domingo, 4 de abril de 2021

A água é pública? No Chile, reservas são motivo de disputa ferrenha

 


A água é pública? No Chile, reservas são motivo de disputa ferrenha

CADA VEZ MAIS ESCASSA, A ÁGUA TEM SE TORNADO UM DOS PRINCIPAIS ALVOS DE REFORMA NO CHILE

Rio Futaleufú, no Chile: a região central do país, onde vive a maioria dos chilenos, viu uma diminuição da chuva em quase 30% nos últimos 20 anos (Ronald Patrick/Getty Images)

Gerenciar reservas de água cada vez menores se tornou algo tão importante no Chile que a nação sul-americana dará ao elemento natural o seu próprio ministério.

O governo enviou ao Congresso um projeto de lei que transformará o Ministério de Obras Públicas em Ministério de Obras Públicas e Recursos Hídricos, entidade que supervisionará e coordenará as 43 instituições chilenas que tratam da água.

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Tardiamente para os defensores dos direitos da água, o governo está tentando melhorar a supervisão do sistema de água, possivelmente o mais privatizado do mundo. Os recentes protestos entre os chilenos em relação às desigualdades, a pior seca em mais de uma década e as mudanças climáticas estão se combinando para fazer da água um tema-chave no processo de elaboração de uma nova constituição.

Paralelamente, os legisladores estão debatendo mudanças nos regulamentos de água.

Enfatizando o desafio: a região central do país, onde vive a maioria dos chilenos, viu uma diminuição da chuva em quase 30% nos últimos 20 anos.

“Todos os estudos concordam que essa situação só vai piorar nas próximas décadas”, disse Alfredo Moreno, ministro das Obras Públicas, em entrevista sexta-feira.

No Chile, a lei estabelece que a água é um bem de uso público e que o consumo humano deve ser priorizado. Mas a Constituição também destaca os direitos à água como propriedade privada.

Um estudo do Centro de Legislação e Gestão da Água da Universidad Catolica descobriu que entre 92 constituições ao redor do globo, 31 não mencionaram a água e apenas 10 disseram que a água é um direito humano, sendo o Chile “o único país que consagra explicitamente a propriedade privada sobre os direitos de uso da água”, de acordo com um comunicado enviado por e-mail.

Muitos legisladores, especialmente de partidos de oposição, querem mudar isso. Nos últimos anos, surgiram casos de comunidades locais ficando sem água enquanto grandes fazendas próximas continuavam a irrigar as plantações.

“O novo ministério vai ajudar a canalizar e conduzir essa discussão”, disse Moreno, acrescentando que o objetivo é garantir o consumo e também o investimento.

–Com a colaboração de Valentina Fuentes.

Fonte: Exame

O custo social de um planeta quente: como estimar os efeitos das emissões?

 


O custo social de um planeta quente: como estimar os efeitos das emissões?

UM PONTO NESSA CONTABILIDADE É ESTIMAR O CUSTO SOCIAL DO CARBONO, OU SEJA, MEDIR QUAL O VALOR ESPERADO DE EMITIR E CAPTURAR CARBONO PARA A SOCIEDADE

Fumaça lançada por uma siderúrgica na China: o dióxido de carbono, assim como o coronavírus, não respeita fronteiras políticas (Qilai Shen/Bloomberg/Getty Images)

Em um artigo recente, discutimos algumas alternativas que procuram, de certa forma, “incluir na conta” o custo de emissão e captura do carbono na atmosfera. No entanto, um ponto central (e difícil) nessa contabilidade é estimar de maneira adequada o custo social do carbono, ou seja, medir qual o valor esperado de emitir e capturar carbono para a sociedade em geral (em valor presente). Agora, voltamos a essa questão.

Atualmente, os modelos em voga, como os analisados pelo Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP, na sigla em inglês), assumem as chamadas “trajetórias socioeconômicas compartilhadas” (shared socioeconomic pathways – SSP), com cinco cenários relativos ao que pode acontecer com as emissões e a cooperação global nas próximas décadas. Mesmo na estimativa mais otimista (SSP1), em que os países convergem para políticas sustentáveis, a temperatura média aumentaria entre 3 e 3,5ºC em 2100 e o custo social de cada tonelada de dióxido de carbono emitida atingiria US$ 305. No pior cenário (SSP3), marcado por rivalidades regionais, esse custo chegaria a US$ 1.454.

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Mesmo nesses cinco cenários (que não incluem os piores casos possíveis), boa parte da incerteza se mantém. Primeiro, os valores citados são o que estatísticos chamam de “estimativas de ponto”. Dessa forma, espera-se que elas variem dentro de parâmetros amplos – no SSP3, de US$ 675 a US$ 3.171, por exemplo. E é duvidoso que o custo social do carbono seja útil para avaliar nosso custo de oportunidade em relação a outras causas importantes, como a mitigação de outros riscos catastróficos – onde se encaixam as pandemias e a proliferação de armas de destruição em massa, além dos desafios do combate à pobreza. Seria melhor, por exemplo, doar US$ 50 para o desenvolvimento de tecnologias para energia limpa ou diretamente para famílias de baixa renda?

Ainda, é importante destacar que nossos modelos são extremamente inseguros sobre quão catastrófico um aumento de 4ºC poderia, de fato, ser. Algumas regiões, principalmente em países tropicais pobres, iriam se tornar inabitáveis. Essas metodologias também pressupõem uma taxa de desconto do futuro, seja porque nossos descendentes serão mais ricos (dada a continuidade do desenvolvimento econômico), seja por uma preferência intrínseca pelo presente (você prefere comer um chocolate agora a comê-lo amanhã?). Valorizamos o bem-estar de nossos contemporâneos mais que o de nossos descendentes. Mas esse raciocínio, que está na base do que o Task-force for Climate-related Financial Disclosures (TCFD) veio a chamar de Tragédia do Horizonte, é, no mínimo, discutível: não sabemos bem como as tendências de desenvolvimento econômico se comportarão e nossa preferência cotidiana pelo curto prazo se explica por nossa (breve) expectativa de vida. No entanto, isso não deveria se aplicar para as nossas considerações sobre o destino da sociedade, do coletivo. Assim como nosso bem-estar não vale menos que o de nossos ancestrais, o bem-estar de nossos sucessores não deveria valer menos que o nosso.

É falacioso pensar que, diante dessas dificuldades metodológicas, deveríamos dar menos atenção a essas previsões complexas. Pelo contrário, é justamente em situações altamente incertas que estimativas honestas têm maior valor – muito mais do que seguir nossos instintos e intuições, que não são adaptados para esse tipo de problema. O objetivo de tais ferramentas analíticas não é simplesmente “prever o futuro”, muito menos inspirar confiança cega, mas fornecer subsídios (definir os custos e as oportunidades de nossas escolhas) para a tomada de decisões públicas de forma racional e justificável. Esse é o mínimo que devemos a nós mesmos e a nossos sucessores.

Fonte: Exame

sexta-feira, 2 de abril de 2021

Produtor do CONSERV investe em brigada contra incêndio florestal

 

Produtor do CONSERV investe em brigada contra incêndio florestal

09.03.2021 • Notícias
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Caminhão de combate a incêndios foi comprado com remuneração do CONSERV. Foto: Carlos Roberto Simoneti

Um dos primeiros a ser contratado pelo projeto CONSERV – lançado em outubro de 2020 pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), em parceria com o Woodwell Climate Research e com o EDF (Environmental Defense Fund) –, o produtor rural de Mato Grosso Carlos Roberto Simoneti decidiu investir o valor pago pela iniciativa em ações de combate a incêndios, como a compra de um caminhão pipa e a aquisição de curso para capacitar seus funcionários contra às queimadas, especialmente na época da seca.

“Já que estamos recebendo por prestar um serviço ao meio ambiente, sinto que preciso retribuir e devolver em atividades que conservem a natureza”, explica Simoneti.

Bom negócio

O CONSERV é resultado de três anos de estudo e de diálogo com produtores. O mecanismo privado e de adesão voluntária remunera financeiramente produtores rurais da Amazônia, que se comprometem a conservar a mata nativa em suas propriedades que, por lei, poderia ser derrubada.

De acordo com Simoneti, o CONSERV é o passo que faltava para iniciar, de fato, o pagamento por conservação de florestas no Brasil. “É um projeto transparente, honesto, e espero que surjam outros exemplos, podendo ser ampliados por todo o país”, destaca.

A primeira rodada de adesões, em 2020, obteve sete contratos de 30 meses, passíveis de renovação e que somam 6.500 hectares. Todos estão no município de Sapezal, localizado na região oeste de Mato Grosso.

Atualmente, a equipe técnica do CONSERV estuda outras áreas para o mecanismo operar. A previsão do IPAM é chegar a até 30 contratos em municípios pré-selecionados, englobando pelo menos 20 mil hectares.

Conheça mais sobre o projeto aqui.

https://www.blogger.com/blog/post/edit/167651065127135696/6380691218486381960?hl=pt-BR

Grilagem e garimpo ilegal levam desmatamento e fogo para terras indígenas

 

Grilagem e garimpo ilegal levam desmatamento e fogo para terras indígenas

30.03.2021 • Notícias
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Grupo Especializado de Fiscalização do Ibama combate exploração ilegal de madeira na Terra Indígena Cachoeira Seca, Pará. Foto: Felipe Werneck/Ibama

A área registrada ilegalmente como propriedade rural particular dentro de terras indígenas (TIs) da Amazônia cresceu 55% entre 2016 e 2020, mostra estudo inédito lançado hoje (30) pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia). O número de Cadastros Ambientais Rurais (CAR), registros autodeclarados de imóvel rural, e que não podem ser feitos nesses territórios, aumentou 75% no mesmo período.

Em 2019, o desmatamento nas áreas com CAR respondeu por 41% do que foi registrado nesta categoria fundiária. Ainda que em 2020 esse índice tenha caído para 23%, ele tem crescido ano após ano. “O que estamos vendo aqui é o avanço da grilagem em terras indígenas na Amazônia e suas consequências”, diz a pesquisadora Martha Fellows, autora principal do estudo.

Historicamente, as terras indígenas concentram uma das menores taxas de derrubada na Amazônia: em 2019, responderam por 5% do total; em 2020, o índice foi de 3% de tudo o que se desmatou na Amazônia. Isso se deve principalmente ao modo de vida dos indígenas, que conserva a floresta.

Mesmo a queimada de uso tradicional, para limpeza de roçados e pastagens, além de caça, é pontual e não explica a alta observada nos últimos anos, assim como a presença de vegetação savânica, que favorece o espalhamento do fogo, indica o estudo. Entre 2016 e 2020, os focos de calor dentro de CAR ilegais aumentaram 105%; excluindo o terreno grilado, o aumento foi de 33% nas terras indígenas.

“Todos esses sinais – aumento do CAR onde ele não pode existir, área desmatada e fogo crescendo – mostram que os direitos fundamentais dos povos indígenas têm sido desrespeitados e seus territórios, invadidos”, afirma Fellows.

Outro dado que reforça a intensificação da invasão nas TIs é a concentração dos alertas: apenas 3% das terras indígenas da Amazônia responderam por 70% do desmatamento registrado em 2020, e 50% dos focos de calor. Entre elas estão territórios com alto índice de CAR irregular, como a TI Ituna/Itatá (94% da sua área ocupada por grileiros, e quarta no ranking de desmatamento dentro de terras indígenas) e Cachoeira Seca (15% de ocupação e 3ª no ranking).As 10 TIs da Amazônia com mais área sobreposta com CAR em 2020

O registro do Cadastro Ambiental Rural em terras indígenas é ilegal, feito na tentativa de regularizar a invasão.


Nome da terra indígena

Área da TI

Área sobreposta com CAR (ha)

% da TI sobreposta com CAR

Situação

Trombetas/ Mapuera

3.970.078

544.854

14%

Regularizada

Apiaká do Pontal Isolados

982.753

284.416

29%

Delimitada

Riozinho

366.167

231.777

63%

Declarada

Kayabi

1.053.923

177.414

17%

Homologada

Kawahiva do Rio Pardo

409.762

176.226

43%

Declarada

Manoki

250.706

138.322

55%

Declarada

Ituna/ltatá

142.527

134.112

94%

Em estudo

Nhamundá/ Mapuera

1.049.011

129.806

12%

Regularizada

Seruini/Mariene

144.886

114.018

79%

Regularizada

Cachoeira Seca

732.447

109.569

15%

Regularizada

 

Garimpo

O IPAM também analisou o impacto do garimpo ilegal nas terras indígenas. Em comparação com as áreas fora da área de influência da atividade, proporcionalmente o desmatamento foi 2,6 vezes e o fogo, 2,2 vezes maior dentro de sua zona de influência.

Além de alterações na paisagem, as invasões desses territórios levam violência e doenças para suas populações. “O avanço da grilagem e do garimpo ilegal nas terras indígenas deve ser combatido com vigor, em cumprimento à Constituição e pela saúde e segurança desses brasileiros”, diz a diretora de Ciência do IPAM, Ane Alencar, que também assina a análise. “Além do cancelamento dos Cadastros Ambientais Rurais irregulares, é preciso interromper a ocupação ilegal desses territórios.”

Na semana passada, documento lançado pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) mostrou que o reconhecimento dos direitos das populações tradicionais estimula a preservação das florestas na América Latina. “Preservar as terras indígenas é também preservar o clima do planeta”, explica Alencar.

https://ipam.org.br/grilagem-e-garimpo-ilegal-levam-desmatamento-e-fogo-para-terras-indigenas-na-amazonia/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=boletim_ipam_grilagem_e_garimpo_ilegal_levam_desmatamento_e_fogo_para_terras_indigenas_na_amazonia&utm_term=2021-04-01

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Quarenta deputados alemães pedem que Congresso brasileiro não flexibilize regras ambientais

 


Quarenta deputados alemães pedem que Congresso brasileiro não flexibilize regras ambientais

PARLAMENTARES ALEMÃES ENVIARAM CARTA PARA ARTHUR LIRA E RODRIGO PACHECO AFIRMANDO QUE EVENTUAL APROVAÇÃO DE TRÊS PROJETOS DE LEI PODE AFETAR A RELAÇÃO COMERCIAL ENTRE ALEMANHA E BRASIL.

Signatários, que incluem 40 membros do Parlamento alemão, afirmam que aprovação de projetos de lei teria potencial para elevar o desmatamento no Brasil

Quarenta membros do Parlamento alemão (Bundestag) assinaram na sexta-feira (26/03) uma carta aberta endereçada aos presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), pedindo que eles não pautem para votação três projetos de lei que flexibilizam regras de proteção do meio ambiente e de comunidades tradicionais e indígenas.

O texto menciona o projeto que autoriza a mineração em terras indígenas, o que flexibiliza as normas para regularização de terras e o que estabelece um novo marco legal do licenciamento ambiental.

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Entre os assinantes, está a vice-presidente do Bundestag Claudia Roth e Anton Hofreiter, líder dos Verdes no Parlamento alemão, além de mais cinco integrantes da Câmara dos Deputados da Itália e um membro do Parlamento Europeu, totalizando 46 políticos europeus com mandato.

Os signatários afirmam que a aprovação dos projetos tem potencial para elevar o desmatamento e a violência contra comunidades indígenas e tradicionais e significaria um retrocesso na legislação ambiental do Brasil.

A carta diz também que os projetos mencionados, se virarem lei, afetariam as relações atuais e futuras com o Brasil. Os parlamentares citam que ações que provoquem mais desmatamento, afetem os direitos humanos e prejudiquem o combate às mudanças climáticas devem ser levadas em conta em qualquer acordo comercial.

“Estamos muito preocupados que esse pacote de propostas legislativas possa ameaçar nossos esforços conjuntos e colocar em risco nossas relações econômicas e comerciais futuras”, diz o texto. “Gostaríamos de considerar o Brasil nosso parceiro num esforço conjunto por um mundo melhor. Um mundo que protege os direitos humanos, respeita a biodiversidade e o clima e dá suporte a sociedades prósperas.”

A carta é o mais recente capítulo da crescente pressão europeia para a preservação do meio ambiente no Brasil, agravada por políticas do governo Jair Bolsonaro que reduziram a proteção florestal e prejudicaram o combate ao desmatamento e a incêndios, deixando mais longe uma possível ratificação do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul.

Fonte: Deutsche Welle

quarta-feira, 31 de março de 2021

Reciclagem de algodão transforma roupas velhas em açúcar

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Reciclagem de algodão transforma roupas velhas em açúcar

Redação do Site Inovação Tecnológica - 17/03/2021

Reciclagem de algodão transforma roupas velhas em açúcar
A solução de açúcar tem coloração dependente do algodão que é reciclado.
[Imagem: Lund University]

Reciclagem de roupas velhas

Doar roupas ou vendê-las a um brechó parecem ser saídas ambientalmente corretas para suas roupas.

Mas, quem quer que seja que as use, um dias elas chegarão ao final de sua vida útil - e provavelmente acabarão em um lixão ou sendo incineradas.

E que tal pegar toda essa roupa velha, mais especificamente as roupas de algodão, e produzir um açúcar que pode ser usado como matéria-prima para produzir etanol ou até mesmo náilon?

Esta é a ideia de Miguel Sebastiá e uma equipe da Universidade de Lund, na Suécia.

Sebastiá desenvolveu um processo para quebrar a fibra vegetal do algodão - a celulose - em componentes menores, sem precisar usar nenhum microrganismo ou enzima. Em vez disso, o processo envolve embeber os tecidos em ácido sulfúrico. O resultado é uma solução de açúcar, ou glucose.

O rendimento do processo, em termos de aproveitamento do material contido no algodão, chega a 90%.

"O segredo está em encontrar a combinação certa de temperatura e concentração de ácido sulfúrico," explicou Edvin Ruuth, membro da equipe. "Nosso plano é produzir produtos químicos que, por sua vez, podem se tornar vários tipos de tecidos, incluindo spandex e náilon. Um uso alternativo poderia ser a produção de etanol."

Agora a equipe deverá trabalhar na purificação do açúcar, para que não reste nada de ácido sulfúrico, o que poderia atrapalhar sua utilização como matéria-prima.

Bibliografia:

Artigo: Novel sustainable alternatives for the fashion industry: A method of chemically recycling waste textiles via acid hydrolysis
Autores: Miguel Sanchis-Sebastiá, Edvin Ruuth, Lars Stigsson, Mats Galbe, Ola Wallberg
Revista: Waste Management
Vol.: 121, Pages 248-254
DOI: 10.1016/j.wasman.2020.12.024

Comunicação com as plantas alcança um novo nível

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Comunicação com as plantas alcança um novo nível

Redação do Site Inovação Tecnológica - 29/03/2021

Comunicação com as plantas alcança um novo nível
Os eletrodos fixam-se em diversas texturas de caules e folhas.
[Imagem: Yifei Luo et al. - 10.1002/adma.202007848]

Comunicação com as plantas

A biologia, e a botânica em particular, estão vivendo uma verdadeira revolução neste início de século, conforme se constata que as plantas comunicam-se entre si e emitem sinais detectáveis em resposta a mudanças no ambiente, como seca ou ataque de pragas.

Para que esses estudos possam avançar, os biólogos precisam de mecanismos para monitorar os sinais bioelétricos das plantas da forma menos invasiva possível, para detectar seus sinais de funcionamento normal, e não de respostas ao "ataque" que representa a inserção dos tradicionais eletrodos.

Uma equipe da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Cingapura, acaba de conseguir um avanço significativo nesta área.

Eles abriram o caminho não apenas para o estudo, mas também para o desenvolvimento de novas tecnologias que fazem uso das plantas - não é bom esquecer que já existem "plantas eletrônicas", com circuitos funcionando dentro de plantas vivas.

Comunicação com as plantas alcança um novo nível
Detalhes da fixação de um eletrodo simples - um único fio.
[Imagem: Yifei Luo et al. - 10.1002/adma.202007848]

Termogel

A equipe desenvolveu uma nova classe de eletrodos usando um tipo de hidrogel, chamado termogel - que gradualmente se transforma de líquido em um gel extensível em temperatura ambiente -, que permite conectar um eletrodo de comunicação em uma ampla variedade de plantas (com várias texturas de superfície) e ainda obter uma detecção de sinal de maior qualidade, mesmo considerando que as plantas se movem e crescem em resposta ao meio ambiente.

"O material à base de termogel se comporta como água em seu estado líquido, o que significa que a camada adesiva pode se adaptar ao formato da planta antes de se transformar em um gel. Quando testado em hastes peludas de girassol, por exemplo, esta versão melhorada do dispositivo de 'comunicação' da planta alcançou quatro a cinco vezes a força adesiva do hidrogel comum e registrou sinais significativamente mais fortes e menos ruído de fundo," contou o professor Chen Xiaodong.

Para demonstrar o funcionamento do dispositivo de comunicação com as plantas, os pesquisadores escolheram a planta carnívora Dioneia (Dionaea muscipula), que possui um mecanismo de detecção de insetos em suas folhas e um sistema atuador, que faz as folhas fecharam-se rapidamente quando o inseto é detectado.

Comunicação com as plantas alcança um novo nível
A planta foi controlada pelo celular, abrindo e fechando sob demanda.
[Imagem: Wenlong Li et al. - 10.1038/s41928-020-00530-4]

Garra biológica

Os pesquisadores fixaram seu eletrodo adaptável na superfície da folha da dioneia e conseguiram dois avanços consideráveis: Primeiro, eles capturaram os sinais elétricos conforme a planta respondia à detecção de um inseto em sua armadilha; conhecendo o sinal de detecção, eles o reproduziram, transmitindo sinais elétricos para a planta, fazendo com que ela fechasse as folhas em 1,3 segundo, mesmo quando não havia inseto nenhum.

Para tornar tudo "mais tecnológico", os pesquisadores fizeram a dioneia funcionar como uma garra robótica biológica. Um braço robótico pegava planta e a levava até onde estava o objeto a ser coletado. Por meio de um aplicativo no celular, os pesquisadores então estimulavam suas folhas a se fechar - ela conseguiu pegar até mesmo um pedaço de fio de meio milímetro de diâmetro.

A equipe espera que sua nova tecnologia de comunicação com as plantas permita o avanço das pesquisas básicas em botânica e também estudos mais práticos, como o desenvolvimento de cultivares que possam responder mais rapidamente ao ataque de pragas e "sistemas tecnológicos baseados em plantas".

Bibliografia:

Artigo: A Morphable Ionic Electrode Based on Thermogel for Non-Invasive Hairy Plant Electrophysiology
Autores: Yifei Luo, Wenlong Li, Qianyu Lin, Feilong Zhang, Ke He, Dapeng Yang, Xian Jun Loh, Xiaodong Chen
Revista: Advanced Materials
Vol.: 2007848
DOI: 10.1002/adma.202007848

Artigo: An on-demand plant-based actuator created using conformable electrodes
Autores: Wenlong Li, Naoji Matsuhisa, Zhiyuan Liu1, Ming Wang, Yifei Luo, Pingqiang Cai, Geng Chen, Feilong Zhang, Chengcheng Li, Zhihua Liu, Zhisheng Lv, Wei Zhang, Xiaodong Chen
Revista: Nature Electronics
DOI: 10.1038/s41928-020-00530-4