segunda-feira, 8 de agosto de 2022

“Brasil tem potencial para conduzir transformação de paradigmas no campo”

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“Brasil tem potencial para conduzir transformação de paradigmas no campo”

03.08.2022 • Notícias



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André Guimarães no 21º Congresso Brasileiro do Agronegócio.

*Por Mariana Abuchain

“Acredito que o setor [agropecuário] deve se adaptar a um novo mercado que busca reduzir os impactos das mudanças climáticas. O Brasil tem potencial para conduzir essa transformação de paradigmas, garantindo mais produção e mais conservação e, ao mesmo tempo, atendendo às demandas do mercado moderno”, afirmou o diretor executivo do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), André Guimarães, durante a 21ª edição do Congresso Brasileiro do Agronegócio, que ocorreu nesta segunda-feira (1º/8), em São Paulo.

Guimarães participou do evento, organizado pela Abag (Associação Brasileira do Agronegócio), como moderador do painel “Agronegócio: Meio Ambiente e Mercados”, que concentrou as discussões em torno de um Brasil mais competitivo e, acima de tudo, mais sustentável. De acordo com os especialistas presentes, tal concorrência deve ser incentivada, obtendo apoio dos mercados globais que acompanham as políticas públicas relacionadas à proteção do meio ambiente.

Focar no que deu certo 

Na ocasião, Guimarães comentou acerca da produção agropecuária no Brasil. “Não há dúvidas sobre o êxito de um país que em 40, 50 anos passou de um importador de alimentos a um dos maiores exportadores de alimentos e de commodities agrícolas de fibras do mundo.”

O sucesso da agropecuária brasileira, explicou o diretor, se deve a uma série de fatores que englobam avanços na ciência; investimento; dedicação dos agricultores; e às condições ambientais privilegiadas do Brasil – chuvas, terras, solos. “Mas o processo que nos trouxe aos dias de hoje, que pressupôs a expansão da fronteira agrícola, deve ser substituído por outro, que se fundamenta na intensificação, na recuperação e na conservação ambiental”, sugeriu.

“O Brasil só tem a se beneficiar ao cumprir metas e objetivos estabelecidos pela agenda climática no que se refere ao combate ao desmatamento ilegal e às perdas dos biomas e ecossistemas”, complementa Guimarães. “É um diálogo que continua, pois o desafio de integrarmos esses olhares, é permanente. E temos tudo para fazê-lo: a ciência, a criatividade financeira, a liderança empresarial, a vocação para o diálogo. Precisamos encontrar caminhos e mostrar para o planeta que temos condições de fazer uma nova revolução no campo, assim como fizemos há anos atrás.”

Participaram do painel a superintendente de Relacionamento com Clientes da B3, Fabiana Perobelli; o professor-titular e coordenador do Laboratório de Genômica e Bioenergia da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Gonçalo Pereira; o embaixador e cofaciliutadorda Coalizão Brasil – Clima, Florestas e Agricultura, José Carlos da Fonseca Júnior; e a diretora de Sustentabilidade da Friboi/JBS e vice-presidente da Abag, Liegé Vergili Correia; e o embaixador e cofacilitador da Coalizão Brasil – Clima, Florestas e Agricultura, José Carlos da Fonseca.

O embaixador afirmou durante o painel que o Congresso trouxe exemplos comprovados que colocam em xeque a ideia de que desenvolvimento e sustentabilidade são antagônicos e contraditórios. “O Brasil saiu da defensiva para se tornar o protagonista na elaboração de leis de sustentabilidade, em âmbito internacional. Esse movimento ajudou a escrever as regras do Sistema Internacional de Regime de Normas Sustentáveis, do qual falamos até hoje”, lembrou.

Liegé Correia, por sua vez, ressaltou que o desenvolvimento só existe se for sustentável, e que esse mote precisa ser levado aos parceiros. “Não precisamos apenas ser, precisamos demonstrar e trazer todos os outros, juntos como setor e como país”. Para a vice-presidente da Abag, é imprescindível ainda que o Código Florestal seja implementado: “Só assim poderemos resolver, em definitivo, a questão do desmatamento ilegal.”

Sobre o evento  

O evento foi dividido em quatro painéis referentes a: geopolítica; segurança alimentar e interesses; tecnologia e informação; e perspectivas 2023/2026. Neste ano, o tema central do Congresso foi “Integrar para fortalecer”.

Dentre os presentes, estiveram autoridades como os ministros do Meio Ambiente, Joaquim Leite, e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Marcos Montes; o governador do Estado de São Paulo, Rodrigo Garcia; o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Francisco Matturro; o presidente da Abag, Luiz Carlos Corrêa Carvalho; e o CEO da B3, Gilson Finkelsztain.

O objetivo foi reunir especialistas de diferentes setores para discutir questões econômicas, fiscais, jurídicas e políticas para a manutenção do agronegócio brasileiro.

*Estagiária sob supervisão de Natália Moura  

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Gata tingida de rosa é resgatada no interior de São Paulo e dono responderá a crime de maus-tratos

Gata tingida de rosa é resgatada no interior de São Paulo e dono responderá a crime de maus-tratos

Desde 2020, a Lei 14.064/20 prevê pena de um a cinco anos de prisão para maus-tratos contra cães e gatos. A chamada “Lei Sansão” – em homenagem a um pit bull que teve duas patas decepadas em Minas Gerais -, configura como maus-tratos a prática de abuso, ferimento ou mutilação a esses animais, além de multa e proibição de guarda. E como não considerar como maus-tratos tingir o pelo de uma gata de cor de rosa? Sim, é crime!

O caso aconteceu no interior de São Paulo, onde uma denúncia levou uma equipe da organização Cadeia Para Maus-Tratos a uma casa em Tatuí. Lá foi encontrada uma gata, de aproximadamente um ano, com o pelo totalmente tingido de rosa.

O animal foi resgatado e levado para um abrigo em Piracicaba. O agora ex-dono da gata afirmou que a pintou para “deixá-la mais bonita e combinar com a cor do cabelo dele”.

Integrantes da ONG registraram um boletim de ocorrência contra o tutor.

A preocupação dos veterinários é que a gata tivesse intoxicação com a tinta, já que ela deve ter ficado com a substância de tingimento durante uns 30 minutos e poderia ter lambido. Mas os primeiros exames revelaram que ela está bem. Foi dado um longo banho no animal e seu pelo foi tosado para tentar retirar a maior quantidade de resíduos químicos de seu corpo.

Recentemente também escrevi sobre um projeto de lei em tramitação no Senado que quer proibir as tatuagens e os piercings em animais, apesar de vários estados brasileiros já criminalizarem essa prática.

*Com informações do portal de notícias G1

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Foto: divulgação/Cadeia Para Maus-Tratos

sábado, 6 de agosto de 2022

Especialistas tentam de tudo para salvar baleia beluga que foi parar no rio Sena, na França

 Bichos  


Especialistas tentam de tudo para salvar baleia beluga que foi parar no rio Sena, na França

Especialistas tentam de tudo para salvar baleia beluga que foi parar no rio Sena, na França

A beluga (Delphinapterus leucas), também chamada popularmente de baleia branca, é encontrada em altas latitudes, em torno do círculo polar Ártico, distribuindo-se desde a costa da Groenlândia até a região da Noruega. E como exatamente um animal dessa espécie foi parar no rio Sena, próximo a uma eclusa, entre as cidades de Paris e Rouen ninguém sabe.

O fato é que a baleia foi avistada nas águas do Sena na última quarta-feira (03/08) e desde então vem sendo monitorada atentamente, de longe e com a ajuda de drones, por diversas organizações de proteção ambiental, entre elas, a Sea Shepherd France.

Especialistas afirmam que o animal está muito magro e tem se movido muito pouco nos últimos dias, o que aumenta a suspeita de que ele esteja com problemas de saúde.

Hoje, ambientalistas tentaram oferecer peixes à beluga, que se encontra na região de Saint-Pierre-la-Garenne, ao oeste de Paris. Infelizmente, ela não quis se alimentar. Normalmente, a espécie consome lulas, polvos, camarões e caranguejos, o que não é encontrado em rios.

Em pequenas embarcações, a equipe da Sea Shepherd também tentou guiar a baleia para a direção de alto mar, mas sem sucesso.

“Estamos em uma corrida contra o relógio, claramente”, afirmou Lamya Essemlali, presidente da ONG. “Ela realmente está magérrima. Seus ossos estão salientes. Não sei se já é tarde demais”.

Especialistas tentam de tudo para salvar baleia beluga que foi parar no rio Sena, na França

Imagem aérea mostra um bote tentando se aproximar da beluga para oferecer alimento

Biólogos afirmam que uma operação de transporte da beluga para o oceano seria arriscada demais e com pouquíssima chance de dar certo.

Especialistas tentam de tudo para salvar baleia beluga que foi parar no rio Sena, na França

Até agora tentativas de alimentar a baleia foram frustradas

Há poucos meses, em maio, outro caso de uma baleia no Sena, completamente fora de seu habitat natural, mobilizou os francês. Na época, uma orca foi observada no rio, perto da Normandia. Tentou-se guiá-la de volta ao mar com estímulos sonoros, mas ela acabou morrendo. Uma necropsia mais tarde revelou que ela estava muito doente.

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Fotos: Sea Shepherd France

Plantar árvores salva milhões de vidas nas grandes cidades

 






Plantar árvores salva milhões de vidas nas grandes cidades

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Ainda há quem prefira derrubar árvores do que cuidar delas nas grandes cidades brasileiras. E isso tanto na esfera pessoal, quanto governamental. Afinal, elas “atrapalham” o desenvolvimento, a construção de prédios, os fios elétricos (que ainda não estão enterrados!!!!) e sujam ou destróem as calçadas… Mas, queiram ou não, o fato é que precisamos delas para ter qualidade de vida e isso tem se mostrado cada vez mais essencial nos metrópoles.

Com o crescimento acelerado – a ONU prevê que, até 2050, cerca de 70% da população mundial viverá em cidades grandes – e as mudanças climáticas, cada vez mais as ondas de calor farão parte de nosso cotidiano. É estarrecedor, mas o calor excessivo mata mais de 12 mil pessoas/ano no planeta e, por isso, é um dos eventos mais ameaçadores, relacionados ao clima. Os idosos são as maiores vítimas, seguidos pelas crianças.

Isso sem contar a poluição do ar, responsável pela morte de cerca de três milhões de pessoas, também por ano e no mundo.

E o que pode amenizar esses problemas tão graves da nossa civilização? Além de um planejamento mais consciente, a melhor coisa a se fazer é plantar árvores, pelos motivos mais óbvios: elas ajudam a baixar a temperatura local, já que oferecem sombra e liberam vapor d’água, e limpam o ar, inclusive de materiais particulados lançados com a queima de combustíveis fósseis, os mais perigosos. É bom lembrar que a poluição do ar aumenta a incidência de doenças respiratórias e cardíacas graves, derrames etc.

Com base nisso, a ONG The Nature Conservancy (TNC), uma das maiores organizações ambientais do mundo, conduziu estudo para identificar os reais efeitos das árvores em 245 grandes cidades do planeta. Mas não se trata apenas de confirmar que elas são vitais para nós, mas também de revelar dados palpáveis sobre investimentos.

A TNC contou com a parceira do Grupo C40, que reúne prefeitos de grandes cidades mundiais no combate às mudanças climáticas.

Assim, Planting Healthing Air ou Plantando Ar Puro, em tradução livre – apresentado na semana passada na conferência anual da Associação Americana de Saúde Púbica – indica que, com apenas US$ 4/habitante aplicados no plantio de árvores, é possível reduzir significativamente a temperatura e a poluição de uma cidade e, assim, salvar cerca de 4 milhões de pessoas da morte.

Deve-se levar em conta que a introdução de mais árvores no ambiente urbano, também reduz a poluição sonora e distúrbios como stress e depressão.

Árvores são barreiras naturais que amenizam o calor em até 2ºC, filtram o ar poluído e abafam o som. Ou seja, elas são ótimas aliadas na economia de qualquer cidade e ajudam a diminuir os investimentos em saúde pública. E os impactos positivos não param por aí. Toda e qualquer infraestrutura verde oferece ampla gama de cobenefícios, que incluem habitat para a vida selvagem, controle de águas pluviais, oportunidades de recreação e embelezamento de espaços públicos e privados nas cidades.

Quanto custa

A partir de pesquisas locais aplicadas em escala global, foi possível apontar as cidades (e os bairros) nas quais esse tipo de investimento pode alterar consideravelmente a qualidade do ar (temperatura e poluição) e causar impactos positivos importantes. Entre outras cidades indianas, Bangladesh seria uma das mais beneficiadas com a medida. Também foram indicadas Jacarta, na Indonésia e Atlanta, na Georgia.

O investimento global necessário para garantir cidades mais limpas e frescas para 77 milhões de pessoas é de US$ 100 milhões/ano. Nesse pacote, também está incluída a redução da poluição de material particulado no ar de 68 milhões de pessoas.

O plantio de árvores é apenas uma das estratégias que podem ser adotadas pelos planejadores urbanos para mitigar o calor e a poluição do ar e do som e está completamente de acordo com as ações da ONU no combate às mudanças climáticas, além de atender diretamente a alguns dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Mas o relatório da TNC também apresenta outras estratégias como limitações no tráfego de automóveis.

O reltatório Plantando Ar Puro, da TNC, está disponível para download no site da organização. E você também pode ler as considerações do principal autor e cientista do estudo, Rob McDonald, em seu blog, Cool Green Science.

Foto: Parque Ibirapuera/Rodrigo Soldon, Flickr

Beija-flor que não era visto há mais de 10 anos e já considerado extinto é observado em área de montanha na Colômbia

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Beija-flor que não era visto há mais de 10 anos e já considerado extinto é observado em área de montanha na Colômbia

Beija-flor que não era visto há mais de 10 anos e já considerado extinto é observado em área de montanha na Colômbia

O beija-flor asa-de-sabre-de-santa-marta (Campylopterus phainopeplus) constava na lista dos dez pássaros mais “procurados” por três organizações da área ambiental: a Re:wild, American Bird Conservanc e a BirdLife International. Acreditava-se que ele estava extinto. A primeira vez que um indivíduo da espécie havia sido coletado foi em 1946. Apenas muito tempo depois, em 2010, outro espécime foi documentado, pela primeira vez em fotos.

Apesar de seu grande porte e sua coloração chamativa, suas penas são verde esmeralda e a garganta azul brilhante, desde então o beija-flor que vive nas montanhas da Sierra Nevada de Santa Marta, ao norte da Colômbia, nunca mais foi visto. Até recentemente, graças ao olhar atento de um observador de aves muito experiente, Yurgen Vega.

“Este avistamento foi uma surpresa completa, mas muito bem-vinda”, diz Vega, que fez a redescoberta enquanto trabalhava com as organizações SELVA, ProCAT Colombia e World Parrot Trust para estudar aves endêmicas em Sierra Nevada de Santa Marta.

Ele revela que o encontro foi inesperado. “Ao sair da área onde estava trabalhando, um beija-flor me chamou a atenção. Peguei meu binóculo e fiquei chocado ao ver que era um asa-de-sabre-de-santa-marta e num incrível golpe de sorte o beija-flor pousou em um galho me dando tempo para tirar fotos e filmar”.

O Campylopterus phainopeplus é listado como “criticamente ameaçado de extinção” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês). Estima-se que exista apenas uma pequena população em Santa Marta. Embora tenha uma diversidade enorme de fauna e flora ali, incluindo 24 espécies de aves endêmicas, ou seja, não existem em nenhuma outra parte do planeta -, a agricultura avança gradativamente sobre a região. Apenas 15% da área original ainda está intacta.

Beija-flor que não era visto há mais de 10 anos e já considerado extinto é observado em área de montanha na Colômbia

O flagrante raríssimo feito por Yurgen Vega

O beija-flor fotografado por Vega era um macho (é possível reconhecer o sexo por suas cores). Segundo o especialista, ele estava cantando e vocalizando, o que pode ser sinal de defesa de território e busca de parceira para acasalamento. O fotógrafo viu apenas um indivíduo.

Ainda que saiba-se pouquíssimo sobre o asa-de-sabre-de-santa-marta, ornitólogos suspeitam que ele viva em florestas neotropicais úmidas em altitudes médias entre 1.200 e 1.800 metros. Essa espécie de beija-flor pode ser migratória, subindo para altitudes ainda mais altas no páramo, um ecossistema de grama e arbustos, durante a estação chuvosa, em busca de plantas com flores.

“Esta redescoberta é maravilhosa e me deixa esperançoso de que começaremos a entender melhor essa ave misteriosa e ameaçada”, ressalta Esteban Botero-Delgadillo, diretor de Ciência da Conservação da SELVA. “No entanto, o encontramos em uma área desprotegida, o que significa que é extremamente importante que conservacionistas, comunidades locais e instituições governamentais trabalhem juntos para aprender mais sobre os beija-flores e protegê-los e seu habitat antes que seja tarde demais”.

*Com informações e entrevista do site da BirdLife International

Fotos:  Yurgen Vega/Selva/ProCAT