quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Em Pantanal, Zé Leôncio e Velho do Rio prendem caçadores, mas Brasil afora, criminosos matam animais silvestres impunemente

 https://conexaoplaneta.com.br/blog/em-pantanal-ze-leoncio-e-velho-do-rio-prendem-cacadores-mas-brasil-afora-criminosos-matam-animais-silvestres-impunemente/#fechar


Em Pantanal, Zé Leôncio e Velho do Rio prendem caçadores, mas Brasil afora, criminosos matam animais silvestres impunemente

Em Pantanal, Zé Leôncio e Velho do Rio prendem caçadores, mas Brasil afora, criminosos matam animais silvestres impunemente

O capítulo da terça-feira (09/08) da novela Pantanal, exibida pela Rede Globo, mostrou o personagem Zé Leôncio, interpretado pelo ator Marcos Palmeira, e os peões da fazenda indo atrás de caçadores que estavam na propriedade. Durante a noite, são ouvidos tiros e imagens mostram três homens armados andando pela mata. Com a ajuda do Velho do Rio, vivido com maestria por Osmar Prado, os criminosos ficam encurralados e são pegos. No dia seguinte, são entregues para integrantes da polícia, que chegam no local.

Escrita em 1990 por Benedito Ruy Barbosa e exibida pela extinta TV Manchete, o remake da novela está sendo adaptado por Bruno Luperi, neto do autor original, que tem usado a ficção para chamar a atenção sobre vários e importantes assuntos ambientais e sociais: desde o perigo dos incêndios para o Pantanal e a extinção de espécies do bioma, como também sobre o respeito à sexualidade dos personagens, como é o caso do preconceito enfrentado por Zaqueu (Silvero Pereira) até a violência psicológica e moral sofrida por Maria Bruaca (Isabel Teixeira).

Na terça, Luperi usou Pantanal para falar de dois temas ambientais: a visita de Joventino (Jesuíta Barbosa) na fazenda de Santa Catarina para conhecer de perto um modelo mais sustentável de agricultura e o problema da caça a animais silvestres.

Atualmente, no Brasil, somente está liberada a caça de controle a uma espécie animal exótica e invasora, o javali-europeu (Sus scrofa) e a seu híbrido, o porco-doméstico (javaporco). Todavia, a pena para quem for autuado matando outra espécie de animal é de apenas seis meses a um ano de prisão e multa.

Diante então de uma punição tão branda, e ainda mais com a falta de fiscalização no país e o incentivo do governo Bolsonaro para o porte de armas, em especial entre caçadores, os criminosos se sentem fortalecidos.

Caçadores flagrados dentro de reservas e unidades de conservação

Esta semana mostramos aqui no Conexão Planeta o registro do nascimento de um segundo filhote, só em 2022, na reserva do Rio de Janeiro onde antas ficaram extintas durante um século. A descoberta foi feita graças às imagens obtidas pelas armadilhas fotográficas instaladas pela equipe do Projeto Refauna 
na Reserva Ecológica de Guapiaçu, no município de Cachoeiras de Macacu.

Entretanto, apesar da boa notícia, os pesquisadores revelaram que as câmeras registraram no mesmo local e no mesmo dia que o filhote passou com a mãe, caçadores armados passando pela trilha.

“Infelizmente, imagens de caçadores têm se tornado cada vez mais comuns em nossos monitoramentos. Um dos problemas do aumento expressivo do acesso às armas de fogo é pôr em risco nossa fauna, incluindo espécies ameaçadas de extinção, e a equipe que está constantemente em campo”, alertou o Refauna.

Já no Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná, uma Unidade de Conservação de Proteção Integral criada com o objetivo de preservar um dos mais significativos remanescentes da Mata Atlântica na América do Sul e onde são proibidas a caça e a pesca, entre 2009 e 2019, a Polícia Ambiental e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) registraram mais de 1.300 autos de infração. Entre as principais vítimas estão animais como cutias, pacas, veados, porcos-do-mato, catetos e até espécies de grande porte, como antas, onças-pardas e pintadas.

E desde que o presidente Jair Bolsonaro assumiu o governo e colocou em prática sua política armamentista, houve um salto de 333% nos novos registros de armas para CACs (caçadores, atiradores e colecionadores de armas de fogo). Entre 2018 e 2021, o número passou de 59.439 para 257.541.

Pra piorar ainda mais este cenário, que coloca em risco a nossa fauna e apesar de 93% dos brasileiros serem contra a caça, existe um projeto de lei tramitando no Congresso Nacional que prevê a legalização da caça esportiva de animais silvestres no Brasil. O PL 5544/2020 é de autoria do ex-deputado federal Nilson Stainsack (leia mais aqui).

Infelizmente, se um projeto como esse for aprovado, não vai existir Zé Leôncio ou Velho do Rio na vida real para proteger nossos animais.

Leia também:
Projeto de lei que autoriza a caça esportiva de animais silvestres foi retirado de pauta em comissão da Câmara, mas pode voltar a qualquer momento
Basta de Caça! Assine a petição para pedir que o YouTube proíba a exibição de vídeos que incentivam a caça de animais silvestres
Projeto de lei no Senado quer revogar direito de porte de armas a fiscais que trabalham contra caça de animais silvestres
Contra a caça de animais silvestres: por mais vida e paz em nossas florestas!

Foto: divulgação TV Globo

terça-feira, 9 de agosto de 2022

Arraias emitem som – mas a maneira como o fazem ainda é um mistério

 https://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2022/08/08/178958-arraias-emitem-som-mas-a-maneira-como-o-fazem-ainda-e-um-misterio.html?utm_source=ambientebrasil&utm_medium=jornal_diario


Arraias emitem som – mas a maneira como o fazem ainda é um mistério

NOVOS VÍDEOS FEITOS NA AUSTRÁLIA E NA INDONÉSIA REVELAM QUE PELO MENOS DUAS ESPÉCIES DE ARRAIAS FAZEM BARULHOS DE CLIQUES – MAS NÃO SE SABE COMO ELAS FAZEM ISSO.

Uma arraia desliza pela Ilha Heron, na Austrália, parte da Grande Barreira de Corais.
FOTO DE JOHNNY GASKELL

Baleias cantam, camarões estalam e peixes-sapo zumbem. Mas e as arraias? Até recentemente, cientistas acreditavam que o peixe chato era quieto como uma panqueca.

Agora, um estudo quebrou esse silêncio. Vídeos revelam que duas espécies de arraias – Urogymnus granulatus e Pastinachus ater, ambas nativas do Indo-Pacífico – produzem cliques impressionantes e inconfundíveis.

De fato, em um dos vídeos, o clique da arraia foi tão violento que fez o fotógrafo largar sua câmera, conta Lachlan Fetterplace, ecologista marinho da Universidade Sueca de Ciências Agrárias que liderou o estudo, publicado recentemente na revista Ecology.

Enquanto quase mil espécies de peixes ósseos fazem algum tipo de barulho, tubarões e raias eram, até agora, vistos como discrepantes silenciosos. E isso é surpreendente, porque cientistas e mergulhadores estão na água com esses animais o tempo todo.

“Isso é meio estranho”, diz Fetterplace. “Eu mergulho muito com algumas outras espécies de arraias, e agora estou me questionando. Eu poderia ter perdido isso?”

“Isso mostra que não sabemos tudo”, acrescenta. “Estamos no ano de 2022 e você pode descobrir algo que ninguém jamais viu, apenas saindo e fazendo observações na história natural.”

Como uma arraia faz um som?

Antes do novo estudo, a única evidência verificada de arraias emitindo sons veio de um estudo de arraias de cativeiro. Publicada em 1970, essa pesquisa registrou cliques curtos e nítidos vindos dos peixes, mas somente depois que os cientistas os cutucaram com força. Só em 2017 e 2018 que vários dos coautores do novo estudo gravaram vídeos de alta qualidade, enquanto mergulhavam na Indonésia e na Austrália, que capturaram os ruídos. 

Mesmo que o vídeo evidencie que essas arraias fazem ruídos pareça ser uma grande descoberta, os pesquisadores não têm certeza de como os animais produzem os sons. “Eles não têm cordas vocais e não há um mecanismo claro de como eles fazem isso”, explica Fetterplace.

Nos vídeos, os espiráculos das arraias – dois buracos em suas cabeças usados ​​para mover a água através de suas guelras – parecem se contrair quando o som do clique é emitido. Isso sugere que o peixe pode estar criando atrito entre os espiráculos e o tecido circundante, não muito diferente de quando estalamos os dedos. Também é possível que as arraias formem sons criando um vácuo, como quando estalamos nossas línguas, explica Fetterplace.

O que quer que esteja acontecendo, é provável que seja revelado em breve, já que outros cientistas já estão planejando estudos para analisar a anatomia das arraias mais de perto.

O que as arraias estão tentando dizer?

Para sua pesquisa, Fetterplace e seus colegas compararam a largura de banda e as frequências dos sons com o alcance conhecido da audição de arraias. Eles confirmaram que as arraias podem realmente ouvir esses sons, o que pode significar que são uma forma de comunicação.

Jovens arraias descansam sob árvores de mangue em Geoffrey’s Bay, parte da Reserva de Conservação da Grande Barreira de Corais da Austrália. Os cientistas gravaram as arraias produzindo um ruído de palmas que pode servir como um sinal de retorno ou de socorro para outros em seu grupo.
FOTO DE J. JAVIER DELGADO ESTEBAN

Ao mesmo tempo, o trabalho dos cientistas mostrou que os tubarões-de-recife e os tubarões-limão (predadores de ambas as espécies de raias) também podem ouvir os cliques. Isso sugere que as arraias podem emitir os sons quando sentem um predador se aproximando como um aviso, talvez para ficar longe das farpas venenosas das arraias.

Da mesma forma, os sons rápidos e altos podem ser simplesmente uma distração, que surpreende um predador e dá à arraia a chance de escapar. 

Há outra possibilidade, no entanto.

Quando o fotógrafo e coautor Javier Delgado Esteban testemunhou uma arraia de mangue selvagem fazendo sons em 2018, em Geoffrey Bay, Austrália, ele notou outro comportamento interessante. Depois de fazer os cliques, o jovem foi rapidamente acompanhado por uma série de outras arraias. 

“As outras vinham e se amontoavam ao redor dele, e todas tinham suas caudas com espinhos para cima”, relata Fetterplace, sugerindo que os cliques podem ser uma maneira de chamar reforços.

‘Realmente, muito emocionante’

Audrey Looby, doutoranda e ecologista da comunidade marinha da Universidade da Flórida, publicou recentemente uma revisão científica sobre ruído de peixes. Ela vasculhou mais de 800 referências que datam de 1874 e encontrou poucas informações sobre elasmobrânquios, o grupo que inclui tubarões e arraias. 

“Então, ver um estudo como esse, onde há um vídeo e uma descrição abrangente dos comportamentos associados a esses sons, é muito, muito emocionante”, comemora Looby.

Sobre como essa habilidade foi negligenciada por tanto tempo, Looby diz que pode ser explicada por vários fatores. Por exemplo, talvez as arraias emitam sons ocasionalmente, ou apenas certas espécies podem fazê-lo, ou os peixes são mais propensos a produzir ruído em um horário ou estação específica. 

“Eles também podem ser bastante difíceis de estudar porque geralmente são altamente móveis e evasivos”, destaca Looby.

Como muitas espécies de arraias estão ameaçadas de extinção, Fetterplace pede cautela. Embora ele e seus coautores esperem que sua pesquisa descubra mais exemplos de arraias produtoras de som, “não queremos que o público saia e se aproxime muito de uma arraia apenas para obter esse tipo de ruído”.

“Isso não é bom para a arraia”, alerta, “e é potencialmente perigoso”.

Fonte: National Geographic Brasil

Por falta de chuva, Amazônia está mais vulnerável do que se pensava

 https://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2022/08/08/178962-por-falta-de-chuva-amazonia-esta-mais-vulneravel-do-que-se-pensava.html?utm_source=ambientebrasil&utm_medium=sidebar


Por falta de chuva, Amazônia está mais vulnerável do que se pensava

EFEITOS DA SECA PODEM OCASIONAR UM DESEQUILÍBRIO DO ECOSSISTEMA ÚNICO DA FLORESTA E MATAR ÁRVORES QUE NÃO ESTÃO LOCALIZADAS EM ÁREAS DE SECA

Imagem da Floresta Amazônica que atualmente sofre com constantes secas que prejudicam seu ecossistema (Foto: Antonio Campoy)

Uma nova análise liderada pelo pesquisador Nico Wanderling, do Instituto Potsdam de Pesquisa em Ação Climática, revela a situação alarmante da Amazônia. Publicada na última terça-feira (2) no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), a pesquisa analisou os efeitos causados pelas secas no bioma.

Um dos maiores sumidouros de carbono do planeta, a Amazônia vem enfrentando períodos de seca mais frequentes e severos. A preocupação do time de pesquisadores vem do fato de que a respiração da floresta é feita à base da água, e a falta dela afeta todo o ecossistema da floresta.

Quando chove, o solo absorve uma quantidade grande de água e tanto ele quanto as plantas devolvem, por meio de evaporação ou transpiração, uma quantidade dessa água para a atmosfera. Após a evaporação, inicia-se a condensação e assim se cria um clima único da floresta, gerando metade das chuvas sobre a Bacia Amazônica.

Outro fator preocupante são as análisespara o futuro conduzidas pela equipe. Cenários extraordinariamente secos, como em 2005 e 2010, podem se tornar frequentes a partir de 2050, com secas intensas ocorrendo a cada nove ou dez anos até 2060.

Portanto, para entender os impactos desses períodos na floresta, os pesquisadores utilizaram uma análise de rede com simulação de efeito dominó do período sem chuva. Por meio desse estudo, os pesquisadores conseguiram identificar que mesmo que a seca afetasse apenas uma parte específica da região, os danos podem se estender para outras áreas.

A pesquisa calcula que a cada três árvores que morrem por conta da seca na Amazônia, uma quarta árvore que não foi diretamente atingida também irá morrer. Isso ocorre porque a falta de chuva em um só local já contribui para a diminuição do volume de reciclagem de água, fazendo com que regiões vizinhas sejam afetadas.

Mas essa proporção também pode ser aplicada em outros cenários. “Embora tenhamos investigado o impacto da seca, essa regra também vale para o desmatamento. Isso significa essencialmente que, quando você derruba um acre de floresta, o que você realmente está destruindo é 1,3 acre”, explica, em nota, Wanderling.

Os autores chamam atenção para um outro fato. Na Amazônia, os sistemas florestais são adaptados de forma diferente aos períodos de seca e de abundância de água. Isso porque, por conta do território vasto, algumas áreas das florestas enfrentam mais secas do que as outras.

“Assim, descobrimos que mesmo as partes da Floresta Amazônica adaptadas à estação seca não sobreviverão necessariamente a um novo clima normal, e o risco virar uma savana ou nem haver árvores é alto”, acrescenta Boris Sakschewski, coautor do estudo do Instituto Potsdam.

Atualmente, o maior risco de se transformar em savana está localizado no sul da floresta. Esse local apresenta um desmatamento contínuo para pastagem ou soja. Em nota, Ricarda Winkelmann, coautora sênior do estudo e líder da pesquisa de elementos de tombamento no Instituto Potsdam, acredita que os efeitos da estiagem serão mais severos nessas regiões que já sofrem com a ação humana.

Entretanto, nem tudo está perdido. Para os pesquisadores ainda existem chances de salvar a Amazônia, cujos serviços ecológicos são de extrema importância, englobando questões climáticas locais, regionais e globais.

Uma das soluções é exposta pela coautora.”Sabemos como podemos fazer isso: protegendo a floresta tropical da extração de madeira e reduzindo rapidamente as emissões de gases de efeito estufa para limitar ainda mais o aquecimento global”, resume a climatologista.

Fonte: Galileu