O Instituto Butantan iniciou hoje (11) a terceira e última etapa
de desenvolvimento da vacina contra o vírus da dengue. Nesta etapa, a
vacina será testada em 17 mil voluntários de 13 cidades, em 12 estados
das cinco regiões brasileiras. O Butantan e o governo do estado de São
Paulo estimam que a vacina poderá ser disponibilizada até 2017.
A
vacina desenvolvida pelo Butantan mostrou capacidade, nas duas
primeiras fases de testes, de combater os quatro tipos de vírus da
dengue, mas não tem eficácia contra o vírus causador da febre
chicungunya e o vírus Zika, também transmitidos pelo mosquito
Aedes aegypti.
O
desenvolvimento da terceira fase da vacina custará cerca de R$ 270
milhões. Segundo o governo de São Paulo, o setor privado e o Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) poderão
participar como parceiros.
Na manhã desta sexta-feira, a Agência
Nacional de vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou que havia aprovado o
Dossiê de Desenvolvimento Clínico de Medicamento sobre a vacina enviado
pelo Butantan. “A documentação, enviada à Anvisa no último dia 8,
possibilita o sinal verde para que o Instituto Butantan inicie os
estudos Fase 3. Esta é a última etapa necessária para que o Instituto
protocole o pedido de registro da vacina à Anvisa, que avaliará a
qualidade, segurança e eficácia do produto”, destacou a agência em nota.
Diferentemente da
vacina contra a dengue aprovada no México no
último dia 9, desenvolvida pelo laboratório Sanofi Pasteur, a que está
sendo feita pelo Butantan é aplicada em dose única – a mexicana precisa
ser aplicada em três doses, com intervalos de seis meses.
“A
vacina do Butantan é [feita a partir do] o vírus atenuado da dengue. Na
outra vacina é tomado como vetor o vírus da febre amarela. Nela foi
inserido o gene da proteína que está no vírus da dengue. E com isso você
faz uma resposta contra o vírus da dengue”, explicou o diretor do
Instituto Butantan, Jorge Kalil.
“Só que essa resposta mostrou-se
menos eficaz do que a da vacina com vírus da dengue atenuado [feita
pelo Butantan]. A razão mais provável para isso é que se induza a
produção de anticorpos, mas a resposta celular dos linfócitos é mais
fraca e, com isso, não seria tão protetora”, disse Kalil.
Segundo
o médico, a vacina mexicana também não foi aprovada para crianças, já
que não mostrou eficácia para faixas etárias mais baixas. Os
interessados em participar dos testes da vacina do Butantan como
voluntários devem aguardar a divulgação do convite para que façam parte
do estudo em sua cidade. Eles precisam se enquadrar em três
faixas-etárias (2 a 6 anos, 7 a 17 anos e 18 a 59 anos) e estar
saudáveis. Pessoas que já tiveram dengue podem participar.
As
cidades onde serão feitos os testes são: Manaus, Porto Velho, Boa Vista,
Aracaju, Recife, Fortaleza, Brasília, Cuiabá, Campo Grande, São Paulo,
São José do Rio Preto (SP), Belo Horizonte e Porto Alegre.
A matéria foi ampliada às 20h24
Edição: Nádia Franco