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A
Sabesp foi condenada pela Justiça do Trabalho a substituir 25% dos
empregados contratados irregularmente por meio de empresas
terceirizadas. O valor da multa por danos morais coletivos foi fixado em
R$ 250 mil no processo.
O caos instalado na empresa vai ganhando novos contornos.
O
DCM apurou
em sua série de reportagens que a empresa demitiu 600 funcionários
entre 2014 e 2015, além de ter perdido processos judiciais por cortes
sem justa causa no final de 2012. Houve recontratações de funcionários,
muitos ex-superintendentes, além de outra multa de R$ 50 mil pedida pela
justiça.
Ainda assim, a Sabesp informou no dia 13 de agosto que teve lucro
líquido de R$ 337,3 milhões no segundo trimestre, alta de 11,5% na
comparação anual. A receita, no entanto, caiu 7,9% na comparação anual,
para R$ 2,05 bilhões.
A má gestão é um bom negócio. A Sabesp investiu R$ 28,9 milhões na
transposição do rio Guaió, na cidade de Mauá, para abastecer sua segunda
maior reserva hídrica, o sistema Alto Tietê. A represa é utilizada,
atualmente, para diminuir a dependência do Cantareira.
Cerca de 50 dias depois da inauguração, o manancial estava seco, segundo o Estado de S.Paulo. Ou seja, uma inutilidade.
As maiores reservas já estão secando novamente em São Paulo. O
sistema Cantareira caiu para 15% com as cotas do volume morto, enquanto o
Alto Tietê recentemente caiu mais de 20 vezes até chegar no patamar de
14,8%, com a nova escassez de chuvas.
A crise hídrica, portanto, parece distante de uma solução. Com
milhões investidos e os níveis cedendo mais, o governo e a empresa
estudam transferências de recursos hídricos de outras fontes, como o São
Lourenço e a reserva Billings.
Os maus investimentos não afetam negativamente o desempenho na Bolsa.
Não interessa resolver rapidamente a crise enquanto a situação
financeira estiver estável. Os acionistas privados não se abalam e nem o
governo Alckmin se mobiliza.
A seca dos reservatórios demanda aportes milionários para solucionar
gargalos, mas as obras são feitas pelas mesmas companhias que já
trabalhavam com a Sabesp. A crise é, portanto, uma oportunidade de fazer
bons negócios para os dois lados sem uma concorrência real. Todos saem
ganhando num nítido conflito de interesses — pelo que as investigações
do Ministério Público apontam.
O MP começou a olhar as construções emergenciais sem licitação
pública no início de 2015. “O montante que apuramos em nosso inquérito
civil é de R$ 160 milhões nas obras emergenciais até o momento. Mas
sabemos que a cifra já está maior”, disse o promotor Otávio Ferreira
Garcia em audiência na Câmara Municipal.
O Ministério Público de Contas do Estado de São Paulo
divulgou no mês de agosto
um relatório com 11 contratos emergenciais no valor de R$ 200 milhões
sem licitação. A informação foi fornecida pelo próprio Otávio Garcia,
que já estava investigando a Sabesp, e também pelos promotores Alexandra
Facciolli Martins e Ricardo Manuel Castro.
A Sabesp não está interessada em solucionar o problema da falta de
água em São Paulo. A seca vai se intensificar e a população vai pagar a
conta, mais uma vez. O maior problema da cidade, afinal, todo o mundo
sabe qual é: as ciclovias comunistas.
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