segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Vaquejada: a essência de um “esporte” que explora animais

“não são divulgados para o publico os métodos cruéis utilizados para ocasionar a corrida dos bois” e denuncia “seu confinamento prévio por longo período, a utilização de açoites e ofendículos, a introdução de pimenta e mostarda via anal, choques elétricos e outras práticas caracterizadoras de maus-tratos”

 

 

 

contra-vaquejadas
Índice
Introdução
O que é a vaquejada? E quais são suas regras básicas?
Um “esporte” pautado pela violência e pela escravidão
Considerações finais
Referências

Introdução
Ela ainda não é tão conhecida no restante do Brasil, mas é uma tradição muito popular no Nordeste, e se estende também a algumas cidades de outras regiões. “Valeu boi” é o bordão mais conhecido que se usa nela. Ainda mais óbvia do que no rodeio é a forma como o lado dos animais é desconsiderado, a exploração e agressão contra eles. Falo da vaquejada, o segundo grande “esporte” de exploração de animais no Brasil.


Este artigo pretende mostrar ao país o que está acontecendo em centenas de pistas-arenas da região Nordeste e, em menor frequência, de outras regiões, à revelia do olhar da maioria dos defensores animais. Os detalhes mais importantes – regras, violações éticas e violências explícitas – de um “esporte” que, assim como o rodeio, alterna violência contra animais na arena e música popular num palco adjacente mas, ao contrário daquele, permanece impune, desimpedido e com muito pouca oposição.

O que é a vaquejada? E quais são suas regras básicas?
A vaquejada é uma atividade recreativo-competitiva, considerada por seus admiradores um “esporte”, surgida no Nordeste, que consiste centralmente em fazer dois vaqueiros a cavalo perseguirem um boi, emparelhá-lo com os cavalos e conduzi-lo a uma área-objetivo, entre duas linhas paralelas de cal, onde o derrubam. A perseguição e derrubada se dá numa pista-arena de areia não tão fofa e não tão dura, tendo a área demarcada pelas faixas de cal 10 metros de comprimento.


Após a derrubada, um juiz arbitra sobre o resultado da derrubada do boi. Se este, enquanto tombava, ficou por um instante com as quatro patas voltadas para o céu, o juiz declara ao público “Valeu boi!”, sinal de que a dupla de vaqueiros ganhou pontos. Se o boi não jogou as patas para cima, ele declara “Zero!”, e a dupla não pontua. [1]


Cada evento dura três dias – sendo o primeiro o dia de reconhecimento da pista e treinamento – e envolve em média a concorrência de 400 duplas de vaqueiros. Cada dupla persegue e derruba três bois por dia, sendo explorados geralmente bois de tamanho e peso quase iguais para que a disputa entre as duplas não seja desigual. É dada premiação dos primeiros até os vigésimos colocados. [2] E envolve-se também muita música, com bandas de “forró eletrônico”, forró tradicional e também de outros estilos, como axé.

Um “esporte” pautado pela violência e pela escravidão
Não é sequer necessário ler laudos científicos ou denúncias de ONGs defensoras dos animais para saber que a vaquejada é essencialmente uma atividade que explora e violenta animais. Basta assistir a uma única competição para ver que a violência ali é algo praticamente óbvio, muito embora seja tornada uma violência “aceitável” pela sociedade regional, a qual hoje tem uma grande dependência socioeconômica da pecuária.


O ato de fazer animais de natureza pacata (bois) correrem, persegui-los e derrubá-los no chão como se fossem brinquedos já é em si uma forma de tratá-los como coisas e agredi-los. É fácil chegar a essa conclusão se imaginariamente colocarmos um ser humano no lugar do boi. Uma pessoa de cabelo longo que, depois de ter sido provavelmente incitada ao pânico no brete, corre desesperadamente dos seus algozes e passa a ser perseguida por dois vaqueiros a cavalo ou a pé. Sente um medo duplo: dos breteiros e dos vaqueiros. Até que é puxada pelo cabelo e, derrubada, rola no chão, sentindo a dor da queda e aquilo de que tinha medo concretizado – a violência.


E isso sem falar na exploração também dos cavalos. Por mais que sejam supostamente tratados como “irmãos” antes e depois da competição da vaquejada, no momento da gincana eles são tratados como nada mais do que automóveis, controlados por uma série de instrumentos – como “professora”, rédeas, cabresto etc. – e incitados à alta velocidade. É um agravante o fato de que às vezes são usados açoites e esporas para incitar o cavalo a continuar correndo. [3]


Tratar dessa forma animais como objetos acaba tendo, seja intencionalmente ou contra a vontade dos organizadores da atividade, implicações sérias, de machucar de verdade os animais. Um exemplo de como a violência explícita ante arena de fato faz parte dos procedimentos da vaquejada é o relato dos ativistas Gabriela Toledo e Carlos Rosolen, da ONG Projeto Esperança Animal, sobre uma vaquejada que aconteceu em Cotia/SP:
Chegamos perto do brete. Diversos animais misturados e com aparência assustada. Um vaqueiro começou a “tocá-los com um pedaço de pau” para a fila que daria acesso para a arena. O espaço apertado permitia apenas um boi por vez. Ali os animais eram avaliados. Quando tinham chifres, seus chifres eram serrados com serrote. Muitos chifres sangravam.


O que chamou a atenção foi a agressividade com que os vaqueiros amarravam esses animais para poder serrar a ponta de seus chifres. Alguns se debatiam, caiam no chão. Outros tentavam pular a porteira que dava acesso à arena e quando isso ocorria os vaqueiros batiam com pedaços de pau em suas cabeças. Mais de 15 animais passaram por esse procedimento. Houve situações em que os animais tiveram suas patas presas entre as madeiras do corredor da arena e por pouco não tiveram suas patas quebradas.


Quando a porteira era aberta os animais saiam em disparada batendo suas patas, cabeça, peito na porteira, pois ela era muito estreita. Houve casos em que os vaqueiros fecham a porteira na cara dos animais ou no meio do corpo e sempre com muita agressividade.


Não havia fiscais nem veterinários presentes no local.
Investigando o evento descobrimos que muitos animais já morreram na arena ao bater a cabeça nas madeiras. Outros tiveram seus rabos arrancados durante a prova, pois os vaqueiros estavam utilizando uma luva não adequada. A prática de serrar os chifres é super comum. Muitas vezes usam os mesmos animais por mais de uma vez durante a prova. [4]
O artigo jurídico do advogado Thomas de Carvalho Silva [5] mostra com ainda mais propriedade como a vaquejada, mesmo aquela desprovida de ilegalidades, agride os animais. A princípio ele faz uma citação de um trecho de um parecer técnico da Dra. Irvênia Luiza Prada:
Ao perseguirem o bovino, os peões acabam por segurá-lo fortemente pela cauda (rabo), fazendo com que ele estanque e seja contido. A cauda dos animais é composta, em sua estrutura óssea, por uma seqüência de vértebras, chamadas coccígeas ou caudais, que se articulam umas com as outras. Nesse gesto brusco de tracionar violentamente o animal pelo rabo, é muito provável que disto resulte luxação das vértebras, ou seja, perda da condição anatômica de contato de uma com a outra.

Com essa ocorrência, existe a ruptura de ligamentos e de vasos sangüíneos, portanto, estabelecendo-se lesões traumáticas. Não deve ser rara a desinserção (arrancamento) da cauda, de sua conexão com o tronco. Como a porção caudal da coluna vertebral representa continuação dos outros segmentos da coluna vertebral, particularmente na região sacral, afecções que ocorrem primeiramente nas vértebras caudais podem repercutir mais para frente, comprometendo inclusive a medula espinhal que se acha contida dentro do canal vertebral.

Esses processos patológicos são muito dolorosos, dada a conexão da medula espinhal com as raízes dos nervos espinhais, por onde trafegam inclusive os estímulos nociceptivos (causadores de dor). Volto a repetir que além de dor física, os animais submetidos a esses procedimentos vivenciam sofrimento mental.

 A estrutura dos eqüinos e bovinos é passível de lesões na ocorrência de quaisquer procedimentos violentos, bruscos e/ou agressivos, em coerência com a constituição de todos os corpos formados por matéria viva. Por outro lado, sendo o “cérebro”, o órgão de expressão da mente, a complexa configuração morfo-funcional que exibe em eqüinos e bovinos é indicativa da capacidade psíquica desses animais, de aliviar e interpretar as situações adversas a que são submetidos, disto resultando sofrimento.

O brete, que é uma área do parque de vaquejada relativamente misteriosa, que não costuma revelar voluntariamente o que faz para causar a carreira dos bois, é denunciado por Thomas Carvalho como um local de maltrato: “Para que o bovino, manso e vagaroso, adentre a arena em fuga, o animal é confinado em um pequeno cercado, onde é atormentado, encurralado, espancado com pedaços de madeira, e submetido a vigorosas e sucessivas trações de cauda.” [5]

Geuza Leitão, da UIPA, confirma que “não são divulgados para o publico os métodos cruéis utilizados para ocasionar a corrida dos bois” e denuncia “seu confinamento prévio por longo período, a utilização de açoites e ofendículos, a introdução de pimenta e mostarda via anal, choques elétricos e outras práticas caracterizadoras de maus-tratos”.


O mero relato de Leitão sobre as vaquejadas para o jornal O Povo é insuficiente para caracterizar uma autêntica evidência ou prova das violências explícitas da vaquejada, mas, considerando a ausência de debate no Nordeste, perante a opinião pública, sequer sobre a fiscalização das vaquejadas, é dedutível que esses atos aconteçam muito mais frequentemente do que os simpatizantes da atividade imaginam.


A vaquejada, de fato, tanto faz jus ao atributo de “esporte” injustamente violento [7] que pelo menos duas vaquejadas já foram judicialmente censuradas nos últimos anos: a de Serra do Ramalho/BA, em junho de 2007 (mas liberada pouco depois) [8], e a de Xerém/RJ, em setembro de 2009 [9] (esta presumivelmente não mais liberada, uma vez que o seu site oficial não é mais atualizado desde 2009 [10]).


Essa violência, seja explícita e óbvia ou implícita e aceita, só acontece para valer por causa de uma importante premissa moral arrogada pelos organizadores de vaquejadas, vaqueiros e outras pessoas envolvidas na atividade: bois e cavalos, como sendo seres moralmente inferiores, são propriedade dos humanos, e assim sendo seus proprietários podem usá-los livremente sempre que lhes demandarem utilidade.


Considerando que a igualdade moral entre todos os seres humanos e o não ser tratado como propriedade de outrem são um direito humano fundamental e os animais não humanos são hoje desprovidos desse direito ainda que o mereçam, estes últimos estão de fato submetidos a uma arbitrária inferioridade moral, que permite que sejam usados como coisas utilitárias pelos humanos.
Caso não existisse essa desigualdade moral entre animais humanos e não humanos, os últimos também teriam o pleno direito de serem sujeitos e senhores de suas próprias vidas, vivendo estritamente de acordo com seus próprios interesses (de continuar vivo e evitar sua própria dor e sofrimento) e sendo proibida a sua escravização.


Mas não é o que acontece hoje. Graças à inferioridade moral imposta para os animais não humanos e à liberdade de propriedade privada, os vaqueiros, os donos (sic) de animais e os organizadores de vaquejadas são livres para usar sua “propriedade viva” como bem entenderem. [11] Como intencionam obter sustento do entretenimento de uso de animais, exploram então os seus cavalos e bois na atividade da vaquejada.


Mesmo que haja aqueles que dizem tratar seus cavalos como “irmãos”, “filhos” ou “amigos”, é notável que na verdade não há entre o vaqueiro e o cavalo uma autêntica relação de amizade ou de consideração análoga à familiar, mas apenas de afeto e gratidão por sua tão útil propriedade. Os vaqueiros geralmente adquirem (sic) os seus cavalos através de leilões, locação ou outras formas de comércio [12], e amigos e familiares não podem ser comprados ou alugados. E também é possível questionar se eles teriam a mesma “consideração” pelos animais se estes tivessem desempenho mau ou decadente nas competições.


Propriedade privada que são, tanto cavalos como bois são dados à luz com fins exclusivamente terceirizados, lucrativos e alheios aos seus interesses próprios de seres sencientes. No caso dos cavalos, são fecundados mediante seleção genética pelo uso do sêmen de machos “premiados”, herdando-lhes a força e agilidade. [13]


De uma atividade cujo alicerce indissociável é tratar animais como escravos, como propriedade humana, é esperado o uso de violência, por mais que haja leis exigindo respeito ao “bem estar animal”, assim como acontece na pecuária, na vivissecção, na compra e “posse” de animais domésticos e em qualquer outra atividade de exploração animal. Aliás, a própria escravidão animal é em si uma violência, um maltrato, visto que submete suas vítimas a atividades cuja participação eles não podem escolher entre aceitar e recusar, indo contra os interesses imediatos do próprio animal – usufruir da liberdade (que ele não tem) e satisfazer suas necessidades à sua maneira.

Considerações finais
Basta assistir a poucos vídeos sobre vaquejada que percebemos como essa atividade “esportiva” é uma ação de violência e escravidão contra animais não humanos que não escolheram tal fado, algo ausente nos verdadeiros esportes. Porém, uma forte camada cultural, regionalmente moldada a partir de uma dependência socioeconômica da exploração animal por via de uma pecuária explicitamente violenta [14], protege-a de ser encarada como aquilo que realmente é: uma agressão física explícita e injustificável contra bois e uma redução dos cavalos ao status de automóveis controláveis.


Porém, mesmo sendo uma atividade claramente pautada na exploração violenta de animais não humanos, é muito pouca – para dizer a verdade, residual – a mobilização de oposição de entidades de defesa animal contra a vaquejada no Nordeste. Isso deve-se em parte, provavelmente, à intimidadora força político-econômica da pecuária e da vaquejada na região – o que inclui o apadrinhamento de eventos do tipo por deputados [15] –, que impõe sérios riscos de represália a pessoas e organizações sem força política que se opuserem publicamente a esse tipo de evento.


O que resta, no momento, é fazer a militância nordestina de defesa animal crescer descentralizadamente e se robustecer a ponto de conquistar o apoio de políticos e juristas da região. É também fazer o “trabalho de formiguinha”, criando e ampliando pouco a pouco, à maneira de cada pessoa e entidade, o debate sobre a vaquejada e suas violências.


Para quem já é contra a vaquejada desde antes de ter lido este texto, fica aqui a convocação para que, de alguma maneira, ajude a expandir esse debate, para que os animais parem de sofrer diante dos espectadores e participantes desse tipo de competição. Para quem gosta, fica o convite para pensar sobre as implicações éticas e a violência dessa atividade para os animais – comece a enxergar o lado que a vaquejada e seus atores humanos não leva em consideração: o lado dos animais, o que eles sentem ao serem controlados, esporeados, açoitados, açulados, perseguidos e derrubados no chão. Para quem ainda não sabia realmente o que é e em que consiste a vaquejada, agora já sabe e tem ciência da necessidade de ela ser proibida.

Referências
[1] “Vaquejada” – Wikipédia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Vaquejada (acessado em 05/12/2011)
[2] “Um esporte emocionante” – Parque Ana Dantas:http://www.parqueanadantas.com.br/index2.php?mod=12 (acessado em 05/12/2011)
[3] O uso “moderado” de esporas e açoites é previsto pelas regras de pelo menos algumas vaquejadas, como por exemplo o Regulamento Geral de Vaquejada ABQM:http://www.abqm.com.br/IVaquejada/regulamento.pdf (acessado em 06/12/2011)
[4] “Relato de uma vaquejada” – PEA – Projeto Esperança Animal:http://www.pea.org.br/denuncia/vaquejada.htm (acessado em 06/12/2011)
[5] SILVA, Thomas de Carvalho. A prática da Vaquejada à luz da Constituição Federal de 1988: http://jusvi.com/artigos/38272/2 (acessado em 08/12/2011)
[6] “Vaquejada é crueldade contra animais?” – O Povo:http://www.opovo.com.br/www/opovo/opiniao/630544.html (acessado em 08/12/2011)
[7] Artes marciais, boxe, wrestling e outros esportes de luta podem ser considerados usuários de uma “violência não injusta”, uma vez que os lutadores escolhem estar ali e seguir tal carreira e assumem para si as consequências da violência trocada na arena.
[8] “Justiça determina suspensão de vaquejada em Serra do Ramalho” – Farol da Cidade:http://www.faroldacidade.com.br/?lk=4&id=6967 (acessado em 08/12/2011)
[9] “Vaquejadas são proibidas em Xerém” – SRZD:http://www.sidneyrezende.com/noticia/55221+vaquejadas+sao+proibidas+em+xerem(acessado em 08/12/2011)
[10] Os últimos eventos descritos no site oficial do Parque Ana Dantas (Xerém/RJ) são de 2009, conforme se pode notar em: http://www.parqueanadantas.com.br/index2.php?mod=53 e http://www.parqueanadantas.com.br/index2.php?mod=20 (acessados em 08/12/2011)
[11] Isso considerando-se que o Artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais é formalmente ignorado pelos atores envolvidos nas vaquejadas e até mesmo pelas leis federais que oficializam essa atividade como um “esporte” e o vaqueiro competidor como “atleta”.
[12] Um exemplo de como os cavalos de vaquejada são tratados como objetos dotados de utilidade e valor em dinheiro é esta página:http://www.cavalodevaquejada.com/2010/02/classificados-cavalo-de-vaquejada/(acessado em 08/12/2011)
[13] Um exemplo era o cavalo Signo Forte, falecido em fevereiro de 2010 e “recebedor” de prêmios em vida. Ele era descendente de dois cavalos competidores: Apollo (pai) e Dash For Cash (bisavô paterno e materno). Conformehttp://www.cavalodevaquejada.com/2010/02/morte-signo-forte/ (acessado em 08/12/2011)
[14] O maior exemplo da violência explícita da pecuária nordestina é o fato de a grande maioria dos matadouros de Pernambuco serem clandestinos e/ou abaterem animais com métodos obviamente cruéis como a marretada craniana. Conformehttp://consciencia.blog.br/2011/12/os-matadouros-imundos-de-pernambuco-e-um-convite-a-reflexao.html (acessado em 08/12/2011)
[15] Um exemplo: http://imagens.consciencia.blog.br/arquivos-anexos/cartaz-vaquejada-2008.jpg (acessado em 08/12/2011)

domingo, 13 de novembro de 2016

México transforma colunas de viadutos em jardins verticais

Arquitetura & Design


A ideia é muito simples e não ocasionou nenhuma mudança estrutural nas vias já existentes.
18 de julho de 2016 • Atualizado às 10 : 23
México transforma colunas de viadutos em jardins verticais
As paredes possuem um sistema automatizado de rega, que é controlado remotamente por GPS. | Foto: Divulgação
A Cidade do México inaugurou recentemente uma intervenção urbana enorme. São 60 mil metros quadrados de jardins espalhados sob um viaduto que corta 27 quilômetros da cidade. As pilastras deixaram o cinza do concreto para trás e ganharam diferentes tons de verde.



O projeto é financiado por investimento privado e desenvolvido pela empresa VerdeVertical, especializada em transformar paredes e fachadas em jardins gigantes. De acordo com a apresentação do projeto, a inclusão das plantas em ambiente urbana ajudará a filtrar mais de 27 mil toneladas de gases e processará dez toneladas de metais pesados.



Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação



A ideia é muito simples e não ocasionou nenhuma mudança estrutural nas vias já existentes. A instalação conta com armaduras metálicas cheias de anéis colocadas em volta da pilastra. Após fixada, a estrutura recebe painéis pré-fabricados, que incluem um substrato têxtil hidropônico, sobre o qual é colocado o material vegetal e também os espaços publicitários.



As paredes possuem um sistema automatizado de rega, que é controlado remotamente por GPS. A água usada no abastecimento é reaproveitada, sendo colhida da chuva e as espécies usadas são altamente resistentes e adequadas às condições do seu entorno.
Todo o projeto é mantido por investimento privado e ainda proporciona o uso de espaços publicitários em meio aos cultivos, como forma de atrair anunciantes e gerar verbas extras.



Versão brasileira
O Brasil também tem projetos que trazem a natureza de volta às grandes cidades. Um dos exemplos é o projeto que pretende espalhar plantar nativas ao longo do Minhocão. O elevado, que corta a cidade de São Paulo e há anos é uma das obras mais polêmicas do município, pode ganhar mais vida através de uma estratégia muito simples: cultivo de trepadeiras.



Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação


Segundo Nik Sabey, um dos criadores do projeto, a ideia é colorir e dar mais vida ao minhocão. “Seja como for, ele precisa ser verde”, comenta o publicitário e ambientalista. De acordo com ele, não é necessário muito mais do que mudas de plantas conhecidas como “trepadeiras”, árvores e alguns fios de aço.



Clique aqui para ver todos os detalhes deste projeto.




Redação CicloVivo

Norte-americanos criam pneu de bike que não precisa encher e nunca fura

Mobilidade


Os pneus podem rodar por oito mil quilômetros sem estragar e sem precisar ser trocado.
8 de novembro de 2016 • Atualizado às 13 : 37
Norte-americanos criam pneu de bike que não precisa encher e nunca fura
Os modelos Ever Tires e Nexo Tires possuem apenas a forma sólida da borracha, descartando a necessidade do enchimento a ar. | Foto: Divulgação
Quase todo ciclista já passou por alguma dificuldade após ter um pneu furado. Ter que rodar quilômetros a pé, carregando a bicicleta nas costas, ou perder bons preciosos minutos tentando remendar um pneu pode acabar com qualquer passeio. Mas, um modelo desenvolvido pela empresa norte-americana Canyon Crawler, pode deixar todos esses problemas no passado.



Enquanto os pneus comuns possuem uma camada externa de borracha e uma câmara de ar interna, os modelos Ever Tires e Nexo Tires possuem apenas a forma sólida da borracha, descartando a necessidade do enchimento a ar.




As opções foram desenvolvidas para serem aplicadas em qualquer tipo de bicicleta. No Ever Tires, a borracha tem pequenos furos, que garantem mais conforto aos ciclistas, evitando que o pneu fique duro demais ou instável.
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Já no Nexo, que foi desenvolvido especificamente para bicicletas de estrada, o pneu não tem furos, mas tem um design criado para manter a qualidade das pedaladas e garantir a segurança dos ciclistas.
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação



De acordo com a empresa, os pneus podem rodar por oito mil quilômetros sem estragar e sem precisar ser trocado. A Canyon Crawler também garante que os materiais usados na fabricação dos produtos são certificado com selos ambientais.



A empresa está em busca de financiamento coletivo para produzir em larga escala esses pneus que não furam.

Clique aqui para mais informações.



Redação CicloVivo

Madri destrói avenida em marginal para construir parque linear de 42km .Brasilia caminha em sentido contrario.

Arquitetura & Design


A estrada se transformou em uma enorme área de convivência, lazer e de resgate da biodiversidade
8 de novembro de 2016 • Atualizado às 09 : 56
Madri destrói avenida em marginal para construir parque linear de 42km
O espaço concentra diversas opções de lazer e soluções que facilitam o deslocamento dos habitantes. | Foto: Prefeitura de Madri
Madri não é apenas a capital espanhola, ela é também uma das maiores cidades europeias. Com seus mais de três milhões de habitantes, o município enfrenta muitos problemas comuns às metrópoles, como o trânsito e a falta de qualidade de área verde disponível aos moradores. Para resolver parcialmente este problema, a prefeitura local tem investido em soluções voltadas às pessoas e não apenas aos carros. Uma das grandes apostas foi a substituição da avenida na marginal do rio Manzanares por um parque linear.
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
A estrada, que antes transportara milhares de carros e possuía estruturas para mais de mil vagas de estacionamento subterrâneo, se transformou em uma enorme área de convivência, lazer e de resgate da biodiversidade local e da qualidade de vida dos moradores da região.
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação


Assinado pelos arquitetos Gines Garrido e Adriaan Geuze, o parque linear foi apelidado de Madrid Río. O espaço concentra diversas opções de lazer e soluções que facilitam o deslocamento dos habitantes. Por ter 42 quilômetros de extensão, ele conecta vários bairros. Suas ciclovias e pistas de caminhada, cercadas por árvores e pelo próprio rio, permitem que as pessoas passeiem ou se desloquem entre os bairros com segurança. O parque ainda possui dezenas de estações de metrô e trem, que o conectam aos bairros mais periféricos.
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação



O projeto trocou os mais de 200 mil carros que trafegavam pela avenida diariamente por onze novas áreas de lazer infantis, seis áreas de lazer para jovens e adultos, trinta quilômetros de ciclovias, 253 mil metros quadrados de áreas livres, que podem ser usadas para práticas esportivas diversas, 33 mil novas árvores e 429 hectares de zonas verdes.
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação



A enorme área ao ar livre pode ser usada para o lazer e também para eventos culturais. Mas, a prefeitura também pretende transformar antigas estruturas nos arredores dos parques em centros culturas para exposições e aulas de dança e música.
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação


O projeto foi idealizado pela prefeitura de Madri em 2007 e em 2011 já estava completamente finalizado. O que antes era apenas uma via exclusiva para o tráfego de veículos poluentes, hoje é um espaço que agrega vida e valo à cidade.



Clique aqui para ver mais detalhes deste projeto.


Redação CicloVivo

Investimentos em energias limpas batem recorde mundial em 2015

Desenvolvimento


A China ficou em primeiro lugar com US$ 110,5 bilhões, superando a soma dos investimentos destinados aos EUA e Japão.
1 de março de 2016 • Atualizado às 12 : 40
Investimentos em energias limpas batem recorde mundial em 2015
Com investimentos de US$ 160 bilhões, a energia solar ficou ligeiramente à frente da eólica. | Foto: iStock by Getty Images
Os investimentos em energias renováveis atingiram um recorde histórico em 2015, surpreendendo quem esperava que o setor fosse afetado negativamente pela queda no preço do petróleo e de outros combustíveis fósseis.  O investimento recorde de US$ 367 bilhões registrado no ano passado ficou bem acima dos US$ 253 bilhões investidos em combustíveis fósseis nesse período e cravou um recorde sem precedentes.


Outro ponto curioso foi a origem dos investimentos. O ano de 2015 foi também o primeiro em que mais dinheiro foi investido em energia limpa nos países em desenvolvimento (US$ 167 bilhões) do que nos países desenvolvidos (US$ 162 bilhões).



No ranking dos cinco principais destinos do capital direcionado à energia limpa, a China ficou em primeiro lugar com US$ 110,5 bilhões, superando a soma dos investimentos destinados aos Estados Unidos (US$ 56 bilhões) e ao Japão (US$ 46 bilhões), que ficaram em segundo e terceiro lugar, respectivamente. Completam o ranking o Reino Unido (US$ 23,4 bilhões) e a Índia (US$ 10,9 bilhões).  Percentualmente, no entanto, o maior crescimento em relação a 2014 ficou com a Índia e o Reino Unido, com 23% cada. A China elevou seus investimentos em 17% em relação ao ano anterior e os Estados Unidos, 7%. O Japão manteve-se quase estável, com crescimento de 3%.



Com investimentos de US$ 160 bilhões, a energia solar ficou ligeiramente à frente da eólica, que recebeu recursos da ordem de US$ 110 bilhões. As grandes hidrelétricas, por sua vez, quase empataram com a energia oriunda de biomassa e detritos (US$ 42 bilhões e US$ 41 bilhões, respectivamente).
Foto: iStock by Getty Images
Foto: iStock by Getty Images


Estas são algumas das conclusões do estudo A Year for the Record Books, o mais recente relatório da série Tracking the Energy Revolution da Clean Energy Canada, a qual identifica tendências no mercado de energies limpas no Canadá e no mundo.   Segundo esse estudo, entre 2009 e 2015, o custo da energia eólica nos Estados Unidos caiu 61%, enquanto o custo da energia solar caiu 82%.



“Um terço de um trilhão de dólares foram investidos em energias renováveis em 2015 – trata-se de um investimento de peso que estabelece um novo recorde para as energias limpas, mesmo diante da forte concorrência dos preços baratos dos combustíveis fósseis”, sintetiza Merran Smith, Diretora Executiva da Clean Energy Canada.



“Elas estão decolando porque oferecem um valor imbatível – elas são locais, por isso, oferecem segurança energética. As energias limpas também são uma solução climática e reduzem os problemas de saúde causados pela poluição atmosférica. São cada vez mais competitivas e há muitos investimentos a serem feitos ainda”, destaca Merran.  “O custo da produção de energias limpas continua a cair, e seu combustível – sol, vento, água – é gratuito. Não é de admirar que as energias limpas estejam ganhando força em todo o mundo. Trata-se de um contraste gritante com os mercados de combustíveis fósseis, que agora vivem às voltas com altos e baixos”, completa.

20% das plantas do mundo correm risco de extinção

Meio Ambiente


Ela são ameaçadas principalmente pela agricultura, por conta especialmente da lavoura extensiva.
25 de maio de 2016 • Atualizado às 09 : 31
20% das plantas do mundo correm risco de extinção

Uma pesquisa divulgada recentemente pelo centro botânico Kew Gardens, de Londres, aponta que cerca de 20% das plantas do mundo correm risco de extinção, ameaçadas principalmente pela agricultura, por conta especialmente da lavoura extensiva. Mas doenças, pesticidas e também as alterações climáticas aparecem como fatores prejudiciais à sobrevivência das mais de 391 mil espécies de plantas analisadas pelos pesquisadores, nesse estudo que foi considerado o primeiro grande censo global da flora.



No Brasil, essa ameaça já é conhecida e confirmada em relevantes publicações como o primeiro “Livro Vermelho da Flora do Brasil”, no final de 2013, pelo Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora), entidade vinculada à Diretoria de Pesquisa do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, a partir de um estudo com mais de quatro mil espécies nativas. Ao todo, o território brasileiro tem perto de 44 mil tipos de espécies catalogadas. De acordo com o estudo realizado no país, a agricultura extensiva é também a principal responsável pela ação contra a sobrevivência das nossas plantas.




“O Brasil concentra de 11% a 14% da diversidade de plantas do mundo, nosso patrimônio é enorme. Mas é preciso conhecer muito bem e saber cuidar do meio ambiente, compatibilizando a crescente necessidade mundial de alimentos, através da agricultura, com medidas que permitam preservar áreas estratégicas para a conservação da biodiversidade, evitando assim que o desaparecimento progressivo acabe eliminando ou mesmo comprometendo irremediavelmente toda essa nossa riqueza”, diz Iracema Helena Schoenlein-Crusius, membro do CRBio-01 – Conselho Regional de Biologia – 1ª Região (SP, MT e MS). Para a Bióloga, os desdobramentos que a pesquisa do centro britânico deve estimular no combate à extinção de algumas espécies pelo mundo podem, além de incentivar ações por aqui, servir como referência para outras ações.




Das espécies analisadas aqui pelo CNCFlora, 45,9% foram classificadas como ameaçadas e enquadradas nas categorias “Vulnerável”, “Em Perigo” e “Criticamente em Perigo”. “É importante lembrar que a elaboração de medidas de recuperação e preservação ambiental depende da avaliação do grau de perda ou do comprometimento da biodiversidade de determinado local. 




Assim, a necessidade de se conhecer a biodiversidade dos ambientes, preferencialmente antes dos impactos, justifica a relevância das pesquisas básicas em áreas preservadas, pois estas promovem os levantamentos que traduzem o estado da arte da vegetação original dos ecossistemas”, finaliza Iracema.

5 dicas para incentivar as crianças a cuidarem da natureza

Vida Sustentável

É importante fazer com que a criança interaja com a natureza, afinal esse é o nosso mundo.
26 de outubro de 2016 • Atualizado às 13 : 21
5 dicas para incentivar as crianças a cuidarem da natureza
Os vínculos das crianças com a natureza podem definir a forma como elas pensam e se importam com o meio ambiente. | Foto: iStock by Getty Images


A maior parte da população mundial mora em centros urbanos, onde o estilo de vida torna o contato com a natureza cada vez mais escasso. Segundo o Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 84% dos brasileiros moram em cidades. Isso reflete no comportamento das novas gerações, que brincam cada vez menos ao ar livre e consequentemente criam menos vínculos com a natureza.


“A natureza é nosso habitat, nosso mundo, o ser humano faz parte desse todo. É importante as crianças entenderem isso e aprenderem como algumas ações podem ajudar na conservação do meio em que vivem”, afirma Marion Silva, coordenadora de Áreas Protegidas da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.


“A consciência desenvolvida nas primeiras fases da criança faz com que, quando adulta, ela tenha uma noção plena de sua participação na construção de um mundo melhor. Um excelente presente que você pode dar ao seu filho é ensiná-lo a dar valor à natureza”, completa Marion, que tem uma filha de dez anos.


Confira seis dicas para estimular as crianças a terem consciência da importância da natureza.



  1. Promova passeios e brincadeiras em parques e reservas naturais
É importante fazer com que a criança interaja com a natureza. Vá a um parque urbano e estimule-a a despertar sua criatividade, andar descalço, sentir a textura da grama e da terra nos pés. Promova brincadeiras como coletar folhas secas no chão e compará-las. Isso fará com que elas observem o ambiente com mais atenção.



Sair das cidades também é uma opção. “Mostrar a grandiosidade da natureza em áreas conservadas deixa as crianças empolgadas. Já levei minha filha na Reserva Natural do Salto Morato (PR), ao Parque Estadual do Pico Marumbi (PR), no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO), entre outros, e ela adora o contato com a natureza”, afirma Marion.



Quer promover uma expedição de exploração com os pequenos? Uma boa dica para ajudar na escolha do roteiro do próximo passeio é o site Wikiparques, uma plataforma da Fundação Grupo Boticário e da Associação O ECO que reúne parques e reservas ao redor do Brasil.



  1. Tenhas plantas em casa
Distribua vasos com mudas pela casa: isso tornará o contato da criança com a natureza mais corriqueiro. Ensine-a a importância de regar as mudas e acompanhe as diversas fases de crescimento da planta. Sempre que possível, dê preferência às espécies nativas da sua região, pois elas se adaptam melhor ao ambiente.



  1. Cultive uma horta em casa
Mesmo em apartamentos é possível ter um vaso com temperos, como hortelã, cebolinha e salsinha, ou ainda com frutas como morango. Mostre para a criança o ciclo da natureza e como dependemos dela para nos alimentarmos do que ela fornece.



  1. A chuva tem importância para o ciclo da vida
É importante a criança entender que os dias chuvosos têm valor, pois as plantas e os animais silvestres dependem dela para viver. Leve seu filho para sentir na pele as gotas caindo do céu e explique os estágios da água (sólido, líquido e gasoso).



Comente também sobre a importância de áreas verdes. Elas protegem o solo, segurando a água da chuva para que ela se infiltre lentamente até chegar aos lençóis freáticos, que alimentam as nascentes, e a partir daí os rios. Nas grandes cidades, o excesso de asfalto, concreto e outros solos não permeáveis impedem que a chuva se infiltre no solo, fazendo com que essa água escorra rapidamente para o leito dos rios, aumentando a possibilidade de enchentes.



  1. Demonstre amor pelos seres da natureza
Trate os animais com amor e carinho, ensinando às crianças que todos devem ser bem cuidados. Mostre os pássaros que cantam nas árvores, as minhocas na terra e os insetos, valorize os animais em vida livre. Todos os seres têm uma função importante no ciclo da natureza e podem conviver em harmonia mesmo em áreas urbanas.