terça-feira, 8 de julho de 2014

Essa doeu!

País cai em lágrimas com a goleada (Editoria de Arte/G1)Brasil sofre sua maior derrota em Copas (Brasil sofre sua maior derrota em Copas (Reuters))G1

Sem providências, a última gota pode chegar

terra-secaA crise no Sistema Cantareira, que abastece 9,86 milhões de pessoas na Grande São Paulo e no interior, é um exemplo concreto de que o abastecimento de água pode ficar comprometido também em outras cidades do Brasil. Ainda que tenhamos uma visão otimista, os últimos episódios de seca no Sudeste e no Sul, que deixaram reservatórios de água dessas regiões em níveis críticos, mostram claramente que há urgência na implantação de ações de conservação para a manutenção dos recursos hídricos no país.

De acordo com o Atlas do Brasil de abastecimento urbano de água, produzido pela Agência Nacional de Águas (ANA) em 2010, a capacidade total dos sistemas produtores instalados e em operação no país era de aproximadamente 587 m³/s (metros cúbicos por segundo) há quatro anos, próxima das demandas máximas verificadas na época, que eram de 543 m³/s. Esses dados demonstram que grande parte das unidades estava no limite máximo de sua capacidade operacional, sendo que a região Sudeste representava 51% da capacidade instalada de produção de água no país.

Riscos em Rio e São Paulo

"Não podemos atribuir, porém, os motivos para a crise de abastecimento somente ao consumo excessivo e ao mau uso da água por parte da população."
Atualmente, as duas maiores regiões metropolitanas do Sudeste – Rio de Janeiro e São Paulo – têm o abastecimento de água garantido porque é realizada a transferência de grandes vazões de mananciais localizados em bacias hidrográficas próximas.


Para o abastecimento da capital fluminense, é utilizada a bacia hidrográfica do Rio Paraíba do Sul; enquanto a capital paulista se serve da bacia hidrográfica dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí. As duas bacias são responsáveis pelas maiores reversões hídricas para os sistemas Guandu (RJ) e Cantareira (SP), respectivamente.


São duas fontes que começam a ficar saturadas porque servem a milhões de consumidores – ambas as regiões concentram grande densidade populacional, gerando consumo de água muito maior do que a capacidade produtiva dessas bacias. Desse modo, fica mais próximo o risco de os consumidores abrirem as torneiras e não verem a água escorrer.

Não podemos atribuir, porém, os motivos para a crise de abastecimento somente ao consumo excessivo e ao mau uso da água por parte da população. Seria ingênuo atribuir a esses dois fatores apenas, pois a questão é mais complexa: vai desde a falta de políticas públicas que incentivem a proteção dos mananciais de água ao desmatamento de áreas naturais, o qual altera o ciclo da água e a variabilidade de chuvas nas regiões onde antes predominavam.

Visão do todo
"O Cerrado, por exemplo, é conhecido como a 'caixa d'água' do Brasil, uma vez que concentra oito das 12 bacias hidrográficas do país"
É necessário avaliar ciclo da água de modo global: a perda de áreas com vegetação nativa em todos os biomas do país afeta a disponibilidade de água não só em níveis locais, mas também em regiões distantes. O Cerrado, por exemplo, é conhecido como a 'caixa d'água' do Brasil, uma vez que concentra oito das 12 bacias hidrográficas do país e possui alta concentração de nascentes de rios que abastecem outras regiões brasileiras.


No caso da Amazônia, há o fenômeno dos "rios voadores", grandes massas de vapor de água que se formam no Oceano Atlântico e aumentam de volume ao incorporar a umidade evaporada pela floresta. Levados pelas correntes de ar em direção ao Sul do país, elas são importantes para a formação de chuvas em diversas regiões. Portanto, o aumento no desmatamento da Amazônia, que após quatro anos em queda voltou a subir em 2013, pode reduzir os índices pluviométricos em outras regiões.

As áreas naturais possuem grande importância na regulação dos recursos hídricos. Sem elas, a água não realiza o seu ciclo natural, que inclui a evaporação, formação das nuvens e das chuvas nas cabeceiras dos rios que alimentam as bacias hidrográficas do país, causando desequilíbrio.


É essa situação que acontece no Sistema Cantareira, considerado um dos maiores sistemas produtores de água do mundo.


Ele é formado por seis represas interligadas por 48 km túneis que aproveitam os desníveis e a acumulação da água por gravidade para a formação de reservatórios. Os rios que formam as represas do Sistema são o Jacareí e o Jaguari - cujas nascentes estão localizadas em Minas Gerais - e mais os rios Cachoeira de Piracaia, Atibainha e Juqueri, cujas nascentes estão em São Paulo. É nas cabeceiras desses rios que as chuvas têm caído pouco, mesmo no período das cheias que vai de novembro a março no Sudeste.

Os índices pluviométricos abaixo da média histórica nas cabeceiras reduziram os fluxos de água nos rios que abastecem o Sistema Cantareira, de modo que os níveis de suas represas começaram a baixar rapidamente. A redução da disponibilidade hídrica resultou na crise de abastecimento à população.


Parcerias para conservar
no ranking do consumo de água o setor agrícola ocupa o primeiro lugar, sendo responsável por 70% do consumo nacional

E agora, o que fazer diante dessa grave situação? Os governos federal, estaduais e municipais precisam buscar mecanismos para melhorar a gestão da água e garantir a segurança hídrica. Esse conceito representa o direito da população de ter acesso à água de boa qualidade e em quantidade suficiente para garantir a sua subsistência, bem-estar e o desenvolvimento socioeconômico do país.


No Brasil, faz-se necessária ainda a construção de uma forte aliança entre os diversos setores da sociedade - iniciativa privada, organizações não governamentais, população e poder público - como parte de um esforço global para proteção dos recursos naturais.


Proteção que passa pela criação e implementação de Unidades de Conservação, áreas protegidas primordiais para garantir a conservação dos recursos naturais e dos serviços ambientais que essas áreas proporcionam, entre eles a produção de água em qualidade e quantidade adequadas.

Como a agropecuária tem importante papel na economia brasileira, no ranking do consumo de água o setor agrícola ocupa o primeiro lugar, sendo responsável por 70% do consumo nacional (20% são usados pela indústria e 10% pelos consumidores finais).


Por isso, é fundamental proteger as matas ciliares e as nascentes dos rios também em propriedades rurais, evitando a poluição e o assoreamento dos rios e assegurando margens arborizadas, de modo que a água infiltre lentamente o solo e possa cumprir o seu ciclo, de maneira regular. Nesse contexto, é importante a manutenção de reservas legais e das Áreas de Proteção Permanente (APPs), com a função ambiental de conservar os recursos hídricos e a manutenção dos processos ecológicos.


Está mais do que na hora de todos os setores conscientizarem-se de que o problema de escassez da água não é somente de São Paulo – é hoje o mais grave. Caso contrário, a nossa desatenção pode ser a gota d'água.


O desafio consiste em como garantir o abastecimento às grandes cidades brasileiras nos próximos anos, uma vez que é previsto crescimento populacional e, consequentemente, aumento das demandas de consumo.


São necessários investimentos urgentes para a adequação dos sistemas produtores de água, sobretudo no Sudeste, e planejamento para otimização de uso das fontes hídricas. Além disso, a proteção de áreas naturais é condição sine qua non, pois a qualidade e a quantidade de água produzida pela natureza dependem da manutenção da vegetação nativa.

*Malu Nunes é engenheira florestal, diretora-executiva da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e conselheira da Associação Oeco.




Novo exame de sangue 'pode prever Alzheimer'


Atualizado em  8 de julho, 2014 - 07:05 (Brasília) 10:05 GMT

alzheimer | Thinkstock
Sintomas do Alzheimer aparecem apenas 10 anos após surgimento da doença

Cientistas britânicos acreditam ter dado um passo importante nas pesquisas sobre o Alzheimer ao criarem um novo exame de sangue que pode prever as chances de uma pessoa desenvolver a doença.

O estudo realizado com mais de mil pessoas identificou um conjunto de proteínas no sangue que pode antever o surgimento da demência com 87% de precisão.
Os resultados do trabalho, publicado na revista científica Alzheimer's & Dementia, serão usados para aprimorar os testes com novos medicamentos para a doença, que afeta 44 milhões de pessoas em todo o mundo. 

O Alzheimer é uma doença degenerativa cujo primeiro sintoma é a perda da memória. Com o avançar do problema, pacientes também podem manifestar comportamento agressivo, irritabilidade, confusão mental, entre outros.

Os especialistas alertam que ainda não há previsão para que o exame esteja disponível em clínicas ou hospitais da Grã-Bretanha.

As pesquisas sobre tratamentos para o Alzheimer têm sido marcadas por fracassos. Entre 2002 e 2012, 99,6% dos experimentos feitos com objetivo de prevenir ou reverter a doença não levaram a nada.

Os médicos acreditam que as tentativas mal sucedidas se devem ao fato de que os pacientes começam a ser tratados tarde demais, já que os primeiros sintomas só aparecem uma década depois do início da doença.

Por isso, o maior objetivo das pesquisas atuais deste campo é identificar a demência em seu estágio inicial.

Exame de sangue

Os pesquisadores investigaram diferenças no sangue de 452 pessoas saudáveis, 220 com danos cognitivos moderados e 476 com Alzheimer.

Eles puderam confirmar com 87% de precisão quantos pacientes com danos cerebrais moderados desenvolveriam Alzheimer no ano seguinte.

"Nós queremos poder identificar o quanto antes as pessoas que vão precisar de fazer exames mais aprofundados num futuro próximo," disse líder da pesquisa, Simon Lovestone, da Universidade de of Oxford.


"Como não há tratamento, muitas pessoas podem questionar o valor de um exame de sangue. Mas as pessoas vêm ao consultório saber o que está acontecendo com elas e atualmente eu não posso dizer", aifrmou Lovestone.

Ian Pike, médico da Proteome Sciences, companhia que faz pesquisas na área farmacêutica, considera que o exame de sangue é "um grande passo" nas pesquisas sobre a demência.

"Ainda vai levar tempo e mais testes com pacientes para termos certeza de que esses exames podem ser usados rotineiramente. Mas este processo pode ser iniciado agora", afirmou.

É improvável que o teste possa ser feito isoladamente no caso de estar disponível em clínicas no futuro. Um resultado positivo teria de ser corroborado com tomografias cerebrais e testes de fluidos da coluna vertebral.


No início do ano, pesquisadores americanos anunciaram um exame de sangue capaz de prever o aparecimento de Alzheimer em pessoas saudáveis com até três anos de antecedência.

Sem capitão nem estrela, Brasil faz com Alemanha desafio de gigantes


BBC

Atualizado em  8 de julho, 2014 - 05:42 (Brasília) 08:42 GMT

Brasil x Alemanha abre as semifinais da Copa do Mundo
Brasil e Alemanha decidem qual será a seleção com mais finais de Copa do Mundo na história


Brasil e Alemanha jogam às 17h desta terça feira em Belo Horizonte por um lugar na grande final da Copa do Mundo em partida que une duas das maiores camisas da história do torneio e um total de oito títulos na competição.
Para o Brasil, o jogo é um teste para o poder desta seleção, que encontra o primeiro grande rival nesta edição do Mundial logo sem dois de seus principais jogadores, o capitão Thiago Silva, suspenso com dois cartões amarelos, e a grande estrela Neymar, que se despediu do torneio em razão de uma lesão na coluna.

Já os alemães, na quarta semifinal consecutiva, buscam coroar o bom momento do futebol local com um título depois de algumas derrotas recentes em decisões: perdeu a final de 2002 para o Brasil (o único jogo entre ambos em Copas, aliás) e as duas semifinais de Mundial seguintes; em Eurocopas, também vem de um terceiro lugar e um vice-campeonato.

Além da vitória na grande final da Copa de 2002 (2 a 0), foram outros quatro encontros em competições e nenhuma vitória alemã: Brasil 4 a 1 no Mundialito de 1981; empate de 3 a 3 na US Cup de 1993; Brasil 4 a 0 na Copa das Confederações de 1999; e Brasil 3 a 2 na Copa das Confederações de 2005.

Os times

Philipp Lahm em lance da Alemanha na Copa do Mundo
Lahm, capitão da seleção da Alemanha, vem atuando no meio, mas pode jogar na lateral


A seleção brasileira terá pelo menos duas mudanças em relação ao time que venceu a Colômbia: Dante deve ocupar a vaga do suspenso Thiago Silva na zaga; já o substituto do lesionado Neymar pode ser simplesmente o retorno do volante Luiz Gustavo, que voltaria ao time para formar o meio com Fernandinho e Paulinho, ou Willian, que tiraria, possivelmente, a vaga de Paulinho.


"Eu já tenho o time, mas não vou adiantar. O que eu sempre passo para vocês é que tenho um grupo de trabalho espetacular. Vínhamos acompanhando os jogos da Alemanha. E os observadores (Alexandre Gallo e Roque Jr.) nos deram a confiança de que o que vamos fazer amanhã é o certo. Pelas características do jogo, já está definido", disse o técnico Luiz Felipe Scolari ontem.


Sobre a ausência do maior nome do elenco, Neymar, Felipão disse que o impacto da lesão no grupo já foi superada. "Naturalmente o Neymar deixou muito dele conosco e levou muito de nós com ele. Já terminamos essa fase de ficarmos tristes desde o momento em que ele, mais tranquilo, nas conversas, fez com que os jogadores entendessem que a parte dele ele tinha feito. Agora é a nossa".


Sobre a Alemanha, que não abre os treinamentos para a imprensa, é difícil saber se o técnico Joachim Low fará mudanças em relação à equipe que eliminou a França. Ainda assim, a imprensa alemã já falou sobre a saída de Ozil, que não vem de grandes atuações, e de Klose, que enquanto centroavante fixo na área não marcou na fase final da Copa.

Semi das semis

Klose comemora gol marcado contra Gana
Klose, presente na final de 2002, tem nova chance contra o Brasil, agora perto de recorde


Além da vaga na decisão, o jogo no Mineirão é ainda o maior confronto possível em termos de retrospecto em Mundiais.


Além de oito títulos somados - nunca um jogo de Copa reuniu tantas taças, Brasil e Alemanha são ainda as equipes com mais finais (sete cada) e que mais vezes ficaram entre os quatro primeiros: enquanto os alemães chegam nessa posição pela 13ª vez, o time brasileiro está neste grupo pela 11ª oportunidade.


Para consolidar tamanha força da dupla, em 20 edições de Copa do Mundo disputadas até hoje, Brasil e Alemanha ficam no grupo dos oito melhores pela 17ª vez. A seleção alemã, tricampeã do mundo, é ainda a equipe com mais jogos em Copas, 104 no momento; o time brasileiro é o que tem mais vitórias, 70.


Seguindo com o o brilhante histórico da dupla há ainda um duelo pessoal mais vivo do que nunca: o brasileiro Ronaldo, maior artilheiro da história das Copas com 15 gols, foi alcançado neste Mundial pelo alemão Miroslav Klose, que tem mais dois jogos para superar o ex-camisa 9 do Brasil.

Números

Oscar durante jogo da seleção brasileira na Copa
Oscar é o brasileiro que mais correu nesta Copa, ainda que longe do topo da lista


De acordo com os números oficiais divulgados pela Fifa, ofensivamente o Brasil leva ligeira vantagem sobre a Alemanha nesta Copa do Mundo. Ambas as seleções têm 10 gols marcados na Copa, mas o Brasil finalizou mais (82 x 74) e criou mais jogadas ofensivas (221 x 216).

Defensivamente, o Brasil soma 117 desarmes contra 82 dos alemães. Mas é pior na questão disciplinar: enquanto os brasileiros já cometeram 96 faltas e levaram 10 cartões amarelos, os alemães fizeram 57 infrações e receberam só quatro cartões. Os europeus também sofreram só três gols, enquanto o Brasil, quatro.

No que diz respeito ao número de passes, o estilo alemão, de mais posse de bola que o brasileiro, fica claro: são 3.577 contra 2.471. O aproveitamento da Alemanha também é maior, já que acerta 82% dos toques, enquanto o Brasil completa 73% deles.

Outro destaque alemão diz respeito aos pulmões da equipe: Muller, Kroos, Lahm e Howedes estão entre os dez jogadores que mais correram na Copa do Mundo, todos acima dos 54km cada no total dos cinco jogos. O melhor brasileiro, Oscar, ocupa apenas o 22º lugar, com 50.1km.

Gramados verdes, céus azuis - ARNALDO JABOR


O ESTADÃO - 08/07


Hoje, o destino nos levou a jogar contra a Alemanha. Com duas desgraças: Thiago Silva fora de campo e Neymar atacado criminosamente por aquele vagabundo da Colômbia. Aquela joelhada brutal pode decidir a Copa do Mundo. Dessas besteiras se faz a história. Que vai nos acontecer? Saberemos hoje.

Quanto a mim, com medo de nosso futuro, as últimas semanas me jogaram de volta ao Maracanã do passado.

A primeira vez em que assisti a um jogo foi no velho estádio, recém-inaugurado. Meu avô me levou. Fiquei com ele na arquibancada de cimento. Milhares de torcedores gritavam e pulavam. E eu, ali. De repente, me assustei, pois percebi que, em vez de olhar o campo, eu prestava atenção nas pessoas que assistiam ao jogo. Percebi que eu estava atento às suas reações, a seus olhos e bocas torcidas por palavrões e nervosismo, enquanto eu os observava de fora como se fosse de outro planeta. Me senti meio maluco, lembro, esquisito, incapaz de me incluir naquela fanática torcida no estádio. Meu destino de perna de pau estava traçado, não só no futebol, mas para a vida.

O futebol sempre foi para mim um sonho inatingível. Nunca fui aceito pelo futebol – como entraria naquela batalha de homens guerreiros, eu, magro, comprido e tímido?

Tentei, tentei, sim, e consegui ser aceito nos times de praia da Urca, onde eu invariavelmente era o reserva. Havia muitos times de praia; o respeitado Lavaibola (creio que era do Leme), o Arsenal, com sua camisa dourada e roxa, o Ipiranga, verde e vermelho – mágicas roupas que eu ambicionava vestir. Mas faltava-me a agressividade dos garotos da rua, duros e secos, porradeiros e xingadores, faltava-me a natural destreza das panturrilhas musculosas.

Uma vez, pintou uma vaga no Ipiranga. Jogaram-me a camisa com menosprezo, e vibrei de orgulho. O jogo começou, e eu, perna de pau, corria em vão. Lá pelas tantas, chegou o titular, e a camisa me foi arrancada e dada ao valoroso Acreano, estranho indígena de pernas tortas, famoso por seus dribles desengonçados. Parecia que tinham me arrancado a pele. Corri para a água e fui chorar no mar.
No colégio, a bola entrou raspando entre minhas pernas num frango clamoroso (tentava ser goleiro). Eu me lembro da trave, da bola entrando e da vergonha diante de colegas me xingando e do apito do padre-juiz.

Daí para a frente foram humilhações sucessivas. Nunca integrei um primeiro time de nada no colégio, nunca recebi uma taça, nunca arranquei poeira do chão com chuteiras masculinas e ferozes, nunca conheci a alegria dos aplausos suados, descabelados nas manhãs azuis dos padres jesuítas. Para me vingar, passei a ostentar uma indiferença superior ao “nobre esporte bretão”.

Hoje, lamento esse trauma que me tirou a alegria de acompanhar o futebol, desde aqueles tempos remotos e talvez ilusoriamente felizes. Hoje invejo amigos que sabem tudo sobre bolas. Pergunto ao Rui Solberg ou ao Sérgio Augusto, por exemplo, qual era o time do Botafogo em 1949, e eles respondem na hora.

No entanto, nessas últimas semanas de gramados verdes e céus azuis da Copa, eu me senti de volta ao tempo antigo. Nos sábados e domingos, soavam no ar os radinhos de pilhas dos porteiros de prédios com os locutores competindo em velocidade na descrição dos jogos. Oduvaldo Cozzi era o mais rápido. Ary Barroso rosnava sem pudor pelo Flamengo. As ruas eram mais vazias, havia manhãs, tardes e noites mais nítidas, havia mais paz. Claro que se armavam mudanças políticas às vésperas do golpe de 64, mas estava intocada uma cidade baldia e amada, um Rio precário e poético na Lapa, no Mangue, em Copacabana, uma cidade que, com poucas migalhas, fabricava uma urbanidade pacífica.

Esta Copa de 2014 nos trouxe de volta um sentimento semelhante – temos alguma causa em comum, um desejo de vitória, um desejo de avanço, uma alegria que não sentíamos havia muito tempo. Por algumas semanas perdemos a sensação de tudo ser fragmentário, inatingível, e um país possível surgiu a nossa frente. Alguém escreveu por aí que, se dedicássemos toda essa energia para mudar o Brasil politicamente, seria um “chuá” ou um “banho”, como se dizia em futebol.

Daqui a uma semana, voltará o sentimento de excesso, de insolubilidade para os problemas do mundo, estaremos de novo em trânsito como carros engarrafados, dominados por celulares, por circuitos sem pausa, com nossa identidade cada vez mais programada. Depois da sensação de passado, estaremos sem presente. Voltará o suspense diante do destino político, principalmente com as eleições. Estamos no intervalo. Que nos espera depois do jogo contra a Alemanha? Que nos espera em Brasília?

Quanto a mim, lembrei-me de um momento feliz no passado. Outro dia, Pelé, numa entrevista, disse que o maior jogador que ele viu em campo foi o Zizinho. Eu também vi. Foi um momento mágico.

Meu avô me levara a um Vasco x Bangu, na magra esperança de fazer de mim um homem. Lá estava eu no Maracanã, vagamente entediado, cumprindo um dever, quando apareceu um jogador mulato de camisa listrada vermelha e branca, que arrancou numa corrida extraordinária, deu “chapéu“ em vários “joões”, executando um balé de volteios ferozes e sutis como um cossaco dançante, levou a bola colada no pé e colocou-a no canto da trave, sob o olhar do goleiro abobalhado. Naquele instante eu fui tomado de funda emoção. Eu entendi o que era “arte”. Não só de futebol, mas arte mesmo. Todos gritavam: “Zizinho! Zizinho!”.

Naqueles minutos, Zizinho me fez esquecer de mim mesmo, e lembro com grande saudade que gritei e me senti igual a todo mundo, igual, perdido na massa pobre do tempo, sentindo a alegria da “normalidade”, sem medo, sem tremor, felicíssimo antes que minha solidão melancólica voltasse a se instalar.

É mais ou menos isso que tenho sentido nesta Copa, que parece um flashback de felicidade.
Como naquela visão artística de Zizinho, tenho sido bem feliz nas últimas semanas. Até que a depressão dos tempos brasileiros volte a se instalar. 
 
 


Os desiludidos da República - MARCO ANTONIO VILLA



O GLOBO - 08/07

Há um notório sentimento popular de cansaço, de enfado, de identificação do voto como um ato inútil, que nada muda


A proximidade das eleições permite uma breve reflexão sobre o processo de formação de uma cultura política democrática no Brasil. A República nasceu de um golpe militar. A participação popular nos acontecimentos de 15 de novembro de 1889 foi nula. O novo regime nasceu velho. Acabou interrompendo a possibilidade de um Terceiro Reinado reformista e modernizador, tendo à frente Isabel como rainha e chefe de Estado e com os amplos poderes concedidos pela Constituição de 1824.

A nova ordem foi edificada para impedir o reformismo advogado por Joaquim Nabuco, Visconde de Taunay e André Rebouças, que incluía, inclusive, uma alteração no regime de propriedade da terra. Os republicanos da propaganda — aqueles que entre 1870, data do Manifesto, e 1889, divulgaram a ideia republicana em atos públicos, jornais, panfletos e livros — acabaram excluídos do novo regime. Júlio Ribeiro, Silva Jardim e Lopes Trovão, só para recordar alguns nomes, foram relegados a plano secundário, considerados meros agitadores.

O vazio no poder foi imediatamente preenchido por uma elite política que durante decênios excluiu a participação popular. As sucessões regulares dos presidentes durante a Primeira República (1889-1930) foram marcadas por eleições fraudulentas e pela violência contra aqueles que denunciavam a manipulação do voto.

Os opositores — os desiludidos da República — passaram a questionar o regime. Se apontavam corretamente as falácias do sistema eleitoral, indicavam como meio de superação, como disse um deles, desses “governichos criminosos”, a violência, a tomada pelas armas do Estado. E mais: que qualquer reforma só poderia ter êxito através de um governo ultracentralizador, instrumento indispensável para combater os poderosos, os senhores do baraço e do cutelo, como escreveu Euclides da Cunha.

Assim, o ideal mudancista tinha no seu interior um desprezo pela democracia. Acentuava a defesa de um novo regime para atender as demandas da maioria, mas com características autoritárias. Alguns até imaginavam que o autoritarismo seria um estágio indispensável para chegar à democracia.

A Revolução de 30 construiu o moderno Estado brasileiro. Enfrentou vários desafios e deu um passo adiante no reformismo nacional. Porém, aprofundou as contradições. Se, de um lado, foram adotados o voto secreto, a Justiça Eleitoral, o voto feminino, conquistas importantes, manteve uma visão de mundo autoritária, como ficou patente desde 1935, com a repressão à rebelião comunista de novembro, e mais ainda após a implantação da ditadura do Estado Novo, dois anos depois.

A vitória dos aliados na Segunda Guerra Mundial deu alguma esperança de, pela primeira vez, caminharmos para o nascimento de uma ordem democrática. A Constituição de 1946 sinalizou este momento. O crescimento econômico, a urbanização, o fabuloso deslocamento populacional do Nordeste para o Sul-Sudeste, a explosão cultural-artística — que vinha desde os anos 1930 — foram fatores importantes para o aprofundamento das ideias liberal-democráticas, mesmo com a permanência do autoritarismo sob novas vestes, como no ideário comunista, tão influente naquele período.

O ano de 1964 foi o ponto culminante deste processo. A democracia foi golpeada à direita e à esquerda. Para uns era o instrumento da subversão, para outros um biombo utilizado pela burguesia para manter sua dominação de classe. Os que permaneceram na defesa do regime democrático ficaram isolados, excluídos deste perverso jogo autoritário. Um desses foi San Tiago Dantas.

Paradoxalmente foi durante o regime militar — especialmente no período ditatorial, entre os anos 1968-1978 — que os valores democráticos ganharam enorme importância. A resistência ao arbítrio foi edificando um conjunto de valores essenciais para termos uma cultura política democrática. E foram estes que conduziram ao fim do regime e à eleição de Tancredo Neves, em janeiro de 1985.

No último quartel de século, contudo, apesar das sucessivas eleições, a cultura democrática pouco avançou, principalmente nos últimos 12 anos. As presidências petistas reforçaram o autoritarismo. A transformação da luta armada em ícone nacional é um bom (e triste) exemplo. Em vez de recordar a luta democrática contra o arbítrio, o governo optou pela santificação daqueles que desejavam substituir a ditadura militar por outra, a do “proletariado”.

O processo eleitoral reforça este quadro de hostilidade à política. A mera realização das eleições — que é importante — não desperta grande interesse. Há um notório sentimento popular de cansaço, de enfado, de identificação do voto como um ato inútil, que nada muda. De que toda eleição é sempre igual, recheada de ataques pessoais e alianças absurdas. Da ausência de discussões programáticas. De promessas que são descumpridas nos primeiros dias de governo. De políticos sabidamente corruptos e que permanecem eternamente como candidatos — e muitos deles eleitos e reeleitos. Da transformação da eleição em comércio muito rendoso, onde não há política no sentido clássico. Além da insuportável propaganda televisiva, com os jingles, a falsa alegria dos eleitores e os candidatos dissertando sobre o que não sabem.

O atual estágio da democracia brasileira desanimaria até o doutor Pangloss. A elite política permanece de costas para o país, ignorando as manifestações de insatisfação. E, como em um movimento circular, as ideias autoritárias estão de volta. Vai se formando mais uma geração de desiludidos com a República. Até quando?
 
 

Império oriental de Fah-Bulah (pronuncia-se Fábula)-BLOG do JOSIAS

Blog entra em recesso e viaja para ‘Fah-Bulah’

Josias de Souza

O blog entrará em recesso por alguns dias. O repórter aproveitará o descanso para visitar o Império oriental de Fah-Bulah (pronuncia-se Fábula), ainda desconhecido dos analistas políticos do Ocidente. 

A exemplo do Brasil, Fah-Bulah decidiu começar tudo de novo. A soberana Hou-Sefi 2ª, da dinastia Peh-Teh, herdeira política de Luh-Lah 1º, 'O Grande', disputa o amor do povo com os jovens Hae-Cioh e Duh-Duh-Kã-Pos.

O povo de Fah-Bulah, de tradição pacífica, deu para protestar nas ruas. O que levou Hou-Sefi 2ª a concluir que o império padece de excesso de felicidade. Farto de tanto progresso econômico e social, o povo exige mais prosperidade. Daí o anúncio de que a soberana deseja uma nova Fah-Bulah —com povo mais otimista e com comerciantes dispostos a lucrar menos, pelo bem do império.

Hae-Cioh e Duh-Duh-Kã-Pos alegam que uma nova Fah-Bulah só será possível se a dinastia Peh-Teh for arrancada do poder. Espécie de imperador emérito, Luh-Lah 1º, 'O Grande', defende com tenacidade o seu legado.


Ele afirma que, sob a aparência jovial de Hae-Cioh, esconde-se um abominável homem das Neves, que ameaça mastigar os benefícios sociais e engolir os empregos criados na Era Peh-Teh. Quanto a Duh-Duh-Kã-Pos, Luh-Lah 1º insinua que ele cospe no prato em que comia até ontem.

Um dos principais obstáculos para o surgimento de uma nova Fah-Bulah é a proliferação de ratos. Eles estão em toda parte, sobretudo nas proximidades dos cofres. Para cada homem, existem pelo menos dez ratos no império.


São ratos diferentes. Em vez de roer, sugam. Em maioria, os ratos lutam por uma Fah-Bulah mais, digamos, ratocêntrica. Não querem mais ser chamados de ratos, mas de “aliados''. O povo vai ratificar?, eis a grande dúvida que o repórter tentará elucidar durante o recesso. 


A experiência do Império oriental de Fah-Bulah pode ser muito útil para compreender o que sucede no Brasil.


- Em tempo: O blog volta a operar em duas semanas. Ou a qualquer momento, em edição extraordinária.

Estados líderes em deficit habitacional tiveram menor oferta Minha Casa, Minha Vida


Carlos Madeiro
Do UOL, em Maceió



  • Roberto Stuckert Filho/PR
    No fim do prazo legal, Dilma faz megainauguração de 5.400 casas simultaneamente em dez cidades de sete Estados e uma cidade-satélite do Distrito Federal em cerimônia no começo de julho No fim do prazo legal, Dilma faz mega inauguração de 5.400 casas simultaneamente em dez cidades de sete Estados e uma cidade-satélite do Distrito Federal em cerimônia no começo de julho
Criado em 2009 para ser o maior programa habitacional da história do país, o Minha Casa, Minha Vida teve resultado positivo na redução do deficit habitacional, mas agiu de forma desigual entre os Estados.

O UOL comparou as planilhas de unidades financiadas pelas duas fases do programa, desde 2009, com o deficit habitacional oficial apontado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) no ano em questão.

O resultado aponta que, enquanto alguns Estados tiveram contratações em número até maior que a necessidade estimada, aqueles com maiores deficits não conseguiram aproveitar o Minha Casa, Minha Vida para reduzi-los em grande quantidade.

Até março, 3,3 milhões de unidades já haviam sido contratadas pelo programa, o que representa 59% do deficit habitacional estimado em 2009. A presidente Dilma Rousseff anunciou uma terceira etapa do programa na semana passada.

Estados líderes

Um exemplo de uso ruim do programa são as contratações do Amazonas, que atingiu o menor percentual no país.

Em 2009, o Estado tinha um deficit habitacional de 17% de moradias -- o segundo maior do país -, estimado em 155 mil unidades. Cinco anos depois, as contratações do Minha Casa Minha Vida somaram apenas 44 mil, ou seja, 28% do total de falta de residências.

Líder em deficit à época, com 23% da população nessa condição, o Maranhão também teve resultado abaixo da média, com a contratação de 143 mil unidades --35% do deficit total estimado.

Acre, Amapá, Ceará e Distrito Federal, por sua vez, não conseguiram suprir nem sequer 40% do deficit estimado em 2009.

Enquanto isso, Estados que tinham menor deficit em 2009 conseguiram ter contratações em número próximo ou até maior que a falta de unidades nesses cinco anos. Foi o caso de Rio Grande do Sul e Goiás, onde as contratações superaram o déficit estimado, chegando a 105% e 103%, respectivamente. 

Faltam investimentos

Para o consultor jurídico e ex-presidente da Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação Anthony Lima, os governos locais seriam os responsáveis pelo baixo número de contratações nos Estados.

"Isso se dá por falta de interesses dos governantes em promover a diminuição do deficit habitacional. O programa visa a parceria entre União, Estado e município. Quando um deles não se desenvolve, atrasa todo o programa na região", afirmou.

Para Lima, ser um Estado pobre explica apenas em parte a falta de contratações. Uma das questões levantadas por ele é a dificuldade de regularizar áreas, tornando aptas a receber construções. "Acredito que falta investir mais nas áreas a serem regularizadas. Se fosse questão de documentação, outros Estados não teriam conseguido contratar tanto", pontuou.

Fatores externos

O UOL questionou o Ministério das Cidades sobre o que explicaria a diferença apresentada pelos Estados. Segundo o órgão, uma série de fatores externos é responsável pela distribuição desigual.

"A disponibilidade de terrenos, a escassez e o custo da mão de obra, dificuldades de logística, interesse de empresas construtoras, articulação do governo local, entre outros, fazem com que a execução dessa meta ocorra em ritmo e forma desigual nas unidades da federação", afirmou, citando ainda que, "em algumas regiões, como Norte e Nordeste, a questão fundiária é um fator mais agravante".

O ministério informou que o programa usa o deficit habitacional das pessoas com renda de até R$ 1.600 feito pela Fundação João Pinheiro como referência para distribuição de metas, mas diz que, apesar disso, não considera que seja o melhor indicador para medir o sucesso do programa.

"O enfrentamento do deficit é uma ação de longo prazo e existem componentes do deficit, como o ônus excessivo com aluguel, que o programa não pretende atacar", explicou.

As questões ligadas às faltas de documentação e de projetos nesses Estados foram descartadas como fatores que explicariam esses números. "Por exemplo, na modalidade PMCMV Empresas, destinada ao atendimento de famílias com renda mensal de até R$ 1.600, a apresentação de projetos superou o orçamento disponibilizado pelo programa."

Por fim, o ministério aponta que "uma política contínua de investimentos, além de fatores como estabilidade econômica, política de juros e a valorização do salário mínimo" também são fatores que influenciam a capacidade das famílias em ter casa própria.  


Minha Casa, Minha Vida por Estado

  • UF - Imóveis contratados - Deficit em 2009 - Percentual atingido
  • AC - 8.877 - 25.480 - 34,8%
  • AL - 99.682 - 113.717 - 87,7%
  • AM - 44.041 - 155.026 - 28,4%
  • AP - 10.145 - 27.212 - 37,3%
  • BA - 255.853 - 421.684 - 60,7%
  • CE - 96.755 - 297.109 - 32,6%
  • DF - 45.397 - 114.172 - 39,8%
  • ES - 47.760 - 99.599 - 48%
  • GO - 188.473 - 183.003 - 103%
  • MA - 143.708 - 411.547 - 34,9%
  • MG - 329.955 - 504.261 - 65,4%
  • MS - 55.741 - 79.404 - 70,2%
  • MT - 85.589 - 101.678 - 84,2%
  • PA - 125.782 - 255.211 - 49,3%
  • PB - 70.822 - 103.709 - 68,3%
  • PE - 117.062 - 279.388 - 41,9%
  • PI - 68.538 - 112.458 - 60,9%
  • PR - 224.490 - 228.373 - 98,3%
  • RJ - 195.553 - 384.550 - 50,9%
  • RN - 72.142 - 112.512 - 64,1%
  • RO - 38.681 - 68.048 - 56,8%
  • RR - 8.563 - 18.524 - 46,2%
  • RS - 229.583 - 216.977 - 105,8%
  • SC - 126.522 - 129.299 - 97,9%
  • SE - 44.742 - 72.082 - 62,1%
  • SP - 601.771 - 1.140.207 - 52,8%
  • TO - 25.823 - 47.773 - 54,1%



  • Total - 3.362.050 - 5.703.003 - 59%

Obrigado, FHC!


Às 11:38 de ontem, fizemos um post pedindo que FHC respondesse ao Lula. Vejam abaixo matéria de O Globo:

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) criticou, na manhã desta segunda-feira em um evento de turismo em São Paulo, o uso político da Copa do Mundo e minimizou o crescimento da presidente Dilma Rousseff (PT ) na última pesquisa Datafolha divulgada na semana passada. Questionado por um programa humorístico se o PT teria “cuidado bem” do Plano Real, FH afirmou que o plano monetário que estabilizou a eleição foi “maltratado”:

— Não se deve misturar a emoção da Copa com a política. O povo sabe distinguir (que são coisas diferentes). Todos nós torcemos para o Brasil. Pode ser que haja algumas pessoas usando politicamente o sucesso da Copa. Eu não acho que se deva fazer isso. Acho que a Copa é um evento nacional e a torcida do Brasil é de todos nós. Depois da Copa vamos discutir eleições. O povo, agora, não tá preocupado em discutir eleição não. São os políticos e jornalistas que estão. O povo está querendo é que o Brasil ganhe — afirmou FH.

A pesquisa Datafolha encomendada pelo jornal 'Folha de S. Paulo', e divulgada sexta feira, aponta que a presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff, do PT, cresceu de 34% para 38%. Aécio Neves, do PSDB, variou de 19% para 20%, e Eduardo Campos, do PSB, oscilou de 7% para 9.

— Havia tanta crítica a tudo que quem está no governo sofre consequência. seja quem for: prefeito, governador ou presidente sofre consequência. E depois que diminui a crítica é natural (a subida) — comentou afirmando que há espaço para o crescimento da oposição. — Temos espaço para fazer muitos gols e comemorar e ela vai perder as eleições — sentenciou.

Mais uma vez, FH criticou a condução da política econômica durante os governos petistas. Questionado se o PT estava “cuidando bem do seu filho”, que seria o Plano Real, o ex-presidente respondeu: — Até um certo momento, mas, quando chegou a adolescência, eles (petistas) maltrataram. A partir da crise de 2007 e 2008, eles passaram a maltratar o filho — disse. 

Para FH, é necessária uma mudança nos rumos da economia. — Houve um abuso das finanças públicas. O endividamento do governo é muito elevado. Houve um esforço de combater a inflação controlando preços, como o da gasolina, que vai ter consequências. Houve um esforço parecido com a eletricidade que não adiantou e acabou tendo um aumento ontem. Então, houve um mal manejo das finanças públicas. É isso que (o PT) tem culpa, e precisa corrigir esse rumo — criticou FH.
 

O que Dilma fez hoje no facebook é abuso de poder político. E isso é crime eleitoral!




Não sou advogado mas,na minha modesta visão, houve flagrantes delitos no "face to face" que a presidente Dilma Rousseff realizou com seus seguidores no facebook. Em primeiro lugar, o evento foi chamado por um perfil oficial no twitter, denominado @blogplanalto. Este perfil é produzido por funcionários públicos pagos pelos nossos impostos, que operam de dentro do Palácio do Planalto, usando toda a infra-estrutura existente e patrocinadas por todos os brasileiros.

Outro detalhe: o "face to face" foi realizado na página oficial de Dilma Rousseff, portanto uma página pessoal, que identifica o site como "político". Ver neste endereço. No entanto, mesmo sendo pessoal, a página foi alimentada de dentro do Palácio do Planalto, usando, novamente, todos os recursos públicos. Notem que, pela agenda oficial, a presidente da República estava em reunião justamente com Thomas Traumann, ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social.

Vejam abaixo como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) identifica a sua página oficial. Se Dilma Rousseff quisesse falar como Presidente da República deveria fazê-lo por uma página oficial e não pela sua página pessoal, enganando os incautos e burlando a legislação eleitoral.


Além disso, o assunto do bate-papo presidencial deveria ser Copa do Mundo, mas na verdade foi montada uma pauta que permitiu que Dilma Rousseff respondesse questões escolhidas a dedo sobre os mais variados assuntos. Até sobre o PIB ela falou, fazendo um contraponto nitidamente eleitoreiro, dizendo que os mesmos pessimistas sobre a Copa estão pessimistas sobre os resultados da economia. Mas não é só isso. 

Olhando a página pessoal de Dilma Rousseff - da política Dilma Rousseff e não da presidente da República!- , verificamos que ela reproduz materiais de campanha eleitoral, o que é crime. Está lá, por exemplo, um material intitulado "13 Mentiras da Dilma", nitidamente produzido com fins de marketing pessoal . Clique aqui.  Também há links para o site da candidata Dilma Rousseff. Clique aqui.  Ou veja abaixo. 

Como se não bastasse a mistura do público com o privado, a página pessoal de Dilma Rousseff avisa que mais detalhes sobre o "face to face" devem ser buscados onde? No site do PT!

Não há problema algum que Dilma Rousseff tenha a sua página no facebook. Não há impedimento algum que, como nesta foto abaixo, ela utilize o logotipo da sua campanha para identificar a postagem. Mas é criminoso operá-lo de dentro do Palácio do Planalto, usando um prédio público, funcionários públicos e recursos públicos para a sua manutenção e funcionamento, como está provado na foto abaixo.
Foto: FACE TO FACE

Confira o bate-papo da presidenta Dilma sobre a #CopadasCopas em http://on.fb.me/1qbVTfR

Que a presidente, se quiser fazer campanha eleitoral, retire-se do palácio do Governo, dirija-se à sede do PT em Brasília, identifique-se como candidata e de lá faça o que bem entender, usando recursos do fundo partidário. Com a palavra o Tribunal Superior Eleitoral e os advogados do PSDB. 
 
 

Rio rejeita Dilma no início da campanha.


Rejeição a Dilma e apoio a Aécio cria uniões que pareciam impossíveis: o DEM de César Maia com o PMDB do Pezão.

A campanha eleitoral no Rio começou ontem com fogo amigo do senador Lindbergh Farias (PT), candidato ao governo do estado. O petista atacou a parceria firmada recentemente entre a presidente Dilma Rousseff, que concorre à reeleição pelo mesmo partido, e o seu adversário no estado, o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), em convênio firmado para a construção de um sistema de captação de água.

Enquanto isso, Pezão participou de dois eventos ao lado do vereador Cesar Maia (DEM), candidato ao Senado, e pediu empenho na campanha do agora aliado. O ex-prefeito defendeu o nome do senador Aécio Neves (PSDB) para a disputa à Presidência. 
 
 
O governador não citou Dilma em nenhum dos três eventos dos quais participou. Integrantes do movimento “Aezão”, criado pelo PMDB para pedir votos para Aécio e Pezão, já montaram uma agenda para o tucano no Rio. (O Globo)