quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Organização de proteção animal tenta desesperadamente tirar centenas de gatos e cães do Afeganistão

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Organização de proteção animal tenta desesperadamente tirar centenas de gatos e cães do Afeganistão

Organização de proteção animal tenta desesperadamente tirar centenas gatos e cães do Afeganistão

O mundo continua assistindo com apreensão a tomada do governo do Afeganistão pelos extremistas Talibãs. Hoje mesmo há relatos de que protestantes foram mortos e vários ficaram feridos nas ruas da capital Cabul. Além disso, apesar dos representantes do grupo terem afirmado ontem (17/08) que respeitarão os direitos das mulheres, há um ceticismo mundial se essa promessa realmente será cumprida, já que no passado, meninas foram obrigadas a parar de estudar, profissionais deixaram de trabalhar e a ordem é que ficassem em casa. E infelizmente, organizações de proteção animal alertam também sobre o destino de centenas de cães e gatos.

Uma dessas entidades é a ONG Nowzad, criada pelo ex-fuzileiro naval britânico Pen Farthing, um dos muitos ocidentais que optaram por ficar em Cabul. Ele construiu um abrigo e uma clínica veterinária para cães, gatos e outros animais em um dos lugares mais perigosos da Terra e agora se recusa a abandonar sua equipe e os bichos.

Em 2006, quando o militar estava junto com sua tropa na cidade de Now Zad, ele se deparou com dois cães brigando. Ao apaziguar a disputa, ganhou um amigo para sempre. Ele e um desses animais passaram os seis meses seguintes juntos. O cachorro foi batizado de “Nowzad”, assim como o abrigo. Seu fiel escudeiro foi enviado mais tarde para um novo lar, na Inglaterra. E muitos outros tiveram um destino feliz, como o dele.

Até hoje, a organização já conseguiu promover o reencontro de 1.600 cães com militares, que os conheceram durante a guerra.

Depois da retirada das tropas dos Estados Unidos do país, após 20 anos por lá, e o caos e a insegurança que se instalaram em Cabul, Farthing lançou no final de semana um apelo desesperado no Facebook para conseguir arrecadar os recursos necessários para alugar um cargueiro e proteger todos – humanos, incluindo muitos assistentes veterinários, e os animais (100 gatos e 100 cães) -, mas para isso são necessários US$ 200 mil, pouco mais de R$ 1 milhão.

O ex-fuzileiro já pediu ajuda ao governo do Reino Unido e criticou o primeiro-ministro Boris Johnson sobre a lenta retirada dos cidadãos daquele país do Afeganistão. Hoje houve uma reunião de emergência no Parlamento, em Londres, sobre a situação em Cabul.

Os talibãs consideram cachorros impuros. Nas cidades em que chegam, os militantes do grupo matam esses animais e proíbem que os moradores os tenham em casa.

A história comovente de Farthing e seu esforço para a retirada dos animais de Cabul ganhou a atenção mundial e milhares de pessoas estão enviando dinheiro para a organização.

“Um enorme e extremamente sincero agradecimento de toda a equipe da Nowzad pela generosidade incrível de nossos apoiadores e amigos. As últimas 48 horas foram muito estressantes. Há muitos de vocês para agradecer pessoalmente aqui – faremos isso por muitos anos – mas queremos que todos saibam como somos eternamente gratos a cada um de vocês”, escreveu a equipe da ONG em seu site na terça-feira.

Organização de proteção animal tenta desesperadamente tirar centenas de gatos e cães do Afeganistão

Um dos colaboradores da organização em Cabul

A Nowzad tem algumas celebridades entre seus apoiadores, como o comediante, Ricky Gervais, conhecido por sua atuação na série “The Office”, e também, a atriz Judi Dench.

“Pen Farthing e sua equipe Nowzad têm feito um trabalho incrível por mais de uma década em Cabul, eles salvaram milhares de cães e forneceram trabalho para a comunidade local e instigaram programas educacionais que os beneficiaram. Suas vidas agora estão em perigo. Eles precisam de nossa ajuda”, disse Gervais.

É possível fazer doações para a campanha criada por Farthing para resgatar os animais de Cabul neste link, todavia só são aceitos valores em dólares (americanos, canadenses e australianos), euros e ienes (Japão).

Pen Farthing escreveu três livros contando sobre sua trajetória no Afeganistão, o trabalho que faz em prol dos animais e as histórias especiais de alguns cães. O britânico já recebeu vários prêmios e foi nomeado “CNN Hero”, em 2014.

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Fotos: divulgação Nowzad

Cientistas produzem relatório com recomendações para o mundo se prevenir contra nova pandemia

 


Cientistas produzem relatório com recomendações para o mundo se prevenir contra nova pandemia

DOCUMENTO DEFENDE O MEIO AMBIENTE E O FORTALECIMENTO DOS SISTEMAS DE SAÚDE EM TODO O MUNDO.

Cientistas de vários países – ligados às áreas de saúde e clima – lançam nesta quarta-feira (18) um relatório com recomendações para o mundo enfrentar e se prevenir uma nova pandemia.

O relatório, produzido pelo grupo de pesquisadores, liderado pelo Instituto de Saúde Global da Universidade Harvard, de Cambridge (EUA), aponta que investimentos na conservação de florestas e na mudança das práticas agrícolas são ações essenciais, e econômicas, para prevenir novas pandemias.

O documento orienta ainda a integração de ações de conservação e o fortalecimento dos sistemas de saúde em todo o mundo.

Segundo os cientistas, há a necessidade de maiores investimentos em conservação florestal, especialmente nos trópicos, maior biossegurança em torno de fazendas de animais de pecuária e silvestres e investimento em plataformas de One Health (saúde coletiva ou saúde única em português) – que une conhecimentos em saúde pública, veterinária e ambiental, como o melhor método para prevenir e responder aos surtos de doenças zoonóticas e pandemias.

A prevenção também consiste em restringir o contato de pessoas com animais hospedeiros de vírus.

O custo da prevenção é o equivalente a 2% das perdas econômicas globais provocada pela pandemia do novo coronavírus: cerca de US$ 22 bilhões por ano.

Ela está diretamente ligada ao monitoramento e freio de atividades predatórias que não oferecem nenhum benefício econômico global, sobretudo o desmatamento e o tráfico de animais silvestres: manter árvores em pé e os animais em seus hábitats tem um custo econômico menor que o de impor lockdowns ou abater rebanhos para conter epidemias em curso.

VÍDEO: Enchentes, neve e calor extremo: como as mudanças climáticas afetam o planeta

Fonte: G1

Como brasileiros comem tubarão sem saber e ameaçam preservação da espécie

 

Como brasileiros comem tubarão sem saber e ameaçam preservação da espécie

Dados preliminares de levantamento aos quais a BBC News Brasil teve acesso mostram que 69% “não sabem que carne de cação é de tubarão” – GETTY IMAGES

Você já comeu tubarão? Provavelmente, não. Mas, e cação?

Se sim, você não está sozinho. Segundo dados preliminares de uma sondagem encomendada por pesquisadores brasileiros aos quais a BBC News Brasil teve acesso, praticamente sete em cada 10 brasileiros (69%) “não sabem que carne de cação é de tubarão”.

É aí que está o problema — sem saber, comemos tubarão, um peixe com alto nível de toxicidade e cuja população vem reduzindo em número ao redor do mundo nas últimas décadas.

E não comemos pouco — o Brasil é o maior importador e consumidor de carne de tubarão do mundo, apesar de a grande maioria dos brasileiros não ter ideia disso “por falta de rotulagem adequada”, alertam as pesquisadoras Bianca Rangel e Nathalie Gil em entrevista à BBC News Brasil.

Essa rotulagem incorreta, aliada aos preços atraentes e à falta de uma política pública adequada, fazem do Brasil uma ameaça para a preservação da espécie — uma pesquisa estimou que a população de tubarões e arraias no mundo caiu 71% desde 1970, ao passo que a pesca predatória desses animais aumentou 18 vezes.

Neste sentido, uma maior conscientização da população sobre o que vai parar em sua mesa “pode ajudar na preservação dos tubarões”, diz Rangel, do Departamento de Fisiologia do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP).

“Em vez de ser embalada com rotulagem adequada, a carne de tubarão é vendida no Brasil normalmente como cação, um nome ambíguo usado para várias espécies”, acrescenta Gil, da Sea Shepherd Brasil, ONG de conservação da vida marinha.

“Ou seja, os brasileiros não sabem que estão comendo tubarão”, ressaltam as pesquisadoras.

Prova disso está nas conclusões iniciais do levantamento que abre esta reportagem. A pesquisa foi realizada pela agência independente de pesquisa Blend e comissionada pela Sea Sheperd Brasil com 5 mil brasileiros em todo o território nacional.

Recentemente, Rangel e Gil, em conjunto com três outros pesquisadores, escreveram um artigo, publicado na prestigiada revista Science, em que alertam sobre essa situação e sugerem como o Brasil pode ajudar a proteger a população de tubarões.

Brasil é maior importador e consumidor de carne de tubarão – GETTY IMAGES

Importação e consumo

Segundo explicam as pesquisadoras, o Brasil se tornou o principal destino de carcaças de tubarão sem barbatanas. Por ano, nosso consumo anual é de cerca de 45 mil toneladas.

As barbatanas são uma iguaria no mercado asiático e podem alcançar valores astronômicos — seu quilo pode ultrapassar US$ 1,5 mil (cerca de R$ 8 mil).

Mas há pouca demanda pela carne de tubarão.

E, como a imensa maioria dos países proíbe a pesca do peixe apenas para o comércio exclusivo desse item — ou seja, retirando as nadadeiras e descartando a carcaça no mar (o chamado “finning”) — o que sobra do animal acaba tendo desembarque certo: o Brasil.

Curiosamente, o Brasil foi o primeiro país a assinar tratado ratificando a proibição dessa prática.

“O Brasil, maior importador mundial de carne de tubarão, compra carcaças e bifes de tubarão sem barbatanas de países que atuam no comércio de barbatanas, como China e Espanha, e do Uruguai, que exporta carne processada de tubarão”, diz o artigo.

“No Brasil, embora tubarões protegidos não possam ser legalmente comercializados por pescadores ou empresários locais, eles podem ser importados sem quaisquer restrições”.

“Além disso, é obrigatório fornecer informações para uma rotulagem adequada apenas se o peixe congelado importado pertencer à família Salmonidae (que inclui o salmão e a truta) ou à família Gadidae (que inclui o bacalhau e a arinca)”.

Segundo os pesquisadores, “apesar do crescente debate sobre a rotulagem incorreta de tubarões entre organizações não governamentais e comunidades acadêmicas, nenhuma medida governamental foi implementada”.

“Como resultado, os consumidores no Brasil continuam sem saber que estão comprando carne de tubarão e contribuindo para o declínio de espécies vulneráveis de tubarão”, afirmam.

Grande predador, tubarão está no topo de cadeia alimentar e, por isso, nível de toxicidade de sua carne é maior – GETTY IMAGES

Riscos para saúde

Rangel e Gil alertam ainda para o risco à saúde relacionado ao consumo da carne de tubarão.

“Como se trata de um grande predador, um animal topo de cadeia alimentar, o nível de toxicidade de sua carne é maior. Ou seja, existe um risco à saúde para quem come tubarão. E o pior: sem saber disso”, diz Gil.

Por um processo de bioacumulação, o tubarão agrega metais pesados, como mercúrio e arsênio, presentes nos organismos que lhe serviram de alimento. Ingeridas além da conta, essas substâncias podem causar danos cerebrais.

Um parâmetro de consumo de mercúrio vem da Organização Mundial de Saúde (OMS). Ela preconiza o limite diário de 0,5 miligrama desse metal por quilo.

Estudo publicado em 2008, porém, revela que, em amostras de Prionace glauca, ou tubarão-azul, a espécie de tubarão mais pescada no mundo, o índice presente excedeu em mais de duas vezes o limite diário.

Não por menos, a Food and Drug Administration (FDA), agência federal americana que regula alimentos e medicamentos, não recomenda a inclusão de tubarão no cardápio de grávidas, de mulheres que estejam amamentando e de crianças, seja em que quantidade for.

Ação urgente

No artigo, os pesquisadores defendem uma “ação urgente em todo o mundo, especialmente no Brasil”.

“Como primeiro passo, o governo brasileiro deve divulgar amplamente o fato de que o cação pode se referir à carne de tubarão”.

“O país deve exigir que todos os produtos nacionais e importados sejam rotulados com seus nomes científicos em toda a cadeia de abastecimento, garantindo o monitoramento preciso das espécies no sistema e permitindo que os consumidores decidam se comem uma espécie em risco de extinção”.

“Como resultado de tais mudanças, a demanda provavelmente diminuiria, limitando o mercado de tubarões com barbatanas removidas ilegalmente. O Brasil também poderia proteger tubarões em todo o mundo proibindo a importação de espécies ameaçadas de extinção”.

“Por causa do papel descomunal do Brasil no comércio global de tubarões, essas mudanças podem melhorar muito os esforços de conservação”, concluem.

Fonte: BBC

Com aumento de alerta de queimadas, governo do AM anuncia reforço para ação que combate crimes ambientais

 


Com aumento de alerta de queimadas, governo do AM anuncia reforço para ação que combate crimes ambientais

EQUIPAMENTOS FORAM ENTREGUES E EFETIVO DE OPERAÇÃO FOI AMPLIADO PARA COMBATER DESMATAMENTO ILEGAL.

Força-tarefa para combater queimadas foi anunciada nesta segunda-feira (16) — Foto: Eliana Nascimento/G1 AM

Neste segundo semestre, o Amazonas registra um aumento nos alertas de queimadas, principalmente no Sul do estado, e entra em situação de emergência ambiental. Para combater crimes ambientais, o governo anunciou uma força-tarefa nesta segunda-feira (16). Ao todo, 12 municípios serão apoiados, mas Lábrea, Apuí e Boca do Acre possuem prioridade.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que monitora os focos de calor por satélite, somente até o dia 14 deste mês foram registrados 4.167 focos queimadas em todo o Amazonas. O número é maior que o registrado em julho, que foi de 1.173 focos de calor.

“Temos acompanhado diariamente todas as informações dos alertas, tanto do desmatamento, quanto de queimadas. Como estamos entrando em um período de seca, por causa do verão amazônico, há um aumento de alertas de queimadas, em especial concentrado no Sul do Estado”, afirmou Eduardo Costa Taveira, secretário de Estado do Meio Ambiente (Sema).

Uma força-tarefa foi anunciada pelo governo do Amazonas nesta segunda-feira. Foi informado o investimento de mais de R$ 615 mil em novos equipamentos para estruturar brigadas no sul do estado, além da ampliação de efetivo e novas tecnologias para a Operação Tamoiatatá, reforçando o combate ao desmatamento e queimadas ilegais no Amazonas.

Segundo o secretário, ao todo, serão 12 municípios apoiados na segunda fase da Operação Tamoitatá. Desse total, Lábrea, Apuí e Boca do Acre terão prioridade.

“Terão um foco especial. Por sinal são os três municípios que estão aumentando o número de focos de calor”.

Dados do Inpe mostram que Lábrea lidera a lista de toda a Amazônia Legal. O município, que fica no extremo sul do Amazonas e na fronteira com o estado de Rondônia, acumula 1.397 casos.

Apuí, na fronteira com o Mato Grosso, vem na quarta posição no ranking dos municípios que mais registram queimadas. A cidade tem 1.248 focos no acumulado do ano.

“Estamos em situação de emergência ambiental. Temos um comitê permanente que o ano todo avalia essas questões, os locais onde há maior incidência. Hoje, estamos inaugurando a segunda etapa da operação, alinhando o trabalho de agentes, brigadistas e tecnologia para identificar esses focos de desmatamento e de queimadas”, informou o governador do Amazonas, Wilson Lima.

Nessa força tarefa, foi entregue mais de 4,6 mil itens operacionais e equipamentos que vão auxiliar o trabalho em campo de equipes da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil do Estado, Sema e Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), além de brigadistas capacitados pelo Governo do Estado.

O diretor do Ipaam, Juliano Valente, anunciou uma ferramenta que faz parte de um programa. Segundo ele, a ferramenta possui 130 satélites de alta resolução que permite monitorar e acompanhar detalhes de uma determinada área. Todas as informações serão compartilhadas com o Ministério da Justiça em tempo real.

“Serve para identificar o desmatamento ilegal, focos de queimada, rompimento de barragem, área de mineração irregulares, garimpos, pistas clandestinas, fraudes florestais e entre outros. Essa plataforma favorece dados, por meio da inteligência, levanta informações da montagem dos alvos”.

Operação Tamoiotatá

Lançada em abril de 2021, a operação já embargou um total de 5.715 hectares de área desmatada de forma irregular no sul do Amazonas, o equivalente a cerca de oito mil campos de futebol. Os crimes ambientais resultaram em R$ 31,1 milhões aplicados em autos de infração.

Reforço de efetivo

A força-tarefa da Operação Tamoiotatá passará a contar com 312 pessoas para fortalecer o combate ao desmatamento e às queimadas ilegais, entre 137 servidores do Estado e 175 brigadistas florestais capacitados pelo governo.

Do total, 200 ficarão divididos em três bases, localizadas em Apuí, Humaitá e Lábrea (a 453, 590 e 702 quilômetros de Manaus, respectivamente), ampliando a cobertura contra a degradação ambiental na região sul do Amazonas, considerada de maior vulnerabilidade no estado para crimes contra o meio ambiente relacionados à grilagem, uso irregular de terras, extração ilegal de madeira e garimpo.

Fonte: G1