quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

ventos climáticos extremos custaram 22 bilhões de dólares aos EUA em 2020

 

ventos climáticos extremos custaram 22 bilhões de dólares aos EUA em 2020

NOAA*

Foi um ano extraordinário para eventos meteorológicos e climáticos nos Estados Unidos: a nação sofreu desastres sem precedentes de 22 bilhões de dólares em 2020.

Um número recorde de tempestades tropicais nomeadas se formou no Atlântico, com um recorde de 12 aterrissando. O país também teve seu ano mais ativo de incêndios florestais já registrado, devido às condições muito secas no oeste e às temperaturas excepcionalmente altas que atingiram grande parte do país.

Aqui está uma recapitulação do clima e dos eventos climáticos extremos nos EUA em 2020, de acordo com cientistas dos Centros Nacionais de Informações Ambientais da NOAA .

Clima pelos números

Desastres de bilhões de dólares em 2020

No ano passado, os  EUA experimentaram um recorde de 22 desastres climáticos  que mataram pelo menos 262 pessoas e feriram mais dezenas:

  • 1 evento de incêndio florestal (incêndios florestais ocidentais com foco na Califórnia, Colorado, Oregon e Washington);

  • 1 evento de seca e onda de calor (verão / outono no oeste e centro dos EUA);

  • 3 surtos de tornado (incluindo o tornado de Nashville e o surto de Páscoa);

  • 7 ciclones tropicais (Hanna, Isaias, Laura, Sally, Delta, Zeta e Eta); e

  • 10 eventos climáticos severos (incluindo o derecho do meio-oeste e tempestades de granizo no Texas)

Os danos causados ​​por esses desastres ultrapassaram US $ 1 bilhão cada e totalizaram aproximadamente US $ 95 bilhões para todos os 22 eventos.

Um mapa dos Estados Unidos retratando um recorde de desastres climáticos e meteorológicos de 22 bilhões de dólares que atingiu o país em 2020. (Veja o texto do artigo abaixo, bem como o relatório da NCEI para detalhes sobre cada evento localizado em https: // www. ncdc.noaa.gov/billions)
Um mapa dos Estados Unidos traçado com os locais e datas para o tempo recorde de 22 bilhões de dólares e desastres climáticos que afetaram o país em 2020. (Veja o texto do artigo e o link do relatório da NCEI para obter detalhes sobre cada evento.) (NOAA NCEI )

Os sete bilhões de dólares ciclones tropicais foram os mais em um ano desde NOAA começou a manter o controle de desastres de bilhões de dólares em 1980. O extremamente ativo 2020 Atlântico temporada de furacões produzidos um número sem precedentes de 30 tempestades nomeadas, com 12 tornando a terra firme nos EUA continental  O combinado O custo dos sete sistemas tropicais foi de aproximadamente $ 40,1 bilhões, mais de 42% do preço total do desastre de US $ 1 bilhão em 2020.

O ano passado também foi o ano de incêndio florestal mais ativo já registrado no Ocidente. Os três maiores incêndios florestais da história do Colorado ocorreram em 2020 , com a Califórnia registrando cinco dos seis maiores incêndios florestais de sua história . Em todos os EUA, os incêndios florestais queimaram quase 10,3 milhões de acres durante 2020, excedendo a média de 2000-2010 em 51%. Esta foi a maior área plantada consumida nos Estados Unidos desde pelo menos 2000.

Desde 1980, os EUA sofreram 285 desastres climáticos e climáticos de bilhões de dólares que ultrapassaram US $ 1,875 trilhão em danos totais até o momento.

Um mapa dos Estados Unidos plotado com eventos climáticos significativos que ocorreram em 2020. Consulte o texto do artigo abaixo, bem como os destaques do relatório completo do clima em http://bit.ly/USClimate202012.
Um mapa dos Estados Unidos plotado com eventos climáticos significativos que ocorreram em 2020. Consulte o texto do artigo abaixo, bem como os destaques do relatório completo do clima em http://bit.ly/USClimate202012.

Ano inteiro de 2020

A temperatura média nos EUA contíguos em 2020 era de 54,4 graus F (2,4 graus acima da média do século 20), tornando 2020 o quinto ano mais quente já registrado. Todos os cinco anos mais quentes nos EUA ocorreram desde 2012, de acordo com cientistas da NOAA dos Centros Nacionais de Informações Ambientais da NOAA .

Dez estados nas regiões sudoeste, sudeste e costa leste tiveram seu segundo ano mais quente já registrado. Não houve áreas com temperaturas anuais abaixo da média observadas nos 48 estados do Baixo durante 2020. No Alasca, apesar das temperaturas de 1,5 graus F acima da média de longo prazo, o estado viu seu ano mais frio desde 2012.

A precipitação nos EUA contíguos totalizou 30,28 polegadas (0,34 polegada acima da média), o que colocou 2020 no terço intermediário do recorde climático de 126 anos.

Nevada e Utah foram os mais secos já registrados, com o Arizona e o Colorado em segundo lugar . Por outro lado, a Carolina do Norte registrou seu segundo ano mais chuvoso, com a Virgínia tendo o terceiro ano mais chuvoso.

De acordo com o Monitor de Secas dos EUA, 2020 terminou com condições de seca extremas e excepcionais envolvendo cerca de 22% da área contígua dos EUA – a maior extensão desde agosto de 2012.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 11/01/2021


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Governo libera o registro de 51 agrotóxicos genéricos e 5 inéditos para uso dos agricultores

 





Governo libera o registro de 51 agrotóxicos genéricos e 5 inéditos para uso dos agricultores

DO TOTAL, SÃO 37 PESTICIDAS QUÍMICOS E 19 BIOLÓGICOS. SÃO 461 REGISTROS PUBLICADOS NO DIÁRIO OFICIAL EM 2020.

Aplicação de agrotóxico feita por avião — Foto: Agência Brasil

O Ministério da Agricultura publicou nesta segunda-feira (11) a liberação de mais 56 agrotóxicos para o uso dos agricultores, 51 genéricos e 5 inéditos. A divulgação se refere aos últimos registros autorizados em 2020. Com isso, as novas liberações somaram 461 no ano(entenda mais abaixo).

Do total, segundo o ministério,são 37 agrotóxicos químicos e 19 biológicos, que são aqueles que podem ser utilizados tanto em lavouras comerciais quanto na produção de alimentos orgânicos, por exemplo.

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Pela legislação brasileira, tanto produtos biológicos utilizados na agricultura orgânica quanto químicos utilizados na produção convencional são considerados agrotóxicos.

Cinco agrotóxicos são inéditos. Quatro deles são formulados a partir do químico Tolfenpirade, que é, ao mesmo tempo, um inseticida e herbicida usado para o controle de pragas que sugam a seiva da planta.

Já entre os produtos biológicos, o registro novo foi de um produto produzido com o agente Clonostachys rosea, um fungicida usado para combater a podridão-cinzenta que atinge as frutas, por exemplo.

Registros no ano

Ao todo, são 461 registros de novos agrotóxicos em 2020, segundo publicações no Diário Oficial da União,que é por onde o G1 se baseia. No ano, o governo já autorizou 462 produtos, mas um deles foi anulado.

Desde 2005, quando o governo começou a compilar os dados de registro de pesticidas, 2020 perde apenas para 2019 – ano em que o país teve liberação recorde de agrotóxicos.

Registro de agrotóxico em 2020. — Foto: Arte/G1

Até agora, são 10 princípios ativos inéditos no ano: 5 pesticidas biológicos e 5 químicos.

Os outros 451 registros são de genéricos, sendo:

  • 220 ingredientes químicos de agrotóxicos que são vendidos aos agricultores;
  • 90 pesticidas biológicos vendidos aos agricultores;
  • 141 princípios ativos para a indústria formular agrotóxicos.

Novo método de divulgação

Neste ano, o governo alterou o método para anunciar a liberação de agrotóxicos. Até 2019, o Ministério da Agricultura divulgava a aprovação dos pesticidas para a indústria e para os agricultores no mesmo ato dentro do “Diário Oficial da União”.

A série histórica de registros, que apontou que 2019 como ano recorde de liberações, levava em conta a aprovação dos dois tipos de agrotóxicos: os que vão para indústria e os que vão para os agricultores.

Como reduzir os resíduos de agrotóxicos antes de comer frutas, legumes e verduras

Em nota, o Ministério da Agricultura explicou que a publicação separada de produtos formulados (para os agricultores) e técnicos (para as indústrias) neste ano tem como objetivo “dar mais transparência sobre a finalidade de cada produto”.

“Assim, será mais fácil para a sociedade identificar quais produtos efetivamente ficarão à disposição dos agricultores e quais terão a autorização apenas para uso industrial como componentes na fabricação dos defensivos agrícolas”, completou o ministério.

Como funciona o registro

O aval para um novo agrotóxico no país passa por 3 órgãos reguladores:

  • Anvisa, que avalia os riscos à saúde;
  • Ibama, que analisa os perigos ambientais;
  • Ministério da Agricultura, que analisa se ele é eficaz para matar pragas e doenças no campo. É a pasta que formaliza o registro, desde que o produto tenha sido aprovado por todos os órgãos.

Tipos de registros de agrotóxicos:

  • Produto técnico: princípio ativo novo; não comercializado, vai na composição de produtos que serão vendidos.
  • Produto técnico equivalente: “cópias” de princípios ativos inéditos, que podem ser feitas quando caem as patentes e vão ser usadas na formulação de produtos comerciais. É comum as empresas registrarem um mesmo princípio ativo várias vezes, para poder fabricar venenos específicos para plantações diferentes, por exemplo;
  • Produto formulado: é o produto final, aquilo que chega para o agricultor;
  • Produto formulado equivalente: produto final “genérico”.

Fonte: G1

Sem Brasil, cúpula em Paris discute preservação da biodiversidade

 


Sem Brasil, cúpula em Paris discute preservação da biodiversidade

OS DEBATES ABORDAM TEMAS AMPLOS, COMO PROTEÇÃO DE ÁREAS TERRESTRES E MARÍTIMAS, PROMOÇÃO DA AGROECOLOGIA, MOBILIZAÇÃO DE RECURSOS, PRESERVAÇÃO DE FLORESTAS, ESPÉCIES E SAÚDE HUMANA.


A Serra do Mar é considerada uma das florestas mais ricas em biodiversidade do mundo — Foto: Lucas Pontes

O presidente francês, Emmanuel Macron, comanda nesta segunda-feira (11) a quarta edição do evento “One Planet Summit”, neste ano dedicado à preservação da biodiversidade. Por causa da pandemia do novo coronavírus, a maioria das intervenções acontecem por videoconferência. O Brasil não foi convidado para o evento.

Ao todo, cerca de 30 chefes de Estado, empresários e representantes de ONGs participam das discussões, entre eles o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, o presidente do Banco Mundial, David Malpass, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a chanceler alemã Angela Merkel e o chefe de governo britânico, Boris Johnson, que organiza a próxima conferência da ONU sobre o clima.

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Depois de ser adiada no ano passado por causa da pandemia, a COP26 deve deve acontecer em novembro de 2021, em Glasgow, na Escócia. O Brasil não tem representantes no evento devido às posições negacionistas do presidente Jair Bolsonaro na área do clima.

“A crise sanitária evidenciou a necessidade de reequilibrar nossa relação com o meio ambiente, e esta cúpula representa uma rara oportunidade de mostrar ambição e determinação nessa direção”, disse Marco Lambertini, diretor-geral da organização de conservação global WWF Internacional, um dos participantes.

Entenda a importância das restingas e manguezais na biodiversidade

Os debates abordam temas amplos, como proteção de áreas terrestres e marítimas, promoção da agroecologia, mobilização de recursos, preservação de florestas, espécies e saúde humana. Para a presidência francesa, trata-se de uma “oportunidade de convergência entre temas que muitas vezes são tratados separadamente”. Perante as epidemias e o aquecimento global, “a preservação da biodiversidade se tornou nosso seguro de vida coletivo”, afirma o Palácio do Eliseu em sua nota sobre o encontro.

O encontro pretende relançar a “coalizão de alta ambição pela natureza” – encabeçada por França, Grã-Bretanha e Costa Rica –, com o objetivo de integrar cerca de 50 países a partir desta segunda-feira (11). O objetivo é obter de cada participante o compromisso de transformar 30% de seus territórios em áreas protegidas. “Um compromisso fundamental” para as próximas negociações globais sobre biodiversidade, afirma o Eliseu.

A França deve oficializar seu engajamento a partir de 2022, levando em conta dentro de seus 30% áreas de proteção que se encontram na Europa e nos territórios ultramarinos da América do Sul (Guiana Francesa), do Índico e Pacífico.

Muralha Verde na África

O evento “One Planet Summit” será precedido por um fórum de captação de recursos para impulsionar o projeto da “Grande Muralha Verde”, liderado pela União Africana há vários anos. Esse programa complexo e ambicioso busca combater a desertificação em torno do Saara. As autoridades africanas esperam levantar US$ 10 bilhões em investimentos, para o período de 2021 a 2025.

Outra iniciativa que deve ser anunciada durante a cúpula é o lançamento de uma aliança de pesquisa chamada Prezode, dedicada à prevenção de novas pandemias de origem animal. O objetivo é reunir a comunidade científica, instâncias locais e decisores para definir soluções adequadas que permitam identificar e reduzir os principais fatores na origem dos riscos de emergência zoonótica”, indica o Palácio do Eliseu. Este projeto tem um orçamento estimado em cerca de € 350 milhões.

Fonte: G1

Peixe-boi tem a palavra ‘Trump’ escrita em seu corpo na Flórida

 



Peixe-boi tem a palavra ‘Trump’ escrita em seu corpo na Flórida

ESPÉCIE É PROTEGIDA POR LEIS ESTADUAIS E FEDERAIS NOS EUA, E INVESTIGAÇÃO FOI ABERTA PELO SERVIÇO DE PESCA E VIDA SELVAGEM DO PAÍS.

Peixe-boi tem a palavra ‘Trump’ escrita em seu corpo na Flórida — Foto: Reprodução/Citrus County Chronicle

O Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos tenta descobrir quem escreveu a palavra “Trump” no corpo de um peixe-boi nas cabeceiras do rio Homosassa, ao norte de Tampa, na Flórida.

A descoberta foi no domingo (10) e o peixe-boi não parecia ferido, segundo a agência federal americana, porque aparentemente a palavra estava gravada em algas grudadas em seu corpo.

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A informação foi divulgada pelo jornal local “Citrus County Chronicle” e depois reproduzida pela rede de televisão NBC.

A espécie se move lentamente, o que a torna vulnerável a redes de pesca, motores de barcos e interação humana.

Espécie ameaçada

O peixe-boi estava na lista de espécies ameaçadas de extinção até 2017, quando passou a ser classificado como espécie ameaçada.

Eles são protegidos pela Lei do Santuário de Peixes-boi da Flórida e pelo governo federal tanto pela Lei de Proteção aos Mamíferos Marinhos quanto pela Lei de Espécies Ameaçadas.

Assediar um peixe-boi pode resultar em multa de US$ 50 mil (cerca de R$ 275 mil) e/ou até um ano de prisão em presídio federal nos EUA.

Fonte: G1



quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Estamos próximos do ponto de não retorno para o clima global

 

Estamos próximos do ponto de não retorno para o clima global

O ano 2021 pode ser a última chance de se iniciar uma ação global decidida em defesa do clima. Caso contrário, a humanidade pode se preparar para a catástrofe, opina a diretora da Pnuma, Inger Andersen.

Fogo na Floresta Amazônica

À medida que os programas de vacinação contra a covid-19 vão sendo implementados, 2021 começa tendo à vista a esperança de um fim da pandemia. Precisávamos de liderança corajosa, decisões duras e financiamento direcionado para chegar até este ponto. Agora temos que aplicar o mesmo vigor para combater a mudança climática, ou arriscar ter pela frente muitos anos tão ruins quanto o passado.

O ano de 2020 – provavelmente o mais quente já registrado – trouxe tempestades, incêndios florestais, secas, inundações e o derretimento de geleiras. A desaceleração econômica ditada pela pandemia gerou uma queda temporária das emissões de dióxido de carbono, embora com efeito insignificante sobre as temperaturas, no longo prazo: nossas emissões passadas ainda estão na atmosfera, e nós estamos acrescendo-as.

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Mesmo que os países aplicassem os comprometimentos incondicionais mais recentes – conhecidos como Contribuições Determinadas em Nível Nacional (NDCs, na sigla em inglês) – assumidos no Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas, ainda estaríamos a caminho de um aumento de 3,2 ºC da temperatura global, neste século. Tal aquecimento traria dor, miséria e distúrbios muito piores do que tudo com que a covid-19 nos tem confrontado.

Estamos perto do ponto de não retorno.

Os líderes mundiais podem recuar da beira do abismo, investindo em soluções verdes, sustentáveis no contexto dos esforços para recuperação da pandemia. O Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2020 do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) nos disse que desse modo poderíamos reduzir 25% das emissões calculadas para 2030, colocando o mundo mais ou menos onde precisa para ter uma chance de alcançar a meta do Acordo de Paris, de limitar o aquecimento global a 2 ºC. Comprometimentos de emissão zero poderiam até mesmo nos aproximar da meta de 1,5 ºC.

Preparando-se para a maratona

Medidas de recuperação verdes e sustentáveis podem garantir esse corte, e ao mesmo tempo sustentar outras metas ambientais sociais e econômicas. Precisamos de apoio direto a tecnologias e infraestrutura de emissão zero: fim dos subsídios para o carvão mineral e combustíveis fósseis; politicas permitindo consumo com menor produção de CO2; soluções com base na natureza – incluindo restauração de paisagens e reflorestamento em grande escala, dentro da Década da ONU para Restauração dos Ecossistemas, que começa em 2021.

Até agora, foram poucas as nações que investiram em pacotes de estímulo verde. Isso tem que mudar.

Em 2021 também transcorre a 26ª Conferência da ONU sobre a Mudança Climática (COP26), um encontro-chave dos países signatários do Acordo de Paris. Segundo o Relatório sobre a Lacuna de Emissões, 126 países adotaram, anunciaram ou estão considerando planos de emissão zero. Se o novo governo dos Estados Unidos se unir ao movimento, como prometido, os países responsáveis por mais de 63% das emissões globais de CO2 terão se comprometido com a neutralidade carbônica.

Contudo – assim como quem, no primeiro dia de janeiro, promete que vai correr uma maratona no fim do ano – precisamos tomar certas medidas, a começar já, a fim de estarmos prontos para a corrida. Esses compromissos precisam urgentemente se traduzir em políticas e ações de curto prazo, integradas a uma recuperação da pandemia de baixa emissão carbônica e incluídas em NDCs novas e mais fortes, antes do encontro de novembro. Senão, tudo não passará de promessas vazias.

Estímulo ao financiamento da adaptação

Outra prioridade é ajudar os países e comunidades vulneráveis a enfrentarem os impactos crescentes das mudanças climáticas. O Relatório sobre Lacunas de Adaptação, a ser publicado pelo Pnuma nas próximas semanas, mostrará que ainda não estamos levando a sério a adaptação.

O financiamento permanece muito abaixo dos níveis necessários, e a maioria das iniciativas ainda se destina a minorar os riscos climáticos. Como comentou o secretário-geral da ONU, António Guterres, antes da COP26 precisamos de um comprometimento global para dedicar à adaptação a metade do financiamento climático total.

Este ano temos uma chance real de evitar a catástrofe climática. Empregando sabiamente os recursos de estímulo para dar partida a uma mudança sistêmica real, planejada e monitorada por NDCs mais fortes e compromissos de emissão zero, não só poderíamos alcançar a meta de 2 ºC do Acordo de Paris, como teríamos uma chance palpável de chegar ao 1,5 ºC.

Devemos aproveitar esta oportunidade para proteger nosso clima e natureza, e consequentemente a saúde, paz e prosperidade humanas, pelas próximas décadas. Esta pode ser uma das últimas oportunidades que teremos.

—

Inger Andersen é diretora executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). O texto reflete a opinião pessoal da autora, não necessariamente da DW.

Fonte: Deutsche Welle