quinta-feira, 27 de outubro de 2016

São Paulo sediará a primeira edição do Vegan Week Brasil

26/10/2016


vegan-week-brasil-logo-pngAmantes da gastronomia terão a oportunidade de conhecer diversos sabores e opções livres de ingredientes de origem animal.


Por Redação da Envolverde*



A cidade de São Paulo é considerada a mais vegana do Brasil. Pensando nisso, um grupo de empreendedores veganos se reuniu e criou a Vegan Week Brasil-SP, uma versão da Restaurant Week, só que com restaurantes com opções veganas e vegetarianas no menu, nas imediações da Rua Augusta e no bairro de Pinheiros.




Estima-se que na cidade de São Paulo existam em média mais de 15 mil restaurantes e 20 mil bares. A grande maioria não tem opções veganas (livres de ingredientes de origem animal) e vegetarianas. Ainda não há dados concretos e oficiais sobre o número de veganos no Brasil, menos ainda na cidade de São Paulo. Contudo, uma pesquisa do IBOPE, realizada em outubro de 2012, revelou que 8% da população brasileira declarou-se vegetariana.




A ideia surgiu após o grupo perceber a carência de divulgação e fortalecimento de restaurantes, bares e cafés veganos e com opções veganas. “Nosso principal objetivo é apresentar aos curiosos e simpatizantes que é possível ter uma variedade de refeições no cardápio sem que nenhum animal precise ser morto para isso”, afirma Márcia Cris.




Com a proposta inovadora de levar aos participantes da Vegan Week Brasil-SP alternativas saudáveis e livres de ingredientes de origem animal, a organização também oferecerá consultorias a serem realizadas por chefs de cozinha veganos. Assim, caso algum restaurante tenha interesse em implantar opções veganas no cardápio, esta será uma grande oportunidade.




Um dos principais objetivos da Vegan Week Brasil-SP é mostrar aos restaurantes que não possuem opções veganas e vegetarianas que é possível e financeiramente viável incluir opções vegetarianas e veganas em seus cardápios.



Para viabilizar o projeto, os fundadores Elton Bastos e Márcia Cris optaram pelo financiamento coletivo (crowdfunding) como caminho para levantar os recursos necessários para tirar a ideia do papel. “Sabemos que o coletivo move as pessoas e que juntos conseguimos, por isso optamos pelo financiamento coletivo”, declara Elton Bastos.




O evento acontecerá entre os dias 20 e 27 de novembro de 2016. A Vegan Week Brasil-SP já está preparando a lista dos restaurantes parceiros para a Semana de Alimentação Consciente e, logo mais, o público terá acesso através do site www.veganweek.com.br. 





Todo restaurante participante que não for vegano nem vegetariano se comprometerá a não usar ingredientes de origem animal e garantirá que os alimentos sejam preparados separadamente dos convencionais da casa.




Para ajudar o projeto, acesse o link e inscreva-se no crowdfunding.

Decreto cria corredor ecológico em Manaus


Reserva Florestal Adolpho Ducke. Foto: Blog Coyote Expedições
Reserva Florestal Adolpho Ducke. Foto: Blog Coyote Expedições




Na semana passada foi publicado no Diário Oficial do Estado do Amazonas, o Decreto n° 37.274 que formaliza a criação do corredor ecológico da Reserva Florestal Adolpho Ducke/Puraquequara, em Manaus. Com uma área de 2.396 hectares, o corredor ecológico está localizado na zona de expansão urbana da cidade, dentro dos limites da Área de Proteção Ambiental Adolpho Ducke (AM), começando nos limites da Reserva Adolpho Ducke e se estendendo até o rio Puraquequara.





O corredor tem o objetivo de ligar as unidades de conservação que venham a ser criadas no seu perímetro ou entorno imediato garantindo a preservação das matas ciliares ao longo de cursos d’água. Ele também visa garantir a recuperação e manutenção de espécies facilitando a recolonização das áreas degradas, bem como disciplinar o uso e ocupação do solo nas zonas de proteção do corredor ecológico.




O levantamento realizado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) mostrou que a área desempenha importante função ecológica, como fonte de espécies colonizadoras para os fragmentos que estão próximos a ela, por ser ainda conectada com a floresta contínua. O relatório de caracterização ambiental da área evidencia que, caso não fosse criado o corredor ecológico, a área poderia ser impactada pela expansão da cidade e se tornar mais um fragmento isolado.




A criação foi amplamente discutida em audiências públicas que reuniu pesquisadores, órgãos parceiros, além da população que reside no entorno da área. Na última, por exemplo, realizada em abril deste ano, o projeto foi aprovado por unanimidade. Também foram realizadas diversas reuniões e visitas para fazer levantamento de dados físicos, biológicos e geográficos da área, além da análise de pontos georreferenciados das características do uso e ocupação da terra para delinear as ações necessárias para criação da conectividade das áreas.



Reserva Florestal Adolpho Ducke
A Reserva Florestal Adolpho Ducke, criada em 1963, é uma área de 100 quilômetros quadrados, em plena zona urbana de Manaus, no Amazonas. Apesar de cumprir um papel de preservação ambiental, esta área protegida administrada pelo Inpa não faz parte do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). O objetivo do corredor ecológico é garantir a proteção da Reserva através de uma zona de amortecimento comum às UCs; frear o desmatamento através de uma melhor fiscalização; e preservar animais que vivem na área.

*Com informações da assessoria de imprensa da Sema

A grama da Amazônia e a poeira do deserto

13/03/2015 1 Comentários

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Vista aérea da floresta amazônica no Acre. Foto: © WWF-Brasil/Bruno Taitson
Vista aérea da floresta amazônica no Acre. Foto: © WWF-Brasil/Bruno Taitson


Passar os olhos pelos jornais é exercício rico e nem sempre ameno. Ao mesmo tempo que nos dá o privilégio de saber o que acontece em toda parte – notícias surpreendentes e alentadoras -, essa cobertura ampla traz implícito o risco de preocupações, aflições, sofrimentos até. A semana passada não foi diferente.




Pode-se começar pela notícia (amazonia.org, 6/3) de que “grama de R$ 2 milhões da Arena da Amazônia não se adaptou e deverá ser substituída”. Nada menos que R$ 2 milhões para cobrir um campo de futebol – o que no interior do país se faz praticamente sem custo. E este, amazônico, ainda implica “custo de manutenção de R$ 60 mil mensais” ! Segundo os responsáveis, porque “o tipo de grama não se adaptou ao clima da região e será substituído”, com um novo custo de R$ 200 mil.




Por aí, vai-se chegar a um tema forte no noticiário durante toda a semana, que é a polêmica sobre o projeto de acesso a recursos genéticos e o pagamento pelo seu uso, na área de conhecimentos de povos indígenas e tradicionais. Se os implantadores da grama na arena conhecessem o tema da biodiversidade saberiam que uma espécie estranha ao bioma poderia não se adaptar. Poderiam ter evitado o prejuízo. Mas biodiversidade em geral – presente em quase tudo no nosso cotidiano – é considerada tema de “ambientalista exagerado”. Esquecendo que a remoção dessa biodiversidade pode implicar mudanças climáticas, acréscimo de custos econômicos, etc.




No dia seguinte os jornais diziam que o aumento do desmatamento e a perda de biodiversidade na Amazônia – mais 288 quilômetros quadrados de florestas só em janeiro deste ano (Agência Estado, 21/2) – vem somar-se aos 763 mil km2 já desmatados e 1,2 milhão de km2 quadrados já degradados, segundo o cientista Antônio Donato Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Amazônia.org, fevereiro de 2015).




Nos mesmos dias, vinha a notícia (Folha de S.Paulo, 7/3) de que um grupo de jovens cientistas no Japão desenvolvera método para transformar uma microalga em suco e biscoito – e com isso a empresa dona dos direitos do conhecimento abrira seu capital na Bolsa de Tóquio e seu valor imediatamente chegara a US$ 1 bilhão; suas vendas em um ano chegaram a US$ 28,5 bilhões. Agora estudam caminhos para produzir, a partir da mesma microalga, cosméticos, fertilizantes “e até combustível de avião”. A partir de uma única espécie da biodiversidade.




O pensamento vai para o início da década de 1980, quando o autor destas linhas gravou o documentário Amazonas, a pátria da água, com roteiro do poeta Thiago de Mello. Saímos de Manaus pelo Rio Amazonas num barco, entramos pelo Rio Nhamundá e algumas horas depois chegamos a um lugar chamado pelos moradores das redondezas de Lago da Serra do Espelho da Lua – um lago coberto de flores brancas, únicas por ali, o primeiro lugar que a Lua banhava com seus raios em noites de plenilúnio, quando surgia atrás da montanha. E, diziam eles, esse era o lugar em que as amazonas se banhavam. Da janela do barco, noite mais alta, era possível olhar e ver ao redor 360 graus de estrelas e de Lua, no céu e na água.




A parada seguinte foi na aldeia dos índios maués, que haviam sido os descobridores das propriedades alimentares do guaraná nativo, conhecimento que transmitiram aos portugueses no século 17, sem nada receber por isso. Quanto vale hoje na indústria de refrigerantes esse conhecimento sobre a biodiversidade, que, segundo os maués, lhes foi transmitido pelo deus que os criou? (É o que está em discussão hoje no projeto de acesso a recursos genéticos e a seu conhecimento por povos indígenas e tradicionais.) Ali, entre os maués, documentamos o ritual da tucandeira, em que jovens dançam, num ritual de passagem, com a mão enfiada numa luva de palha onde foram colocadas centenas de formigas tucandeiras enfurecidas.




Tudo isso faz parte do modo de vida, que inclui o conhecimento da biodiversidade. E este é fundamental, como lembra o biólogo Rômulo Batista, da Companhia da Amazônia, do Greenpeace Brasil (Ecológico, fevereiro de 2015)): “O desmatamento da Amazônia é uma das possíveis explicações para essa preocupante escassez de águas no Sudeste. Devemos nos mobilizar e exigir dos nossos representantes que o Desmatamento Zero seja transformado em lei. Sem floresta não tem chuva”. E o desmatamento “aumenta as incertezas e os riscos para a produção de alimentos, seja perto ou longe das áreas desmatadas, em função das mudanças de temperatura e da alteração nos regimes de chuva.”




Mas seguimos fazendo de conta que não sabemos disso, nem de outras graves questões da perda da biodiversidade. Não continuamos a derrubar a floresta para abrir pastagens? Não continuamos a avançar, além do desmatamento, com hidrelétricas como a de Belo Monte, que exigirá a abertura de um canal de 100 km e está custando R$ 30 bilhões (Miriam Leitão, 7/3), mas em certos momentos não conseguirá gerar mais que mil megawatts, embora a propaganda diga que serão 11 mil megawatts?




E assim vamos. Este último projeto está ainda envolvido na Operação Lava Jato, em que dirigentes de empreiteira disseram que pagaram R$ 100 milhões a partidos políticos pela aprovação do contrato. Também por lá o Ministério Público Federal pede à Justiça que suspenda a licitação para concessão de manejo nas florestas públicas amazônicas de Itaituba I e II, porque contraria exigências legais – da mesma forma que outros projetos como esse, onde já foram constatadas irregularidades graves.




Quando aceitaremos que tudo está relacionado com tudo – como vemos inclusive agora, na notícia (Geophysical Research Letters, 24/2) de que um satélite da Nasa calculou em 27,7 milhões de toneladas anuais a quantidade de fósforo – essencial para a Floresta Amazônica – que é transportada em poeira do Deserto do Saara que atravessa o Atlântico, trazida pelos ventos?



Sempre será tempo.



* Washington Novaes é jornalista.



** Publicado originalmente no site O Estado de S. Paulo.

Nossa biodiversidade no centro da atenção

07/10/2016

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O desmatamento ainda é o principal responsável pelas emissões nacionais. Foto: Shutterstock
O desmatamento ainda é o principal responsável pelas emissões nacionais. Foto: Shutterstock
Por Washington Novaes*
Temos fechado os olhos para um futuro muito problemático para o nosso país.




São importantes as informações de que o Ministério do Meio Ambiente e outros órgãos se mobilizam diante de notícias que levantam preocupações por alguns ângulos na Amazônia. Uma delas é a de que o desmatamento ali pode estar em tendência de aumento, enquanto outras sugerem estabilização e até queda.




Algumas instituições, entre elas o Sistema Nacional de Estimativas de Emissão de Gases do Efeito Estufa (SEEG) e o Observatório do Clima, apontam para um “sinal amarelo” na área. Após queda de 2005 a 2010, as emissões por desmatamento mantiveram o patamar até 2014: 0,82 bilhão de toneladas de gás carbônico equivalente por ano.



Agora, as emissões por desmatamento fariam crescer a preocupação com o compromisso brasileiro de redução de emissões no âmbito da Convenção do Clima. De acordo com os últimos dados, o setor de mudanças no uso da terra emitiu entre 1990 e 2014 cerca de 56 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente, a maior parte por desmatamento em três biomas: Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica (65% na Amazônia). Com diversas ações governamentais, as emissões médias anuais haviam caído 13% em 2014, comparadas com as do ano anterior.




O desmatamento ainda é o principal responsável pelas emissões nacionais, com 42% (amazonia.org, 3/10). Pará e Mato Grosso concentram metade das emissões. Há poucas semanas (Valor Econômico, 4/8) o Ministério Público Federal do Pará começou a investigar esquema de desmatamento que envolveria até empresa de titular de cargo oficial.




Avanços no desmatamento significam ameaças aos 7 milhões de quilômetros quadrados (60% dos quais em território brasileiro) onde vivem 2,5 milhões de tipos de insetos, dezenas de milhares de espécies de árvores e mais de 2 mil animais entre peixes, anfíbios répteis e mamíferos – fora os desconhecidos. Em estudo recente, pesquisadores na Amazônia apontam estar ali o hábitat de ao menos 12 mil espécies de árvores (Amazônia.org, 25/7).




Várias instituições continuam a pesquisar formatos de valorizar produtos nativos da Amazônia, na tentativa de consolidar caminhos que possam contribuir para a valorização econômica e a preservação do bioma. É o caso do buriti, que vem sendo muito estudado no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) pelo cientista Afonso Rabelo e sua equipe, principalmente na área de doces e sorvetes. Com forte aceitação, da mesma forma que o pato no castamburi (buriti, castanha e tucumã). Ele lembra que só nas feiras de Manaus são comercializados 300 frutos regionais e seus produtos.
 Foto: Shutterstock
Foto: Shutterstock




Por outro ângulo, a jornalista Camila Faria enfatiza (Eco 21, agosto 2016) que, segundo um grupo internacional de pesquisadores, “a floresta com tipos diferentes de plantas se recupera melhor aos ser submetida a um aquecimento moderado” – e isso é vital para a biodiversidade. Tem também maior potencial de adaptação a mudanças do clima – a Amazônia é um “estudo de caso”.



A pesquisa Resilience of amazon forest emerges from plant trait diversity reforça “a importância da preservação da biodiversidade como instrumento de políticas públicas contra o agravamento da crise climática (…). A diversidade vegetal pode permitir que o maior ecossistema tropical do mundo se ajuste a certo nível de mudança climática – árvores que hoje são espécies dominantes, por exemplo, poderiam dar lugar a outras que seriam mais adaptadas às novas condições”.




Também é um bom sinal que se amiúdem estudos sobre a riqueza e a importância nutricional da biodiversidade brasileira. Como é o caso dos peixes, que hoje representam apenas 1,69 quilo no nosso consumo anual por habitante, enquanto os importados chegam a 2 quilos por habitante/ano – e ainda assim 55% do consumo é fora de casa. Compradores em feiras e mercados exigem que o peixe já venha sob a forma de filé.




Segundo o biólogo Fernando Reinach, “cientistas observaram que basta remover 10% da floresta de uma bacia hidrográfica para que entre 20% e 40% da biodiversidade desapareça. E essa perda de biodiversidade aumenta gradativamente, à medida que a região em volta da floresta remanescente é desmatada”.



Uma conclusão: “Se queremos preservar 80% da biodiversidade da Amazônia, a fração da área que poderia ser desmatada é significativamente menor que os 20% permitidos hoje pelo Código Florestal”. Ou seja, temos fechado os olhos para um futuro muito problemático para o País; porque uma floresta intacta, localizada numa região onde o desmatamento pode ser de 20% da área total, perde entre 39% e 54% de seu valor como área de conservação da biodiversidade.




Pode ser ainda mais grave se se levar em consideração notícia recente (geodireito, 26/9) de que já haveria “estimativa maior de desmatamento”. Uma revisão do desmatamento entre 2014 e 2015 teria mostrado que o corte raso nas florestas da região alcançou 6.207 quilômetros, ou seja, 6,45% mais que os 5.831 km2 até aqui conhecidos. Essa estimativa reajustaria de 16% para 24% o aumento do corte na Amazônia, em comparação com o período de 2013 a 2014, que foi de 5.012 km2.




Há preocupações vindas também de fora. Uma ONG holandesa quer criar “um corredor gigante de biodiversidade no Brasil, com 2,6 mil quilômetros contínuos e até 40 quilômetros de largura, 10,4 milhões de hectares e 2 bilhões de árvores plantadas” (Estado, 8/9). Outros estudiosos já discutem modelos de desenvolvimento para o Brasil que tenham seu centro em projetos de valorização da biodiversidade e de novos produtos para o mercado que tenham esse ponto de partida.




É também preciso dar muita atenção ao secretário executivo da Convenção da Diversidade Biológica da ONU, o cientista brasileiro Bráulio Dias (Estado, 11/9): o Brasil pode perder o acesso a recursos genéticos para várias áreas se não ratificar o Protocolo de Nagoya, que regula essa matéria. (O Estado de S. Paulo/ #Envolverde)


* Washington Novaes é jornalista (e-mail: wlrnovaes@uol.com.br).




** Publicado originalmente no site O Estado de S. Paulo.

Poluição Do Ar Pode Causar Derrame E Ataque Cardíaco, Alerta A OMS



 
 
 
Campanha global “Respire Vida” foi lançada durante Habitat III, conferência das Nações Unidas em Quito; segundo agência da ONU, nove em cada 10 pessoas respiram ar que não é seguro.

 
 
 
 
Nove em cada 10 pessoas no mundo respiram ar que não é seguro, segundo a Organização Mundial da Saúde, OMS. E a poluição do ar pode causar derrames e ataques cardíacos. O alerta é da agência da ONU.
 
 
 
 
Para enfrentar o desafio, a OMS lançou a campanha “Respire Vida”. A iniciativa global da agência da ONU lançada durante a Habitat III. Em Quito, o coordenador de políticas públicas e saúde da OMS, Carlos Dora, explicou à Rádio ONU os riscos causados pela poluição do ar.
 
 
Infarto
 
 
 
 
“A gente está lançando essa campanha global, OMS e parceiros, porque não existe ainda uma conscientização da importância que o ar limpo tem para a saúde das pessoas. Até 15 anos atrás a gente achava que o problema da poluição do ar, a contaminação, era mais a causa de uma doença respiratória, câncer de pulmão se conhecia. Mas não se conhecia a dimensão completa do problema da poluição do ar que é, na verdade, uma das maiores causas de doença do coração, de ataque do coração, infarto do miocárdio, e doença cerebrovascular.”
 
 
 
 
Segundo Dora, hoje se sabe, através de “inúmeros estudos” que as “partículas entram no pulmão, mas também na circulação”, causando inflamação nos vasos sanguíneos, em um fenômeno semelhante ao colesterol e à pressão alta.
 
 
Soluções
 
 
 
 
Ele citou algumas soluções práticas, mencionando, por exemplo, andar de bicicleta, onde for seguro, e que em alguns locais da África e da Ásia, queimar lixo é uma das grandes causas de poluição.
 
 
 
 
“E também a poluição dentro das casas. Ainda há países africanos onde 95% da população usam lenha para aquecer a casa no inverno, para cozinhar, usa querosene para iluminar a casa, todos esses combustíveis são muito sujos. Até agora os serviços de saúde não estão aconselhando os indivíduos como eles poderiam reduzir o seu risco a poluição. E a gente devia e poderia.”
 
 
 
 
Dora afirmou que, a pedido dos governos dos países, que fizeram uma resolução na Assembleia Mundial da Saúde, a OMS aumentou muito a resposta à questão da poluição do ar.
 
 
 
 
Segundo um relatório da agência da ONU, 3,7 milhões de pessoas morrem todos os anos de doenças ligadas à poluição externa. Em 2012, a OMS calcula que o número de mortes chegou a 6,5 milhões, incluindo poluição interna e externa, o que corresponde a 11,6% do total global de óbitos.
 
 
 
Fonte: EcoDebate
 
 
 
 

BH sedia festival cultural grátis que promove gentileza e sustentabilidade





Serão atrações musicais, intervenções culturais, literárias, palestras e muito mais.



Entre os dias 26 e 30 de outubro, o Circuito Liberdade vai receber o Festival da Gentileza, com cinco dias de programação gratuita. O evento é uma parceria entre o Sustentarte e Verbogentileza, um projeto de ações digitais e de rua que tem o objetivo de inspirar um comportamento mais cuidadoso e gentil e contribuir para uma vida urbana melhor.






A principal atração do festival acontece no dia 26 de outubro, às 18h, quando a artista chinesa Candy Chang vai inaugurar o painel “Before I Die”, na Praça da Liberdade. O mural contém a frase “Before I die, I want to…” (antes de morrer, eu quero…) e fica disponível para que o público possa completa-lo. “Com mais formas de partilhar nossas esperanças, medos e histórias, as pessoas à nossa volta podem, não só ajudar-nos a construir melhores espaços, como a viver vidas melhores“, conta a artista, que já realizou uma primeira edição deste projeto em Nova Iorque.



Shows, palestras, projeção de poemas, dança, oficinas, feiras, piqueniques, entre outras atividades, completam a programação. Uma espécie de portal, de fitas coloridas com frases gentis, será instalado na praça para que as pessoas entrem – literalmente – no clima que propõe o Verbogentileza.



Entre as atrações musicais estão: o cortejo Bloco Magnólia com seu carnaval jazzístico dos anos 30; a fusão entre Jazz e Rhythm & Blues de Mark Lambert e Quinteto Radio Swing (USA); o Trio Bola Preta (MG) apresenta choro e música brasileira; e o Fancy Trio, com uma violinista sérvia, uma flautista russa e uma chilena violoncelista que falam a mesma língua – a música erudita.



A dança será embalada pelo grupo BeHoppers, que leva a cena hooper e o swing jazz do Lindy Hop ao público. E a dançarina Maíra Rodrigues convida para o projeto “Dançando na rua”, com aulas coletivas de salsa cubana, os dançantes conhecem o próprio corpo e o corpo do outro. O prédio do Espaço UFMG será um grande projetor de poemas urbanos e imagens de gentileza.



O evento ainda conta com palestras sobre os temas gentileza, sustentabilidade e literatura também. Fabrício Marques fala sobre “Literatura e memória urbana” e “Novas escritas: a cidade que se desenha”. A Manto Produções traz um bate-papo sobre família e um Piquenique na Praça da Liberdade. E uma feira de produtos sustentáveis, gastronomia e artesanato disponibiliza o consumo sustentável à programação do Festival da Gentileza, em frente ao Memorial Minas Gerais.



O Ministério da Cultura gentilmente apresenta o Festival da Gentileza, que conta com as marcas gentis Cielo, Copasa e Drogaria Araujo; o apoio gentil do Consulado Americano em Minas Gerais e Fundação Assis Chateaubriand. Uma parceria verbogentileza – projeto da Do Brasil Projetos e Eventos, Hardy Design e Dois Arquitetura e Design – e Sustentarte – projeto



Fonte: Ciclo Vivo

Projeto incentiva cultivo de alimentos orgânicos na calçada



A experiência fortalece os laços entre os vizinhos.

Uma das desculpas para as pessoas não plantaram nos centros urbanos é a falta de espaço. Mas, se for reparar, há sempre um cantinho na rua com potencial para o plantio. Qualquer mudinha já ajuda. E é com esse olhar atento que o grupo “Food is Free Project” incentiva a produção de pequenas hortas urbanas pelas cidades.
 
 
A ideia é que as pessoas tornem-se menos dependentes do atual sistema agrícola: plantem alimentos em frente de suas residências, ofereça gratuitamente e convide os vizinhos a fazerem o mesmo – fortalecendo os laços na comunidade. O projeto nasceu em Austin, Texas, mas já está se espalhando em outras regiões dos EUA.
 
 
“Menos de 3 meses depois, a maioria dos vizinhos começaram a cultivar hortas comunitárias também. Estamos documentando o processo à medida que continuamos a expandi-lo. Também vamos compartilhando nossos erros e acertos”, afirmam os idealizadores.
 
 
Para quem quer começar e não sabe como, veja o pdf (em inglês) que o grupo disponibiliza: Food is Free Project.
Fonte: Ciclo Vivo

Um ano do desastre ambiental de Mariana

quarta-feira, 26 de outubro de 2016


Denúncia do Ministério Público mostra ação da Justiça, mas não resolve o problema das vidas assoladas pela lama.

 
 
 
Linhares e Colatina (ES) – No próximo dia 5 de novembro, completa-se um ano desde o crime ambiental – o maior da História do Brasil – cometido pela mineradora Samarco, controlada pelas gigantes Vale e BHP Billiton, que destruiu os vilarejos de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, no município de Mariana, deixou 19 mortos, centenas de desabrigados, poluiu o Rio Doce e desencadeou uma série de prejuízos econômicos em Minas Gerais e Espírito Santo que atingiu principalmente os mais pobres. 
 
 
 
Durante o ano de 2016, Plurale em Site e Plurale em Revista acompanharam o caso e estiveram em Mariana e municípios banhados pelo Rio Doce – em Minas Gerais e Espírito Santo – para conhecer o testemunho de quem foi atingido pela tragédia, além de cobrar as mineradoras e o Poder Público quanto a medidas para punir os culpados e reparar os danos causados. De uma forma geral, a constatação é de que pouco foi feito desde novembro do ano passado, tanto do ponto de vista social, quanto ambiental.
 
 
O sinal da tragédia ainda ronda Mariana. Os desabrigados ainda vivem na cidade, em imóveis alugados pela Samarco, a maioria tendo como único ganho o cartão com salário mínimo e cesta básica pagos pela empresa. A medida paliativa, anunciada pouco após o desastre, não repara a perda de quem tinha ganhos muito maiores com suas profissões. Imóveis e veículos foram indenizados em preço de tabela, muito abaixo do que poderiam valer em negociação. Os R$ 100 mil em caso de morte não reparam a dor da perda. Em Mariana, no Vale do Rio Doce ou no litoral capixaba, a sensação de injustiça permanece, mas a revolta ou a desolação dão lugar à certeza de que é preciso seguir a vida e lutar na Justiça e no dia a dia, a fim de recuperar a qualidade de vida e o meio ambiente.
 
 
 Dos gabinetes do Judiciário, a última notícia é a denúncia, pelo Ministério Público Federal (MPF), de 21 pessoas por homicídio qualificado (entre outros crimes como lesão corporal, dano a patrimônio público e privado e ao meio ambiente), entre elas o presidente licenciado da Samarco, Ricardo Vescovi, além de outros diretores da mineradora, da Vale e da BHP. A ação é resultado de uma força-tarefa que constatou que os investigados sabiam dos riscos do rompimento das barragens e não teriam investido adequadamente na segurança das estruturas que abrigavam os rejeitos de minério. Tampouco teriam sido transparentes em relação à integridade das barragens. Os acusados podem ir a júri popular e estão sujeitos a até 54 anos de prisão. Entretanto, a morosidade da Justiça e a noção de que a punição não recupera o que foi perdido, põe as personagens dessa história diante de desafios mais pragmáticos e cotidianos: recuperar bens, renda, meio ambiente e um local para viver.
 
 
Os novos vilarejos. Promessa vai sair do papel?
 
 
A dúvida paira, entre os desabrigados de Mariana. A Samarco promete e construção de novos distritos para substituir Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, provendo casas e estrutura para que as vítimas possam voltar a viver próximas de onde moravam. Segundo as empresas, os locais estão escolhidos e foram definidos de acordo com a vontade de seus futuros moradores. De acordo com José do Nascimento, 71 anos, aposentado e presidente da Associação de Moradores de Bento Rodrigues, o projeto foi apresentado e foi escolhido um terreno próximo de Mariana. “O ano foi ruim demais, todo mundo viveu do cartão e das indenizações. 
 
 
 
A reconstrução do distrito seria um alento maior”, afirma. Antônio Pereira, 47, motorista, é mais cético. “Quanto mais o tempo passa, mais todo mundo esquece a tragédia e finge que é menor o dano que foi causado.”
 
 
 
A dona de casa Cleonice Rezende contesta a boa intenção da Samarco. Para ela, é inaceitável que dezenas de famílias sobrevivam com um salário mínimo. “Minha família tirava mais que isso no mês. E nenhuma indenização repara a história que foi perdida na lama de Bento Rodrigues.” A mulher inclusive, relata que a família retornou algumas vezes ao vilarejo submerso em lama para encontrar seus bens. “Achamos uma mesa que tinha sido feita na nossa casa, pelo meu marido.”
 
 
Plurale procurou a Samarco para questionar sobre o prazo e a execução das obras dos novos distritos, além de sobre a continuidade das medidas de reparação dos danos sociais e ambientais. Até o momento, não houve resposta. O IBAMA, em recente coletiva, criticou a lentidão das obras, enquanto a Samarco assegurou que o cronograma está sendo seguido.
 
 
Prejuízos na agricultura e na pesca
 
 
 
Ao longo do Rio Doce, toda a cadeia produtiva que dependia da bacia hidrográfica do leste de Minas Gerais e do estado do Espírito Santo foi severamente prejudicada. A pesca, principalmente, foi atingida de forma irreparável neste último ano. Por centenas de quilômetros, ribeirinhos foram impedidos de pescar e ficaram à mercê do cartão da Samarco, tornando-se mais um grupo de famílias que ficou relegado a receber um salário e pouco mais de R$ 400 de cesta básica. Na alta temporada da pesca, a atividade costumava render R$ 4 mil por família, de acordo com os trabalhadores.
 
 
 
 
O engenheiro especialista em gestão de recursos hídricos do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), César Carvalho, afirma que a crise hídrica provocada pela tragédia impacta até hoje a região. Contudo, programas de irrigação e a perfuração de poços artesianos atenuaram o problema e mantiveram a agricultura na ativa. O mesmo não pôde ser feito com a pesca. “Foi o setor econômico mais afetado, pois até a presente data a população não tem garantias de consumo saudável do pescado e a atividade vem retornando suas atividades de uma forma não atestada.”
 
 
 
 
Muitos pescadores estão voltando a pescar sem qualquer laudo oficial que os autorize, no desespero para recuperar a renda perdida. De acordo com o pescador do município de Linhares Leoni Carlos, 69 (foto), além da falta de renda, a inatividade acarreta prejuízos. “Barco parado gera despesa. É propriedade, tem imposto. Além disso, a inatividade prejudica a madeira, os materiais, a estrutura toda.” O trabalhador, que não está pescando, diz entender a situação dos colegas. “Muitos têm família para sustentar e há, inclusive, quem, mesmo cadastrado como pescador, não tenha recebido o cartão da Samarco. A gente liga e o pessoal da empresa afirma que essa pessoa ‘não se enquadra no perfil’, sem mais explicações.”
 
 
 
 
O Fundo Renova, responsável pelo contato com a população para ressarcimento e assistência às vítimas, pertence à própria Samarco e é representado pela mesma assessoria, que ainda não retornou á Plurale.
Fonte: Envolverde

Agro em Questão: Alimentos saudáveis

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Ministério do Meio Ambiente
Conselho Nacional de Recursos Hídricos
SECRETARIA EXECUTIVA


Agro em Questão: Alimentos saudáveis
http://www.cnabrasil.org.br/sites/default/files/img_agroemquestao.jpg
Data: 01/11/2016

A CNA vai propor um debate sobre "Produção Orgânica e Produção Convencional: Diferentes formas de produção. A mesma qualidade", no evento AGRO EM QUESTÃO: ALIMENTOS SAUDÁVEIS. 

DIA 1º DE NOVEMBRO DE 2016

NA Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)
SGAN Quadra 601 Módulo K Ed. Antonio Ernesto de Salvo - Brasília, DF






Atenciosamente,
Secretaria Executiva
(61) 2028-2076
Consulte a Agenda de reuniões do Conselho em nossa página na internet:
Antes de imprimir, pense em seu compromisso com o Meio Ambiente.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

O remédio para um planeta doente está nas florestas



terça-feira, 25 de outubro de 2016


As mudanças climáticas de origem antrópica têm apresentado seus efeitos em extremos climatológicos no Brasil, como a intensificação severas tempestades e tornados no Sul, secas prolongadas no Sudeste e a mudança do ciclo das chuvas na Amazônia, diminuição no número de rios perenes e em seus volumes hídricos. Os riscos são imensos de um colapso ambiental.

O que era alarmismo para setores da sociedade e, inclusive no universo científico, se revela uma triste realidade que vagarosamente se instala em muito pela morosidade aflitiva das ações governamentais em mitigar a situação já preestabelecida, com seus infindáveis acordos do clima e quase nenhuma atividade prática e permanente.
As florestas foram surgindo dentro do cenário científico como biomas complexos e fundamentais para a manutenção da vida planetária. O que foi entendido durante séculos como algo a ser explorado e mesmo erradicado, pois se tinha como nociva ao desenvolvimento econômico, as matas são hoje compreendidas com a redenção planetária.
O conceito místico de “árvore da vida”, que precede a alegoria bíblica com a visão de ‘paraíso’, é encontrado entre os babilônicos e egípcios antigos entre outros povos. Ou seja, o simbolismo da árvore sempre esteve ligado a algo sagrado e íntimo à vida, a existência de todas as espécies.
Como ramos distintos de uma mesma árvore, a ciência comprova o religioso. As primeiras plantas que surgiram no ambiente terrestre há 470 milhões de anos e passaram a mudar o clima terrestre ao sequestrar dióxido de carbono da atmosfera e depositar uma quantidade imensa de oxigênio na atmosfera.
O fóssil de árvore mais antigo já encontrado data de 385 milhões de anos, de uma provável floresta tropical estabelecida na latitude da Inglaterra. A espécie não tinha folhas, era basicamente o tronco e galhos. Contudo absorvia dióxido de carbono e ajudava a esfriar o planeta. Uma coisa é dada com certa pela ciência, entre 251 milhões e 199 milhões de anos atrás a Terra estava coberta de árvores e plantas com flores.
Os primeiros vegetais terrestres são ancestrais do musgo moderno, que se espalharam pelas encostas rochosas e úmidas. O alimento era extraído dessas superfícies, como o cálcio, magnésio, fósforo e essas criaturas geravam reações químicas.
Essa pesquisa feita pelas universidades de Exeter e Oxford, ambas sediadas no Reino Unido, essas atividades químicas, em larga escala, levaram ao surgimento da vida como existe hoje.
“Esse estudo demonstra o poder que as plantas têm no clima. Mas, apesar de elas continuarem esfriando a Terra até hoje ao reduzir os níveis de dióxido de carbono, elas não conseguem acompanhar a velocidade com que o ser humano produz o CO2. Na verdade, seriam necessários milhões de anos para que o CO2 que nós produzimos fosse processado pelas plantas”, afirmou Tim Lenton, um dos autores da pesquisa ‘First plants cooled the Ordovician’, publicada na revista Nature Geoscience em 2012.
Conflito homem versus natureza
O conflito entre homem e natureza foi se agravando ao longo dos milênios até alcançar os dias atuais. Os extremos climáticos, um dos efeitos do aquecimento global, criou uma nova realidade mundial que exige uma resposta dos governos numa realidade incompatível com o cipoal burocrático e de interesses diversos aos quais estão envolvidos.
Entretanto, a iniciativa privada se antecipou na aplicação de soluções exibidas para o problema e hoje consegue dar exemplos a todo o planeta de como o conceito de sustentabilidade, de preservação e conservação podem acompanhar harmoniosamente o desenvolvimento econômico e produtivo.
O cuidado com o meio ambiente natural atraí valores que acabam agregados às empresas, marcas e produtos. Dentro de seus projetos de sustentabilidade passaram a ações decisivas, como áreas preservadas intocadas, restaurar outras degradadas na recomposição de biomas nativos, criação de núcleos de estudos sobre a flora, fauna, atendimento às populações nativas entre uma infinidade de outras atividades.
O empresariado teve a sensibilidade para compreender que o mundo clama por atitudes neste sentido e o mercado reage positivamente quando essas novas interferências restauradoras e de harmonização são apresentadas.
“No passado a gente deixou aos políticos e trabalhadores sociais a solução dos problemas do mundo, e os negócios somente criavam empregos e riqueza. Penso que agora muitos líderes de negócios tem se dado conta de que todas as empresas devem tornar-se uma força para o bem”, como salientou o fundador e CEO do Grupo Virgin, o megaempresário britânico Richard Branson.
Metade das florestas destruídas
Desde o início do processo civilizatório humano se devastou algo em torno de 46% de todas as árvores existentes. Os níveis de destruição não desaceleraram mesmo com os alertas mundiais e as consequências das mudanças no clima já sentidas. O desflorestamento e outras práticas ilegais contribuem por ano para a perda de 15 bilhões de árvores. Só na Amazônia brasileira são 3 milhões por dia.
O apelo de Branson parece ter surtido efeito. Atualmente, o melhor exemplo vem do setor privado e das empresas engajadas no objetivo de constituir um planeta melhor, onde a vida prospere sob alicerces científicos e responsabilidade socioambiental.
O cientista do Centro de Ciência do Sistema Terrestre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e uma das maiores autoridades mundiais em ciências da terra, Antonio Donato Nobre, é dos que tem alertado para a necessidade de se preparar para o novo modelo de clima na região e sobre a necessidade urgente de ações mitigadoras.
“Existe uma vasta literatura sobre o assunto, os eventos extremos vão aumentar de frequência e intensidade com as mudanças climáticas globais. Temos pelo menos 20 anos de alertas dados. Não era mais fácil termos cuidado do clima planetário, termos preservado nossas florestas, termos replantado o que foi destruído?”, questionou Nobre.
Um remanescente que se traduz em esperança
A resposta ao questionamento do cientista está sendo dada pela Votorantim. Ela tomava forma desde os anos 50, quando o empresário Antonio Ermírio de Moraes, resolveu comprar cerca de 250 títulos de propriedade na bacia do rio Juquiá, no Vale da Ribeira. Nesta época, a economia do pós-guerra avançava sobre os recursos naturais com a mesma voracidade que bombas e tanques variam cidades e país do mapa mundial. Conservacionismo era a antítese da nova ordem global, voltada à reconstrução e o estabelecimento de um novo ciclo industrial.
No entanto, ele construiu as sete hidrelétricas que necessitava dentro da área para abastecer a Companhia Brasileira de Alumínio. E surpreendeu ao deixar a floresta intocada em seus 310 quilômetros quadrados – atualmente o maior segmento contínuo de Mata Atlântica existente.
Surgia então, localizada entre a Serra de Paranapiacaba e os Parques Estaduais da Serra do Mar e do Jurupará, uma das mais ousadas ações ambientais do Brasil e exemplo hoje a ser exportado para o mundo. Surgia ali o que mais tarde seria denominado de reserva ambiental particular.
Estabelecida oficialmente em 2011, num acordo com o governo de São Paulo a Reserva Votoratim-Legado das Águas será aberta para visitação pública em 2017 e turismo científico, num leque imenso de possibilidades ainda estudadas e projetadas. Entretanto, houve um caminho a ser percorrido até se alcançar esse estágio.
Em 2012, teve inicio no local os primeiros estudos científicos e por meio de uma parceria com o governo paulista houve a condições de combinar a proteção ambiental e a utilização dos recursos naturais de forma sustentável. Desta maneira serão possíveis ações de geração de renda, trazendo desenvolvimento as comunidades e melhorias na qualidade de vida dos habitantes da região, onde se encontram os três municípios abrangidos pela reserva, Juquiá, Miracatu e Tapiraí. Todos eles possuem Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) abaixo da média nacional.
Interesse científico
O Legado das Águas corresponde atualmente a 1,5% de toda a Mata Atlântica residual no território de São Paulo. Por ter sido preservada por mais de meio século, sua biodiversidade guarda espécies raras e endêmicas de animais, flores, árvores dentro da mata com um dos biomas mais complexos e ricos do planeta.
O interesse científico por esse trecho da Mata Atlântica é hoje proporcional à importância de sua preservação. A reserva Legado das Águas tem um plano estratégico de gestão, no qual as pesquisas científicas sobre flora possibilitaram a publicação do primeiro guia de espécies de Mata Atlântica e o mapeamento genético de 50 espécies do lugar.
A fauna é alvo de pesquisas como o mapeamento de carnívoros, além de estudar exclusivamente o macaco muriqui, uma espécie endêmica da Mata Atlântica e em risco de extinção. Desde o inicio em 2011 mais de 45 pesquisadores, contando turmas de graduação, mestrado e doutorado produziram trabalhos junto à reserva. Alguns estudos mostraram que 75% da área estão em excelente estado de conservação e os outros 25% se encontram em regeneração.
A empresa Votorantim mantém uma infraestrutura para pesquisadores interessados em conduzir projetos de conservação ambiental. Entre eles se encontra a pesquisa sobre Conservação dos Carnívoros Neotropicais, que contempla as onças-pintadas e pardas. Também são estudadas espécies da flora nativa, que possibilitou a criação de um viveiro de mudas e avanços em estudos sobre as orquídeas. Outro aspecto científico importante é o mapeamento genético da biodiversidade local.
Além de ser o ambiente propício para a realização de estudos e pesquisas permanentes sobre a fauna e a flora, essa reserva deve ter ainda atividades nas áreas de educação ambiental, compensações florestais, biotecnologia, turismo ecológico e científico.
A direção da reserva já colocou em prática os primeiros ensaios sobre o potencial turístico da região, que busca estabelecer uma estreita integração com as prefeituras dos municípios com territórios integrados na área de reserva. Para essa proposta se concretizar, tem auxiliado na aplicação de programas de melhoria da gestão pública e trabalhos com a comunidade.
Em dezembro do ano passado foi revalidado o protocolo de intenções assinado em 2012 com o governo de São Paulo. Entre as novidades está o foco no viveiro de mudas, no qual serão multiplicadas espécies a partir de matrizes selecionadas dentro da floresta da reserva.
Essa será a primeira experiência que envolverá as comunidades locais. E um de seus objetivos é contribuir na eliminação da coleta clandestina de espécies muito visadas comercialmente, como palmitos-juçara e orquídeas.
Outra proposta no uso comercial da reserva com incrementos no meio ambiente natural é o arrendamento de áreas para compensação ambiental, atualmente prevista na nova composição do Código Florestal. A proposta é oferecer 1 mil hectares da área da reserva para empresas com demandas voltadas a compensação ambiental. Esse segmento ainda é insipiente no país, mas tende a crescer e tornar-se um modelo para a conservação florestal.
Aporte de recursos
Em 2015, a Reserva Votorantim – Legado das Águas recebeu investimentos na ordem de R$ 7 milhões. No entanto, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento no valor de R$ 43 milhões à Votorantim S.A. para projeto pioneiro de gestão com sustentabilidade econômica e ambiental.
O investimento total do projeto é de R$ 52 milhões, o qual possibilitará desenvolver pesquisas científicas sobre a flora e a fauna com universidades, implementar o Plano de Manejo da Reserva, criar infraestrutura para visitação, gerar emprego e renda para a comunidade da região e instalar uma Estação de Tratamento de Esgotos e outra de Tratamento de Água.
Uma das principais atividades do projeto será a restauração de áreas com espécies nativas em 810 hectares, com técnicas de plantio total, de enriquecimento da flora e sistemas agroflorestais. Para o fortalecimento desta nova cadeia produtiva, voltada para restauração do ambiente natural, parte dos investimentos será voltada aos viveiros de mudas.
No financiamento concedido à Votorantim S.A. serão utilizados recursos ordinários do Banco e do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (FNMC), no âmbito do Programa Fundo Clima.
Na Reserva Votorantim – Legado das Águas foi constatado a presença de animais como a jaguatirica, onça parda, anta-albina, lagarto teiú, macacos muriquis do sul, diversas espécies de aves, todos considerados raros e importantes para o equilíbrio ecológico local.
O projeto apoiado pelo BNDES i contribuirá tanto para a proteção da biodiversidade e dos recursos hídricos, como na formação de um corredor ecológico na Mata Atlântica entre parques estaduais e áreas de proteção ambiental.
A direção da reserva espera que o projeto inove no segmento de gestão de reservas ambientais, podendo ser adotado como modelo em outros biomas existentes no território nacional. (#Envolverde)
* Júlio Ottoboni é jornalista diplomado, pós-graduado em jornalismo científico com especializações em Águas Atmosféricas, Geomagnetismo, Astrofísica e tem mais de 30 anos de profissão.

Fonte: Envolverde

Brasil tenta regular novo mercado de carbono

Por Claudio Angelo, do Observatório do Clima

O Palácio Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores. Foto: Expedia.
O Palácio Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores. Foto: Expedia.


Alguém aí se lembra do mercado de carbono? Após passar por maus bocados na última década, quando ganhou o apelido de “pior commodity do mundo”, o CO2 deve ressuscitar para o sistema financeiro global nos próximos meses, com a entrada em vigor do Acordo de Paris.E o Brasil quer ditar regras para sua comercialização: no começo do mês, o governo brasileiro submeteu à Convenção do Clima das Nações Unidas duas propostas de regulamentação do artigo do Acordo de Paris que trata dos mecanismos de comércio de emissões. 
 
 
O país quer discutir as propostas durante a COP22, a conferência do clima de Marrakesh, que começa em exatas duas semanas, no próximo dia 7.Grosso modo, o que o Brasil quer é evitar que créditos de carbono “podres” ponham todo o sistema abaixo e impeçam o mundo de atingir as metas do acordo do clima.O temor é justificado por dois fatores: primeiro, de agora em diante, todos os 195 países-membros da ONU mais a União Europeia poderão comprar e vender créditos de carbono. 
 
 
 
Depois, como as metas de redução de emissões são todas estabelecidas domesticamente – ou seja, cada país corta carbono e mensura esses cortes como bem entende – há um risco real de que alguns lancem no mercado créditos por emissões que não estão reduzindo de verdade. Isso seria um desastre para o próprio mecanismo, mas, sobretudo, para a atmosfera.Como em tudo que diz respeito a negociações de clima, porém, o diabo mora nos detalhes. 
 
 
 
Se por um lado a necessidade de botar ordem no galinheiro dos créditos de carbono dificilmente será contestada, por outro há diversas maneiras possíveis de fazer isso. E a interpretação do Brasil sobre o que deve ser permitido ou não nesse mercado provavelmente encontrará resistências.Uma delas já desponta em parte setor ambiental, uma vez que uma das submissões brasileiras deixa claro que projetos de redução de desmatamento (o chamado Redd+) não devem ser elegíveis para gerar créditos de carbono no chamado MDS (Mecanismo de Desenvolvimento Sustentável), criado pelo parágrafo 4 do artigo 6 do Acordo de Paris.
 
 
 
 
O MDS, nas palavras de uma fonte do governo, é imaginado pelo Brasil como um “ultra-esquema de certificação”, por meio do qual qualquer empresa, governo subnacional ou país que adote formas mais baratas e seguras de reduzir emissões poderá comercializar créditos de carbono num mercado internacional.Ele virá substituir o MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo), um dos chamados mecanismos de flexibilização do Protocolo de Kyoto. 
 
 
 
 
O Brasil tem um xodó histórico pelo MDL, que se originou de uma proposta brasileira na conferência de Kyoto, em 1997. Pelo mecanismo, países desenvolvidos com metas de redução de emissões a cumprir podiam financiar projetos de plantio de florestas ou de energia limpa em países em desenvolvimento, onde em tese é mais barato fazer essas reduções. Esses projetos geram créditos, transacionáveis no mercado.



Carbono Florestal
Por resistência do Itamaraty, o governo federal barrou a inclusão da conservação de florestas nativas no MDL. O argumento de fundo era uma questão de soberania: a Amazônia pertence ao Brasil e não deve ser objeto de mercado internacional – se quisermos desmatar até o último palmo de floresta para bancar nosso “desenvolvimento”, ninguém tem nada com isso. A justificativa prática era que botar uma cerca numa floresta (que poderia pegar fogo ou ser desmatada depois) era um jeito muito fácil de países industrializados se livrarem de fazer seu dever de casa e cortar emissões domesticamente no setor de energia. Várias ONGs encamparam esse argumento. As florestas ficaram fora do mercado em Kyoto.



Em vez de pagar pelo desmate evitado, os países ricos pagariam pelas reduções no desmatamento que fossem verificadas nos países pobres. 
No entanto, como o desmatamento respondia por mais de 10% das emissões mundiais, o tema acabou entrando na pauta na forma do Redd+, ou redução de emissões por desmatamento. Em vez de pagar pelo desmate evitado, os países ricos pagariam pelas reduções no desmatamento que fossem verificadas nos países pobres.



 Como não havia legalmente maneira de abater isso das metas dos países ricos, o Redd+ acabou virando um mecanismo voluntário, que funciona por meio de doações. Um exemplo é o Fundo Amazônia, mantido sobretudo com dinheiro norueguês.



Com a substituição de Kyoto pelo Acordo de Paris, diversos atores, como governos estaduais, ONGs e projetos comunitários e privados de Redd+ esperavam ver uma explosão de recursos para florestas num novo mecanismo de mercado. Caso a proposta brasileira seja aprovada em Marrakesh, esses atores se frustrarão em sua expectativa.



“É triste ver que o governo brasileiro segue com a mesma posição de dez anos atrás, totalmente alheio ao que se passa na Amazônia”, disse Mariano Cenamo, do Idesam (Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas), organização que defende projetos de Redd+.
“O Brasil é dos países do mundo com maior potencial para Redd+. Está na hora de discutirmos de forma madura e transparente como vamos financiar a conservação de nosso maior ativo, nossas florestas”, afirmou André Guimarães, diretor executivo do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia).



O Itamaraty considera que o Redd+ é matéria vencida no Acordo de Paris: ele é regulamentado pelo artigo 5, que trata de florestas de maneira genérica, fazendo referência a acordos anteriores sobre o assunto. A interpretação do governo brasileiro desses acordos anteriores é que o Redd+ é um mecanismo nacional (ou seja, só o governo federal detêm a posse do “ativo”, que é o carbono contido nas florestas) e que os pagamentos por redução de desmatamento só podem vir de doações, como as do Fundo Amazônia, não de créditos transacionáveis.



Em outras palavras, para o governo brasileiro, se o governo da Califórnia quiser vir ao Acre e pagar pela conservação, tudo bem; mas, se o Acre quiser vender à Califórnia créditos de conservação em troca de uma dedução de carbono da meta californiana, isso não deve ser permitido. Isso, segundo o governo, foi um assunto encerrado na conferência de Cancún, em 2010, e é assunto que não deve ser reaberto.



“Isso é uma posição exclusiva do governo federal. Não se trata de nenhuma regra ou imposição da Convenção do Clima”, diz Cenamo. Segundo o Idesam, o Brasil teria potencial de captar bilhões de reais para reduzir o desmatamento por meio de créditos de Redd+. Os governadores da Amazônia, por sua vez, queixam-se de que têm “pago a conta” da redução da taxa de desmatamento, mas que seus esforços não têm sido compensados – e veem o Redd+ como forma de obter essa compensação.




“Acho uma pena que a oportunidade possa ser perdida de corrigir problemas com o MDL por ocasião da regulação do Acordo de Paris”, disse o físico Gylvan Meira Filho, do Instituto de Estudos Avançados da USP. Ele foi um dos autores da proposta brasileira original que deu origem ao MDL, e hoje vê a impossibilidade de geração de créditos por redução de desmatamento como um “problema” do sistema de Kyoto.




“Há uma confusão generalizada entre a [proteção de florestas e a] redução de emissões pela redução da taxa anual de desflorestamento e projetos específicos que, a meu ver, deveria poder ser contabilizada para a geração de créditos e comercializada dentro de cada país e, de acordo com as regras a serem estabelecidas pelo Acordo de Paris, para ser usada em outros países.  Tudo isso registrado, sem uso duplo de reduções.”




Comércio de emissões
A outra proposta brasileira diz respeito ao comércio de emissões entre países, possibilidade delineada pelo parágrafo 2 do artigo 6 do Acordo de Paris e que também tem análogo no Protocolo de Kyoto.

Se um país consegue reduzir suas emissões além da meta, ele pode transacionar o excedente no mercado, e países que não conseguiram reduzir tanto assim podem comprar esses créditos e deduzi-los da própria meta.
Esse mecanismo foi o que deu origem ao ETS, o mercado de carbono europeu. Se um país consegue reduzir suas emissões além da meta, ele pode transacionar o excedente no mercado, e países que não conseguiram reduzir tanto assim podem comprar esses créditos e deduzi-los da própria meta. Só que em Kyoto isso só era permitido entre países desenvolvidos. 
 
 
Em Paris, todos os países têm meta, então todo mundo pode comprar e vender.

A regra que o Brasil quer estabelecer é que só poderão ser transacionadas as emissões que estiverem abaixo da média reportada nos três últimos inventários nacionais de emissões. Assim, um país que tenha uma NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada) expressa em termos de desvio de trajetória (ou seja, projeta-se qual seria a emissão em 2030 se nada for feito e reduz-se em relação a essa projeção) precisará efetivamente entregar reduções de CO2 se quiser vender créditos.


De outra forma, seria possível projetar qualquer valor em 2030 e vender créditos inflados, uma espécie de título podre no mercado de carbono. O próprio Brasil fez essa mágica contábil em 2009, ao projetar suas emissões em 2020 assumindo um crescimento do PIB de 4% ao ano. Na época, porém, não era possível gerar crédito com a meta.


Se aprovada, a restrição proposta provavelmente reduzirá a quantidade de créditos passíveis de entrar no mercado, o que pode aumentar o preço da tonelada de CO2. Isso estimularia os países a operarem as reduções mais baratas logo, para ganhar dinheiro vendendo a commodity nas bolsas – acelerando a ação climática global. Mas o ponto principal é que ela ajuda a assegurar a chamada “integridade ambiental” do acordo, fazendo com que cada tonelada de carbono comercializada seja de fato retirada da atmosfera.


Ao mesmo tempo, e no mesmo documento, o Brasil propõe que certificados de redução de emissões (CER) gerados pelo MDL no Protocolo de Kyoto possam ser carreados para o Acordo de Paris para continuarem a ser transacionados. A Caixa Econômica Federal, por exemplo, possui certificados que acabariam “encalhados” se não fossem vendidos até o fim da vigência de Kyoto, em 2020.



O governo diz que a medida é importante para sinalizar ao setor privado que o que eles fizerem para cortar emissões terá continuidade. Mas outros países poderão enxergar nela a proverbial mão do gato: afinal, reduções feitas sob Kyoto se reportam a metas que já deveriam ter sido cumpridas antes da adoção das metas de Paris: não representam ambição adicional nenhuma para o novo acordo do clima.

Republicado do Observatório do Clima através de parceria de conteúdo. logo-observatorio-clima

Estudo descobre como nuvens de chuva se desenvolvem na Amazônia


Por Sabrina Rodrigues
Mistério sobre a formação de nuvens de chuva na Amazônia é desvendado. Foto: Henrique Castro/Flickr.
Mistério sobre a formação de nuvens de chuva na Amazônia é desvendado. 
Foto: Henrique Castro/Flickr.


Um estudo publicado pela revista Nature, nesta terça-feira (25), desvenda um mistério que durou 25 anos para os cientistas: como as nuvens de chuva na Amazônia se formam e se desenvolvem. “Para que as nuvens de chuva se formem, é preciso que existam partículas em suspensão - os aerossóis - que servem como núcleo para a formação das gotas”, afirma o físico Paulo Artaxo, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) e um dos autores da pesquisa.



Artaxo diz que as partículas que permitem a formação das chuvas se formam na alta atmosfera, a cerca de 15 quilômetros do solo, e não onde ele e outros estudiosos pensavam. A descoberta só foi possível devido à utilização do avião científico a jato, de longo alcance, que atinge até 18 quilômetros de altitude e ao Green Ocean Amazon (GoAmazon), projeto internacional que mapeia as emissões urbanas na atmosfera da floresta.

Fonte original: Estadão