O governo da Columbia Britânica, província da costa oeste do Canadá, anunciou nesta semana, em cerimônia envolvendo povos indígenas e empresários, um acordo para proteger a Floresta do Grande Urso (The Great Bear Rainforest).
O acordo foi um esforço gigantesco de diplomacia. Ele levou mais de uma
década para ficar pronto. Envolveu o governo da Columbia Britânica, em
suas sucessivas administrações, as associações e empresas madeireiras da
região, ambientalistas e cerca de 20 povos indígenas diferentes - no
Canadá, os povos indígenas locais são chamados de First Nations (Primeiras Nações).
O acordo surgiu como uma tentativa de resolver uma disputa de terras
envolvendo empresas de extração de madeira e povos indígenas. Em meados
dos anos 2000, foram formadas coalizões entre os indígenas e entre as
empresas madeireiras, e eles sentaram para negociar.
O resultado demorou
para sair, mas é o acordo anunciado nesta semana, que conta com a
aprovação de todas as partes envolvidas. Segundo a rede de TV canadense CBC, por exemplo, ambientalistas classificaram o acordo como um "presente para o mundo", e representantes das empresas disseram que ele é "uma vitória para a indústria madeireira".
Pelo acordo, as empresas ficam proibidas de explorar madeira em 85% da floresta dos ursos. São 30 mil quilômetros quadrados protegidos,
uma área equivalente ao Estado de Alagoas, incluindo regiões
importantes para a fauna e flora e de importância religiosa e cultural
para as Primeiras Nações. Na floresta restante (cerca de 5 mil
quilômetros quadrados, ou o equivalente à área do Distrito Federal), a
indústria madeireira poderá operar, seguindo regras de extração de
madeira e desmate definidas no acordo.
O acordo vai evitar a emissão de gases de efeito estufa por desmatamento,
protegerá a maior área de floresta temperada contínua no mundo, e
manterá intacto o habitat de espécies como o urso-espírito, uma
subespécie do urso negro que só existe no Canadá. Também é importante do
ponto de vista social, consolidando o papel das Primeiras Nações em decisões políticas e econômicas que envolvem suas terras ancestrais.
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