quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Excelente texto do Percival Puggina! 16/08 e a questão da legitimidade - Dilma e a legitimidade pela mentira




O povo não estaria nas ruas se não se sentisse enganado, ultrajado e furtado!
Nosso jornalismo, há muitas décadas, foi tomado de assalto pelos que chamo "pedagogos da opinião pública". Por sua visibilidade, do alto de suas posições nos meios de comunicação, sentem-se como mestres em salas de aula, praticando contra a opinião pública o mesmo abuso mental que tantos professores praticam com os alunos, mediante influência e poder. Uns e outros, pedagogos da opinião pública e professores militantes, operavam antes de o PT nascer e prepararam dedicadamente seu caminho ao poder

Era na base do nós e eles. Simples assim: a esquerda era o bem e, fora dela, nada haveria que prestasse.  Algumas coisas sobre si mesmos eles já compreenderam, ao longo dos últimos meses. Seu prestígio despencou junto com o daqueles a quem emprestavam ou vendiam apoio. Seus discípulos já lhes viram as costas. São formadores de opinião que não formam opinião alguma e cujas manifestações exigem enorme esforço mental. Não é fácil parecer que não fazem exatamente aquilo que estão fazendo, mas "pegaria mal" se fizessem.

Exemplifico. Os pedagogos da opinião pública não são contra as passeatas. Mas ensinam que "Impeachment-já!" recusa o ritmo constitucional que aponta para a sequência crime, acusação, julgamento e (só então) impeachment. Entenderam? Segundo eles, os manifestantes deveriam sair às ruas, Brasil afora, levando faixas mais ou menos assim: "Impeachment, se possível, quando possível!". Quem carregaria uma peça dessas? 

Animados com uma candura e uma doçura que exige um canavial inteiro propõem "menos ódio" nas manifestações. Engraçado, não é mesmo? Que fim levou a boa e velha indignação pela qual tanto cobravam quando serviam ao PT oposicionista? Agora, a justa indignação virou ódio? Sentimento maligno, politicamente hediondo, pimenta que arde no olho?

Eles nos ensinam, também, que o "Fora Dilma!" é frase autoritária. Diagnosticam que ela fere a legitimidade do mandato da presidente. Como pode alguém dizer "Fora Dilma!", seis meses depois de a presidente ter sido eleita com maioria de votos?  É a pedagogia da conformidade bovina. Se for assim e para isso, a gente fica em casa assistindo um filmezinho, que é exatamente o desejo por trás dessa pedagogia para boi no cercado.

Falemos, então em legitimidade, jornalista pedagogo militante.  

De que legitimidade falas quando te referes ao atual mandato da presidente? 

Da legitimidade alcançada com votos atraídos pelo festival de mentiras, mistificações e falsidades que se derramou pelo país em 2014? 

Da legitimidade via votos comprados com bilhões de nosso dinheiro?  

Da legitimidade alcançada com ameaças de que um festival de desgraças se abateria sobre o país em caso de vitória da oposição (para logo após a adotar aquelas mesmas medidas contra as quais verberava)

Da legitimidade via urnas eletrônicas? Via Smartmatic? Via apuração sigilosa?  


Da legitimidade de quem agora não arregimenta mais do que 7% dos eleitores?


O povo não estaria nas ruas se não se sentisse enganado, ultrajado e furtado! 


Aprendam isso e aprendam a ouvir o povo, em vez de apenas falar-lhe. 

Aproveitem do caráter, este sim pedagógico, das manifestações dos últimos meses. 


E com o que ainda lhes reste de consciência, arrependam-se do que ajudaram a produzir no país.  

O preço desse constrangedor serviço está sendo pago com corrupção em proporções jamais vistas, com recessão, inflação, desemprego, carestia, perda de credibilidade nacional e humilhação perante as demais nações. Está de bom tamanho?


Se há algo que abala os formadores de opinião é constatar que quanto mais escrevem e falam, menos opinião formam.
A presidente e os formadores de opinião que a acompanham, ao falarem em "legitimidade" no cenário atual, consagram a soberania do Pinóquio.

Então, no novo perfil da mídia brasileira, a coisa fica assim. Alguns, diante desse erro descomunal que foram os governos petistas, vão além das aparências e abandonam o barco porque percebem as causas


Entre muitas, saliento estas, bem evidentes: o poder como objetivo ao qual tudo se sacrifica; a justificação dos fins pelos meios; o cultivo da insegurança pública como instrumento da luta de classes; o fracasso humano e social do assistencialismo vitalício como política de Estado; a impossibilidade técnica de se produzir desenvolvimento econômico e social sem economia de mercado; a apropriação indébita dos poderes de Estado, da administração pública e da política externa por um partido político, seja qual for.
Outros, no entanto, continuam convencidos de que fora dos fracassos estrondosos da esquerda não há salvação para a humanidade. Apoiaram e votaram sempre no PT e se empenharam em preservar-lhe a imagem muito mais do que os líderes do partido.

 Aliás, enquanto estes trocavam os pés pelas mãos e enfiavam os quatro nos mais pantanosos negócios, eles cuidavam de espalhar o ônus moral de tais condutas sobre uma linha de tempo que, se a gente deixar, acabará remontando à criação do Reino de Portugal no século 12.

Se há algo que abala os formadores de opinião é constatar que quanto mais escrevem e falam, menos opinião formam. Então, com a credibilidade da presidente caindo para um dígito, ainda por cima quebrado, já não se encontram mais, na mídia, prosélitos com disposição de exaltar as virtudes do petismo reinante. Para os obstinados, porém, o passado ainda pode ser requentado. Tal é a aposta, por exemplo, do sempre oculto Foro de São Paulo (que antes diziam não existir e, agora, afirmam estar morrendo...).

Não havendo condições propícias ao proselitismo puro e simples, resta à mídia esquerdista e seus agentes dois meios de ação. No primeiro, obedecem à regra segundo a qual o contra-ataque é uma forma de defesa na qual dificilmente se passa vexame, porque sempre haverá o que atacar. Então, atacam quem ataca para defender quem não mais se atrevem a defender. No segundo, aí sim, agarram-se no Estado de Direito para proclamar a intangibilidade do mandato da presidente. A esse coro ela mesma aderiu em suas últimas manifestações: "Ninguém vai tirar a legitimidade que o voto me deu", afirmou a presidente, falando em Roraima no dia 7 deste mês.

Dilma está, neste caso, defendendo a legitimidade da mentira como instrumento de ação política e eleitoral. 


Com efeito, ela foi eleita em 2014 mentindo à nação sobre a realidade nacional e atribuindo a seu adversário os flagelos que ela trazia a tiracolo para enfrentar a macabra situação que seu governo produzira. Nada que não tenhamos visto e não estejamos vendo. Assim, a presidente e os formadores de opinião que a acompanham, ao falarem em "legitimidade" no cenário atual, consagram a soberania do Pinóquio e promovem o linchamento do Grilo Falante.


Fonte: Percival Puggina - http://puggina.org/


Mesmo denunciado, Cunha tem o DEVER LEGAL e MORAL de encaminhar os pedidos de impeachment contra Dilma; ele não pode levar em consideração que algum aloprado o acuse de retaliação


Mesmo com denúncia, Cunha diz que permanecerá no cargo


Presidente da Câmara afirmou estar ‘absolutamente tranquilo’ e negou retaliação ao governo

Apesar da expectativa de que o Ministério Público apresente ainda nesta quarta-feira denúncia contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o peemedebista reafirmou que não irá se afastar do cargo, independentemente da decisão do órgão. Eu não faria afastamento de nenhuma natureza, vou continuar no exercício para o qual fui eleito pela maioria da Casa. Estou absolutamente tranquilo e sereno em relação a isso — disse.

Questionado sobre a movimentação do PSOL de pedir assinaturas para pressionar pelo seu afastamento da presidência da Câmara, Cunha minimizou: Todo mundo tem o direito de fazer o que quiser, pode fazer o que quiser. É o direito democrático de cada um — afirmou.


Sobre especulações de que, depois de denunciado, Cunha irá se voltar com ainda mais força contra o governo, inclusive dando andamento a um dos pedidos de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, o deputado refutou a ideia e disse que não haverá “retaliação”. — Não misturo meu papel de presidente da Casa com as eventuais situações que possam envolver a minha pessoa. Exercerei meu papel de presidente da forma que institucionalmente tenho que exercer. Não faço papel de retaliação, nem tomo atitudes por causa de atitudes dos outros — pontuou.


Em julho, após ser apontado pelo delator Júlio Camargo como responsável pela cobrança de propina para viabilizar contratos com a Petrobras, Cunha alegou ser alvo de perseguição e anunciou o rompimento com o governo Dilma. Na ocasião, ele disse estar convicto da participação de “um bando de aloprados do Planalto” na ação “persecutória” do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para conseguir elementos que permitam a denúncia contra ele no processo da Lava-Jato.

Nesta quarta-feira, Cunha negou que vá fazer qualquer pronunciamento sobre a eventual denúncia. — Não pretendo e não farei jamais discurso em plenário em relação a qualquer assunto.

Fonte: O Globo

BLOG Prontidão Total

Colhido do Face Book: As manifestações do dia 16 nos dão esperança de que isso vá mudar.

Triste dia para os bandidos que corrompem os adolescentes para que cometam crimes por eles.Câmara aprova em segundo turno redução da maioridade penal ;D







Do UOL, em São Paulo


  • Luis Macedo/Agência Câmara
    Com 320 votos a favor, Câmara aprova redução da maioridade penal em segundo turno Com 320 votos a favor, Câmara aprova redução da maioridade penal em segundo turno

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou em segundo turno a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos na noite desta quarta-feira (19).
A PEC foi aprovada com 320 votos a favor, 152 contra e uma abstenção. Na votação em primeiro turno foram 323 votos a favor e 155 contra a redução da maioridade. O texto segue para o Senado.


De acordo com o texto aprovado em primeiro turno, a maioridade será reduzida nos casos de crimes hediondos – como estupro e latrocínio – e também para homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte.

Pela emenda aprovada, os jovens de 16 e 17 anos deverão cumprir a pena em estabelecimento separado dos adolescentes que cumprem medidas socioeducativas e dos maiores de 18 anos.
A sessão demorou para começar porque os deputados contrários à proposta tentaram não marcar presença para adiar a votação por falta de quórum qualificado. Na mesma linha de obstrução, os deputados contra a proposta pediram a retirada da matéria da pauta, negada pela plenária.


A votação teve início às 20h25 e, após uma hora, líderes de partidos contrários à aprovação da PEC, como Alessandro Molon (PT-RJ) e Jandira Feghali (PCdoB - RJ), pediam a Eduardo Cunha o encerramento da votação. O presidente, no entanto, garantiu que a votação seria encerrada apenas após o cumprimento do quórum necessário (308 votos).

Dia conturbado para Cunha

Contrária à vontade do governo, a votação do segundo turno da PEC da maioridade penal acontece às vésperas da denúncia do procurador-geral da República Rodrigo Janot contra Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e e o ex-presidente e senador Fernando Collor (PTB-AL) por envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras.


Deputados contrários a Cunha preparam um manifesto para pedir o afastamento dele da presidência da Casa assim que a PGR enviar o pedido de investigação ao Supremo. No entanto, o presidente da Câmara afirmou que não se afastará do cargo. "Não farei afastamento de nenhuma natureza. Vou continuar exatamente no exercício para o qual fui eleito pela maioria da Casa. Estou absolutamente tranquilo e sereno em relação a isso", disse.

Governo é contrário à PEC

Em nota divulgada nesta noite pelo Ministério da Justiça, o ministro José Eduardo Cardozo reiterou sua posição contrária à PEC e destacou que a medida não vai diminuir a criminalidade. "A redução da maioridade penal é para nós algo insustentável. Caso isso seja aprovado nós teremos um erro jurídico, um erro do ponto de vista dos estudos científicos e um colapso no sistema prisional. Estaremos gerando mais violência e ferindo a nossa Constituição. Não podemos ser favoráveis a uma medida que trará enorme dano à segurança pública de todos os brasileiros", afirma o ministro.


O governo alega que a medida impacta negativamente as contas da União, podendo gerar um gasto anual de R$ 2,3 bilhões porque será necessário ampliar as unidades prisionais para manter aproximadamente 40 mil adolescentes presos por ano.


Em lugar da redução da maioridade penal, o Palácio do Planalto defende alteração no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e aumento do período de internação do menor. O projeto que altera o ECA foi aprovado no Senado em julho deste ano.

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Veja protestos contra e a favor da redução da maioridade penal


Manifestantes contra a redução da maioridade penal fazem ato no centro do Rio de Janeiro. Eles também pedem a saída do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Também estão sendo realizados protestos em São Paulo (SP), Brasília (DF) e Porto Alegre (RS) Leia mais Erbs Jr./Frame/Estadão Conteúdo

Bonitinha, mesmo!!!E já está com brincos!Que graça!

É pouco, Dilma? Brado de Norte a Sul: impeachment!Esse APOIO não foi comprado.Foi espontâneo.



MPF denuncia Cunha por corrupção. Perguntar não ofende: e o Renan dos conchavos, hein?


O Ministério Público Federal deve entrar com a denúncia ainda hoje. Ele será acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Só acho estranho que, até agora, tudo esteja tranquilo para o presidente do Senado, Renan Calheiros, que anda de conchavos com Dilma:


O Ministério Público Federal deverá apresentar denúncia contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ainda nesta quarta-feira, segundo disse ao GLOBO uma fonte que acompanha o caso de perto. O presidente da Câmara será acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A denúncia a ser apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF) tem como base a acusação do empresário Júlio Almeida Camargo, que confessou em juizo ter pago US$ 5 milhões em propina para o deputado. Cunha nega participação nos crimes. Se o STF aceitar a denúncia, o parlamentar passará a ser réu no escândalo de corrupção. O GLOBO mostrou também hoje que o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), deve constar na lista apresentada ao Supremo como outro denunciado.

Um dos principais delatores da Operação Lava-Jato, Camargo teria pago o suborno para facilitar a assinatura de contratos de afretamento de navios-sonda entre a Samsung Heavy Industries e a diretoria de Internacional da Petrobras. Pelo aluguel de dois navios, o Sonda Petrobras 100000 e o Vitoria 10000, a Petrobras teria desembolsado US$ 1,2 bilhão. O pagamento de propina para Cunha e outros envolvidos nas transações seria superior a US$ 40 milhões.

À época da assinatura do primeiro contrato, no valor de US$ 586 milhões, a diretoria Internacional estava sob o comando de Nestor Cerveró, condenado no início da semana a 12 anos e 3 meses de prisão pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba. O negócio teria sido intermediado pelo lobista Fernando Soares, o Baiano. No mesmo processo, o lobista foi condenado a 16 anos e 1 mês de prisão no mesmo processo, que resultou na condenação de Cerveró.

Camargo foi condenado a 14 anos de prisão, mas como fez acordo de delação premiada, ficará em regime aberto diferenciado. A parte relacionada a Cunha foi enviada a Procuradoria Geral da República e deu origem a abertura de um inquérito contra o deputado no STF no início deste ano. Cinco meses depois desta nova etapa da investigação, o grupo de trabalho que auxilia o procurador-geral Rodrigo Janot, concluiu a apuração.

MP DA SUÍÇA AJUDOU NA OBTENÇÃO DE PROVAS

A denúncia contra o presidente da Câmara está sendo redigida. Os procuradores concluíram pela responsabilização criminal de Cunha por corrupção e lavagem. Na investigação da primeira instância, liderada pela força-tarefa de Curitiba, procuradores obtiveram provas da movimentação do dinheiro da propina no exterior com a ajuda do Ministério Público da Suíça.

"A cooperação jurídica com a Suíça foi fundamental para a comprovação do fluxo do dinheiro no exterior e comprovação documental dos fatos. Por meio dela, obteve-se documentos irrefutáveis que comprovaram a transferência do dinheiro da Samsung para as empresas de Julio Camargo e, em seguida, para as de Fernando Soares e Cerveró, bem como para a contas de terceiros indicadas por eles", informou a força-tarefa em nota divulgada na segunda-feira.

As acusações contra Cunha surgiram num depoimento do doleiro Alberto Youssef, o principal operador da propina no esquema de corrupção na Petrobras. Youssef disse que ajudou Julio Camargo a repassar propina para Cunha e outros políticos para facilitar o contrato com a Samsung.

Youssef disse ainda que, o presidente da Câmara até usou requerimentos de informação de uma das comissões da Câmara para pressionar Camargo a liberar parcelas do suborno, que estavam atrasadas por conta de desacertos com a Samsung. Os requerimentos da chantagem teriam sido apresentados em nome da ex-deputada Solange Almeida (PMDB-RJ), hoje prefeita de Rio Bonito.

Nos primeiros depoimentos da delação premiada, Camargo nada disse sobre as transações com Cunha. Ele se limitou as acusações contra Cerveró e Fernando Baiano. Depois, quando confrontado com depoimentos de Youssef, decidiu abrir o jogo. O empresário confirmou e ainda ofereceu mais detalhes sobre o suposto suborno de Cunha. (O Globo).

Velhacaria do governo Dilma deixa os diplomatas na rua


Itamaraty: depois de Lula, sempre no escuro.
Destroçado pela estupidez ideológica do lulopetismo, o Itamaraty agora passa vergonha no exterior: embaixadores são ameaçados de despejo porque o governo Dilma não paga os aluguéis. Este é o Brasil-potência de Lula e Dilma. Artigo de Helena Celestino no jornal O Globo:


O embaixador brasileiro na Organização Mundial do Comércio, em Genebra, já recebeu um aviso de despejo depois de dois meses sem pagar aluguel. O proprietário da residência oficial do representante do Brasil é um banqueiro e, pela lei das probabilidades, não vai aconselhar clientes a investirem no país onde diplomatas atrasam pagamentos. O embaixador está longe de ser um caso isolado: daqui a 12 dias completarão quatro meses sem que os funcionários do Itamaraty no exterior recebam o auxílio-moradia, algo que representa de 70% a 90% dos salários. Não é mordomia, mas questão de sobrevivência em cidades onde um quarto e sala custa R$ 20 mil por mês. Resultado? “A política externa brasileira hoje se resume a negociar contas de luz e a escrever cartas explicando razões para o atraso”, resume um diplomata.

É melancólico para um país com ambições de ocupar espaços crescentes no cenário internacional e orgulho da tradição de independência nas suas relações com o mundo. Crise política aliada ao desmoronamento da economia e ao mau humor da presidente Dilma com as firulas diplomáticas acabaram com as veleidades brasileiras na política externa. “Nós temos uma certa capacidade de fingir que as coisas vão bem, mas a situação é dramática”, diz um embaixador. “Tenho 35 anos de Itamaraty, nunca vivi momento pior”, diz outro.

Não existe política externa sem dinheiro. A um mês de a presidente Dilma fazer o discurso de abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, o Brasil deve cerca de US$ 258 milhões ao sistema ONU. Nos anos Lula, a expansão internacional do país levou o Itamaraty a assumir compromissos para aumentar a presença nos organismos multilaterais. E, como sabemos, nada é de graça: as contribuições para a ONU aumentaram de US$ 36 milhões em 2010 para US$ 77 milhões em 2014, um reflexo do peso na época da potência emergente no cenário internacional. Só que não pagamos nada desde o início de 2014, acumulando uma dívida de pouco menos de R$ 1 bilhão — R$ 928 milhões.

A lista dos constrangimentos por falta de dinheiro em consulados e embaixadas brasileiras no exterior também é extensa. Nos Estados Unidos, vários carros oficiais não podem circular pelas cidades por que não há dinheiro para pagar o seguro obrigatório — em situação irregular, um deles está retido numa garagem. Deu na CNN terça-feira — e em todos os jornais e televisões brasileiros — a conta não paga de US$ 100 mil pelo aluguel de carros para a presidente e sua comitiva em São Francisco, uma das escalas da viagem oficial aos EUA, aquela em que se apostou todas as fichas para reaproximar Brasília e Washington, após a crise criada com a revelação do grampo no celular de Dilma pela National Security Agency. Mais uma dívida está espetada no consulado de Nova York : tem provavelmente o mesmo valor, é relativa ao aluguel do mesmo número de carros, contratados durante a mesma viagem, mas a empresa fornece serviços para a representação brasileira em Manhattan há muito tempo e, por isto, prefere não tocar no assunto publicamente.

A conta não fecha por motivos óbvios. A maior parte dos gastos do Itamaraty é com o pagamento e a o aperfeiçoamento dos diplomatas, sendo que 70% são despesas pagas em moeda estrangeira. Só que o orçamento teve um corte de R$ 40 milhões e foi fechado com previsão de um dólar a R$ 2,60 — a moeda, como sabemos, já está em torno de R$3,60. Para evitar a debacle, o secretário-geral, Sérgio Danese, concentra-se na reorganização interna do ministério, e o ministro Mauro Vieira multiplica as viagens para manter a presença brasileira no exterior. Enquanto isso, ninguém está falando de política externa.

“À voltas com uma grave crise de governabilidade, nós brasileiros estamos tendendo ainda mais para a introspecção. É como se o mundo começasse e terminasse no nosso país. Deixamos de lado os temas internacionais”, escreveu no “El País” o embaixador Luiz Felipe de Seixas Correa.

Falta agenda. Hoje chega ao Brasil a chanceler Angela Merkel, a verdadeira presidente da União Europeia, e não temos nada a negociar. O tema das conversas será meio ambiente, mas a pauta é de interesse da Alemanha. A prisão do coronel Othon, presidente da Eletronuclear, cria constrangimento, já que era ele o homem a tocar Angra III, resultado de acordo com a Alemanha. Merkel também não vive bom momento: o Parlamento vota hoje o terceiro pacote de empréstimos concedido à Grécia pela União Europeia, em meio ao ceticismo dos alemães às acusações dos vizinhos de que a Alemanha humilhou os gregos — obrigando-os a aceitar o inaceitável— e às tensões com a chegada em massa de imigrantes. Aparentemente, o Brasil não tem nada a dizer, como também não teve palavras para condenar o espancamento e a prisão da jornalista Manuela Picq no Equador. 
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Caserna quer enquadrar líder da CUT

O ANTAGONISTA

Os clubes Naval, Militar e da Aeronáutica protocolaram no MPF em Brasília uma ação criminal conjunta contra Vagner Freitas, que ameaçou pegar em armas para defender Dilma.

A caserna quer enquadrar o líder da CUT na Lei de Segurança Nacional -- sim, ela ainda existe.


 
 
19/08/2015

Presidente da CUT pode ir pra cadeia, clubes Naval, Militar e de Aeronáutica entram com representação criminal

Os militares (pelo menos os na reserva) cumprem o seu dever de cidadãos, em defesa da Pátria, da Paz e da Ordem Social. Os Clubes Naval, Militar e de Aeronáutica apresentaram ao Ministério Público Federal, em Brasília, pedido de ação criminal contra Vagner Freitas de Moraes, Presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT). A queixa recebeu o protocolo nº 12831/2015, de 19/08/2015.


O motivo é a bravata cometida pelo líder sindical, no último dia 13 de agosto, em pleno Salão Nobre do Palácio do Planalto, quando ameaçou sair à rua, com armas, para defender a Presidenta Dilma de alguma espécie de golpe ou atentado. A atitude infantil e criminosa de Vagner já tinha sido repudiada pela Ordem dos Advogados do Brasil (mesmo que a contragosto, já que a OAB anda demais alinhada com atos do desgovernismo nazicomunopetralha.

Os três Clubes Militares solicitaram à PRR da 1ª região (Brasília-DF) que Vagner Freitas seja enquadrado nos crimes previstos nos artigos 18, 22 e 23 da lei nº 7.170/83. Os militares ficaram indignados com o discurso do dirigente máximo da CUT, que afrontou, claramente, a Ordem Pública. Vagner praguejou: “Iremos para a rua entricheirados, de arma na mão, se tentarem derrubar a Presidente Dilma” e “qualquer tentativa de atentado à democracia ou à senhora ou ao Presidente Lula, nós seremos o exército que vai enfrentar essa burguesia na rua”.

Em nota conjunta, os três Clubes Militares advertem: “Coerentes com suas tradições, estaremos atentos ao andamento do processo”. 
A reação contundente aos militares, buscando a via judicial contra a barbárie verbal cometida pelo dirigente da CUT acontece, exatamente, na véspera das manifestações nacionais convocadas para esta quinta-feira pelo PT, em várias cidades, em defesa do mandato da Presidenta Dilma Rousseff, impopular e desgastadíssima pelas manifestações populares de domingo passado.
A confusão institucional ficará mais grave se for confirmada a informação de que a Procuradoria Geral da República oferecerá denúncia contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Pixulequeiro contra pixulequeiro

O ANTAGONISTA

O Globo, a Folha de S. Paulo e o Estadão dizem que os movimentos que participam dos atos de hoje estão rachados.

O PT, a CUT e a UNE vão lamber as botas de Dilma Rousseff. Guilherme Boulos é "Contra a Direita e o Ajuste Fiscal". O PSOL acusa o PT de ter aparelhado o ato. No Rio, o lema é "Fora, Cunha".


O Antagonista, por mais que se empenhe, é incapaz de distinguir um pixulequeiro do outro.

Governo custeia manifestação de "apoio". Apoio pago não é apoio.É suborno.

O ANTAGONISTA

 

Ao vencedor, as batatas

No domingo, 900 mil pessoas foram às ruas para pedir o impeachment de Dilma Rousseff e a prisão de Lula.

Hoje a tropa chapa-branca promete dar uma resposta aos nossos protestos: PT, CUT, UNE, PSOL, MST e MTST pretendem reunir 50 mil pixulequeiros no Largo da Batata, vindos em 350 ônibus fretados com dinheiro público.

Vai ter Lula inflado?

CUT apoia o desemprego



Desemprego em 7,5%.

E o que fazem os pelegos da CUT?

Vão ao Largo das Batatas para apoiar Dilma Rousseff.

Gilmar Mendes sobre Lula: “Fizeram o diabo para impedir o julgamento do Mensalão”





Gilmar Mendes, ministro do STF, que já foi presidente do Supremo, relatou em entrevista à revista Veja, que durante o julgamento do Mensalão, durante uma reunião com o então presidente do Brasil, Lula, para um jantar, e – PASMEM – Lula pediu ao ministro para “pegar leve” durante o julgamento.

É mole?
Confira um trecho da entrevista de Gilmar Mendes, concedida à jornalista Joice Hansselmann, da Veja.


Gilmar Mendes diz que Brasil foi transformado num “sindicato de ladrões”
Gilmar Mendes pede que PF investigue irregularidades na campanha eleitoral de Dilma
Ministro do STF, Gilmar Mendes sobre ações do governo Dilma ‘Os fatos são chocantes. Há uma cleptocracia instalada’
Ministro do STF cobra do Ministério Público providências sobre ameaças do chefe da CUT
Ministro do STF se espanta com delator e diz que corrupção ‘ultrapassa capacidade da imaginação’

Enquanto o Governo gasta milhões, bilhões em bobagens, em mimos para os deputados, as escolas públicas brasileiras nem banheiro ou água potável tem.Em muitas, as fossas ficam dentro da cozinha!!!É justo, gente?

9/03/2014 

A Pátria Educadora da Dilma:

Fantástico mostra situação precária de escolas públicas em Alagoas, em Pernambuco e no Maranhão

São escolas sem água potável, sem banheiro e até sem sala de aula.
O que não falta é a força de vontade de alunos, professores e pais.

Um retrato do abandono do ensino público no Brasil. São escolas sem água potável, sem banheiro e até sem sala de aula.

Durante dois meses, os repórteres Eduardo Faustini e Luiz Cláudio Azevedo percorreram escolas públicas dos estados que tiveram as médias mais baixas no Programa de Avaliação Internacional de Estudantes (Pisa).

“O percurso deles é em torno de 20, 30 quilômetros. Muitos acordam duas, três horas da manhã, para pegar um caminhão, para que esse caminhão leve até a rodovia, para da rodovia vir de um transporte fornecido pela prefeitura do município: o ônibus escolar”, conta um morador de Joaquim Gomes, em Alagoas.
“A rua é assim desse jeito. Os meninos, a gente atravessa eles no braço, porque não quer ver eles molhado. Caderno, eles não dão”, conta uma moradora de Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco.
“Essa água não é ideal para ser tomada e, principalmente dar ela para as crianças. Isso aí tem um germe total. Eu trabalho aqui, mas dela eu também não bebo”, revela um homem.


“Tem aluno que até cai da carteira, principalmente os menores, da educação infantil”, diz uma moradora de Codó, no Maranhão.

“Quando temos a necessidade de irmos para o banheiro, nós vamos para o mato. Os alunos e a professora”, afirma uma mulher.

O que a reportagem mostra são escolas em que falta tudo, escolas que nem de longe lembram uma escola. O que não falta é a força de vontade de alunos, professores e pais que sofrem com as péssimas condições de ensino. Sofrem e ficam indignados.

“Ei, quatro anos sem receber farda, aqui, ó”, conta uma mãe. “Sem receber farda, sem ninguém dar atenção para gente”, afirma uma outra mãe. “As crianças da gente são desprezada aqui dentro”, reclama.

O Fantástico mostra a situação da entrada de uma escola municipal, em Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco.

“Quando chove, a água invade, e chegam molhados, tudo sujo. Aí a situação. Aí não tem. Um bebedor bom não tem. Papel higiênico não tem”, afirma a mãe de aluno Maria Betânia dos Santos.


Revoltada, ela diz que as professoras pedem aos pais até material de limpeza: “Elas pedem à gente uma vassoura, pedem detergente. É o que for para botar aqui. Para ajudar aqui. E tem vez que as pobrezinhas passam quase um mês sem receber. Aí como é isso?”.

Isso é a realidade de escolas públicas em Alagoas, em Pernambuco e no Maranhão.

Na mais recente pesquisa brasileira do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), esses estados estão entre os que tiveram as notas médias mais baixas. Os repórteres do Fantástico passaram dois meses registrando as condições de escolas nesses estados.

Fantástico: Que horas você sai de casa?

Williana Soares (aluna): Quatro horas.

Everton Guedes Cavalcante (aluno): A hora que eu saio de casa, o máximo é 4h10, mas me acordo 3h50.

Só tem um jeito para o Everton e para a Williana irem à escola: de caminhão.

“Tem uma base de uns 55 alunos que nós vai (sic) nesse caminhão. Só que tem a dificuldade da estrada”, explica o motorista José Fernandes de Melo.


É uma estrada de terra. Depois dessa viagem, em Joaquim Gomes, em Alagoas, é que eles pegam o ônibus escolar da prefeitura. Mas e quando chove?

“Com dia de sol, nós consegue (sic). Quando choveu, não consegue chegar aqui”, conta o motorista.
O jeito então é ir... “Andando. Fora a ladeira que tem para subir”, conta Williana.

Ou então... “É ficar em casa mesmo, sem poder ir para a escola”, admite Everton.

Já em Lagoa Grande, em Pernambuco, quem não tem caminhão vai de charrete. Seu Francisco diz que a filha, a Rosileide, se queixa quando a escola não pode funcionar.

Em Codó, no Maranhão, o André e o primo dele, o Eduardo, são vaqueiros de manhã. De tarde, caminham 35 minutos até a escola.

Por lá, falta quase tudo. Não falta carinho. “Vocês são guardado no lado esquerdo do meu coração. Então, sejam bem-vindos mais este ano que nós temos aqui para trabalhar, para melhorar, para ver os nossos acertos”, anuncia a professora.

Em Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco, se chegar a uma escola assim não é fácil, entrar também pode ser bem difícil, como foi visto no início da reportagem.

Na frente de outro colégio da mesma cidade, a situação é pior ainda: o esgoto está aberto. E ainda uma terceira escola enfrenta o mesmo problema, no mesmo município.

“Está há seis anos assim. Agora, é o que a gente diz para as mães: nós como funcionários vamos entrar. Nós somos funcionários, precisamos preservar a escola aberta para o aluno”, diz a secretária escolar Maria Vieira de Araújo.

Fantástico: Como que a senhora chegou hoje para dar aula? Qual foi a situação que a senhora encontrou na sala de aula?

Auriele Galvão (professora): A escola toda estava alagada. Não é goteira, é chuva mesmo. Eu afasto todas as cadeiras, boto todo mundo pro canto, e coloca baldes aqui. A água desce todinha pela parede. Inclusive eu já perdi trabalhos que a gente realiza trabalhos com os alunos, coloca nas paredes em exposição, mas aí desce tudo, molha tudo.

Você pode pensar que é uma cidade muito longe dos grandes centros, mas não é: Jaboatão dos Guararapes fica a cerca de seis quilômetros do metro quadrado mais caro de Recife, na praia de Boa Viagem.

Finalmente, a aula começa, inclusive na escola indígena Pajé Miguel Selestino da Silva, em Palmeira dos Índios, em Alagoas. O que falta é a própria sala de aula.

Fantástico: Há quantos anos o senhor dá aula nessa situação aqui?

Jecinaldo Xucuru Cariri (professor): Há mais de dois anos que eu venho ministrando aula debaixo da mangueira. É bastante complicado, até porque de repente vem uma chuva, então tem que todo mundo correr e abandonar a aula.

Em uma galpão, funciona outra sala. É uma  situação de improviso, porque a sede original da escola não tem mais condições de uso e está interditada. No galpão, os alunos ficam espremidos. Além do desconforto, tem o perigo.

A escola municipal em Codó, no Maranhão, se chama Divina Providência e espera providências há muito tempo.

Fantástico: Há quanto tempo essa escola está assim? Do jeito que está assim hoje.

Deusdet Oliveira Matos (comerciante): Está com mais de 15 anos.

O Deusdet é um comerciante que construiu a escola há 50 anos e, do jeito que pode, continua tomando conta dela.

Deusdet Oliveira Matos: Quando está gotejando, eu vou, tiro a goteira. Agora, esse ano eu ia fazer essa parede de tijolo, mas ainda não fiz.

Fantástico: O que leva o senhor a cuidar dessa escola?

Deusdet Oliveira Matos: O espírito de humanidade, para poder auxiliar os filhos dos moradores a não se criarem analfabeto.

“A situação, como vocês estão vendo, desde o ano passado que a gente está desse jeito. A falta de cadeira, sentam e não tem o braço da cadeira. Eles estão com dificuldade para escrever. E eu estou utilizando a minha mesa, para que eles fiquem mais à vontade. O que eu posso fazer eu estou fazendo”, diz Juciara de Souza, professora em Petrolina, Pernambuco.

Em uma das cadeiras é possível ver parafuso para fora.

“Eu gostaria que tivesse cadeiras boas e que não fossem quebradas”, afirma uma aluna.
“Já teve caso de criança perder aula, porque não tinha cadeira”, conta a mãe de aluno Edineide Helena da Costa.

“O piso da escola não é adequado para o tipo de carteira, porque as carteiras, como é você pode ver, é um cano. Então, elas afundam no chão. E aí tem aluno que até cai. Aí chora, devido ao chão batido, que aqui não sabe se aqui é uma subida, ou ali é uma descida. É um desnível total. Porque aqui era uma casa de moradia. Era uma pessoa que morava aqui. Aí montou essa escola aqui para eles”, conta Rosa Maria Pereira Cunha, professora em Codó, no Maranhão.

As escolas visitadas pelo repórter Eduardo Faustini ficam em regiões bem quentes. Nas salas, todo mundo se queixa do calor. “É quente. No calor não tem quem suporte”, reclama a aluna Mayara Nunes de Alencar, em Petrolina, Pernambuco.

“Tem um ventilador, mas na outra sala. Um ventilador não é suficiente para os aluno. É muito aluno”, diz a zeladora Josiane Barbosa da Silva, de Lagoa Grande, Pernambuco.


Em outras escolas, um, dois ou um monte de ventiladores, nada resolveria, porque elas não têm energia elétrica.

Rosa Maria Pereira Cunha (professora em Codó, no Maranhão): Quando chove, fica escuro.

Fantástico: Não tem luz.

Rosa Maria Pereira Cunha: Tem não. Não tem luz.

Como beber água nessas condições? E como fazer a merenda?

“Para beber água, a gente pega água com a dona da terra. Pega uma garrafa de água e trago para cá, porque também está faltando filtro”, conta a professora Eliete de Araújo Lobes.

“Eu trabalho aqui, mas dela eu também não bebo, porque a gente vê a situação da água. Isso aí tem um germe total. Até lá em cima tem um pisador de cavalo e um pisador de boi. Tem uns bois que ficam aí atrás que bebem dessa água aí em cima da barragem”, José Dionísio Justino, professor em Joaquim Gomes, em Alagoas.

Celso Selestino (agente de saneamento em Palmeira dos Índios, em Alagoas): Não tem tratamento. Do jeito que ela passa aqui, ela abastece a cidade e não tem tratamento nenhum.

Fantástico: Agora tem algum sistema de filtro para proteger essa água?

Celso Selestino: Não. O filtro que tem aqui só isso aqui, não tem filtro nenhum. O pessoal é que coa a água ali e dá para as criança beber.

“A fossa é dentro da cozinha, e o suspiro é dentro da cozinha. Aonde a merenda já chega pronta e a gente tem que servir a merenda neste setor”, revela um funcionário de Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco.

“Geralmente a merenda só aparece de maio a junho. Geralmente é nesse período que a merenda aparece”, diz uma funcionária de uma escola na cidade de Codó, no Maranhão.

“Custa a chegar. E quando vem, a gente se junta lá com a vizinha aqui, que me ajuda demais, e aí a gente faz a merenda para essas criança. E, quando não, eles comem fruta da estação. Desse jeito”, conta a professora Maria do Amparo dos Anjos.

Professora de Lagoa Grande, em Pernambuco: Às vezes não tem aula porque não tem a merenda.

Fantástico: Difícil, não é?

Professora: É complicado.

Fantástico: Como é que você se sente, assim, cuidando dessas crianças nessa situação?

Professora: Assim, eu me sinto... pequena, né? Que seus alunos não tá crescendo. Você sente como se tivesse diminuindo, não tá aumentando.

E aí, se o aluno tem o que comer e faz sua refeição, é hora de escovar os dentes. Mas em que banheiro?

“A água que a gente tem para botar nas descargas. Ontem, quem fez a limpeza fomos nós, os professores. Ó, aqui não tem a torneira”, denuncia a professora Marilucia Gomes de Sá, professora em Petrolina, Pernambuco.

“O ano passado eles estudaram sem banheiro, não tinha banheiro”, conta Francisco da Silva, pai de um aluno em Lagoa Grande, Pernambuco.

Josiane Barbosa (zeladora em Lagoa Grande, Pernambuco): Ó, tem esse banheiro aqui. Não tem luz, todo esculhambado. Tão fazendo um ali fora, mas começaram e não terminaram ainda.

Fantástico: A descarga funciona?

Josiane Barbosa: Não.

Fantástico: Como é que faz o aluno quando precisa ir ao banheiro?

Funcionária: Os meninos vão para detrás da escola, e as meninas, do outro lado, assim como a professora também. Que nós não temos banheiro.

Fantástico: A senhora usa o mato quando...

Funcionária: Também.

Fim das aulas, hora de voltar para casa. Lama, viagem longa e perigosa, em mais um dia do ano letivo.

Essas escolas passam por inúmeras dificuldades. Para muitos professores, a situação é mais difícil ainda, porque eles têm que dar aulas para várias turmas ao mesmo tempo. É o chamado ensino multisseriado, bastante comum no Brasil.

Fantástico: Enquanto a senhora está dando aula para uma turma, a outra aguarda, é assim que é feito?

Professora: É. Sempre eu começo pela educação infantil, já tá aprendendo a coordenação motora. Eu passo primeiro. Aí vou para o outro que já está lá no quarto, quinto ano.

Algumas das escolas mostradas na reportagem oferecem aos alunos menos do que o mínimo do mínimo. Uma escola com infraestrutura elementar tem que ter água, banheiro, esgoto, energia elétrica e cozinha. Quase metade das escolas brasileiras é assim.

São 87 mil ou 44,5% do total de escolas no país, segundo estudo feito por pesquisadores da Universidade de Brasília e da Federal de Santa Catarina.

“Escolas com estrutura precária em geral são escolas municipais e muitas dessas escolas são rurais. Se nós pegarmos escolas que atendem alunos com um nível socioeconômico equivalente, as que têm melhor estrutura tendem a oferecer melhor resultado”, diz José Joaquim Soares Neto, pesquisador da UnB.

A escola com a infraestrutura adequada tem sala dos professores, biblioteca, laboratório de informática, quadra esportiva e parque infantil. Conta também com acesso à internet e máquina de cópias.

E a escola com infraestrutura avançada tem tudo isso e ainda laboratório de ciências e instalações para estudantes com necessidades especiais.

Das 195 mil escolas brasileiras, pouco mais de mil são avançadas. Isso representa 0.6% do total. “Em geral, essas escolas estão em regiões como Sul e Sudeste”, completa o pesquisador.

Diante disso tudo, o que é que leva todos esses brasileiros, alunos, professores e também os pais, a seguir em frente?

O professor Elias Ferreira da Silva passou por algumas dessas situações que você acabou de ver, chegou à universidade e hoje dá aula na Escola São José, em Alagoas, aquela dos alunos que precisam do caminhão para ir à aula.

“É justamente essa vontade que eles têm de um futuro melhor que fazem ele ter essa força de sair 30 quilômetros, 20 quilômetros, 15 quilômetros, para chegar até a escola”, destaca Elias Ferreira da Silva.

“Ano passado, quando cheguei aqui, estava tudo caído, aí eu me sentei e, sinceramente, eu chorei”, revela uma professora.

“Eu queria que ela fosse grande, que tivesse vários professores, apesar que eu gosto de todos os meus professores, eles me ensinam muito bem”, comenta uma aluna.

“Eu sempre digo isso, que eu acho que a gente que trabalha na Zona Rural, nós somos realmente heroínas”, afirma uma mulher.

“Apesar desses lugares mais longínquos possível, vocês são o futuro dessa nação, construindo a sua própria história, ajudando a erguer mais esse país tão grande”, afirma uma professora.

A Prefeitura de Codó, no Maranhão, diz em nota que vem melhorando a infraestrutura das escolas rurais. Afirma que, nos últimos cinco anos, foram construídas e equipadas 150 novas salas de aula. E que está prevista a construção de mais 28 escolas nos próximos 2 anos.

Veja o que os outros órgãos públicos têm a dizer:
A prefeitura de Jaboatão dos Guararapes informou na sexta-feira (7) que o trabalho de recuperação está em andamento.

“Já recuperamos 51 escolas e temos um cronograma de execução até o final do ano. As três escolas visitadas, desde a produção das imagens até o presente o momento, já resolvemos mais de 90% do que vocês filmaram”, afirma secretário de Educação de Guararapes, Francisco Amorim.

A Secretaria de Educação de Joaquim Gomes, em Alagoas, informa que tem projetos junto ao Ministério da Educação para obter recursos federais para recuperar escolas rurais e também urbanas. Novas cadeiras já estão sendo compradas e reparos estão sendo feitos nas escolas.

O secretário de Educação de Lagoa Grande, em Pernambuco, diz que o município está trabalhando na recuperação das escolas em regime de urgência.

“Encontramos o município totalmente sucateado. Fizemos um levantamento emergencial onde a gente poderia intervir de imediato”, afirma o secretário de Educação de Lagoa Grande, Daniel Torre.

A Secretaria de Educação de Alagoas afirma que a ordem de serviço para recuperação da Escola Estadual Pajé Miguel Selestino já foi assinada. Serão instalados um laboratório de informática e uma biblioteca.

As cadeiras da escola Joaquim Francisco da Costa, em Petrolina, Pernambuco, foram substituídas cinco dias depois de o Fantástico visitar a escola.

Comentários

1)PT, pobre também é brasileiro, não é só deputado e empreiteira que são brasileiros, não, PT. Pobre também é brasileiro!!

Anônimo. 

2)É incrível que duzentos anos após a revolução francesa e a Carta dos Direitos Humanos tal situação ainda persista.Para uns poucos privilegiados tudo, para a grande maioria, escolas sem esgotos, sem agua potável, sem merenda, sem carteiras. Pátria educadora, Dilma??É isso que você chama de Pátria Educadora?

Anônimo

3)Uma foto que vale mais do que mil palavras:


Crise? Brasileiro vai gastar quase R$ 1 milhão com “Chá de panela” para deputados federais




Pois é, a crise definitivamente não chegou nas casas do poder.

Os apartamentos funcionais, que são bancados com dinheiro do contribuinte, serão beneficiados com compra de diversos eletrodomésticos, que devem ficar em quase R$ 1 milhão, segundo informa o portal Contas Abertas.


C A – Os novos acessórios irão atender às demandas de diversos departamentos da Casa, bem como guarnecer os imóveis funcionais dos blocos “C”, “D” e “E” da SQN 302, uma das quadras que possuem apartamentos funcionais em Brasília.

Enquanto isso, no mundo real…o governo planeja cortar o 13º dos aposentados, já cortou bilhões de reais do orçamento deste ano para serviços como saúde e educação, elevou por várias vezes esse ano as contas de água e luz, planeja tributar a internet e autorizou a redução dos salários dos trabalhadores em até 30 % (com desculpa de reduzir também as jornadas de trabalho)…até quando ?

Arnaldo Jabor apela à Dilma: “RENUNCIE, DILMA. NÃO SERÁ UMA HUMILHAÇÃO”






Em comentário matinal na Rádio Jovem Pan, o jornalista Arnaldo Jabor, foi incisivo ao clamar pela renúncia de Dilma.

Jabor se referiu na primeira pessoa à Dilma e fez o direto pedido:
“RENUNCIE, DILMA. NÃO SERÁ UMA HUMILHAÇÃO”
O jornalista avaliou a péssima situação a qual o país está sofrendo, e, segundo ele, a renúncia da presidente seria a melhor saída, diante de tantos “ratos” à rodeando, e do país todo contra seu governo.



Confira o vídeo: