segunda-feira, 19 de junho de 2017

O Estado de S. Paulo – A Convenção do Clima 25 anos depois / Artigo / José Goldemberg


Com suas desastradas decisões o presidente Trump conseguiu apenas isolar os EUA

Em junho de 1992 foi assinada no Rio de Janeiro a Convenção do Clima, durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, também conhecida como Rio 92, com a presença recorde de mais de cem chefes de Estado, incluindo o presidente dos EUA, e representantes de 179 países. Essa convenção foi o resultado de intensas negociações que se iniciaram no fim do governo Sarney, em 1989, e seguiram no governo Collor a partir de 1990.




O objetivo da Convenção do Clima, que é um tratado internacional, é estabilizar a composição da atmosfera e evitar que as atividades humanas interfiram de forma prejudicial e permanente no clima da Terra.



Existiam antes de 1992 inúmeros outros instrumentos nacionais e internacionais destinados a regular a emissão de poluentes e resíduos perigosos para o meio ambiente. O que fazer com o lixo urbano e os esgotos preocupa as autoridades públicas desde a Antiguidade, o melhor exemplo é o sistema de esgotos da cidade de Roma, a Cloaca Máxima, iniciado no século 4.º antes de Cristo e que existe até hoje.


A má qualidade do ar e da água, principal causa de doenças e pestes na Idade Média, foi sempre uma das principais preocupações das autoridades e deu origem, a partir de meados do século 20, à extensa legislação ambiental em vigor. Essas preocupações tomaram grande impulso com a Conferência de Estocolmo de 1972, que teve enorme repercussão e deu origem à criação de Ministérios de Meio Ambiente ou órgãos equivalentes na maioria dos países. 



Seu objetivo é minimizar os impactos resultantes dos poluentes que resultam da atividade humana no meio ambiente em nível local e regional.



Preocupações com a composição da atmosfera não faziam parte dessas atividades até 1992, quando, sob a influência de novas descobertas científicas, se tornou claro que a queima de combustíveis fósseis em grande escala lançava na atmosfera quantidades tão grandes de gases que estavam mudando a sua composição.


Há milhões de anos existia na atmosfera, além de oxigênio e nitrogênio, uma pequena quantidade de dióxido de carbono. Essa pequena quantidade, contudo, é essencial para regular a temperatura média da Terra e mantê-la em torno de 15 graus centígrados. Sem ela a temperatura média da Terra seria cerca de 15 graus abaixo de zero, o que tornaria difícil a existência da civilização como a conhecemos.


Se a quantidade de carbono na atmosfera aumenta, a Terra se torna mais quente, o que pode mudar muito as condições em que vivemos. E isso está acontecendo. Desde o início da revolução industrial, há dois séculos, a temperatura média já subiu mais de um grau pelo fato de a fração de dióxido de carbono na atmosfera ter quase dobrado.


Como os gases responsáveis pelo aquecimento global não respeitam fronteiras, era indispensável a colaboração de todos os países para enfrentar o problema. Esse foi o objetivo da Rio 92. A conferência foi um sucesso graças ao enorme esforço de vários governos, entre os quais o do Brasil, que não só a sediou, como foi extremamente atuante em convencer os grandes países industrializados (os principais emissores dos gases poluentes) a virem ao Rio de Janeiro e assinarem a convenção.


Passados 25 anos da assinatura, esta é uma boa ocasião para avaliar o seu sucesso. Há duas formas de fazê-lo: do ponto de vista de governos e do ponto de vista da sociedade.
Do ponto de vista dos governos, os progressos alcançados foram insatisfatórios, apesar das inúmeras tentativas feitas. O Protocolo de Kyoto, em 1997, tentou “dar dentes” à convenção, estabelecendo metas quantitativas e obrigatórias de redução das emissões para os países industrializados e isentando de metas os países em desenvolvimento. Não deu certo! A China, considerada um país em desenvolvimento, era um emissor modesto em 1997 e passou a ser o maior emissor mundial.


A Conferência de Paris, em 2015, tentou uma nova solução: cada país fixa voluntariamente suas metas de redução, mas, uma vez apresentadas, elas se tornam mandatórias. O conjunto de compromissos que os países submeteram ao Secretariado da Convenção do Clima após a Conferência de Paris não evitará um aquecimento gradativo do planeta, mas é um passo importante para reduzir esse aquecimento.


O governo brasileiro, desde 1992, apesar de ter sediado e apoiado o grande evento que foi a adoção da Convenção do Clima, adotou políticas contraditórias na sua implementação, usando o batido argumento de que o desenvolvimento econômico tem precedência sobre a proteção ambiental e que caberia às nações industrializadas arcar com os custos e as ações necessárias para reduzir as emissões. Essa política mudou para melhor nos últimos anos com a redução do desmatamento da Amazônia a partir de 2005 e levou a propostas adequadas de reduções voluntárias apresentadas à Conferência de Paris, conduzidas pela ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira, que contou com apoio significativo dos pesquisadores de São Paulo.


Os EUA – segundo emissor mundial, depois da China – não pretendem permanecer no Acordo de Paris, mas, na prática, as grandes indústrias americanas e muitos Estados importantes, como a Califórnia, já se programaram para as reduções, que serão efetivadas em razão do avanço inexorável da tecnologia e da adoção de energias renováveis (solar, eólica e outras). O que o presidente Trump conseguiu com suas desastradas decisões foi isolar os EUA, o que estimulou os demais países a redobrar seus esforços para reduzir as emissões.


Do ponto de vista da sociedade, a Convenção do Clima pode ser considerada um grande sucesso, por ter promovido a conscientização de um grave problema ambiental, cuja solução exige mudanças de processos produtivos, com redução do uso de combustíveis fósseis, e até dos nossos hábitos de consumo.


Valor Econômico – Seminário sobre clima debate crédito para projetos "verdes"


Por Daniela Chiaretti | Do Rio

O Brasil precisa encontrar recursos para financiar o corte nas emissões de gases-estufa e a adaptação aos impactos da mudança do clima. Mercados de créditos de carbono, taxação ao carbono sem aumento da carga tributária e instrumentos como "green bonds", os títulos de financiamento da dívida que podem apoiar projetos sustentáveis, vêm ganhando espaço nos debates.


"Hoje está claro que os US$ 100 bilhões ao ano para combater a mudança do clima nos países pobres, promessa dos países desenvolvidos nas negociações internacionais, não irão acontecer, e isso antes mesmo do anúncio de Donald Trump de sair do Acordo de Paris. O Brasil precisa atrair recursos", afirma Alfredo Sirkis, secretário-executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas e diretor do Centro Brasil no Clima, que organiza anualmente o seminário Rio Clima. Finanças climáticas foi tema-chave na edição da semana passada, o Rio Clima 2017.


"Há recursos no mercado internacional, mas investidores têm receio de vir para cá por medo de mudanças cambiais e de políticas públicas. Precisam de garantias", disse Sirkis.
Os títulos verdes brasileiros ("green bonds", títulos da dívida de empresas emitidos no mercado internacional e direcionados a projetos sustentáveis) somaram US$ 2 bilhões até janeiro. Dez grandes investidores, como Santander, Zurich Brasil, BrasilPrev e Itaú, entre outros, assinam uma declaração onde reconhecem o crescimento do mercado internacional de títulos verdes e indicam o instrumento "como um dos mecanismos para financiar soluções para as mudanças climáticas".


"Temos certeza que a transição vai acontecer. Só não sabemos o ritmo dela. Por isso precisamos de um preço forte do carbono", defendeu o professor Emilio La Rovere, da Coppe-UFRJ, durante o seminário. " Não vejo outro país com condições melhores para que a transição ao baixo carbono possa acontecer do que o Brasil", disse.



"O Brasil tem uma janela de oportunidade única. Para uma crise de dinâmica de investimento, em que a indústria perde por falta de produtividade e competitividade, com um déficit de infraestrutura impressionante, somos o país-chave para combater e nos adaptar à mudança climática", acredita Rogério Studart, ex-Banco Mundial e hoje na Brookings Institution. Segundo ele, os bancos de desenvolvimento China Development Bank e o KfW alemão, "tornaram-se lideranças de finanças sustentáveis e criam oportunidades de exportar a indústria de seus países".


"É preciso um novo modelo de negócios que possibilite canalizar investimentos para atividades sustentáveis. Precisamos de uma engenharia financeira para permitir a canalização de recursos e, com políticas claras, dar previsibilidade aos investimentos", disse Everton Lucero, secretário de Mudança do Clima e Florestas.



O climatologista Carlos Nobre lembra que a pecuária de baixa produtividade responde por cerca de 50% das emissões de gases-estufa brasileiras. "Aumentar a produtividade da pecuária é relativamente barato e diminui a pressão do desmatamento", disse. Para o cientista, se o Brasil aumentar de 1,3 para 2 cabeças de gado por hectare, o país cumpre sua meta no Acordo de Paris. "Seria uma pecuária mais sustentável e lucrativa. Para isso, no entanto, é preciso mudar a cabeça do pecuarista."

O Estado de S. Paulo – A Convenção do Clima 25 anos depois / Artigo / José Goldemberg


Com suas desastradas decisões o presidente Trump conseguiu apenas isolar os EUA




Em junho de 1992 foi assinada no Rio de Janeiro a Convenção do Clima, durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, também conhecida como Rio 92, com a presença recorde de mais de cem chefes de Estado, incluindo o presidente dos EUA, e representantes de 179 países. Essa convenção foi o resultado de intensas negociações que se iniciaram no fim do governo Sarney, em 1989, e seguiram no governo Collor a partir de 1990.



O objetivo da Convenção do Clima, que é um tratado internacional, é estabilizar a composição da atmosfera e evitar que as atividades humanas interfiram de forma prejudicial e permanente no clima da Terra.



Existiam antes de 1992 inúmeros outros instrumentos nacionais e internacionais destinados a regular a emissão de poluentes e resíduos perigosos para o meio ambiente. O que fazer com o lixo urbano e os esgotos preocupa as autoridades públicas desde a Antiguidade, o melhor exemplo é o sistema de esgotos da cidade de Roma, a Cloaca Máxima, iniciado no século 4.º antes de Cristo e que existe até hoje.



A má qualidade do ar e da água, principal causa de doenças e pestes na Idade Média, foi sempre uma das principais preocupações das autoridades e deu origem, a partir de meados do século 20, à extensa legislação ambiental em vigor. Essas preocupações tomaram grande impulso com a Conferência de Estocolmo de 1972, que teve enorme repercussão e deu origem à criação de Ministérios de Meio Ambiente ou órgãos equivalentes na maioria dos países. Seu objetivo é minimizar os impactos resultantes dos poluentes que resultam da atividade humana no meio ambiente em nível local e regional.
Preocupações com a composição da atmosfera não faziam parte dessas atividades até 1992, quando, sob a influência de novas descobertas científicas, se tornou claro que a queima de combustíveis fósseis em grande escala lançava na atmosfera quantidades tão grandes de gases que estavam mudando a sua composição.



Há milhões de anos existia na atmosfera, além de oxigênio e nitrogênio, uma pequena quantidade de dióxido de carbono. Essa pequena quantidade, contudo, é essencial para regular a temperatura média da Terra e mantê-la em torno de 15 graus centígrados. Sem ela a temperatura média da Terra seria cerca de 15 graus abaixo de zero, o que tornaria difícil a existência da civilização como a conhecemos.



Se a quantidade de carbono na atmosfera aumenta, a Terra se torna mais quente, o que pode mudar muito as condições em que vivemos. E isso está acontecendo. Desde o início da revolução industrial, há dois séculos, a temperatura média já subiu mais de um grau pelo fato de a fração de dióxido de carbono na atmosfera ter quase dobrado.


Como os gases responsáveis pelo aquecimento global não respeitam fronteiras, era indispensável a colaboração de todos os países para enfrentar o problema. Esse foi o objetivo da Rio 92. A conferência foi um sucesso graças ao enorme esforço de vários governos, entre os quais o do Brasil, que não só a sediou, como foi extremamente atuante em convencer os grandes países industrializados (os principais emissores dos gases poluentes) a virem ao Rio de Janeiro e assinarem a convenção.



Passados 25 anos da assinatura, esta é uma boa ocasião para avaliar o seu sucesso. Há duas formas de fazê-lo: do ponto de vista de governos e do ponto de vista da sociedade.
Do ponto de vista dos governos, os progressos alcançados foram insatisfatórios, apesar das inúmeras tentativas feitas. O Protocolo de Kyoto, em 1997, tentou “dar dentes” à convenção, estabelecendo metas quantitativas e obrigatórias de redução das emissões para os países industrializados e isentando de metas os países em desenvolvimento. Não deu certo! A China, considerada um país em desenvolvimento, era um emissor modesto em 1997 e passou a ser o maior emissor mundial.


A Conferência de Paris, em 2015, tentou uma nova solução: cada país fixa voluntariamente suas metas de redução, mas, uma vez apresentadas, elas se tornam mandatórias. O conjunto de compromissos que os países submeteram ao Secretariado da Convenção do Clima após a Conferência de Paris não evitará um aquecimento gradativo do planeta, mas é um passo importante para reduzir esse aquecimento.


O governo brasileiro, desde 1992, apesar de ter sediado e apoiado o grande evento que foi a adoção da Convenção do Clima, adotou políticas contraditórias na sua implementação, usando o batido argumento de que o desenvolvimento econômico tem precedência sobre a proteção ambiental e que caberia às nações industrializadas arcar com os custos e as ações necessárias para reduzir as emissões. Essa política mudou para melhor nos últimos anos com a redução do desmatamento da Amazônia a partir de 2005 e levou a propostas adequadas de reduções voluntárias apresentadas à Conferência de Paris, conduzidas pela ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira, que contou com apoio significativo dos pesquisadores de São Paulo.


Os EUA – segundo emissor mundial, depois da China – não pretendem permanecer no Acordo de Paris, mas, na prática, as grandes indústrias americanas e muitos Estados importantes, como a Califórnia, já se programaram para as reduções, que serão efetivadas em razão do avanço inexorável da tecnologia e da adoção de energias renováveis (solar, eólica e outras). O que o presidente Trump conseguiu com suas desastradas decisões foi isolar os EUA, o que estimulou os demais países a redobrar seus esforços para reduzir as emissões.


Do ponto de vista da sociedade, a Convenção do Clima pode ser considerada um grande sucesso, por ter promovido a conscientização de um grave problema ambiental, cuja solução exige mudanças de processos produtivos, com redução do uso de combustíveis fósseis, e até dos nossos hábitos de consumo.


sexta-feira, 16 de junho de 2017

EUA garantem ação em combate à mudança climática, mas fora do Acordo de Paris

terça-feira, 13 de junho de 2017


Os Estados Unidos confirmaram neste domingo (11) sua vontade, manifestada pelo presidente Donald Trump, de sair do Acordo de Paris, mas acrescentaram que pretendem continuar com os esforços para combater a mudança climática, durante a sua participação no G7 do Meio Ambiente que acontece até segunda-feira (12), em Bolonha, no nordeste da Itália.
 
 

Essas informações foram dadas aos meios de comunicação italianos por alguns dos participantes da cúpula, como o ministro do Meio Ambiente do Japão, Koichi Yamamoto, que assegurou que Scott Pruitt, diretor da Agência para a Proteção do Meio Ambiente (EPA, sigla em inglês) dos Estados Unidos, se mostrou favorável a trabalhar para reduzir as emissões de gases do efeito estufa.
 
 
A secretária-geral da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC, sigla em inglês), a mexicana Patricia Espinosa, disse que Pruitt quer continuar dialogando com a Convenção e que garantiu que os EUA pretendem manter os seus “esforços na luta contra a mudança climática”.
 
 
O vice-presidente do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudança Climática (IPCC, sigla em inglês), Carlo Carraro, explicou por sua vez que os Estados Unidos, segundo Pruitt, “não estão em desacordo com os objetivos do Acordo de Paris, mas com a forma de consegui-los”.
Carraro, que exerceu de mediador na mesa de debate sobre a mudança climática, destacou que os outros seis países do G7 lamentaram a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, mas garantiram que nenhum deles irá fazer o mesmo e, inclusive, se mostraram disponíveis para novos objetivos.
 
 
Além do ministro japonês, participam das reuniões em um hotel afastado do centro histórico por motivos de segurança os titulares de Meio Ambiente de Alemanha, Barbara Hendricks; França, Nicolas Hulot; Canadá, Catherine McKenna; e Itália, Gian Luca Galletti.
 
 
Em representação do Reino Unido está a secretária de Estado para o Meio Ambiente, Therese Coffey, enquanto Pruitt é o enviado dos Estados Unidos.
 
 
Além disso, foram convidados os comissários europeus de Meio Ambiente, o maltês Karmenu Vella; e de Ação pelo Clima e Energia, o espanhol Miguel Arias Cañete.
 
 
Pruitt retornará hoje mesmo aos EUA e não participará das sessões finais, nem da coletiva de imprensa conjunta do G7, pois tinha avisado que teria que retornar antes para uma reunião com Trump.
 
 
O G7 do Meio Ambiente prevê a publicação de uma declaração conjunta sobre os seis temas de discussão: desperdícios nos oceanos, finanças ecológicas, economia circular e eficiente dos recursos, ajudas à África e o papel dos bancos de desenvolvimento, impostos ambientais e gestão de resíduos perigosos. 
 
Fonte: Terra

Usinas do Madeira: um lago maior do que o previsto

Por Vandré Fonseca
Lago da Usina Hidrelétrica de Energia (UHE) em Jirau. Foto: Divulgação/PAC.
Lago da Usina Hidrelétrica de Energia (UHE) em Jirau. Foto: Divulgação/PAC.
Manaus, AM -- Os impactos das usinas de Jirau e Santo Antônio, no rio Madeira, sobre a floresta são maiores do que o apresentado durante o licenciamento ambiental das obras. Um estudo realizado com base em imagens de satélite demonstra que uma extensão de vegetação nativa 52% maior do que a prevista foi afetada. A área ocupada pelos reservatórios também estava bem acima do que o indicado nos Estudos de Impactos Ambientais (EIA). Os dados do Landsat de 2015 indicavam que ela já era quase 70% maior do que se havia anunciado.
O artigo de pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos está disponível na edição online da Remote Sensing Applications: Society and Environment. Os pesquisadores destacam que a grande quantidade de chuvas em dois anos anteriores teve um impacto praticamente irrelevante para o nível dos reservatórios em 2015. E dizem que o estudo traz um alerta sobre os efeitos de precipitações elevadas em momentos em que os reservatórios estão cheios.
Os estudos ambientais indicavam que, juntos, os reservatórios cobririam uma área de 52,9 mil hectares. Porém em 2015, essa extensão chegou a 87 mil hectares, mais do que o dobro do tamanho da Baía da Guanabara. Foram destruídos também 16 mil hectares de florestas a mais do que a estimativa apresentada no projeto.
Os ambientes afetados incluem as várzeas, apresentada no estudo com a planície de florestas inundáveis com a maior biodiversidade do planeta, com cerca de mil espécies descritas. Cerca de 11,8 mil hectares de florestas que antes eram submetidos a um ciclo de cheias e secas agora permanecem embaixo da água, uma condição para a qual as espécies não estão adaptadas. Apesar de representar apenas 2% de toda a Bacia Amazônica, as várzeas são importantes para diversas espécies de peixes e mamíferos aquáticos e oferecem importantes serviços ao ecossistema.
Para os autores do artigo, o caso das usinas do Madeira não parece ser o único, entre 452 barragens construídas ou projetadas para a Amazônia Brasileira. Eles levantam outra preocupação, os efeitos cumulativos da construção das barragens, que podem afetar o tronco principal do rio Amazonas, suas ramificações e até chegar aos corais recentemente descobertos no litoral do Pará. Eles lembram também que em todo o mundo existem mais de 45 mil grandes barragens projetadas, sem que existem informações científicas que possam indicar quais os verdadeiros impactos que podem causar.


Câmara aprova projeto que controla o uso de mercúrio

Por Sabrina Rodrigues
A Câmara dos Deputados aprovou, na terça-feira (13), o Projeto de Decreto Legislativo (PDC) 696/2017, que contém a Convenção de Minamata sobre Mercúrio. Foto: MMA/Divulgação.
A Câmara dos Deputados aprovou, na terça-feira (13), o Projeto de Decreto Legislativo (PDC) 696/2017, que contém a Convenção de Minamata sobre Mercúrio. Foto: MMA/Divulgação.15
A Câmara dos Deputados aprovou, na terça-feira (13), o Projeto de Decreto Legislativo (PDC) 696/2017, que ratifica a Convenção de Minamata sobre Mercúrio. O projeto é um passo importante para o controle do uso do mercúrio no país.
O projeto segue para o Senado Federal e o governo tem pressa na aprovação do texto, pois o Brasil pode perder acesso a recursos internacionais caso não aprove ou deposite o instrumento de ratificação nas Nações Unidas até a próxima semana. O depósito é importante também para que o Brasil não seja somente um ouvinte na Conferência das Partes, que acontecerá em setembro, em Genebra.
O mercúrio é considerado uma das substâncias químicas mais perigosas existentes. O metal é muito usado na indústria e a sua contaminação é danosa não só para o meio ambiente, mas também para a saúde humana. O mercúrio é tão perigoso que em 2013 foi estabelecida a Convenção de Minamata, com o objetivo de proteger o ser humano e o meio ambiente das ações incontroladas do uso deste metal.
O nome da Convenção é em homenagem às vítimas daquela que foi considerada a pior tragédia de contaminação do mar do século XX por envenenamento por mercúrio. Minamata é uma cidade costeira japonesa que cresceu junto com a indústria química Chisso Company Limited, que se estabeleceu naquela baía no início do século passado.  A Chisso passou a despejar mercúrio nas águas da baía de Minamata a partir do início dos anos 30. Entretanto, os efeitos do despejo foram se acumulando no mar, mas a chamada doença de Minamata só foi reconhecida a partir do final dos anos 50, quando milhares de pessoas já tinham se contaminado.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Com ingressos gratuitos, 100 filmes ambientais são exibidos em São Paulo

segunda-feira, 12 de junho de 2017


Os filmes são exibidos em 30 espaços culturais da cidade.

A 6ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, o mais importante evento audiovisual sul-americano dedicado a temas socioambientais, segue até a próxima quarta-feira (14). Com ingressos gratuitos, são 100 filmes programados, representando 26 países.


Vincent Carelli, o grande homenageado da mostra deste ano, é indigenista e premiado documentarista. A programação inclui, além de seus longas-metragens recentes (os elogiados “Corumbiara” e “Martírio”), títulos marcantes realizados pelo projeto Vídeo das Aldeias, criado pelo cineasta nos anos 1980. A obra de Carelli, que estará presente, será o centro do debate Cinema de Resistência, agendado para o dia 13 de junho (terça-feira), às 20h00, no Cine Reserva Cultural.


Os filmes são exibidos em 30 espaços culturais da cidade: Cine Reserva Cultural, Cine Caixa Belas Artes, salas do Circuito Spcine – Centro Cultural São Paulo, Cine Olido, Centro Cultural Cidade Tiradentes, Biblioteca Roberto Santos, CEU Aricanduva, CEU Butantã, CEU Caminho do Mar, CEU Feitiço da Vila, CEU Jaçanã, CEU Jambeiro, CEU Meninos, CEU Parque Veredas, CEU Paz, CEU Perus, CEU Quinta do Sol, CEU São Rafael, CEU Três Lagos, CEU Vila Atlântica e CEU Vila do Sol. Completam a lista as seguintes unidades das Fábricas de Cultura: Vila Curuçá, Sapopemba, Itaim Paulista, Parque Belém, Brasilândia, Capão Redondo, Jaçanã, Jardim São Luís e Vila Nova Cachoeirinha.



A cerimônia de encerramento do evento, com anúncio dos premiados, acontece no dia 14 de junho (quarta-feira), a partir das 20h45, no Cine Caixa Belas Artes. Na sequência é projetado o longa-metragem vencedor da Competição Latino-Americana.

Fonte: Ciclo Vivo