sexta-feira, 22 de julho de 2022

Para elefantes órfãos, amigos podem ser a chave para aliviar o estresse

 https://noticias.ambientebrasil.com.br/redacao/traducoes/2022/07/18/178558-para-elefantes-orfaos-amigos-podem-ser-a-chave-para-aliviar-o-estresse.html?utm_source=ambientebrasil&utm_medium=sidebar


Para elefantes órfãos, amigos podem ser a chave para aliviar o estresse

Um novo estudo descobriu que elefantes órfãos selvagens que vivem entre pares da mesma idade têm níveis de estresse mais baixos do que elefantes que não vivem.
Um novo estudo descobriu que elefantes órfãos selvagens que vivem entre pares da mesma idade têm níveis de estresse mais baixos do que elefantes que não vivem.

Quando um grupo de pesquisadores começou a estudar o bem-estar de elefantes selvagens da savana africana juvenis no centro do Quênia, eles tinham uma teoria: elefantes órfãos seriam mais estressados ​​do que não órfãos.

Há muitas evidências de que o vínculo mãe-filho ajuda a amortecer o estresse em animais, o que foi demonstrado anteriormente em ratos, tentilhões e porquinhos-da-índia, diz a líder do estudo Jenna Parker, pesquisadora de pós-doutorado da San Diego Zoo Wildlife Alliance e Universidade Estadual do Colorado. Os elefantes têm estruturas sociais sofisticadas e laços familiares profundos. Como os elefantes órfãos na mesma região morrem a uma taxa mais alta do que os elefantes com mães vivas, parecia óbvio que os órfãos sobreviventes ficariam estressados.

A equipe, no entanto, fez uma descoberta inesperada: realmente não havia diferença nos níveis de hormônio do estresse de elefantes órfãos e não órfãos, desde que vivessem com membros da família, como tias, primos ou irmãos. Os elefantes – mesmo os órfãos – que viviam em grupos com colegas de sua idade acabaram sofrendo menos estresse do que aqueles que não viviam. Em suma, os elefantes podem sobreviver com uma pequena ajuda de seus amigos.

“Esperávamos ver níveis mais altos [de hormônios do estresse] em elefantes órfãos”, diz Parker, “porque até os oito ou nove anos, os elefantes raramente estão a mais de 10 metros de sua mãe”.

Com o conflito entre humanos e a vida selvagem e a seca ameaçando os elefantes na região, as descobertas publicadas na revista Communications Biology oferecem uma nova visão sobre como ter um grupo de pares forte pode contribuir para a sobrevivência dos elefantes. Em 2021, a União Internacional para a Conservação da Natureza listou o elefante da savana africana como ameaçado de extinção. Cerca de 36.000 permanecem no Quênia, de acordo com um censo nacional de 2021.

Esta informação também pode ajudar as instalações de reabilitação que acolhem elefantes órfãos a preparar os animais para um futuro de sucesso na natureza – libertando-os em grandes grupos de pares, por exemplo.

Medindo o estresse através do esterco de elefante

Parker começou o estudo em 2015, quando a região da Reserva Nacional de Samburu sofreu vários anos de aumento da caça furtiva de elefantes.

Na época, ela diz, seus colegas da Universidade Estadual de Colorado perceberam que “não estávamos realmente entendendo o impacto total da caça ilegal. Quando um elefante é morto, há todas essas consequências para os elefantes aos quais ele está ligado.” Eles queriam analisar os impactos indiretos: como a caça furtiva de uma mãe afeta o bem-estar social e fisiológico de um órfão?

A equipe primeiro analisou as taxas de sobrevivência e descobriu que os elefantes órfãos em Samburu tinham taxas de sobrevivência mais baixas do que os elefantes não órfãos. Em seguida, eles queriam olhar para os sobreviventes: os órfãos estavam sob estresse?

Para descobrir, eles testaram o esterco dos elefantes em busca de concentrações de metabólitos glicocorticóides – uma substância produzida como resposta ao estresse no corpo. “É uma boa maneira de analisar os hormônios do estresse porque não é invasivo”, diz Parker. “Você apenas espera que eles façam cocô e coleta.”

Geralmente, níveis mais altos estariam associados a um estresse mais alto, mas uma amostra única que mostra níveis altos é inconclusiva, explica Parker, porque os elefantes “podem ter encontrado um leão no início do dia”. Entre 2015 e 2016, a equipe coletou e testou 496 amostras de esterco de 37 elefantes fêmeas juvenis: 25 das quais ficaram órfãs e 12 não. Os elefantes órfãos tinham uma idade média de cinco anos quando perderam suas mães.

Embora a equipe tenha ficado surpresa com o fato de os elefantes órfãos não apresentarem níveis de estresse mais altos do que os elefantes que ainda viviam com suas mães, o fato de grupos de pares parecerem desempenhar um papel tão importante não foi um choque.

Parker lembra de dois órfãos no estudo, Frida e Rothko. “Frida tinha uma orelha esquerda flexível e Rothko tinha uma orelha direita flexível”, e eles eram inseparáveis, diz ela. “Era como se eles tivessem pelo menos um bom par de orelhas enquanto estivessem juntos!”

As descobertas também se encaixam em pesquisas sociais anteriores em elefantes africanos, diz Parker. “Os órfãos aumentam a interação com seus companheiros de idade após a morte da mãe.” Ela observa que a dominância é estruturada por idade em elefantes: elefantes mais velhos podem superar elefantes mais jovens quando se trata de comida, por exemplo, mas os pares geralmente são iguais.

Preparando elefantes órfãos para o sucesso

Parker trabalha com elefantes órfãos no Santuário de Elefantes Reteti, um orfanato no norte do Quênia que reabilita e liberta elefantes jovens.

Esses elefantes estavam no fundo de sua mente ao longo deste estudo, diz ela, porque as descobertas mostram que liberar órfãos reabilitados em grandes grupos com outros elefantes da mesma idade pode prepará-los para o sucesso inicial na natureza.

Parker gostaria de ver um estudo semelhante com uma população mais específica de elefantes, como aqueles que enfrentaram caça furtiva mais pesada.

Kathleen Gobush, bióloga da vida selvagem do Grupo de Especialistas em Elefantes Africanos da IUCN, que não esteve envolvida no estudo, diz que seria interessante acompanhar esse mesmo grupo de elefantes enquanto enfrentam um estressor agudo, como uma onda de seca intensa ou uma nova onda de caça furtiva.

“A conclusão aqui é que os elefantes precisam de elefantes”, diz Gobush. “E quando o pior acontece, como perder a mãe, alguns encontram novas maneiras de sobreviver e prosperar.”

Fonte: National Geographic / Natasha Daly
Tradução: Redação Ambientebrasil / Maria Beatriz Ayello Leite
Para ler a reportagem original em inglês acesse:
 https://www.nationalgeographic.com/animals/article/for-orphaned-elephants-friends-may-be-key-to-stress-relief

Alimentar o gado com insetos pode tornar a produção de carne e leite mais sustentável

 https://noticias.ambientebrasil.com.br/redacao/traducoes/2022/07/07/178391-alimentar-o-gado-com-insetos-pode-tornar-a-producao-de-carne-e-leite-mais-sustentavel.html


Alimentar o gado com insetos pode tornar a produção de carne e leite mais sustentável

A população mundial está crescendo, assim como o desafio de alimentar a todos. As projeções atuais
indicam que, até 2050, a demanda global por alimentos poderá aumentar de 59% a 98% acima dos níveis atuais. Em particular, haverá aumento da demanda por alimentos proteicos de alta qualidade, como carne e laticínios.

Os produtores de gado nos EUA e em outros países exportadores estão procurando maneiras de aumentar sua produção e, ao mesmo tempo, serem sensíveis aos impactos ambientais da produção
agrícola. Um importante ponto de alavancagem é encontrar ingredientes para ração animal que
possam substituir grãos, liberando mais terras agrícolas para o cultivo de alimentos para consumo humano.

Os bovinos são animais ruminantes, de modo que o seu sistema digestivo promove uma reutilização
“para cima”, pois permitem que eles convertam fontes de nutrientes de baixa qualidade que os humanos não podem digerir, como grama e feno, em alimentos proteicos de alta qualidade, como carne e leite, que atendem às necessidades nutricionais humanas. Mas quando o teor de proteína da grama e do feno fica muito baixo, geralmente no inverno, os produtores alimentam seus animais com uma fonte adicional de proteína – geralmente farelo de soja. Essa estratégia ajuda o gado a crescer, mas também aumenta o custo da carne e deixa menos terras agrícolas para o cultivo para consumo humano.

O cultivo de grãos também tem impactos ambientais: por exemplo, a produção de soja em larga escala é um motor do desmatamento na Amazônia. Por todas essas razões, nosso laboratório está trabalhando para identificar novas fontes alternativas de proteína para o gado.

Larvas de mosca soldado negro

A indústria de cultivo de insetos está emergindo rapidamente em todo o mundo. Os produtores estão cultivando insetos para alimentação animal devido ao seu perfil nutricional e a sua capacidade de crescer rapidamente. Os dados também sugerem que a alimentação de insetos para o gado tem uma pegada ambiental menor do que as culturas convencionais, como o farelo de soja.

Entre milhares de espécies de insetos comestíveis, uma que está chamando a atenção é a mosca soldado negra (Hermetia illucens). Em sua forma larval, as moscas-soldado negras são 45% de proteína e 35% de gordura. Elas podem ser alimentadas eficientemente com resíduos de muitas indústrias, como resíduos de alimentos pré-consumo, ou seja, aqueles que são normalmente descartados antes de chegar ao consumidor. As larvas podem ser criadas em larga escala em instalações do tamanho de fábricas e são estáveis ​​​​em prateleiras depois de secas.

A maioria dos adultos nos EUA não está pronta para colocar larvas de mosca soldado negra em seus pratos, mas está muito mais disposta a consumir carne de gado que é alimentado com larvas de mosca soldado negra. Isso desencadeou pesquisas sobre o uso de larvas de mosca soldado negra como ração para o gado.

A estudante de pós-graduação da Universidade Estadual do Texas, Kayra Tasci, segura larvas secas de mosca soldado negra. Fonte: Merritt Drewery, CC BY-ND.
A estudante de pós-graduação da Universidade Estadual do Texas, Kayra Tasci, segura larvas secas de mosca soldado negra. Fonte: Merritt Drewery, CC BY-ND.

Já aprovado para outros animais

Uma extensa pesquisa mostrou que as larvas da mosca soldado negra podem ser fornecidas a galinhas, porcos e peixes como um substituto para rações proteicas convencionais, como farinha de soja e farinha de peixe. A Associação Americana Oficial de Controle de Alimentos, cujos membros regulam a venda e distribuição de rações para animais nos EUA, aprovou as larvas como ração para aves, porcos e certos peixes.

Até agora, no entanto, houve poucas pesquisas sobre a alimentação de larvas de mosca soldado negra para o gado. Isto é importante por várias razões. Primeiro, mais de 14 milhões de bovinos e bezerros são alimentados com grãos ou ração nos EUA. Em segundo lugar, o sistema digestivo especializado do gado pode permitir que eles utilizem larvas de mosca soldado negra como alimento de forma mais eficiente do que outros animais.

Resultados promissores em bovinos

No início de 2022, nosso laboratório publicou os resultados do primeiro teste de alimentação de larvas de mosca soldado negra ao gado. Usamos bovinos que foram cirurgicamente equipados com pequenos dispositivos chamados cânulas (pequeno tubo, de dimensões e materiais variados), que nos permitiram estudar e analisar o rúmen dos animais – a parte do estômago que é a principal responsável pela conversão de alimentos fibrosos, como grama e feno, em energia que eles podem usar.

A canulação é amplamente utilizada para estudar a digestão em bovinos, ovinos e caprinos, incluindo a quantidade de metano que eles arrotam, o que contribui para as mudanças climáticas. O procedimento é realizado por profissionais veterinários seguindo protocolos rígidos para proteger o bem-estar dos animais.

Um novilho equipado com uma cânula que permite aos cientistas estudar a digestão em seu rúmen. Fonte: Merritt Drewery, CC BY-ND.
Um novilho equipado com uma cânula que permite aos cientistas estudar a digestão em seu rúmen. Fonte: Merritt Drewery, CC BY-ND.

Em nosso estudo, o gado consumiu uma dieta base de feno mais um suplemento proteico baseado em larvas de mosca soldado negra ou rações proteicas convencionais da indústria de gado. Sabemos que alimentar as vacas com um suplemento de proteína junto com grama ou feno aumenta a quantidade de grama e feno que elas consomem, então esperávamos que o suplemento à base de insetos tivesse o mesmo efeito.

Foi exatamente isso que observamos: O suplemento de proteína à base de insetos aumentou a ingestão de feno e a digestão dos animais de maneira semelhante ao suplemento de proteína convencional. Isso indica que as larvas da mosca soldado negra têm potencial como suplemento proteico alternativo para o gado.

Custos e subprodutos

Desde então, realizamos três ensaios adicionais avaliando larvas de mosca soldado negra em gado, incluindo dois financiados pelo Departamento de Agricultura dos EUA. Estamos especialmente interessados ​​em alimentar larvas de gado que tiveram sua gordura removida. Os dados sugerem que a gordura pode ser convertida em biodiesel, gerando dois produtos sustentáveis ​​a partir de moscas-soldado negras.

Também estamos estudando como o consumo das larvas afetará os micróbios produtores de metano que vivem no estômago do gado. Se nossa pesquisa atual sobre essa questão, que está programada para publicação na primavera de 2023, indicar que o consumo de larvas de mosca soldado negra pode reduzir a quantidade de metano que as vacas produzem, esperamos que motive os reguladores a aprovar as larvas como ração para o gado.

O estudante da Universidade do Estado do Texas, Brady Williams, testa o pH do fluido do rúmen de gado alimentado com larvas de mosca soldado negra. Fonte: Merritt Drewery, CC BY-ND.
O estudante da Universidade do Estado do Texas, Brady Williams, testa o pH do fluido do rúmen de gado alimentado com larvas de mosca soldado negra. Fonte: Merritt Drewery, CC BY-ND.

A economia também importa. Quanto os produtores de gado de corte e leite pagarão por ração à base de insetos e os insetos podem ser criados a esse preço? Para começar a responder a essas perguntas, realizamos uma análise econômica das larvas da mosca soldado negra para a indústria de gado dos EUA, também publicada no início de 2022.

Descobrimos que as larvas teriam um preço ligeiramente mais alto do que as fontes de proteína atuais normalmente fornecidas ao gado, incluindo o farelo de soja. Esse preço mais alto reflete o perfil nutricional superior das larvas da mosca soldado negra. No entanto, ainda não se sabe se a indústria de cultivo de insetos pode cultivar larvas de mosca soldado negra a esse preço, ou se os produtores de gado pagariam.

Fonte: The Conversation / Merritt Drewery
Tradução: Redação Ambientebrasil / Maria Beatriz Ayello Leite
Para ler a reportagem original em inglês acesse: 
https://theconversation.com/feeding-insects-to-cattle-could-make-meat-and-milk-production-more-sustainable-176223

Sem a Amazônia o mundo não vai conseguir se manter como conhecemos

 https://ipam.org.br/sem-a-amazonia-o-mundo-nao-vai-conseguir-se-manter-como-conhecemos/


Sem a Amazônia o mundo não vai conseguir se manter como conhecemos

18.07.2022 • Notícias
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“Qualquer meta e qualquer desejo de combater as mudanças climáticas exige que a Amazônia seja preservada e recuperada” disse Paulo Moutinho durante a Conferência Brasileira de Mudanças Climáticas

Por Lucas Guaraldo*

A preservação da Amazônia é fundamental para qualquer política ou iniciativa de combate às mudanças climáticas no Brasil e no mundo e sem ela o mundo não tem possibilidade de se manter, alertou o pesquisador pesquisador sênior do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), Paulo Moutinho, durante a Conferência Brasileira de Mudanças Climáticas. O evento reuniu organizações não governamentais, movimentos sociais, povos tradicionais e comunidade científica para discutir aspectos do combate às mudanças climáticas no Brasil.

Também participaram do painel “A Amazônia é o centro e a solução” as ativistas Angela Mendes, coordenadora Comitê Chico Mendes, Eliane Xunakalo, vice-presidente da União das Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira, Karina Penha, coordenadora de mobilização da campanha Amazônia de Pé no NOSSAS, e Adriana Ramos, coordenadora do Programa de Política e Direito Socioambiental do Instituto Socioambiental.

O evento tem como objetivo se debruçar sobre dilemas do contexto regional da Amazônia, buscando soluções para o avanço do desmatamento e as violações aos direitos socioambientais como forma de cumprir as metas climáticas e de redução da emissão de gases de efeito estufa.

Para Moutinho, a preservação da Amazônia não é apenas fundamental para o cumprimento de acordos internacionais, mas imprescindível para a viabilidade do agronegócio brasileiro e para o bem-estar da humanidade e, portanto, merece total atenção de todos os tomadores de decisão.

“Sem a Amazônia o mundo não vai conseguir se manter como conhecemos. Não são só as chances de atingirmos as metas climáticas que desaparecem. Todos os problemas serão agravados. Qualquer meta e qualquer desejo de combater as mudanças climáticas exige que a Amazônia seja preservada e recuperada. Isso parece óbvio, mas não é óbvio para os tomadores de decisão”, alerta.

Já conhecemos o caminho

De acordo com análise do IPAM com base nos dados do sistema Deter (Detecção de Desmatamento em Tempo Real), a destruição da Amazônia bateu um novo recorde histórico. Com a destruição de 3.988 km² de florestas acumuladas entre os meses de janeiro e julho, o primeiro semestre de 2022 foi o mais destrutivo desde 2016, quando se iniciaram as medições.

Apesar do aceleramento do ritmo de desmatamento e da aproximação da época de maior ocorrência de incêndios florestais, Moutinho afirma que o passado brasileiro pode dar esperança para o futuro da preservação ambiental e do crescimento sustentável.

“Podemos ser otimistas. O Brasil já demonstrou que consegue reverter os processos de destruição da Amazônia. Entre 2005 e 2012, derrubamos 80% das taxas de desmatamento e ainda dobramos a produção agropecuária no nosso território. Existem soluções para crescer de maneira sustentável.”

Caminhos para se seguir

Moutinho também aponta passos fundamentais a serem dados para evitar que a Amazônia não atinja o seu tipping point, quando o bioma passa a produzir mais CO2 do que é capaz de absorver.

“Primeiramente, precisamos defender, avançar e consolidar os direitos dos povos originários e tradicionais e das áreas protegidas da Amazônia. É preciso retomar a homologação de Terras Indígenas e é preciso destinar as florestas públicas que ainda não receberam uma função”

Apesar das ameaças de grilagem e incêndio florestais, as áreas mais conservadas da floresta são as pertencentes a terras indígenas. De acordo com levantamento do MapBiomas, entre 1985 e 2022, apenas 1,6% de todo o desmatamento ocorreu em terras indígena demarcadas.

Por outro lado, florestas públicas não destinadas têm sofrido com fraudes no CAR (Cadastro Ambiental Rural) e no desmatamento. Dos 56,5 milhões de hectares de áreas não destinada na Amazônia, 18,6 milhões de hectares possuem CARs ilegais sobrepostos às áreas preservadas e, nos últimos 2 anos, as taxas de desmatamento nessas áreas dispararam em 50%.

Além da demarcação de terras, Moutinho também aponta o investimento em inovação e produtividade como caminhos para um agronegócio mais sustentável, conservação das florestas e dos regimes de chuva relacionados à amazônia e fundamentais para a agricultura e o combate ao desmatamento legal dentro de propriedades privadas como soluções fundamentais para o crescimento sustentável no Brasil.

“Hoje temos 20 milhões de hectares da Amazônia que podem ser desmatados legalmente de acordo com o Código Florestal. Sem essas áreas, prejudicamos os rios voadores, não temos alimento e não temos produtividade. Não temos nada. Isso não é só um problema de alimentação e saúde, mas também um problema de segurança nacional”, ressaltou Moutinho.

*Estagiário sob supervisão de Natália Moura


quinta-feira, 21 de julho de 2022

Outrage in Qatar after 29 dogs, puppies shot dead

 Indignação no Catar após 29 cães e filhotes mortos a tiros


 https://www.al-monitor.com/originals/2022/07/outrage-qatar-after-29-dogs-puppies-shot-dead#ixzz7ZiBj1qGu




Nesta foto de arquivo tirada em 14 de junho de 2020, um treinador de animais da organização de bem-estar animal Paws verifica um cão de rua resgatado dentro de um canil nas instalações da instituição de caridade ao sul da capital do Catar, Doha

Nesta foto de arquivo tirada em 14 de junho de 2020, um treinador de animais da organização de bem-estar animal Paws verifica um cão de rua resgatado dentro de um canil nas instalações da instituição de caridade ao sul da capital do Catar, Doha - KARIM JAAFAR

Agence France-Presse

21 de julho de 2022 — Doha (AFP)

O abate de 29 cães por homens armados com rifles no Catar provocou indignação no estado do Golfo, que se prepara para sediar a Copa do Mundo no final deste ano.


As autoridades dizem que a polícia está investigando os assassinatos, o pior de uma série de casos brutais de crueldade contra cães.


Mas eles enfrentam críticas de ativistas do bem-estar animal que dizem que as leis que defendem animais domésticos como cães não estão sendo aplicadas.


Os últimos assassinatos ocorreram em um complexo industrial perto da capital Doha em 10 de julho, mas o massacre só foi relatado dias depois, disseram ativistas à AFP.


Quatro homens, dois armados com rifles de caça, ameaçaram guardas na fábrica e depois mataram 29 cães e filhotes, disseram ativistas. Pelo menos outros três ficaram feridos, incluindo dois nos estágios finais da gravidez.


Quando os homens apareceram, os cães começaram a correr em direção a eles, acreditando que "seriam alimentados", disse um ativista.


"Mas os homens começaram a atirar aleatoriamente", acrescentou o ativista.


As autoridades dizem que identificaram suspeitos, sem dar mais detalhes.


O motivo não ficou imediatamente claro, embora ativistas tenham dito que os cães há muito são alvo de tratamento desumano no estado do Golfo, onde alguns acreditam que o Islã considera os cães "impuros".


De acordo com um ativista, os atiradores disseram aos seguranças "que um cachorro mordeu o filho de um dos homens".


"Mas o complexo é fechado com cercas altas e nenhuma criança pode entrar para brincar perto dos cachorros", disse o ativista.


Outro disse que houve muitos casos nos últimos anos de cães e pássaros, incluindo flamingos, sendo usados ​​para prática de tiro por pessoas com rifles.


“Parece que não há lei aplicada, o que significa que esses monstros nunca serão levados à justiça”, disse Paws Rescue Qatar, um grupo de bem-estar animal que relatou o ataque pela primeira vez, em um comunicado em sua conta no Instagram.


Um ativista acrescentou: “A questão aqui é por que as pessoas podem usar rifles e armas de caça contra animais.


"Até onde sabemos, nenhum caso levou a uma acusação bem-sucedida."


As autoridades do Catar não comentaram publicamente o caso.


Mas a Sheikha Al Mayassa bint Hamad Al Thani, irmã do governante do Catar, condenou o ataque como "inaceitável" nas redes sociais.


Desde o massacre, as autoridades reuniram os outros cães que estavam no complexo industrial e os levaram para um abrigo administrado pelo governo, onde acredita-se que cerca de 3.000 cães de rua estejam mantidos, segundo ativistas.


Esses ativistas reclamaram que os ativistas nunca tiveram acesso ao abrigo e temem pelos animais de lá.


Ativistas também disseram que as autoridades nunca responderam a ofertas para organizar treinamento e gestão de abrigos.




Leia mais: https://www.al-monitor.com/originals/2022/07/outrage-qatar-after-29-dogs-puppies-shot-dead#ixzz7ZiBRGo8S

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Exploração excessiva de plantas e animais silvestres ameaça saúde, alimentação e geração de renda, alertam cientistas

 https://conexaoplaneta.com.br/blog/exploracao-excessiva-de-plantas-e-animais-silvestres-ameacam-saude-alimentacao-e-geracao-de-renda-alertam-cientistas/


Exploração excessiva de plantas e animais silvestres ameaça saúde, alimentação e geração de renda, alertam cientistas

Exploração excessiva de plantas e animais silvestres ameaçam saúde, alimentação e geração de renda, alertam cientistas

Por Elton Alisson para Agência Fapesp*

Bilhões de pessoas tanto em países desenvolvidos como em desenvolvimento dependem de espécies silvestres de plantas e animais para alimentação, saúde, energia, geração de renda e recreação, entre outras finalidades. Muitas dessas espécies, contudo, estão em declínio, ameaçadas pela exploração excessiva e pelo comércio ilegal, entre outras práticas que têm agravado a crise global da perda de biodiversidade.

O alerta foi feito por cientistas autores do relatório de avaliação sobre o uso sustentável de espécies silvestres da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, na sigla em inglês) – entidade criada em 2012 com a missão de sistematizar o conhecimento científico e subsidiar decisões políticas em âmbito internacional.

O resumo do documento foi aprovado esta semana por representantes dos 139 Estados-membros do órgão – incluindo o Brasil – e divulgado em 8 de junho, em Bonn, na Alemanha.

“Cerca de 50 mil espécies silvestres são utilizadas de diferentes maneiras, incluindo mais de 10 mil que são usadas diretamente como alimento. As populações rurais dos países em desenvolvimento são as mais vulneráveis ao uso insustentável, uma vez que, com a falta de alternativas, são forçadas a seguir explorando espécies que já se encontram em risco”, disse Jean Marc Fromentin, um dos coordenadores da avaliação.

O relatório é resultado de quatro anos de trabalho de 85 especialistas, líderes em ciências naturais e sociais de diferentes países, além de detentores de conhecimento indígena e tradicional e de 200 autores contribuintes, com base em mais de 6,2 mil estudos.

Entre os autores do documento está Maria Gasalla, professora do Instituto de Oceanografia da Universidade de São Paulo (IO-USP).

Os autores destacam que, nos últimos 20 anos, o uso humano de espécies silvestres tem aumentado em geral, mas sua sustentabilidade tem variado de acordo com as práticas.

A superexploração tornou-se muito comum e já é uma das principais ameaças à sobrevivência de muitas espécies terrestres e aquáticas, apontam.

“A sobrevivência de cerca de 12% das espécies de árvores selvagens está ameaçada pela exploração madeireira insustentável. A coleta insustentável é uma das principais ameaças para vários grupos de plantas, notadamente cactos, cicas e orquídeas, e a caça insustentável tem sido identificada como uma ameaça para 1.341 espécies de mamíferos silvestres”, sublinham os autores.

Por sua vez, o comércio ilegal de espécies silvestres já representa a terceira atividade ilegal no mundo, com valores anuais estimados em até US$ 199 bilhões. A madeira e o peixe representam os maiores volumes e valores do comércio ilegal de espécies silvestres.

As mudanças climáticas também podem agravar a perda de espécies silvestres. Ao mesmo tempo, algumas das melhores práticas no uso de plantas e animais selvagens, tais como a silvicultura sustentável, podem ser uma ferramenta importante de mitigação e adaptação ao clima, ponderam os autores.

“Enfrentar as causas do uso insustentável e, sempre que possível, reverter essas tendências, resultará em melhores resultados para as espécies silvestres e para as pessoas que dependem delas”, avaliou Marla Emery, uma das coordenadoras do relatório.

Uso sustentável

Uma a cada cinco pessoas em todo o mundo (cerca de 1,6 bilhão) depende de plantas silvestres, algas e fungos para sua alimentação e renda; uma em cada três (2,4 bilhões) depende de lenha para cozinhar e cerca de 90% dos 120 milhões de pessoas que trabalham na pesca de captura dependem da pesca em pequena escala, apontam os autores.

A fim de estabelecer um uso mais sustentável das espécies silvestres de plantas, animais, fungos e algas em todo o planeta, de modo a assegurar o bem-estar da humanidade, os autores do relatório analisaram políticas e ferramentas que têm sido usadas em diversos contextos.

Com base nessa análise, apresentam alguns elementos-chave que poderiam ser usados como alavancas para essa finalidade, como a implementação de políticas inclusivas e participativas e medidas de gestão de cadeias econômicas baseadas na exploração de espécies silvestres.

Em países com sólida gestão da pesca têm sido observado aumento das populações de peixes com valor econômico. A população de atum vermelho do Atlântico, por exemplo, foi reconstruída e agora é pescado dentro de níveis sustentáveis.

“Para países e regiões com baixa intensidade de medidas de gestão da pesca, no entanto, o estado das unidades populacionais é muitas vezes pouco conhecido, mas geralmente acredita-se estar abaixo da abundância necessária para maximizar a produção sustentável de alimentos”, ponderam os autores.

A mudança climática, a crescente demanda e os avanços tecnológicos nas tecnologias extrativas estão entre os prováveis desafios para o uso sustentável das espécies silvestres, e é necessária uma mudança transformadora para enfrentá-los, aponta o relatório.

*Este texto foi originalmente publicado no site da Agência Fapesp em 11/7/2022