quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Metade de todos os medicamentos tem origem em produtos naturais


Metade de todos os medicamentos tem origem em produtos naturais


Metade de todos os medicamentos tem origem em produtos naturais
A pesquisadora brasileira lidera um laboratório nos Estados Unidos especializado na biossíntese de compostos naturais.
[Imagem: Felipe Maeda / Agência FAPESP]
Farmacopeia natural

Você sabia que cerca de metade de todos os medicamentos vendidos nas farmácias e utilizados nos hospitais têm princípios ativos extraídos de produtos naturais?


Do total de medicamentos comercializados pelas indústrias farmacêuticas, 49,6% são compostos sintéticos, geralmente fabricados a partir do petróleo, enquanto 50,4% originam-se de produtos naturais ou derivados.



A expressão "produtos naturais ou derivados" denomina moléculas produzidas por plantas, fungos, bactérias e outros organismos, ou moléculas artificialmente modificadas a partir dessas precursoras.



A informação foi dada pela brasileira Alessandra Estáquio, atualmente pesquisadora da Universidade de Illinois de Chicago (EUA): "É importante, para o desenvolvimento de medicamentos, recorrer às duas opções, ao sintético e ao natural. Os dois caminhos apresentam vantagens e desvantagens. A vantagem dos produtos naturais é que a atividade biológica que eles manifestam resulta de uma evolução de milhões de anos. Outra vantagem é que sua produção constitui um processo mais sustentável."


A Medicina nasceu com o uso de plantas para curar doenças e ferimentos. Nos últimos dois séculos, a possibilidade de modificar a estrutura química das moléculas ativas encontradas nas plantas, de modo a potencializar suas propriedades farmacodinâmicas, fez com que a pesquisa de produtos naturais ou derivados se tornasse um campo altamente promissor.
Morfina (analgésica), eritromicina (antibiótica), ciclosporina (imunossupressora), artemisinina (antimalárica) são algumas substâncias naturais com uso consolidado em medicina.


E essa importância das fontes naturais de medicamentos tende a crescer, conforme as pesquisas avançam das plantas em direção a outros organismos, principalmente as bactérias.


Potencialização das plantas medicinais
A ação da tecnologia é importante porque as plantas medicinais nem sempre trazem resultados com a velocidade que casos críticos exigem.


"Em alguns casos, a estrutura encontrada na natureza é utilizada diretamente como medicamento. Exemplo disso é o paclitaxel, um fármaco extraído da casca do teixo (Taxus brevifolia), empregado no tratamento do câncer. Mas a maioria dos compostos naturais necessita de alguma modificação para poder funcionar como medicamento. Alguns precisam ser estabilizados, porque se degradam muito rapidamente. Outros precisam de alterações que favoreçam sua absorção e distribuição no organismo humano. Outros ainda precisam que seu efeito seja potencializado. E assim por diante", explicou Alessandra.


Mesmo no caso do paclitaxel, por exemplo, para se obter 1 quilograma do produto seriam necessárias três mil árvores. Daí a necessidade de se recorrer à semissíntese ou à cultura de células vegetais para que o medicamento possa ser disponibilizado em escala comercial.


Metade de todos os medicamentos tem origem em produtos naturais
Recentemente, pesquisadores japoneses criaram uma nova técnica para identificar diretamente os compostos das plantas medicinais, acelerando sua transformação em medicamentos.
[Imagem: Zhiyou Yang et al. - 10.3389/fphar.2017.00340]
"Há várias formas de intervenção possíveis. Uma delas é a semissíntese, que consiste em isolar a molécula de interesse e modificá-la parcialmente por meio de processos químicos. Outra forma é reproduzir a estrutura completa por meio de síntese. 



Uma terceira maneira, mais recente, consiste em modificar os produtores dos compostos por meio de engenharia genética. 


Em alguns casos, a engenharia genética envolve transferir os genes responsáveis pelo composto de um organismo para outro - por exemplo, de uma planta para uma bactéria ou levedura. 



A vantagem, no caso, é que as bactérias ou leveduras são mais fáceis de cultivar e crescem mais rapidamente do que as plantas. Por exemplo, um grupo nos Estados Unidos, liderado por Jay Keasling, da Universidade da Califórnia de Berkeley, conseguiu transferir os genes precursores da artemisinina para leveduras", detalhou a pesquisadora.



Medicamentos a partir de bactérias
O grupo liderado pela pesquisadora brasileira nos EUA trabalha com bactérias, tendo por horizonte o desenvolvimento de compostos antibióticos ou anticancerígenos.
"Nosso objetivo principal é entender como as bactérias sintetizam moléculas que podem ser usadas como antibióticos, quais são os genes envolvidos no processo. Com esse conhecimento, é possível fazer com que as bactérias produzam os compostos em maior quantidade, ou modificar as moléculas para que se tornem fármacos mais eficazes. É uma pesquisa básica, porém com a aplicação em mente," contou ela.

"Com o boom de sequenciamentos de genomas microbianos, ficou claro que o potencial biossintético dos microrganismos é muito maior do que se supunha. Uma bactéria típica, à qual são atribuídos alguns poucos compostos, pode produzir mais de 30, a partir de sua estrutura genômica. Ocorre que a maioria dos genes responsáveis pela biossíntese é silenciada ou não é bem expressa em condições laboratoriais de crescimento. Sabendo que genes são esses e qual é o seu potencial, torna-se possível ativar esses genes e obter os compostos correspondentes," concluiu.

OMS: 93% das crianças respiram poluição acima do recomendável


OMS: 93% das crianças respiram poluição acima do recomendável


Poluição por poeira
Um relatório divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) mostra que 93% das crianças e adolescentes respiram ar com nível de partículas finas acima do que é considerado recomendável para a saúde.


A situação é mais grave em algumas regiões do mundo como a Ásia e a África e também nos países de renda média e baixa.


Nos países com renda baixa e média, 98% dos menores de 5 anos são expostos a níveis maiores do que é recomendado para a saúde, enquanto nos países de renda elevada, o percentual é de 52%.


Na África e no Mediterrâneo Oriental, 100% das crianças com menos de 5 anos estão expostas a níveis acima do recomendável.


No continente americano, países de renda baixa e média, como o Brasil, expõem 87% das crianças menores de 5 anos a esses níveis de partículas finas.


Mortes por poluição
Além da poluição das grandes cidades, as crianças muitas vezes estão expostas a partículas geradas dentro de suas próprias casas, provocadas pela queima de combustíveis como carvão e querosene.


Cerca de 3 bilhões de pessoas ainda dependem de combustíveis e equipamentos poluentes para cozinhar e se aquecer. Mulheres e crianças costumam passar mais tempo ao redor dessas fontes de calor, expostas à fumaça, o que resulta em concentrações de poluentes que chegam a ser seis vezes mais altas do que o ambiente ao redor.


A OMS estima que essa exposição resultou em 3,8 milhões de mortes prematuras em todo o mundo, o que supera a mortalidade causada por malária, tuberculose e Aids combinadas. Destas mortes, 400 mil atingiram menores de 5 anos.

No Brasil, a OMS estima que 50 mil pessoas morrem por ano de doenças relacionadas à poluição do ar. Quase 10% da população do país ainda queima madeira para cozinhar, o que contribui para a exposição à poluição.

EUA podem estar desenvolvendo arma biológica, alertam cientistas


EUA podem estar desenvolvendo arma biológica, alertam cientistas


EUA podem estar desenvolvendo arma biológica, alertam cientistas
Cientistas alertam que uma pesquisa com ares de tecnologia agrícola pode ser na verdade para desenvolver uma arma biológica.
[Imagem: MPG/ D. Duneka]
Guerra biológica

Devido às guerras, atuais e passadas, o úblico está bem ciente dos terríveis efeitos das armas químicas.
Enquanto isso, os efeitos das armas biológicas desapareceram ou sequer chegaram a fazer parte da consciência pública.

E agora, um projeto financiado por uma agência de pesquisa do Departamento de Defesa dos EUA está dando origem a preocupações sobre a possibilidade de que uma pesquisa científica com aparência legítima possa estar na verdade acobertando o desenvolvimento de tecnologia para fins de guerra biológica.

O programa, chamado "Insetos Aliados", pretende que insetos sejam usados para dispersar vírus geneticamente modificados em plantações agrícolas. Esses vírus seriam projetados para alterar os cromossomos das plantas por meio da "edição do genoma". Isso permitiria que modificações genéticas fossem implementadas rapidamente e em larga escala em plantações que já estão crescendo nas lavouras.



Mas esse tipo de sistema pode ser mais facilmente desenvolvido para uso como arma biológica do que para o propósito agrícola proposto, afirmaram cientistas do Instituto Max Planck de Biologia Evolutiva (Alemanha) e do Instituto de Ciências da Evolução de Montpellier (França), juntamente com juristas da Universidade de Freiburg (Alemanha).


O alerta foi publicado pela revista Science.
Insetos Aliados - Aliados de quem?
A agência militar norte-americana DARPA (Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa) defende que a edição do genoma usando vírus sintéticos abrirá "possibilidades sem precedentes" para alterar as propriedades das plantas agrícolas depois que elas já estiverem crescendo nos campos. As plantas poderiam, por exemplo, ser geneticamente alteradas para quase instantaneamente se tornarem menos suscetíveis a pragas ou secas. Até agora, a engenharia genética de sementes sempre ocorreu em laboratórios.

O programa da DARPA distribuiu um total de US$ 27 milhões com o objetivo de desenvolver vírus geneticamente modificados que possam editar geneticamente as culturas nos campos. O primeiro dos três consórcios, provenientes de 14 centros de pesquisa norte-americanos, anunciou sua participação em meados de 2017. Plantas como milho e tomate estão supostamente sendo usadas nos experimentos em andamento, enquanto as espécies de insetos de dispersão mencionadas incluem cigarrinhas, moscas brancas e pulgões.

O plano de trabalho da DARPA prevê demonstrações em larga escala do sistema totalmente funcional, incluindo os vírus dispersos por insetos.
Em declarações públicas, a agência afirma que os desenvolvimentos resultantes do Programa Insetos Aliados destinam-se ao uso agrícola de rotina, por exemplo, para proteger as culturas contra secas, geadas, inundações, pesticidas ou doenças.
EUA podem estar desenvolvendo arma biológica, alertam cientistas
A pesquisa é largamente desconhecida mesmo entre os especialistas em genética.
[Imagem: D. Caetano-Anolles]
Convenção de Armas Biológicas
O grande problema, dizem os cientistas, é que os agricultores, os produtores de sementes e, não menos importante, o público em geral, seriam maciçamente afetados pelo uso desses métodos eticamente questionáveis. "Não há praticamente nenhum debate público sobre as consequências de longo alcance de propor o desenvolvimento dessa tecnologia. 


O programa Insetos Aliados é amplamente desconhecido, mesmo nos círculos de especialistas," disse o professor Guy Reeves.



Entre outras preocupações, está o fato de que a DARPA não apresentou nenhuma razão convincente para o uso de insetos como um meio não controlado de dispersar vírus sintéticos no meio ambiente. Além disso, a equipe argumenta que os resultados do Programa Insetos Aliados poderiam ser mais facilmente usados para a guerra biológica do que para o uso agrícola rotineiro.

"É muito mais fácil matar ou esterilizar uma planta usando edição genética do que torná-la resistente a herbicidas ou insetos," explica Reeves.

Considerando essas e outras preocupações listadas no artigo da Science, o programa da DARPA pode ser visto como um programa que não se justifica para fins pacíficos, como é exigido pela Convenção sobre Armas Biológicas, além de poder levar a que outros países comecem a desenvolver suas próprias armas nessa área, argumenta a equipe.

"Por causa da ampla proibição da Convenção de Armas Biológicas, qualquer pesquisa biológica preocupante deve ser plausivelmente justificada como servindo a propósitos pacíficos. 


O Programa Insetos Aliados pode ser visto como violando a Convenção de Armas Biológicas se as motivações apresentadas pela DARPA não forem plausíveis. Isso é particularmente verdadeiro considerando que esse tipo de tecnologia poderia ser facilmente usado para a guerra biológica," disse a professora Silja Vöneky, que também assina o artigo.


terça-feira, 30 de outubro de 2018

Florestas para água. Rodada de debates.

Nova York processa a gigante do petróleo Exxon por enganar investidores sobre clima



Nova York processa a gigante do petróleo Exxon por enganar investidores sobre clima


A procuradora-geral do Estado de Nova York, Barbara Underwood, impetrou na justiça esta semana uma ação contra a Exxon Mobil. A maior empresa de petróleo do mundo é acusada de enganar acionistas ao minimizar o risco do combate à mudança climática para seu negócio.
É mais um revés para a petroleira, que é investigada nos Estados Unidos por ter negado durante décadas a ligação entre petróleo e mudança do clima, que já era conhecida pelos cientistas da empresa desde os anos 1970.
Segundo um comunicado da procuradoria, a Exxon passou anos dizendo aos investidores que estava computando o custo cada vez mais alto das regulações climáticas em seu planejamento e na valoração de seus ativos. No entanto, prossegue a nota, a empresa “fez muito menos do que alegou, enganando os investidores sobre a verdadeira exposição financeira da companhia a regulações e políticas adotadas para mitigar os efeitos adversos da mudança do clima”.
A Exxon, por exemplo, vendia suas ações como um investimento seguro, tentando atrair investidores de longo prazo como fundos de pensão e empresas de seguro de vida. Segundo Underwood, a empresa “construiu uma fachada para convencer os investidores de que estava administrando os riscos da regulação climática quando, de fato, estava intencional e sistematicamente subestimando-os ou ignorando-os”.
A matemática do clima é implacável com as empresas de combustíveis fósseis. Se quiser evitar que o aquecimento global chegue a 2oC, como determina o Acordo de Paris, a humanidade não poderá emitir mais do que 500 bilhões de toneladas de gás carbônico daqui até o final dos tempos. Como a queima de combustíveis fósseis é a maior fonte de emissões do planeta, isso significa que a maior parte das reservas de hidrocarbonetos do mundo terá de ficar no subsolo, o que tem impacto direto sobre o futuro de empresas como a Exxon, a Shell e a brasileira Petrobras.
Neste mês, o IPCC, o painel do clima das Nações Unidas, publicou um relatório que torna a realidade das petroleiras ainda mais dura: se a humanidade quiser evitar que o aquecimento global ultrapasse 1,5oC, terá de cortar 45% das emissões nos próximos 12 anos. Não há como fazer isso mantendo o ritmo atual de extração e uso de petróleo.
“A ação contra a Exxon tende a acender a luz amarela no mundo todo sobre o risco financeiro de continuar a investir em petróleo”, disse Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima. “O Brasil, que faz uma aposta arriscada nesse setor ao dar subsídios de centenas de bilhões de reais para a exploração do pré-sal até 2040, deveria prestar atenção a esse alerta e acelerar mudanças na Petrobras no sentido de uma economia de baixo carbono.”
Foto: ©Rex Curry/Greenpeace

Cientistas pedem proibição de agrotóxico que compromete saúde mental de crianças e aumenta risco de autismo


Cientistas pedem proibição de agrotóxico que compromete saúde mental de crianças e aumenta risco de autismo


“Temos evidências claras de dezenas de estudos em seres humanos de que a exposição de mulheres grávidas a níveis muito baixos de pesticidas organofosforados colocam crianças e fetos em risco de problemas de desenvolvimento que podem durar a vida inteira”, denuncia Irva Hertz-Picciotto, pesquisadora do UC Davis Environmental Health Sciences Centre e autora principal de um artigo que acaba de ser divulgado na publicação científica Plos Medicine.


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“É hora de proibir não apenas o clorpirifós, mas todos os organofosforados”, ressalta a cientista.
A classe de pesticidas chamada de organofosforado (organophosphate – OP – , em inglês) foi desenvolvida nas décadas de 1930 e 1940, originalmente como um agente de gás nervoso humano, mas depois adaptado, em doses menores, para ser utilizado como inseticida.
O novo estudo revela é que o uso indiscrimado deste tipo de agrotóxico compromete a saúde mental de crianças do mundo inteiro, sobretudo, em países em desenvolvimento. Testes comprovam que a exposição a essa substância química, mesmo em doses baixas, acarreta em redução de QI e de memória e pode aumentar os riscos do déficit de atenção, assim como, aquele de ocorrência de autismo.
E não é só. Em doses mais altas, os pesquisadores afirmam que os organofosforados podem levar à morte.
O grupo de cientistas americano é enfático em salientar a necessidade da proibição urgente desses agrotóxicos.
Só na Europa, estima-se que mais de 10 mil toneladas de organofosforados sejam empregados na lavoura por ano e um volume ainda maior nos Estados Unidos. Todavia, muitos desses produtos já foram banidos nesses lugares, entre eles, o terbufó, o qual foi associado com o aparecimento de leucemia, câncer de pulmão e linfoma de non-Hodgkin. Na Europa, os principais fabricantes de organofosforados são Bayer-Monsanto, Syngenta e DuPont.
Em seu site, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), responsável pelo controle e liberação de agrotóxicos no Brasil, afirma que apenas os organofosforados com ingredientes ativos F15 – Forato, M10 – Metamidofós e T21 – Triclorfom não têm seu uso permitido no país.

Veneno no prato e no ar

Em julho deste ano, noticiamos aqui, no Conexão Planeta, a publicação de um relatório, feito pela Human Rights Watch que denunciava as falhas para proteger as populações de comunidades rurais brasileiras expostas à dispersão de pesticidas.
De julho de 2017 a abril de 2018, a organização entrevistou 73 pessoas afetadas pela utilização de agrotóxicos em sete zonas rurais, nas cinco regiões do Brasil, incluindo comunidades indígenas e quilombolas e escolas rurais.
Segundo o relatório, em todos estes lugares os entrevistados descreveram sintomas relacionados com a intoxicação aguda por agrotóxicos após verem pulverização dos mesmos nas proximidades ou sentirem o cheiro deles recentemente aplicados em plantações próximas. Os sintomas incluíram sudorese, frequência cardíaca elevada e vômitos, além de náusea, dor de cabeça e tontura.
O Brasil é um dos maiores consumidores de agrotóxicos do mundo. Por ano, o setor comercializa algo em torno de US$ 10 bilhões. Em 2014, a estimativa era de que cerca de 7,5 quilos de pesticidas foram usados, por pessoa, no país. Entre as dez substâncias mais utilizadas por aqui, quatro são proibidas na Europa.
Se já não fosse o suficiente, há um projeto de lei tramitando em Brasília, o chamada #PLdoVeneno, que quer facilitar ainda mais o registro dos agrotóxicos. A sociedade civil está mobilizada para tentar barrar este absurdo, mas no final de junho, os integrantes da Comissão Especial que julga o PL 6299/2002 se reuniram a portas fechadas e aprovaram o texto, que será agora discutido no plenário.
De acordo com as Nações Unidas, 200 mil pessoas morrem anualmente devido à intoxicação por agrotóxicos – 99% dos casos acontecem em países pobres.
Foto: domínio público/pixabay

Aquecimento Global: Estresse térmico reduzirá a produtividade no trabalho

Aquecimento Global: Estresse térmico reduzirá a produtividade no trabalho


O estresse térmico afeta a saúde dos trabalhadores e reduz a produtividade do trabalho, alterando o ambiente de trabalho ambiental, levando a perdas econômicas.

Institute of Atmospheric Physics, Chinese Academy of Sciences*
Quantificar o impacto do estresse térmico na produtividade do trabalho continua sendo um problema para a pesquisa científica e a formulação de políticas.
Nos últimos anos, pesquisas baseadas em estudos de ciências sociais foram bem aplicadas para quantificar o impacto do estresse térmico na capacidade de trabalho. No entanto, os inquéritos anteriores foram principalmente para países desenvolvidos. O número de amostras era geralmente muito pequeno (centenas ou até dezenas) e não era adequado para identificar as diferenças regionais em todo o mundo. O padrão mundial de perda de produtividade relacionada ao calor (WPL) permaneceu incerto.
Recentemente, YU Shuang, XIA Jiangjiang e YAN Zhongwei do Instituto de Física Atmosférica da Academia Chinesa de Ciências, juntamente com colegas da China e do Reino Unido, sintetizaram 4363 respostas a uma pesquisa global online em 2016, a mais ampla pesquisa global sobre o efeito de estresse térmico na WPL atualmente disponível, a fim de quantificar os efeitos do estresse térmico na produtividade do trabalho em diferentes países para o ano.
Os resultados da pesquisa mostram que o WPL relacionado ao calor no ano foi de 6,6 dias para os países em desenvolvimento e de 3,5 dias para os países desenvolvidos. O WPL relacionado ao calor tem correlação negativa significativa com o PIB per capita (cc = -0,63), indicando que o WPL é inversamente proporcional ao nível de desenvolvimento. Eles identificaram as regiões de vulnerabilidade a ondas de calor que poderiam ter sido negligenciadas no passado, especialmente as regiões do Cinturão Econômico da Rota da Seda, como a Ásia Central e o norte da Europa, devido à adaptabilidade relativamente baixa ao calor. A onda de calor é um dos mais graves desastres meteorológicos em termos de perdas econômicas na região do Cinturão e da Estrada.

Um padrão mundial de perda de produtividade relacionada ao calor (em dias) para 2016, com base em uma pesquisa on-line com 4043 amostras válidas. (Imagem de YU Shuang)
Um padrão mundial de perda de produtividade relacionada ao calor (em dias) para 2016, com base em uma pesquisa on-line com 4043 amostras válidas. (Imagem de YU Shuang)

Eles ainda estimaram o WPL para o futuro nos cenários de Representative Concentration Pathways (RCPs) (trajetória de concentração de gases de efeito estufa adotada pelo IPCC e visa representar as diferentes mudanças de concentração atmosférica e os futuros climáticos). Quando o aquecimento global atinge 1,5, 2, 3 e 4 ° C, respectivamente, a média de WPL será 9 (19), 12 (31), 22 (61) e 33 (94) dias para países desenvolvidos (em desenvolvimento). Países do Sudeste Asiático em um mundo de aquecimento a 1,5 ° C sofreriam a mesma perda que os países desenvolvidos teriam em um mundo aquecido a 4 ° C. Isso mostra, quantitativamente, a grave situação que os países em desenvolvimento enfrentariam sob o aquecimento global.
“As ondas de calor certamente impactam mais seriamente os países em desenvolvimento em geral, mas nosso estudo estimou quantitativamente quanta onda de calor reduziria a produtividade e identificaria as regiões mais vulneráveis do mundo”. YU Shuang disse: “Nossos resultados chamam a atenção para a necessidade de adaptação ao aumento das ondas de calor, melhorando a infra-estrutura de proteção, especialmente para as regiões em desenvolvimento”
Referência:
Loss of work productivity in a warming world: Differences between developed and developing countries
Yu Shuang et al
Journal of Cleaner Production
Volume 208, 20 January 2019, Pages 1219-1225
https://doi.org/10.1016/j.jclepro.2018.10.067

* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 29/10/2018
"Aquecimento Global: Estresse térmico reduzirá a produtividade no trabalho," in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 29/10/2018, https://www.ecodebate.com.br/2018/10/29/aquecimento-global-estresse-termico-reduzira-a-produtividade-no-trabalho/.

[CC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à EcoDebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]