Em exposição crônica aos agrotóxicos, brasileiro corre mais risco de morte e desenvolvimento de doenças
Um ousado trabalho de geografia
que mapeou o nível de envenenamento dos alimentos produzidos no Brasil
foi lançado em maio, em Berlim, na Alemanha, país que contraditoriamente
sedia as maiores empresas agroquímicas do mundo. Quem estava presente
no lançamento do atlas Geografia do uso de agrotóxicos no Brasil e conexões com a União Europeia ficou
perplexo com a informação sobre o elevado índice de resíduos
agrotóxicos permitidos em alimentos, na água potável, e que,
potencialmente, contamina o solo, provoca doenças e mata pessoas. A
obra, que já foi publicada no Brasil, é de autoria da geógrafa Larissa
Mies Bombardi, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
(FFLCH) da USP.
O Brasil é
campeão mundial no uso de pesticidas na agricultura, alternando a
posição dependendo da ocasião apenas com os Estados Unidos. O feijão, a
base da alimentação brasileira, tem um nível permitido de resíduo de
malationa (inseticida) que é 400 vezes maior do que aquele permitido
pela União Europeia; na água potável brasileira permite-se 5 mil vezes
mais resíduo de glifosato (herbicida); na soja, 200 vezes mais resíduos
de glifosato, de acordo com o estudo, que é rico em imagens, gráficos e
infográficos. “E como se não bastasse o Brasil liderar este perverso
ranking, tramita no Congresso nacional leis que flexibilizam as atuais
regras para registro, produção, comercialização e utilização de
agrotóxicos”, relata Larissa.
A pesquisadora explica que o lançamento do atlas na Europa se deu
pelo fato de a Alemanha sediar a Bayer/Monsanto e a Basf, indústrias
agroquímicas que respondem por cerca de 34% do mercado mundial de
agrotóxicos. A Monsanto, recentemente incorporada ao grupo Bayer, é a
líder mundial de vendas do glifosato, cujos subprodutos têm sido
associados a inúmeras doenças, incluindo o câncer e o Alzheimer.
“Queríamos promover discussão sobre a contradição de sediarem indústrias
que controlam toda a cadeia alimentar agrícola – das sementes,
agrotóxicos e fertilizantes – e serem rigorosos quanto ao uso de mais de
um terço dos pesticidas que são permitidos no Brasil. Eles são
corresponsáveis pelos problemas gerados à população porque vendem e
exportam substâncias sabidamente perigosas, porém, proibidas em seu
território”, diz.
Geógrafa
Larissa Bombardi, autora da pesquisa que deu origem ao atlas da Geografia do uso de agrotóxicos no Brasil – Foto: Cecília Bastos / USP
Imagens
Intoxicação e suicídios
Segundo a geógrafa, as perdas não se limitam à contaminação de
alimentos e dos cursos d’água. O atlas traz informações de que, depois
de extensa exposição aos agrotóxicos, ocorrem também casos de mortes e
suicídios associados ao contato ou à ingestão dessas substâncias.
Atlas: Geografia
do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia,
de Larissa Mies Bombardi – Laboratório de Geografia Agrária da FFLCH –
USP, São Paulo, 2017
Entre 2007 e 2014, o Ministério da Saúde teve cerca de 25 mil
ocorrências de intoxicações por agrotóxicos. O atlas mapeia as regiões
mais afetadas: dos Estados brasileiros, durante o período da pesquisa, o
Paraná ficou em primeiro lugar, com mais de 3.700 casos de intoxicação.
São Paulo e Minas Gerais ficaram na segunda colocação, com 2 mil. Das
3.723 intoxicações registradas no Paraná, 1.631 casos eram de tentativas
de suicídio, ou seja, 40% do total. Em São Paulo e Minas gerais o
porcentual foi o mesmo. No Ceará, houve 1.086 casos notificados, dos
quais 861 correspondiam a tentativas de suicídio, cerca de 79,2%. Os
mapas de faixa etária mostram que 20% da população afetada era composta
de crianças e jovens com idade até 19 anos. Segundo Larissa, no Brasil,
há relação direta entre o uso de agrotóxicos e o agronegócio. Em 2015,
soja, milho e cana de açúcar consumiram 72% dos pesticidas
comercializados no País.
O atlas Geografia do uso de agrotóxicos no Brasil e conexões com a União Europeia,
em português, foi lançado no Brasil em 2017 e traz um conjunto de mais
de 150 imagens entre mapas, gráficos e infográficos que abordam a
realidade do uso de agrotóxicos no Brasil e os impactos diretos deste
uso no País. A pesquisa que deu origem à publicação teve o financiamento
da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
Em Berlim, o lançamento aconteceu na sede do ENSSER (European Network
of Scientists for Social and Environmental Responsability), rede
europeia sem fins lucrativos que reúne cientistas ativistas responsáveis
ambiental e socialmente, em Glasgow, Escócia. O suporte financeiro para
o lançamento do atlas na Europa foi da FFLCH e da Pró-Reitoria de
Pesquisa da USP.
Entre 2000 e 2010, o Brasil aumentou em 200% o consumo de agrotóxicos. A soja foi a cultura que mais consumiu pesticidas Mapa de intoxicação por agrotóxicos de uso agrícola (2007-2014) Uso
de malationa (inseticida) na cultura do feijão – Limite máximo de
resíduos permitido no Brasil e nos países da comunidade europeia
Pesquisa da iniciativa Green Ocean Amazon (GOAmazon) mostra que
as queimadas de áreas desmatadas, entre outros poluidores, influenciam
na formação de nuvens e na radiação solar (Foto: Carlos Durigan)
Manaus (AM) – A queima de combustível pelos
veículos, os aparelhos de ar condicionado, a energia termelétrica e as
queimadas de áreas desmatadas, presentes em Manaus e em seu entorno, são
alguns dos fatores que estão elevando em até 400% a produção de
aerossóis na Floresta Amazônica. Aerossóis são partículas ainda
misteriosas para ciência, mas são importantes na manutenção do clima e
balanço da radiação solar terrestre. No entanto, o excesso das
partículas, como foi detectado em pesquisa da iniciativa Green Ocean
Amazon (GOAmazon) na capital do Amazonas, pode trazer consequências que
impedem a formação de nuvens e alteram o processo de fotossíntese da
floresta.
As informações da pesquisa foram publicadas no artigo da revista
Nature Communications: “Urban pollution greatly enhances formation of
natural aerosols over the Amazon rainforest”. O pesquisador do Pacific
Northwest National Laboratory, Manish Kumar Shrivastava, um dos autores
do artigo, disse que, de maneira natural, a floresta produz partículas
de aerossóis, que são chamadas primárias e secundárias, dependendo do
processo de formação, mas em concentrações muito baixas.
“No entanto, a observação realizada através do GOAmazon mostra que a
poluição de Manaus contribui para o aumento das emissões de óxidos de
nitrogênio que, por sua vez, aumentam a presença de oxidantes como o
ozônio e radicais hidroxila, o que acelera muito a formação das
partículas secundárias”, afirma Manish Shrivastava em entrevista àAmazônia Real.
A pesquisa é resultado do trabalho da iniciativa GOAmazon, uma
parceria entre o governo brasileiro e os Estados Unidos que, desde 2014,
estuda processos que produzem chuva na região dos trópicos úmidos e
avalia a poluição na área urbana de Manaus e sua influência no ciclo de
vida das nuvens.
O estudo foi realizado com a colaboração de 36 pesquisadores de
diversas nacionalidades, sendo nove brasileiros. Eles analisaram
medições, realizadas com aviões do Departamento de Energia dos Estados
Unidos. Dentre os dados estão as medidas em superfície, e um programa de
computador que simula a química da atmosfera em escala regional para
interpretar as medidas experimentais à luz da meteorologia e dos
complexos processos químicos.
Vista
da zona centro sul de Manaus, com forte fumaça proveniente de
queimadas, em 2018 (Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real)
Já era sabido que o processo de urbanização altera totalmente a
produção de aerossóis em florestas tropicais preservadas, pois tal
fenômeno foi observado em outras regiões na África e Sudoeste da Ásia.
Mas nunca os dados foram tão elevados como na Amazônia, onde a produção
aumenta em mais de 400% e influência na formação de nuvens e na radiação
solar na floresta. O dado é de extrema importância, pois em condições
normais, os aerossóis primários respondem por 75% a 85% da massa do
aerossol presente na floresta amazônica.
O pesquisador Manish Shrivastava acrescenta que a floresta é,
provavelmente, muito mais sensível às mudanças na produção de aerossóis
do que outras regiões já observadas pelos pesquisadores. Isso acontece
porque ela é muito primitiva, ou seja, preservada e com pouquíssima
interferência antropogênica. O cientista também alerta que o aumento na
produção de aerossóis pode alterar as nuvens e os padrões de chuva.
“O efeito geral e a sensibilidade da floresta a essas mudanças não
são bem compreendidos ainda. Sabe-se também que, além da produção de
aerossóis, o aumento do ozônio altera a absorção de carbono e os
processos fotossintéticos da floresta. Em resumo, o aumento da presença
das partículas, e de ozônio, pode afetar a floresta, em aspectos de
clima, ecologia e padrões de chuva, além da saúde humana”, explica
Shrivastava.
Uma das contribuições do estudo diz respeito ao impacto da poluição
urbana em uma floresta tropical intocada, como a Floresta Amazônica.
Agora, já se sabe que as emissões de poluição provocam grandes mudanças
na formação de aerossóis e que isso pode acarretar efeitos climáticos.
Por isso, no momento, o mundo não pode arriscar um aumento de poluição
com essa dimensão.
O Acordo de Paris, do qual o Brasil é signatário, limitou a meta do
aumento da temperatura em abaixo de 2ºC, de preferência 1,5ºC, até 2035.
Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC),
da Organização das Nações Unidas (ONU), essa meta só será atingida se a
humanidade cortar as emissões em 45%, nos próximos 11 anos. Mas, segundo
a Agência Internacional de Energia, a demanda global por energia subiu
2,3% em 2018, aumentando as emissões de gás carbônico por queima de
combustíveis fósseis em 1,7%. Isso quer dizer que as emissões de gases
do efeito estufa estão aumentando, quando deveriam diminuir.
“Ainda não se sabe quais serão os reais impactos de tudo isso, mas a
poluição está causando um distúrbio nos processos naturais. As
partículas de aerossóis primários agem como as ‘sementes’ das nuvens. O
vapor d’água se condensa nos aerossóis e as nuvens então começam a ser
formadas. O excesso dele pode mudar o padrão de formação de nuvens e,
consequentemente, o de chuva”, acrescenta uma das autoras do artigo
acima mencionado, e pesquisadora do Max Planck Institute for
Biogeochemistry, Eliane Gomes Alves.
Impactos da urbanização vão além das cidades
O meteorologista e coordenador do programa de pós-graduação em Clima e
Ambiente
(PPG-Cliamb), do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia
(Inpa), em associação com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA),
Luiz Cândido, destaca que a maior contribuição
dos novos resultados
dessa pesquisa é mostrar a importância da conservação de áreas de
floresta no meio urbano.
Essa conservação contribui para mitigar os
impactos sobre a atmosfera das cidades, minimizando os efeitos da
poluição de material particulado, aerossóis e gases do efeito estufa. A
pesquisa também mostra que a vegetação circundante também pode ser
afetada pelas emissões urbanas.
“Os resultados trazem informações positivas e negativas sobre a
produção de aerossóis na Floresta Amazônica associada à poluição urbana
gerada em Manaus. A situação influencia não só a cidade, mas também o
ecossistema ao redor”, explica Cândido à reportagem.
O aspecto positivo desse fenômeno diz respeito ao aumento da radiação
solar espalhada, ou seja, difusa, pelos aerossóis primários, aqueles
produzidos pela vegetação; e secundários, que são associados à pluma de
poluição urbana. “O efeito combinado desses aerossóis faz com que a
floresta receba mais luz em camadas foliares inferiores, as mais
escondidas. Isso favorece os processos de fotossíntese que deixam a
floresta mais robusta, por causa do aumento da biomassa”, diz o
pesquisador.
“Mas não é totalmente benéfico, pois quanto mais aerossóis na
atmosfera, maior será a concorrência dos potenciais núcleos de
condensação, pois aerossóis funcionam como núcleos de condensação, pelo
vapor d’água presente na atmosfera. Isso significa que será favorecida a
formação de nuvens mais desenvolvidas verticalmente, mas enfraquecidas.
Com grande desenvolvimento vertical, mas com menos chuva”, acrescenta
Luiz Cândido.
Conforme constam em outros estudos, não só a fotossíntese das árvores
pode ser afetada pelos efeitos da poluição, mas o crescimento também. O
biólogo Giuliano Locosselli, da Universidade de São Paulo (USP),
pesquisa a reconstrução do clima e da poluição, baseada no crescimento
de árvores urbanas. Ele explica que a nuvem de poluição formada sobre
Manaus pode ter dióxido de carbono (CO2), que contribui para o efeito
estufa, e também deve carregar óxidos nitrosos e outros elementos, que
geram impacto negativo sobre o crescimento das árvores.
“É sabido que o clima tem um efeito muito grande sobre o crescimento
das árvores. Se alterarmos as características climáticas regionais, ou
microclimáticas, alteramos o ritmo de crescimento das árvores. Além do
efeito direto da poluição, pode haver um efeito indireto pelas mudanças
nas condições climáticas locais e regionais”, diz Locosselli à Amazônia Real.
Pessoas e atividades humanas são necessárias
Nos meses de setembro e outubro há fumaça em Manaus (Foto: Amazônia Real/Amazônia Real)
As atividades humanas já modificaram significativamente a atmosfera
terrestre em quase todas as regiões continentais. É difícil para a
ciência deduzir quais seriam os níveis ideais de aerossóis presentes na
atmosfera sem influência humana. Mas a Amazônia, que possui supostas
condições primitivas, que representam os tempos que antecederam a
Revolução Industrial, é o laboratório que mais se aproxima do ambiente
ideal para se estudar o assunto. No meio da floresta está Manaus e seus
mais de 2 milhões de habitantes, que produzem as características
adequadas para concretizar pesquisas nesse sentido. Por isso, esse
ambiente pode trazer informações mais precisas sobre o meio natural, de
floresta praticamente intocada, e urbano, modificado pela atividade
humana, e a influência mútua que a interação entre ambos exerce um sobre
o outro.
Em Manaus, a poluição tem uma relação linear com o processo de
urbanização. “A poluição está associada à expansão e incremento da
cidade. Quanto maior o avanço da urbanização, maior o aumento das
emissões de material particulado, que é poluição, no ar. Grande parte
das emissões têm origem na queima de combustíveis fósseis, como gasolina
e diesel. O nosso Distrito Industrial não é uma indústria de
transformação, mas usa energia elétrica, que vem de usinas
termelétricas”, diz Luiz Antônio Cândido.
“A pesquisa da GOAmazon mostra a importância de se repensar o
desenvolvimento não só de Manaus, mas de outras cidades. Será que
precisamos de grandes cidades? Não seria melhor primar pela qualidade do
meio ambiente e de vida da população?”, provoca o meteorologista. Na
opinião de Cândido, limitar o desenvolvimento de cidades e criar mais
distritos e vilas seriam alternativas viáveis.
Escavações arqueológicas do projeto Amazônia Central (PAC)0 nos arredores de Manaus (Foto:Alberto César Araújo/Amazônia Real)
O pesquisador Charles Clement estuda há mais de 20 anos a
domesticação da Floresta Amazônica. Segundo ele, ao contrário do que por
anos esteve presente do imaginário da população, a floresta não é
necessariamente um bioma intocado, mas sim manejado pelos indígenas, há
cerca de 10 mil anos.
Ele diz que as evidências estão presentes em vestígios arqueológicos,
botânicos e genéticos. Os povos originários tiravam, por exemplo,
plantas do ambiente natural e as plantavam novamente em outro local,
como é o caso da mandioca (Manihot esculenta), da castanha do Brasil (Bertholletia excelcia), do açaí (euterpe oleracea) e da pupunha (Bactris gasipaes).
Com base nas evidências de que a presença humana tornou a Amazônia o
que é hoje, Clement defende a interiorização do desenvolvimento do
Brasil, como solução para os problemas provocados pela urbanização e
crescimento desordenado das cidades. Para ele, é preciso desenvolver o
país, respeitando o Acordo de Paris – mesmo fragilizado pelo Governo
Bolsonaro – e com a floresta em pé.
“Nas plantações de soja o que menos se vê são pessoas trabalhando. Só
temos máquinas no campo. E nas cidades, o que mais se tem são pessoas
precisando de emprego”, alerta Clement em entrevista à Amazônia Real.
O cientista explica que não se trata apenas de pegar pessoas e
deslocar para o interior, mas de oferecer oportunidade e condições de
vida digna a elas onde forem morar. “Ninguém quer viver abandonado, sem
saúde, educação e emprego, como estão os nossos interiores hoje”, diz
Clement.
“Para colocar o Acordo de Paris em prática no Brasil, temos que
colocar gente de volta na floresta, pois é uma opção social e
ambientalmente aceitável. Os indígenas nos mostram como fazer isso há
séculos”, conclui ele, reforçando a importância do papel dos povos
nativos na conservação e cuidado com o meio natural da floresta
amazônica.
(#Envolverde)
Essa data nunca aconteceu tão cedo desde que o planeta entrou em déficit ecológico no início dos anos 1970. Desse dia em diante, a natureza não consegue mais regenerar ainda este ano tudo o que a humanidade consumir até o final do ano
A conta da humanidade com a Terra entra no
vermelho a partir de 29 de julho. Desse dia em diante, passaremos a
consumir mais recursos do que o planeta consegue regenerar. Neste ano, o
limite bateu um recorde: nunca havia acontecido tão cedo desde que o
planeta entrou em déficit ecológico no início dos anos 1970. Há 20
anos, essa data caiu em 29 de setembro; dez anos atrás, em 18 de agosto.
O motivo pelo qual isso acontece é nosso
atual padrão de consumo, que exige uma quantidade maior de recursos do
que a natureza consegue oferecer. Projeções moderadas das Nações Unidas
para o aumento da população e do consumo indicam que em 2030
precisaríamos da capacidade de duas Terras para acompanhar nosso nível
de demanda por recursos naturais. O cálculo também é feito para os
países: é quando o Dia da Sobrecarga da Terra cairia se toda a
humanidade consumisse como as pessoas daquela nação. No caso do Brasil, a
data cai dois dias depois, em 31 de julho.
Os dados são da Global Footprint Network,
organização internacional de pesquisa responsável pelo cálculo do Dia da
Sobrecarga da Terra e da Pegada Ecológica, da qual a rede WWF (Fundo
Mundial pela Natureza) é parceira. Para se chegar a essa data, a Global
Footprint Network calcula o número de dias exigidos da biocapacidade da
Terra (a quantidade de recursos ecológicos que o planeta é capaz de
gerar naquele ano) para atender à Pegada Ecológica da humanidade. O
restante do ano
corresponde à sobrecarga, que é causada por quatro
fatores principais: 1) o quanto nós consumimos; 2) com que eficiência os
produtos são feitos; 3) quantas pessoas existem no planeta; e 4) quanto
os ecossistemas da natureza são capazes de produzir.
Em vários países, o principal fator de
pressão para a exploração desenfreada dos recursos naturais é o
crescente nível de consumo, mas no caso do Brasil o problema é a
acentuada queda na biocapacidade, como mostra o gráfico abaixo. A
biocapacidade de uma cidade, estado ou nação representa o quanto seus
ativos ecológicos (incluindo terras agrícolas, pastagens, terras
florestais, áreas de pesca e terras construídas) conseguem produzir.
Quando entramos no cheque especial do
planeta, os juros são altos e vêm na forma de escassez de água potável,
erosão do solo, perda de biodiversidade e acúmulo de dióxido de carbono
na atmosfera, com as consequências que já conhecemos: secas
severas, inundações, aumento na quantidade e intensidade dos incêndios
florestais ou furacões. “Para a economia, isso significa grandes
prejuízos e maiores riscos aos investimentos. Para as pessoas, significa
preços mais altos dos alimentos, maiores chances de contrair doenças e
perda de bens e de vidas. Na prática, estamos deixando o mundo mais
poluído, mais inóspito e mais pobre em biodiversidade”, sintetiza Renata
Camargo, especialista em Conservação do WWF-Brasil.
“Há uma percepção equivocada, compartilhada
por alguns, de que o Brasil é país que mais preserva o ambiente no
Planeta e que não teríamos qualquer problema nesse aspecto. No entanto,
vamos entrar no cheque especial dos recursos naturais praticamente junto
com o restante do Planeta. Temos muito o que fazer, a começar por
implementar com mais rigor as regras de proteção ambiental que
construímos ao longo das últimas décadas, as quais ainda são muito
frequentemente deixadas de lado”, alerta Raul do Valle, do WWF-Brasil.
O que é a Pegada Ecológica
Do lado da demanda, a Pegada Ecológica mede
a quantidade de área terrestre e marinha necessária para produzir todos
os recursos consumidos por uma população e para absorver seus resíduos.
“O uso de combustíveis fósseis no sistema de transporte e o desperdício
de alimentos estão entre os principais vetores de pressão da demanda
por recursos naturais no Brasil”, explica Camargo.
Um componente importante da Pegada
Ecológica é a Pegada de Carbono, que representa a área de terra
necessária para sequestrar as emissões de dióxido de carbono geradas
pela queima de combustíveis fósseis, desmatamento e outras fontes, como
produção de cimento e fermentação entérica de bovinos, por exemplo.
Atualmente, a pegada de carbono representa 60% da Pegada Ecológica total
da humanidade e é também a parte de crescimento mais rápido. Porque
estamos emitindo dióxido de carbono no ar a uma taxa muito mais rápida
do que pode ser absorvido, ele está se acumulando na atmosfera e no
oceano. Ou seja, o aumento em nossa Pegada de Carbono é o principal
impulsionador da crise climática, que é o resultado mais conhecido –
junto com a perda de biodiversidade – de nosso gasto ecológico
excessivo. Portanto, reduzir significativamente a pegada de carbono é um
passo essencial tanto para reduzir nossa pegada ecológica como também
para mitigar a crise climática.
O conceito de Dia de Sobrecarga da Terra
foi concebido pela primeira vez por Andrew Simms, da New Economics
Foundation, entidade britânica de consultoria, que se associou à Global
Footprint Network em 2006 para lançar a primeira campanha global sobre o
tema. O WWF participa desde 2007.
A Pegada Ecológica Global e as métricas de
biocapacidade são calculadas anualmente nas Contas da Pegada Nacional e
Biocapacidade. Utilizando as estatísticas da ONU, essas contas
incorporam os dados mais recentes e a metodologia contábil mais
atualizada. Para manter a consistência com os dados e a ciência
relatados mais recentes, as métricas da Pegada Ecológica de todos os
anos desde 1961 são recalculadas a cada ano, de modo que as métricas de
cada ano compartilham um conjunto de dados comum e exatamente o mesmo
método contábil
Dicas para reduzir a pegada ecológica
Se conseguirmos postergar
o Dia de Sobrecarga da Terra em cinco dias a cada ano, em menos de três
décadas estaremos dentro dos limites do planeta antes. Todo mundo pode
ajudar:
Em Casa: Desligue
sempre as luzes e os eletrodomésticos que não estão em uso; limite o
tempo do banho; prefira iluminação e ventilação naturais; recicle seu
lixo; faça uma composteira doméstica, diminuindo o lixo orgânico; sempre
que possível, deixe o carro na garagem e saia a pé, de bicicleta ou
transporte público; aproveite a cidade e peça menos delivery (diminuindo
o uso de embalagens), opte por um filtro ou beba água da torneira,
diminua o uso do ar condicionado.
Ao fazer compras: Evite
fazer compras por impulso ou desnecessárias, opte por produtos
não-descartáveis e maior durabilidade; evite trocas periódicas de
equipamentos (celular, por exemplo), escolha produtos naturais, frescos e
com menos embalagens. Sempre que possível, compre do produtor local, o
que evita gastos de energia para transporte e armazenamento. Prefira
frutas da época e evite peixes na lista vermelha de extinção. Não compre
produtos que tenham microesferas de plástico, como algumas pastas de
dente ou esfoliantes.
No trabalho: Faça grupos
de carona; desligue luzes e monitores sempre que não estiverem sendo
usados; traga sua caneca de casa e diminua/ elimine o uso de copos
descartáveis; desligue o ar condicionado quando não for necessário; vá
de bicicleta, a pé ou transporte público; quando for viável opte por
reuniões pela internet (em vez de atravessar a cidade ou viajar);
imprima somente o necessário, optando por diminuir os processos que
necessitam de papel.
Sobre o WWF-Brasil
O WWF-Brasil é uma organização da sociedade
civil brasileira, apartidária e sem fins lucrativos, que trabalha em
defesa da vida com o propósito de mudar a atual trajetória de degradação
ambiental e promover um futuro no qual sociedade e natureza vivam em
harmonia.
Criado em 1996, o WWF-Brasil integra a Rede
WWF (Fundo Mundial para a Natureza), presente em mais de 100 países. O
objetivo da rede é alterar a trajetória das curvas de perda de
biodiversidade e do aumento das emissões de gases de efeito estufa (GEE)
– ou seja, conter a extinção de espécies e o desaparecimento de
ecossistemas, assim como mitigar os principais causadores das mudanças
climáticas. Soma-se a esses desafios a crescente demanda por alimentos e
por recursos naturais em todo o planeta, acarretando na necessidade de
promover o uso racional de tais recursos e uma produção sustentável de
alimentos.
O
novo marco regulatório para avaliação e classificação toxicológica de
agrotóxicos aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância
Sanitária) omite riscos à saúde humana, segundo especialistas ouvidos
pelo HuffPost.
As mudanças anunciadas ontem abrangem a reclassificação dos produtos, de acordo com a toxicidade, e os rótulos.
Com as novas regras, agrotóxicos extremamente tóxicos
passarão a ser incluídos em categorias mais baixas, como moderadamente tóxicos.
“Retirar
ou omitir o risco de um substância pode gerar um risco sério à saúde
humana e ainda gerar mais brechas na legislação para aprovar mais
agrotóxicos”, avalia Marina Lacorte, coordenadora da campanha de
Agricultura e Alimentação do Greenpeace.
A escultura “I amsterdam” tornou-se um dos lugares mais fotografados
da Europa. Por 14 anos, ela ficou instalada na principal praça da
capital holandesa, representando, através da mensagem “Eu sou Amsterdã”,
o amor que seu habitantes têm pela cidade. No final de 2018, moradores e
turistas ficaram chocados com a remoção das icônicas letras da Praça
dos Museus, deixando aquele ponto turístico sem a sua principal atração.
Enquanto muitas pessoas pediam o retorno da escultura para o seu
local de origem, um outro importante ícone mundial, essencial para a
preservação da vida no planeta, estava desaparecendo rapidamente, bem
diante dos nossos olhos: a Amazônia.
Diante da comoção causada pela sua retirada e da simbologia que
aquela escultura revelou, o “I amsterdam” se transformou em um
instrumento para levar a mensagem contra o desmatamento da Amazônia e o
apoio aos povos indígenas a uma escala mundial. Na manhã desta
quarta-feira, 26 de junho, a capital holandesa acordou com a escultura
“I amazônia”, na mesma Praça dos Museus. A mensagem “Eu sou Amazônia”
pretende estimular uma identificação das pessoas com a maior floresta
tropical do mundo. Ao mesmo tempo, pretende evidenciar que a Amazônia
está sendo drasticamente destruída e que os seus povos têm sido
assassinados, ameaçados e criminalizados justamente por lutarem para
manter a Amazônia viva.
Garantir aos povos indígenas o cumprimento do direito constitucional
aos seus territórios tradicionais e à proteção deles significa garantir a
preservação da floresta e de toda a biodiversidade destas áreas. “I
amazônia” é uma expressão de solidariedade aos povos da floresta e aos
enfrentamentos que fazem às grandes corporações, que desmatam, poluem e
esgotam seus recursos irresponsavelmente.
O atual governo prometeu intensificar ainda mais a exploração
desenfreada da Amazônia para dar lugar à agricultura industrial,
pecuária, mineração e extração de madeira. A expansão destas atividades
está diretamente relacionada à violência contra as comunidades locais e à
invasão e apropriação ilegal de seus territórios. Com o início do
governo Bolsonaro, várias denúncias de invasões em terras indígenas foram publicadas pela mídia brasileira, como reflexo direto do apoio do presidente aos grupos ruralistas e aos seus interesses.
Abrir ainda mais a Amazônia para uma ampla e irrestrita exploração
pode até parecer um avanço econômico para alguns grupos, porém
representa um enorme risco para o futuro da floresta e de todo o
planeta. Os povos indígenas e as comunidades tradicionais são os que
mais sofrem com a destruição da floresta, ao serem expulsos de suas
terras e terem suas vidas ameaçadas. A Amazônia tem um papel fundamental
para a manutenção do equilíbrio climático. Quanto mais desmatamos, mais
sentimos as mudanças no clima e as suas consequências em todo o mundo.
Todos nós pagaremos o preço dessa destruição.
Se as milhões de pessoas que fotografaram a escultura “I amsterdam”
também espalharem a mensagem “Eu sou Amazônia” – que, na realidade
significa “Nós todos somos Amazônia” – teríamos uma gigantesca expressão
mundial de solidariedade aos Guardiões da Floresta e à necessidade de
protegê-la e, consequentemente, de mantermos o equilíbrio do clima no
planeta. Não queremos lembrar da Amazônia como algo do passado. A hora é
agora! Vamos juntos reforçar que “todos somos Amazônia”. #Iamazonia
Se você precisa mandar um recado a alguém, a melhor forma de fazer
isso é entregar a mensagem pessoalmente. Hoje (quarta-feira, 12/06),
protestamos pacificamente em uma reunião de centenas de CEOs e gerentes
sêniores das principais marcas globais. O protesto chama a atenção para a
responsabilidade dessas empresas na destruição das florestas e sua
contribuição para a crise climática.
Minutos antes da cerimônia de abertura do Fórum de Bens de Consumo (Consumer Goods Forum – CGF), que acontece no Canadá, ativistas
do Greenpeace escalaram o local do evento e abriram um banner com uma
mensagem de boas-vindas dizendo “Fórum dos destruidores de florestas.
Sem floresta, sem clima”.
Um pouco depois, ativistas escalaram também o terraço da sala onde os executivos estavam reunidos para lembrá-los que eles “continuam destruindo florestas”. O banner ainda exibia logos das principais marcas que fazem parte do CGF e possuem desmatamento na sua cadeia de produção.
“Precisamos lembrar aos CEOs e diretores dessas grandes empresas que
eles estão falhando em cumprir o acordo de acabar com o desmatamento,
levando espécies à extinção e acelerando o superaquecimento global”,
afirma Rômulo Batista, da Campanha da Amazônia do Greenpeace Brasil. “Em
vez de discutir sobre marketing para a geração millennial, eles
deveriam estar definindo grandes ações para acabar com o problema do
desmatamento em suas cadeias. Isso significa, basicamente, mudar a forma
que tratam os negócios”.
O Greenpeace pede que as empresas que estão no CGF — que inclui
algumas das maiores marcas de consumo do mundo como Nestlé, Mondelez e
Unilever — declarem uma emergência climática e ecológica, cancelem suas
atividades e aproveitem esse tempo para decidir como vão acabar com o
desmatamento em suas cadeias até 2020.
Banner do Greenpeace lembra às empresas que elas continuam desmatando florestas por causa
Apesar de terem se comprometido com o Desmatamento Zero há quase uma década, um relatório
divulgado ontem pelo Greenpeace Internacional denunciou que as empresas
nem sequer deram sinais de chegarem perto disso. Pelo menos 50 milhões de hectares de floresta terão sido destruídos
nessa década como consequência da produção não responsável de soja,
gado, óleo de palma e outras commodities. Nenhuma empresa — entre as
mais de 50 que o Greenpeace contatou — foi capaz de demonstrar um
esforço significativo para acabar com o desmatamento.
Pressione as empresas para que PAREM com a destruição ambiental já:
Jornalista do Greenpeace Brasil em Brasília. Colabora na campanha
contra agrotóxicos, é vegana e gosta de andar descalça na floresta.
Começou a abraçar árvores ainda criança e não parou mais.
Hoje é o Dia de Proteção das Florestas, uma data para lembrar
que existem pessoas que lutam todos os dias para defender tesouros
insubstituíveis
A Amazônia é tão grandiosa que é difícil imaginar que uma força da
natureza deste tamanho possa ser afetada pela ação humana. “Uma árvore a
menos não vai fazer diferença”, diriam. “Oito mil quilômetros quadrados
de desmatamento são insignificantes”, disse de fato o atual Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.
Floresta
próxima ao Rio Tapajós, na região da Terra Indígena Sawré Muybu, do
povo Munduruku,
Mas, na verdade, a Amazônia tem um limite e, segundo estimativas recentes, estamos bem perto de atingi-lo.
É o que os cientistas chamam de “ponto de não retorno”, quando a
floresta não será mais capaz de exercer suas funções básicas, iniciando
um processo de reação em cadeia irreversível, que mudará para sempre a
paisagem e o clima no mundo. Pesquisas recentes, que levam em consideração as mudanças que já
podemos ver no clima, sugerem que este ponto seria alcançado caso o
desmatamento da Amazônia chegue a 25% de sua área. Estamos bem próximos
disso: só nos últimos 50 anos já perdemos quase 20% da floresta. E a situação deve piorar rapidamente,
segundo os últimos dados de alertas do desmatamento na Amazônia,
divulgados pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), houve
um aumento de 88% no número de alertas em junho de 2019, em comparação
com o mesmo mês do ano passado. Embora não sejam os dados consolidados
do desmatamento, eles apontam um cenário alarmante. Apenas no último
ano, cerca de 1 bilhão de árvores foram derrubadas, uma área equivalente
a mais de 5 vezes o tamanho da cidade de São Paulo. Quase tudo, de
forma ilegal. A Amazônia é fundamental para a distribuição de umidade pelo
continente e para o controle do clima em todo o mundo. Isso não é fake
news, é algo que vem sendo provado e comprovado pelos mais diversos
ramos da ciência. Mas negar sua importância é bom para os negócios de
quem lucra com a destruição da floresta. Ou você achou que eles estavam
preocupados com o seu futuro? Para estas empresas e políticos vale a pena desmatar, vale a pena
colocar em risco a vida das futuras gerações, vale a pena criminalizar
quem trabalha para proteger a floresta. Mas, para nós, não. Estou há cinco anos nessa missão de tentar “salvar as florestas”
junto do Greenpeace e a verdade é que trabalhar como ambientalista não
tem “mamata” nenhuma, como gostam de dizer políticos e ruralistas. Nossa
vida não tem almoço grátis de lagosta pago com o dinheiro do
contribuinte. Na maior parte do tempo é só estrada de lama, mosquito e
noites acordada preparando as histórias e denúncias que contaremos ao
mundo. Sem contar a violência a que estamos expostos: nos últimos dois
anos, o Brasil foi considerado o país mais perigoso do mundo para lutar pela defesa da terra, da água e das florestas. Não há glamour em proteger a floresta. Mas não há um só dia na minha
vida que eu não sinta que estou onde deveria estar, fazendo o que
deveria fazer. Proteger a floresta importa e nós devemos fazer tudo o
que estiver ao nosso alcance. Todos nós. Faça parte do abaixo-assinado e exija que empresas e governos tomem uma atitude.
São Paulo – Pelo menos 50 milhões de hectares de floresta – o
equivalente a uma área quase do tamanho de Minas Gerais – terão sido
destruídos no mundo para a produção de commodities entre 2010 e 2020,
período no qual empresas se comprometeram a acabar com o desmatamento em
suas cadeias produtivas. A estimativa faz parte do relatório Contagem Regressiva para a Extinção, do Greenpeace internacional.
O lançamento do relatório acontece no momento em que CEOs e
executivos de marcas globais se encontram em Vancouver para a cúpula
global do Consumer Goods Forum (CGF). Em 2010, os membros do CGF, que
reúne as maiores marcas de consumo do mundo, como Nestlé, Mondelez e
Unilever, prometeram acabar com o desmatamento até 2020
por meio do “fornecimento responsável” de gado, óleo de palma, soja e
outras commodities. Com cerca de 200 dias pela frente e um iminente
fracasso em cumprir o compromisso no prazo, a proteção florestal e a
crise climática não estão sequer na pauta deles.
“Essas empresas estão destruindo o futuro ao levar o mundo a um
colapso climático e ecológico. Elas desperdiçaram uma década sem medidas
concretas e, nesse período, vastas áreas foram desmatadas. Elas
deveriam estar em negociações para resolver a crise agora mas, em vez
disso, ainda estão tentando aumentar a demanda por produtos que vão
impulsionar a destruição das florestas ainda mais”, afirma Rômulo
Batista, da Campanha da Amazônia do Greenpeace Brasil.
Desde 2010, a produção e o consumo de commodities agrícolas ligadas
ao desmatamento, como gado, soja, óleo de palma, borracha e cacau, vem
aumentando radicalmente. Oitenta por cento (80%) do desmatamento global é
resultado direto da produção agrícola. No Brasil, o Cerrado perdeu 2,8
milhões de hectares de florestas naturais e 1,8 milhão de hectares de
pastagens naturais entre 2010 e 2017, com as principais ameaças
provenientes das fazendas de soja e pecuária.
No início de 2019, o Greenpeace escreveu para mais de 50 empresas –
entre elas Unilever, Mars, Nestlé e Burger King [1] – pedindo que
apresentassem seu progresso para acabar com o desmatamento, divulgando
seus fornecedores de commodities. Dos poucos que divulgaram a
informação, todos os fornecedores ou produtores estavam envolvidos com
desmatamento. Além disso, nenhuma empresa foi capaz de demonstrar um
esforço significativo para cumprir o acordo. Todas as marcas que
divulgaram fornecedores estavam comprando dos maiores negociadores de
commodities do mundo, Bunge e Cargill, que adquirem soja de grandes
produtores, acusados legalmente de grilagem de terras e de destruírem o
Cerrado, a savana mais rica em biodiversidade do mundo.
“Enquanto a atenção global está voltada para a Amazônia, as
indústrias de soja e gado vêm destruindo o Cerrado, acabando com a
diversidade local, agravando a crise climática e cometendo atos de
violência contra populações tradicionais que ocupam o território há
séculos. Marcas globais devem ter controle sobre seus fornecedores”,
completa Rômulo.
O Cerrado, berço das águas
do Brasil e lar de milhares de espécies e de comunidades tradicionais,
está em perigo! O segundo maior bioma do país tem sido desmatado em
velocidade alarmante e isso pode trazer consequências irreversíveis para
nossas vidas e para o planeta.
Há quase 10 anos, algumas das maiores empresas do mundo, como Nestlé,
Mondelez e Unilever, prometeram, até 2020, parar de produzir e
comercializar produtos ligados ao desmatamento. No entanto, embora o
prazo não tenha se esgotado, nem sequer deram sinais de chegarem perto
disso.
Comprometa-se a proteger a biodiversidade brasileira e exija que as empresas façam o mesmo!
Não importa se você mora longe ou perto da floresta: todos nós dependemos dela para sobreviver.Por isso, não há tempo a perder!
O
Cerrado, berço das águas do Brasil e lar de milhares de espécies e de
comunidades tradicionais, está em perigo! O segundo maior bioma do país
tem sido desmatado em velocidade alarmante e isso pode trazer
consequências irreversíveis para nossas vidas e para o planeta.
Grandes empresas precisam agir AGORA para garantir que as florestas, savanas e outros ambientes naturais continuem em pé!
Estão roubando nossos tesouros naturais
Estamos vivendo uma emergência climática e
ecológica sem precedentes. Talvez você já saiba disso, ao sentir
mudanças no seu dia a dia com secas e inundações dramáticas.
Há
quase 10 anos, algumas das maiores empresas do mundo, como Nestlé,
Mondelez e Unilever, prometeram, até 2020, parar de produzir e
comercializar produtos ligados ao desmatamento. No entanto, embora o
prazo não tenha se esgotado, nem sequer deram sinais de chegarem perto disso.
Essas empresas continuam comprando soja, gado e outras matérias-primas responsáveis pela destruição não apenas da Amazônia, mas também do Cerrado,
a caixa d’água do Brasil. A produção de soja, algodão, milho e outros
produtos para exportação — muitos deles usados para ração animal mundo
afora — tem deixado um rastro de destruição, acabando com a rica biodiversidade dessa região e ameaçando as comunidades tradicionais que vivem lá há muito tempo.
Enquanto
alguns grandes produtores e empresários gananciosos enchem seus bolsos
de dinheiro, estamos sendo diretamente afetados pela catástrofe
ambiental, comprometendo também a sobrevivência das próximas gerações.
A
expansão do agronegócio no Cerrado em nome de um desenvolvimento que
beneficia poucas pessoas tem um custo ambiental e social altíssimo.
Também deixa a Amazônia ainda mais ameaçada, pois ela depende do Cerrado
em pé — e vice-versa. Amazônia e Cerrado são biomas irmãos: é no Cerrado que nascem rios vitais para a Amazônia e a América do Sul.
Por sua vez, a umidade da Amazônia leva água para o Centro-Oeste, onde
está o Cerrado e a maior parte da produção agrícola do Brasil.
Mudanças pontuais não são mais suficientes para assegurarmos a proteção da vida num futuro muito próximo. Atualmente, cerca de um milhão de espécies no mundo correm risco de extinção.
Isso tem que parar! Precisamos segurar a linha do desmatamento, antes
que ela passe por cima de tudo o que temos de mais precioso.
Junte-se a nós para proteger espécies ameaçadas do Cerrado, como o lobo-guará
Mas o que eu tenho a ver com isso?
Tudo a ver! O Cerrado, a Amazônia e outros ambientes naturais têm
importância fundamental no controle do clima do planeta e na
disponibilidade de água doce. Se as emissões de gases do efeito estufa
continuarem a crescer devido, principalmente, ao desmatamento, o clima
vai ficar insuportável! Ou seja, SEM FLORESTA não tem água e SEM FLORESTA não tem clima.
Com pequenas atitudes, você pode ajudar a mudar essa realidade. Comprometa-se com as florestas e com o clima e exija que as empresas façam o mesmo!
Some a sua voz e mostre que você se importa!
O que eu cobro? E de quem?
As empresas precisam fazer sua parte para que o
desmatamento no Cerrado, na Amazônia e em outros ambientes naturais do
nosso país pare já. Não há tempo a perder! Sistemas mais sustentáveis e
justos são possíveis e necessários, e precisam ser prioridade em
qualquer modelo de produção responsável e comprometido com a vida. A
destruição tem que acabar!
Pesquisadores querem substituir fertilizantes químicos por bactérias
Com informações da Agência Fapesp - 18/07/2019
Bactérias poderão no futuro substituir os fertilizantes químicos, sem o impacto ambiental destes. [Imagem: Juliana Velasco]
Biofertilizante
Pesquisadores do Laboratório Nacional de Biorrenováveis (LNBR) estão estudando bactérias que promovem o crescimento das plantas.
Como foram isolados do solo, esses organismos têm potencial para serem usados como fertilizantes sem causar a poluição das águas e alterações prejudiciais ao próprio solo, como pode ocorrer com fertilizantes químicos.
Depois de isolar bactérias do solo, a equipe da pesquisadora Juliana Velasco começou a identificar os chamados compostos orgânicos voláteis (COVs), produtos decorrentes do metabolismo das bactérias que promovem o crescimento de plantas. "O objetivo agora é investigar e entender como o metabolismo da planta se altera por conta dessas moléculas sinalizadoras," disse ela.
Na primeira fase do trabalho foram usadas duas espécies de plantas modelos, aArabidopsis thalianae aSetaria viridis, e foram selecionadas as cepas bacterianas que mais contribuíram para o crescimento dessas plantas.
Agora começaram os testes das bactérias no cultivo do arroz, ainda em escala de laboratório. "A princípio, a substituição total de fertilizantes químicos é impossível. Mas com certeza podemos diminuir consideravelmente o uso deles quando utilizamos produtos biológicos", disse Juliana.
A meta é desenvolver um bioproduto que possa ser aplicado no solo em forma sólida (como pó) ou líquida, a princípio em culturas como cana-de-açúcar, milho e arroz. Tecnologias semelhantes já são usadas para a fixação de nitrogênio.
Juliana explicou que em boa parte da lavoura de soja brasileira, produtos bacterianos são usados como substitutos aos adubos nitrogenados. O uso em excesso desses fertilizantes é conhecido por causar contaminação do solo e dos ecossistemas aquáticos, além de aumentar a emissão de óxido nitroso, que agrava o efeito estufa.