quinta-feira, 15 de abril de 2021

Ambientalistas comemoram pandemia e avançam estudos de controle econômico e social

 

Ambientalistas comemoram pandemia e avançam estudos de controle econômico e social

0

Segundo pesquisadores envolvidos no experimento chamado “Ano dos Oceanos Silenciosos”, os lockdowns e restrições sociais reduziram o tráfego de navios de carga em escala que seria “impossível” de outra maneira, afirma Peter Tyack, professor da Universidade de St. Andrews, Escócia.

Oceanógrafos de todo planeta se juntaram para investigar os efeitos do “momento único de silêncio” causado sobre espécies marítimas, com o objetivo de estudar a acústica dos oceanos antes, durante e após a pandemia. Ao todo, 200 sensores acústicos subaquáticos distribuído pelo mundo foram acionados.


“A ideia é usá-los para medir as diferenças no ruído e como elas afetam a vida marinha — como o canto das baleias ou os sons emitidos por cardumes”, afirma Tyack. Com dados obtidos, os pesquisadores pretendem aproveitar a oportunidade para avaliar os impactos da poluição sonora nos oceanos.

“A poluição e a mudança climática tiveram um impacto enorme nos oceanos do planeta — mas a questão do barulho é que é relativamente fácil diminuir o volume”, ressalta o professor. Publicado recentemente na revista Science, os ambientalistas têm como alvo as atividades de navegação, construção, militar e pesquisas submarinas nas áreas de petróleo e gás estão “abafando” a acústica natural do oceano.

Por que gorilas machos batem no peito? Novo estudo oferece evidências curiosas

 

Por que gorilas machos batem no peito? Novo estudo oferece evidências curiosas

KING KONG TORNOU ESSE COMPORTAMENTO FAMOSO, MAS CIENTISTAS AINDA SABEM POUCO SOBRE POR QUE OS GRANDES SÍMIOS REALIZAM ESSA EXIBIÇÃO DE PERCUSSÃO.

Um gorila-das-montanhas macho batendo no peito no Parque Nacional dos Vulcões de Ruanda.
FOTO DE NATURE PICTURE LIBRARY / ALAMY STOCK PHOTO

Desde o lançamento de King Kong nas telas de cinema em 1933, o gigante símio fictício expôs ao público do mundo todo um comportamento muito real entre os gorilas — bater no peito.

Mas talvez você se surpreenda ao saber que, embora cientistas tenham especulado sobre o significado desse comportamento de percussão, as evidências reais do porquê os gorilas machos às vezes batem no peito são escassas.

Leia também:

“É um comportamento impressionante”, comenta Edward Wright, primatologista do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva na Alemanha. “Pode ser um pouco assustador. Ninguém ia querer estar frente a frente com um gorila batendo no peito.”

Curiosamente, embora a forte batida no peito de um gorila-das-montanhas macho pareça um sinal de agressividade, uma nova pesquisa de Wright mostra que o comportamento pode, na verdade, evitar o uso da violência entre esses enormes animais, que podem chegar a mais de 200 quilos.

Os gorilas-das-montanhas vivem em grupos familiares unidos, liderados por machos de dorso prateado, cuja autoridade é constantemente desafiada por outros machos. Ao anunciar seu tamanho, condição de acasalamento e habilidade de luta por meio de sons capazes de viajar longas distâncias através das densas florestas tropicais, os gorilas chefes estão sinalizando a pretensos desafiantes que é melhor eles pensarem duas vezes antes de começar uma confusão.

Para estudar o comportamento em detalhes inéditos, Wright e seus colegas passaram mais de três mil horas observando gorilas-das-montanhas ameaçados de extinção no Parque Nacional dos Vulcões, em Ruanda.

Enfrentando picadas de insetos enquanto caminhavam pelo terreno montanhoso e acidentado do parque, os cientistas observaram mais de 500 batidas no peito de 25 machos diferentes entre 2014 e 2016. Eles mantiveram uma distância segura dos animais, que já estão habituados à presença de pesquisadores, mas continuam altamente vulneráveis a doenças humanas.

A equipe, cujo trabalho foi financiado em parte pela National Geographic Society, utilizou equipamentos de áudio para registrar as frequências das batidas no peito, bem como o número de batidas e a duração de cada comportamento. Por fim, procuraram relações entre essas variáveis e os tamanhos dos gorilas. Para isso, analisaram fotografias para medir a largura máxima dos ombros de cada animal.  

Os resultados mostraram que os gorilas-das-montanhas maiores produziram sons com frequências mais baixas do que os gorilas menores — possivelmente porque gorilas maiores possuem sacos de ar maiores próximo à laringe. Isso significa que bater no peito não é apenas uma exibição visual, mas o que o estudo chama de “sinal honesto de capacidade competitiva” — não muito diferente do ronco de um jacaré ou do mugido de um bisão.

Embora estudos anteriores mostrassem que o tamanho do corpo de um gorila está ligado à dominação e ao sucesso reprodutivo, a ideia de que bater no peito também comunica algumas dessas informações era especulativa, de acordo com o novo estudo publicado recentemente na revista científica Scientific Reports.

“Nós tínhamos ideias e suspeitas, mas não havia dados reais para apoiar essa afirmação”, afirma Roberta Salmi, primatologista e diretora do Laboratório de Ecologia Comportamental de Primatas da Universidade da Geórgia, que não participou da pesquisa. “Fiquei feliz em finalmente ver esses resultados.”

O cartão de visitas de Kong

Embora bater no peito seja comum em filmes e outras representações da cultura pop, ainda há muitas informações erradas sobre esse comportamento.

Para começar, os gorilas da vida real não batem no peito com os punhos fechados. Em vez disso, eles colocam as mãos em forma de concha, o que amplifica os sons. Também se põem em pé, o que talvez seja outra maneira de garantir que as batidas possam ser ouvidas a quase um quilômetro de distância.

Gorilas de dorso prateado batem no peito com mais frequência quando as fêmeas sob sua proteção estão entrando no estro, o período em que elas ficam mais propensas a acasalar. Mas os machos não ficam fazendo isso o dia todo, como costuma ser mostrado em filmes.

Na verdade, Wright descobriu que cada macho batia no peito em média apenas 1,6 vezes a cada 10 horas. Gorilas machos de nível inferior, ou subordinados, também batem no peito, assim como gorilas machos bebês quando estão brincando.

Wright afirma que não parece haver uma relação entre o tamanho ou a dominância de um macho e quantas vezes ele bate no peito, ou quanto tempo dura essa exibição. Mas, segundo ele, uma sequência de batidas pode, potencialmente, comunicar a identidade de um animal, ou sua “assinatura individual”, para outros animais.

Gigantes não tão gentis

Embora gorilas sejam providos com músculos gigantescos e longos dentes caninos, eles raramente chegam à agressão. Wright acredita que isso seja, pelo menos em parte, porque as batidas no peito permitem que os machos avaliem uns aos outros sem recorrerem à violência física.

“Mesmo que seja provável que um gorila vença uma luta, ainda existe um fator de alto risco”, explica ele. “São animais grandes e poderosos, capazes de causar muitos danos.”

No caso de machos menores, o som da batida no peito de um gorila de dorso prateado pode desencorajá-los de se aproximarem. Da mesma forma, um gorila de dorso prateado pode ouvir as batidas produzidas por um macho menor que esteja por perto e decidir que ele é muito insignificante para se preocupar.

Como a frequência máxima das batidas no peito corresponde ao tamanho do corpo — que também está ligado ao domínio e ao sucesso reprodutivo — as gorilas fêmeas também têm motivos para prestarem atenção ao som. Batidas particularmente impressionantes podem atrair fêmeas para um grupo próximo, embora isso ainda não tenha sido estudado.

Salmi também estudou as batidas no peito em gorilas-ocidentais-das-terras-baixas. Curiosamente, essa espécie também exprime um comportamento de bater palmas — que parece ser uma maneira de alertar outros para algum perigo em potencial — que até agora não foi observado em seus parentes próximos das montanhas.

Considerando os resultados do novo estudo, o próximo passo é analisar como outros gorilas utilizam as informações codificadas em sons de batidas no peito, afirma Salmi.

Ela comenta que “será muito interessante ver como o som de batidas no peito nos ambientes em que os gorilas vivem pode afetar seus movimentos e decisões sobre quais áreas usar em seus territórios.”

Fonte: National Geographic Brasil

quarta-feira, 14 de abril de 2021

Por que as baleias encalham? Nós também temos uma parcela de culpa

 

Por que as baleias encalham? Nós também temos uma parcela de culpa

DE MARÉS ENGANOSAS À POLUIÇÃO SONORA E PESCA EM EXCESSO, HÁ MUITOS MOTIVOS PELOS QUAIS AS BALEIAS — ÀS VEZES CENTENAS AO MESMO TEMPO — ACABEM ENCALHANDO NA TERRA FIRME.

Baleia-comum encalhada na praia de Holland-on-Sea, cidade localizada na costa leste da Inglaterra, em 30 de maio de 2020. Embora seja um fenômeno global, baleias encalham com mais frequência ao longo da costa rasa do Mar do Norte.
FOTO DE ROB DEAVILLE, CSIP-ZSL

Todo ano, milhares de baleias, golfinhos e outros animais marinhos aparecem em praias do mundo inteiro. Esse fenômeno, conhecido como encalhe, ocorre tanto com animais saudáveis quanto com aqueles feridos (ou mortos), que são arrastados pelo vento até a praia. Às vezes, grupos de animais marinhos encalham juntos, em um fenômeno conhecido como encalhe em massa. Outras vezes, uma determinada região testemunha um número incomum de encalhes em um período de tempo.

No Reino Unido, o Programa de Investigação de Encalhe de Cetáceos , da Sociedade Zoológica de Londres (CSIP, na sigla em inglês), registrou mais de 12 mil cetáceos encalhados desde 1990. Eventos importantes — como o encalhe de mais de 300 baleias-sei na região da Patagônia no sul do Chile, em 2015, ou uma série de baleias-bicudas que encalharam no litoral de Guam entre 2007 e 2019 — mostram que esse é um fenômeno global. As causas de um encalhe podem estar ligadas a diversos fatores.

Leia também:

“A variedade de fatores que podem causar o encalhe de baleias e golfinhos é tão grande quanto a quantidade de encalhes que acontecem”, relata Kevin Robinson, diretor do Centro de Pesquisa e Resgate de Cetáceos, uma instituição de caridade escocesa voltada à conservação da vida marinha. Esses são os fatores identificados por cientistas como causas de encalhes — desde costas marítimas confusas até ameaças criadas pelos humanos.

Topografia

A topografia costeira e as variações na maré levam algumas regiões a se tornarem armadilhas para mamíferos marinhos. Encalhes em massa ocorrem regularmente em lugares como Farewell Spit na Nova Zelândia, a costa do Mar do Norte, e Cape Cod ,na costa leste dos Estados Unidos. Nick Davison, coordenador de encalhes do Projeto Escocês de Encalhe de Animais Marinhos, explica que essas regiões são muito rasas para as baleias circularem porque a habilidade de ecolocalização delas funciona apenas em águas profundas.

Além disso, durante um ciclo de maré, a água pode retroceder diversos quilômetros em poucos minutos, fazendo com que alguns animais fiquem presos. Daren Grover, do Projeto Jonah, explica que, se os animais não percebem que estão em águas mais rasas, encontram-se em perigo quando a maré vira. “O volume de água simplesmente diminui”, ele relata. “Eles ficam desamparados.”

Causas naturais

Uma baleia encalhada pode estar doente ou machucada, senil, perdida, incapaz de se alimentar ou em algum outro tipo de risco — por exemplo, um trabalho de parto difícil — ou, simplesmente, velha, explica Dan Jarvis, funcionário de apoio em campo e desenvolvimento de bem-estar do Instituto de Resgate de Vida Marinha British Divers . Animais enfraquecidos podem ser arrastados pelas correntes até as praias, enquanto aqueles que ficam desorientados podem chegar em águas mais rasas acidentalmente.

A predação também pode causar encalhes — tanto da presa quanto do predador. Grover lembra de situações em que golfinhos nadaram até uma praia para fugir de uma orca , assim como orcas que encalharam enquanto caçavam arraias em águas rasas. Embora se lançar às praias seja uma técnica de caça comum das orcas, às vezes, elas calculam mal a distância e precisam esperar que uma onda suficientemente grande as leve de volta ao oceano.

Mesmo que baleias saudáveis encalhem de vez em quando, a maioria delas está doente ou morta, como a baleia-comum que encalhou na costa leste da Inglaterra no dia 30 de maio de 2020. A causa de sua morte é desconhecida.
FOTO DE ROB DEAVILLE, CSIP-ZSL

Atividades humanas

Nós também somos parte do problema. Pesca, poluição e colisões de navios estão entre as causas de muitas lesões (e, consequentemente, mortes) que resultam em encalhes. A causa principal da morte de cetáceos causada por humanos é quando os animais ficam presos em redes de pesca. Robinson considera que a pesca seja a responsável pela extinção funcional do baiji ,uma espécie de golfinho, e pela extinção iminente da vaquita. A pesca em excesso também priva os cetáceos de suas maiores fontes de alimento, levando-os a se aventurarem em águas costeiras ou ondas de maré para caçarem.

Algumas causas, como a poluição, são traiçoeiras. Todos os químicos chegam até as águas oceânicas em algum momento, causando problemas duradouros. Rob Deaville, gerente de projetos da CSIP, conta que há evidências de animais mortos com níveis maiores de químicos poluentes que animais saudáveis, embora seja difícil provar a causa verdadeira. Ao mesmo tempo, a poluição feita por meio de resíduos plásticos também prejudica esses animais, pois causam enredamento, ingestão ou contaminação de microplásticos acumulados em seus corpos. 

Por fim, a possibilidade de ser atingido por um navio representa um problema para as espécies de movimentos lentos, como as baleias-francas do Norte do Atlântico. Colisões podem causar grandes lesões (ou morte) e levar ao encalhe.

Oceano barulhento

Poluição sonora, incluindo pulsações decorrentes do uso de sonares e pesquisas sísmicas, interferem nas habilidades de comunicação e movimento das baleias, e podem conduzi-las à terra devido à surdez, desorientação ou medo. Espécies que vivem no oceano aberto e em águas profundas, como as baleias-bicudas, são especialmente suscetíveis aos sonares, mesmo que estejam a quilômetros de distância. Acredita-se que atividades de sonares estejam associadas à série de encalhes de baleias-bicudas em Guam, por exemplo. Robinson sugere que as baleias “talvez sejam os animais com a acústica mais sofisticada do planeta”. Devido às ondas sonoras viajarem mais rápido na água do que no ar e manterem a intensidade por mais tempo, os sons podem causar lesões nos ouvidos desses animais.

“Então, toda vez que uma baleia tenta mergulhar, ela não consegue equalizar a pressão”, explica Robinson. Incapaz de mergulhar, a baleia não consegue caçar, ficando desnutrida e desidratada, uma vez que ela ingere água através do alimento. Enfraquecida, ela será arrastada pela corrente e, por fim, acabará no litoral.

Encalhes em massa

Encalhes em massa são definidos como qualquer evento envolvendo dois animais — com exceção de uma mãe e seu filhote — até um grupo inteiro, que pode variar entre poucas baleias até uma centena delas. Geralmente, eles ocorrem com espécies altamente sociáveis, como a baleia-piloto e o golfinho-cabeça-de-melão. Devido ao instinto de manada, o grupo inteiro permanecerá unido, mesmo se um deles estiver doente ou prejudicado, fazendo com que todos encalhem juntos ao tentarem ajudar um indivíduo em sofrimento.

Seus laços são tão fortes que, mesmo se os animais saudáveis sejam mandados de volta ao oceano — ou “desencalhados” — e ouvirem um membro do grupo chamando-os da praia, eles encalharão novamente para se reunirem a esse animal. Para evitar que isso aconteça, os resgatadores devem cuidar primeiro do animal acometido, antes de desencalhar o resto do grupo.

Chances de sobrevivência

Quando uma baleia encalha, começa uma corrida contra o tempo. O peso do cetáceo, que geralmente era sustentado pela água, fará com que ela fique esmagada contra o chão. Devido à circulação reduzida, as toxinas se acumulam, intoxicando o animal. Fora da água, a camada grossa de gordura da baleia pode gerar seu superaquecimento. Assim como outros mamíferos, as baleias respiram ar, então elas podem se afogar quando estão encalhadas se a água entrar em seu respiradouro durante a maré alta.

Se você encontrar uma baleia encalhada, não tente movê-la. Arrastar o animal de volta à água é “uma linha de ação totalmente errada”, explica Robinson, já que pode danificar suas caudas delicadas e pode ser fatal caso o animal necessite de tratamento veterinário antes de ser liberado. Em vez disso, instituições de caridade marinhas, a guarda costeira ou serviços de emergência podem prestar auxílio enquanto se aguarda voluntários treinados e veterinários. Mantenha o animal ereto, molhado (evite molhar o respiradouro) e o cubra para evitar queimaduras de sol.

Mesmo assim, as taxas de sobrevivência são baixas. Equipes de resgate tentarão desencalhar somente os animais que estejam saudáveis o suficiente para sobreviver. Outras opções seriam colocar o animal em cativeiro — em países onde isso é permitido — ou eutanásia. Ainda que seja angustiante, Jarvis argumenta que essa é a melhor decisão baseada no bem-estar do animal, em vez de submetê-lo ao cativeiro.

O lado bom

Os encalhes ajudam os cientistas a entenderem melhor esses animais, especialmente as espécies difíceis de serem estudadas, como as baleias-bicudas. As necrópsias ajudam os pesquisadores a entenderem não apenas como o animal morreu, mas também como ele viveu: onde esteve, o que comeu, como foi afetado pela poluição com plástico ou químicos e quantas vezes procriou. “Não se trata apenas da morte”, afirma Deaville. “Trata-se também da sua vida”.

Além disso, Deaville chama a atenção para o fato de que os encalhes podem ser um bom sinal para as espécies, porque indicam números populacionais mais saudáveis: de forma simples, se o número de animais for maior, é mais provável que eles encalhem devido a causas naturais, mesmo se outras ameaças sejam minimizadas. Na Escócia, a diminuição no número de encalhes de orcas deixa claro que sobraram poucos indivíduos de uma população que está em perigo de extinção; enquanto que o aumento de encalhes de baleias-jubarte no Reino Unido indica que a população aumentou desde que a pesca de baleias foi banida.

“Contraditoriamente”, conta Deaville, “é ruim para o animal, mas uma situação melhor para sua população”.

Fonte: National Geographic Brasil

MPF quer investigar presidente do Ibama por afrouxar regras para exportação de madeira

 

MPF quer investigar presidente do Ibama por afrouxar regras para exportação de madeira

terça-feira, 13 abril 2021 22:35
Presidente do Ibama, Eduardo Fortunato Bim. Foto: Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF.

A Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio do Ministério Público Federal (4CCR/MPF) pediu a abertura de investigação para apurar a eventual responsabilidade do presidente do Ibama, Eduardo Fortunato Bim, por assinar despachos que liberaram a exportação de madeira sem fiscalização ambiental. O pedido foi feito nesta segunda-feira (12). O MPF quer saber se o comandante do Ibama cometeu improbidade administrativa. 

A decisão da 4ª Câmara ocorreu após um procurador da República no Pará arquivar um inquérito que investigava a venda ilegal de madeira no Pará. O procurador responsável pelo caso pediu o arquivamento após concluir que os responsáveis pela exportação apenas cumpriram com a atual orientação do Ibama, que dispensou a exigência do documento. O arquivamento foi encaminhado ao colegiado, que não concordou com a decisão e reabriu o inquérito, desta vez com foco na orientação dada pelo presidente do Ibama.

Em fevereiro de 2020, atendendo pedidos da Associação Brasileira de Empresas Concessionárias Florestais (Confloresta) e da Associação das Indústrias Exportadoras de Madeira do Estado do Pará (Aimex), o presidente do Ibama eliminou a necessidade de autorização específica para exportação de madeira de origem nativa em geral, como estabelecia a Instrução Normativa 15/2011. A autorização só seria necessária em caso envolvendo espécies em perigo de extinção. 

A decisão de Bim foi assinada na terça-feira de Carnaval. Antes, ele havia se reunido com representantes de madeireiras multadas em R$ 2,6 milhões, no início de fevereiro, como mostra reportagem de Leandro Prazeres, em O Globo

Liberou geral

Pelo novo entendimento, a legalidade da exportação seria atestada apenas pelo Documento de Origem Florestal (DOF), extraído de sistemas do Ibama, ou pela Guia Florestal (GF) expedida pelos órgãos ambientais estaduais. 

“Como a declaração no Sisdof [sistema de informação do Ibama que é alimentado pelas próprias empresas e que gera o DOF] é realizada pelo próprio exportador, ou seja, autodeclaratória, sem passar pelo controle direto do Ibama, está sujeita a erros e muitas vezes má-fé, portanto, insuficiente para o controle da legalidade do produto vegetal destinado à exportação”, aponta o Colegiado. Na avaliação dos procuradores, “permitir que o DOF ou a Guia GF/Sisflora seja equivalente à Autorização de Exportação é reduzir a capacidade e a abrangência da fiscalização, ocasionando um grave risco de danos à vegetação nativa do Brasil, em afronta direta e esvaziamento do núcleo central do direito fundamental da coletividade, em suas presentes e futuras gerações, e ao meio ambiente ecologicamente equilibrado”.

O pedido de investigação foi encaminhado à Procuradoria da República no Distrito Federal, unidade do Ministério Público Federal que atua na primeira instância da Justiça Federal no DF.


terça-feira, 13 de abril de 2021

Mudanças climáticas terão impacto na produção global de alimentos e na saúde

 

Mudanças climáticas terão impacto na produção global de alimentos e na saúde

Estudo pede uma ação urgente contra as mudanças climáticas para garantir o abastecimento global de alimentos

A pesquisa conduzida pela New Curtin University descobriu que a mudança climática terá um impacto substancial na produção global de alimentos e na saúde se nenhuma ação for tomada por consumidores, indústrias alimentícias, governo e organismos internacionais.

Curtin University*

Publicado em uma das revistas de saúde pública de maior classificação, a Annual Review of Public Health , os pesquisadores concluíram uma revisão abrangente de 12 meses da literatura publicada sobre mudança climática, dieta saudável e ações necessárias para melhorar a nutrição e a saúde em todo o mundo.

O pesquisador principal John Curtin Emérito Emérito Professor Colin Binns, da Curtin School of Population Health da Curtin University, disse que a mudança climática teve um impacto prejudicial na saúde e na produção de alimentos nos últimos 50 anos e muito mais precisa ser feito para superar seus efeitos adversos efeitos.

“A combinação das mudanças climáticas com a qualidade da nutrição é o grande desafio para a saúde pública desta década e, certamente, deste século. Apesar dos avanços positivos nas taxas de nutrição mundiais, ainda enfrentamos a ameaça contínua da mudança climática para o nosso abastecimento global de alimentos, com a África Subsaariana e parte da Ásia em maior risco ”, disse o professor Binns.

“Por enquanto, será possível produzir alimentos suficientes para manter a ingestão adequada, usando melhores práticas agrícolas e tecnologia e mais equidade na distribuição, mas estimamos que até 2050 a produção mundial de alimentos precisará aumentar em 50 por cento para superar apresentar carências e atender às necessidades da crescente população.

“Nossa revisão recomenda que, ao seguir as orientações dietéticas necessárias e escolher alimentos com baixo impacto ambiental, como peixes, cereais integrais, frutas, vegetais, legumes, nozes, frutas vermelhas e azeite de oliva, melhoraria a saúde, ajudaria a reduzir os gases de efeito estufa e cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas , o que, por sua vez, melhoraria os níveis de produção de alimentos no futuro ”.

O professor Binns disse que, embora as mudanças climáticas tenham um efeito significativo sobre o abastecimento de alimentos, o compromisso político e os investimentos substanciais podem contribuir para reduzir os efeitos e fornecer os alimentos necessários para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

“Algumas mudanças precisarão ser feitas na produção de alimentos, o conteúdo de nutrientes precisará ser monitorado e uma distribuição mais equitativa será necessária para atender às diretrizes dietéticas propostas. Também era importante aumentar as taxas de amamentação para melhorar a saúde infantil e adulta, ao mesmo tempo que ajudava a reduzir os gases de efeito estufa e beneficiava o meio ambiente ”, disse o professor Binns.

“A pesquisa em andamento será vital para avaliar os impactos de longo prazo das mudanças climáticas sobre o abastecimento de alimentos e a saúde, a fim de se preparar adequadamente para o futuro.”

Este estudo foi um esforço colaborativo envolvendo pesquisadores da Curtin School of Population Health, da Murdoch University, da University of Exeter, da University of Malaya, da Oslo Metropolitan University, da University of Tokyo e da Hanoi University of Public Health.

Referência:

Climate Change, Food Supply, and Dietary Guidelines
Annual Review of Public Health
Vol. 42:233-255 (Volume publication date April 2021)
First published as a Review in Advance on January 26, 2021
https://doi.org/10.1146/annurev-publhealth-012420-105044

 

* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 08/04/2021

 

A manutenção da revista eletrônica EcoDebate é possível graças ao apoio técnico e hospedagem da Porto Fácil.

 

[CC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à EcoDebate com link e, se for o caso, à fonte primária da informação ]

Deter/Inpe registra 36 mil hectares desmatados na Amazônia em março

 


Deter/Inpe registra 36 mil hectares desmatados na Amazônia em março

Área com alerta de desmatamento na Amazônia já é a maior da série histórica para março

alertas de desmatamento do deter disparam

Dados do sistema DETER, do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados hoje, revelam que a área com alertas de desmatamento para março de 2021 na Amazônia é a maior da série histórica. Ao menos 36 mil hectares de floresta foram perdidos.

Apesar de uma cobertura de nuvens superior, houve um aumento de 12,5% em relação a março de 2020.

“O que já é ruim pode piorar, com Ricardo Salles trabalhando contra o meio ambiente e o Congresso Nacional trabalhando para legalizar grilagem, flexibilizar o licenciamento ambiental e abrir terras indígenas para mineração, o desmatamento tende a continuar em alta”, comenta Cristiane Mazzetti, Gestora Ambiental do Greenpeace.

É difícil imaginar uma solução para a Amazônia proposta por um governo responsável por um aumento histórico do desmatamento (trazendo à cena taxas anuais não observadas desde 2008, com 9% de aumento em 2020 comparado ao ano de 2019), e de um governo que represa (à exemplo do Fundo Amazônia) e corta recursos para a proteção do meio ambiente (conforme, Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) 2021).

Com impunidade forte no campo e na floresta, grandes polígonos de desmatamento têm sido cada vez mais observados nas imagens de satélite, com áreas de mil, 3 mil e até 5 mil hectares. Não será um rascunho desconexo de plano (Plano Operativo 2020-2023) para o controle do desmatamento, ou um acordo a portas fechadas com os Estados Unidos que reverterá toda a avalanche de destruição na Amazônia.

“Voltamos à era dos grandes desmatamentos e em meio a medidas que promovem o desmatamento na Amazônia e premiam os criminosos, o Deter de março é mais um motivo para que o governo Biden não assine um “cheque em branco” com o governo de Bolsonaro”, completa Cristiane.

Fonte: Greenpeace

 

 

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 09/04/2021

 

A manutenção da revista eletrônica EcoDebate é possível graças ao apoio técnico e hospedagem da Porto Fácil.

 

[CC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à EcoDebate com link e, se for o caso, à fonte primária da informação ]

Mata secundária tem papel importante no sequestro de carbono

 

Mata secundária tem papel importante no sequestro de carbono

Mata secundária utilizada na pesquisa já passou por exploração madeireira e queimadas

Uma pesquisa realizada na Embrapa Agrossilvipastoril, em Sinop (MT), reforçou a comprovação do papel que as matas secundárias possuem de retirar carbono da atmosfera e estocá-lo em forma de biomassa vegetal e no solo.

O trabalho monitorou as emissões durante um ano e levantou o estoque de carbono na parte área das árvores, nas raízes, no solo e na serrapilheira e galhos caídos no chão em uma área de floresta, com histórico de extração de madeiras e de queimadas, mas que se encontra intocada há, pelo menos, doze anos.

O resultado da caracterização dessa área é semelhante ao obtido em outros locais da Amazônia, em latitude semelhante. De acordo com Alexandre Nascimento, pesquisador da Embrapa e um dos autores do estudo, os dados obtidos servem não só como referência para acompanhamento do mesmo local ao longo do tempo, como também de comparativo com sistemas produtivos agrícolas e pecuários na mesma região.

“Quando avaliamos estoque de carbono e emissão de gases em um sistema agropecuário, sempre comparamos com um fragmento florestal, que é a referência de um sistema em maior equilíbrio. Sendo assim, um sistema agrícola cujo comportamento mais se aproxima da floresta, seria um sistema mais sustentável”, explica Alexandre Nascimento.

O estudo, que também contou com participação da UFMT, mostrou que as emissões acumuladas de gases de efeito estufa do solo no fragmento florestal foram de 13 toneladas de carbono equivalente por hectare em um ano. Já a soma dos estoques de carbono nos compartimentos da floresta, convertidos CO2, foram de aproximadamente 720 ton CO2. Desse carbono estocado, 50% encontram-se no solo, 41% na parte área das árvores, 4,2% nas raízes, 0,6% em galhos e troncos mortos e 2,7% na serrapilheira.

Os pesquisadores ressaltam que os estoques são resultado de anos de atividades biológicas daquele ecossistema e para saber a taxa de sequestro anual será necessário um novo estudo, dentro de alguns anos, para que as diferenças sejam percebidas. Pesquisas realizadas em outros locais, contudo, demonstram que somente a parte aérea das plantas têm capacidade de mitigar entre 4 e 11 toneladas de CO2 equivalente por hectare em um ano.

Pesquisador na área de restauração ecológica, Ingo Isernhagen lembra que o papel exercido pela recomposição de áreas de reserva legal (RL) e de preservação permanente (APP), bem como a conservação de matas com manejo florestal, vai muito além da mitigação das emissões geradas pelo uso da terra.

“As matas secundárias ou áreas recuperadas são importantes fontes não só para essa questão de assimilação de carbono, mas também para outros serviços ambientais, como abrigo para polinizadores, regulação microclimática, estabilização do solo, conservação hídrica e preservação de biodiversidade”, elenca o pesquisador.

De acordo com os pesquisadores responsáveis pelo trabalho, os resultados da pesquisa reforçam a importância de iniciativas de redução das emissões por desmatamento e conservação florestal (REDD+), contribuindo para que o Brasil cumpra com as metas voluntárias assumidas em acordos internacionais de redução das emissões de gases causadores de efeito estufa.

Estoques de carbono e emissões de gases de efeito estufa de floresta secundária na transição Amazônia-Cerrado
Estoques de carbono e emissões de gases de efeito estufa de floresta secundária na transição Amazônia-Cerrado

O estudo pode ser conferido na publicação “Estoques de carbono e emissões de gases de efeito estufa de floresta secundária na transição Amazônia-Cerrado”, disponível gratuitamente para download.

 

Fonte: Embrapa Agrossilvipastoril

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 09/04/2021

 

A manutenção da revista eletrônica EcoDebate é possível graças ao apoio técnico e hospedagem da Porto Fácil.

 

[CC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à EcoDebate com link e, se for o caso, à fonte primária da informação ]