Na madrugada deste domingo (28), o primeiro satélite 100% brasileiro foi lançado a bordo do foguete PSLV-C51, na Índia. O lançamento aconteceu no Centro Espacial Satish Dhawan (SHAR), em Sriharikota, e o satélite tem como objetivo observar e monitorar odesmatamentoda regiãoamazônica.
O Amazonia-1 pesa 640 quilos, tem 2,5 metros de altura e operará a 750 km de altitude. Foram 13 anos de desenvolvimento para que chegássemos ao lançamento bem-sucedido e, com isso, o Brasil entra para o grupo de apenas 20 países capazes de desenvolver umsatélitepróprio dessa maneira.
Este é o primeiro satélite de observação da Terra completamente brasileiro, sendo projetado, desenvolvido, testado e operado pelo Brasil. Apenas o lançamento aconteceu em outro país, com todo o restante da operação acontecendo em nosso território nacional — ainda que tenhamos a base de lançamentos de Alcântara, que fica no estado do Maranhão.
Por que, então, o Amazonia-1 precisou ser lançado na Índia? A resposta é simples: apesar de termos Alcântara, o Brasil não tem um foguete grande o suficiente para levar o nossosatéliteà órbita, e Alcântara também não tem uma plataforma com dimensões e estruturas adequadas para lançar um foguete do tamanho que seria necessário para transportar o Amazonia-1. Enquanto o foguete indiano PSLV-C51 tem 44,4 metros, o foguete brasileiro VLS (sigla para Veículo Lançador de Satélites) tem apenas 19,7 metros de altura.
Voltando à operação do Amazonia-1, ele foi colocado em uma órbita em sincronia com a do Sol, viajando a 27 mil km/h e levando 100 minutos para dar uma volta ao redor da Terra. Em seu trajeto, osatéliteserá capaz de fotografar qualquer lugar do planeta, sendo que essas imagens serão registradas em alta resolução. A cada dois ou três dias, no máximo, o Amazonia-1 fornecerá imagens do território brasileiro, permitindo, então, o monitoramento contínuo da regiãoamazônica— mas também será útil para que o Brasil monitore, em imagens, outras regiões de interesse, como plantações agrícolas, regiões costeiras e reservatórios de água.
Se quiser assistir à reprise do lançamento, é só reproduzir o vídeo abaixo, com a transmissão feita ao vivo pelo YouTube do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE):
Metas do Brasil para o Acordo de Paris precisam ser revistas antes da COP26
Brasil terá que refazer suas metas no Acordo de Paris – ONU pede
revisão de planos climáticos ruins; Brasil ficou fora de Cúpula em 2020
por submeter objetivos que reduzem esforço do país contra aquecimento
global
Por Cinthia Leone, ClimaInfo
Um relatório da ONU divulgado na sexta-feira (26/02) afirma que as
metas atuais dos principais poluidores combinadas não chegam nem perto
de mitigar as mudanças climáticas.
Segundo o documento, as propostas atuais dos países que representam 30%
das emissões de gases de efeito estufa conseguirão reduzir em apenas 1%
as emissões até 2030 em relação aos níveis de 2010. Para garantir que o
aquecimento global
fique abaixo de 2ºC, esse percentual deveria ser de 25%, sendo 45% para
a meta de 1,5ºC, segundo cálculos do Painel Intergovernamental sobre
Mudanças Climáticas (IPCC), maior autoridade científica sobre o assunto.
O relatório Síntese Inicial NDC foi solicitado pelas Partes do Acordo
de Paris para medir o progresso dos planos nacionais de ação climática –
Contribuições Nacionais Determinadas, conhecidos pela sigla NDC – antes
da COP26 em novembro deste ano, que será realizada em Glasgow, na
Escócia.
No ano passado, o Brasil ficou de fora da Cúpula de Ambição Climática
da ONU exatamente porque os organizadores do evento não consideraram
suficientes as metas climáticas divulgadas quatro dias antes do encontro
pelo Ministério do Meio Ambiente. O Brasil é o 6º maior emissor do
mundo, e a destruição das florestas responde pelo maior volume de
emissões.
“No momento, é como se estivéssemos entrando em um campo minado de
olhos vendados”, definiu Patrícia Espinosa, secretária executiva de
Mudança Climática da ONU. Ela encorajou todas as nações a investigar
outras áreas a fim de criar planos mais robustos. “O que precisamos é
muito mais radical e transformador do que o que temos agora. Precisamos
de planos concretos para eliminar gradualmente os combustíveis fósseis o
mais rápido possível”.
“O relatório provisório de hoje é um alerta vermelho para nosso
planeta”, lamenta o secretário geral das Nações Unidas Antonio Guterres.
“Os principais emissores devem apresentar metas muito mais ambiciosas
de redução de emissões para 2030 em suas Contribuições Nacionais
Determinadas bem antes da Conferência Climática da ONU em Glasgow, em
novembro. Agora é a hora.”
Laurence Tubiana, CEO da Fundação Europeia do Clima e uma das
idealizadoras do Acordo de Paris afirma que os países do G20 deveriam
liderar o processo de mitigação das mudanças climáticas. “Os governos
que entregaram planos pouco ambiciosos devem — como sugere a ONU —
reconsiderar e reapresentar os planos até a COP26”.
Entre pesquisadores e ambientalistas, os resultados do relatório
geraram comoção. “É espantoso como os países estão longe de lidar com a
crise climática”, afirma Mohamed Adow, diretor da Power Shift Africa, um
think tank com sede no Quênia que estuda a transição energética no
continente africano. “Alguns países fizeram bem em atualizar suas
promessas do Acordo de Paris, mas muitos outros, como Brasil, Japão,
Austrália, México e até mesmo a Nova Zelândia não fizeram nada,
vergonhosamente. Este estado de coisas não pode continuar.”
Para Niklas Höhne, fundador do NewClimate Institute, organização
especializada em políticas climáticas, o maior impacto positivo vem da
União Europeia, seguida do Reino Unido e da Argentina. “Mas dez países
apresentaram NDCs revisadas sem nenhuma melhoria na ambição ou mesmo
retrocedendo: Austrália, Brasil, Japão, México, Nova Zelândia,
Singapura, Coreia do Sul, Suíça e Vietnã”, destaca o pesquisador. Ele
ressalta que dessa lista, ao menos o Japão já reconheceu a pouca ambição
da meta submetida em 2020 e se comprometeu a melhorá-la este ano.
“O Brasil apresentou uma NDC que efetivamente enfraquece suas já
insuficientes metas de ação climática para 2025 e 2030”, avalia Höhne.
“Como resultado, as emissões do Brasil em 2030 sob a nova meta poderiam
ser 27% maiores do que eram quando ratificou o Acordo de Paris em 2016.”
Ele lembra que um recuo nas metas de redução de emissões desobedece a
exigência do Acordo de Paris de que cada nova NDC seja mais ambiciosa
que a anterior.
Esperança
Os resultados do relatório aumentam ainda mais as expectativas em
relação a uma postura mais ambiciosa este ano por parte dos dois grandes
poluidores do planeta: EUA e China.
“Espero que os EUA e a China possam igualar a União Europeia na
entrega de estratégias que nos coloquem no caminho do zero líquido”,
afirma Tubiana, que também é embaixadora da França para a Mudança
Climática.
A diretora executiva do Greenpeace Internacional, Jennifer Morgan,
também joga os holofotes sobre os dois países. “Estamos chamando os
maiores emissores do mundo, os Estados Unidos e a China, para entregar
NDCs no próximo mês que nos dêem motivos de esperança”, afirma. Ela
ainda vê a possibilidade de países que estão indo no caminho contrário
voltarem a cooperar pelo clima.
“A Austrália e o Brasil, arrasados por queimadas agravadas pela
emergência climática, devem, respectivamente, controlar os interesses
dos combustíveis fósseis e da agricultura industrial, enquanto trabalham
para criar um futuro justo e seguro para seus cidadãos e proteger a
preciosa biodiversidade”, disse a ambientalista.
“Com planos climáticos lamentavelmente fracos, grandes emissores como
Japão, Austrália e Brasil estão pesando sobre a ambição global, quando
na verdade deveriam estar liderando”, afirma Tasneem Essop, diretor
executivo da Climate Action Network. Para ele, anúncios de metas
líquidas zero em 2050 não podem ser o único sinal de ambição climática.
“Os EUA e a China – que ainda vão apresentar suas NDCs – devem fazê-lo o
mais rápido possível. É imperativo que os Estados Unidos forneçam sua
parte justa, tanto sobre a redução de emissões, como em relação às
finanças.”
Sobre a UNFCCC, instituição responsável pelo relatório
Com 197 Partes, a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança
Climática (UNFCCC) tem adesão quase universal e é o tratado-mãe do
Acordo de Paris sobre Mudança Climática de 2015. O principal objetivo do
Acordo de Paris é manter um aumento da temperatura média global neste
século bem abaixo de 2 graus Celsius e conduzir esforços para limitar
ainda mais o aumento da temperatura a 1,5 graus Celsius acima dos níveis
pré-industriais.
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Tartarugas foram cobertas de alcatrão após um derramamento de óleo – AFP
Tartarugas resgatadas de um vazamento de óleo que deixou
resíduos ao longo da costa litorânea de Israel estão recebendo maionese
como parte de seu tratamento.
Funcionários do Centro Nacional de Resgate da Tartaruga Marinha dizem
que o ingrediente está ajudando a limpar o sistema digestivo dos
répteis.
As autoridades locais investigam a causa do derramamento, que parece ter se originado de uma embarcação em alto-mar.
Milhares de voluntários e soldados têm trabalhado na remoção da
substância oleosa, que vem causado prejuízos à fauna local, incluindo a tartarugas marinhas ameaçadas de extinção.
Yaniv Levy, fundador e diretor do Centro Nacional de Resgate da
Tartaruga Marinha, disse ao jornal israelense Haaretz que cerca de 27
tartarugas estavam em tratamento, seis das quais com sequelas provocadas
pelo óleo.
“Todas elas chegaram aqui com uma camada de óleo na cabeça e nos
olhos, narinas, boca, sistema digestivo e estômago”, disse Levy.
“Com esse tipo de dano, elas não têm chance de sobreviver sem
tratamento. Nós removemos o óleo das narinas e olhos para que elas
pudessem respirar e enxergar.”
Levy afirma que a equipe tem usado óleo vegetal para afinar o resíduo
petrolífero, e a maionese para diluí-lo e removê-lo das paredes dos
estômagos e intestinos dos animais.
“Elas chegaram até nós cobertas de óleo. Com o sistema digestivo
cheio de óleo por dentro e por fora”, disse o assistente veterinário Guy
Ivgy à agência Associated Press.
“Seguimos alimentando-as com maionese, que praticamente limpa todo o sistema e consegue romper os resíduos de óleo.”
O processo de recuperação das tartarugas deve levar entre uma e duas semanas. Depois desse período, a expectativa é de que elas sejam devolvidas ao meio ambiente.
Embora possa parecer uma solução estranha, essa não é a primeira vez que a maionese é usada para salvar tartarugas.
O Hospital da Tartaruga, na Flórida, descreve a maionese como uma
forma “segura, atóxica e eficiente de limpar tartarugas cobertas por
óleo”.
Você pode não perceber, mas provavelmente encontrará ftalatos todos os dias. Esses produtos químicos são encontrados em muitos plásticos,
incluindo embalagens de alimentos, e podem migrar para os produtos
alimentícios durante o processamento. Eles estão em produtos de higiene
pessoal, como xampus, sabonetes e detergentes para a roupa, e no piso de
vinil em muitas casas.
Eles também estão nas notícias novamente, depois que um editorial de
cientistas no American Journal of Public Health incluiu um apelo urgente
por uma melhor regulamentação federal dos produtos químicos.
Em particular, os cientistas estão pedindo às agências estaduais e
federais que eliminem os ftalatos de produtos usados por mulheres
grávidas e crianças. Apesar das evidências dos danos que esses produtos
químicos podem causar, a regulamentação federal dos Estados Unidos tem
sido mínima, para além dos brinquedos infantis. Um movimento recente da
marca de alimentos Annie’s, de propriedade da General Mills, para
eliminar ftalatos de seu macarrão com queijo, sugere que regras mais
rígidas são viáveis.
Então, qual é o risco e o que você pode fazer a respeito?
Sou um epidemiologista ambiental que estuda o impacto da exposição de
mulheres grávidas a produtos químicos ambientais. Aqui estão as
respostas a três perguntas importantes sobre ftalatos.
Quem está em risco?
Orto-ftalatos, comumente chamados de ftalatos, são produtos químicos
sintéticos usados para fabricar plástico. Eles ajudam a tornar o plástico mais flexível e mais difícil de quebrar.
Apesar de sua abundância em muitos produtos, os ftalatos podem ser
prejudiciais para mulheres grávidas e seus filhos. Esses produtos
químicos podem perturbar o sistema endócrino, as glândulas que liberam
hormônios como mensageiros químicos do corpo. Estudos sugerem que isso
pode levar mulheres grávidas a terem seus bebês prematuros. Outros
estudos descobriram que crianças nascidas de mães expostas a altos
níveis de ftalatos podem ter um QI mais baixo e pior desenvolvimento da
comunicação social, e que essas crianças também têm maior probabilidade
de desenvolver TDAH e problemas de comportamento. Os pesquisadores
também encontraram efeitos no desenvolvimento genital de bebês do sexo
masculino nascidos de mães expostas a ftalatos durante a gravidez.
Embora os ftalatos possam ser encontrados em quase todas as pessoas,
descobriu-se que as mulheres das minorias são especialmente afetadas.
Estudos mostram que muitos produtos de beleza direcionados a essas comunidades contêm altos níveis de produtos químicos.
Bebês e crianças pequenas podem apresentar níveis elevados de ftalato
porque costumam colocar produtos plásticos na boca enquanto exploram o
mundo.
Os ftalatos podem entrar nos alimentos em muitos lugares da cadeia de
abastecimento, incluindo tubos de plástico para líquidos durante a
produção, recipientes de armazenamento de plástico e até luvas de
preparação de alimentos. Os alimentos ricos em gordura, em particular,
podem absorver ftalatos por exposição durante o processamento. Comer
fora não evita o risco. Um estudo com crianças e adultos americanos
mostrou que aqueles que comiam fora de casa tinham níveis mais altos de
ftalato.
Como posso saber se um produto contém ftalatos?
Descobrir quais produtos têm altos níveis de ftalatos nem sempre é
fácil. Embora os ftalatos devam ser listados nos rótulos dos
ingredientes, às vezes são incluídos como parte da fragrância, o que
permite que sejam excluídos da lista de ingredientes.
Muitas empresas removeram voluntariamente os ftalatos, e muitos
produtos de consumo agora são rotulados como “livres de ftalatos”. O
site Skin Deep
do Environmental Working Group’s também oferece uma maneira de
pesquisar detalhes sobre produtos químicos em produtos de limpeza e
cuidados pessoais.
Como faço para manter minha família segura?
Os ftalatos são rapidamente metabolizados e geralmente removidos do
corpo assim que a exposição termina. Até que haja uma melhor
regulamentação, algumas mudanças simples podem fazer uma grande
diferença na promoção da saúde e na redução dos níveis de ftalato em
casa.
Uma mudança fácil é trocar todos os recipientes de embalagem de
alimentos de plástico por recipientes de vidro. Se isso não for
possível, é melhor deixar os alimentos esfriarem até a temperatura
ambiente antes de colocá-los em recipientes plásticos de armazenamento
de alimentos.
Não coloque nada de plástico no micro-ondas, porque os ftalatos podem
migrar de recipientes de armazenamento de alimentos, para os alimentos.
Você também pode reduzir a exposição ao ftalato verificando os
rótulos, para evitar o uso de produtos que incluem ftalatos, comendo
menos alimentos processados que possam ter absorvido ftalatos durante a
produção e cozinhando mais refeições em casa.
A Unesco projeta que os corais serão extintos da natureza até o fim deste século – ENRICO MARCOVALDI/DIVULGAÇÃO
Estima-se que até 50% dos recifes de corais já desapareceram
dos oceanos. A previsão para o futuro também não é animadora: uma
projeção da Unesco apontou que, caso as mudanças climáticas não sejam
revertidas, eles serão extintos até o final deste século.
Conforme a temperatura do oceano aumenta — uma consequência do aquecimento global —, os corais perdem suas cores, tornam-se esbranquiçados e, por fim, morrem.
Esse cenário desastroso levou pesquisadores brasileiros a utilizar uma estratégia nova para tentar conservar a espécie: o congelamento dos gametas — células sexuais dos corais que conjugam espermatozoides e óvulos dentro de uma mesma estrutura.
A ideia é que, no futuro próximo, o material genético possa ser
descongelado e usado para repovoar algumas regiões da costa onde a
incidência de recifes diminuiu nos últimos anos, como Porto de Galinhas,
no litoral de Pernambuco. Ou seja, o objetivo é que, em breve, o Brasil consiga produzir “corais de proveta”, animais reproduzidos em laboratório e que, depois, poderão ser transportados para algum ponto do mar.
“O aquecimento do oceano e o rápido desaparecimento dos recifes
acenderam uma luz vermelha de que precisávamos fazer algo para tentar
conservar a espécie.
Estamos usando uma tecnologia conhecida como criobiologia (área nova da
ciência que estuda os efeitos de baixas temperaturas em células,
tecidos e organismos vivos)”, explica Leandro Godoy, professor da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul e coordenador técnico do
projeto.
O programa é encabeçado pelo Instituto Coral Vivo e financiado pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.
Como congelar o sêmen de coral?
O aquecimento do oceano faz com que os corais sofram um processo de branqueamento – MARI LOPES/DIVULGAÇÃO
A Mussismilia harttii, uma das espécies endêmicas de coral
na costa brasileira, é um animal hermafrodita, ou seja, um mesmo
indivíduo produz e expele tanto o espermatozoide quanto o óvulo
necessários à reprodução.
Esse material é lançado dentro de um invólucro (uma espécie de
cápsula) de cerca de 1,5 centímetro de diâmetro, os gametas. Cada um
desses “pacotinhos” jogados na água, como explica Godoy, contém bilhões
de espermatozoides e centenas de óvulos.
O sêmen dos corais
pode sobreviver na água por até 22 horas — o de muitos peixes marinhos,
por exemplo, vivem de 15 a 20 minutos, apenas. O espermatozoide precisa
então encontrar um óvulo da mesma espécie para fecundá-lo, como na reprodução humana.
Quando isso ocorre, eles se transformam em minúsculas larvas, que
flutuam no oceano por alguns dias até encontrar uma superfície sólida
para se fixar — local onde o coral vai se desenvolver e se espalhar ao
longo da vida.
O pico reprodutivo da Mussismilia harttii acontece entre
setembro e novembro, quando pesquisadores estão indo a campo para
coletar algumas colônias de coral no Parque Municipal Marinho do Recife
de Fora, em Porto Seguro, litoral sul da Bahia.
A reprodução dos animais está associada à fase da lua nova. “Esse é
um mistério da natureza: para a maioria das espécies de corais do Oceano
Pacífico e do Caribe, a desova acontece na fase da lua cheia. No
hemisfério sul, ocorre na lua nova. Uma das possibilidades para explicar
esse fenômeno é uma relação entre a desova e a amplitude e a oscilação
da maré, o que facilitaria a dispersão dsos
Os corais
coletados são levados para a base de pesquisas do Instituto Coral Vivo,
também em Porto Seguro, e mantidos em tanques com água do mar. Além da Mussismilia harttii, o projeto trabalha com outras duas espécies da costa brasileira — depois eles são devolvidos à natureza.
Os gametas dos corais reúnem bilhões de espermatozoides e algumas centenas de óvulos, como mostra a imagem – LEANDRO GODOY
A equipe de Godoy inicia o processo de congelamento dos gametas em
nitrogênio líquido, a uma temperatura de -196°C. Não é algo simples.
“Não é só resfriar o material como quando a gente coloca alguma coisa no
freezer. É preciso retirar toda a água dos espermatozoides e dos
óvulos, porque, em caso contrário, os cristais de gelo que se formam
podem destruir as células”, explica Godoy.
Por ora, o sêmen congelado é enviado à Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, onde está sendo armazenado para posterior reprodução in vitro.
Estudos preliminares apontaram que cerca de 30% dos espermatozoides
sobreviveram ao descongelamento, uma taxa considerada alta.
“Estamos paralisando essas células no tempo. Nós conseguimos
mantê-las vivas por até 50 anos. No momento oportuno, podemos trazê-las
de volta à vida para auxiliar na conservação dos corais“, diz Godoy.
Por que os corais são importantes?
Os recifes de coral são conhecidos como “pequenas florestas tropicais
do oceano”, em virtude de sua beleza multicolorida e e importância
vital para o meio ambiente.
Os recifes são um dos ecossistemas mais produtivos e biologicamente
ricos da Terra. Segundo estudo do World Resources Institute (WRI),
instituição global de pesquisa científica, eles se estendem por cerca de
250 mil quilômetros quadrados, uma porção minúscula do oceano. Porém,
estima-se que 25% de todas as espécies marinhas conhecidas usam os recifes como abrigo em algum momento da vida.
“Onde existem recifes há uma biodiversidade imensa. Quando eles estão
doentes, muitas espécies desaparecem junto”, explica a bióloga Janaína
Bumbeer, especialista em ciência e conservação da Fundação Grupo
Boticário de Proteção à Natureza.
“Eles têm a função de engenheiros, pois aumentam a complexidade do
ambiente. Servem de abrigo para muitas espécies, que se escondem de
predadores, se alimentam e até se reproduzem dentro das estruturas dos
recifes”, diz Bumbeer.
A sobrevivência dos corais
não é importante apenas para a biodiversidade do planeta, mas também
para a economia e sobrevivência da população de muitos países, inclusive
o Brasil.
Segundo o WRI, 850 milhões de pessoas no mundo vivem a menos de 100
km de um recife de coral e são suscetíveis de “obter benefícios dos
serviços ecossistêmicos” produzidos por eles. Entre esses benefícios
está a alimentação.
“As espécies de peixes associadas a recifes são importantes fonte de
proteína (para a população), contribuindo com cerca de um quarto do
pesca total nos países em desenvolvimento, em média”, diz o estudo.
Além disso, os recifes são vitais para movimentar o turismo em muitos
países tropicais, como o Brasil, atraindo mergulhadores, praticantes de
snorkel e pescadores recreativos. “Mais de 100 países e territórios se
beneficiam do turismo associado aos recifes de coral”, aponta o WRI.
Por que os corais estão morrendo?
Momento da desova do coral couve-flor – LEANDRO SANTOS/DIVULGAÇÃO
Uma série de problemas afeta a sobrevivência dos corais. Para a maioria, o principal algoz é o aquecimento global.
Os corais são coloridos porque abrigam as zooxantelas, microalgas que
grudam na superfície do animal em uma relação de simbiose (ambos se
beneficiam desse encontro).
“Essas microalgas fazem fotossíntese, e o material químico produzido
por esse processo serve de alimento para os corais”, explica Leandro
Godoy.
Com o aquecimento acentuado do oceano nos últimos anos, o processo de fotossíntese fica desregulado.
“Com a água mais quente, as algas passam a produzir um elemento
tóxico para os corais. Então os corais ‘expulsam’ as algas de sua
superfície. É por isso que eles ficam brancos: a gente passa a enxergar o
esqueleto branco do coral, pois o tecido dele, sem as algas, é
transparente. Sem essa relação de simbiose com as algas, eles acabam
morrendo”, diz Godoy.
Há inúmeras outras ameaças aos recifes, e elas podem variar
dependendo da região. A pesca predatória, por exemplo, ameaça 55% dos
corais do mundo, segundo estudo do WRI.
“O corais sofrem muito quando a pesca é de arrasto, aquela com uma
grande rede que chega ao fundo do mar arrastando tudo. Muitos são
destruídos em segundos”, explica a bióloga Janaína Bumbeer.
Há outros problemas apontados pelos cientistas, como vazamentos de
petróleo, pisoteamento dos recifes por turistas, sujeira despejada por
navios e a poluição da água do mar por falta de saneamento básico nas
cidades.
Política pública
Os pesquisadores envolvidos no congelamento do sêmen dos corais acreditam que o projeto pode ajudar a desacelerar a extinção dos recifes, além de ser uma espécie de “reserva de emergência” caso a situação piore no futuro, como indicam as projeções.
“Provavelmente, algumas espécies de coral serão extintas pois existem
danos que não podem mais ser revertidos… Temos que aceitar que isso vai
acontecer”, diz Godoy. “Mas acredito que criar esse banco de gametas
pode ser muito importante para ajudar a repovoar algumas regiões. É um
empurrãozinho que a ciência dá para conservar a espécie.”
Para Janaína Bumbeer, o congelamento de material genético pode se transformar em uma política pública no futuro.
“Acho que projetos como esse podem se traduzir em política pública
pra tomada de decisões. Não há mais tempo de espera: os impactos
ambientais são muito rápidos e visíveis. Temos potencial científico no Brasil, mas precisamos fazer nossa lição em casa e investir em conservação”, diz.
A Polícia
Federal (PF) instaurou um inquérito para investigar a morte de 600
animais silvestres nos últimos meses em um centro de tratamento do
Ibama que fica em Seropédica, no Rio de Janeiro (RJ).
O centro de tratamento é um dos maiores centros de tratamento de animais silvestres do país: mais de 1,2 mil animais vivem lá.
Sob
a responsabilidade do Ibama, macacos, aves e outros bichos deveriam
estar se recuperando dos ferimentos causados pelo tráfico ilegal.
Atualmente,
o centro só tem quatro funcionários, pois a empresa terceirizada que
cuidava do espaço deixou de prestar o serviço no ano passado. O caso chegou ao conhecimento da Polícia Federal através de uma denúncia.
Nesta
segunda-feira (22), agentes fizeram uma perícia no centro de triagem
para investigar as causas das mortes e identificar os responsáveis.
Hoje, três pessoas foram ouvidas.
A
assessoria de imprensa do Ibama afirmou para a CNN Brasil que a
diretoria do instituto e a Secretaria de Biodiversidade do Ministério do
Meio Ambiente estiveram pessoalmente no Cetas (Centro de Triagem de
Animais Silvestres) do Rio de Janeiro na segunda-feira (22) e que,
durante a visita, já foram adotadas imediatas medidas corretivas para
garantir que a situação não volte a se repetir.
De acordo com o Ibama, também estão sendo apuradas as devidas responsabilidades.
Fenômeno pode gerar inundações e criar novas falhas geológicas
Uma pesquisa, realizada pela agência
United States Geological Survey (USGS), revelou que o peso de grandes
metrópoles tem feito com que elas afundem, aos poucos, na crosta
terrestre. O geofísico Tom Parsons confirmou sua tese ao realizar um
estudo de caso na cidade de São Francisco, Estados Unidos.
foi feito na região,
reunindo o peso de todos os edifícios da cidade. Os cálculos apontaram
uma carga de 1,6 trilhão de quilos, o equivalente a 8,7 milhões de
Boeings 747. A estimativa sequer considera as demais infraestruturas,
veículos ou o peso dos 7,75 milhões de pessoas que moram na cidade, o
que faria o valor aumentar.
Mesmo assim, somente o peso retratado já
pode ser suficiente para entortar a litosfera, camada sólida externa do
planeta Terra, e causar novas falhas geológicas, responsáveis por
terremotos.
De acordo com os cálculos, foi
constatado que, ao longo de seu crescimento, a cidade afundou cerca de
80 milímetros na crosta. Esse índice, aliado ao aumento do nível do mar,
representa uma preocupação para os cientistas, já que inundações podem
ser geradas futuramente. De acordo com as estimativas dos pesquisadores,
a área da baía deve sofrer 300 mm de aumento do nível do mar até 2050.
– À medida que as populações globais se
movem desproporcionalmente em direção às costas, essa subsidência
adicional, em combinação com o aumento esperado do nível do mar, pode
exacerbar o risco associado à inundação – conta Tom Parsons.
O pesquisador acredita que os resultados
de seu estudo em São Francisco podem ser aplicados a qualquer outro
centro urbano litorâneo, desde que com gravidades variadas.
Para ele, as zonas de
inundação deveriam ser cuidadosamente analisadas à medida que o nível do
mar se eleve. Assim, estudos, fotos de satélite ou imagens aéreas
poderiam ser utilizadas para subsidiar planos de risco.