (PT)
» Investir na gestão sustentável dos recursos hídricos, protegendo aquíferos e lençóis freáticos da contaminação e superexploração, recuperando nascentes, despoluindo rios e ampliando saneamento.

Não apresentam propostas:
Alvaro Dias (Podemos), Cabo Daciolo (Patriota),
Jair Bolsonaro (PSL) e Vera Lúcia (PSTU).

Fonte: planos de governo registrados pelas candidaturas no TSE

O Estado de S. Paulo – Preservar meio ambiente pode dar lucro


Mecanismos para compensar financeiramente quem preserva, como as Cotas de Reserva Ambiental, começam a ser adotados em grande escala

Cristiane Barbieri

ESPECIAL PARA O ESTADO

Aprovado há seis anos, o novo Código Florestal começa a transformar a preservação do meio ambiente em dinheiro no bolso do produtor rural. Após um longo debate sobre a constitucionalidade e a validade de dispositivos da lei, o Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu o julgamento em fevereiro e, agora, finalmente alguns instrumentos para compensar financeiramente quem preserva, começam a ser adotados em maior escala.

Entre os instrumentos, estão o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), as Cotas de Reserva Ambiental (CRAs) e os títulos verdes. Todos eles se tornaram possíveis graças ao Cadastro Ambiental Rural (CAR), que deve ser encerrado em dezembro. Até o dia 8 deste mês, por exemplo, donos de reservas particulares com planos de manejo no Paraná podem se inscrever no edital do PSA e pleitear valores que vão de R$ 10 mil a R$ 50 mil por ano.

“Todos os Estados passam por dificuldades e o Paraná não é diferente, mas os proprietários que voluntariamente têm o ônus da preservação merecem ser premiados”, diz Sueli Ota, coordenadora de biodiversidade e florestas da Secretaria de Meio Ambiente daquele Estado.

O recurso de R$ 1,2 milhão, proveniente do Fundo Estadual do Meio Ambiente, será destinado também ao monitoramento e à orientação dos proprietários por um grupo técnico, criado especificamente para o projeto. Apesar de a verba pública ser quase simbólica – e ainda restrita a poucos Estados e municípios –, os donos de terras beneficiados podem, ao mesmo tempo, fazer parte de outro mercado mais atraente: o das cotas de reserva.

Títulos a serem negociados em Bolsa, são emitidos por quem tem mais reservas florestais do que exige a lei. Quem tem menos, compra esses papéis e compensa o passivo ambiental. “É o custo mais eficiente para quem tem déficit de áreas preservadas regularizar sua situação: não é necessário abrir mão de áreas produtivas e ainda é possível ajudar uma região a ser preservada”, diz Plínio Ribeiro, presidente da Biofílica Investimentos Ambientais, especializada na gestão e conservação de florestas.

Além das cotas, os produtores com déficits de reservas podem investir em sua restauração. Demanda. Segundo Ribeiro, o passivo ambiental das propriedades rurais hoje no País gira em torno de 20 a 25 milhões de hectares. Com o encerramento do CAR, a lei exige que os produtores rurais compensem seus déficits ambientais, e a demanda pelas cotas tem crescido.

Grandes frigoríficos e usinas, por exemplo, têm tirado de sua carteira fornecedores que não ajustaram sua conduta. O mesmo acontece com os bancos, que já exigem o CAR como condicionante ao crédito rural e prometem limitá-lo a quem estiver ambientalmente irregular. Para alguns especialistas, porém, uma decisão do STF sobre o tema pode atrapalhar o andamento desse mercado.

“O tribunal entendeu que as cotas podem compensar ambientalmente áreas degradadas se forem equivalente em tamanho e estiverem no mesmo bioma, mas menciona também a necessidade de terem a mesma identidade ecológica”, afirma Rafaela Parra, advogada da VBSO e especialista no tema. Um pequeno detalhe: ninguém sabe o que é identidade ecológica.

“Já foram feitos encontros de pesquisadores e estudos técnicos, mas ninguém sabe o que é isso e esse instrumento foi enfraquecido.” Para João Adrien, diretor executivo da Sociedade Rural Brasileira, que atuou para o estabelecimento de regras da compensação ambiental, estão sendo buscadas outras alternativas para se reverter esse entendimento. Ribeiro acredita que a identidade ecológica será encarada como o bioma, com o qual técnicos e mercado estão acostumados.

Sua percepção de que o sistema continuará andando vem do fato de a Biolífica, que recebeu aporte de R$ 7 milhões de três fundos de investimento desde que foi criada, triplicou de tamanho a cada ano, nos últimos três anos. Com 2,5 milhões de hectares de floresta como lastro em seu estoque, os negócios têm crescido.

A empresa publica mensalmente um boletim de quanto valem os títulos ao proprietário, em cada bioma, segundo a oferta e a demanda. Na Mata Atlântica, um contrato de arrendamento vale em média R$ 270 por hectare por ano. Em São Paulo, chegam a R$ 400.

No bioma da Amazônia, R$ 170, sendo que em Roraima vai a R$ 190. “Uma área que só significa custo ao produtor hoje vai gerar renda equivalente ao da criação de gado, por exemplo”, diz ele.

Títulos verdes.

Mais consolidados no mercado agrícola, os títulos verdes, agora ligados ao meio ambiente, também têm crescido. Para ficar apenas num exemplo, no início do ano, a Fibria emitiu um título de R$ 700 milhões para a preservação de florestas nativas em torno de sua fábrica em Jacareí e no manejo sustentável de sua fazenda em São José dos Campos, bem como de resíduos, uso eficiente de água e energia sustentável. Segundo a Climate Bonds Initiative, entidade que estimula o mercado de capitais para soluções de mudanças climáticas, entre 2015 e 2017, o Brasil emitiu nove títulos verdes, que somaram US$ 3,67 bilhões. A grande maioria era ligada a projetos de energia e não ao agronegócio.