terça-feira, 27 de novembro de 2018

Nota de repúdio



Associação Park Way Residencial


Excelentíssimo Senhor Presidente da Câmara Legislativa

    A Associação Park Way Residencial (APWR), entidade que há mais de seis anos defende a preservação dos recursos naturais do Park Way e do DF como um todo, vem a público repudiar os acontecimentos ocorridos durante a realização do Fórum sobre a LUOS, realizado no dia 26 de novembro último no auditório da Câmara Legislativa do Distrito Federal.

    A animosidade de grande parte dos presentes, em sua maioria composta por proprietários dos lotes irregulares, contra os ambientalistas e professores universitários presentes, foi demonstrada antes mesmo do início do Fórum, através de gritos dirigidos aos moradores do Lago Sul e do Park Way e chutes ao mobiliário da Câmara Legislativa.

   Com o início dos trabalhos foram inúmeras as vezes que os   proprietários dos lotes irregulares vaiaram os discursos dos ambientalistas em favor de uma atitude mais cautelosa do governo em relação à ocupação do solo do DF, demonstrando impaciência e intolerância contra qualquer tipo de postura comedida e racional vis a vis a preservação dos recursos hídricos.   

   Tal intolerância aumentou durante as alocuções da Professora Mônica Verissimo e do Professor Frederico Flósculo, ambos da UNB. A Professora Monica Verissimo alertou os presentes sobre a contaminação e o excesso de utilização das águas do Lago Paranoá e o Professor Flósculo denunciou as irregularidades que estavam sendo cometidas na execução da LUOS, como por exemplo, sua aprovação antes da avaliação do ZEE-Zoneamento Econômico Ecológico, quando o normal é que ocorresse o inverso.

   Aqueles proprietários, contudo, estavam avessos a qualquer tipo de ponderação que, na visão deles, acarretasse a não inclusão de seus terrenos irregulares na LUOS ou o adiamento da aprovação da LEI. Passaram a exigir, aos gritos, a aprovação imediata da LUOS e, quando a Deputada Telma Rufino encerrou a sessão devido ao clima de insegurança instalado no recinto, demonstraram sua decepção agredindo, com violência, a Professora Monica Verissimo derrubando –a no chão e pisoteando seu corpo indefeso.

   A democracia e o respeito às instituições constituem elementos essenciais ao Estado de Direito. A vida pública impõe a todos o dever de tratamento respeitoso para que o debate ocorra no campo das idéias e dos contornos consagrados na Carta Constitucional em vigor e nunca descambe para ataques pessoais ou contra instituições. O ocorrido durante o Fórum da LUOS foi ainda mais grave pois a violência física foi empregada contra uma senhora indefesa e professora universitária cujo único “erro” foi dar informações técnicas sobre a crise hídrica  que aflige Brasília e da necessidade de preservar o Lago Paranoá.

   Diante do exposto, esta Associação ambientalista insta Vossa Excelência a realizar os estudos referentes ao ZEE  antes da aprovação da LUOS, de modo a dirimir dúvidas a respeito do correto encaminhamento da LUOS   e a aumentar a segurança dos fóruns e das audiências públicas para evitar que incidentes lamentáveis como o do dia 26 voltem a ocorrer.



Flavia Ribeiro da Luz

Presidente da Associação Park Way Residencial

Brasília, 27 de novembro de 2018.

E o absurdo continua.Governo querendo aprovar a LUOS antes do ZEE!!!

Encaminho abaixo o texto do meu discurso do dia 26 de novembro durante a audiência da LUOS.


“ Meu nome é Flavia Ribeiro da Luz, sou Presidente da Associação Park Way Residencial.

A convocação para esse Fórum me parece uma redundância. E de certa forma uma decepção.

Redundância porque tudo o que os ambientalistas pensam a respeito da LUOS já foi dito.

Decepção porque nada foi conseguido. Como os representantes da SEGETH bem sabem, na audiência do ano passado a comunidade de moradores do Lago Sul, Norte e Park Way, compareceu em peso exigindo que o ZEE-Zoneamento Ecológico Econômico- fosse aprovado antes da LUOS.


O ZEE define as áreas mais frágeis, nas quais o processo de urbanização deve ser feito com cautela.

Mas o governo ignorou a solicitação, ou melhor a advertência dos ambientalistas e da comunidade.

Além disso como os representantes da SEGETH devem recordar, os moradores do Lago Sul, Lago norte e Park Way compareceram em grande número na primeira reunião sobre a LUOS exigindo que o critério de Residencial Exclusivo fosse mantido em sua integridade e que não fosse permitido o comercio dentro das residências dos bairros exclusivamente residenciais. 

Sobretudo aquele tipo de comércio listado nas MEIs que inclui serralherias, oficinas mecânicas, etc... É só conferir a lista dos CSII 1 que deixa evidente a inclusão do Park Way na relação de bairros onde é possível regularizar esse tipo de comércio.


Na ocasião colhemos a assinatura de milhares de moradores contra essa alteração do Memorial Descritivo do Park Way. Mais uma vez a SEGETH ignorou a exigência dos moradores.


Então eu me pergunto o que estamos fazendo aqui?


Somos convocadas a servir de testemunha dos desmandos do governo?

Um governo que só faz o que quer, que se mete a dar opinião dentro das residências, da vida privada das pessoas? Que destrói nossa qualidade de vida?

Espero realmente que o novo governo, que terá início no ano que vem respeite as leis e regulamentos porque essa impunidade, esse desrespeito com a vontade popular não pode continuar.”



                                                            Flavia Ribeiro da Luz