Yacouba Sawadogo recebeu o Right Livelihood Award, conhecido como o
“Nobel alternativo”, depois de deter o avanço de um deserto com o
plantio de árvores. O prêmio é concedido por uma entidade independente e
apartidária que apoia projetos e iniciativas que solucionam problemas
mundiais. Graças à determinação do agricultor, terras áridas se
transformaram em solo fértil.
Imagem: Reprodução YouTube
Yacouba nasceu em
Bruquina, um país africano com pouco mais de 16 milhões de habitantes que fica
entre o deserto do Saara e o Golfo da Guiné. Com seu trabalho, árvores ocuparam
40 hectares de regiões antes consideradas áridas e improdutivas que estavam
abandonadas entre Burquina e o Rio Níger.
Nos anos 80 uma grande seca fez com que a população abandonasse as
áreas rurais e fosse tentar a vida nas cidades. Yacouba continuou no
campo e resgatou técnicas seculares de seu povo para literalmente
plantar no deserto.
Imagem: Reprodução YouTube
Conhecimento secular
Conhecida como zai a primeira técnica usada por Yacouba consiste em
cavar buracos com distância regular entre eles e depois preencher estes
buracos com fertilizantes naturais. As cavidades retêm a água dos breves
períodos de chuva e os fertilizantes, além de recuperarem o solo,
atraem formigas, que cavam túneis e contribuem para a melhor
distribuição da valiosa água.
Outro recurso usado por ele foi a construção de pequenas barreiras de
pedra, nas áreas plantadas. Com a altura de um punho, esta barreira
impede o escoamento rápido de água e retém o orvalho noturno, umedecendo
a terra.
Imagem: Reprodução YouTube
São duas técnicas
simples, que não dependem de muitos recursos. Mas, precisam de alguém que tenha
a força de vontade de trabalhar sistematicamente. Foi o que fez Yacouba. Hoje a
região abriga cerca de 60 espécies de árvores, plantações de sorgo, milho e
produção de frutas e mel.
As árvores ao lado das plantações garantem sombra para o
gado, uma temperatura mais amena para as culturas agrícolas e abrem a
possibilidade do trabalho de apicultores na região.
Superação e cooperação
Imagem: Reprodução YouTube
Imagem: Reprodução YouTube
“Me sinto muito honrado em receber este prêmio. Ele vai
me ajudar a seguir meu trabalho”, comemorou Sawadogo. “Espero que este
reconhecimento inspire outros agricultores a plantar e a defender a
biodiversidade”.
Yacouba lembra que, no início, a comunidade agrícola foi resistente
ao plantio de bosques e algumas árvores chegaram a ser queimadas. Mas
ele não desistiu e conforme o resultado ia aparecendo, as pessoas se
juntaram ao agricultor que passou a organizar cursos para ensinar aos
agricultores locais como recuperar suas terras.
Imagem: Reprodução YouTube
“Yacouba
Sawadogo prometeu que iria deter o deserto e cumpriu sua promessa. Se as
comunidades locais e os especialistas internacionais estiverem dispostos, é
possível aprender o que ele tem para ensinar
e regenerar grandes áreas degradadas. Com isso podemos reduzir a imigração
forçada e chegar mais perto da paz”, conclui Ole von Uexkull, diretor executivo
da The Right Livelihood Foundation, instituição sueca responsável por premiar
iniciativas como as de Yacouba.
Veja o
vídeo produzido pela The Right Livelihood Foundation sobre o agricultor
(legendas em inglês):
Apaixonada
pelo mar e pelo mato (apesar da relação difícil com insetos).
Jornalista, com especialização em Comunicação Corporativa, descobriu na
Sustentabilidade seu propósito. Estuda Gestão Ambiental e procura
descobrir diariamente como nossas escolhas podem construir um mundo
melhor para todos.
Governo Bolsonaro considera que problema ambiental do Brasil é comunicação
Daniela Chiaretti é repórter especial.
Na quinta-feira o Tribunal de Apelação do Reino Unido, uma das cortes mais altas do país, decidiu vetar a expansão do aeroporto de Heathrow, dos mais movimentados do mundo. O caso vai e volta há anos no debate britânico sobre infraestrutura. Trata-se de um investimento de US$ 18 bilhões para a construção da terceira pista do aeroporto -que já opera mais de 1.300 voos por dia-, o que vai ampliar a capacidade em 50%. Organizações socioambientalistas conseguiram paralisar a iniciativa várias vezes alegando aumento da poluição do ar e sonora para a população local. Desta vez, entretanto, o argumento foi inédito: foi a emergência climática que barrou os planos de ampliar o famoso hub londrino.
A conta econômica da iniciativa soa gloriosa: o investimento significaria 260 mil voos adicionais ao ano para o aeroporto e US$ 99 bilhões de impulso à economia britânica ao longo de 60 anos, nos cálculos do Ministério dos Transportes. Tudo lindo nas planilhas Excel e tudo péssimo considerando-se que o Parlamento decretou emergência climática no Reino Unido em maio, que o país se comprometeu com a meta do Acordo de Paris de manter o aquecimento da temperatura bem abaixo de 2°C neste século e que as emissões aéreas de gases-estufa estão em forte alta.
Governo acha que problema ambiental do país é comunicação
A decisão abre um precedente que pode inspirar outros casos no mundo. O que torna a decisão da corte britânica tão especial é que no minucioso planejamento da expansão do aeroporto não se levou em conta o compromisso climático do país. Em 2020 é inaceitável que uma coisa não esteja ligada à outra, alegam ativistas de ONGs que bloquearam o plano como Friends of the Earth e Greenpeace e os de uma organização especializada em litígios climáticos, a Plan B. “A expansão de Heathrow não é consistente com o compromisso do governo assumido no Acordo de Paris. O governo revelou nem sequer ter considerado mudança do clima no planejamento”, disse ao Valor Tim Crosland, diretor da Plan B.
“Ganhamos!” tuitou o prefeito de Londres, Sadiq Khan. “Grande notícia!”, celebrou o ministro do Meio Ambiente, Zac Goldsmith, fazendo o que se espera de um ministro desta pasta se planos do governo podem causar danos ambientais. Os executivos de Heathrow prometeram apelar, mas a administração de Boris Johnson disse que não. “Difícil prever o que irá acontecer”, diz Crosland. O primeiro-ministro britânico tem comportamento errático, foi contrário à expansão do aeroporto no passado e tem à frente a condução da mais crucial conferência do clima da ONU dos últimos tempos, a CoP 26, em Glasgow, em novembro. É ingênuo imaginá-lo como um grande líder climático, mas nada está claro. Por outro lado, a ampliação de Heathrow combina com a visão conservadora de se promover a “Global Britain”, o slogan que rebate a ideia de isolamento que o país pode ter com o Brexit.
É preciso aguardar os próximos rounds do capítulo climático inaugurado pela resistência à expansão do aeroporto inglês, mas é inegável que o entendimento do que a mudança do clima provoca na vida contemporânea extravasou das bolhas ambientalistas.
Leia-se este parágrafo: “Nos Estados Unidos, será que as cidades serão capazes de suprir as necessidades de infraestrutura à medida que o risco climático muda o mercado de títulos municipais? O que acontecerá com as hipotecas de 30 anos - pilar fundamental das finanças - se credores não puderem estimar o impacto do risco climático para um horizonte tão longo. O que acontecerá com áreas afetadas por enchentes ou incêndios se não houver um mercado de seguros viável para esses eventos? O que acontece com a inflação e, por sua vez, com as taxas de juros, se o valor dos alimentos aumenta devido à seca ou às inundações? Como podemos modelar o crescimento econômico se os mercados emergentes veem sua produtividade cair como resultado das temperaturas extremamente altas e outros impactos climáticos?”. É um trecho da carta a lideranças empresariais divulgada por Larry Fink, CEO da BlackRock, a maior gestora global de ativos. Ele dá uma aula sobre os impactos da mudança do clima na economia. Diz que se está “à beira de uma mudança estrutural nas finanças”. O agente transformador, defende, é a sustentabilidade.
Mais que comunicação
A questão não é mais lateral na tomada de decisão, empreendimentos têm que ter lastro ambiental adequado. No Brasil, contudo, o governo de Jair Bolsonaro acredita que seu grande problema na área ambiental é de comunicação. Não é. Não se trata de como vender a pílula, mas do que ela contém. É questão de conteúdo, de ação, de postura, de inteligência. Até agora o governo Bolsonaro passou recibo negacionista e inoperante na agenda climática. O Ministério do Meio Ambiente tinha quadros históricos que entendem de negociação climática, mas que foram desligados na semana passada. A Secretaria de Relações Internacionais, que não entregou nada em 14 meses de governo, mudou de batismo e de comando. O termo “clima” - vejam que avanço - voltou a figurar no nome da secretaria que terá “perfil mais executivo”, anunciou o ministro Ricardo Salles, seja lá o que isso quer dizer. O Valor tem pedido esclarecimentos ao MMA, mas não tem retorno.
Salles, conhecido em 2019 como o antiministro do Meio Ambiente, parece ter iniciado 2020 como ministro de fachada. Comanda pasta estratégica para o país, mas totalmente drenada de recursos e esquartejada a cada dia. O ministro não reclama do corte de recursos e de atribuições. Bolsonaro, que ameaçou extinguir o MMA ou fundi-lo à Agricultura, parece ter optado por deixar um ministério agonizante e fazer jogo de cena.
Atribuições do MMA foram distribuídas a outras pastas. A Agricultura é quem dá (ou não) muitas das cartas ambientais do país. O golpe final veio em janeiro, logo depois de o ministro Paulo Guedes voltar de Davos alarmado com a conexão entre ambiente e economia que se faz lá fora. Bolsonaro respondeu dedicando a coordenação do comando, controle e desenvolvimento da Amazônia ao vice-presidente Hamilton Mourão. Salles limitou-se a dizer que a ideia havia sido dele - como se isso tivesse alguma importância.
Os países têm até outubro para chegar a um novo plano global.
Folhapress
Ana Carolina Amaral
A diplomacia brasileira estaria trabalhando para frear o progresso das negociações de um novo acordo global pela conservação da biodiversidade, segundo diplomatas de diversas nacionalidades ouvidos pela reportagem.
Os países têm até outubro – quando acontece a COP-15 da biodiversidade, na China – para chegar a um novo plano global, já que o atual, assinado em 2011, termina este ano. Os objetivos são conservar áreas protegidas, evitar extinção de espécies e promover o uso sustentável dos recursos naturais, com apoio financeiro aos detentores de grandes reservas ambientais.
O primeiro rascunho do documento apareceu na última semana, em negociação que foi até o sábado (29) com diplomatas de 140 países reunidos em Roma. O Brasil – um dos maiores detentores da biodiversidade do mundo – não estaria parecendo estar interessado em um acordo global, segundo negociadores. O país teria se recusado a discutir questões técnicas e optado por trazer discussões que não estavam em negociação, usando linguagem agressiva e propostas absurdas – que chegaram a ser respondidas com risadas.
A reportagem conversou sob condição de anonimato com diplomatas de três países de diferentes regiões e dois representantes de ONGs internacionais que acompanharam as negociações na condição de observadores. Em todos os relatos colhidos, a atuação brasileira foi descrita como uma clara estratégia de distração, com constante desvio de atenção para questões que não estavam na mesa.
A radicalização dessa postura afastou países que costumavam ser representados pelos pronunciamentos brasileiros, como a Argentina, países africanos e grandes detentores de florestas. Os depoimentos também apontam falta de embasamento técnico e linguagem agressiva como motivos para o isolamento do Brasil.
A representação brasileira chegou a gerar risos em uma reunião ao insinuar que a biopirataria seria a principal ameaça das áreas protegidas – apesar dos dados alarmantes sobre degradação e desmatamento.
O ministro Leonardo de Athayde também foi duramente criticado por causar confusão ao levar para a mesa questões da negociação de mudanças climáticas, que não caberiam no acordo de biodiversidade. Athayde é negociador-chefe do Brasil nos dois temas.
Segundo o Itamaraty, a estratégia brasileira tem como objetivo conseguir mais recursos financeiros para a conservação. "Historicamente, o pilar de distribuição de benefícios tem sido negligenciado", diz nota do Itamaraty enviada à reportagem. "O objetivo é fazer que se caminhe para maior efetivação desse pilar, o que poderia assegurar recursos e transferência de tecnologia para países em desenvolvimento."
No entanto, os pares internacionais têm outras interpretações sobre a conduta diplomática do Brasil, vista como um sinal de pouco comprometimento com a conservação da biodiversidade. Na opinião de um dos negociadores de um país desenvolvido, a estratégia do Brasil seria pragmática e econômica. O país visaria, no curto prazo, evitar mais condicionantes ambientais para acordos comerciais.
O acordo comercial negociado entre Mercosul e União Europeia – colocado sob suspense desde a crise das queimadas na Amazônia – já menciona como condicionante o cumprimento do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas, pelo qual o Brasil se compromete com o desmatamento ilegal zero.
Embora não acreditem que a atuação brasileira possa impedir a assinatura de um acordo pela biodiversidade no próximo outubro, os diplomatas temem que as intervenções do país atrasem o processo, evitando o alcance de consensos mais significativos – o que resultaria em um acordo fraco.
Estudo que analisa índices de ameaça e pressão por desmatamento em
Áreas Protegidas (AP) mostra ainda que a Reserva Extrativista Chico
Mendes, no Acre, é a mais ameaçada.
Por Stefânia Costa
Um novo estudo divulgado pelo Imazon mostra quais são as Áreas de
Proteção da Amazônia mais ameaçadas e pressionadas por desmatamento. O
relatório analisa os dados do sistema de monitoramento do Instituto e
cruza as informações com células de desmatamento para medir o nível de
ameaça e pressão nessas áreas.
A pesquisa analisa o período que compreende os meses entre novembro
do ano passado e janeiro deste ano. Nesse intervalo, o Imazon detectou
um total de 769 km² de floresta derrubada na Amazônia Legal. Das 2.802
células que tiveram ocorrência de desmatamento, 56% indicam Ameaça e 44%
demonstram Pressão em APs. O número de células com ocorrência de
desmatamento de novembro de 2019 a janeiro de 2020 é 143% superior ao
registrado de novembro de 2018 a janeiro de 2019.
O estudo revela ainda que, no comparativo com o ano passado, seis APs
se mantiveram na lista das mais ameaçadas. A Resex Chico Mendes (AC),
que aparecia na terceira posição do ranking das APs mais ameaçadas,
agora aparece no topo da lista. Já na relação das áreas mais
pressionadas, a Terra Indígena Yanomami (PA) é a primeira colocada. A
TI, que nem estava entre as dez APs mais pressionadas no período
anterior, disparou no número de células de desmatamento que indicam que
já houve a devastação no interior da unidade de proteção.
Ameaça – Ameaça é a medida do risco iminente de ocorrer desmatamento
no interior de uma área protegida. O Imazon utiliza uma distância de 10
km para indicar a zona de vizinhança de uma AP, onde a ocorrência de
desmatamento indica ameaça. Segundo o levantamento do Imazon, a AP mais
ameaçada foi a Reserva Extrativista Chico Mendes, no Acre. Das dez áreas
de proteção presentes na lista, seis estão no Pará: TI
Trincheira/Bacajá, TI Parakaná, APA do Lago de Tucuruí, Flona do
Tapajós, TI Arara e TI Cachoeira Seca do Arari.
Pressão – Pressão ocorre quando o desmatamento se manifesta já no
interior da área protegida, o que pode levar à perdas ambientais e até
mesmo redução ou redefinição de limites da Área Protegida. No estudo
divulgado pelo instituto, as duas primeiras colocadas na lista das APs
mais pressionadas sequer apareciam no ranking do ano anterior. As TIs
Yanomami, no Pará, e Alto Rio Negro, no Amazonas, encabeçam a lista que
traz ainda a Resex Chico Mendes, campeã nas APs ameaçadas e que também
aparece na lista das mais pressionadas.
Estudo – Esse é o relatório trimestral do índices de ameaça e pressão
de desmatamento em Áreas Protegidas publicado pelo Imazon. A pesquisa é
produzida com base em dados de alertas de desmatamento do SAD, sistema
de monitoramento desenvolvido pelo instituto. São utilizados apenas os
indicadores de desmatamento para determinar ameaça e pressão em uma
unidade de conservação, entretanto, outros fatores também oferecem risco
para a área, como extração madeireira, atividades de garimpo e
hidrelétricas.
Imazon – O Imazon é um instituto nacional de pesquisa, sem fins
lucrativos, composto por pesquisadores brasileiros, fundado em Belém há
29 anos. Através do sofisticado Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD),
a organização realiza, há mais de uma década, o trabalho de
monitoramento e divulgação de dados sobre o desmatamento e degradação da
Amazônia Legal, fornecendo mensalmente alertas independentes e
transparentes para orientar mudanças de comportamento que resultem em
reduções significativas da destruição das florestas em prol de um
desenvolvimento sustentável.
Confira o estudo completo aqui.
“O consumo humano, a população e a tecnologia alcançaram aquele estágio em que a mãe Terra não aceita mais nossa presença em silêncio” Dalai Lama
[EcoDebate]
A população mundial de 7,8 bilhões de habitantes em 2020 deve passar
para 10,9 bilhões em 2100, segundo as projeções demográficas divulgadas
pela Divisão de População da ONU (revisão 2019). Mas, a despeito do
aumento global, um grande grupo de países vai ter a população reduzida
nos próximos 80 anos, conforme mostra a tabela abaixo.
Os países que terão a maior queda relativa são os de baixo da tabela,
com destaque para a Albânia que deve ter a população reduzida em quase
dois terços, passando de 2,9 milhões de habitantes em 2020 para 1 milhão
em 2100, uma redução de 1,8 milhão. Porto Rico – que é um território
não incorporado dos Estados Unidos – tem visto a população declinar
velozmente em função de uma grave crise econômica que tem enfraquecido o
país nos últimos 15 anos e tem sido vítima de furacões intensos. A
população porto-riquenha de 2,9 milhões de habitantes em 2020 deve cair
para 1,2 milhão em 2100 (reduzindo o tamanho atual para 43%). A Sérvia
com população de 8,7 milhões de habitantes em 2020 deve ter uma
diminuição de 4,5 milhões de pessoas, atingindo um montante de 4,3
milhões em 2100 (redução de 52%).
A Bósnia e Herzegovina e a República da Moldova devem apresentar
redução de exatos 50% da população nos próximos 80 anos. Croácia e
Bulgária devem ficar próximas na redução relativa e ter redução de quase
50% no período. A Ucrânia que tinha uma população de 51,5 milhões de
habitantes em 1990 já vai ter uma população de 43,7 milhões em 2020 e
uma redução para 24,4 milhões em 2100.
No leste asiático o destaque do decrescimento são duas economias
ricas. A Coreia do Sul com população de 51,3 milhões de habitantes em
2020 deve ter uma redução para 29,5 milhões em 2100 (ficando 58% do
tamanho de 2020). O Japão com população de 126,5 milhões de habitantes
em 2020 terá uma queda para 75 milhões em 2100, perdendo mais de 50
milhões de habitantes (41% do total de 2020).
Na América Latina, além de Porto Rico, outros países que vão ter
grande declínio populacional são Cuba, Jamaica, Trinidad e Tobago e El
Savador. Entre 2020 e 2100, a população de Cuba deve cair de 11,3
milhões para 6,7 milhões, a da Jamaica de 3 milhões para 1,8 milhão,
Trinidad e Tobago de 1,4 milhão para 969 mil habitantes e El Salvador de
6,5 milhões para 4,8 milhões. Mas o país latino-americano que vai
apresentar o maior declínio absoluto será o Brasil que passará de 212,6
milhões de habitantes em 2020 para 180,7 milhões em 2100, um decréscimo
de 31,9 milhões (queda de 15%). A Colômbia terá queda de 11% da
população nos 80 anos.
Contudo, a maior queda absoluta ocorrerá na China, que com população
de 1,44 bilhão de habitantes em 2020 passará para 1,06 bilhão em 2100,
uma redução de 374 milhões de pessoas (queda de 26%). A China perderá o
primeiro lugar para a Índia em 2027 e depois vai ter uma grande redução
no volume populacional, porém continuará sendo um país altamente
povoado.
No total dos 40 países a redução será de 680 milhões de habitantes
nos 80 anos, resultado de uma queda de 2,6 bilhões de habitantes em 2020
para 1,9 bilhão em 2100 (queda de 26%). Evidentemente, esta queda que
ocorrerá nestes 40 países será facilmente compensada pelo crescimento
que ocorrerá em 35 países de grande crescimento que devem passar de 3,27
bilhões de habitantes em 2020 para 6,43 bilhões em 2100, dobrando de
tamanho, com acréscimo de 3,2 bilhões de pessoas.
Ou seja, embora os 40 países listados na tabela acima apresentem uma
redução do volume da população de 680 milhões entre 2020 a 2100, apenas
35 países terão um aumento de 3,2 bilhões de habitantes (como mostrado
em outro artigo). Desta forma, os desafios de uma população crescente
estarão presentes ao longo do século XXI ao mesmo tempo que haverá
decrescimento demográfico em alguns lugares.
O mundo está dividido demograficamente, sendo que o crescimento
populacional deve agravar os problemas ambientais, ao mesmo tempo que o
decrescimento pode dar um certo alívio ecológico em alguns países.
A explosão do desmatamento na Amazônia foi maior em territórios com a presença de povos indígenas isolados. Dados do Instituto Socioambiental (ISA) mostram que, em 2019, a derrubada da floresta nessas terras cresceu 113%. No total de todas as Terras Indígenas (TIs), o aumento foi de 80%.
Os números constam em relatório do ISA que será apresentado na
terça-feira (3/3), na Comissão de Direitos Humanos da Organização das
Nações Unidas (ONU). O líder indígena Davi Kopenawa Yanomami participa
da audiência em Genebra, na Suíça. Baixe aqui o relatório.
A sessão é promovida pelo ISA, Comissão Arns e Conectas Direitos
Humanos e tem o objetivo de denunciar a frágil situação dos povos
indígenas em isolamento no Brasil, e os crescentes riscos de etnocídio
(quando a cultura tradicional é destruída) e de genocídio destas
populações. O relatório detalha de maneira inédita o desmonte em curso
das políticas ambientais e indigenistas do atual governo.
Os dados do desmatamento se baseiam no Prodes, do Instituto Nacional
de Pesquisas Espaciais (Inpe). O levantamento aponta que seis Terras
Indígenas que possuem dez registros de povos indígenas isolados estão
entre os 13 territórios que respondem por 90% do desmatamento registrado
em 2019 nas TIs localizadas na Amazônia brasileira.
O panorama para os povos indígenas isolados no Brasil, portanto, é devastador. Com a explosão do desmatamento e da destruição das florestas e o avanço de práticas ilícitas, como o garimpo, extração ilegal de madeira e grilagem de terras, a existência desses grupos está gravemente ameaçada.
Os povos indígenas isolados são populações que, para sobreviver ao
contato promovido pelo homem branco, refugiam-se no interior das
florestas e vivem em isolamento total ou sem contato significativo com a
sociedade nacional.
Doenças, violência física, espoliação de recursos naturais e outras
agressões dizimaram populações inteiras no passado. Hoje, são 115
registros de grupos indígenas isolados no Brasil, 28 deles confirmados.
O relatório apresentado na ONU demonstra, ponto a ponto, como o
desmonte de políticas públicas e o discurso do presidente da República,
Jair Bolsonaro (sem partido), e de seus ministros, estimulam as invasões de garimpeiros, madeireiros e grileiros ilegais nos territórios onde vivem esses povos.
O Ministério do Meio Ambiente (MMA) sofre cortes de orçamento,
perseguição a servidores, deslegitimação dos dados de desmatamento e
desautorização de orçamentos. No Instituto Chico Mendes de Conservação e
Biodiversidade (ICMBio), a gestão de Unidades de Conservação perdeu 29%
no seu orçamento e a de fiscalização ambiental e combate a incêndios,
21%.
A Fundação Nacional do Índio (Funai ), no entanto, é o órgão que
apresenta a pior situação. As atividades estão praticamente paralisadas
com os cortes orçamentários e a alteração de quadros e coordenações. A
instituição sofre influência de alas religiosas e ruralistas, como foi o
caso da nomeação de um missionário para a Coordenação Geral dos Povos
Isolados e de Recente Contato (CGIIRC) e que pode colocar em risco a
política de não contato, que nos últimos 30 anos evitou epidemias e
massacres dos povos isolados.
Yanomami
A audiência na ONU conta com a presença e a voz de Davi Kopenawa, líder Yanomami
e ganhador em 2019 do Prêmio Right Livelihood Award, o “Nobel
Alternativo”. Os Yanomami enfrentam atualmente a maior invasão
garimpeira desde a demarcação de sua terra, em 1992: cerca de 20 mil
garimpeiros estão ilegalmente dentro do território em busca de ouro.
A atividade ilícita deixa um rastro de contaminação por mercúrio
nos rios e peixes, doenças e toda sorte de violência causadas pelos
garimpeiros. Pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz realizada em 2014 na
comunidade yanomami de Araça, em Roraima, constatou que 92% dos
indígenas continham alto índice do metal no sangue.
A TI Yanomami
possui oito registros de povos isolados, um deles confirmado. São os
Moxihatëtëma, da Serra da Estrutura. A poucos quilômetros da região,
foram rastreadas pistas de pouso de garimpeiros.
“Estou muito preocupado. Eu não queria que eles morressem sozinhos,
sem ver quem um dia matou eles. É o garimpeiro que mata”, afirmou
Kopenawa em depoimento ao livro Cercos e Resistências: Povos Indígenas Isolados na Amazônia brasileira.
“Se um dia eu encontrar os Moxihatëtëma, vou dizer que é melhor não
encontrar o napë (não indígena), melhor eles ficarem por lá. O napë não
cuida do índio”.
Ameaças iminentes a povos isolados indígenas
YANOMANI Localização: Terra Indígena Yanomami (RR/AM) 1 registro de povos isolados confirmado: Moxihatëtëma 6 em informação 1 em estudo Ameaça: Invasão de 20 mil garimpeiros Pista de pouso a poucos quilômetros de um registro de isolados 330 mil ha degradados em decorrência do garimpo Principais rios contaminados por mercúrio Lideranças ameaçadas de morte
AWÁ-GUAJÁ Localização: Terra Indígena Araribóia, Caru, Awá (MA) 2 confirmados; 2 em estudo; 1 em informação Ameaças: Invasão madeireira: degradação de 92% na TI Awá Mais de mil quilômetros de ramais madeireiros detectados na TI Araribóia, onde vivem cerca de 60 Awá isolados. Violência:
Guardião da floresta na TI Araribóia Paulo Paulino Guajajara
assassinado em 2019 por defender a floresta da invasão madeireira.
AVÁ CANOEIRO Localização: Parque do Araguaia (Ilha do Bananal) (TO) 1 registro em estudo Ameaça:
Grupo de isolados foi avistado pela última vez por agentes do ICMBio
fugindo das queimadas que castigam a Ilha do Bananal. Outra grave ameaça
à existência do grupo é a construção de estrada no território que irá
cortar a floresta onde esses indígenas vivem.
VALE DO JAVARI Localização: Terra Indígena Vale do Javari (AM) Terra Indígena com mais registros de isolados do país 10 registros confirmados, 3 em estudo, 3 em informação
Ameaça: Presença constante de missionários na região com intuito de evangelizar povos isolados e de recente contato
Violência:
Ataque a tiros a uma base da Funai (ago/19), e o assassinato de um
colaborador e ex-servidor da Funai em setembro, em Tabatinga/AM
O
ISA é uma organização da sociedade civil brasileira (OSCIP desde 2001),
fundada nos anos 90 com o intuito de oferecer soluções para questões
sociais e ambientais em prol dos bens e direitos coletivos e difusos
relativos ao meio ambiente, patrimônio cultural, aos direitos humanos e
aos povos originais. Recentemente, lançou a campanha “Menos Preconceito,
Mais Índio” e o primeiro documentário em realidade virtual numa aldeia
indígena: “Fogo na Floresta”.
No últimos dias de dezembro de 2019, uma tartaruga verde(Chelonia mydas), espécie considerada em perigo de extinção pela Lista Vermelha, da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), foi encontrada presa, em uma rede de pesca, na praia de San Clemente, próximo a Buenos Aires, no litoral da Argentina.
Resgatada pela equipe da Fundação Mundo Marino, a tartaruga passou por uma série de exames, que detectaram que ela possuía uma enorme quantidade de lixo plástico em seu intestino.
“Através de radiografias, pudemos ver corpos estranhos. Portanto,
iniciamos o tratamento com um medicamento que favorece seus movimentos
peristálticos (do trato digestivo), que permitiu que ela eliminasse
esses “corpos”, revelou Ignacio Peña, veterinário da Fundação Mundo
Marino.
Em três semanas de tratamento, o animal defecou pedaços de bolsas e
outras embalagens feitas de plástico – uma quantidade equivalente a duas
sacolas e meia inteiras, quatro copos descartáveis ou 26 canudos.
“Não há apenas o risco de obstrução mecânica devido à
ingestão de plástico. O acúmulo de elementos não nutritivos no sistema
digestivo desses répteis marinhos pode causar uma sensação de falsa saciedade
que os enfraquece gradualmente ”, explica Karina Álvarez, bióloga e
gerente de conservação da Fundação Mundo Marino. “Além disso, uma grande
quantidade de gás pode ser gerada em seus organismos, produto do
plástico acumulado. O que afetaria sua capacidade de mergulhar, tanto
para se alimentar quanto para encontrar temperaturas mais adequadas para
sua sobrevivência”.
Agora a tartaruga resgatada está recebendo alimentação adequada:
folhas verdes, principalmente alface e algas, e segundo os veterinários e
biólogos que tratam do caso, sua evolução é favorável.
Em dezembro do ano passado também foi divulgado o resultado do Censo de Basura Costera Marina,
que analisa os resíduos encontrados em praias argentinas. O
levantamento apontou que 83,2% de todo o lixo coletado em 20 locais da
costa de Buenos Aires é composto de plástico.
Jornalista,
já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo
da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e
2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras,
entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta
Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas,
energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em
Londres, vive agora em Washington D.C.
No final do ano passado, conforme mostramos nesta outra reportagem, a organização não-governamental Break Free From Plastic
divulgou o resultado do levantamento feito durante o World Clean Up Day
– Dia Mundial da Limpeza – , quando, em parceria com outras entidades e
o trabalho de 70 mil voluntários, em 51 países, foram recolhidos 476
mil resíduos plásticos. 43% deles ainda continham de maneira clara, a marca de seus fabricantes. Dessa maneira, foi possível determinar quem são as maiores poluidoras globais de plástico.
O relatório da Break Free From Plastic revelou que dez empresas
estão no topo de ranking de descarte de lixo plástico no meio ambiente.
Coca-Cola apareceu em 1o lugar, seguida por Nestlé, PepsiCo, Mondelez
International, Unilever, Mars, P&G, Colgate-Palmolive, Phillip
Morris e Perfetti Van Mille.
Um total de 11.732 resíduos plásticos contendo a marca Coca-Cola
foram achados em 37 países, em quatro continentes: mais do que os
resíduos das outras três companhias juntas, que estão nos 2o, 3o e 4o
lugares do ranking. O tipo de plástico mais observado foi o poliestireno
e o PET. Ambos são provenientes do petróleo e tem enorme impacto ambiental, já que levam, no mínimo, 400 anos para se decompor na natureza.
Com esses dados em mão, o Earth Island Institute, da Califórnia, nos Estados Unidos, entrou com uma ação na justiça do estado contra essas dez multinacionais por sua responsabilidade em contribuir para o aumento da poluição nos oceanos do planeta.
“Fundamentalmente, o processo procura
responsabilizar as empresas por sua parcela de poluição plástica e por
suas alegações de que as embalagens de plástico são recicláveis”, diz
Sumona Majumdar, consultora geral da Earth Island. “Por muito tempo,
eles empurraram esses custos para o público, e isso inclui organizações
sem fins lucrativos, como a Earth Island, que estão usando fundos de
caridade para limpar sua bagunça”.
Ainda de acordo com a ONG americana, a indústria do plástico inundou o
mercado com praticamente todos os tipos possíveis de produtos plásticos
de uso único, incluindo sacolas, embalagens, talheres e
muito mais. “Grande parte desses resíduos não biodegradáveis acaba em
nossos oceanos, rios e áreas costeiras, enquanto ainda mais ocupará
espaço em nossos aterros sanitários pelas gerações vindouras”, afirma.
A realidade é que quando o consumidor compra um produto, ele acredita
que sua embalagem poderá ser reciclada. Mas na verdade, estudos
demonstram que a grande maioria das embalagens plástica rotuladas como
recicláveis nunca será reciclada, nem nos Estados e nem em outros países.
Estimativas indicam que das 8,3 bilhões de toneladas de plástico
produzidas desde 1950, quando houve um boom desse setor, apenas 9% foi
reciclado. E o que é feito com os demais 91% restantes? Ou são
incinerados, processo que gera poluição no ar e emissão de gases de
efeito estufa, ou são descartados em aterros sanitários ou lixões.
“Este é o primeiro processo contra esses traficantes de plástico que
há anos espalham a narrativa falsa de que seus produtos podem ser
reciclados quando sabem que em muitos casos isso simplesmente não é
verdade”, acusa Josh Floum, presidente do Conselho de Administração da
Earth Island.
Jornalista,
já passou por rádio, TV, revista e internet. Foi editora de jornalismo
da Rede Globo, em Curitiba, onde trabalhou durante 6 anos. Entre 2007 e
2011, morou na Suíça, de onde colaborou para publicações brasileiras,
entre elas, Exame, Claudia, Elle, Superinteressante e Planeta
Sustentável. Desde 2008 , escreve sobre temas como mudanças climáticas,
energias renováveis e meio ambiente. Depois de dois anos e meio em
Londres, vive agora em Washington D.C.
Se estivéssemos em julho ou agosto – meses secos e típicos de focos de incêndio e queimadas -, as imagens divulgadas esta semana pelo site Earth Observatory, da NASA,
não chamariam tanto a atenção. Mas elas foram capturadas há poucos
dias, em 4 e 8 de março, no último mês do verão, época em que a umidade na mata deveria ser intensa devido às chuvas frequentes, comuns neste período, e o Pantanal já deveria estar alagado.
Num cenário considerado normal, incêndios provocados por raios ou por
fazendeiros neste mês não encontrariam clima para se expandir, mas as
chuvas de janeiro, fevereiro e março deixaram a desejar em muitas áreas
do Mato Grosso do Sul.
E, em janeiro – apenas dois meses após a explosão dos incêndios na região e durante (o que deveria ser) a estação das chuvas -, os incêndios voltaram e invadiram o Parque Nacional do Pantanal Matogrossense.
As imagens capturadas pela NASA são um registro incomum da região. Elas mostram densa pluma de fumaça oriunda de um foco de incêndio à leste do parque, próximo de local de incêndio de grandes proporções em janeiro deste ano.
A maior parte dos focos de incêndio registrados este ano se concentra
nos municípios de Corumbá (MS) e Poconé (MT), de acordo com um artigo publicado pelo site Mongabay).
De acordo com o site da Nasa, o número de focos detectados na região
pelo satélite Aqua/ MODIS – entre 1o. de janeiro e 9 de março -,
representa apenas 5% do total do registrado no ano passado. Por isso, o
cientista sênior do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais),
Alberto Setzer, disse ao site que não vê motivo para preocupação: “Como a
maioria dos incêndios no Pantanal ocorre entre julho e dezembro, não
vemos nenhuma razão específica para alarme, neste momento”.
A foto abaixo foi feita em 4 de março e revela o incêndio de forma mais detalhada: dá pra ver a área já queimada.
Na imagem seguinte, que revela uma perspectiva mais ampla, é possível
ver o fogo queimando ao norte das áreas unidas próximas do Rio São
Lourenço. Fotos: Divulgação/NASA (as imagens foram capturadas pelo satélite
Terra, com o sensor MODIS – Moderate Resolution Imaging
Spectroradiometer, operado pela NASA Fonte: Earth Observatory/Nasa
Jornalista
com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo,
saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos
na Editora Abril. Foi editora na revista Claudia, no site feminino
Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o
premiado site Planeta Sustentável, da mesma editora, considerado pela
United Nations Foundation como o maior portal no tema. Integrou a Rede
de Mulheres Líderes em Sustentabilidade e, em 2015, participou da
conferência TEDxSãoPaulo.