terça-feira, 20 de abril de 2021

Escavação em rodovia de SP revela fósseis de dinossauros

 


Escavação em rodovia de SP revela fósseis de dinossauros

Uma recente escavação na rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), que tinha como objetivo o escoamento de água da chuva, revelou algo inusitado: fragmentos fósseis de dinossauros, localizados a 20 metros da superfície do solo. A descoberta aconteceu no quilômetro 623 da estrada, entre as cidades de Irapuru e Pacaembu, em São Paulo.

Conforme as informações divulgadas pela concessionária da rodovia, Eixo SP, as peças foram encontradas nas obras de uma praça de pedágio. Com a descoberta, as atividades no local foram interrompidas para dar lugar a trabalhos paleontológicos.

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Região abrigava lagos e rios

 Eixo SP/Divulgação 

O paleontólogo Fabiano Vidoi Iori e o biólogo Leonardo Paschoa, ambos pesquisadores do Museu de Paleontologia Pedro Candolo, em Uchoa (SP), lideraram a pesquisa. Entre as dezenas de fragmentos fósseis, foram identificados ossos dos gigantes titanossauros – os dinossauros “pescoçudos”, quadrúpedes e herbívoros que alcançavam cerca de 20 metros de altura.

A equipe também mapeou dentes de abelissaurídeos, dinossauros predadores bípedes, que chegavam a até nove metros de comprimento. Outros fragmentos coletados indicam que, no período Cretáceo (que durou 145 milhões de anos terminando há 65 milhões de anos), a região era formada por rios e lagos.

Espécies podem ser inéditas

Fragmento de mandíbula de um Peirosauridae. Fonte:  Eixo SP/Divulgação 

Entre os inúmeros fósseis encontrados pelos trabalhadores durante a escavação, estavam ainda ossos, escamas e dentes de crocodiliformes; escamas de peixes; e restos de cascos e esqueletos de cágados – animais que viveram por volta de 85 milhões de anos atrás.

“Dentre os fósseis coletados, temos peças bem importantes, em especial os fragmentos cranianos, que vão permitir investigar mais a fundo se as espécies descobertas são inéditas ou já catalogadas na região”, destacou o paleontólogo Fabiano Vidoi Iori. Uma vez reunidos, os fósseis foram encaminhados para o Museu de Paleontologia de Uchoa e serão expostos na reabertura do espaço, atualmente fechado em razão da pandemia de covid-19.

Fonte: Tecmundo

quinta-feira, 15 de abril de 2021

Ambientalistas comemoram pandemia e avançam estudos de controle econômico e social

 

Ambientalistas comemoram pandemia e avançam estudos de controle econômico e social

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Segundo pesquisadores envolvidos no experimento chamado “Ano dos Oceanos Silenciosos”, os lockdowns e restrições sociais reduziram o tráfego de navios de carga em escala que seria “impossível” de outra maneira, afirma Peter Tyack, professor da Universidade de St. Andrews, Escócia.

Oceanógrafos de todo planeta se juntaram para investigar os efeitos do “momento único de silêncio” causado sobre espécies marítimas, com o objetivo de estudar a acústica dos oceanos antes, durante e após a pandemia. Ao todo, 200 sensores acústicos subaquáticos distribuído pelo mundo foram acionados.


“A ideia é usá-los para medir as diferenças no ruído e como elas afetam a vida marinha — como o canto das baleias ou os sons emitidos por cardumes”, afirma Tyack. Com dados obtidos, os pesquisadores pretendem aproveitar a oportunidade para avaliar os impactos da poluição sonora nos oceanos.

“A poluição e a mudança climática tiveram um impacto enorme nos oceanos do planeta — mas a questão do barulho é que é relativamente fácil diminuir o volume”, ressalta o professor. Publicado recentemente na revista Science, os ambientalistas têm como alvo as atividades de navegação, construção, militar e pesquisas submarinas nas áreas de petróleo e gás estão “abafando” a acústica natural do oceano.

Por que gorilas machos batem no peito? Novo estudo oferece evidências curiosas

 

Por que gorilas machos batem no peito? Novo estudo oferece evidências curiosas

KING KONG TORNOU ESSE COMPORTAMENTO FAMOSO, MAS CIENTISTAS AINDA SABEM POUCO SOBRE POR QUE OS GRANDES SÍMIOS REALIZAM ESSA EXIBIÇÃO DE PERCUSSÃO.

Um gorila-das-montanhas macho batendo no peito no Parque Nacional dos Vulcões de Ruanda.
FOTO DE NATURE PICTURE LIBRARY / ALAMY STOCK PHOTO

Desde o lançamento de King Kong nas telas de cinema em 1933, o gigante símio fictício expôs ao público do mundo todo um comportamento muito real entre os gorilas — bater no peito.

Mas talvez você se surpreenda ao saber que, embora cientistas tenham especulado sobre o significado desse comportamento de percussão, as evidências reais do porquê os gorilas machos às vezes batem no peito são escassas.

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“É um comportamento impressionante”, comenta Edward Wright, primatologista do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva na Alemanha. “Pode ser um pouco assustador. Ninguém ia querer estar frente a frente com um gorila batendo no peito.”

Curiosamente, embora a forte batida no peito de um gorila-das-montanhas macho pareça um sinal de agressividade, uma nova pesquisa de Wright mostra que o comportamento pode, na verdade, evitar o uso da violência entre esses enormes animais, que podem chegar a mais de 200 quilos.

Os gorilas-das-montanhas vivem em grupos familiares unidos, liderados por machos de dorso prateado, cuja autoridade é constantemente desafiada por outros machos. Ao anunciar seu tamanho, condição de acasalamento e habilidade de luta por meio de sons capazes de viajar longas distâncias através das densas florestas tropicais, os gorilas chefes estão sinalizando a pretensos desafiantes que é melhor eles pensarem duas vezes antes de começar uma confusão.

Para estudar o comportamento em detalhes inéditos, Wright e seus colegas passaram mais de três mil horas observando gorilas-das-montanhas ameaçados de extinção no Parque Nacional dos Vulcões, em Ruanda.

Enfrentando picadas de insetos enquanto caminhavam pelo terreno montanhoso e acidentado do parque, os cientistas observaram mais de 500 batidas no peito de 25 machos diferentes entre 2014 e 2016. Eles mantiveram uma distância segura dos animais, que já estão habituados à presença de pesquisadores, mas continuam altamente vulneráveis a doenças humanas.

A equipe, cujo trabalho foi financiado em parte pela National Geographic Society, utilizou equipamentos de áudio para registrar as frequências das batidas no peito, bem como o número de batidas e a duração de cada comportamento. Por fim, procuraram relações entre essas variáveis e os tamanhos dos gorilas. Para isso, analisaram fotografias para medir a largura máxima dos ombros de cada animal.  

Os resultados mostraram que os gorilas-das-montanhas maiores produziram sons com frequências mais baixas do que os gorilas menores — possivelmente porque gorilas maiores possuem sacos de ar maiores próximo à laringe. Isso significa que bater no peito não é apenas uma exibição visual, mas o que o estudo chama de “sinal honesto de capacidade competitiva” — não muito diferente do ronco de um jacaré ou do mugido de um bisão.

Embora estudos anteriores mostrassem que o tamanho do corpo de um gorila está ligado à dominação e ao sucesso reprodutivo, a ideia de que bater no peito também comunica algumas dessas informações era especulativa, de acordo com o novo estudo publicado recentemente na revista científica Scientific Reports.

“Nós tínhamos ideias e suspeitas, mas não havia dados reais para apoiar essa afirmação”, afirma Roberta Salmi, primatologista e diretora do Laboratório de Ecologia Comportamental de Primatas da Universidade da Geórgia, que não participou da pesquisa. “Fiquei feliz em finalmente ver esses resultados.”

O cartão de visitas de Kong

Embora bater no peito seja comum em filmes e outras representações da cultura pop, ainda há muitas informações erradas sobre esse comportamento.

Para começar, os gorilas da vida real não batem no peito com os punhos fechados. Em vez disso, eles colocam as mãos em forma de concha, o que amplifica os sons. Também se põem em pé, o que talvez seja outra maneira de garantir que as batidas possam ser ouvidas a quase um quilômetro de distância.

Gorilas de dorso prateado batem no peito com mais frequência quando as fêmeas sob sua proteção estão entrando no estro, o período em que elas ficam mais propensas a acasalar. Mas os machos não ficam fazendo isso o dia todo, como costuma ser mostrado em filmes.

Na verdade, Wright descobriu que cada macho batia no peito em média apenas 1,6 vezes a cada 10 horas. Gorilas machos de nível inferior, ou subordinados, também batem no peito, assim como gorilas machos bebês quando estão brincando.

Wright afirma que não parece haver uma relação entre o tamanho ou a dominância de um macho e quantas vezes ele bate no peito, ou quanto tempo dura essa exibição. Mas, segundo ele, uma sequência de batidas pode, potencialmente, comunicar a identidade de um animal, ou sua “assinatura individual”, para outros animais.

Gigantes não tão gentis

Embora gorilas sejam providos com músculos gigantescos e longos dentes caninos, eles raramente chegam à agressão. Wright acredita que isso seja, pelo menos em parte, porque as batidas no peito permitem que os machos avaliem uns aos outros sem recorrerem à violência física.

“Mesmo que seja provável que um gorila vença uma luta, ainda existe um fator de alto risco”, explica ele. “São animais grandes e poderosos, capazes de causar muitos danos.”

No caso de machos menores, o som da batida no peito de um gorila de dorso prateado pode desencorajá-los de se aproximarem. Da mesma forma, um gorila de dorso prateado pode ouvir as batidas produzidas por um macho menor que esteja por perto e decidir que ele é muito insignificante para se preocupar.

Como a frequência máxima das batidas no peito corresponde ao tamanho do corpo — que também está ligado ao domínio e ao sucesso reprodutivo — as gorilas fêmeas também têm motivos para prestarem atenção ao som. Batidas particularmente impressionantes podem atrair fêmeas para um grupo próximo, embora isso ainda não tenha sido estudado.

Salmi também estudou as batidas no peito em gorilas-ocidentais-das-terras-baixas. Curiosamente, essa espécie também exprime um comportamento de bater palmas — que parece ser uma maneira de alertar outros para algum perigo em potencial — que até agora não foi observado em seus parentes próximos das montanhas.

Considerando os resultados do novo estudo, o próximo passo é analisar como outros gorilas utilizam as informações codificadas em sons de batidas no peito, afirma Salmi.

Ela comenta que “será muito interessante ver como o som de batidas no peito nos ambientes em que os gorilas vivem pode afetar seus movimentos e decisões sobre quais áreas usar em seus territórios.”

Fonte: National Geographic Brasil

quarta-feira, 14 de abril de 2021

Por que as baleias encalham? Nós também temos uma parcela de culpa

 

Por que as baleias encalham? Nós também temos uma parcela de culpa

DE MARÉS ENGANOSAS À POLUIÇÃO SONORA E PESCA EM EXCESSO, HÁ MUITOS MOTIVOS PELOS QUAIS AS BALEIAS — ÀS VEZES CENTENAS AO MESMO TEMPO — ACABEM ENCALHANDO NA TERRA FIRME.

Baleia-comum encalhada na praia de Holland-on-Sea, cidade localizada na costa leste da Inglaterra, em 30 de maio de 2020. Embora seja um fenômeno global, baleias encalham com mais frequência ao longo da costa rasa do Mar do Norte.
FOTO DE ROB DEAVILLE, CSIP-ZSL

Todo ano, milhares de baleias, golfinhos e outros animais marinhos aparecem em praias do mundo inteiro. Esse fenômeno, conhecido como encalhe, ocorre tanto com animais saudáveis quanto com aqueles feridos (ou mortos), que são arrastados pelo vento até a praia. Às vezes, grupos de animais marinhos encalham juntos, em um fenômeno conhecido como encalhe em massa. Outras vezes, uma determinada região testemunha um número incomum de encalhes em um período de tempo.

No Reino Unido, o Programa de Investigação de Encalhe de Cetáceos , da Sociedade Zoológica de Londres (CSIP, na sigla em inglês), registrou mais de 12 mil cetáceos encalhados desde 1990. Eventos importantes — como o encalhe de mais de 300 baleias-sei na região da Patagônia no sul do Chile, em 2015, ou uma série de baleias-bicudas que encalharam no litoral de Guam entre 2007 e 2019 — mostram que esse é um fenômeno global. As causas de um encalhe podem estar ligadas a diversos fatores.

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“A variedade de fatores que podem causar o encalhe de baleias e golfinhos é tão grande quanto a quantidade de encalhes que acontecem”, relata Kevin Robinson, diretor do Centro de Pesquisa e Resgate de Cetáceos, uma instituição de caridade escocesa voltada à conservação da vida marinha. Esses são os fatores identificados por cientistas como causas de encalhes — desde costas marítimas confusas até ameaças criadas pelos humanos.

Topografia

A topografia costeira e as variações na maré levam algumas regiões a se tornarem armadilhas para mamíferos marinhos. Encalhes em massa ocorrem regularmente em lugares como Farewell Spit na Nova Zelândia, a costa do Mar do Norte, e Cape Cod ,na costa leste dos Estados Unidos. Nick Davison, coordenador de encalhes do Projeto Escocês de Encalhe de Animais Marinhos, explica que essas regiões são muito rasas para as baleias circularem porque a habilidade de ecolocalização delas funciona apenas em águas profundas.

Além disso, durante um ciclo de maré, a água pode retroceder diversos quilômetros em poucos minutos, fazendo com que alguns animais fiquem presos. Daren Grover, do Projeto Jonah, explica que, se os animais não percebem que estão em águas mais rasas, encontram-se em perigo quando a maré vira. “O volume de água simplesmente diminui”, ele relata. “Eles ficam desamparados.”

Causas naturais

Uma baleia encalhada pode estar doente ou machucada, senil, perdida, incapaz de se alimentar ou em algum outro tipo de risco — por exemplo, um trabalho de parto difícil — ou, simplesmente, velha, explica Dan Jarvis, funcionário de apoio em campo e desenvolvimento de bem-estar do Instituto de Resgate de Vida Marinha British Divers . Animais enfraquecidos podem ser arrastados pelas correntes até as praias, enquanto aqueles que ficam desorientados podem chegar em águas mais rasas acidentalmente.

A predação também pode causar encalhes — tanto da presa quanto do predador. Grover lembra de situações em que golfinhos nadaram até uma praia para fugir de uma orca , assim como orcas que encalharam enquanto caçavam arraias em águas rasas. Embora se lançar às praias seja uma técnica de caça comum das orcas, às vezes, elas calculam mal a distância e precisam esperar que uma onda suficientemente grande as leve de volta ao oceano.

Mesmo que baleias saudáveis encalhem de vez em quando, a maioria delas está doente ou morta, como a baleia-comum que encalhou na costa leste da Inglaterra no dia 30 de maio de 2020. A causa de sua morte é desconhecida.
FOTO DE ROB DEAVILLE, CSIP-ZSL

Atividades humanas

Nós também somos parte do problema. Pesca, poluição e colisões de navios estão entre as causas de muitas lesões (e, consequentemente, mortes) que resultam em encalhes. A causa principal da morte de cetáceos causada por humanos é quando os animais ficam presos em redes de pesca. Robinson considera que a pesca seja a responsável pela extinção funcional do baiji ,uma espécie de golfinho, e pela extinção iminente da vaquita. A pesca em excesso também priva os cetáceos de suas maiores fontes de alimento, levando-os a se aventurarem em águas costeiras ou ondas de maré para caçarem.

Algumas causas, como a poluição, são traiçoeiras. Todos os químicos chegam até as águas oceânicas em algum momento, causando problemas duradouros. Rob Deaville, gerente de projetos da CSIP, conta que há evidências de animais mortos com níveis maiores de químicos poluentes que animais saudáveis, embora seja difícil provar a causa verdadeira. Ao mesmo tempo, a poluição feita por meio de resíduos plásticos também prejudica esses animais, pois causam enredamento, ingestão ou contaminação de microplásticos acumulados em seus corpos. 

Por fim, a possibilidade de ser atingido por um navio representa um problema para as espécies de movimentos lentos, como as baleias-francas do Norte do Atlântico. Colisões podem causar grandes lesões (ou morte) e levar ao encalhe.

Oceano barulhento

Poluição sonora, incluindo pulsações decorrentes do uso de sonares e pesquisas sísmicas, interferem nas habilidades de comunicação e movimento das baleias, e podem conduzi-las à terra devido à surdez, desorientação ou medo. Espécies que vivem no oceano aberto e em águas profundas, como as baleias-bicudas, são especialmente suscetíveis aos sonares, mesmo que estejam a quilômetros de distância. Acredita-se que atividades de sonares estejam associadas à série de encalhes de baleias-bicudas em Guam, por exemplo. Robinson sugere que as baleias “talvez sejam os animais com a acústica mais sofisticada do planeta”. Devido às ondas sonoras viajarem mais rápido na água do que no ar e manterem a intensidade por mais tempo, os sons podem causar lesões nos ouvidos desses animais.

“Então, toda vez que uma baleia tenta mergulhar, ela não consegue equalizar a pressão”, explica Robinson. Incapaz de mergulhar, a baleia não consegue caçar, ficando desnutrida e desidratada, uma vez que ela ingere água através do alimento. Enfraquecida, ela será arrastada pela corrente e, por fim, acabará no litoral.

Encalhes em massa

Encalhes em massa são definidos como qualquer evento envolvendo dois animais — com exceção de uma mãe e seu filhote — até um grupo inteiro, que pode variar entre poucas baleias até uma centena delas. Geralmente, eles ocorrem com espécies altamente sociáveis, como a baleia-piloto e o golfinho-cabeça-de-melão. Devido ao instinto de manada, o grupo inteiro permanecerá unido, mesmo se um deles estiver doente ou prejudicado, fazendo com que todos encalhem juntos ao tentarem ajudar um indivíduo em sofrimento.

Seus laços são tão fortes que, mesmo se os animais saudáveis sejam mandados de volta ao oceano — ou “desencalhados” — e ouvirem um membro do grupo chamando-os da praia, eles encalharão novamente para se reunirem a esse animal. Para evitar que isso aconteça, os resgatadores devem cuidar primeiro do animal acometido, antes de desencalhar o resto do grupo.

Chances de sobrevivência

Quando uma baleia encalha, começa uma corrida contra o tempo. O peso do cetáceo, que geralmente era sustentado pela água, fará com que ela fique esmagada contra o chão. Devido à circulação reduzida, as toxinas se acumulam, intoxicando o animal. Fora da água, a camada grossa de gordura da baleia pode gerar seu superaquecimento. Assim como outros mamíferos, as baleias respiram ar, então elas podem se afogar quando estão encalhadas se a água entrar em seu respiradouro durante a maré alta.

Se você encontrar uma baleia encalhada, não tente movê-la. Arrastar o animal de volta à água é “uma linha de ação totalmente errada”, explica Robinson, já que pode danificar suas caudas delicadas e pode ser fatal caso o animal necessite de tratamento veterinário antes de ser liberado. Em vez disso, instituições de caridade marinhas, a guarda costeira ou serviços de emergência podem prestar auxílio enquanto se aguarda voluntários treinados e veterinários. Mantenha o animal ereto, molhado (evite molhar o respiradouro) e o cubra para evitar queimaduras de sol.

Mesmo assim, as taxas de sobrevivência são baixas. Equipes de resgate tentarão desencalhar somente os animais que estejam saudáveis o suficiente para sobreviver. Outras opções seriam colocar o animal em cativeiro — em países onde isso é permitido — ou eutanásia. Ainda que seja angustiante, Jarvis argumenta que essa é a melhor decisão baseada no bem-estar do animal, em vez de submetê-lo ao cativeiro.

O lado bom

Os encalhes ajudam os cientistas a entenderem melhor esses animais, especialmente as espécies difíceis de serem estudadas, como as baleias-bicudas. As necrópsias ajudam os pesquisadores a entenderem não apenas como o animal morreu, mas também como ele viveu: onde esteve, o que comeu, como foi afetado pela poluição com plástico ou químicos e quantas vezes procriou. “Não se trata apenas da morte”, afirma Deaville. “Trata-se também da sua vida”.

Além disso, Deaville chama a atenção para o fato de que os encalhes podem ser um bom sinal para as espécies, porque indicam números populacionais mais saudáveis: de forma simples, se o número de animais for maior, é mais provável que eles encalhem devido a causas naturais, mesmo se outras ameaças sejam minimizadas. Na Escócia, a diminuição no número de encalhes de orcas deixa claro que sobraram poucos indivíduos de uma população que está em perigo de extinção; enquanto que o aumento de encalhes de baleias-jubarte no Reino Unido indica que a população aumentou desde que a pesca de baleias foi banida.

“Contraditoriamente”, conta Deaville, “é ruim para o animal, mas uma situação melhor para sua população”.

Fonte: National Geographic Brasil

MPF quer investigar presidente do Ibama por afrouxar regras para exportação de madeira

 

MPF quer investigar presidente do Ibama por afrouxar regras para exportação de madeira

terça-feira, 13 abril 2021 22:35
Presidente do Ibama, Eduardo Fortunato Bim. Foto: Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF.

A Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio do Ministério Público Federal (4CCR/MPF) pediu a abertura de investigação para apurar a eventual responsabilidade do presidente do Ibama, Eduardo Fortunato Bim, por assinar despachos que liberaram a exportação de madeira sem fiscalização ambiental. O pedido foi feito nesta segunda-feira (12). O MPF quer saber se o comandante do Ibama cometeu improbidade administrativa. 

A decisão da 4ª Câmara ocorreu após um procurador da República no Pará arquivar um inquérito que investigava a venda ilegal de madeira no Pará. O procurador responsável pelo caso pediu o arquivamento após concluir que os responsáveis pela exportação apenas cumpriram com a atual orientação do Ibama, que dispensou a exigência do documento. O arquivamento foi encaminhado ao colegiado, que não concordou com a decisão e reabriu o inquérito, desta vez com foco na orientação dada pelo presidente do Ibama.

Em fevereiro de 2020, atendendo pedidos da Associação Brasileira de Empresas Concessionárias Florestais (Confloresta) e da Associação das Indústrias Exportadoras de Madeira do Estado do Pará (Aimex), o presidente do Ibama eliminou a necessidade de autorização específica para exportação de madeira de origem nativa em geral, como estabelecia a Instrução Normativa 15/2011. A autorização só seria necessária em caso envolvendo espécies em perigo de extinção. 

A decisão de Bim foi assinada na terça-feira de Carnaval. Antes, ele havia se reunido com representantes de madeireiras multadas em R$ 2,6 milhões, no início de fevereiro, como mostra reportagem de Leandro Prazeres, em O Globo

Liberou geral

Pelo novo entendimento, a legalidade da exportação seria atestada apenas pelo Documento de Origem Florestal (DOF), extraído de sistemas do Ibama, ou pela Guia Florestal (GF) expedida pelos órgãos ambientais estaduais. 

“Como a declaração no Sisdof [sistema de informação do Ibama que é alimentado pelas próprias empresas e que gera o DOF] é realizada pelo próprio exportador, ou seja, autodeclaratória, sem passar pelo controle direto do Ibama, está sujeita a erros e muitas vezes má-fé, portanto, insuficiente para o controle da legalidade do produto vegetal destinado à exportação”, aponta o Colegiado. Na avaliação dos procuradores, “permitir que o DOF ou a Guia GF/Sisflora seja equivalente à Autorização de Exportação é reduzir a capacidade e a abrangência da fiscalização, ocasionando um grave risco de danos à vegetação nativa do Brasil, em afronta direta e esvaziamento do núcleo central do direito fundamental da coletividade, em suas presentes e futuras gerações, e ao meio ambiente ecologicamente equilibrado”.

O pedido de investigação foi encaminhado à Procuradoria da República no Distrito Federal, unidade do Ministério Público Federal que atua na primeira instância da Justiça Federal no DF.